sexta-feira, 25 de setembro de 2026

25 de Setembro de 2026
EDITORIAL

EDITORIAL

Quando chega a primavera

Chegamos à primavera, a estação mais florida, leve e refrescante do ano. Com ela, voltam com ainda mais frequência os encontros ao ar livre, as conversas sem fim e a mesa farta de pratos para compartilhar. É nesse espaço que a refeição cumpre seu papel mais bonito: o de abraçar, confortar e celebrar.

Inspirados por esse clima - e embalados pelas comemorações do Dia do Sorvete, celebrado quarta, nesta mesma semana -, preparamos este caderno. Afinal, poucas coisas combinam tanto com o calor e a alegria da estação quanto essa indulgência gelada, capaz de arrancar sorrisos de crianças e adultos.

Nas próximas páginas, você poderá passear pela nossa própria versão de primavera, com direito a um mergulho na horta comestível cultivada por Carlos Kristensen. O chef e sócio-proprietário do Um Bar&Cozinha nos conduz por uma imersão ao redor de ingredientes tão regionais e, ao mesmo tempo, tão universais. Prepare-se para conhecer o menu exclusivo desenvolvido para a temporada e descobrir mais sobre a trajetória de um dos pioneiros da alta gastronomia no Rio Grande do Sul.

Para completar este passeio que conecta as nossas raízes, na coluna Abobrinhas, da colunista Mariana Weckerle, desvendamos as diferenças entre sorvete, gelato e nicecream e reunimos receitas práticas para fazer em casa. Ainda preparamos uma hotlist imperdível com alguns lugares para saborear essas sobremesas na Capital e na região metropolitana. 

Brunna Oliveira - Analista de Conteúdo

25 de Setembro de 2026
OPINIÃO RBS

Nunes Marques é outro que deve explicações

Depois dos colegas Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, que até hoje não deram explicações convincentes sobre negócios ligados ao Banco Master e relações com Daniel Vorcaro, chega a vez de o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques ser cobrado a prestar esclarecimentos plausíveis. Não é apropriado que, sobre um membro da mais alta Corte brasileira, seu filho e pessoas próximas, pairem tantas dúvidas acerca de vínculos com o ex-banqueiro e seus interesses no Judiciário. Várias mensagens extraídas do celular de Vorcaro pela Polícia Federal (PF) formam um acervo de episódios obscuros que aguardam elucidação.

A mais recente revelação mostra um contrato de advocacia com a "Turma do KN". Conforme a PF, as iniciais são uma referência a Kassio Nunes. A "turma" seriam Camila Ramos, sócia do escritório Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos, e seu marido, o desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). Previa o pagamento de R$ 427 milhões à banca em caso de êxito em ações sobre pagamentos de precatórios do setor sucroalcooleiro adquiridos pelo Master, que totalizavam R$ 8,5 bilhões. Ontem, o gabinete de Ramos foi alvo de uma operação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Ramos é amigo e foi juiz auxiliar de Nunes Marques quando o hoje ministro foi vice-presidente do TRF-1, de 2018 a 2020. Seis meses antes de o contrato ser firmado, Ramos votou a favor do Master em dois casos sobre precatórios do setor. Em 2024, na 2ª Turma do STF, Nunes Marques desempatou um processo que interessava à tese do Master. Votou após mudar de ideia, depois de declarar-se impedido. O resultado foi comemorado por Vorcaro, mostram mensagens de celular.

Há mais referências constrangedoras. Em uma delas, surge um pedido para o então banqueiro autorizar uma estadia com tarifa promocional para o ministro em um hotel. Em outra, há sugestão de pagamento de um possível encontro íntimo de Nunes Marques com uma mulher.

O jovem advogado Kevin Marques, filho do ministro, também aparece nas trocas de mensagens em situações mal explicadas. Em um diálogo com Vorcaro, um colaborador pergunta, sobre Kevin: "Esse aqui - 500 mil mês - mantém?". O filho de Nunes Marques parece ser um prodígio na profissão. Tem apenas 26 anos e foi aprovado no exame da OAB em 2024. Mesmo assim, em pouco tempo acumulou clientela de peso e patrimônio vultoso. Dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) apontam que, em 2025, iniciou o ano com R$ 5 milhões aplicados em fundos e, no segundo semestre, fez aporte de R$ 22 milhões.

No final de 2025, após a primeira prisão de Vorcaro, a defesa do Master tentou uma manobra para que o caso ficasse com Nunes Marques. Em favor do ministro, cumpre lembrar que, na 2ª Turma, neste ano, votou pela manutenção da prisão do ex-banqueiro.

É ingenuidade não vincular as revelações que embaraçam Nunes Marques à guerra de vazamentos entre alas do STF. Há interesse de Moraes e de seus aliados para o ministro seguir pressionado. Coagido, continuaria a declarar-se impedido de votar em casos como o que envolve Moraes e Vorcaro. Um acordo tácito pela garantia de que os enrolados com o Master não precisem dar satisfações nem ser investigados desonra ainda mais a Corte. O interesse do país é o de que toda conduta suspeita seja apurada. 

25 de Setembro de 2026
ECONOMIA

ECONOMIA

Reajuste no Bolsa Família impacta outras áreas - Economia

O governo do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), anunciou uma redução na projeção de recursos para Previdência Social, remuneração de servidores, Benefício de Prestação Continuada (BPC), subsídios e outras despesas para acomodar o reajuste do Bolsa Família.

O presidente Lula anunciou reajuste de 15% no Bolsa Família. O piso passará de R$ 600 para R$ 691, e a média, de R$ 675 para R$ 777, a partir de outubro. O impacto estimado é de R$ 5,8 bilhões em 2026 e R$ 22 bilhões em 2027.

Para bancar o aumento do benefício, o governo anunciou uma economia com outros recursos. Ontem, o Executivo apresentou o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do quarto bimestre do ano.

O congelamento de despesas para cumprir as regras fiscais diminuiu de R$ 17,9 bilhões para R$ 16,1 bilhões em 2026. A contenção é resultado de um bloqueio de R$ 2,4 bilhões e de um contingenciamento de R$ 13,6 bilhões. Até o momento, o governo havia bloqueado R$ 17,9 bilhões em despesas e não havia nenhum contingenciamento.

Benefícios previdenciários

Segundo o governo, em 2026 haverá uma economia de R$ 11,5 bilhões com benefícios previdenciários, R$ 4,1 bilhões com despesas de pessoal e encargos sociais, R$ 1,8 bilhão com BPC, R$ 1,1 bilhão com subsídios, subvenções e Proagro e R$ 100 milhões com outros gastos. Com isso, será possível acomodar o reajuste do Bolsa Família neste ano. Para 2027, o Executivo encaminhará mudanças no Orçamento ao Congresso Nacional.

Segundo o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, a redução de despesas não é um corte na Previdência Social, mas é uma estimativa de economia que vai reduzir o crescimento do gasto. 

25 de Setembro de 2026
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Tudo é possível na disputa pelo Senado

Pouca coisa mudou na pesquisa Quaest para o Senado entre o levantamento de 24 de agosto e o divulgado nesta quinta-feira, a 10 dias da eleição. Manuela D?Ávila (PSOL) é a única entre os candidatos ao Senado em situação relativamente confortável, pela combinação entre primeiro e segundo votos. Mas nem ela pode ser considerada eleita, dada a proximidade entre os cinco primeiros candidatos e o elevado número de indecisos e de eleitores dispostos a votar branco ou nulo ou até não votar.

Com margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos, Manuela é o primeiro voto de 18% dos entrevistados e o segundo de 9%. Como são duas vagas, essa combinação de números expressa melhor a intenção de voto do que o percentual de 14%, resultado da soma dos dois votos, divididos por dois, para chegar a 100%.

