terça-feira, 24 de fevereiro de 2026


O SILÊNCIO DA CUIA | Música Gaúcha |
Lançamento | Galpão de Milongas

"O Silêncio da Cuia" não é apenas uma música, é um retrato da alma de quem vive "mais pra dentro que fora". A canção explora a figura do homem do campo que, sob um rosto curtido e de poucas palavras, guarda um universo de sentimentos. É uma homenagem à varanda, ao galpão e ao companheiro de todas as horas: o chimarrão. Para quem sabe que o silêncio é a voz de quem conhece o peso exato da solidão. Se você também encontra respostas na poeira da estrada e no amargo do mate, essa milonga é para você. 👇 Comente abaixo: O que você costuma pensar quando está tomando seu mate sozinho? 

O silêncio da Cuia

O homem que sorve o mate no galpão,

Esconde um mundo atrás do seu olhar.

A água quente que corre na mão,

Não lava a mágoa que o faz calar.

Por fora é pedra, é rosto curtido,

Por dentro é sanga que busca o rio.

O verbo fica no peito contido,

Guardando o fogo pra espantar o frio.

A charla morre antes de nascer,

Pois há segredos difíceis de dizer.

 

O mundo é vasto, dizem os doutores,

Mas a varanda é o meu universo.

Aqui eu curo as minhas próprias dores,

Sem precisar de discurso ou de verso.

O amargo desce e adoça a memória,

De quem viveu mais pra dentro que fora.

Não sou herói de nenhuma história,

Sou só vivente que espera a aurora.

E nesse rito de encher e beber,

Eu vou tentando, aos poucos, me entender.

 

Se alguém pergunta o que penso da vida,

Eu passo a cuia e não digo nada.

A resposta certa, talvez perdida,

Está na poeira da longa estrada.

O silêncio é a voz de quem conhece,

O peso exato da solidão.

E enquanto a tarde devagar desce,

Eu me recolho no meu coração.

 

Eu me recolho...

No meu coração.

Central Térmica Uruguaiana busca voltar a operar

Pertencente à Âmbar Energia, complexo na Fronteira Oeste está inoperante desde 2022 e participará de concorrência federal no dia 18 de março

Pertencente à Âmbar Energia, complexo na Fronteira Oeste está inoperante desde 2022 e participará de concorrência federal no dia 18 de março

/AMBAR ENERGIA/DIVULGAÇÃO/JC

Jefferson Klein
Jefferson KleinRepórterDepois de produzir energia pela última vez em 2022, a usina a gás natural de Uruguaiana, pertencente à empresa Âmbar Energia, pretende retomar a sua geração. Para isso, o complexo almeja disputar um leilão, promovido pelo governo federal, previsto para ocorrer em 18 de março.
A Âmbar Energia encaminhou na semana passada a solicitação ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para obter uma declaração de regularidade ambiental para a termelétrica. Procurada pela reportagem do Jornal do Comércio (JC), a Âmbar reforça que a térmica “está em plena conformidade com suas obrigações ambientais perante todos os órgãos responsáveis. A declaração solicitada é uma mera formalidade para a possível participação da usina em leilões de energia”.
A unidade tem capacidade instalada de 640 MW (o que corresponde a cerca de 15% da demanda média de energia do Rio Grande do Sul). O gás para alimentar a termelétrica, em caso de uma retomada das suas atividades, virá da Argentina e poderia ser oriundo da reserva de Vaca Muerta ou por meio de gás natural liquefeito (GNL), que pode vir do porto de Bahía Blanca.
O certame que a térmica gaúcha pretende disputar é um Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP). Esse tipo de mecanismo prevê uma energia de reserva, em que a atividade da usina ocorre em casos de limitações de gerações mais baratas ou picos de demanda elétrica, por exemplo. Uma ferramenta de segurança para o setor elétrico.
No total do leilão do dia 18 de março, foram cadastrados para a disputa 311 projetos de térmicas a gás natural, que somam uma potência de 112.870 MW, 16 ampliações de hidrelétricas (6.076 MW) e mais três térmicas a carvão (1.440 MW). Para o gerente de Transição Energética do Instituto Internacional Arayara, John Fernando de Farias Wurdig, o envolvimento das fontes fósseis nesse certame representa um retrocesso para o setor elétrico nacional. “Se era para ter um leilão de energia de reserva, essa reserva deveria ser feita por baterias”, defende Wurdig.
Essas baterias seriam alimentadas por fontes renováveis como a solar e a eólica. Para Wurdig, é necessária uma grande reforma e renovação do sistema elétrico nacional. Particularmente quanto à possibilidade da participação de usinas a carvão na disputa, o integrante do Instituto Internacional Arayara adverte que essa situação cria riscos para o certame de ser alvo de ações judiciais questionando essa situação.

