quinta-feira, 30 de julho de 2026

30 de Julho de 2026
CAMPO E LAVOURA

Farsul apresentará propostas a ministro

As seis propostas desenhadas pela Federação da Agricultura do Estado (Farsul) para ampliar o alcance da renegociação das dívidas rurais devem ser discutidas em conversa com o ministro da Fazenda, Dario Durigan. E também serão avaliadas em reunião entre técnicos da pasta e da entidade que pode sair em meio à agenda dele no Estado, na próxima semana.

Por meio das proposições, o objetivo é ampliar o escopo dos produtores aptos a buscar as linhas viabilizadas pela medida provisória (MP) 1.376. O texto foi apresentado como uma alternativa ao projeto de lei 5.122, que tramita no Congresso Nacional e é considerado o ideal na busca pela solução do passivo acumulado ao longo dos anos em razão de problemas climáticos.

Como publicado pela coluna, o entendimento da necessidade de complementação aos critérios da MP veio a partir de um levantamento feito pela Farsul. A partir da amostra avaliada, de R$ 93 milhões, identificou-se que 88,3% do saldo devedor não se encaixava nos critérios estabelecidos. Apenas R$ 10,83 milhões, ou 11,7%, se enquadrariam.

Em razão da privacidade dos dados, informações como "de onde, quais e quantos" são os contratos analisados não foram divulgadas, mas o economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz, garante:

- É uma amostragem representativa.

Publicada no último dia 15, a MP trouxe a possibilidade da renegociação, e foi seguida de uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN). As operações ainda não estão sendo realizadas, porque bancos estão ajustando seus sistemas. 

Onde estão as restrições

Alguns pontos de restrição de acesso às linhas mapeados: De forma geral, entram no escopo da renegociação: linhas de custeio, comercialização e industrialização.

Para o crédito de investimento, a medida é possível apenas para financiamentos em inadimplência.

Um dos pontos considerados mais importantes é o que se refere à Cédula de Produto Rural (CPR). No texto presente, é passível de renegociação somente o título emitido por instituições financeiras.

Nas CPRs, apenas os títulos em inadimplência entram no escopo da renegociação.

A Farsul propõe que entre também a CPR emitida em favor de cooperativas e fornecedores de insumo, e que se reconheça a CPR usada para pagar qualquer dívida contraída para manter a adimplência.

NO RADAR

O crédito rural ganha espaço, amanhã, às 10h, no Encontro de Estudos promovido pelo Instituto de Estudos Jurídico-Econômicos (IEJE). O evento é gratuito e será transmitido pelo Zoom. Para falar sobre o tema Securitização Rural: Desafios e Soluções, foi escalado o economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz. A mesa de debates terá participação do advogado William Longhi, com abertura e coordenação a cargo do presidente do IEJE, Luís Fernando Barufaldi.

0,48%

foi a queda do Índice de Insumos para Produção de Leite, calculado pela Farsul, em junho. A deflação contrariou a expectativa do setor, que previa alta dos custos devido ao encarecimento de insumos como milho, soja, sal mineral e energia elétrica. O alívio veio principalmente do mercado internacional de fertilizantes, após a China retomar as exportações de ureia no fim de maio, ampliando a oferta global e reduzindo a pressão sobre os preços.

Gisele Loeblein

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30 de Julho de 2026
ROGER LERINA

A odisseia perpétua

Entre muitas outras coisas, a Odisseia é uma reflexão sobre movimento e inércia. O retorno de Odisseu - ou Ulisses, na versão em latim -, jornada que durou 10 anos, é precedido pela Guerra de Troia, que também consumiu uma década. Vinte anos de epopeias em que o mar é testemunha, algoz e poucas vezes protetor dos heróis gregos. Durante uma dezena de anos, nos quais cerca de 50 dos últimos dias são narrados por Homero na Ilíada, os guerreiros da Grécia permaneceram ancorados na praia defronte a Troia, combatendo de dia e retornando aos acampamentos junto aos barcos ao final das refregas. 

Conquistada a cidade oriental e recuperada Helena, é hora de voltar para casa pelo oceano, mas os deuses - e particularmente Poseidon, senhor dos mares - não facilitam a vida dos viajantes, obrigando Ulisses a navegar e naufragar por mais 10 anos antes de enfim dar nas costas de sua Ítaca natal, em uma viagem alternada entre deslocamentos e pausas.

Partir e regressar é um dos motes não apenas dos poemas homéricos - e da superprodução dirigida por Christopher Nolan em cartaz -, mas também do curso da civilização através dos tempos. Apostamos nosso destino na alternância pendular entre ação e repouso, ora lançando velas rumo ao ignoto, ora fincando raízes no familiar - em uma ou outra situação, sempre especulando se não seria melhor termos abraçado a opção relegada. O mar une e afasta, acolhe e castiga na Ilíada e na Odisseia, representando tanto a permanência quanto a instabilidade.

Essa ambiguidade fascinante está na essência também de André Severo - A onda de Gustave Courbet, exposição em exibição no MARGS. O artista visual gaúcho identificou quase uma centena de telas com ondas realizadas pelo pintor francês entre as décadas de 1860 e 1870 e recriou-as em grandes dimensões. Colocadas lado a lado, essas enormes pinturas congelam paradoxalmente o que é fluxo incessante. As vagas que se agigantam e quebram indômitas no mar tempestuoso envolvem o espectador em sua hipnótica enxurrada imóvel, atraindo e afastando como a maré que pode seduzir com promessas de além-mar ou matar na praia os ímpetos à aventura.

No canto 26 do Inferno da Divina Comédia, Dante escreve que, mesmo depois de 20 anos de errâncias, Ulisses não sossegou em casa e desafiou mais uma vez os deuses, navegando para além das Colunas de Hércules - o Estreito de Gibraltar - rumo ao oceano desconhecido e proibido. É essa onda de perpétua inquietação que a humanidade surfa desde que desceu das árvores. _

O conteúdo desta coluna reflete a opinião do autor

ROGER LERINA

30 de Julho de 2026
NOTÍCIAS

Grupo RBS reúne líderes para debater desenvolvimento do Rio Grande do Sul

Ouvidoria

Com foco em educação e inovação, encontro foi promovido pelo Conselho Editorial e reuniu 10 representantes da academia, do mercado e da inovação para discutir entraves e soluções para o Estado. A mediação da conversa foi realizada pelo comunicador Rodrigo Lopes

Cada representante presente foi convidado a compartilhar uma questão que, em seu entendimento, tem impedido avanços no desenvolvimento do Estado e uma possível solução ao problema. A mediação da conversa foi realizada pelo comunicador Rodrigo Lopes.

A inovação e a educação foram temas centrais nas discussões. Os líderes apontaram ainda a necessidade de fortalecer a articulação entre poder público, iniciativa privada e academia. Também foi citada a necessidade de avançar em áreas como infraestrutura logística, competitividade, governança, atração de talentos, planejamento a longo prazo e enfrentamento dos desafios climáticos.

Esses e outros temas reunidos a partir das ouvidorias realizadas pelo Conselho Editorial vão compor um documento com pautas prioritárias que será entregue pela RBS aos candidatos ao governo do Estado, em agosto. Os assuntos também serão tratados em reportagens dos veículos da RBS.

Na abertura do encontro, o publisher e presidente do Conselho de Gestão do Grupo RBS, Nelson Sirotsky, destacou o objetivo da iniciativa de qualificar o debate público:

- Queremos reunir contribuições e, assim, ajudar a colocar em evidência os temas essenciais para o desenvolvimento do Rio Grande do Sul. Temos a responsabilidade de levar essas discussões à sociedade por meio do jornalismo, estimulando a reflexão e acompanhando, com independência, os compromissos assumidos pelos futuros governantes.

