segunda-feira, 7 de setembro de 2026

 


Meu Pai Não Virou Meu Filho

 -  Pai, não mexe nisso. Ele retirou a mão. Alguns minutos depois: -  Pai, deixa que eu faço. Ele deixou. Na saída: -  Pai, espera aí que eu vou buscar o carro. Não sai sozinho. Ele esperou.

Não havia maldade em nenhuma daquelas frases. Havia amor. Talvez até amor demais. Depois que completou oitenta e seis anos, os filhos decidiram que era hora de cuidar melhor dele. Começaram pelos remédios.

Depois vieram as contas bancárias, as consultas, as compras, os horários, os documentos. Era mais fácil. -  Deixa que eu resolvo, pai. A frase tornou-se uma espécie de lema familiar. E eles resolviam mesmo. Resolveram tão bem que, aos poucos, ele deixou de resolver qualquer coisa.

Quando iam ao restaurante, alguém dizia o que seria melhor ele comer. Quando viajavam, escolhiam onde ele sentaria. Quando o médico fazia uma pergunta, frequentemente um dos filhos respondia antes dele. -  Ele está dormindo melhor, doutor. -  Ele não tem sentido dor. -  Ele está comendo pouco.

O médico olhava para o filho. O pai olhava para o médico. E permanecia em silêncio. Certa manhã, a filha chegou para levá-lo a uma consulta. Encontrou-o escolhendo uma camisa. -  Essa não, pai. Está frio. Coloca aquela azul de manga comprida. Ele olhou para a camisa que segurava.

Depois olhou para a filha. E perguntou: -  Posso escolher pelo menos a minha roupa? Ela ficou parada. Não foi uma reclamação. Foi pior. Foi um pedido. Naquele instante, percebeu alguma coisa que ninguém da família havia percebido.

O pai estava mais lento. O pai esquecia algumas coisas. O pai precisava de ajuda para tarefas que antes fazia sozinho. Mas seu pai não havia virado seu filho.

Aquele homem escolhera profissão, atravessara dificuldades, criara uma família, enterrara amigos, pagará contas durante mais de meio século, tomara decisões certas e erradas e aprendera a conviver com ambas. Agora precisava de alguém para acompanhá-lo ao médico.

Isso não apagava os oitenta e seis anos anteriores. Na consulta daquele dia, o médico perguntou: -  Como o senhor está se sentindo? A filha quase respondeu. Quase. Mas ficou quieta. O pai demorou um pouco. -  Estou bem. Só tenho sentido uma tontura quando levanto.

O médico continuou conversando diretamente com ele. Na saída, passaram numa cafeteria. A filha perguntou: -  O que o pai quer? -  Café preto. Ela quase disse que talvez fosse melhor café com leite. Não disse. -  Com açúcar? -  Duas colherinhas.

Também não corrigiu. Sentaram-se. Por alguns minutos, ficaram olhando a rua através da janela. Então ela perguntou: -  Pai, tem alguma coisa que estamos fazendo que incomoda o senhor?

Ele mexeu lentamente o café. -  Vocês querem cuidar de mim. -  Claro. -  Eu sei. E agradeço. Fez uma pausa. -  Só não cuidem tanto a ponto de eu desaparecer. A filha segurou a mão dele. Finalmente compreendeu que cuidar de alguém não significa assumir sua vida.

Há uma fronteira delicada entre ajudar e substituir. Às vezes ela precisa ser atravessada. Quando a memória falha, quando o corpo não permite, quando existe perigo, alguém terá de decidir. Mas não antes da hora. Envelhecer já nos retira muitas coisas sem pedir licença.

A força diminui. Os passos encurtam. A memória prega peças. Os amigos vão embora. As escadas ficam maiores. Não precisamos ajudar o tempo a retirar também aquilo que ainda resta. Um pai pode precisar que amarremos seus sapatos.

Pode precisar que o levemos ao médico. Pode precisar que controlemos seus remédios. Pode até precisar que tomemos algumas decisões em seu lugar. Mas, enquanto puder escolher a própria camisa, deixemos que escolha.

Enquanto puder responder, deixemos que responda. Enquanto puder decidir, deixemos que decida. Porque nossos pais podem envelhecer. Podem depender de nós.

Podem precisar das nossas mãos para fazer aquilo que as mãos deles já não conseguem. Mas não se tornam nossos filhos. Continuam sendo os adultos de uma história que começou muito antes da nossa. 

Ainda Precisam de Mim?