Marcel van Hattem (Novo) tem 16% como primeiro voto e 6% como segundo, o que lhe dá uma média de 11%, tecnicamente empatado com Paulo Pimenta (PT) e Ubiratan Sanderson (PL), ambos com 10%. Germano Rigotto (MDB) tem 9% e está no jogo.

Indecisos e desencantados podem virar o jogo

O elevado percentual de indecisos, somado ao dos que pretendem votar branco ou nulo, ou não estão pensando em votar, torna impossível fazer qualquer previsão segura de resultado. Historicamente, quando há duas cadeiras em disputa, os eleitores deixam para definir o segundo voto nos últimos dias. Boa parte chega diante da urna sem saber que precisa escolher dois nomes e acaba anulando a segunda opção.

Na Quaest, 25% dos entrevistados ainda não escolheram o candidato para a primeira vaga e 36% não definiram o segundo voto. O ponto de interrogação supera todos os candidatos. Há ainda 8% que pensam em não ir às urnas ou votar nulo ou branco na primeira vaga. Na segunda, esse índice sobe para 13%.

Somando-se as duas vagas, os indecisos representam 30% dos eleitores e os desencantados, 11%, mesmo com a campanha nas ruas, nas redes, no rádio e TV. Em agosto, eram 37%, mais 14% que a todos rejeitam. _

Na corrida presidencial, Flávio e Lula estão empatados na margem de erro

Na simulação de primeiro turno no Rio Grande do Sul, o senador Flávio Bolsonaro (PL) tem 35% das intenções de voto no primeiro turno e o presidente Lula (PT), 31%. Como a margem de erro é de três pontos para mais ou para menos, a situação se configura como de empate técnico. Flávio teria entre 32% e 38%. Lula, entre 28% e 34%.

Todos os demais candidatos juntos somam 10%, menos que os indecisos (16%) e pouco mais do que os 8% dispostos a votar nulo, branco ou não comparecer à sessão no dia 4.

No segundo turno, a vantagem de Flávio se amplia. Ele herda os votos de quase todos os candidatos e sobe para 46%, enquanto Lula passa de 31% para 35%.

Os indecisos no segundo turno são 7% e os que não pretendem votar ou pensam em anular ou digitar "branco" somam 12%. _

Leite é bem avaliado

A campanha de Gabriel Souza ajudou a melhorar a avaliação do governador Eduardo Leite. O índice de aprovação subiu de 42% para 52% em um mês e o de reprovação caiu de 45% para 38%. Já a aprovação do presidente Lula subiu de 38% para 40% e a desaprovação caiu de 55% para 54%. _

Indecisos embaralham eleição para governador

A pesquisa Quaest detectou um fenômeno incomum na eleição para governador do Rio Grande do Sul. Um quarto dos 900 entrevistados (25%) declarou ainda não saber em quem votar. Dos que já escolheram, 29% optaram por Luciano Zucco (PL) e 23% por Juliana Brizola (PDT). Gabriel Souza (MDB) foi mencionado por 10%. Há ainda 8% que não se empolgam com nenhum dos candidatos.

É curioso que, apesar da campanha intensa dos últimos 30 dias, todas as mudanças tenham ocorrido dentro da margem de erro de três pontos. Zucco subiu de 26% para 29%, Juliana se manteve em 23%, Gabriel passou de 9% para 10% e Marcelo Maranata (PSDB) passou de 2% para 3%.

No segundo turno, Zucco está à frente, mas 40% contra 34% de Juliana significa "empate no limite da margem de erro". No confronto direto com Gabriel, Zucco faz 42% e o vice-governador, 26%. Na disputa entre Juliana e Gabriel, ela tem 34% e ele, 27%.

A favor de Zucco pesa a baixa rejeição: 23% dos entrevistados disseram que conhecem o candidato do PL e não votariam nele. Já a rejeição de Juliana é de 35%, um ponto a menos do que os que a conhecem e votariam nela. Gabriel tem 20% de rejeição, ante 21% que o conhecem e votariam nele. _

Amizade com advogado pode ser pior do que voo no jatinho

Se não fossem os laços e os cifrões que unem Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro, seria possível acreditar que ele não tivesse a mais remota ideia de que o Legacy no qual viajou com a família, de Fort Lauderdale para Brasília em janeiro de 2025, era compartilhado pelo "amigo legítimo" Willer Tomaz com outros dois sócios. E que o dono de um terço do jatinho era ninguém menos que Vorcaro.

É verdade que o mundo dos muito ricos - aqueles que podem comprar ou dividir um jatinho - é muito pequeno. E que se o avião está no nome de uma pessoa jurídica, como saber que o dono da empresa seja justamente aquele banqueiro para quem você ali adiante vai pedir dinheiro para financiar um filme sobre a vida de seu pai?

É possível que ter viajado no mesmo avião que oito meses depois levaria o ministro Alexandre de Moraes e sua esposa para um compromisso no Rio de Janeiro seja um problema menor do que o álibi apresentado por Flávio para se defender.

Ocorre que Willer é investigado no escândalo do INSS por ligações com o senador Weverton Rocha, que aparece em fotos com ele e Flávio no mesmo safári. O advogado, que diz não conhecer Vorcaro, comprou do cunhado dele, Fabiano Zettel, um apartamento de luxo em uma das áreas mais nobres de São Paulo por R$ 2 milhões a menos do que pagara. Isso poucos dias antes de Zettel ser preso. _

POLÍTICA E PODER

A corrida da inteligência artificial

Há requintes de Guerra Fria na corrida de Estados Unidos e China pelo desenvolvimento da inteligência artificial.

Tanto que, diante das recomendações para colocar freios nas pesquisas após o incidente envolvendo um modelo experimental da OpenAI que invadiu os sistemas da Hugging Face, surgiu um dilema de uma corrida armamentista: nenhum dos lados parece disposto a desacelerar se o outro continuar avançando. Como na disputa entre americanos e soviéticos, entre 1945 e 1991, se um acelerava a fabricação de mísseis balísticos e ogivas nucleares, o outro dobrava a aposta.

Mas digo "requintes" porque, por mais tentador que seja comparar o comportamento dos dois titãs econômicos globais com a antiga rivalidade entre EUA e URSS, é importante colocar os dois pés na realidade: o mundo hoje não está dividido em duas esferas de poder. Mesmo depois de anos de guerra comercial, tarifas e restrições tecnológicas, Estados Unidos e China continuam profundamente conectados.

Americanos e soviéticos eram adversários praticamente sem vínculos econômicos. EUA e China são competidores estratégicos cujas economias estão conectadas. Competem por semicondutores, inteligência artificial, minerais críticos, mas também vendem centenas de bilhões de dólares um ao outro.

Poucas cenas sintetizam tão bem essa relação quanto a de Donald Trump ao pé da escada do avião de Xi Jinping na Base Aérea de Andrews. Normalmente, o anfitrião espera o visitante na Casa Branca. A deferência ajuda a dimensionar a importância que Washington atribui à relação com Pequim.

Nesse cenário

Na inteligência artificial, essa mistura de competição e dependência é evidente. Empresas e pesquisadores passaram a defender algum tipo de desaceleração no desenvolvimento dos modelos mais avançados depois dos recentes incidentes de segurança. Mas a competição entre as duas potências torna um freio unilateral difícil. Se um desacelerar, entregará ao adversário uma vantagem estratégica.

Os dois lados minimizaram o alarmismo. O Ministério das Relações Exteriores da China criticou o que chamou de disseminação do medo, defendendo uma IA "para o bem". Trump falou em evitar "a forças do mal". Ontem, Xi afirmou que China e Estados Unidos têm a responsabilidade de desenvolver e gerir a tecnologia para que permaneça sob controle humano.

Ao mesmo tempo, os dois governos concordaram em estabelecer um canal para comunicar incidentes de segurança. É muito mais do que um "telefone vermelho", a Hotline Washington-Moscow pós-Crise dos Mísseis. Hoje, no fundo, as decisões estratégicas e militares estão muito mais subordinadas aos negócios. _

Parceria entre UFRGS e Moscou

A UFRGS assinou um termo de cooperação com a Universidade de Moscou - Lomonosov (MSU) para incremento de pesquisas polares.

