quinta-feira, 25 de outubro de 2012



25 de outubro de 2012 | N° 17233
PAULO SANT’ANA

Emenda ao vice-governador

O vice-governador gaúcho Beto Grill propôs, em artigo que escreveu para ZH no domingo, que os jogadores de futebol passem a usar capacetes de proteção durante as disputas.

Escreveu o vice-governador que é urgente que os jogadores usem este EPI (equipamento de proteção individual), ou seja, os capacetes, os mesmos usados pelos motociclistas, evitando, assim, os traumatismos cranioencefálicos, que têm ocorrido com frequência nos gramados.

Este colunista quer aperfeiçoar a proposta do vice-governador.

Eu proporia também que os goleiros usassem luvas de ferro. E que aos jogadores em geral seja facultado o uso, amarradas nas canelas, daquelas bolas de ferro medievais com correntes.

Quando a disputa for tradicionalmente ferrenha, como nos clássicos locais, além desses equipamentos que eu e o vice Beto Grill sugerimos, fosse dado o direito aos jogadores de empunharem escudos e lanças, aquelas das justas da Idade Média.

Leiam o artigo do vice-governador: é uma preciosidade. Ele sugere à Fifa, para evitar as lesões cerebrais, que se proíba no futebol a jogada com a cabeça, assim como se proíbe aos que não são goleiros de jogarem com as mãos.

Eu vou mais longe: tem de se mudar a lei. Quando um jogador botar a cabeça na bola, fora da área, ele receberá cartão amarelo.

E, se botar a cabeça dentro da área, receberá cartão vermelho e sofrerá cobrança de pênalti.

Sendo assim, como o vice-governador propôs seriamente que os jogadores usem capacetes como equipamento obrigatório, desaparecerá da linguagem da crônica esportiva para sempre a palavra cabeçada. Será substituída pela palavra capacetada.

Os árbitros de futebol, peças essenciais desse esporte, também terão assegurada completamente a sua integridade física, usando armaduras de ferro.

E a Brigada Militar, cujos membros são agredidos frequentemente nos conflitos de gramado, quando forem intervir nessas fricções, entrarão em campo tripulando tanques de guerra.

Em face de que esses equipamentos todos que sugiro como acréscimo à ideia do vice-governador são compactos e alguns até agressivos, sugiro que, além da maca e da ambulância, tenha vez e direito de entrar em campo o carro fúnebre.

A ambulância terá de haver-se com dois médicos. O carro fúnebre, com um legista.

Ia me esquecendo: para proteger os jogadores, eles não farão mais parte da barreira, se transportará da lateral do campo uma placa de aço que servirá de barreira.

O vice-governador se esqueceu do público, mas eu não me esqueço.

Junto às catracas de entrada nos portões, serão colocados equipamentos tipo detectores de metal, sendo a eles submetido todo espectador da disputa, com scanners rigorosos.

E, depois disso tudo, serão abolidos dos estádios os chamados gritos de guerra das torcidas.

É a minha colaboração.

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