sexta-feira, 10 de abril de 2026

Dando voz aos mortos, uma última vez

entrevista com o cadáver

entrevista com o cadáver

EDITORA OBJETIVA/DIVULGAÇÃO/JC

Jaime CimentiEntrevista com o cadáver ( Objetiva, 192 p. , R$ 64.90, tradução de Julia da Rosa Simões) de Philippe Boxho, consagradíssimo médico-legista , escritor e professor da Universidade de Liège é a sua obra mais recente. Philippe nasceu em 1966, em Liège, Bélgica e desde 2023 conquistou grande sucesso com seus livros envolvendo autópsias, histórias e fatos surpreendentes. Seu primeiro livro Os mortos também falam foi publicado pela Objetiva em 2025.
Entre o bisturi e os tribunais, depois de décadas de bem-sucedida carreira, Philippe diz: “Prefiro rir da morte antes que, um dia, ela ria de mim “. Com linguagem bem-humorada o autor fala de assassinatos que parecem acidentes e de acidentes que , na verdade, são assassinatos. Esse novo livro não é a mera continuação do primeiro, que foi imenso sucesso.
Philippe nos mostra que uma sala de autópsia como a dele não precisa ser fria e triste e que lá pode existir muita vida e descobertas cruciais. Tratando de vida e morte, dando voz aos mortos pela última vez, o autor também fala de grandes mistérios forenses como a morte do Rei Alberto I, da Bélgica, definida como acidente. Philippe faz uma autópsia de Jesus Cristo, na qual examina detalhadamente a crucificação.
Sem deixar de fora o lado literário de seus relatos, o autor reafirma o tamanho da responsabilidade dos profissionais da ciência forense, na medida em que as informações que analisam são capazes de mudar destinos, inocentar ou culpar réus e modificar vidas inteiras. “O essencial é não errar nem ir além do que se pode afirmar com segurança”, diz o autor das histórias que ao mesmo tempo que são macabras, são escritas  com leveza, verdade, comicidade e rigor científico.
Como se vê, o autor gosta de descobrir pistas e indícios, reunir tudo que lhe permita dar voz aos mortos uma última vez e ouvir o que eles têm a dizer, ou seja, colocar os mortos a falar. Trinta anos de carreira , Philippe tem muito a contar e sabe muito bem como fazer isso.