Além da usina a gás natural de Uruguaiana, a Âmbar Energia possui no Rio Grande do Sul a térmica a carvão Candiota 3. No entanto, esse empreendimento já tem sua energia contratada e não participará do leilão de março. 

 John Deere suspende contratos para ajustar produção no RS

O cronograma foi aprovado pelos próprios trabalhadores em uma assembleia conduzida pelo Sindicato dos Metalúrgicos local e foi classificada como uma "votação democrática"

O cronograma foi aprovado pelos próprios trabalhadores em uma assembleia conduzida pelo Sindicato dos Metalúrgicos local e foi classificada como uma "votação democrática"

JOHN DEERE/DIVULGA??O/JC

Jamil Aiquel
Jamil AiquelA fábrica da John Deere, em Horizontina (RS), que produz colheitadeiras, plantadeiras e plataformas de corte de grãos, passará por um período de suspensão temporária dos contratos de trabalho, o chamado layoff, a partir de 1º de abril. A medida será antecedida por férias coletivas, que terão início em 12 de março para os funcionários da operação. O cronograma foi aprovado pelos próprios trabalhadores em uma assembleia conduzida pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Horizontina e Região no dia 20 de fevereiro de 2026, sendo classificada pela entidade sindical como uma "votação democrática e representativa".
Layoff é a suspensão temporária do contrato de trabalho ou a redução da jornada e salário, usada por empresas para evitar demissões em massa durante crises econômicas ou reestruturaçõesO acordo negociado entre a empresa e o sindicato foi elaborado com o objetivo prioritário de preservar os empregos locais.Em seu comunicado, a representação dos trabalhadores enfatizou que a aprovação levou em conta o bem-estar das famílias, destacando que a proposta "visa evitar as demissões e garantir a estabilidade e segurança de cerca de 800 funcionários desta fábrica". A medida contou com amplo apoio da categoria, recebendo 724 votos a favor, o que representou 95,26% da preferência dos 760 votantes.
Para proteger a renda dos empregados durante o afastamento, foi estruturado um pacote de compensações financeiras. Segundo a nota oficial da montadora, a companhia oferecerá "um complemento salarial à bolsa-qualificação fornecida pelo governo, de forma que os funcionários mantenham 100% dos seus salários neste período".
Além da garantia dos vencimentos integrais, a John Deere destacou que as decisões foram tomadas "visando a transparência e o respeito aos direitos dos trabalhadores". Durante o período de suspensão, os colaboradores não perderão sua assistência básica, pois continuarão tendo "direito a vale-alimentação, convênio médico e convênio farmácia", contando também com o "pagamento de indenização do FGTS e adiantamento da 1ª parcela do 13° em março".

Após caso do Banco Master, mercado reforça segurança do CDB e descarta risco sistêmico

Liquidações em série no conglomerado Master reacenderam debate sobre risco em bancos médios

Liquidações em série no conglomerado Master reacenderam debate sobre risco em bancos médios

