terça-feira, 9 de junho de 2026

 Brasil podia evitar veto à carne, mas não fez, diz porta-voz da União Europeia

Porta voz afirmou que a União Europeia pediu, durante três ou quatro anos, evidências da cadeia da carne no Brasil

Porta voz afirmou que a União Europeia pediu, durante três ou quatro anos, evidências da cadeia da carne no Brasil

RONALDO SCHEMIDT/AFP/JC

Agências
A União Europeia avisou o Brasil sobre a possibilidade de vetos à importação de carne e soja, mas o país e o setor agropecuário não fizeram mudanças para se adaptar às restrições, mesmo tendo capacidade para isso. Desta forma, o embargo foi efetivado, segundo relato do porta-voz da UE para comércio, Olof Gill, que diz acreditar que o atrito não deve afetar o acordo entre o bloco europeu e o Mercosul.
"Por três ou quatro anos, pedimos que o Brasil mostrasse evidências para garantir que a cadeia dos alimentos que vão para a Europa, como a carne, atende aos padrões de segurança alimentar e de saúde. O Brasil não fez isso até agora", afirma.
Segundo Gill, esses padrões e as restrições a usos de alguns medicamentos e hormônios animais -cujo uso fez o Brasil entrar na lista de vetos à importação- são conhecidos em todo o mundo.
Apesar do atrito, o porta-voz não acredita que os embargos devem ser tratados como um complicador para o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, que atualmente está sendo julgado pela Corte Europeia.
"Acreditamos que o Brasil tem capacidade industrial, o conhecimento e o poder econômico para fazer isso [atender aos parâmetros] facilmente. Então é uma questão simples do Brasil assumir a responsabilidade sobre os produtos que quer enviar para a União Europeia. Se fizerem isso, teremos um belo acordo", completou.
Sobre o processo que corre na Corte europeia questionando o acordo entre os dois blocos, o porta-voz vê motivações políticas, com opositores ao tratado que tentam revertê-lo de alguma forma.
Em razão disso, Gill evita fazer uma previsão de prazo para o julgamento terminar, mas defende que como ele não tem problemas jurídicos ou legais, o desfecho será sua aprovação.
"Infelizmente, é impossível dizer [uma perspectiva]. Não é comparável com processos legais que normalmente tomam um ano, um ano e meio [na Corte]", afirma.
Mas defende que, como o acordo já está gradualmente entrando em vigor, os benefícios econômicos serão sentidos pela população europeia - o que vai acabar por derrubar os argumentos daqueles contrários, de que ele traria prejuízo a setores do continente.

Aeroporto de Ijuí busca ampliar capacidade para atrair voos comerciais

 Aeroporto Municipal João Batista Bos Filho, em Ijuí, opera atualmente com estrutura considerada uma das mais qualificadas entre os aeródromos regionais do Rio Grande do Sul

Aeroporto Municipal João Batista Bos Filho, em Ijuí, opera atualmente com estrutura considerada uma das mais qualificadas entre os aeródromos regionais do Rio Grande do Sul

Prefeitura de Ijuí/Divulgação/JC

Gabrieli Silva
Gabrieli SilvaRepórterO Aeroporto Municipal João Batista Bos Filho, em Ijuí, opera atualmente com estrutura considerada uma das mais qualificadas entre os aeródromos regionais do Rio Grande do Sul. Com funcionamento 24 horas, pista asfaltada e balizamento noturno, o terminal atende diariamente operações da aviação executiva, aeromédica, militar, de instrução e agrícola, sustentando um papel logístico relevante no Noroeste do Estado.
Apesar da operação consolidada na aviação geral, a expansão para voos comerciais regulares ainda depende de investimentos estruturais. Com 1.280 metros de comprimento e 23 metros de largura, a pista de pouso e decolagem deverá ser ampliada em 500 metros, além de receber reforço na compactação.
Segundo o gestor do aeroporto, Carlos Schulz, a intervenção permitirá a operação de aeronaves de maior porte. O plano também inclui a implantação de novos sistemas de comunicação por rádio, estrutura para abastecimento e a modernização do terminal de passageiros.
Gestor do Aeroporto de Ijuí, Carlos Schulz diz que prioridade é ampliar a pista em 500 metros | TÂNIA MEINERZ/JC
Gestor do Aeroporto de Ijuí, Carlos Schulz diz que prioridade é ampliar a pista em 500 metrosTÂNIA MEINERZ/JC
Os atuais gargalos incluem justamente as limitações físicas da pista e a necessidade de qualificação do terminal, somados à concorrência com outros aeroportos regionais. Desde 2021, a administração municipal mantém tratativas com companhias aéreas para viabilizar ao menos uma rota regular conectando Ijuí a grandes centros, mas a consolidação depende do avanço desses investimentos.
No campo econômico, a operação aeromédica é um dos pilares, funcionando como elo para o transporte de pacientes de alta complexidade até hospitais de referência. Além disso, a estrutura favorece o deslocamento ágil de executivos e investidores, reduzindo o tempo de viagem em comparação ao modal rodoviário.
A estratégia de desenvolvimento inclui ainda a transformação do aeroporto em um terminal de carga. Projetos em andamento buscam adequar a infraestrutura para aeronaves maiores, o que pode impulsionar cadeias de importação e exportação de indústrias locais.
Paralelamente, o município trabalha na criação de marcos legais para estimular a instalação de empresas no entorno, como hangares, oficinas de manutenção e operadores do setor agrícola.
Há articulação com o governo do Estado para viabilizar recursos destinados à modernização do complexo. A avaliação da gestão é de que aeroportos regionais são peças-chave para reduzir a dependência do transporte rodoviário no Rio Grande do Sul, ampliando a conectividade e descentralizando a logística.
Schulz destaca ainda o papel estratégico desempenhado pelo aeródromo em situações de crise, como eventos climáticos extremos recentes, quando serviu como rota essencial para abastecimento, deslocamento e integração regional diante da interrupção de corredores terrestres e limitações operacionais na capital.
Com a aviação regional respondendo por mais de um terço do tráfego aéreo na Região Sul do Brasil, a perspectiva é de que aeroportos como o de Ijuí ganhem protagonismo nos próximos anos, desde que avancem em infraestrutura e capacidade operacional.