CEO da RBS e membro do Conselho Editorial, Patrícia Fraga reforçou que a ideia do encontro está conectada ao propósito da empresa de impactar positivamente a vida dos gaúchos:

- Na RBS, acreditamos na força do diálogo e da escuta qualificada. Temos acompanhado com atenção os desafios e as transformações do RS e entendemos que reunir diferentes perspectivas é fundamental na construção de caminhos para o futuro. Nosso papel é conectar pessoas e ideias, dar visibilidade a iniciativas relevantes e engajar a sociedade nos debates que contribuem para soluções concretas aos desafios do Estado.

Participaram da ouvidoria Marcia Barbosa, reitora da UFRGS; Manuir Mentges, reitor da PUCRS; Jorge Audy, superintendente de Inovação e Desenvolvimento da PUCRS e do Tecnopuc; Martha Adaime, reitora da UFSM; Gustavo Borba, pró-reitor acadêmico e de Relações Internacionais da Unisinos; José Renato Hopf, presidente do South Summit Brazil; Claudio Gastal, diretor-presidente do Sesi-RS e do Senai-RS e integrante da plataforma Coalizão; Pedro Valério, diretor-executivo do Instituto Caldeira; Rafael Castello Costa, presidente do Conselho de Turismo da Região das Hortênsias e secretário de Turismo de São Francisco de Paula; e o empresário e membro do Conselho Editorial do Grupo RBS José Galló.

Também prestigiaram o encontro o vice-presidente do Conselho de Gestão do Grupo RBS, Fernando Tornaim, além da diretora-executiva de Marketing e Negócios Entretenimento e TV, Caroline Torma, líderes da redação e comunicadores. _

As prioridades apontadas - Projetos devem ultrapassar governos

Segundo os participantes, um avanço real em áreas decisivas como educação e inovação no Rio Grande do Sul depende da criação de um plano "de Estado", que seja mantido independentemente da mudança de governos. A educação de qualidade foi apontada como o pilar central para aumentar a produtividade e a competitividade diante do envelhecimento da população gaúcha. A falta de continuidade foi apontada como um dos entraves para avançar em temas fundamentais que devem passar a ser considerados prioridades permanentes do RS.

Inovação é vetor de desenvolvimento

Muito além de tecnologia, a inovação deve ser entendida como o motor para o progresso econômico e social. É essencial estreitar a ligação entre a ciência básica produzida nas universidades e a sua aplicação prática no mercado e, assim, impulsionar o desenvolvimento regional. É preciso valorizar, nos esforços para inovação, as fortalezas e a vocação econômica do RS - por exemplo, setores como o agronegócio, a saúde e o turismo. Um dos consensos entre os convidados: neste século, ciência e tecnologia são indissociáveis do processo de desenvolvimento.

Ambiente de confiança e conexão

Transformar a economia do Rio Grande do Sul exige esforços conjuntos do poder público, da iniciativa privada e do meio acadêmico. Para isso, é preciso reverter uma cultura histórica no Estado de iniciativas criadas isoladamente, seja no setor público ou na iniciativa privada. E construir um ambiente de confiança e colaboração reais, que pode inclusive atrair talentos de fora para o RS. Universidades e centros de inovação, pela qualidade do conhecimento produzido e credibilidade construída, podem atuar como pontes entre diferentes setores da sociedade.

Governança clara

Evitar que o Estado funcione como um "arquipélago" de iniciativas isoladas foi um dos desafios citados. Para isso, as lideranças defendem a criação de uma governança clara para as políticas de desenvolvimento e investimento em educação e inovação, que garanta o acompanhamento da sociedade e mantenha o ritmo das ações. Entre os desafios apontados pelos participantes, estão a dificuldade do Estado em definir prioridades, executar com rigor e realizar entregas transformadoras.

Confira o que eles disseram

Claudio Gastal - Diretor-presidente do Sesi-RS e do Senai-RS

A grande palavra que sai dessas discussões para todas as áreas, porque elas são interdependentes e complementares, é a necessidade de o Rio Grande do Sul, por meio de suas entidades, de suas representações e de suas lideranças, buscar convergência.

Gustavo Borba - Pró-reitor acadêmico e de Relações Internacionais da Unisinos

A iniciativa privada, o setor público e as instituições de ensino devem estar articulados. E as universidades, por terem um papel um pouco mais horizontal, poderiam ser aquelas que articulam o movimento para a construção de um Estado melhor.

Jorge Audy - Superintendente de Inovação e Desenvolvimento da PUCRS e do Tecnopuc

O mais importante para nós não é impedir a saída de talentos, mas nos preocuparmos em atrair talentos. Em atrair pessoas qualificadas de outras regiões do mundo e do Brasil, além de atrair os próprios gaúchos que saem para aprender, se desenvolver no Exterior e voltar para contribuir.

José Galló - Empresário e membro do Conselho Editorial do Grupo RBS

Você tem o conhecimento, você tem inovação, mas isso precisa ser aplicado. Até que ponto isso está acontecendo? A forma de criarmos desenvolvimento para o Estado é conseguirmos fazer com que haja a aplicação da inovação no setor privado, o que gera crescimento.

José Renato Hopf

Presidente do South Summit Brazil

Se a gente quer algo que seja transformador da sociedade, precisa trazer todos os agentes que fazem parte desse processo. E a inovação tem aquela coisa mágica: ela representa os movimentos que fazemos em prol do desenvolvimento.

Manuir Mentges, - Reitor da PUCRS

O Brasil é a 10ª economia do mundo. Somos o 14º em produção científica, mas, quando olhamos para a inovação, ocupamos a 52ª posição. Ou seja, precisamos também aproximar a universidade do mercado, do governo e das organizações.

Marcia Barbosa - Reitora da UFRGS

É necessário criar, institucionalmente, na estrutura do Estado, um comitê de assessoramento estratégico para o desenvolvimento do Estado. Esse comitê não precisa ser formado apenas pelas universidades, mas imagine todas elas interligadas para alavancar a educação, trazer novas tecnologias e assessorar as empresas.

Martha Adaime  - Reitora da UFSM

A universidade está desenvolvendo esse projeto, que chamamos de hub logístico, e que é um bom exemplo disso: inovação é a universidade colocar aquele conhecimento, aquela ciência, em prática para o desenvolvimento do seu entorno.

Pedro Valério - Diretor-executivo do Instituto Caldeira

No século 21, não há outro caminho a não ser uma obsessão pela educação e, obviamente, a inovação é o cerne, o epicentro de qualquer desenvolvimento econômico e social.

Rafael Castello Costa

Presidente do Conselho de Turismo da Região das Hortênsias e secretário de Turismo de São Francisco de Paula

O turismo, como eu sempre digo, acontece de dentro para fora e precisa ser tratado dessa forma. E não há melhor maneira do que construir, coletivamente, entre o poder público e a iniciativa privada, as instâncias de governança. Nossa região compreende muito isso.

Brasil cria 145,1 mil novas vagas com carteira

Mercado de trabalho

O mercado de trabalho brasileiro abriu mais de 145 mil novos empregos em junho, segundo dados do Novo Caged divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O resultado decorreu de 2.220.131 admissões e de 2.074.970 desligamentos.

Todos os cinco grandes agrupamentos apresentaram resultado positivo em junho. O setor de serviços fechou o mês com 74.514 postos e a agropecuária registrou saldo de 22.898 vagas. O comércio terminou o mês com avanço de 19.177, a indústria, com 4.438, e a construção civil, com 14.136.

