domingo, 22 de março de 2026

 Juro real acima da média atrai capital especulativo e encurta prazo para ajuste fiscal

Dívida pública pode atingir 100% do Produto Interno Bruto (PIB) em dez anos

Dívida pública pode atingir 100% do Produto Interno Bruto (PIB) em dez anos

MARCELLO CASAL JR/AG?NCIA BRASIL/JC
Agências
juro real brasileiro de curto prazo na casa de dois dígitos e o longo em cerca de 7,50%, acima da média histórica, sugere que a dívida pública pode atingir 100% do Produto Interno Bruto (PIB) em dez anos. Para especialistas, a taxa pode até atrair capital especulativo, mas é insustentável a longo prazo e sinaliza que o tempo para um ajuste fiscal crível está se esgotando.
Independentemente de o Comitê de Política Monetária (Copom) ter cortado a taxa Selic em 0,25 ponto percentual na quarta-feira (18), o estrategista-chefe da EPS Investimentos, Luciano Rostagno, aponta que para o Banco Central realizar um afrouxamento monetário de maneira consistente é necessário que a política fiscal entre em sintonia com a política monetária, a fim de diminuir o juro real.
"Caso contrário, as projeções já apontam que daqui dez anos a dívida vai alcançar 100% do PIB, nível insustentável para uma economia emergente", explica.
economista Marco Antonio Caruso, do Santander, destaca que a política fiscal é a única variável controlável que influencia os juros reais. "O PIB você não controla, pode só tentar influenciar via reformas estruturantes. Talvez nem o juro nominal o BC possa controlar, já que a demanda, a oferta e os condicionantes macro é que vão determiná-lo. A inflação também não se controla. No fundo, o que pode ser controlado é o superávit primário, e no médio prazo este terá que ser endereçado", afirma.
Por ora o Brasil apresenta gastos elevados e rígidos em relação ao PIB, enquanto a arrecadação é bastante volátil devido ao ciclo econômico, observa o economista-chefe da Porto Asset, Felipe Sichel. "Com isso, o País está sujeito a ter resultados primários piores. Consequentemente, a percepção da dívida é negativa e os agentes econômicos exigem mais prêmio de risco."
tese de que o juro real está em nível insustentável não data de hoje, e tem chamado a atenção principalmente desde 2022. Caruso, do Santander, nota que o juro real de 10 anos está em cerca de 7,50%, enquanto a média histórica de 15 anos aponta taxa de 5,60%. "Está praticamente 200 pontos-base acima da média histórica, e o juro real cruzou a média histórica a partir de 2022."
Rostagno, da EPS, afirma que o juro real está em nível elevado desde que o BC teve que abandonar a Selic em 2% ao ano e fazer uma restrição monetária rapidamente, levando-a para 15% ao ano. "Apesar de não ser no nível atual, mais elevado, a taxa de juros real já era bastante alta no pós-pandemia. Isso piora a dinâmica da dívida, e sugere que o prazo que temos para conviver com esse nível de juros está diminuindo", avalia.
Já Sichel, da Porto Asset, comenta que é difícil determinar o tempo limite para uma resolução da questão fiscal. Isso porque apesar de a trajetória mostrar que no longo prazo a relação dívida/PIB estará em nível extremamente elevado, outros fatores também se relacionam. Um deles, é a conjuntura internacional. "Em um ambiente internacional que favorece um dólar mais fraco, a tendência é de que haja mais tempo para conseguir implementar soluções, por mais que o fator de preocupação continue presente", exemplifica. 
Neste meio tempo, um juro real mais elevado chama a atenção de investidores estrangeiros, propiciando entrada de fluxo para o País. Segundo o gestor de portfólio da Connex Capital, Gean Lima, os investidores globais tendem a buscar duas coisas: crescimento e taxa de juros, e atualmente o País tem os dois.
Rostagno, da EPS, crava que o juro alto ocorre justamente para evitar uma saída de capitais. Contudo, reitera que "atrai apenas um capital especulativo, e reduz o capital produtivo". Ele nota que em momentos de aversão a risco, o capital especulativo sai rapidamente.
"Um juro real alto pode ser atraente, mas não quer dizer que é linear. Nem todo juro real mais elevado é atrativo, às vezes é só prêmio de risco. Sem endereçamento do fiscal, acaba sendo prejudicial para a moeda", afirma Caruso, do Santander. 
Sichel, da Porto, relembra o episódio de dezembro de 2024, em que houve uma desvalorização aguda do real a despeito de juros mais elevados. Na ocasião, o mercado financeiro havia se estressado com o pacote de contenção de gastos do governo Luiz Inácio Lula da Silva, na época considerado como insuficiente para o reequilíbrio das contas públicas. Tudo o mais constante, quando o juro real está mais elevado, acaba entrando fast money, um recurso internacional que busca retornos elevados, reitera o economista da Porto.
O economista do Santander também considera que, desde 2020, o mundo como um todo tem visto uma tendência altista para o juro real neutro, principalmente por conta da deterioração fiscal. "Ainda há demanda por nossos títulos, e parte dessa explicação é que o desafio fiscal brasileiro existe há muito tempo. Como teve piora relativa em outros mercados, faz com que nossa história talvez não seja tão ruim. A covid-19 foi um evento relevante que empurrou várias geografias a ter que trabalhar com seu fiscal", afirma.