Rovena Rosa/Agência Brasil/JC
Gabriel Margonar
Gabriel Margonar
Os episódios envolvendo o Banco Master, o Will Bank e, mais recentemente, o Banco Pleno, funcionaram como um divisor de águas para milhares de investidores pessoa física. Relatos de atrasos, bloqueios temporários de recursos e dúvidas sobre a efetividade das garantias colocaram sob escrutínio um produto que, até então, era tratado quase como sinônimo de segurança: o Certificado de Depósito Bancário (CDB).
Desde novembro de 2025, o Banco Central do Brasil vem desmontando o conglomerado liderado por Daniel Vorcaro após identificar insolvência financeira, suspeitas de fraudes contábeis e risco de contágio. Ao todo, oito instituições ligadas ao grupo tiveram liquidação extrajudicial decretada.
O impacto levou ao maior acionamento da história do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que reservou cerca de R$ 51,8 bilhões para ressarcir investidores do Master, do Will Bank e do Pleno. A pergunta que ficou no mercado é direta: afinal, ainda é seguro investir em CDB de banco médio
Para Eduardo Barreto, diretor de Produtos e Alocação da Faz Capital já houve uma mudança de comportamento dos investidores“Há uma maior preocupação e interesse sobre o emissor. Antes não havia um olhar tão crítico, desde que estivesse dentro da garantia do FGC. Agora vemos mais questionamentos sobre rating, saúde da instituição e outros pontos”, diz.
Segundo ele, o prêmio adicional oferecido por bancos médios - muitas vezes entre 110% e 120% do CDI - ainda pode compensar, desde que respeitados limites e critérios. “Vemos que compensa, se bem medido o limite de garantia do FGC, respeitando o máximo de R$ 1 milhão a cada quatro anos. Ao mesmo tempo, deve ser bem controlado o tamanho da exposição considerando o patrimônio total”.
Barreto ressalta que, apesar da percepção de risco, não houve aumento estrutural das taxas após o caso Master. Pelo contrário: o movimento do mercado reduziu spreads (diferença entre o preço da compra e o preço da venda de uma transação financeira), influenciado pelo patamar elevado da taxa básica e pela expectativa de cortes.
Na prática, a orientação é técnica: analisar prazo de vencimento, rating, possibilidade de liquidez antecipada, indicadores de solvência e, só depois, a taxa oferecida. “Mesmo dentro do limite do FGC, recomendamos diversificar entre duas ou três instituições”, afirma.
O professor Ricardo Teixeira, coordenador do MBA em Finanças da Fundação Getulio Vargas (FGV), faz uma distinção importante. Para ele, as fragilidades existem no negócio bancário, mas não necessariamente no modelo de captação - e sim de gestão.
"No setor financeiro, problemas de liquidez e insolvência têm efeitos devastadores. A confiança e a credibilidade são os dois ativos intangíveis mais importantes no setor. A falta de liquidez temporária sinaliza dificuldade no cumprimento de obrigações e pode gerar um efeito cascata”, explica.
Sobre o FGC, ele pondera que, para quem está dentro dos limites, a proteção é suficiente - mas o acesso só ocorre após a decretação da liquidação. “Enquanto a instituição conseguir lutar para sobreviver, o FGC não poderá ser acessado pelos clientes”, comenta.

Em meio à crise, FGC deve pagar mais de R$ 51 bilhões

O caso envolvendo o conglomerado do Banco Master levou ao maior acionamento já registrado do Fundo Garantidor de Créditos. Somando Master, Will Bank e Banco Pleno, o volume estimado de ressarcimento supera R$ 51 bilhões, sendo cerca de R$ 41 bilhões ligados ao Master, R$ 6 bilhões ao Will e R$ 4 bilhões ao Pleno.

Para Stefano Tremea, planejador financeiro CFP pela Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar), o episódio reforça a importância de compreender como a garantia funciona na prática, e não apenas no papel.
“É muito importante, nesse cenário, tomar decisões com base na razão e não na emoção. Não houve contaminação do sistema financeiro como um todo”, afirma. Segundo ele, o mecanismo mostrou capacidade de resposta: “O fundo garantidor foi eficiente no sentido de ressarcir os investidores, e o Banco Central interveio quando precisou”.
O FGC funciona como um mecanismo de proteção criado pelo próprio sistema financeiro para preservar a confiança em momentos de quebra ou liquidação de instituições. A cobertura é de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira, respeitado o teto global de R$ 1 milhão a cada quatro anos.
Estão cobertos produtos como CDB, RDB, LCI, LCA e depósitos em conta corrente e poupança. Ficam fora da garantia aplicações como fundos de investimento, debêntures, CRIs, CRAs e títulos públicos.
Tremea faz ainda um alerta técnico que ganhou relevância após o caso Master: o investidor deve considerar também os rendimentos até o vencimento do título“Não é ideal aplicar exatamente R$ 250 mil no início, porque os juros também precisam estar protegidos pelo limite do FGC”, diz. A recomendação é distribuir valores entre instituições diferentes e acompanhar indicadores como rating, índice de Basileia e balanços financeiros.
Com patrimônio estimado em aproximadamente R$ 160 bilhões, dos quais cerca de R$ 125 bilhões disponíveis para uso imediato, o fundo tem conseguido honrar os pagamentos. No caso do Master, mais de 90% dos valores previstos já haviam sido ressarcidos semanas após o início do processo.
“O sistema financeiro brasileiro segue oferecendo segurança adequada, sendo um dos mais avançados do mundo”, finaliza Barreto. Para Teixeira, mesmo em episódios de tensão, o mercado já demonstrou capacidade de absorver choques. Tremea complementa que a atuação do Banco Central e do FGC no caso Master mostrou eficiência operacional.