terça-feira, 3 de março de 2026

Marcas e Modismos: entre o efêmero e o estrutural

Luiz Tadeu Viapiana, economista e diretor da Centro Comunicação e Marketing Ltda

Luiz Tadeu Viapiana, economista e diretor da Centro Comunicação e Marketing Ltda

/Arquivo Pessoal/Divulgação/JC
Jornal do Comércio
Vivemos sob a égide de um capitalismo de atenção, no qual o valor simbólico de uma marca se mede, frequentemente, por sua capacidade de gerar engajamento instantâneo.
Nesse ambiente, o modismo — entendido aqui como um fenômeno social de curta duração e alta intensidade — passou a ocupar, de forma equivocada, uma posição estratégica nas decisões de comunicação e posicionamento.
Não é difícil compreender o apelo. Modismos funcionam como atalhos culturais: são facilmente reconhecíveis, mobilizam afetos e oferecem acesso rápido ao imaginário coletivo. Para marcas em busca de visibilidade, parecem ouro em pó. Mas como bem sabemos na economia, nem tudo que reluz é reserva de valor.
A grande questão reside na distinção — fundamental, mas frequentemente negligenciada — entre tática e estratégia, ou entre conjuntura e estrutura. Reagir a modismos pode ser útil como mecanismo de inserção no zeitgeist, mas se isso se dá em detrimento de uma identidade de marca clara e consistente, o custo reputacional no longo prazo pode ser elevado.
Marcas são ativos intangíveis que operam sob uma lógica de construção de confiança, não de volatilidade. E confiança, como o capital, demanda tempo, coerência e lastro. O excesso de aderência ao efêmero revela não só insegurança estratégica, mas também uma incompreensão sobre o papel cultural que as marcas desempenham em economias maduras: não apenas refletem valores, mas ajudam a moldá-los.
Em última instância, o dilema entre modismo e essência remete a uma escolha clássica entre arbitragem de curto prazo e investimento de longo prazo. A marca que cede a toda e qualquer tendência talvez maximize cliques no presente, mas sacrifica a possibilidade de construir um patrimônio simbólico robusto no futuro. Como nos mercados financeiros, é preciso saber distinguir entre o ruído e o sinal — e isso exige mais do que timing: exige uma visão estratégica sólida. 

Gerdau e Tramontina são eleitas como as grandes marcas gaúchas de 2025

Representantes das empresas vencedoras receberam os diplomas da premiação no palco do evento

Representantes das empresas vencedoras receberam os diplomas da premiação no palco do evento

/Tânia Meinerz/JC
JC
JC
Durante o evento de divulgação da pesquisa Marcas de Quem Decide 2025, que ocorreu na manhã de ontem, no Teatro Fiergs, em Porto Alegre, foram detalhadas as marcas vencedoras da categoria Grande Marca Gaúcha do Ano. Na ocasião, foram listados os 10 nomes elencados, que neste ano foram todos de empresas.
A Gerdau ficou em primeiro lugar no quesito lembrança, com 13% das indicações dos entrevistados ouvidos na pesquisa. Já a Tramontina assumiu o posto em preferência, com 17,69%.
Na lembrança, depois da Gerdau, aparecem as empresas Tramontina, Marcopolo, Randon, RBS, Banrisul, Sicredi, Farmácias São João, Companhia Zaffari e Be8.
Já na preferência, depois de Tramontina, aparecem as empresas Gerdau, Marcopolo, Randon, Banrisul, RBS, Zaffari, Farmácias São João, Sicredi e Be8.
O levantamento deste ano teve 5 mil marcas destacadas pelos entrevistados, 1 mil a mais do que no ano passado.

Marcas de Quem Decide reconhece marcas mais lembradas e preferidas em evento renovado na Pucrs

Em 2026, além da certificação, palestras sobre reputação integram programação do Marcas de Quem Decide

Em 2026, além da certificação, palestras sobre reputação integram programação do Marcas de Quem Decide