A instituição russa é uma das mais antigas e renomadas do país. A concretização do acerto foi feito durante visita da reitora da UFRGS, Marcia Barbosa, a Moscou, recentemente.

Para o professor Jefferson Cardia Simões, o acordo abre para o Centro Polar e Climático (na verdade para UFRGS como um todo) a possibilidade de que sejam realizadas pesquisas de campo no Ártico russo e no arquipélago de Svalbard, que tem soberania norueguesa mas permite que países tenham estação científica na área.

- Os russos têm uma estação, Barentsburg, e poderemos trabalhar lá. Nós, da UFRGS, temos interesses em alguns tópicos quentes, relacionados as mudanças do clima do Ártico - explica.

Entre os temas, foram abordados: o impacto do derretimento do gelo marinho no Oceano Ártico nas rotas de transporte oceânicas; a exploração de recursos naturais e novas estratégias militares com a abertura do oceano; o impacto do aquecimento do Ártico no clima dos trópicos; e o impacto do derretimento de calotas de gelo e do manto de gelo da Groenlândia no nível dos oceanos. _

MP reduz pegada de carbono

O MP-RS reduziu em 67,18 toneladas as emissões de gases de efeito estufa entre junho de 2025 e agosto de 2026. O feito foi possível graças à ampliação do uso de etanol em veículos da instituição. A medida resultou em uma redução de 25% das emissões em comparação com um cenário de utilização exclusiva de gasolina. Veja a que equivale a economia no ecossistema. _

Dimensão

Absorção florestal - O trabalho de cerca de 480 árvores adultas crescendo e absorvendo carbono ao longo de 10 anos.

Quilometragem percorrida - A emissão do escapamento de um carro de passeio a gasolina rodando 270 mil quilômetros, o equivalente a dar quase sete voltas completas ao redor do planeta Terra pela linha do Equador.

Consumo de combustível - A não queima direta de cerca de 29 mil litros de gasolina.

Energia residencial - A pegada de carbono do consumo anual de eletricidade e gás de aproximadamente 28 famílias brasileiras.

Semana do Clima de NY

A CoalizãoRS, iniciativa que reúne poderes públicos e privados, academia e organizações da sociedade civil, está participando da New York Climate Week, um dos principais encontros globais sobre mudanças climáticas.

O diretor-executivo da entidade, Tarso Oliveira, participou do painel Building Resilience Together - Construindo Resiliência Juntos: uma nova parceria para financiamento e governança climática no Rio Grande do Sul, ao lado da professora Eugenie L. Birch, da University of Pennsylvania, e de Isa Carla Osterkamp, secretária do Meio Ambiente do Estado.

Tarso também participou do painel From Reconstruction to Resilience - A New Public-Private Investment Moden in Rio Grande do Sul, Brazil, ao lado do diretor de Inovação e Mercados do Badesul, Elias Rigon, da coordenadora da assessoria técnica da Secretaria da Reconstrução Gaúcha, Cecília Hoff, e do presidente do Dmae, Vicente Perrone. A mediação foi de Delfina Vildosola, do Penn IUR.

O que foi discutido

O encontro discutiu novos modelos de financiamento e governança capazes de acelerar a transição da recuperação de desastres para a resiliência de longo prazo; e o Programa Catalítico Resiliência RS, parceria entre governo do Estado, Badesul e CoalizãoRS voltada à estruturação e qualificação técnica de projetos de reconstrução e adaptação climática, com foco em transformar demandas prioritárias dos municípios em iniciativas aptas à execução e à captação de recursos públicos e privados. _

INFORME ESPECIAL 

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

 

24 de Setembro de 2026 
CARPINEJAR

A intuição só sussurra

Quando um avião ou um helicóptero some do radar por longo período, imagina-se o pior. Apesar das rezas coletivas e da fé no impossível, a realidade costuma confirmar novas vítimas e derramar luto e condolências ao redor. É raro resistir a uma queda ou a uma colisão.

Acidentes aéreos vêm esvaziando os nossos palcos com perdas precoces e irreparáveis. Foram os Mamonas Assassinas, em 1996; Gabriel Diniz, em 2019; Marília Mendonça, em 2021.

As tragédias são apressadas pela necessidade de se deslocar com rapidez de uma apresentação a outra, de uma cidade a outra, para eventos no mesmo dia, e pela tentativa de dispensar a burocracia dos aeroportos.

Quem dormiu na expectativa do salvamento do cantor sertanejo Rick Sollo, 59 anos, desaparecido desde segunda-feira, viu-se consternado com a localização da aeronave pelo Corpo de Bombeiros na serra catarinense. Dos cinco ocupantes do Bell 430, não houve sobreviventes. Também morreram o palestrante mineiro Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares, o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira.

De acordo com informações preliminares, o helicóptero teria enfrentado mau tempo e chuvas fortes no trajeto de Porto Belo a São Joaquim, em Santa Catarina.

Rick, nome artístico de Geraldo Antônio de Carvalho, natural de Porto Nacional (TO), liderou o sertanejo romântico nas paradas de sucesso. Famoso pela parceria com Renner, vendeu mais de 10 milhões de discos em vinte e cinco anos de parceria. Entre os seus hits, o mais lembrado é Ela É Demais, lançado em 1998.

Ele ampliou o seu alcance como compositor de destaque em gravações de colegas do meio, como Página de Amigos, de Chitãozinho & Xororó; Só Dá Você na Minha Vida, de João Paulo & Daniel; Agenda Rabiscada, de Cleiton & Camargo; e Bebo pa Carai, de Gino & Geno.

Radicado nos Estados Unidos, Rick cumpria roteiro de shows na região centro-oeste do Brasil com a sua dupla. A sensação de impotência aumenta porque testemunhamos, pelas redes sociais, detalhes do embarque do músico ao lado do empresário Bruno Avelar e de sua comitiva.

Avelar, especialista em networking, responsável pelo projeto O Poder do Network e conselheiro na campanha presidencial de Augusto Cury, era o anfitrião da viagem. Rick brinca com a carona: - Você não tem que ser rico. Tem que ter amigo rico. Não havia como supor que se tratava de uma despedida. Os sorrisos, as piadas e os abraços disfarçavam o adeus.

A derradeira postagem de Paulo Soares, que documentava a viagem, resumiu-se a um registro no interior do helicóptero com a legenda: "Acho que nasci para isso".

Não emergiram palavras premonitórias. É isso que assusta. Ninguém sabe quando será a última vez, talvez apenas por dentro, sem revelar os medos mais fundos. O sexto sentido adormece, não se arrisca a declarar o impensável. A intuição só sussurra, jamais grita. 

CARPINEJAR

24 de Setembro de 2026
OPINIÃO RBS

A saúde em um RS mais grisalho

A saúde é um dos três serviços essenciais, ao lado da educação e da segurança, que o poder público tem o dever de prestar à sociedade. O envelhecimento da população, fenômeno demográfico que, no Brasil, ocorre de forma mais acelerada no Rio Grande do Sul, vai impor uma transformação no perfil do atendimento e exigir maior atenção orçamentária para essa área. 

Conforme o IBGE, em 2000 o percentual de gaúchos com 60 anos ou mais era de 10,6%. Em 2023, chegou a 20%. A proporção vai continuar a crescer. Os gaúchos serão mais grisalhos a cada ano e um número cada vez maior de pessoas alcançará idades bastante avançadas.

A saúde é a sexta pauta da série do Grupo RBS sobre os grandes desafios do Rio Grande do Sul à frente (leia nas páginas 6 e 7). São temas que o próximo governo gaúcho deverá olhar com especial atenção. A longevidade não pode ser um peso. O passar dos anos costuma ser acompanhado por uma prevalência maior de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) e menor autonomia. É preciso assegurar que os gaúchos envelheçam com saúde física e mental e com dignidade.

