sexta-feira, 19 de junho de 2026

Investimentos, inovação, infraestrutura e capital humano pautam debates no Mapa Econômico do RS 

O painel Indicadores do Presente e Tendências para o Futuro ocorreu no Teatro CIEE-RS Banrisul

O painel Indicadores do Presente e Tendências para o Futuro ocorreu no Teatro CIEE-RS Banrisul

TÂNIA MEINERZ/JC

Luciane Medeiros
Luciane MedeirosEditoraO Jornal do Comércio realizou no final da tarde desta quinta-feira (18) no Teatro CIEE-RS Banrisul em Porto Alegre o quinto encontro do projeto Mapa Econômico do RS neste ano. Na ocasião, foram abordados os desafios e oportunidades para o desenvolvimento da Macrorregião Metropolitana, formada pela região homônima, pelo Vale do Sinos e o Litoral Norte.  
Participaram do painel  Indicadores do Presente e Tendências para o Futuro o diretor-geral de Celulose da CMPC no Brasil, Antonio Lacerda, a diretora do Tecnopuc, Flavia Fiorin, e o diretor-geral da Santa Casa, Jader Pires. Temas como investimentos e insegurança jurídica, inovação, infraestrutura e capital humano pautaram o debate, que teve como mediador o editor-chefe do Jornal do Comércio, Guilherme Kolling.
Na abertura do evento, o presidente do JC, Giovanni Jarros Tumelero, relembrou a trajetória do Jornal do Comércio, que recentemente completou 93 anos, e a importância de projetos como o Mapa Econômico do RS para o desenvolvimento do Estado. 
Representando o governo do Estado, o secretário da Comunicação, Caio Tomazeli, citou a parceria entre o poder Executivo e o Jornal do Comércio no aprofundamento da radiografia da economia gaúcha. "Só podemos medir e atuar sobre o desenvolvimento quando temos informações confiáveis", pontuou. Tomazeli mencionou a presença do diretor-geral da CMPC, destacando que poucas vezes o Rio Grande do Sul se uniu tanto em torno de um investimento como está ocorrendo agora em relação ao Projeto Natureza. 
Kolling, editor-chefe do JC, explicou a metodologia do Mapa Econômico para o levantamento de dados e análise da atividade econômica do Rio Grande do Sul, e abordou aspectos como a relação entre o crescimento ou retração do PIB diante de eventos climáticos como estiagens e enchentes e os desafios com o envelhecimento da população, a falta de mão de obra e os problemas de infraestrutura.
Lacerda abriu sua fala enfatizando que esse é um momento muito importante para a CMPC e o Rio Grande do Sul. "Justamente onde a CMPC está instalada e onde quer expandir sua atuação é uma das regiões onde tem o menor PIB, que é na Metade Sul do Estado. Já foi muito rica, mas precisa de um impulso de investimento e nós estamos nesse momento com uma oportunidade importante de R$ 27 bilhões que serão investidos na Metade Sul em uma nova fábrica de celulose do tamanho da que existe em Guaíba", afirmou. 
O Projeto Natureza da CMPC prevê a construção de três terminais portuários, um deles em Rio Grande. "Hoje a Fepam concedeu a licença prévia, o próximo passo é a licença de instalação que deve ocorrer em 60 dias", contou. A dragagem no canal de acesso ao Porto de Rio Grande receberá aporte de R$ 140 milhões, os armazéns do complexo serão reformados e poderão ser usados por outras empresas. "Navios maiores poderão entrar no Porto de Rio Grande, que se tornará mais competitivo, isso vai favorecer a indústria de fertilizantes e grãos e outras que quiserem se instalar na região. É isso o que o Rio Grande precisa, precisa de projetos", disse. 
 