No mês passado, a região Sudeste veio na frente na geração de empregos com 70.383 postos, incremento de 0,29% em relação a maio. Em seguida, o Nordeste, com 34.433 postos (0,43%) e o Centro-Oeste, com 19.617 postos (0,46%). Daí o Sul, com 10.453 postos (0,12%), e o Norte, com 9.633 postos (0,40%).

Entre os Estados, 25 tiveram saldo positivo. Em números absolutos, o destaque ficou com São Paulo, com 34.981 postos, seguido de Minas Gerais, com 20.805, e Rio de Janeiro, com 16.856. No Rio Grande do Sul, foram 1.162 vagas. O único com resultado negativo foi o Espírito Santo, 2.259 postos de trabalho a menos. Proporcionalmente, os destaques positivos ficaram para o Amapá, o Acre e Mato Grosso.

Além disso, o salário médio real de admissão em junho no país foi de R$ 2.404,34. Comparado ao mês anterior, houve aumento real de R$ 16,90.

Os dados divulgados vão ser observados de perto pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central, que se reúne na próxima semana para definir a taxa Selic. No último encontro, em junho, o colegiado diminuiu o juro básico de 14,50% para 14,25%, mas destacou a resiliência do mercado de trabalho como um fator de pressão sobre a inflação, especialmente no setor de serviços. _

30 de Julho de 2026
EM FOCO

Temporais afetam dezenas de cidades e elevam rios no RS

O episódio reforça como fenômenos severos podem ocorrer simultaneamente no Estado. Enquanto comunidades acompanham a subida das águas, municípios contabilizam prejuízos causados por vento forte e chuva de pedra

Após uma sequência de temporais que provocou estragos em pelo menos 128 municípios, a elevação dos rios agravou a situação em diversas regiões do Estado e mantém a preocupação para os próximos dias. Pelo menos seis estão acima da cota de inundação em nove trechos monitorados, já provocando a retirada de moradores em áreas sujeitas a alagamentos. Segundo a Defesa Civil, 297 pessoas estavam desalojadas e 779 em abrigos até a noite de ontem. Além disso, um tornado na Região Noroeste deixou feridos e causou danos materiais, enquanto episódios de granizo foram registrados em mais de 10 municípios.

Às 19h, cerca de 17 mil clientes estavam sem energia elétrica no Estado. Na área da RGE, eram 8.786 afetados. Já na região da CEEE Equatorial, há 8.250 clientes sem luz. Segundo as concessionárias, dezenas de equipes estavam nas ruas atendendo aos casos de interrupção.

Avanço

Um aviso de alto risco de inundação para o Rio Paranhana, no trecho de Taquara, foi divulgado ao final da tarde pela Defesa Civil do Estado. Em Rolante, Três Coroas, Igrejinha e Taquara, na mesma região, os alagamentos fizeram com que mais de uma centena de pessoas precisassem deixar suas casas. Abrigos foram montados para receber as famílias. O Rio dos Sinos, em Taquara, segue em alerta máximo e pode superar a cota de inundação. 

Já o Guaíba, no centro de Porto Alegre, atingiu ontem a cota de atenção (2m) e pode superar a de inundação (2m50cm) até sábado, segundo boletim hidrológico de ontem do Serviço Geológico do Brasil (SGB) e do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A Defesa Civil de Porto Alegre informou que já reforçou a atuação na região das Ilhas.

No Rio Caí, em São Sebastião de Caí, onde a cota de inundação é de 10m, a medida foi superada em três metros - era de 13m10cm às 19h30min. No início da tarde, famílias já retiravam móveis do primeiro andar das casas, após a água invadir trechos de ruas como Oderich, Aquidaban e São Lourenço. Em alguns pontos, o nível chegava à altura da coxa de quem atravessava o alagamento.

Em busca de abrigo

Em Eldorado do Sul, com a elevação do Rio Jacuí, a Defesa Civil da cidade orientou que moradores de áreas próximas a arroios e rios iniciassem ações preventivas e procurassem abrigo com familiares em locais seguros. A prefeitura classificou como prioridade de monitoramento as áreas dos arroios Conde e dos Ratos, que abrangem o distrito de Bom Retiro e o bairro Rincão. Também são monitorados o assentamento Irga e os bairros Chácara, Cidade Verde, Vila da Paz, Picada, Itaí, Sol Nascente e Sans Souci.

Após o Rio Gravataí atingir a cota de inundação, que é de 4m75cm, em Gravataí, no bairro Vila Rica, sete pessoas saíram de casa na terça-feira à noite e foram abrigadas por parentes.

Morador da região, o montador mecânico Everton Flores Soares, 32 anos, acompanhava o nível da água na rua. Ele descreve o alagamento não como um evento, mas como um hábito do bairro: a cada chuva mais volumosa, a água empoça e não escoa.

- Aqui é com frequência. Toda chuva que dá acontece esse transtorno do alagamento. A água não tem para onde escoar e fica na rua - explica Soares.

Estabilidade

Para hoje, a previsão é de tempo estável. A frente fria começa a se afastar do Estado e dá lugar a uma massa de ar seco.

O dia começa com temperaturas baixas na maioria das cidades. O sol retorna entre muitas nuvens, mas a chuva não está totalmente descartada - especialmente na Serra e na Metade Norte.

SP e RJ

O Sudeste também registrou impactos em razão do tempo ontem. Três pessoas morreram em São Paulo em decorrência dos fortes ventos, que chegaram a 124,9 km/h. De acordo com a Defesa Civil estadual, os óbitos foram em Santo, São Sebastião e Cesário Lange. No Rio de Janeiro, a ventania causou apagão, paralisou transportes e resultou na morte de duas pessoas atingidas pela queda de um muro em Santa Teresa. A máxima do vento chegou a 105,5 km/h no Aeroporto do Galeão, na Zona Norte, entre 16h e 17h.

Aporte

Em reunião ministerial ontem no Palácio do Planalto para falar sobre o El Niño, a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, anunciou o reforço orçamentário de R$ 1,335 bilhão para mitigar as consequências do fenômeno climático, como excesso de chuvas no Sul, seca e incêndios no Norte e Nordeste e atraso de chuvas no Centro-Oeste. _

Participaram Caroline Batista, Diego Nuñez, Eduarda Wenzel, Isadora Garcia, Júlia Ozorio, Leonardo Martins, Kathlyin Moreira, Kassiane Michel, Madu Brito e Maria Fernanda Freire

Tornado deixou sete feridos em três cidades

No noroeste do RS, sete pessoas ficaram feridas após um tornado atingir três cidades: Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho. As rajadas causaram estragos como destelhamentos e queda de árvores e postes. Duas residências ficaram totalmente destruídas em Sete de Setembro. A prefeitura de Giruá afirmou ontem que irá protocolar o pedido de Declaração de Situação de Emergência.

O que parecia ficção aconteceu diante dos olhos de Renan Bayer, morador de Giruá, nesta terça-feira. No interior do município, o agricultor conseguiu registrar o fenômeno:

- Parecia coisa de filme, que a gente nunca ia ver na vida.

Bayer registrou o surgimento do tornado e acompanhou o avanço do fenômeno até precisar deixar o local às pressas:

- Fiz umas quantas gravações, até que tive que fugir - relata.

O tornado ocorreu por volta das 18h25min, associado a uma supercélula, um tipo de tempestade que tem uma corrente ascendente giratória. O Brasil não costuma ser associado a tornados, mas há registros com mais frequência do que se imagina.

A Região Sul do país, sobretudo o Rio Grande do Sul, é apontada como a segunda área mais propensa à ocorrência desses fenômenos no mundo. O território fica atrás apenas da porção central dos Estados Unidos. 