Durante muitos anos, seu Antônio foi o homem a quem todos telefonavam. -  Pai, o carro está fazendo um barulho estranho. -  Pai, você acha que vale a pena financiar ou esperar mais um pouco? -  Pai, como é mesmo que se escolhe uma melancia boa? -  Pai, o menino está com febre.

Você acha que devemos levá-lo ao pronto atendimento? Não importava muito o assunto. Às vezes, ele nem sabia a resposta. Mas pensava, perguntava alguma coisa, lembrava de uma situação parecida e dava sua opinião. Gostava disso.

Nunca contou a ninguém que gostava. Pais de sua geração não costumavam dizer que gostavam de ser necessários. Apenas atendiam ao telefone e diziam: -  Deixa eu pensar. Os anos passaram. Os filhos aprenderam a resolver os próprios problemas.

Depois vieram os aplicativos, a internet, os tutoriais, os especialistas para tudo. E seu Antônio envelheceu. Os filhos eram excelentes. Não lhe faltava nada.

Um deles pagava suas contas pelo celular. Outro marcava as consultas. A filha comprava os remédios e organizava os comprimidos numa caixinha com os dias da semana. O neto instalara um aplicativo para que ele pudesse pedir comida sem sair de casa.

Quando a televisão deixou de funcionar, ninguém perguntou o que poderia ser. Compraram outra. Quando surgiu uma infiltração na parede do quarto, chamaram um profissional. Quando precisaram vender o carro, pesquisaram o preço na internet.

Tudo funcionava perfeitamente. Talvez esse fosse o problema. Seu Antônio começou a perceber que havia se tornado destinatário de perguntas muito parecidas: -  Tomou o remédio? -  Está sentindo alguma coisa? -  Quer que eu passe aí? -  Está precisando de alguma coisa?

Respondia quase sempre: -  Não. E estava dizendo a verdade. Não precisava de nada. Tinham cuidado tão bem dele que haviam conseguido uma façanha: torná-lo absolutamente desnecessário. Numa tarde de domingo, o neto apareceu.

Tinha vinte e poucos anos e uma dúvida enorme, dessas que aos vinte e poucos anos parecem decidir o resto da existência. Recebera uma proposta de emprego em outra cidade. Sentou-se diante do avô.

Conversaram durante algum tempo até que o rapaz perguntou: -  Vô, se fosse você, o que faria? Seu Antônio ficou em silêncio. O neto pensou que ele não tivesse ouvido. -  Eu perguntei o que o senhor faria. Ele havia ouvido.

Só fazia muito tempo que ninguém lhe perguntava aquilo. Endireitou-se na cadeira. Quis saber quanto o rapaz ganharia, onde iria morar, se gostava do emprego atual, se tinha alguém que deixaria para trás.

O neto respondeu a tudo. Conversaram por quase duas horas. Seu Antônio contou de quando, ainda jovem, recusara um emprego melhor porque não quis deixar a cidade onde havia conhecido aquela que seria sua mulher. Disse que nunca soubera se tomara a decisão certa. -  E o senhor se arrependeu?

Ele pensou um pouco. -  Das decisões certas a gente também se arrepende de vez em quando. O neto riu. Antes de ir embora, abraçou-o e disse: -  Obrigado, vô. Eu precisava conversar com o senhor. Naquela noite, a filha telefonou.

Como sempre, perguntou: -  Pai, está tudo bem? Precisa de alguma coisa? Seu Antônio respondeu: -  Não. Hoje não. E sorriu depois de desligar. Talvez a pergunta que fazemos aos nossos velhos esteja errada.

Perguntamos constantemente do que eles precisam. Poucas vezes mostramos que ainda precisamos deles. Providenciamos médicos, remédios, comida, transporte, companhia e segurança. Fazemos isso por amor.

Mas, algumas vezes, de tanto protegê-los das dificuldades, também os protegemos da possibilidade de continuar participando da nossa vida. Há uma diferença enorme entre ser cuidado e ser necessário.

Talvez, de vez em quando, em vez de perguntar: -  Pai, precisa de alguma coisa? devêssemos sentar ao seu lado e dizer: -  Pai, preciso de você. O que você acha que eu devo fazer? Pode ser que ele não tenha a resposta. Não importa.

Naquela tarde, alguém voltou a ocupar um lugar que nunca deveria ter perdido. Porque há pessoas que não têm medo de morrer. Têm medo de descobrir que deixaram de fazer falta enquanto ainda estavam vivas.  