Ele complementou a fala inicial analisando que um dos problemas mais apontados como entrave ao desenvolvimento, a evasão de população ativa por falta de oportunidade, pode ser minimizado a partir da geração de seis mil vagas de trabalho criadas pela CMPC na Metade Sul, o que vai impactar 100 mil pessoas.
Flávia, do Tecnopuc, abordou as universidades, a inovação e o capital humano. "Em termos de IA, nunca se falou tanto no capital humano. A tecnologia sim é um meio de inovar, mas ela não é um fim em si mesma. A inovação surge em ambiente de instabilidade, a gente olha para o envelhecimento da população não como um desafio, mas um fato que a gente avalia e identifica como lidar." A diretora do Tecnopuc defendeu a necessidade de convergência de uma agenda conjunta entre universidade, poder público e iniciativa privada. "Se olhar para os interesses individuais, corre o risco de ver as oportunidades escorrerem pelas mãos e irem para outros caminhos". 
Pires, da Santa Casa, instituição que está completando 223 anos, abordou como a perda do bônus demográfico gera o questionamento de como será tratado o novo idoso. É diferente do de agora e o de antes, esse novo idoso em 20 anos talvez tenha uma preocupação diferente de gerações anteriores. A tendência é de um alongamento da vida, pessoas vivendo 90, 100, 110 anos e a nossa geração tem a oportunidade de organizar o sistema de saúde para atender essas pessoas", ressaltou.

Diretor-geral da CMPC critica falta de segurança jurídica no Rio Grande do Sul

Na segunda rodada de participação dos painelistas, foram abordados os desafios para o desenvolvimento do Estado. A explanação de Lacerda enfocou os problemas de infraestrutura, dando como exemplo a pouca cobertura da malha ferroviária e a falta de interesse da concessionária responsável pela Malha Sul em atender às propostas apresentadas pela CMPC. “Sentamos com outras empresas e tentamos viabilizar a malha ferroviária no Estado. A infraestrutura é chave e pode ser viabilizada via PPP (Parceria Público-Privada)”, defendeu.
O diretor-geral da CMPC criticou também a falta de segurança jurídica no Rio Grande do Sul, que ameaça a realização de investimentos. “As leis existem para todos e todas e devem ser seguidas, porém o ativismo e as ideologias não devem preponderar perante as leis”, enfatizou, complementando que as exigências para a implementação do Projeto Natureza em Barra do Ribeiro podem paralisar outras iniciativas, não só no Rio Grande do Sul como em outros estados brasileiros.
Se não sair o licenciamento, não tem projeto, mas não tem projeto em lugar nenhum. Seria uma mancha negativa para a história do desenvolvimento do Estado e certamente afastaria novos investidores do Rio Grande do Sul”, ressaltando que a CMPC tem apoio do governo federal, estadual e outros setores da sociedade.
Flávia abordou as novas tecnologias e a disrupção dos modelos que existiam até então, destacando que é preciso avaliar o limiar da produtividade e o acesso das tecnologias para todos. A falta de profissionais capacitados, como engenheiros, foi citada por ela como desafio. “A gente fala que o Brasil é uma grande reserva de materiais críticos mundiais, mas vemos o número de engenheiros reduzindo no País, e isso não é um problema da Ufrgs, da Pucrs, é nacional. Isso começa em áreas como matemática e precisa ser solucionado, precisa de um olhar atento para essas carreiras. A gente pode importar esses engenheiros, mas será que a gente precisa?”, questionou.
O diretor da Santa Casa elencou a saúde pública como um desafio. “Financiamento, eficiência e o uso adequado dos recursos são prioridades. O SUS gera R$ 190 milhões por ano de prejuízo para a Santa Casa. A instituição paga esse valor através do seu trabalho pela venda de serviços à saúde suplementar e outros negócios, gera lucratividade suficiente. Esse é um ponto de atenção que não pode deixar de falar em nenhum momento, precisamos ser remunerados de maneira adequada”, cobrou.
A necessidade de investimentos em tecnologia, área que se renova com grande velocidade em termos de equipamentos, também não pode ser ignorada. A falta de fábricas no Rio Grande do Sul que produzam equipamentos médicos e remédios também são fatores que impactam o setor.
Nas considerações finais, Lacerda apontou a união do Rio Grande do Sul em momentos-chave, como agora, em prol da realização do projeto da CMPC. “O Rio Grande do Sul quando quer, faz. A sociedade gaúcha se uniu pela CMPC assim como se une com causas importantes que valorizam a vida, as pessoas e o meio ambiente”, disse, agradecendo em nome da companhia a mobilização da sociedade gaúcha.
Lacerda foi aplaudido pelos presentes na plateia ao citar o que a futura fábrica da CMPC vai agregar à economia de Barra do Ribeiro, se implementada, com ganhos à arrecadação do município e investimentos em áreas como saúde e segurança.
Flávia lembrou os diversos agentes atuando juntos em prol da inovação no Estado, como, além do Tecnopuc, o Feevale Techpark, o Tecnosinos, o Instituto Caldeira, e a realização de eventos da área fora do ambiente das universidades, como o South Summit Brazil. “Sozinhos chegávamos a um resultado muito legal, mas à medida que nos articulamos,  a gente vai muito além. O ecossistema de inovação aqui é diferente pela articulação, pela soma de cada um deles. Quando a gente quer, a gente faz, e quando faz junto, a gente faz melhor ainda”, salientou. 
O diretor-geral da Santa Casa fez uma relação entre a economia do Estado e a saúde. “Se a economia do Rio Grande do Sul vai bem, a Santa Casa vai bem porque a população que tem plano de saúde, 24% hoje no Estado e mais de 70% é oriundo das empresas. Se ela tem acesso, ela usa a saúde e faz a prevenção adequada. O hospital vai ser um recurso para a longevidade e não só para tratar o problema. Nos próximos 18 meses, temos R$ 240 milhões em investimentos e estamos trabalhando para acelerar a Santa Casa”, afirmou Pires.
 