Granizo provoca danos em centenas de casas

Fortes chuvas de granizo também atingiram diferentes municípios do Estado durante a noite de terça-feira e a madrugada de ontem. Na Serra, houve registro do fenômeno em cidades como Caxias do Sul, Canela e Gramado. Apesar do volume de gelo em alguns pontos, até o momento não há registro de feridos.

Já na Região Central, houve danos em mais de 200 residências nos municípios de Quevedos e Capão do Cipó. Em Capão do Cipó, mais de cem casas foram atingidas, principalmente no centro da cidade e na localidade de Carovi.

Em Quevedos, ao menos cem residências registraram danos e cinco famílias precisaram deixar suas casas, sendo acolhidas por parentes. Nas duas cidades, as prefeituras seguem contabilizando os prejuízos e distribuindo lonas para as famílias afetadas.

Mais de 10 municípios do norte e do noroeste do Rio Grande do Sul registraram o fenômeno. Entre as localidades mais afetadas está a cidade de Ubiretama, no Noroeste, onde pelo menos 350 casas foram danificadas pela chuva de pedra, assim como duas escolas e um prédio público.

- Temos 2,1 mil pessoas aproximadamente que foram atingidas. E essas pessoas, nesse momento, estão sendo transferidas para um abrigo - afirmou em entrevista ao programa Estúdio Gaúcha, da Rádio Gaúcha, na noite de terça, a comandante da 2ª Companhia de Bombeiro Militar em Santa Rosa, Lisiane Cassol dos Santos. 

quarta-feira, 29 de julho de 2026

29 de Julho de 2026
CARPINEJAR

Esta coluna contém informação e opinião

Os nomes divertidos de cachorros

Os pais não esperam o bebê nascer para dar um nome. Não conhecem o filho ainda para nomeá-lo. É um batismo feito no escuro. Na genealogia humana, somos treinados a definir a graça da pessoa durante a gestação.

Já no mundo canino, existe o costume de olhar primeiro o animalzinho para então criar o apelido, levando em conta a aparência, os hábitos, os trejeitos. O que explica por que os cachorros exibem a cara e a fuça do seu nome. Você não consegue concebê-los de maneira diferente.

Meu amigo Nilson Vargas, ex-colega da RBS, cuida do Cookie. É realmente Cookie: um Shih Tzu com orelhas grandes, olhinhos cobertos de pelo, cauda de almofada e fofura extrema.

Se, no IBGE, os bíblicos Maria e José seguem reinando, os cães recebem requintes de pluralidade, representando o melhor da confeitaria, da padaria, da galeria de super-heróis. Em 2025, a PetLove fez uma pesquisa com 1,8 milhão de bichinhos e catalogou os nomes mais comuns.

Os mais populares para fêmeas são Mel, Luna, Amora, Nina e Maia. Entre os machos, lideram Thor, Luke, Theo, Bob e Apolo. Nem dependem de um sobrenome para pertencer à nossa família.

Quem teve um parceiro de estimação entende a mágica, que se estende da infância aos marmanjos mais coroas. O nome vem dos ecos dos recreios da escola, de uma comparação jocosa, de uma experiência positiva com a cultura. Isso aumenta o apego com seu xodó. Você passa a gostar mais dele porque ele é parte de seu desejo, surgiu de sua imaginação, de sua observação espirituosa.

Pela cor, pode ser Chocolate, Cacau, Brownie, Nutella, Jujuba. Pelo tamanho, pode ser Pingo, Miúdo, Farelo, Toquinho, Pitoco, Nina, Bolinha. Pela força, pode ser Titã, Gigante, Colosso, Hulk, Sansão, Zeus e Everest.

Pela simpatia, pode ser Lili, Lolô, Lulu, Fifi, Didi, Kiki, Bibi, aquela duplicação de sílabas que parece se originar da fala de uma criança pequena. Pela comicidade de amar atrapalhadamente, pode ser Mingau, Bolacha, Paçoca, Pipoca, Polenta, Pudim, Amendoim, Xis, Chanel.

A raça é secundária; o que prevalece é como se chama. Nas praças, nos parques, torna-se um chamariz para atrair a atenção e roubar afagos de estranhos. Não é apenas uma designação, mas um destino.

A intimidade desponta antiga na memória. A partir de uma risada. De um paralelo lírico que antecipa os dotes e o comportamento da fera do lar. Vale todo o cardápio, da entrada à sobremesa. Na maioria dos casos, ocorre a transferência de um apetite, de uma gula preferida.

Alguns recorrem aos clássicos Rex e Totó. Outros homenageiam cachorros famosos de filmes e desenhos, como Bidu, Lassie, Floquinho e Marley. Há quem se sinta livre para mencionar baluartes, referências enciclopédicas como Freud, Lacan e Frida. Cantores e cantoras como Amy, Mick, Lennon, Ozzy ou Madonna ganham o microfone dos latidos.

Nunca é só um cusco. O amor não deixa ninguém renguear de frio. _

CARPINEJAR

29 de Julho de 2026
MÁRIO CORSO

As férias de Sísifo

Zeus: Qual é o motivo do burburinho lá embaixo? Hermes: Sísifo levou a pedra até o topo do morro e ela está lá, parada. Zeus: Impossível. Foi calculado para as forças dele acabarem antes e a pedra rolar até o ponto mais baixo.

Hermes: O Arquimedes me disse que, com o passar dos séculos, a pedra foi se desgastando, logo, ficou mais leve e Sísifo conseguiu a proeza.

Zeus: Onde que o Hefesto estava com a cabeça que não previu isso?

Hermes: Na verdade ele previu. A bola original era de bronze. Mas como o bronze é mais denso que o granito, ela era menor. O pessoal do marketing queria uma imagem de uma pedra do tamanho do corpo dele, fica melhor nas pinturas. Daí Atena autorizou trocar.

Zeus: Mande Hefesto fazer uma outra pedra imediatamente.

Hermes: Hefesto está ocupado. Zeus: Absurdo. Eu designo as prioridades e essa é a prioridade.

Hermes: Hefesto está fazendo o novo closet de Hera, sua esposa. Você vai encarar mandar parar a obra dela? Zeus: Ele já está nisso faz tempo, impossível não estar pronto.

Hermes: Bem, só a parte dos sapatos é para 25 mil pares.

Zeus: Ainda bem que eu estou sem nenhum raio ao alcance da minha mão. Meu filho, você entende que isso é uma desmoralização para mim? Como assim, parar um castigo que eu pessoalmente ordenei. Já basta o Hércules ter libertado o Prometeu, que eu acorrentei num penhasco por ter roubado o fogo para os homens.

Hermes: Entendo pai. Quem sabe vamos fazer de conta que é algo programado. Vamos chamar de férias. Quando o Hefesto terminar a nova pedra termina o período de férias.

Zeus: Hermes, essa imagem do Sísifo carregando a pedra é uma mensagem sobre a aventura humana. Qualquer dia, os humanos vão querer essa vagabundagem que você chamou de férias. Já imagino teus tios, Poseidon e Hades fazendo piada de mim por ser mole com a humanidade.

Hermes: Na verdade é uma tendência. Todos já compraram a ideia do deus hebraico, de parar um dia na semana para descansar. Eles já estão funcionando no 6x1.

Zeus: Está bem, anuncia aos homens que Sísifo está em período de férias. Se bem que o pessoal me conhece, o mérito pelas férias vai acabar no colo do folgado do Dionísio. Meu temor é o precedente, vai que um outro deus proponha 5x2? 