A transformação demográfica exigirá que áreas como geriatria, cardiologia, oncologia, medicina interna e medicina de família, entre outras, tenham mais profissionais e oferta de serviços, especialmente na rede pública, pelo SUS. 

Mas é essencial, desde já, trabalhar pontos ligados à prevenção de adoecimentos, para que se chegue a uma população idosa mais saudável. Alimentação adequada, atividades físicas e convívio social são aspectos importantes para a longevidade com qualidade de vida. Também ganha relevância, nesse contexto, contar com uma rede de atenção primária bem dimensionada e preparada para essa nova realidade.

Mas as demandas da população na área da saúde são mais amplas. Uma das questões ainda sem resposta adequada é como descentralizar o atendimento, levando mais médicos para o Interior e criando, nas várias regiões do Estado, condições para a oferta de um maior número de serviços e especialidades. É basilar para diminuir a ambulancioterapia, problema que o Estado debate há décadas e que congestiona a rede da Capital.

Conforme o Conselho Regional de Medicina do RS (Cremers), são 11,81 médicos para cada mil habitantes em Porto Alegre, mas a proporção cai drasticamente, para 2,27, no Interior. Além da remuneração, a existência de estrutura satisfatória é fator essencial para fixar mais profissionais em outras regiões do Estado. 

O desafio é encontrar formas de fazer essa desconcentração dos serviços de média e alta complexidade caber nas limitações orçamentárias. A tecnologia, ao mesmo tempo, deve ser uma aliada, com a qualificação da oferta da telemedicina, capaz de atender alguns tipos de consultas e evitar deslocamentos.

Por força de um acordo com o Ministério Público (MP), firmado no ano passado, o Piratini passou a elevar gradualmente os recursos para a saúde, a fim de atingir os 12% da sua receita líquida, previstos na Constituição, até 2030. Serão cerca de R$ 6,7 bilhões a mais neste período. Também cabe ao próximo governo, com visão de Estado, contribuir para moldar a rede pública de que o RS precisará à frente desta década. 

24 de Setembro de 2026
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Divisão do fundo eleitoral no RS revela aposta em mulheres

Seja por estratégia política ou para cumprir as cotas de gênero, a maioria dos partidos no Rio Grande do Sul aposta suas fichas em candidaturas femininas para conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa. Na distribuição do dinheiro do fundo eleitoral, os partidos precisam respeitar as ações afirmativas obrigatórias por lei e por entendimentos dos tribunais superiores. Por isso, têm de destinar no mínimo 30% do total dos recursos obtidos do fundo para financiar as candidaturas femininas (ou uma porcentagem maior, caso o número de candidatas do partido supere os 30%).

Na repartição dos recursos pagos até agora pelos diretórios estaduais e nacionais, 12 das 19 siglas que enviaram recursos ao Estado têm uma mulher no topo da lista com maior parte do recurso repassado. São 15 mulheres que lideram o recebimento de recursos dos seus partidos. Dessas, sete já têm mandato e disputam a reeleição. Outras cinco são apostas para conquistar vaga na Assembleia: Cris Lohmann (MDB), Deisi Maranata (Podemos), Nicole Weber Covatti (PP), Delegada Ana Tarouco e Paula Mascarenhas, ambas do PSD.

PSTU, Rede e UP têm mulheres no topo da lista - Patrícia Peixe, Professora Claudia Brum e Samara Garcia -, mas estão todas empatadas com candidatos homens, já que os três partidos repartiram a verba apenas entre dois postulantes: um homem e uma mulher. As candidaturas femininas receberam até agora R$ 35,27 milhões do fundo eleitoral, o que representa 44,77% do total destinado no Estado. Em maior número, as candidaturas masculinas ficam com R$ 43,5 milhões. O levantamento dos valores arrecadados para a realização das campanhas eleitorais foi feito pela coluna a partir de dados disponibilizados pela Justiça Eleitoral, atualizados em 21 de setembro.

Nove partidos destinaram 50% ou mais da fatia que receberam do fundão eleitoral para as mulheres. O PSDB lidera o ranking proporcional e inverte a lógica: enquanto a cota exige que 30% do fundo eleitoral seja destinado às candidaturas femininas, os tucanos pagaram 68,31% dos recursos para as mulheres que concorrem pelo partido. Dos R$ 1.499.004,46 que o PSDB destinou para os seus candidatos a deputado estadual, R$ 1.024.004,46 foram enviados às 12 mulheres que estão concorrendo. Mas é um candidato homem - o presidente estadual do partido, Moisés Barboza - quem mais recebeu recursos: R$ 250 mil. Os outros R$ 225 mil são repartidos entre 24 candidatos homens.

Numericamente, o partido que mais destinou verbas às candidaturas femininas foi o PL, com R$ 7.340.000,00 pagos até agora para suas 17 candidatas, mas o valor representa 42,66% do total distribuído pelos liberais no Rio Grande do Sul. O PSD é o segundo da lista, com R$ 5.323.569,10 repassados às 14 mulheres concorrendo, montante que equivale a 61,56% do total do partido do governador Eduardo Leite. Em terceiro vem o PT, com R$ 4.984.067,54 às 15 candidaturas femininas. Até agora, quatro partidos não atingiram a cota de 30% para as mulheres: Novo (27,86%), PP (25,07%), PDT (24,24%) e PCdoB (17,59%). _

Gabriel Souza em contato direto com moradores de Porto Alegre

O vice-governador do RS e candidato ao Piratini, Gabriel Souza, dedicou a agenda de ontem a caminhadas no bairro Menino Deus e na Zona Norte, onde percorreu trecho da Avenida Assis Brasil. O contato direto com eleitores é a estratégia dos emedebistas para alavancar a candidatura na reta final da campanha.

Gabriel estava acompanhado da vereadora Cláudia Araújo (PSD), que concorre a deputada estadual, e da esposa, Talise Tiecher. No Menino Deus, Gabriel foi parado pela senhora Dalila, de 90 anos, que relatou sempre acompanhar o candidato do MDB em debates e entrevistas.

- O mais importante é conversar com as pessoas - disse o candidato, que encerrou a agenda com mobilização em Guaíba. _

Lula e Flávio empatam até nas receitas de campanha

Não é só nas intenções de voto e na rejeição que o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) estão tecnicamente empatados. Nas receitas de campanha também. O balanço parcial das receitas e despesas, no site do TSE, registra números semelhantes de arrecadação de recursos, a maior parte com origem no fundo eleitoral.

Até agora, a campanha de Lula contabiliza receita de R$ 56.859.606,91. A de Flávio, R$ 56.729.605,35. O PT repassou R$ 55,1 milhões do fundo eleitoral para a campanha da reeleição de Lula. O PL destinou R$ 53,5 milhões dos fundos eleitoral e partidário. Ambos ainda estão longe do limite legal de gastos no primeiro turno, que é de R$ 88.944.030,80. Até na maior doação de pessoa física os dois estão empatados, com R$ 500 mil cada um do empresário gaúcho Erasmo Battistella. _

André Machado bate recorde de permanência no Demhab

Em 2020, quando Sebastião Melo se elegeu prefeito e começou a montar a equipe, o jornalista André Machado era cotado para ser secretário de Comunicação. Foi uma surpresa geral quando Melo anunciou Flávio Dutra na Comunicação e André no Departamento Municipal de Habitação, com status de secretaria.

O próprio jornalista acreditava que não duraria no cargo, por falta de familiaridade com a área. Errou: nesta semana ele bateu o recorde de permanência que era de Artur Zanella (cinco anos) e completou 62 meses à frente do Demhab. O primeiro desafio foi negociar a desocupação das vilas que impediam a ampliação da pista do Aeroporto Salgado Filho pela Fraport.

