quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Hotelaria do Litoral Norte projeta até 80% de ocupação no Carnaval

Movimento do mês de fevereiro está acima do registrado no mesmo período do ano passado

Movimento do mês de fevereiro está acima do registrado no mesmo período do ano passado

/Mauro Belo Schneider/Especial/JC

Gabrieli Silva
Gabrieli SilvaRepórterA hotelaria do Litoral Norte do Rio Grande do Sul entra na temporada de Carnaval com expectativa positiva de ocupação, mas ainda sob reflexos de um início de verão abaixo do esperado. O setor projeta hotéis próximos de 80% de lotação no feriado, após um mês de janeiro impactado pelo clima instável e pela redução no fluxo de turistas estrangeiros, especialmente argentinos.
Segundo a presidente do Sindicato de Hotéis e Restaurantes do Litoral Norte do RS, Ivone Ferraz, o faturamento de janeiro de 2026 ficou cerca de 25% abaixo do registrado no mesmo mês de 2025. A expectativa inicial era de uma temporada mais aquecida, com maior presença de visitantes internacionais e condições climáticas mais favoráveis ao turismo de praia.
Na prática, a instabilidade do clima teve impacto direto nas reservas. A procura por hospedagem no litoral ainda responde de forma sensível à previsão de sol, o que influenciou o comportamento do turista ao longo do primeiro mês da temporada. Paralelamente, mudanças no câmbio reduziram a competitividade do destino para visitantes argentinos, público tradicional da região.
“O setor vinha projetando um verão mais forte, com maior circulação de turistas estrangeiros e ocupação mais elevada já no início da temporada. O clima acabou sendo um fator determinante para esse resultado abaixo do esperado”, afirma a dirigente.
Fevereiro, no entanto, apresenta reação. O movimento do mês está acima do registrado no mesmo período do ano passado, puxado principalmente por turistas gaúchos que optaram por adiar viagens diante do tempo instável em janeiro. Para o Carnaval, a projeção é de ocupação próxima de 80%, índice superior ao verificado na edição anterior.
Outro comportamento observado nesta temporada foi o aumento no tempo médio de permanência. Parte dos hóspedes ampliou a estadia para períodos entre cinco e seis dias, movimento mais presente em feriados prolongados e no Réveillon.
Mesmo assim, o gasto dentro dos hotéis recuou. A avaliação do setor é de que o turista está mais atento ao preço e negocia mais descontos antes de fechar a hospedagem. As diárias tiveram reajuste médio de cerca de 10%, mas promoções foram necessárias em parte dos empreendimentos para garantir ocupação.
Além do desempenho da temporada, a dificuldade para contratação segue como desafio estrutural. A escassez de mão de obra qualificada atinge hotelaria, restaurantes e comércio em geral. Segundo o setor, a dificuldade é mais intensa em funções operacionais, como governança, recepção, cozinha e atendimento.
“Hoje temos vagas abertas e dificuldade real de preencher. Isso já não é mais algo pontual de temporada, virou um desafio permanente”, afirma a presidente do sindicato. Entre os fatores apontados estão a migração de trabalhadores para atividades com maior flexibilidade de jornada, o avanço do trabalho informal e a menor atratividade de contratos sazonais. Na prática, parte dos empreendimentos opera com equipes reduzidas e intensifica treinamentos internos para manter o padrão de atendimento.

Com investimento de R$ 200 milhões, Colégio Farroupilha inaugura novo prédio de Educação Infantil

Cerimônia contou com a presença de educadores, autoridades e conselheiros da mantenedora da escola

Cerimônia contou com a presença de educadores, autoridades e conselheiros da mantenedora da escola

João Alberto Mello de Mattos/Colégio Farroupilha/Divulgação/JC

JC
JCFoi inaugurado, na última terça-feira (10), o novo prédio da Educação Infantil do Colégio Farroupilha, em Porto Alegre. A inauguração marcou um momento histórico para a instituição, que completa 140 anos em 2026.

A cerimônia contou com a presença de educadores, autoridades e conselheiros da mantenedora da escola, a Associação Beneficente e Educacional de 1858 (ABE 1858). O prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, secretários municipais e o presidente do Sindicato do Ensino Privado (SINEPE/RS), Oswaldo Dalpiaz, também estiveram no evento.

Os convidados conheceram os três andares das novas instalações, parte de um investimento de R$ 200 milhões em infraestrutura.

A nova unidade comporta até 580 alunos. Além do atendimento regular de crianças de 0 a 6 anos, possibilitará a oferta do turno integral, inicialmente para alunos de 3 a 6 anos, com a implementação da metodologia Cambridge International Education. O currículo busca o desenvolvimento global do aluno, alternando brincadeiras, vivências e o estímulo a habilidades de comunicação e expressão criativa.

A diretora-geral, Marícia Ferri, destacou que a estrutura ganha sentido quando sustentada por uma metodologia consistente. "O prédio nasce da visão de que este tempo precioso do desenvolvimento infantil deve ser mediado por profissionais qualificados e fundamentados nas melhores evidências internacionais. Cada ambiente foi pensado para ampliar experiências e favorecer o desenvolvimento integral das crianças", afirmou.
A nova unidade comporta até 580 alunos | Rodrigo Lino/Colégio Farroupilha/Divulgação/JC
A nova unidade comporta até 580 alunosRodrigo Lino/Colégio Farroupilha/Divulgação/JC
Localizado no bairro Três Figueiras, em frente à sede da escola, o prédio atende aos critérios das certificações internacionais LEED, voltada para construções sustentáveis, e WELL, que foca na saúde e qualidade de vida dos usuários.
Há uma estação de tratamento de efluentes de alto rendimento para reuso de água e reaproveitamento de água da chuva. O prédio também conta com três andares de estacionamento para embarque e desembarque, e um túnel que interliga o novo prédio à sede da escola.