Lançamentos

Nas entrelinhas do pensamento (Edição do Autor) do Dr. Fernando Pitrez, consagrado médico, escritor e professor universitário, é uma homenagem aos familiares e amigos do Alto da Bronze que com ele conviveram e convivem. Lançamento 13/4, 18-20h, Centro Histórico e Cultural da Santa Casa. Exemplares serão distribuídos gratuitamente.
Viver & Ser Feliz (AGE, 272 p.) do ilustre e experiente advogado, jornalista, escritor e homem público Edson Pereira Neves, apresenta inspiradores textos que ressaltam que toda vida humana precisa ter um significado. Para viver e ser feliz, não basta apenas existirmos e, ajudando alguém, o maior beneficiado seremos nós mesmos. Edson generosamente divide suas leituras, suas reflexões e sua vasta vivência com os leitores.
Malária ( Tinta-da-China Brasil, 169 p., R$ 79,90) romance de estreia da premiada escritora alemã Carmen Stephan, é uma contagiante história de vida e morte iniciada na Amazônia narrada por um mosquito. O texto, em perspectiva não antropocêntrica, une maestria da construção ficcional, beleza da divulgação científica e a potência das narrativas autobiográficas.
Um psiquiatra para o Brasil no divã
Desde a Carta do Caminha, certidão de nascimento do Brasil, na qual ele pedia uma força ao Rei para liberar o genro que cumpria pena de banimento na África, passando pelos escândalos de sempre e chegando aos dos últimos minutos, sempre com altos índices de crescimento  e por outras escabrosas histórias coloniais, imperiais e republicanas envolvendo doideiras, roubalheiras, interesses públicos nas privadas e cenas hiper-surrealistas de nosso amado Sanatório Geral, para o qual o saudoso Tim Maia foi nomeado Síndico, a gente sempre soube que é melhor e mais fácil gostar e amar o Brasil do que entendê-lo. Entender esse País complexo e maravilhoso que é o Brasil, definitivamente, nunca foi para amadores. Tomara que segunda que vem o País comece a virar Nação. Será que se tivesse sido mantida a monarquia não seria mais barata a coisa pública e não estaríamos melhor? Divãgações, divãngações, mas no mundo atual onde tem monarquia em geral a coisa tá bem.
Esse lero inicial aí, nem tão nariz de cera, é para falar da novidade patropi-psi do momento : temos um candidato psiquiatra a Presidente da República. Já tivemos no comando do País do Futuro militares, advogados ( a maioria), médico, engenheiro, professores, sociólogo, economista, metalúrgico e até um ministro presidente do STF, José Linhares, foi nosso presidente por três meses, Outubro de 1945 a janeiro de 1946, na transição Estado Novo/Redemocratização.
O Avante anunciou domingo passado o famoso escritor, professor e psiquiatra Augusto Cury como pré-candidato à Presidência da República. Cury tem dezenas de livros publicados com grande sucesso, em mais de 90 países. No Brasil consta que já vendeu mais de 25 milhões de livros. Ele defende saúde mental, educação de qualidade e formação de líderes. A novidade gerou expectativa no contexto eleitoral. Numa palestra aqui na capital eu perguntei para o Sérgio Paulo Rouanet o que ele achava de um psiquiatra na presidência. Ele disse que a alternativa era inusitada, mas de pensar.
Se eleito Cury, autor da Teoria da Inteligência Multifocal e que não é exatamente freudiano , seguindo linha própria, além das inevitáveis escolhas políticas e econômicas, certamente poderia e deveria ajudar , com elementos de psicologia e filosofia, no controle da ansiedade, gestão das emoções, pensamento crítico e qualidade de vida mental. Está todo mundo mais nervoso que gato em dia de faxina. Cury é acessível, eficiente, simples e todo mundo entende. Os críticos dizem que ele não é muito científico, que é simples demais e tal.
Quem sabe um psiquiatra presidente possa coordenar uma grande terapia nacional de grupo , onde a gente encontre uma saída que não seja o aeroporto , o Uruguai, Miami ou o florescente, seguro e estável Paraguai. Pensando bem ,um freudiano ortodoxo para remoer nosso passado e nossas inconsciências não é o caso.  Quem sabe Cury foque e nos foque no presente e no futuro. Quem sabe seremos nossos próprios coaches desbravando territórios, ações e poderes até então desconhecidos e ilimitados?
a propósito
Quero dar minha humilde contribuição. Se o Dr. Cury for presidente ou mesmo indicado para um ministério, se outro candidato ganhar, sugiro a criação de um Ministério da Corrupção. Cury poderia criar o grupo Corruptos Anônimos, para que os doentes crônicos corruptos pudessem se ajudar, se curar do mal terrível  e nos ajudar e ao país. Poderia ser criado um Museu da Corrupção, tipo o maravilhoso Museu Vasa de Estocolmo, Suécia, atração número um, que mostra tudo o que políticos e população jamais devem fazer. Bom, vou ficando por aqui. Se o Dr. Cury for eleito, pedirei ajuda, que estou meio estressado com tudo o que está aí. Se não for, também pedirei ajuda.
(Jaime Cimenti)

 Romeu Zema critica custo Brasil em agenda na Serra gaúcha

Na avaliação de Zema, o País precisa de mudanças estruturais na condução do Estado

Na avaliação de Zema, o País precisa de mudanças estruturais na condução do Estado

Antônio Machado/Divulgação/JC

JC
JCEm agenda no Rio Grande do Sul, o ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República pelo Partido Novo, Romeu Zema, afirmou que o ambiente de negócios no Brasil permanece adverso e que o País precisa de ajuste fiscal, segurança jurídica e melhora na produtividade para retomar o crescimento. A declaração foi feita durante palestra na reunião-almoço da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC Caxias), realizada nesta quinta-feira (9).
Zema iniciou a palestra destacando sua trajetória empresarial e a experiência no setor privado. “Eu sempre fui empresário, saí da empresa em outubro de 2016. Nos 30 anos anteriores, eu conduzi um processo de expansão da empresa que saiu de quatro para 470 lojas”, revelou. Ao relatar a complexidade de empreender no País, afirmou: “Metade do meu tempo eu dediquei para entender a tributação. Então eu sei muito bem, acho que melhor que qualquer outro pré-candidato, as dores do setor privado”.
O pré-candidato criticou a percepção sobre o papel do empresário no Brasil. “O Brasil conseguiu criar, me parece que nesses últimos anos, a ideia de que ser empresário é algo semelhante a ser criminoso”, afirmou. Segundo ele, essa visão impacta diretamente no ambiente de investimentos.
Ao apresentar resultados de sua gestão em Minas Gerais, Zema comparou a atração de investimentos antes e depois de seu governo. “No governo anterior, o estado atraiu 26 bilhões de investimentos. Durante os meus sete anos de governo, nós levamos para Minas Gerais R$ 540 bilhões de investimentos”, disse. Ele atribuiu o desempenho à aproximação com o setor produtivo. “Nada no meu governo foi feito sem a participação do setor produtivo”, reforçou.
Ao tratar de juros e crédito, o pré-candidato associou o custo do dinheiro ao desequilíbrio fiscal. “Juros de 20% ao ano inviabilizam praticamente qualquer investimento no Brasil”, afirmou. Segundo ele, a consequência é direta: “Investimento pequeno significa menos modernização, menos competitividade, menos produtividade”.
Na avaliação de Zema, o País precisa de mudanças estruturais na condução do Estado. “Um país que tem um governo rico e povo pobre está condenado a dar errado”, disse. E concluiu ao defender maior responsabilidade na gestão pública. “O setor privado no Brasil merece ser respeitado, não colocados obstáculos”.
Nesta sexta-feira (10), Zema participa da reunião-almoço Tá na Mesa, edição especial de eleições, na Federasul.