A disciplina, a vontade de aprender e a capacidade de dialogar explicam longevidade no cargo. Ele transita de vila em vila, chama os líderes comunitários pelo nome, sabe quantas unidades habitacionais estão em construção em cada projeto do Minha Casa, Minha Vida e dialoga com os responsáveis pela área de habitação dos governos estadual e federal sem ranço ideológico, mesmo sendo filiado ao Progressistas (PP). _

Câmara não tem como afastar Giovane Byl da Mesa Diretora

Sem um pedido do vereador Giovane Byl (Podemos) para se afastar da Mesa Diretora da Câmara de Porto Alegre, o presidente Moisés Barboza (PSDB) não tem como convocar uma eleição para escolher o 1o vice-presidente. O regimento da Câmara prevê nova eleição apenas em caso de morte ou renúncia ao cargo. Byl está preso desde sexta-feira, no contexto da Operação Cinesia do Ministério Público, que investiga desvios de emendas para a saúde.

Moisés pediu à bancada do Podemos que tente se comunicar com o vereador para saber o que ele pretende fazer, já que não tem como frequentar as sessões. _

POLÍTICA E PODER

24 de Setembro de 2026
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

Faltam (só) 10 dias para a eleição

A 10 dias do primeiro turno, o RS vive uma eleição que ainda não parece... uma eleição. À exceção dos chamados wind banners, que enfeiam os canteiros das cidades e atrapalham a visão dos motoristas nos cruzamentos, a campanha não "pegou" nas ruas.

O mau tempo deste início de primavera tem prejudicado as ações dos candidatos. Houve caminhadas e atividades externas, mas parte relevante das agendas tem sido dedicada à gravação de programas eleitorais. É preciso reconhecer que o próprio modus operandi das campanhas mudou. Bandeiraços, adesivaços, carreatas e comícios já não monopolizam a comunicação política. Parte importante da disputa acontece individualmente, na tela do celular.

Os próprios candidatos contribuíram para esse cenário ao priorizar redes sociais e cortes de vídeos e, em alguns casos, ao se ausentarem dos debates. Esse fenômeno se repete na eleição nacional: os confrontos diretos perderam espaço para podcasts, videocasts e entrevistas, ambientes mais controláveis, mas que não necessariamente alcançam a massa do eleitorado.

Questões estruturais

Na esfera pública, não faltam questões estruturais a serem debatidas, como vem mostrando a série de reportagens do Grupo RBS sobre os desafios do futuro governador: ambiente, educação, contas públicas, infraestrutura, agronegócio, saúde, segurança e desenvolvimento econômico.

Mas as propostas aparecem de forma fragmentada ou superficial. Mesmo o risco de enchentes - que voltou ao centro das preocupações com a chuvarada dos últimos dias, as mortes, a destruição e a elevação dos rios - foi pouco explorado pelos candidatos. Ao lado da saúde, o tema ambiental empata entre as principais preocupações dos gaúchos.

A crise no Supremo Tribunal Federal em torno do escândalo do Banco Master engolfou a agenda estadual. Mas, acima de tudo, o vazio do debate público reflete a apatia do eleitorado e uma perigosa descrença na política. _

Interesse americano no Brasil

O quanto de verdade e o quanto há de teoria da conspiração por trás do suposto interesse dos EUA em interferir no processo eleitoral brasileiro? No programa Conversas Cruzadas, de GZH, na terça-feira, a professora de Relações Internacionais da UFRGS Tatiana Vargas-Maia afirmou:

- Não é imaginação. Há evidências suficientes que demonstram interesse pontual: as questões relacionadas à não renovação do visto da embaixadora brasileira (Maria Luiza) Viotti; o fato de Donald Trump estar recebendo parte dos candidatos, como Flávio Bolsonaro, na Casa Branca, afirmações de que o governo brasileiro perseguiria conservadores. São ações que, tomadas em conjunto, criam uma pressão sobre a atuação internacional do Brasil, mas também no contexto doméstico. _

Reconhecimento do resultado

Trump pode não reconhecer o resultado, em caso de vitória de Lula por uma margem apertada? A professora Tatiana Vargas- Maia, da UFRGS, prossegue:

- Seria uma ruptura bastante drástica para as relações entre Brasil e EUA, mas não descarto essa possibilidade. Não sei o quanto uma vitória de Lula atingiria a imagem que Trump faz de si mesmo e o levaria a querer responder de alguma maneira. É um cenário de acirramento que nos levaria a um contexto ainda mais drástico.

Em tempo: em 2022, os EUA, sob o governo Joe Biden, foram o primeiro país do mundo a reconhecer o resultado da eleição brasileira. _

Por onde o Papa vai passar

O Vaticano divulgou o roteiro da viagem do papa Leão XIV para Uruguai, Argentina e Peru, em novembro.

Sexta-feira (6) - Deixa Roma e vai ao Uruguai. Recepção e encontro com o presidente Yamandú Orsi em Montevidéu. Celebração das Vésperas na Catedral Metropolitana da Imaculada Conceição e dos Santos Filipe e Tiago.

Sábado (7) - Paysandú: missa no Parque París Londres. Em Montevidéu, agendas na Paróquia de Nossa Senhora de Guadalupe, na Universidade Católica do Uruguai e uma vigília de Oração no Estádio Centenário.

Domingo (8) - Missa na praça da Catedral Basílica de Florida. Segue para Buenos Aires, onde visita o Monumento ao General San Martín e aos Exércitos da Independência, na Plaza San Martín; passa pela Casa Rosada, onde deve se encontrar com o presidente Javier Milei; e realiza um encontro com autoridades no Palácio Libertad.

Segunda-feira (9) - Visita ao Pequeño Cottolengo Don Orione, em Claypole; missa no Monumento aos Espanhóis; reunião na Universidade Católica Argentina; encontro ecumênico e inter-religioso no Palácio San Martín; e celebração das Vésperas na Catedral Metropolitana da Santíssima Trindade.

Terça-feira (10) - Em Córdoba, haverá missa na esplanada da Escola de Aviação Militar. Depois, encontro com religiosos na Catedral de Nossa Senhora da Assunção. De volta a Buenos Aires, vigília com os jovens no Monumento aos Espanhóis.

Quarta-feira (11) - Visita o Complexo Penitenciário Federal de Buenos Aires e missa na praça da Basílica de Nossa Senhora de Luján. Depois, parte para o Peru. Em Lima, encontro no Palácio do Governo com a presidente Keiko Fujimori.

Quinta-feira (12) - Encontro com religiosos no Palácio Arquiepiscopal de Lima; celebração da Hora do Meio-Dia na Basílica de São João Apóstolo e Evangelista; encontro com a população em frente à Catedral. À noite, vigília no Estádio Monumental.

Sexta-feira (13) - Vai a Chiclayo, onde celebra missa na planície de Pampas de Pimentel; faz uma visita à Capela de San Óscar A. Romero; encontro com religiosos no Santuário de Nossa Senhora da Paz, na Universidade Católica Santo Toribio de Mogrovejo e no Colégio Santo Toribio de Mogrovejo.

Sábado (14) - Rito de Coroação da Imaculada Virgem na Catedral de Santa Maria. Depois, viaja para Santa Cruz de Succhabamba. De volta a Chiclayo, oração no encerramento do Ano Jubilar de Santo Toribio de Mogrovejo.

Domingo (15) - Viaja a Cusco, onde terá encontro com fiéis no Parque Arqueológico Nacional de Saqsaywaman. A oração do Angelus será na praça em frente à Catedral Basílica da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria. Segue para Pucallpa, onde se encontra com povos da Amazônia no Malecón Puerto Callao. Missa na Villa Deportiva Regional Ucayali e depois retorna para Lima.

Segunda-feira (16) - Visita a casa de recepção Hermanitas de los Ancianos Desamparados. Missa na Base Aérea de Las Palmas. Depois, volta a Roma.

Novos ônibus na Capital

A Carris terá 14 novos ônibus a partir de 2027. A previsão é de que a nova frota chegue a Porto Alegre no primeiro semestre do ano.