O conteúdo desta coluna reflete a opinião do autor

MÁRIO CORSO

29 de Julho de 2026
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Flávio não pode ser punido por usar imagem do pai feita com IA

De todos os problemas que rondam a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), o menor deles é ter usado a figura do pai, Jair Bolsonaro, em um vídeo produzido por inteligência artificial. Não há na lei nada que proíba um candidato de usar na convenção do seu partido um vídeo em que deixa claro desde a primeira frase ser um produto de IA. Pedir a inelegibilidade de Flávio por esse motivo é litigância de má-fé.

Da mesma forma, não faz sentido punir Jair Bolsonaro com a volta para a Papuda por causa do dito vídeo. Goste-se ou não do ex-presidente, ele não pode ser responsabilizado por um vídeo do qual não participou. O texto é da assessoria de Flávio, transformado em fala de Bolsonaro por um programa que imita a voz do ex-presidente. Não é deepfake - definição que se aplicaria se alguém fizesse o vídeo tentando enganar o público, como se a voz daquela pessoa fosse verdadeira.

Flávio tem razão quando compara o vídeo a um boneco. E é. A Justiça Eleitoral não pode punir um candidato pelo que não está na lei. O que a lei proíbe é o uso de manipulação na propaganda eleitoral, seja a favor do candidato, seja contra um adversário. Não é o caso.

Grave foi o que o Flávio fez na reunião com diplomatas, insinuando que o sistema eleitoral não é confiável e colocando as urnas eletrônicas sob suspeição, como fez o pai em 2022. Grave é sua relação com Daniel Vorcaro, de quem recebeu R$ 63 milhões para, supostamente, financiar a produção do filme Dark Horse. Grave é o lobby do irmão junto ao governo dos Estados Unidos para punir o Brasil e que resultou no tarifaço.

A participação do presidente argentino Javier Milei na convenção também não é motivo para questionamento da candidatura. O eleitor é quem vai avaliar se a manifestação destemperada do argentino, com insultos a autoridades brasileiras, adiciona ou subtrai. À Justiça cabe aplicar a lei e não fazer julgamentos subjetivos. 

Lula usa visita para fazer propaganda do SUS

A visita do diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, ao Hospital Federal de Andaraí, no Rio de Janeiro, ao lado do presidente Lula, serviu para fazer propaganda do SUS.

Ao apresentar uma unidade odontológica móvel conseguiu uma foto emblemática, que correu o mundo pelos portais de notícias. Sentado na cadeira do paciente, Tedros abre a boca para que Lula simule um atendimento. O presidente também apresentou a Tedros um moderno equipamento de radioterapia para dizer que, no Brasil, o paciente do SUS tem acesso à mesma tecnologia de quem faz radioterapia em um hospital privado. Lula contou a Tedros que fez 15 sessões de radioterapia para tratar um câncer de pele no couro cabeludo no Hospital Sírio Libanês:

- Fiz numa máquina que qualquer pobre do Brasil pode fazer, qualquer pessoa mais humilde, de qualquer lugar do Rio.

E sugeriu a Tedros que conte isso ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que quer cortar as verbas para a OMS.

Maranata fala dos desafios do RS

Tereza Cristina admite concorrer a presidente

"Ministra, vamos para presidente", escreveu um empresário participante do grupo. "Estou pronta", respondeu Tereza Cristina. Em seguida, outros participantes encaminharam manifestações de apoio e emojis de palmas, bênçãos, positivo e taça dourada. Diante da empolgação, a ex-ministra fez uma ressalva: "Mas não depende só de mim. Meu partido precisa me dar legenda".

A ex-ministra da Agricultura vinha dizendo que não aceitaria ser vice de Flávio porque seu projeto era disputar a presidência do Senado. Ontem, ela admitiu concorrer ao Planalto. Caso isso se concretize, o que precisa ocorrer até 4 de agosto, fracionará ainda mais os votos da direita, hoje representada por Flávio, Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão). 

MDB chega unido à convenção

POLÍTICA E PODER

 29 de Julho de 2026
EM FOCO

Tempestade

Alerta vermelho para grande parte do Estado

Inmet comunica risco elevado de temporal até o meio-dia de hoje. A média de chuva pode chegar a 100mm, com vento superior a 100 km/h, queda de granizo e descargas elétricas. Ontem, um tornado atingiu cidades da Região Noroeste

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta vermelho para risco de tempestade em grande parte do Rio Grande do Sul, válido até as 12h de hoje. O comunicado entrou em vigor às 10h de ontem. As áreas que poderão ser mais afetadas são Região Metropolitana, Serra, Norte, Noroeste, Região Central e Litoral Norte. Partes de Santa Catarina que fazem divisa com o Estado também estão citadas no alerta divulgado pelo Inmet.

De acordo com o comunicado, a média de chuva pode chegar a 100 milímetros por dia, com vento superior a 100 km/h, além de queda de granizo e descargas elétricas. Há riscos de danos em edificações, corte de energia elétrica, estragos em plantações, queda de árvores e alagamentos.

Conforme informações da Climatempo, o calor de 30ºC na fronteira com a Argentina potencializou o risco de tempestades severas no Estado. Ontem, no decorrer da tarde para a noite, a instabilidade já havia começado no Oeste do RS. Em Porto Alegre e na Região Metropolitana, assim como no Litoral Norte, a projeção era de que o cenário de mau tempo se estendesse no decorrer da madrugada. Há maior risco de alagamentos e danos para estas áreas.

A Defesa Civil do Estado emitiu também um alerta vermelho para risco muito alto de inundação dos rios Sinos e Uruguai. O comunicado é válido até as 9h de hoje. O alerta vale para a região de São Leopoldo, no Vale do Sinos. Pela medição das 20h30min, o nível estava em 4m61cm, acima da cota de inundação (4m50cm). A água estava subindo pouco mais de um centímetro por hora.

Em Uruguaiana, o Rio Uruguai estava em 9m05cm, acima da cota (8m50cm). A água seguia subindo na região, e as autoridades avaliavam a retirada de mais famílias como medida preventiva. Em São Borja, chegou a 9m59cm (acima da cota de 9m) e em Itaqui foi a 9m14cm (acima da cota de 8m30cm).

Na madrugada de ontem, o Rio Jacuí recuou para 8m65cm em Cachoeira do Sul e deixou a cota de inundação (9m), segundo o Serviço Geológico Brasileiro. O nível do Rio Gravataí, na estação Passo das Canoas, no bairro Caça e Pesca, em Gravataí, também requeria atenção, pois estava em 6m29cm. A cota de inundação é 6m80cm. A Defesa Civil publicou alerta muito alto para a área.

Tornado

Cidades do Noroeste registraram a passagem de um tornado na noite de ontem. Segundo a Defesa Civil, o fenômeno passou por Giruá, Senador Salgado Filho e Sete de Setembro. O tornado ocorreu por volta das 18h25min, "associado a uma supercélula, um tipo de tempestade que tem uma corrente ascendente giratória". De acordo com o órgão, o tornado "causou danos severos a algumas edificações". _

Participaram Caroline Batista, Eduarda Wenzel, Gabriela Alves, Gabriel Jacobsen, Kathlyn Moreira, Júlia Ozorio, Lucas de Oliveira, Maria Fernanda Freire e Pablo Ribeiro

Vento forte destelha casas e derruba postes no Litoral Norte

De acordo com Alencar, o temporal também deixou uma pessoa ferida. Ele relata que um morador do município tentava consertar o telhado de uma residência, mas caiu e precisou ser encaminhado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde foi atendido e liberado. O balanço preliminar da Defesa Civil de Osório também indica a queda de cerca de 40 postes e 12 árvores. Conforme dados da CEEE Equatorial de ontem, 1.539 clientes estavam sem energia elétrica no município.