Nathan Lemos/JC
Mauro Belo Schneider
Mauro Belo SchneiderEditor-executivoEm um evento renovado, tanto em local quanto em formato, o Marcas de Quem Decide chegou à 28ª edição. Na manhã desta terça-feira (3), no Salão de Atos da Pucrs, em Porto Alegre, o projeto do Jornal do Comércio apontou as marcas mais lembradas e preferidas das lideranças gaúchas em 78 categorias.
Conforme Elis Radmann, fundadora do Instituto Pesquisas de Opinião (IPO), responsável pela pesquisa, mais de 4 mil marcas foram citadas pelo público. Seus representantes subiram ao palco para receber os certificados, e foram aplaudidos por uma plateia de mais de 1 mil pessoas.
"Lembrança de marca é fruto da exposição, da consistência na Comunicação. Preferência representa uma escolha consciente de uma marca em detrimento dos concorrentes. Nesse caso, entra em jogo qualidade, confiança e atendimento", comparou Elis.
Uma das novidades do Marcas, neste ano, foi a extensão das atividades para o turno da tarde, programação que conta com palestras e painéis sobre construção de reputação e memória dos consumidores. Giovanni Jarros Tumelero, presidente do JC, explicou a decisão. "O Marcas continua no conteúdo, na troca de experiências e no relacionamento."
Marcas de Quem Decide aponta preferência e lembrança em 78 categorias | Nathan Lemos/JC
Marcas de Quem Decide aponta preferência e lembrança em 78 categoriasNathan Lemos/JC
Tumelero classificou, ainda, a conquista das marcas como um valor intangível. "É o espaço no coração e na mente de executivos", disse, destacando, em seguida, o fato de o evento estar sendo realizado pela primeira vez numa universidade. "Nos próximos meses também nos mudaremos para o Tecnopuc para nos aproximarmos do ecossistema de inovação, tecnologia e desenvolvimento", afirmou.
Em seu discurso, o vice-reitor da Pucrs, Marcelo Bonhemberger, celebrou a chegada do JC ao campus e brincou que o ano só começa depois do Marcas de Quem Decide. Na sequência, o prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, sublinhou que estar na Pucrs é estar em meio ao empreendedorismo. "Esse evento é de quem acorda cedo, dorme tarde e faz o Brasil funcionar", falou.
Para o Marcas 2026, foram ouvidas lideranças de mais de 47 cidades, que tiveram de responder a 172 perguntas. Treze marcas gaúchas foram dominantes, liderando de ponta a ponta em todo o Estado. Outro dado interessante é que 12 marcas do interior lideraram no Rio Grande do Sul.
Público lotou o Teatro da Pucrs para o Marcas de Quem Decide | Tânia Meinerz/JC
Público lotou o Teatro da Pucrs para o Marcas de Quem DecideTânia Meinerz/JC
Além das categorias individuais, há três especiais: Marca Gaúcha Ambiental, Marca Gaúcha Inovadora e a Grande Marca Gaúcha do Ano. A CMPC liderou, tanto em lembrança quanto em preferência como Marca Gaúcha Ambiental; a Tramontina ficou em primeiro, também em ambos critérios, como Marca Gaúcha Inovadora e como Grande Marca Gaúcha do Ano.
O caderno especial com todos os dados da pesquisa circulará no dia 30 de março.

 Gerdau e Tramontina são eleitas como as grandes marcas gaúchas de 2025

Representantes das empresas vencedoras receberam os diplomas da premiação no palco do evento

Representantes das empresas vencedoras receberam os diplomas da premiação no palco do evento

/Tânia Meinerz/JC
JC
JC
Durante o evento de divulgação da pesquisa Marcas de Quem Decide 2025, que ocorreu na manhã de ontem, no Teatro Fiergs, em Porto Alegre, foram detalhadas as marcas vencedoras da categoria Grande Marca Gaúcha do Ano. Na ocasião, foram listados os 10 nomes elencados, que neste ano foram todos de empresas.
A Gerdau ficou em primeiro lugar no quesito lembrança, com 13% das indicações dos entrevistados ouvidos na pesquisa. Já a Tramontina assumiu o posto em preferência, com 17,69%.
Na lembrança, depois da Gerdau, aparecem as empresas Tramontina, Marcopolo, Randon, RBS, Banrisul, Sicredi, Farmácias São João, Companhia Zaffari e Be8.
Já na preferência, depois de Tramontina, aparecem as empresas Gerdau, Marcopolo, Randon, Banrisul, RBS, Zaffari, Farmácias São João, Sicredi e Be8.
O levantamento deste ano teve 5 mil marcas destacadas pelos entrevistados, 1 mil a mais do que no ano passado.