 

07 de Setembro de 2026
CARPINEJAR

A finitude dos pais

Você luta contra a finitude dos pais. Mesmo sabendo que será derrotado. Quer somente ganhar mais um dia.

Passa a criar motivações para que eles continuem tendo gosto de viver. Para que se identifiquem ativos, compreendidos, admirados, não distanciados do auge de suas carreiras.

Eu busco atuar pelas frestas da saúde emocional, para que não se vejam resolvidos ou com a trajetória encerrada. Evoco constantemente a sua relevância social, a sabedoria que carregam, o que já aprendi com eles, o que os torna insubstituíveis.

Não me desvio da missão de influenciar os seus humores. É oferecer um telefonema longo, uma visita, um almoço, um jantar, um café da tarde, um presentinho inesperado.

Perguntar se estão precisando de algo, solucionar algum problema, lidar com um conserto de casa, solicitar uma receita antiga, simular que você não se lembra do nome de uma cidade, aceitar as manias da velhice, respeitar o quanto são difíceis as tarefas mais banais, o quanto é desafiadora cada pequena variação de hábitos.

Mostrar-se suficientemente perto para ouvir o gemido e o sussurro doce da confidência, e diferenciá-los.

Permitir que participem de suas decisões. Pedir um conselho sobre uma questão de seu cotidiano. Assim se apresentarão úteis e necessários. Não esquecerão que alguém depende do discernimento deles. É o maior incentivo à longevidade: encontrar uma razão para que sigam ocupando o lugar de sempre em nossa existência, com futuro dentro de nossos anseios.

Há quem se apague porque o filho não divide mais a luz de seus dilemas. Não compartilha mais o que anda fazendo. Descarta-se a função primordial da paternidade e da maternidade de orientar.

O filho não dá mais notícias de si. Como se os pais já estivessem mortos há muito tempo. E eles vão morrendo realmente de inanição de importância. Quem tem mais de 40 anos, com pais que ultrapassaram os 70, entenderá o que eu digo.

Recordo que, na minha infância, os meus pais contavam histórias e se dispunham a jogar memória ou damas no momento em que chovia. Era final de semana. Não podíamos sair. Eles me mantinham absorto com truques da imaginação, com o poder acolhedor das fantasias.

É dessa forma que eu me sinto. Só que sou eu que assumo agora a responsabilidade de entreter. Eles são as minhas crianças no quarto fechado, com uma tempestade varrendo as vidraças. Procuro distraí-los com brincadeiras para enganar o espaço apertado, a brevidade. Que não se alertem para a imensa fragilidade humana, sem hora para ser levados.

Faço piadas, cantorias, palhaçadas, roubo risos, com uma alegria exagerada que até contrabalança o meu enorme medo de perdê-los. Pareço forte, mas não sou. Eu finjo imunidade. Eu minto que não vem acontecendo nada de grave, que não há adeus próximo, que não devem temer os relâmpagos.

As mentiras são tudo o que eu tenho. As mentiras são a verdade de meu amor por eles. Enquanto acreditarem em mim, ainda estarão acreditando neles. Eles me mantinham absorto com truques da imaginação, com o poder acolhedor das fantasias

CARPINEJAR

 

07 de Setembro de 2026
CLAUDIA LAITANO

História sem fim

Em setembro de 1997, a Veja publicou uma reportagem que escancarava o óbvio: todo mundo conhece alguém que já fez - ou ainda vai fazer - um aborto. Talvez você ainda lembre da manchete, "Eu fiz aborto", e das imagens de mulheres famosas (Hebe Camargo, Marília Gabriela e Cássia Kiss, entre outras) admitindo terem interrompido gestações não desejadas. Atrizes, cantoras e intelectuais, mas também operárias, domésticas, donas de casa e mães de família narravam à revista suas experiências pessoais, cada uma com sua dose particular de sofrimento, vergonha e alívio.

A reportagem que inspirou a histórica capa da Veja havia sido publicada 25 anos antes, em 1972, na revista Ms., criada e dirigida pela escritora e ativista norte-americana Gloria Steinem. Menos de um ano depois da publicação, a Suprema Corte dos EUA decidiu, por 7 votos a 2, que a Constituição protegia o direito à privacidade, o que incluía a decisão de abortar. Gloria Steinem morreu na semana passada, aos 92 anos, tendo vivido o suficiente para assistir à insólita volta da pasta de dentes para dentro do tubo: em 2022, a mesma Suprema Corte revogou a decisão de 1973.