Os novos ônibus terão capacidade para 85 passageiros - oito a mais do que os modelos anteriores. Segundo a empresa, a decisão de compra do modelo ocorreu com base em estudo referente à condição operacional da linha T4 - rota que conecta a Zona Sul à Zona Norte da cidade. Essa é a linha que mais transporta passageiros de todo o sistema de transporte público da Capital.

Entre as principais melhorias para os passageiros está o sistema de climatização, com capacidade de refrigeração superior à dos veículos antigos. Os ônibus também serão equipados com entradas USB para carregamento de dispositivos móveis, elevador de acessibilidade e câmeras de videomonitoramento.

Além disso, os veículos contarão com sistemas de telemetria, permitindo que a empresa monitore informações sobre desempenho, consumo e condições de manutenção. _

O Instituto Latino Americano de Desenvolvimento Econômico e Sustentável (Ilades) e a Salt ESG firmaram parceria para mensurar a pegada de carbono do 7º Fórum Internacional de Mudanças Climáticas, no dia 29 de outubro, no Teatro da Unisinos, na Capital.

INFORME ESPECIAL

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

É o Abel

As informações dos bastidores apontam que nenhum técnico aceita treinar o Inter.

Os nomes sondados - mais de quatro - não se sentem confiantes para o tamanho da missão: contrato curto de 10 jogos, mudança de gestão no fim do ano, risco de inadimplência salarial pelo transfer ban imposto ao clube, possibilidade real de rebaixamento e de manchar a carreira com um descenso herdado, na última hora.

E também se configuraria mau-caratismo roubar novamente o comandante do Juventude, quando o time caxiense atravessa uma boa fase e está mais próximo da elite do que nós.

O presidente Alessandro Barcellos parece não ter mais crédito na praça. Nem seus aliados antigos, como Coudet, são capazes de socorrê-lo na operação suicida. Carrega o histórico de nove treinadores demitidos em oito anos.

Então, eu volto a bater na mesma tecla. Quem deve assumir a casamata é Abel Braga. Não porque ninguém quer a vaga, mas porque ele sempre será a melhor solução, ainda que todos ansiassem pelo posto.

Ele é a única unanimidade no caos. O único milagreiro do apocalipse. O único que colocaria o coração numa empreitada heroica. O único que não exigiria valores exorbitantes pela insalubridade do convite, já que ele dirigiu o plantel no ano passado por um salário mínimo, para nos salvar da Série B.

Se o Inter acabasse, quem você chamaria para ressuscitá-lo? Abel! Em quem você confiaria de olhos fechados? Abel! Quem você preferiria que estivesse com você no pior momento de sua vida? Abel! Se o Inter fosse rebaixado, quem sofreria tanto quanto você? Abel!

Quem é a nossa estátua? Abel! Nunca vi meu filho, fanático colorado, pedir para tirar uma fotografia com nossos jogadores. Ele fica na sua, discreto, tímido. Mas, com Abel, Vicente abriu uma exceção e tomou coragem para pedir uma pose ao seu lado.

O Grêmio não pensou duas vezes e chamou seu ídolo e maior técnico para mobilizar a torcida. E não é que 50 mil torcedores compareceram à Arena na volta de Renato Portaluppi, contra o Palmeiras?

A saída é uma só: convocar a lenda quando a realidade nos sufoca. Abel lotaria o estádio, Abel é da família. Abel é do nosso sangue espiritual. Abel é um bruxo. Abel é o que já conseguiu 11 vitórias seguidas, quem diz que não pode arrancar cinco vitórias em 10 jogos?

Abel nos colocou no topo do mundo, e só ele pode nos tirar das catacumbas do inferno.

Eu acredito no Abel como quem acredita num pai. É o improvável. É o Espírito Santo. É o Sobrenatural de Almeida. Tem o molho para orientar os jogadores em apuros, para reunificar o grupo, para transformar cada batalha no Beira-Rio em campo santo.

Já o vi em ação. Ele exibe o carisma de um general que foi soldado. Ele sabe o que fala. Não temos tempo para experiências, não temos tempo para errar. Jamais seria um tapa-buraco: é o supremo treinador de nossa história, pela importância das conquistas e pelo número de jogos disputados.

Ele nem precisaria vir, pois nunca saiu de perto de nós. Ele é um de nós. O que não dá é contratar um treinador da B, mais discutível do que Pezzolano, para fugir da B. Vai muito além de jogar a toalha: é pisar nela. 

CARPINEJAR 

23 de Setembro de 2026
MÁRIO CORSO

O cachorro fantasma

Os primeiros dias de Ana em Porto Alegre foram difíceis. Precisava se adaptar à faculdade e à cidade ao mesmo tempo. Seu consolo, e o único elo com o passado, era o Tarzan - um cachorro minúsculo, mas esperto e devotado a sua dona. Seu latido era tão fraco que nem para ser esganiçado servia. Faziam dez anos que viviam em harmonia, embora ele detestasse os namorados de Ana.

Mas nada é tão ruim que não possa piorar. Tarzan estava jurado de morte, na verdade, de expulsão. O condomínio não permitia cães. Hoje a história espanta, mas estávamos nos anos 1980, no tempo que linguiça ainda tinha trema, e a tolerância com animais de estimação era outra.

A maioria dos moradores do prédio até tinha uma simpatia pelo Tarzan, mas a subsíndica estava numa cruzada e o síndico tinha que seguir a convenção. A queixa era os latidos anêmicos quando pessoas passavam perto da porta. A pressão foi tanta que Ana chamou os pais para levar o cachorro.

Ana tinha pouca chance de ir ver sua família e o Tarzan. O Alegrete não fica na esquina, mas a 492 quilômetros daqui. Nem para seu aniversário conseguiu ir. Uma semana depois da data, Ana recebeu pelo correio uma fita cassete com mensagens de aniversário dos parentes e amigos. No final uma brincadeira, a última mensagem era latidos do Tarzan.

Ana ouviu a fita várias vezes, sempre emocionada. No outro dia, constrangido, o síndico bate na porta. A Dona Mercedes, a subsíndica, reclamou outra vez dos latidos do Tarzan. Ana deu-se conta do que aconteceu, mas não comentou nada. Fez o síndico entrar e ver que não havia cachorro. Na cabeça, bolava a vingança que o destino lhe entregou de graça.

Dona Mercedes era de hábitos. Cedo de manhã, levava o lixo para fora. Controlando pelo olho mágico, Ana aproveitava a passagem dela, de ida e de volta, para reproduzir os latidos do Tarzan.

Passados uns dias, o síndico veio com Dona Mercedes, para mostrar a ela que não havia nem Tarzan, nem outro cão. Acrescentou que só ela no prédio escutava os tais latidos. Ana aproveitou a ocasião para, com uma mentira, dar o golpe final.

- Dona Mercedes, só se a senhora é sensitiva para ouvir o Tarzan, ele morreu de tristeza logo que foi embora. 

MÁRIO CORSO

23 de Setembro de 2026
OPINIÃO RBS

OPINIÃO RBS

Chance de ser exemplo nacional

A Câmara de Vereadores de Porto Alegre tem a oportunidade de dar um bom exemplo ao país, aprovando o fim das emendas impositivas, de execução obrigatória pela prefeitura. O debate ganhou força após a operação do Ministério Público (MP) deflagrada na última sexta-feira, quando foram presas quatro pessoas, incluindo o vereador e candidato a deputado estadual Giovane Byl (Podemos). A investigação aponta para um possível desvio de R$ 2 milhões de recursos de emendas que deveriam ser aplicados na área da saúde.

Traz alento que a ideia de acabar com as emendas impositivas tenha o apoio de parlamentares de diferentes espectros ideológicos e da base e da oposição ao prefeito Sebastião Melo. Espera-se que reúna adesões suficientes para avançar e ser aprovada, na contramão da tendência de um número crescente de Câmaras de Vereadores de se apossar de parte do orçamento, invadindo uma atribuição que deveria ser do Executivo. A distorção criada pelo Congresso Nacional se espalha Brasil afora.