Municípios do RS restringem serviços por falta de diesel, diz federação

Prefeitos estão priorizando o abastecimento de ambulâncias e outros serviços de saúde

Prefeitos estão priorizando o abastecimento de ambulâncias e outros serviços de saúde

Dani Barcellos/ Especial
Folhapress
Ao menos 142 prefeituras do Rio Grande do Sul estão restringindo serviços públicos em razão de dificuldades para abastecer veículos com diesel, aponta levantamento divulgado nessa sexta-feira (20) pela Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs).
De acordo com a entidade, prefeitos estão priorizando o abastecimento de ambulâncias e outros serviços de saúde. Serviços que exigem maquinário pesado, como obras, e o transporte público estão sendo replanejados.
"Essa situação tende a se agravar se nenhuma medida de garantia do abastecimento for tomada. Temos o risco de que isso afete o transporte escolar e o transporte de pacientes para outras cidades. Vamos levar esses dados ao governador e reforçar a necessidade de buscarmos alternativas para garantir o pleno funcionamento dos serviços. Precisamos de respostas efetivas, especialmente por parte do governo federal", afirmou a presidente da Famurs e prefeita de Nonoai (RS), Adriane Perin de Oliveira.
Nota técnica da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) diz que o mercado brasileiro passa hoje por "situação excepcional de risco" causada pela retração das importações após o início da guerra no Irã.
O conflito jogou pressão sobre os estoques existentes no país e sobre a Petrobras, principal fornecedora do mercado interno. Nos primeiros 17 dias de março, diz a agência, o volume de combustíveis importado caiu quase 60% em relação ao mesmo período do ano anterior. O Brasil depende de importações para abastecer cerca de 30% do consumo de diesel e cerca de 10% do consumo de gasolina.
grade de ônibus em Novo Hamburgo (RS) foi alterada em razão da dificuldade de entrega de óleo diesel, segundo comunicado divulgado nesta sexta pela prefeitura. Na semana passada, a Prefeitura de São Leopoldo já havia anunciado redução da frota pela mesma razão.

 "Serei o melhor candidato e melhor presidente", diz Leite em ato com Kassab em Porto Alegre.

Durante o evento, governador defendeu que pode levar o PSD à vitória se for escolhido como candidato

Durante o evento, governador defendeu que pode levar o PSD à vitória se for escolhido como candidato

Marcus Meneghetti/Especial/JC
Marcus MeneghettiNo ato de filiação de prefeitos e deputados ao PSD, realizado neste sábado (21) no auditório da Fecomércio em Porto Alegre, o governador Eduardo Leite (PSD) se dirigiu ao presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab – que acompanhou o evento em Porto Alegre – para dizer que pode levar o PSD à vitória se for escolhido como candidato ao Palácio do Planalto nas eleições de outubro de 2026.
“Se me deixarem com a bola no pé, eu entro em campo com energia, dando o sangue, para ganhar essa eleição. Quero, sim, debater o futuro do Brasil, para mostrar que somos capazes não apenas de ganhar a eleição, mas também de levar esse país para onde ele merece estar. Presidente Kassab, se eu puder ser o candidato (à presidência), eu vou dar o sangue e a melhor energia para ser o melhor candidato e o melhor presidente”, disse Eduardo Leite sob os aplausos dos deputados, prefeitos, vices e a militância do PSD gaúcho que acompanhava o evento.
De qualquer forma, Eduardo Leite garantiu que vai se dedicar à campanha independentemente do candidato escolhido pelo PSD. Além dele, o governador do Paraná, Ratinho Júnior, e o de Goiás, Ronaldo Caiado, disputam internamente a candidatura ao Palácio do Planalto.
“Se eu não for escolhido como candidato (à presidência), sabe o que vou fazer, presidente Kassab? Vou me entregar a esta campanha como se fosse a minha própria”, afirmou Eduardo Leite sob aplausos. O governador prosseguiu: “Se for um colega o escolhido (para representar o partido na eleição presidencial), vou me entregar à campanha com a mesma energia, porque a gente precisa trazer o Brasil de volta ao equilíbrio e ao bom senso. Assim, vou me engajar para que a gente tire o Brasil dessa maluquice, dessa insanidade, dessa polarização radicalizada que coloca brasileiros contra brasileiros.”
Encontro ocorreu na manhã deste sábado (21) no auditório da Fecomércio em Porto Alegre | Marcus Meneghetti/Especial/JC
Encontro ocorreu na manhã deste sábado (21) no auditório da Fecomércio em Porto AlegreMarcus Meneghetti/Especial/JC
Apesar da expectativa de que o governador anunciasse seu futuro político no ato do PSD gaúcho, ele não revelou se renunciará ao cargo para ser candidato a presidente, senador ou vice-presidente. Tampouco descartou a permanência no Palácio Piratini até o fim do mandato.
Segundo Eduardo Leite, o certo é que deve trabalhar na campanha presidencial e na eleição do seu sucessor, o vice-governador Gabriel Souza (MDB). Aliás, Souza estava acompanhado do ex-senador José Fogaça e do prefeito de Campo Bom, Giovani Feltes – representando os emedebistas no evento do PSD.
Ao discursar aos aliados, Gabriel Souza disse que o MDB gaúcho vai apoiar o candidato presidencial escolhido pelo PSD. A ideia é manter a reciprocidade, em troca do apoio à sua pré-candidatura ao Piratini.
“Mas tenho que ser sincero. Não há ninguém melhor que o governador Eduardo Leite para quebrar a polarização na eleição presidencial”, afirmou Souza – arrancando aplausos da plateia.