Ijuí mantém formação de pilotos, mas custo limita avanço do setor

Um dos ativos estratégicos vinculados ao aeroporto é o CIAC - Centro de Instrução de Aviação Civil, responsável pela formação de pilotos e pela manutenção de uma cultura aeronáutica consolidada no município desde 1940.
Integrado às operações do terminal, o aeroclube conta atualmente com dois hangares e uma frota de 34 aeronaves, entre aviões, planadores e motoplanadores, além de quatro instrutores e um checador de pilotos.
"A estrutura permite a formação de cerca de sete a dez alunos por ano, com cursos práticos de piloto privado de avião e de planadores, ambos homologados pela Anac", afirma o gestor do aeroporto, Carlos Schulz.
Segundo ele, o tempo médio de formação varia entre quatro e cinco meses, dependendo da disponibilidade do aluno e das condições climáticas. Atualmente, cinco alunos estão em formação, número que se mantém estável nos últimos anos.
Apesar da demanda crescente por pilotos, especialmente impulsionada pelo déficit global de profissionais na aviação, a formação ainda esbarra em barreiras significativas. "O custo é o principal entrave. A formação completa pode variar de R$ 45 mil a R$ 250 mil, e o valor da hora de voo gira entre R$ 700 e R$ 1,5 mil", destaca Schulz.
Além do fator financeiro, limitações de infraestrutura também impactam o ritmo de formação. "A manutenção das aeronaves tem custo elevado, com peças dolarizadas, e há escassez de escolas homologadas em diversas regiões, o que faz muitos alunos migrarem para outros centros", explica. Ele também aponta que a ausência de simuladores homologados reduz a eficiência da formação e eleva os custos operacionais.
Mesmo diante desses desafios, o aeroclube projeta expansão. "Os próximos passos incluem a construção de um novo hangar, aquisição de simulador de voo e a criação de cursos de piloto comercial e de instrutor de voo", afirma Schulz. A iniciativa busca acompanhar o crescimento da aviação regional e ampliar a capacidade de formação local.

 Associados da Piá aprovam pré-acordo com a Tirol

Segundo a Tirol, "a negociação ainda depende do cumprimento de fases e condições necessárias para a conclusão definitiva da operação"

Segundo a Tirol, "a negociação ainda depende do cumprimento de fases e condições necessárias para a conclusão definitiva da operação"

COOPERATIVA PIÁ/DIVULGAÇÃO/JC

Maria Amélia Vargas
Maria Amélia VargasEditora-AssistenteOs associados da Piá aprovaram, na semana passada, o início do processo de liquidação da cooperativa com continuidade do negócio. Nesta segunda-feira (8), a Lacticínios Tirol, de Santa Catarina, emitiu nota comunicando que a cooperativa gaúcha havia aprovado um pré-acordo com a empresa catarinense. As informações são das assessorias de imprensa das partes envolvidas.
Para a Tirol, a aprovação "representa uma etapa importante dentro do processo de negociação, que ainda depende do cumprimento de fases e condições necessárias para a conclusão definitiva da operação".
O texto afirma ainda que "a negociação está alinhada à sua estratégia de crescimento sustentável, sempre com respeito à tradição, à qualidade e à relevância regional da marca Piá". A empresa reforça que a operação "está sendo conduzida com responsabilidade, transparência e observância às etapas legais e negociais aplicáveis, permanecendo comprometida com a segurança jurídica do processo e com a continuidade das tratativas até sua conclusão".

Durante a assembleia da Piá, foi nomeado como liquidante o atual presidente, Jorge Dinnebier, e Ari Boelther como suplente de liquidante. Também foi definido o novo Conselho Fiscal, composto por Roberto Wazlawick, Ismael Becker e Antônio Faoro.

Com a aprovação da liquidação, o atual conselho de administração foi dissolvido, e a cooperativa passará a adotar, junto à sua razão social, a expressão “em liquidação”. A partir de agora, o liquidante deverá prestar contas aos associados, em assembleia, a cada seis meses, conforme determina a legislação.
Segundo Dinnebier, a medida legal é necessária para reorganizar a cooperativa em um momento desafiador. A partir dela, o grupo pretende "criar condições mais seguras para renegociar dívidas, obtendo ampliação nos prazos, redução nas taxas de juros, descontos para poder reequilibrar a operação".