O projeto de emenda à Lei Orgânica com esse objetivo é do vereador Roberto Robaina (PSOL). Tem a chancela do líder do governo na Casa, Idenir Cecchim (MDB), informa o repórter Henrique Ternus, colaborador da coluna Política e Poder, de Rosane de Oliveira. Autor de proposta para criar uma CPI sobre emendas indicadas à Secretaria da Saúde, o vereador Ramiro Rosário (Novo) avaliza a proposta. O prefeito Melo também é favorável. Pelo texto, os vereadores ainda poderão sugerir emendas, mas estas terão de ser aprovadas em plenário.

As emendas impositivas na Capital foram criadas em 2019 pela Câmara. Pela norma vigente, 0,65% da receita líquida do município é reservada para a indicação de parlamentares. Metade dos valores deve ir para a saúde. Neste ano, são R$ 65,9 milhões, com R$ 1,88 milhão para cada vereador. Em junho do ano passado, outro projeto de emenda à Lei Orgânica, do então vereador Gilvani, o Gringo (Republicanos), cassado em dezembro, propôs a instituição de emendas de bancada. Abocanhariam mais 1% da receita. O texto segue em tramitação, mas deve ter o esquecimento como destino.

Um estudo publicado em junho pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) mostrou que, à época, 47% das cidades brasileiras já contavam com emendas impositivas criadas pelos Legislativos. Contando com os locais onde a medida estava em tramitação, o percentual chegaria em breve a 60%. No Rio Grande do Sul, estava em 42%.

O resultado de inúmeras investigações que vieram a público sobre a farra das emendas no país confirma que essa prática colide com o interesse real da sociedade de ver bem aplicados os recursos dos impostos pagos. A pulverização de verbas sem a devida transparência e sem preocupação com adequação técnica, critérios claros e viabilidade resulta em uma alocação de má qualidade, que se presta mais a interesses eleitorais. Retira dinheiro de projetos e obras estruturantes e, não raro, acaba em escândalos.

Diante de tanto descrédito na política brasileira, os vereadores de Porto Alegre têm a chance de dar um exemplo positivo de demonstração de verdadeiro espírito público. 

23 de Setembro de 2026
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Partidos já repassaram mais de R$ 261 milhões a candidatos no RS

A poucos dias do primeiro turno, os partidos já enviaram R$ 261,61 milhões do fundo eleitoral para as campanhas dos candidatos gaúchos ao governo, ao Senado, à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa. A maior parte desse valor - R$ 213,6 milhões, o equivalente a 81,5% - é destinada aos postulantes a uma cadeira de deputado federal e estadual (acesse a lista completa no código QR abaixo).

Para os candidatos ao Palácio Piratini, R$ 30,16 milhões foram repassados pelos partidos. Aos que disputam o Senado, R$ 17,8 milhões. Além do recurso do fundo partidário, parte dos candidatos incrementa a verba da campanha com doações de pessoas físicas ou com financiamentos coletivos.

O levantamento dos valores arrecadados para a realização das campanhas eleitorais foi feito pela coluna com auxílio de inteligência artificial, a partir de dados disponibilizados pela Justiça Eleitoral, atualizados em 21 de setembro.

O maior volume de recursos para campanha eleitoral no Rio Grande do Sul é destinado aos candidatos a deputado federal. Dos 458 postulantes a uma cadeira na bancada gaúcha da Câmara dos Deputados, 376 receberam, somados, R$ 134.884.476,77 até agora para as campanhas - outros 82 não receberam dinheiro ou não informaram à Justiça Eleitoral até o momento.

Entre as 30 campanhas mais ricas, 25 são de deputados que concorrem à reeleição, que receberam entre R$ 3,17 milhões e R$ 1,75 milhão. Ficou de fora apenas Maurício Marcon (PL), que recebeu R$ 780 mil.

Os cinco candidatos sem mandato em Brasília que aparecem entre as campanhas mais vultosas são Onyx Lorenzoni (PP), com R$ 2.726.555,20; Luciano Azevedo (PSD), com R$ 2.050.000,00; Fábia Richter (PSD), com R$ 2.000.000,00; Laura Sito (PT), com R$ 1.809.275,86; e Felipe Camozzato (Novo), com R$ 1.805.676,82.

Dos atuais 31 deputados, somente cinco não disputam a reeleição: Luciano Zucco (PL), Marcel van Hattem (Novo), Ubiratan Sanderson (PL) e Paulo Pimenta (PT) concorrem a outros cargos, e Márcio Biolchi (MDB) desistiu da carreira política.

Em 4 de outubro, o Rio Grande do Sul vai eleger 31 deputados federais, que formarão a bancada gaúcha em Brasília. _

TRE devolve mandato a deputado que trocou o PSDB pelo PSD

Por decisão da desembargadora Maria de Lourdes Galvão Braccini de González, presidente do Tribunal Regional Eleitoral, o deputado estadual Valdir Bonatto (PSD) reassumirá a cadeira na Assembleia Legislativa. Bonatto teve o mandato cassado por infidelidade partidária, ao trocar o PSDB pelo PSD antes da abertura da janela em que as mudanças são permitidas.

Mesmo tendo recorrido, foi substituído pela segunda suplente, Zilá Breitenbach, já que o primeiro, Jessé Sangali, deixou o PSDB e concorreu na eleição de 2024 em Porto Alegre pelo PL.

Ao apreciar o recurso de Bonatto, a desembargadora entendeu que ele tem o direito de recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral sem deixar o cargo para o qual foi eleito em 2022. _

R$ 78,7 milhões

para concorrentes a deputado estadual

Entre os candidatos que disputam uma cadeira na Assembleia Legislativa, a distribuição do fundo eleitoral é mais pulverizada do que na Câmara. Já foram enviados R$ 78.770.914,11 para 484 postulantes no Estado - 58 nomes aparecem na lista sem um centavo de ajuda partidária.

Das 100 campanhas que mais receberam recursos partidários, 36 são de parlamentares que disputam a reeleição. Há mais nove atuais deputados que concorrem a um novo mandato e receberam menos dinheiro. Dos 55 titulares na Assembleia, sobram 10, que disputarão cargos distintos no pleito: sete concorrem à Câmara dos Deputados, dois são candidatos a vice-governador e um tenta o Senado.

São do PL os três candidatos que mais receberam dinheiro do fundo partidário: Cláudio Branchieri, Kelly Moraes e Maurício Scalco têm R$ 1,27 milhão à disposição. Nicole Webber Covatti é a candidata do PP que mais recebeu recursos do partido - mais até que os candidatos à reeleição da sigla. A vereadora de Santa Cruz do Sul e esposa do presidente estadual do partido, Covatti Filho, obteve R$ 1,65 milhão.

Na esquerda, Luciana Genro e Matheus Gomes ganharam quase R$ 1,2 milhão cada um do PSOL. No PT, Sofia Cavedon e Stela Farias aparecem no topo da lista e têm R$ 625.500,00. Além delas, outras 10 mulheres lideram o ranking de distribuição do fundo petista - todas sem mandato na Assembleia. Os sete deputados homens que disputam a reeleição no partido aparecem com valores entre R$ 250 mil e R$ 265,5 mil. _

Lula aborda temas externos e eleições

A manifestação do presidente Lula na Assembleia Geral da ONU foi previsível sob todos os pontos de vista. Por 20 minutos, alternou temas da política externa com questões paroquiais, próprias do ano eleitoral. Lula defendeu a soberania brasileira, disse que o Brasil "não cabe no quintal de ninguém" e criticou as pretensões imperialistas do presidente Donald Trump na América Latina.

Em vários momentos, Lula usou a retórica de palanque, dizendo que na eleição de 4 de outubro o Brasil vai escolher entre a democracia e o negacionismo.