Itens pessoais da escritora Celia Ribeiro estão à venda e podem ser vistos neste fim de semana

Leilão do acervo de Celia Ribeiro ocorrerá na semana que vem

Leilão do acervo de Celia Ribeiro ocorrerá na semana que vem

Santayana Leilões/Reprodução/JC

Mauro Belo Schneider
Mauro Belo SchneiderEditor-executivo, @belomauro
Uma exposição com os itens pessoais da escritora gaúcha Celia Ribeiro, falecida em setembro de 2025, ocorrerá neste fim de semana em Porto Alegre. O evento precede o leilão marcado para os dias 22, 23 e 24 de junho. 
O acervo estará exposto nesta sexta-feira e sábado, das 10h às 17h, no endereço do depósito do leiloeiro José Luis Santayana (rua Padre Diogo Feijó, nº 479). A organização das peças é realizada por Júlio Lovato, da empresa Vemdetudo.
Há desde a cadeira utilizada por Celia para trabalhar em sua casa, na avenida Nilo Peçanha, até conjuntos de porcelanas, livros, esculturas e mobiliário. “Quando eu tive acesso à residência e a todos os itens que pertenceram a ela, me deparei com a riqueza do conteúdo dos bens pessoais dela”, afirma Lovato.
O organizador lembra, ainda, que Celia era uma referência em etiqueta e moda, e isso se reflete nos objetos, principalmente nos livros catalogados. Um dos títulos é Boas Maneiras, Bons Negócios, onde Celia foca na vestimenta e na conduta com clientes e colegas de trabalho.  
O guarda-roupa de Celia também está disponibilizado, com marcas de costureiros renomados, como Rui Spohr, Milka, Chico César, Valentino e Paco Rabane. “Achamos até uma dedicatória de próprio punho de Pierre Cardin”, destaca Lovato.
Na parte artística, Celia colecionava peças de Chico Stockinger e outros artistas, tudo disponível para ser adquirido e manter o legado da escritora.