São 22 salas de aula com piso aquecido, varanda com deck e gramado particular. Além disso, a infraestrutura conta com espaços como "cozinha de lama", minianfiteatro, casa na árvore e uma horta cuidada pelos próprios alunos.

As aulas no Colégio Farroupilha, incluindo as da nova estrutura, começam no dia 23 de fevereiro.

 Analistas já aguardam reestruturação da dívida da Raízen

Empresa está no período de silêncio que antecede a divulgação de resultados, marcada para esta quinta-feira (12)

Empresa está no período de silêncio que antecede a divulgação de resultados, marcada para esta quinta-feira (12)

Raizen/Divulgação/JC
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Agências
Os analistas dos setores de energia e combustíveis aguardam para os próximos dias o anúncio de alguma proposta de reestruturação da dívida da Raízen, joint venture entre Cosan e Shell que é uma das maiores produtoras globais de açúcar e etanol, além de uma das principais distribuidoras de combustíveis do Brasil.
A empresa enfrenta deterioração financeira, com aumento acelerado da dívida líquida, que já passa de R$ 50 bilhões, cinco vezes mais do que suporta uma operação do seu porte, segundo analistas. A avaliação geral entre especialistas que acompanham a empresa é que a companhia necessita de uma expressiva capitalização dos acionistas.
Em relatório divulgado na segunda-feira (9), o banco suíço UBS afirmou que a companhia demanda uma injeção de capital entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões para reequilibrar a estrutura financeira. Porém, não há consenso de que os acionistas estão dispostos a fazer um aporte dessa monta.
Uma combinação de dissabores levou a Raízen à atual encruzilhada. Perdas de safras na cana-de-açúcar, problemas na distribuição de combustíveis, que só recentemente têm melhorado, e a pressão dos juros altos, que ajudam a turbinar os passivos. Também pesaram os altos investimentos em etanol de segunda geração, que ainda não deram o retorno esperado.
Além do endividamento, movimentos recentes da própria empresa contribuíram para a percepção de que uma decisão está prestes a ser anunciada.
Na segunda-feira (9), a Raízen informou em fato relevante que havia escolhido a Rothschild & Co como assessora financeira e os escritórios Pinheiro Neto Advogados e Cleary Gottlieb Steen & Hamilton LLP como consultores legais para avaliar alternativas de reestruturação financeira, incluindo renegociação de dívidas e venda de ativos.
A possibilidade de um desfecho iminente foi reforçada nesta quarta-feira (11) quando se tornou público que o BNDES avalia fazer um aporte junto com os controladores. A informação foi divulgada pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo.
Segundo a reportagem apurou, o governo está preocupado com a situação financeira da empresa, mas não existe consenso dentro do próprio banco público de que deva participar de uma operação, uma vez que a empresa é totalmente privada e conta com acionistas de grande porte.
Segundo reportagem da Bloomberg, um grupo de credores já formou um comitê e contratou assessoria jurídica já prevendo a possibilidade de renegociação da dívida.
A assessoria de imprensa da Raízen disse que a empresa está no período de silêncio que antecede a divulgação de resultados, marcada para esta quinta-feira (12), e também não comenta uma possível reestruturação. O BNDES informou à reportagem que não comenta assuntos relativos a empresas de capital aberto.

Revisão da nota

O fato é que os cenários para a Raízen pioram. Ainda na segunda, como reação ao anúncio da contratação dos assessores, as três principais agências de risco, S&P Global, Moody’s e Fitch, rebaixaram a sua nota.
Na S&P, a revisão foi da nota BBB-, dada a empresas com capacidade adequada de cumprir pagamentos, para CCC+, na qual se enquadram operações de alto risco. A perspectiva também foi alterada para negativa, o que significa que a nota pode piorar ainda mais.
A Moody's fez uma revisão de Ba1, patamar onde ficam empresas que conseguem cumprir compromissos acessando o mercado, ainda que pagando juros maiores, para Caa1, faixa em que ficam negócios com dificuldade de cumprir os compromissos financeiros. A perspectiva também está negativa.
Segundo a Moody's, três fatores básicos (nível elevado da dívida, desempenho operacional ainda em recuperação e incerteza sobre o aporte dos acionistas) aumentaram os riscos de que uma reestruturação ocorra em condições adversas, ou tenha perfil similar ao de um default, ou seja, leve à suspensão de pagamentos.
A Fitch fez duas rodadas de rebaixamento na segunda-feira, uma pela manhã e outra depois do anúncio de contratação dos assessores para a reestruturação financeira. A avaliação da agência é que agora existe risco substancial de inadimplência.

Piora financeira

Entre o final de 2024 e o encerramento do segundo trimestre do ano-safra 2025/2026, o dado público mais recente, a chamada dívida líquida (total de dívidas menos o caixa disponível) foi de R$ 34,3 bilhões para R$ 53,4 bilhões, uma expansão de R$ 19 bilhões em seis meses.
Houve também uma piora recorrente da alavancagem, indicador que mede o nível de endividamento em relação à capacidade da empresa de gerar lucro, medido pelo Ebitda ajustado (sigla em inglês para lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização, excluindo variações eventuais).
Quanto menor a alavancagem, na faixa de 1 ou 2 vezes o Ebitda, melhor a situação. Quando fica acima de 5 vezes é sinal de risco financeiro. No caso da Raízen, no mesmo período de seis meses, a alavancagem foi de 3,2 vezes o Ebitda ajustado para 5,1 vezes.