 Ronaldo Caiado diz que quer despolarizar o Brasil

Ex-governador de Goiás afirma que a única arma que o cidadão possui é o voto para proteger o Estado Democrático de Direito

Ex-governador de Goiás afirma que a única arma que o cidadão possui é o voto para proteger o Estado Democrático de Direito

Tânia Meinerz/JC
Cláudio Isaías
Cláudio IsaíasRepórter
é-candidato à presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD) participou nesta quinta-feira (9) de uma reunião-almoço na Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs). No encontro, o ex-governador de Goiás disse que veio para despolarizar o Brasil. "É outra candidatura. Eu venho para romper essa bolha definitivamente para que o Brasil volte a crescer e a tratar de assuntos que dizem respeito à vida do cidadão", destaca. Caso vença as eleições presidenciais de 2026, Caiado destacou que gostaria de levar o governador Eduardo Leite para o seu governo. "Vou conversar com ele sobre a sua presença no ministério", destacou.   
Caiado disse que não irá disputar o mesmo eleitorado de Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo). Segundo ele, o Brasil precisa cuidar de saúde, segurança, educação, pesquisa, tecnologia e inteligência artificial. "Não confunda os sinais. Eu sou outra candidatura. Não tenho nada a ver com Zema e Flávio Bolsonaro. O Brasil não tem esse traço de polarização. Quem se alimenta dele só faz atrasar o País", ressalta.
O ex-governador de Goiás participa do almoço "Um Brasil Diferente" que reuniu lideranças empresariais e integrantes do PSD e do PP. Sobre a escolha do vice-presidente na chapa do PSD, Caiado disse que está há nove dias em campanha e que ainda não definiu um nome nem alianças com outros partidos.

Aos empresários, Caiado disse que a polarização não faz parte da sua vida política  "Tanto eu quanto o  governador Eduardo Leite não fazemos parte desse segmento. A minha vida política e a minha história não são feitas de polarização. O meu segmento político é de respeito à democracia", ressaltou. O ex-governador de Goiás disse que é um democrata na essência e um homem que respeita a ciência e o voto. "Vou defender as minhas ideias com aquilo que acredito ser hoje o sentimento da maioria da população brasileira: ninguém quer polarização e ninguém quer um Brasil com 80% das famílias brasileiras endividadas", acrescentou.
Com relação ao governo do presidente Lula (PT), o pré-candidato do PSD afirmou que o governo petista quer quebrar o Brasil. "Hoje, a única coisa que você espera saber é o dia em que o presidente Lula vai pedir a recuperação judicial do Brasil", acrescentou. Para Caiado, o Brasil não tem autossuficiência em combustível e energia elétrica. "Somos um país rico e com um imenso potencial. Porém, temos 20 anos de atraso com o governo do PT. A população não deseja mais isso. É hora da mudança", ressaltou.
Caiado defende a anistia geral como forma de pacificar o Brasil e resgatar a credibilidade das instituições democráticas. "A anistia geral é a maneira de pacificar o cenário político nacional", comentou. Sobre a relação com o poder Legislativo, o pré-candidato do PSD disse conhecer bem o Congresso Nacional. "Fui deputado federal e senador por seis mandatos. Tenho autoridade moral com 40 anos de vida pública para poder sentar e chamar o presidente da Câmara dos Deputados, do Senado e o Supremo Tribunal Federal (STF) para o diálogo.
O pré-candidato do PSD destacou que caso seja eleito pretende resgatar a credibilidade dos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) e poder fazer com que o Brasil tenha atenção com a população que não acredita mais nos poderes constituídos. "A tarefa é difícil. Porém, eu sinto que estou preparado para poder assumir a função de presidente da República", acrescentou.
Sobre o campo da Direita estar muito pulverizado para a eleição de 2026, Caiado afirmou que essa é a beleza do primeiro turno das eleições presidenciais. "Se você concentra a candidatura do primeiro turno como se fosse o segundo turno você está contra a democracia", ressaltou. O pré-candidato defendeu que quando o País tem diversas candidaturas no primeiro turno é o que existe de melhor para a democracia. "O primeiro turno das eleições presidenciais é feito para o debate das ideias dos partidos. A beleza da eleição é o debate", ressaltou.