Ao se referir aos países vizinhos, mencionou o bloqueio a Cuba. Disse que o povo da Venezuela merece escolher seu destino, uma menção à intervenção americana e à exploração das riquezas naturais do país vizinho.

Lula lembrou que o Brasil tem reservas de petróleo, terras raras e minerais críticos e que seu governo quer explorar essas riquezas de forma soberana. Citou a exploração de petróleo na margem equatorial da Foz do Amazonas, acrescentando que isso não significa abandonar as políticas de transição energética. O presidente voltou a citar a redução do desmatamento na Amazônia e defendeu a criação de um fundo de preservação das florestas tropicais. 

Kassio Nunes Marques é a bola da vez no caso Master

No dia em que Kassio Nunes Marques se declarou impedido de participar da sessão que decidiria sobre a investigação do ministro Alexandre de Moraes, deixou presa na garganta dos espectadores a clássica expressão de desconfiança resumida em duas palavras: "aí tem". E tinha. Já circulavam informações sobre o pagamento de R$ 281,6 mil a seu filho Kevin pela consultoria Consult Inteligência Tributária, que recebera mais de R$ 6,6 milhões de Vorcaro. Uma mensagem encontrada no celular do banqueiro indicava pagamento de mesada de R$ 500 mil ao mesmo Kevin. O ministro garantiu que nunca recebeu dinheiro de Vorcaro. Nem o filho.

Passaram-se alguns dias e Kassio tornou-se a bola da vez no escândalo do Master, com a descoberta de mais um pacote de mensagens sobre o que Vorcaro chamava de "a turma do KN". Kassio com K, como era chamado logo que virou ministro do STF, seria um agente dos interesses do banqueiro no Supremo, cooptado por uma amiga advogada, casada com um desembargador.

É nesse contexto que se discute o fechamento de um contrato de quase R$ 427 milhões com "a turma do KN", em caso de sucesso em julgamentos de processos de interesse de Vorcaro e em desfavor da União. Com tantas menções a KN, será impossível negar que alguma relação existiu. Já são cinco ministros que, direta ou indiretamente, receberam dinheiro e/ou mimos de Vorcaro ou tiveram negócios com ele: Alexandre de Moraes, André Mendonça, Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux. 

POLÍTICA E PODER

23 de Setembro de 2026
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

Na ONU, Lula discursa para convertidos

Não sejamos ingênuos: política externa não dá votos. Nunca deu. O eleitor vota muito mais com a cabeça nos aspectos que influenciam o seu dia a dia - o preço dos alimentos, emprego, o atendimento à saúde e o combate à violência - do que pensando na agenda geopolítica de um país.

É claro que a guerra na Ucrânia afeta o preço do trigo, do milho e dos fertilizantes, e, consequentemente, o valor que se paga pelos alimentos à mesa dos brasileiros. Ou um ataque ao Irã e o fechamento do Estreito do Ormuz repercutem diretamente no barril de petróleo que, ato contínuo, chega à bomba do posto da gasolina.

Mas o eleitor geral não faz, facilmente, essa ponte. O empresário, o setor do agronegócio, o industrial o faz. Mas não muda seu voto por causa do discurso do presidente na ONU.

Aliás, a disputa eleitoral está tão calcificada, que, praticamente, nem uma hecatombe mudaria as posições do eleitorado. Dito isso, Lula discursou na Assembleia Geral, em Nova York, para convertidos: defesa da democracia, da soberania, alertas sobre interferência externa e a criação de zonas de influência globais.

Frase de efeito - Tudo isso não dá voto. Tampouco o resgate da expressão pejorativa da América Latina como "quintal" dos Estados Unidos. "Não somos quintal de ninguém", disse.

Uma frase de efeito, é verdade. Mas, quintal ou não, o Brasil sofre, como toda nação média, os efeitos de existir geograficamente no mesmo continente de uma potência hegemônica. Sofre as afetações de sua agenda geopolítica, para o bem e para o mal. Mas também se relaciona com tal potência, no nosso caso os Estados Unidos, ora com maior aproximação, ora com maior distanciamento.

No caso brasileiro, a cartilha da Casa de Rio Branco recomenda o pragmatismo em momentos de bipolaridade (EUA x China), como na atual esquina da História, o que exige malabarismo para aproveitar, segundo seus interesses, o melhor de cada lado.

No púlpito da ONU, Lula escolhe a desgastada estratégia de arregimentar a população contra o inimigo externo, no caso Donald Trump. Nem sempre dá certo.

Também não é certeza de vitória arvorar-se defensor da democracia em uma suposta guerra de civilização x barbárie. Hillary Clinton tentou contra Donald Trump em 2016. Não vingou. Joe Biden e, depois, Kamala Harris também tentaram em 2024. Perderam.

Eleições continuam sendo decididas muito mais pelo que acontece dentro de casa do que pelo que se diz no púlpito das Nações Unidas. O "quintal" que realmente importa no caminho para o 4 de outubro é o brasileiro. 

Americano tenta aproximação com presidente

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, buscou uma aproximação com o presidente Lula e sua comitiva durante a Assembleia Geral da ONU, porém não conseguiu conversar com o brasileiro. O "quase" encontro ocorreu após o discurso do presidente no evento.

Lula caminhava acompanhado do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, do assessor-chefe da Assessoria Especial do Presidente da República, Celso Amorim, e do tradutor Sérgio Ferreira. Imagens mostram Rubio tentando se aproximar do presidente em meio a outras pessoas. Em determinado momento, chega a esticar o braço em direção ao brasileiro, mas não consegue tocá-lo. Instantes depois, Lula e Vieira olham para Rubio.

O chanceler brasileiro inclusive dirige uma palavra ao secretário americano, porém, pelas imagens, não é possível identificar o que ele diz. Rubio, ao que parece, coloca a mão no ombro de Vieira. Nesse momento, a comitiva segue por um caminho, e Rubio não consegue conversar com presidente. _

Delcy Rodríguez em solo americano

Delcy Rodríguez, a presidente da Venezuela que assumiu após a deposição de Nicolás Maduro, está pela primeira vez nos Estados Unidos desde o bombardeio americano a Caracas, ocorrido em janeiro. Ela chegou a New Jersey na segunda-feira.

Ironicamente, ela está em Nova York, a mesma cidade onde Maduro está preso desde que foi capturado pelo governo de Donald Trump. A presidente se reunirá com Trump nesta noite. Seu discurso na Assembleia Geral está agendado para hoje. 

Críticas ao Conselho de Segurança

O presidente Lula usou o seu discurso na ONU para falar sobre o papel da organização e teceu críticas ao Conselho de Segurança:

- Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel. O ano de 2025 registrou o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial. Trilhões de dólares financiam uma nova corrida armamentista. Tensões geopolíticas ameaçam transformar confrontos regionais em uma conflagração de proporções globais. Os líderes dos países que integram o Conselho de Segurança precisam se reunir. _

O papel de Fachin no STF

O jurista e ex-ministro da Justiça Miguel Reale Júnior disse que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, enfrentou uma "tropa de choque" durante o julgamento da última semana.

A fala do jurista, feita durante o programa Conversas Cruzadas, de GZH, na última segunda-feira, ocorreu no contexto da análise dos discursos dos ministros Gilmar Mendes e Flávio Dino durante o julgamento.

- Ele (Edson Fachin) estava enfrentando uma tropa de choque. E tem agressividade junto com o Alexandre de Moraes e o Dino, que saiu atrás, batendo o bumbo de forma agressiva. A forma como foi feita foi um desrespeito à Corte, ao presidente, à Justiça. Aquilo não era lugar para tropa de choque. E isso é lamentável. Por isso que há um desânimo, um desconsolo, uma decepção correndo não só junto ao meio jurídico, mas junto à própria população - afirmou Reale Júnior. 

INFORME ESPECIAL