Fios energizados

Em vídeo nas redes sociais, o prefeito de Osório, Romildo Bolzan Júnior, pediu que os moradores evitem sair de casa. Segundo ele, há muitos fios energizados que oferecem risco. Além disso, um casal está abrigado no Ginásio Municipal Rutílio Kestering, no bairro Porto Lacustre, de acordo com Alencar.

- A nossa preocupação agora é manter o contato com as pessoas e entender os chamados - ressalta o prefeito.

Prejuízos

Entre os danos registrados está o desabamento de parte da estrutura da concessionária BYD, que caiu sobre veículos estacionados no local. A reportagem procurou a concessionária operada pelo Grupo Via Porto para obter informações sobre o número de carros atingidos e o tamanho do prejuízo, porém não havia recebido retorno até o fechamento desta edição. _

Queda de árvores entre outros transtornos na Serra

Conforme a prefeitura de Caxias do Sul, houve a queda de um muro no bairro Fátima e registros de destelhamentos em algumas localidades. Além disso, uma árvore de grande porte caiu sobre uma residência no bairro Mariland. Não houve registro de feridos. Conforme boletim divulgado pela Defesa Civil estadual, a velocidade do vento em Caxias foi a segunda maior do Estado, com 85,7 km/h. A primeira foi Rolante, com 93,6 km/h.

Em Farroupilha, a forte chuva provocou ao menos 11 ocorrências de destelhamento, conforme a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros. O caso mais grave foi registrado na Vila Esperança, onde uma residência teve danos significativos na cobertura. Não houve feridos. No interior, conforme a prefeitura de Farroupilha, quedas de árvores prejudicaram o tráfego na Rodovia dos Romeiros, nos Caminhos de Pedra e na Estrada Luiz Victório Galafassi. Além disso, foi registrada falta de energia elétrica em alguns bairros.

Em Flores da Cunha, houve quedas de árvores, postes e fiação elétrica, além de destelhamentos e interrupções no fornecimento de energia em diferentes pontos do município. Em Veranópolis, duas residências foram destelhadas nas comunidades de Nossa Senhora do Rosário e São José da Nona.

Em Bento Gonçalves, as equipes da prefeitura atenderam ocorrências de queda de árvores em ao menos cinco bairros. Também foi necessário desobstruir bueiros em locais com pontos de alagamento. Ainda na noite de segunda-feira, por volta das 19h15min, o Corpo de Bombeiros foi acionado para remover árvores que caíram sobre a BR-470.

Em Carlos Barbosa, os bombeiros atenderam duas ocorrências: uma por queda de árvores de médio e grande porte na localidade de Desvio Machado e outra por condutores de energia caídos no bairro Triângulo. _

Tubulação se rompe no aeroporto Salgado Filho

Uma tubulação de água potável se rompeu na manhã de ontem no Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, causando vazamento na área de desembarque internacional, no primeiro piso. Segundo a Fraport, que administra o aeroporto, o problema não teve relação com a chuva.

O rompimento da conexão hidráulica aconteceu por volta das 7h45min e foi totalmente contido às 8h15min. Ainda conforme a concessionária, às 9h equipes finalizaram a limpeza do local.

Apesar do vazamento de água, o aeroporto funcionou normalmente. No começo do mês, um rompimento de tubulação fez parte do forro do teto desabar no terceiro piso do aeroporto. A Fraport nega que haja relação entre os dois casos. _

Prefeitura espera acabar com alagamentos na Capital até 2031

O diretor-presidente do Dmae, Vicente Perrone, afirmou ontem, em entrevista ao Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha, que os alagamentos registrados um dia antes em Porto Alegre foram consequência de um volume extraordinário de chuva e que as casas de bombas funcionaram normalmente durante o temporal. De acordo com Perrone, os alagamentos ocorreram porque o sistema de drenagem da Capital é antigo e não dá conta de escoar volumes tão expressivos de chuva concentrados em poucos minutos.

- Ontem (segunda-feira) nós tivemos um volume extraordinário. Em algumas estações (da cidade), choveu 18 milímetros em 10 minutos - afirma Perrone.

De acordo com o representante da prefeitura de Porto Alegre, como os equipamentos de bombeamento funcionaram normalmente, a avaliação da prefeitura é de que o sistema de drenagem operou de forma satisfatória.

- A gente internamente fez uma avaliação ontem e achamos que foi satisfatória a resposta do sistema, mas a drenagem precisa de altíssimos volumes de investimento, e Porto Alegre passou décadas sem isso. Temos hoje mais de R$ 2 bilhões em (projetos de) macrodrenagem, microdrenagem e novas casas de bombas. Licitações que começam, inclusive, agora na virada do mês de agosto e vão até abril do ano que vem, licitando mais de R$ 2 bilhões - acrescenta.

Prazo

Segundo Perrone, os alagamentos registrados em dias de chuva muito forte serão solucionados em um prazo de três a quatro anos, contados a partir do primeiro semestre de 2027. Assim, a previsão da prefeitura é de que, até 2031, os alagamentos sejam resolvidos por meio de grandes obras de drenagem e da construção de novas casas de bombas.

Sobre a próxima semana, Perrone afirmou que, neste momento, não há risco hidrológico previsto para a Capital e que, mesmo com chuva constante nas próximas 24 horas, não devem ser registrados novos alagamentos em Porto Alegre. 

terça-feira, 28 de julho de 2026

28 de Julho de 2026
CARPINEJAR

O anonimato dos carros

Os automóveis são anônimos. Nas placas, consta apenas "Brasil", de modo genérico. Não mais indicam de qual cidade vêm os motoristas.

Antes, experimentávamos o prazer de adivinhar a história e a procedência de quem estava passando ao nosso lado nas avenidas.

Quando pequeno, eu me deslumbrava ao identificar a origem de cada veículo trafegando. Lia e tentava decifrar como havia chegado a Porto Alegre:

Bagé (RS)

Santa Maria (RS)

Caxias (RS)

Um engarrafamento consistia num encontro municipal, inclusive interestadual. Não deixava de ser um atlas automobilístico. Ao flagrar uma tabuleta do Rio de Janeiro, de São Paulo ou de Belo Horizonte, eu me punha a inspecionar os seus passageiros. Crescia a curiosidade pela distância percorrida: como pararam naquele ponto e momento? Moravam na capital gaúcha ou estavam de passagem?

Fantasiava como seria a vida dos turistas ou dos trabalhadores de outras regiões. Sequer cogitava que um dia eu seria um viajante. Ainda não tinha andado de avião. Meus limites geográficos se restringiam ao bairro, da casa à escola, com alguns raros passeios pelo centro.

Soube de localidades que nunca sonhei que existiam, pescando letreiros por baixo das latarias.

Municípios apresentavam nomes mágicos, que combinavam com os livros de ficção. Já registrava no meu passaporte imaginário, para poder procurar no futuro:

Bonito (MS)

Esperança (PB)

Feliz (RS)

Harmonia (RS)

Fartura (SP)

Encanto (RN)

Maravilha (AL)

Águas Mornas (SC)

Sorriso (MT)

Descanso (SC)

Bom Conselho (PE)

Fortuna (MA)

Espera Feliz (MG)

Na época, anos 1970 e 1980, nem usávamos o cinto de segurança. As crianças ficavam de pé nos bancos, observando tudo pelo vidro traseiro e acenando para os condutores.

A informação da cidade e do Estado começou a desaparecer com a adoção da placa Mercosul, implantada no país em setembro de 2018 e convertida em regra para novos emplacamentos e substituições a partir de 2020.

