Loja de Inconveniência
Entre livros, bancas e estandes, quem caminhar pela Feira do Livro de Porto Alegre, a partir do dia 30, irá deparar com um espaço diferenciado das edições anteriores.
Do lado de fora, o espaço de 42 metros quadrados lembra uma loja de conveniência, dessas de postos de combustíveis. Mas, quando se entra na instalação cenográfica, há um certo desconforto. No lugar de produtos convencionais, haverá informações, dados e orientações relacionados à prevenção da violência sexual contra crianças e adolescentes.
Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026, o país registrou em 2025 mais de 61 mil vítimas de estupro e estupro de vulnerável entre crianças e adolescentes. A violência acontece, principalmente, dentro de casa (54,6%), sendo 59,2% dos autores familiares e 36,9% conhecidos da vítima.
Dadas a seriedade do tema e a realidade preocupante, a instalação na Feira do Livro é chamada de "Loja de Inconveniência".
O projeto "Vozes pela Proteção - Quebrando a Inconveniência" é uma mobilização nacional de conscientização e prevenção organizada pelo Movimento Violência Sexual Zero, iniciativa liderada pela Vibra, pela Childhood Brasil, pelo Instituto Liberta e pelo Grupo Mulheres do Brasil.
- É um tema sensível que estamos enfrentando com seriedade, responsabilidade e acolhimento. E trazer essa iniciativa para a Feira do Livro é uma maneira de aproximar o tema das famílias, dos educadores, das crianças e de toda a comunidade, fortalecendo a informação e a nossa rede de proteção. A prevenção começa quando deixamos de tratar o assunto como tabu e passamos a falar sobre ele - afirma a vice-prefeita da Capital, Betina Worm, uma das responsáveis pela articulação.
No espaço, haverá acolhimento, orientações sobre denúncia e apoio de psicólogos. A experiência terá acesso gratuito e permanecerá aberta durante os 17 dias da feira.
A programação também contará com o espetáculo Vozes Silenciadas. A apresentação acompanha a história de uma adolescente que encontra na música um caminho para enfrentar o trauma e romper o silêncio. A abordagem é sensível, sem cenas explícitas de violência, e será seguida por rodas de conversa destinadas a ampliar o diálogo e a orientação sobre o tema.
A Loja de Inconveniência será instalada na Praça da Alfândega, entre o Margs e o Banrisul.
A iniciativa é muito bem-vinda. E necessária! _
Um ciclone monstro a caminho da Ásia
Após alcançar a categoria 5 na escala Saffir-Simpson - sistema que avalia a intensidade de ventos e tempestades -, registrando ventos sustentados na casa dos 300 km/h e rajadas superiores a 306 km/h, segundo dados da Agência Meteorológica do Japão, o supertufão Champi tornou-se um dos ciclones tropicais mais intensos e devastadores do Oceano Pacífico Ocidental em 2026. Agora, o fenômeno avança representando ameaças climáticas para regiões da Ásia, como Taiwan.
A classificação de "supertufão" é atribuída a ciclones tropicais cujos ventos ultrapassam os 240 km/h. O fenômeno ganhou força devido à instabilidade atmosférica somada ao calor do oceano, que registrou temperaturas próximas de 30°C na região. Com isso, a água quente evapora, fornecendo a energia e a umidade necessárias para inflar a potência das tempestades.
Até o fechamento desta edição, o Champi já passou por Guam, nas Ilhas Marianas, com ventos e chuvas intensas, resultando em quedas na rede elétrica, danos a infraestruturas e árvores arrancadas. Na região das Filipinas, trouxe fortes ressacas marítimas, vendavais e chuva. Ao avançar em direção ao sul do Japão, o tufão fez com que companhias aéreas cancelassem e desviassem voos. _
A despedida de uma lenda
Existirá um jornalismo internacional antes e outro depois de Christiane Amanpour. A jornalista, que anunciou sua saída da rede CNN nesta semana, é a maior referência em coberturas de guerras e entrevistas com as mais altas autoridades da política global. Com 68 anos de vida e 43 de carreira, testemunhou os principais conflitos armados no final do século 20 e início do 21.
Tornou-se mundialmente famosa na Guerra do Golfo, em 1991, quando a própria CNN deixou de ser TV fechada e se tornou a principal rede de assuntos globais. Reportar guerras é "um senso de missão, de propósito, de poder contar uma história", disse ela.
Na Bósnia, cunhou uma das frases que marcariam uma geração de correspondentes. Ao ser criticada por sua suposta parcialidade em relação aos massacres, disse: "O jornalismo não deve ser neutro diante de genocídios". _
Entrevista - Jorge Chaloub
Cientista político e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
"Esta eleição concorre para ser a mais disputada da Nova República"
Cientista político e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Jorge Chaloub traçou um cenário de como Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) chegam ao segundo turno. A entrevista foi ao ar no programa Conversas Cruzadas de quarta-feira. Confira trechos.
Como os dois candidatos chegam ao segundo turno?
Quando olhamos para o primeiro turno, o cenário é de uma vitória muito expressiva do PL. O partido alcançou na Câmara a maior bancada, construiu uma maioria muito consolidada no Senado, teve um bom desempenho em governos estaduais. Então, me parece que essa eleição vai mudar a maneira pela qual passaremos a falar sobre bolsonarismo.
Um segundo retrato é que esse crescimento do PL se dá fundamentalmente em cima de uma direita mais tradicional, a do centrão, que perdeu representantes. Pesquisa eleitoral, sobretudo para a presidência, deve ser olhada menos para o resultado e mais para o movimento. E os movimentos da eleição presidencial, com mais de 150 milhões de eleitores, são lentos. Isso deixa a eleição do próximo domingo muito em aberto. Temos uma eleição que concorre fortemente para ser a mais disputada da Nova República.
Em 2022, tivemos uma diferença estreita entre Lula e Jair Bolsonaro. Em 2026, é possível projetar que será ainda menor?
Hoje, se seguirmos a indicação da Quaest, a diferença seria menor. Ainda não temos dados de abstenção, há movimentos que podem ocorrer até a urna, mas a eleição de 2022 já foi a mais apertada. Há risco de que se aproxime de outros cenários latino-americanos, como Colômbia e Peru, que foram eleições muito apertadas, divididas. Podemos ter uma surpresa com o movimento para um lado e para o outro, mas a tendência é de ser muito apertada.
É possível Lula virar o jogo?
Continuo achando que Flávio é favorito, mas agora está muito aberto. O favoritismo que era mais evidente no final do primeiro turno, agora, é bem leve, porque, claramente, há um movimento que algumas pesquisas indicaram de redução da diferença. Os movimentos, quando ocorrem, por vezes são lentos, muito difíceis de se reverter.
Quando você percebe, o movimento foi. Por isso, olhar pesquisa é olhar tendência. Esse tipo de movimento reduziu a rejeição, não ganhou voto. Mas, de repente, abre espaço para essa figura que rejeitava o Lula eventualmente votar nele por uma informação de última hora. É claro que você tem uma rejeição muito alta dos dois candidatos, há uma sensação de insatisfação geral com a política brasileira.