Sinto saudades do nosso trânsito babélico, dos cartões-postais em movimento, das biografias resumidas dos andarilhos. Os pais perdoavam erros, barbeiragens e deslizes nas rotas quando notavam que a pessoa não era daqui. Não buzinavam, mesmo que ela bloqueasse a sua frente sem pisca-alerta. Ofereciam um desconto por desconhecimento das nossas vias. Tratava-se de uma fidalguia e gentileza de anfitriões.

A nostalgia não é só minha. Tramita um projeto de lei (número 3214/2023) no Congresso que propõe o retorno obrigatório da cidade, do Estado e da bandeira da unidade federativa às placas veiculares. O texto foi ratificado pelo Senado e pela Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados. Será encaminhado para a análise da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania e, posteriormente, precisará de votação no Plenário e sanção presidencial. Caso seja aprovada, a nova velha legislação passará a valer somente 12 meses após a promulgação.

Terei a minha infância de volta? 

CARPINEJAR

28 de Julho de 2026
NILSON SOUZA

Cinco prompts urgentes

Prezada senhora I. A.

1) Considerando as principais variáveis meteorológicas de pressão atmosférica, temperatura e umidade do ar aferidas por respeitados institutos climáticos nacionais e internacionais, somadas às previsões diárias das elegantes apresentadoras do quadro do tempo na televisão e acrescidas de crenças populares baseadas no movimento das formigas, nas dores das articulações e na dança da chuva de alguns povos originários, gostaria de saber se o Rio Grande do Sul chegará ao final deste mês emerso ou submerso.

2) Com base nas aparências e desaparências resultantes da harmonização facial, das canetas emagrecedoras e do velho photoshop, incluindo sua própria capacidade de transformar falsidade em realidade nas imagens e vídeos criados pelos seus incansáveis algoritmos, peço-lhe que me aponte um rosto autêntico e confiável entre as dezenas de candidatos às próximas eleições que já sobrecarregam nossas telinhas com sorrisos forçados e santinhos de propaganda política.

3) O que os brasileiros devem fazer para se livrar da inadimplência, da bandidagem, do vício em apostas esportivas, do golpismo digital, dos políticos irresponsáveis, da desonestidade nos jogos de futebol, da desinformação, do uso excessivo de telas, do radicalismo, dos preconceitos, do feminicídio, do negacionismo ambiental e da sanha tarifária de Donald Trump?

4) Como adequar os avanços tecnológicos que agilizam as operações bancárias, o atendimento nas repartições públicas, as compras online e os negócios em geral às demandas de uma expressiva parcela da população que tem dificuldade para lidar com teclados, links e chatbots?

5) Por fim, dona I. A., já que a senhora tudo sabe, tudo vê e tudo prevê, por ter se apropriado de todas as produções humanas sem pagar direito autoral para ninguém, diga-nos como podemos recuperar a atenção confiscada, a criatividade, o prazer de ler e de conversar, a troca de olhares e afetos, o contato com a natureza, a faculdade de pensar com independência e de buscar soluções próprias para os nossos problemas. 

O conteúdo desta coluna reflete a opinião do autor

NILSON SOUZA

 

DIA DO AGRICULTOR

A rotina do produtor que há 28 anos leva alimentos para a feira da Redenção

Dia do Agricultor

Todos os sábados, produtos da Granja Santantonio viajam quase 30 quilômetros até o corredor verde na José Bonifácio, onde encontram uma clientela fiel. No Bom Fim, feirantes se encontram há mais de 30 anos. É o ano todo em produção, variando a oferta conforme a estação e a época de plantio.

Ainda é noite e faz silêncio na Avenida José Bonifácio, em Porto Alegre, quando os primeiros agricultores começam a chegar para mais um sábado de feira na beirada da Redenção. O trabalho que se materializa ali, no colorido das bancas, começa muito tempo antes e a quilômetros de distância do parque, nas lavouras onde brotam a produção.

Há 28 anos fazendo o trajeto de quase 30 quilômetros entre a zona rural da Capital e o Parque Farroupilha, o agricultor Vasco Machado, 60 anos, é um entre a centena de produtores que se reúnem toda semana para vender alimentos frescos, jogar conversa fora com os clientes e trocar ideias sobre produção agroecológica.

Os produtos orgânicos vêm da Granja Santantonio, propriedade familiar fundada em 1968 pelo avô de Machado. Os 12 hectares de terra, dos quais quatro são de mata nativa, ficam no número mil do Beco do Paraíso, nos Caminhos Rurais de Porto Alegre. Além da atividade agrícola, a propriedade recebe visitações turísticas e de escolas.

Hortaliças em geral, batata inglesa, batata doce, beterraba, cenoura, berinjela, limão, alecrim, manjericão, espinafre, couve chinesa, alface baby, moranga e abobrinha estão entre a infinidade de alimentos que a Santantonio produz. É o ano todo em produção, variando a oferta conforme a estação e a época de plantio.

Adaptações ao clima

Em 2026, por causa da projeção de chuva farta, Machado conta que fez ajustes na produção. Diminuiu nas folhosas e ampliou nos legumes, porque as folhas sentem mais o peso da água.

Mesmo com os contratempos naturais, nunca optou por outro sistema que não o agroecológico, que une cultivo e preservação do ambiente. O objetivo, diz, é levar qualidade a todos, para que possam comer e viver bem.

- Porque a mesa é a mesma: a nossa e a de quem compra - diz o agricultor.

Uma a uma, as plantas são delicadamente retiradas da terra ou dos seus caules para serem colocadas em caixotes. Ao todo, quatro pessoas trabalham na lavoura, incluindo o próprio Machado.

Já a esposa dele, Carmen Nunes Soares, 59 anos, fica com a pesagem, a amarração e a parte burocrática da certificação e da rastreabilidade dos alimentos. Tudo o que sai da propriedade precisa ser devidamente registrado. _

É um trabalho que não tem dia, não tem horário, não tem férias. Mesmo assim, é prazeroso.

Vasco Machado

Agricultor e feirante de Porto Alegre

Mais do que uma banca, um ponto de encontro

Retirado o alimento da terra, é hora de vender. Enquanto colhia, o produtor anunciava:

- Tudo vai estar na feira!

Machado já conhece mais ou menos a quantidade que tem saída entre os clientes, e por isso costuma vender quase tudo o que leva para a banca. Cerca de 50 caixas de alimentos são transportados semanalmente da terra para o Bom Fim.

A produção é carregada na sexta-feira à noite, para no sábado de madrugada partir. A caminhonete deixa a propriedade ainda no escuro e sob o cantar dos primeiros pássaros, por volta das 3h30min.

Uma parte da colheita já vai separada para restaurantes que compram direto do produtor e retiram os itens no estande.

Nuh Asian Food e Capincho, restaurantes da alta gastronomia gaúcha, estão entre os clientes fiéis do agricultor.

- Três horas da manhã é a gente indo feliz para a feira. Porque a banca é diferenciada. Mais que ponto de venda, é ponto de encontro para um café e uma conversa entre amigos. É uma "área vip" da feira, digamos assim - explica.

No último sábado, foi celebrado o Dia Internacional da Agricultura Familiar e o Dia do Colono. Já hoje, se comemora o Dia do Agricultor. As datas próximas só podem justificar a relevância da agricultura, dizem.

Muitos dos frequentadores assíduos, aliás, visitam a banca desde crianças.

Apesar de cativo, o público tem mudado nos últimos anos, observa Machado. Há muito mais jovens frequentando a feira, mas comprando em menor quantidade. _

Clima de amizade e parceria

Além de cuidar da terra, o agricultor é um dos coordenadores da Feira Ecológica do Bom Fim. A coordenação é dividida entre cinco colegas. São responsabilidades deles cuidar da segurança e organização das bancas, eventos e qualquer contratempo.

- É um trabalho que não tem dia, não tem horário, não tem férias. Mesmo assim, é prazeroso - confessa Machado.

Ao todo, 150 bancas ocupam o corredor verde entre a Avenida Osvaldo Aranha e a Rua Vieira de Castro. Duas feiras se juntam no espaço: a Feira de Agricultores Ecologistas (FAE), que comemora 37 anos em outubro, e a Feira Ecológica do Bom Fim (FEBF), que completa 35 anos em agosto.

Cerca de 70% dos agricultores que participam das feiras são de fora de Porto Alegre e o clima entre eles é de parceria. Da carona entre vizinhos aos sábados pela manhã a uma olhadinha rápida na banca quando alguém precisa momentaneamente se ausentar, a maioria se considera grandes amigos.

O traço amigo e familiar é uma das marcas da agricultura gaúcha. Conforme dados da Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Estado (Fetag-RS), a agricultura familiar está presente em 365 mil estabelecimentos rurais no Rio Grande do Sul. O setor responde por 40% do PIB da agropecuária gaúcha, mesmo ocupando somente 25% das áreas agrícolas. 


28 de Julho de 2026
NOTÍCIAS

Notícias

Além da precipitação volumosa, os próximos dias podem ser marcados por descargas elétricas frequentes e rajadas de até 100 km/h. Três rios já passaram da cota de inundação e pelo menos outros quatro estão sob risco durante a semana

RS tem alerta de grande perigo para chuva intensa

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) colocou o Rio Grande do Sul sob alerta de "grande perigo" hoje devido à previsão de chuva superior a 100 mm para o dia. O volume expressivo traz risco elevado de alagamentos, deslizamentos de encostas e transbordamento de rios.

O cenário é agravado pela continuidade da chuva ao longo da semana. Até domingo, os acumulados devem ultrapassar 200 mm em diversas regiões, volume que já pressiona os mananciais gaúchos. Ontem, pelo menos três rios em quatro cidades já tinham atingido a cota de inundação: Uruguai, Jacuí e Sinos.

Diante do volume d?água acumulado, o meteorologista da Climatempo Gustavo Verardo aponta que o foco de atenção deve se concentrar nas bacias que já se encontram em níveis elevados, onde o risco de cheia é imediato, especialmente no oeste, nas Missões e no centro do Estado.

Além da elevação dos rios, o Estado enfrentará tempestades severas. O meteorologista prevê granizo de grandes dimensões - o que já ocorreu em algumas cidades ontem -, descargas elétricas frequentes e rajadas de vento de até 100 km/h.

A Defesa Civil e a Climatempo mantêm ainda monitoramento especial para a possibilidade de eventos extremos.

- Não se descarta a formação de supercélulas que podem dar origem a tornado. O risco é muito baixo, mas não se pode descartar - aponta Verardo.

O alerta vermelho do Inmet divulgado ontem destaca ainda grande risco de alagamentos, transbordamentos de rios e deslizamentos de encostas. As áreas afetadas incluem as regiões Sudoeste, Centro Ocidental, Noroeste, Sudeste, Centro Oriental, Nordeste e metropolitana de Porto Alegre.

A Defesa Civil estadual publicou avisos vermelhos para o risco muito alto de inundações. No Rio do Sinos, a área de maior risco é o município de São Leopoldo.

Já no Rio Uruguai, o risco de inundação afeta as cidades de Itaqui e Uruguaiana. Os avisos são válidos até as 9h de hoje. O órgão orienta que a população evite áreas inundáveis.

Porto Alegre

De acordo com a Climatempo, a instabilidade é provocada por uma área de baixa pressão associada ao avanço de uma frente fria. Ressalta ainda que há risco elevado para descargas elétricas, granizo e rajadas de vento que podem superar os 90 km/h de forma localizada e não descarta a ocorrência isolada de tornado. O solo encharcado e os rios elevados agravam o risco de transtornos.

Ao final da tarde de ontem, Porto Alegre enfrentou transtornos por causa de chuva forte. Vários pontos de alagamentos foram registrados, principalmente na Zona Norte, além de atrasos em voos no aeroporto Salgado Filho. _

Participaram Caroline Garske e Juliano Lannes

Próximos dias

A instabilidade se desloca pelo território gaúcho amanhã, mas apresenta uma breve janela de trégua na quinta-feira, antes de uma nova frente fria no fim da semana.

Amanhã

A chuva mais intensa migra para a Serra, Vales e Região Metropolitana. Verardo classifica o período até quarta como de "altíssimo risco para danos no RS" devido a cheias e tempo severo.

Quinta-feira

O tempo apresenta condições de estabilidade na maior parte do Estado, com o afastamento da frente fria em direção ao oceano.

Sexta-feira a domingo

A trégua será curta. Uma nova frente fria deve avançar sobre o Rio Grande do Sul a partir da tarde de sexta-feira, trazendo mais "chuva intensa e volumosa" para o final de semana.

Atenção!

A Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros orientam que, em caso de rajadas de vento, as pessoas não se abriguem debaixo de árvores e não estacionem veículos próximos a torres de transmissão. A recomendação é permanecer em local abrigado, desligar o quadro geral de energia e proteger pertences em sacos plásticos em caso de inundação. Em emergências, a população deve ligar para os telefones 190, 193 ou 199.

"O primeiro desastre a ser evitado é a perda de vidas", diz governador

Em coletiva de imprensa realizada ontem no Palácio Piratini, o governador do RS, Eduardo Leite, alertou sobre as condições meteorológicas previstas. Abriu o encontro ressaltando a importância da prevenção para mitigar os danos dos eventos climáticos e destacou que não é possível blindar o RS, mas sim reduzir os impactos em um Estado onde as condições climáticas extremas "serão mais recorrentes", pois é "uma característica". Reiterou ainda que o governo do RS, junto às prefeituras e ao governo federal, tem trabalhado para controlar a situação.

De acordo com o governador, o fato de os prognósticos mudarem constantemente torna o cenário mais complexo, por isso a importância de ter conhecimento do risco e das vulnerabilidades e atuar sobre elas:

- Não podemos evitar o evento climático, nós podemos evitar o desastre e o primeiro desastre a ser evitado é a perda de vidas.

O prefeito da Capital, Sebastião Melo, deu um panorama da situação em Porto Alegre. Ele citou que a prefeitura trabalha no refinamento do sistema de contenção às cheias e destacou a obra no bairro Guarujá, na Zona Sul. Afirmou que todas as casas de bombas da Capital estão funcionando e que mais nove casas de bombas estão sendo implementadas. Assim, a Capital ficará com 32 no total. _

Defesa Civil amplia frentes para lidar com limitações dos alertas

O coordenador Estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel Luciano Chaves Boeira, falou das limitações do sistema de alertas durante a coletiva e explicou que os modelos de previsão divergem para os mesmos períodos. Desde a enchente histórica de 2024, porém, o órgão se reestruturou e conseguiu ampliar a margem para prevenção, com instalação de radares e aumento da equipe:

- Não estamos blindados, mas estamos desde 2024 trabalhando na preparação.

De acordo com o coordenador, 134 municípios do RS já são monitorados nacionalmente para contenção de cheias em áreas de risco. Boeira citou também o conhecimento local como algo que faz a diferença diante das divergências.

São três frentes de atuação com gabinetes de crise, conforme o coronel, em Santa Maria, Lajeado e São Sebastião do Caí.

- Não tínhamos essa capacidade dois anos atrás. Hoje temos condições de fazer esses movimentos, sempre alinhados com as prefeituras municipais e de forma antecipada - completou o coordenador da Defesa Civil do RS.