A causa da liberdade reprodutiva era especialmente cara para Gloria Steinem, uma das figuras mais reconhecidas - e ativas - do feminismo mundial. Em 1969, cobrindo um evento sobre aborto, Steinem experimentou o que ela mesma chamou de "grande estalo" feminista. Ali estavam mulheres que se sentiam envergonhadas por não quererem, ou não poderem, levar uma gravidez adiante. Alguma coisa estava muito errada. 

Ela mesma havia feito um aborto, em 1957, aos 22 anos. O médico que a atendeu pediu duas coisas: que ela não revelasse seu nome e que fizesse o que bem entendesse com sua vida a partir daquele dia. Anos depois, Steinem dedicaria seu livro de memórias, Minha Vida na Estrada (2016), a esse médico sensível e corajoso, acrescentando: "Fiz o melhor que pude".

Não deixa de ser tristemente irônico que Gloria Steinem tenha morrido na semana em que estourou a maior crise da história do STF, a instância que tem atuado como o principal canal de garantia dos direitos reprodutivos assegurados pela Constituição brasileira. Enquanto o Congresso paralisa o debate ou propõe o endurecimento da legislação, o STF tem fundamentado suas decisões em preceitos constitucionais como dignidade humana, laicidade do Estado e direito à saúde.

No Brasil, como nos Estados Unidos, essa história ainda está sendo escrita - por homens e mulheres. Mas sem uma Suprema Corte forte e independente para zelar pela Constituição fica tudo muito mais difícil. 

CLAUDIA LAITANO

07 de Setembro de 2026
POLÍTICA E PODER - Henrique Ternus

Estratégias a um mês do primeiro turno

A campanha eleitoral já ingressou no último mês antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Embora as atividades nas ruas e a propaganda em rádio e televisão tenham iniciado há alguns dias, as equipes dos candidatos ao governo do Rio Grande do Sul já preparam a reta final de uma cruzada que teve início ainda em 2025.

Quem mais corre contra o relógio é Gabriel Souza (MDB). Apesar de ter a máquina pública ao seu lado, com realizações do governo Eduardo Leite sendo enaltecidas nas propagandas, Gabriel luta contra o desconhecimento e não consegue decolar nas pesquisas - levantamento AtlasIntel divulgado no dia 3 coloca o vice-governador com 10,4% das intenções de voto, frente a 44,3% de Luciano Zucco (PL) e 37,5% de Juliana Brizola (PDT).

Mesmo assim, a equipe de Gabriel confia no trabalho que está sendo feito e manterá a estratégia adotada, com foco em mostrar que o emedebista é o candidato mais preparado para enfrentar as dificuldades do Estado e manter as realizações.

Dividindo a liderança de praticamente todas as pesquisas até aqui, Zucco e Juliana têm situação mais confortável e apostam em uma nova fase da campanha. A equipe do candidato do PL avalia que deram certo as investidas para apresentar Zucco como um político afastado do radicalismo, apesar da ligação com a família Bolsonaro. A partir de agora, a exposição de propostas será intensificada, com foco total em crescimento econômico.

Pelo lado de Juliana, o entendimento é de que a campanha está no caminho certo, já que, com metade do tempo de Zucco na propaganda eleitoral, os dois continuam muito próximos nas pesquisas. Assim como o adversário, a pedetista dá início a uma etapa de exposição dos programas e ações que planeja executar a partir de janeiro, e a chapa aposta em um maior acirramento e mobilizações de rua intensificadas a partir de 20 de setembro.

Aposta no crescimento

Mesmo com menos tempo de comerciais e recursos, Marcelo Maranata (PSDB) tem feito uma campanha focada no contato com as pessoas. Apesar de ter pontuado 2,3% na AtlasIntel, a equipe tucana relata que tem observado maior reconhecimento do público, e segue a aposta em aparecer em comerciais, debates e painéis para cativar o eleitor. _

Vereador reivindica vaga na Assembleia

O vereador de Porto Alegre Jessé Sangalli (PL) reivindica na Justiça a cadeira que pertencia a Valdir Bonatto (PSD) na Assembleia Legislativa.

Com a perda do mandato de Bonatto, o TRE-RS determinou que Zilá Breitenbach (PSDB), segunda suplente, assumisse o cargo, por entender que a cadeira pertence à federação e não poderia ser repassada para outra legenda.

Jessé concorreu pelo Cidadania e ficou com a primeira suplência, mas migrou para o PL, partido pelo qual foi eleito vereador. _

A pesquisa AtlasIntel entrevistou 1.783 pessoas pela internet, entre 27 de agosto e 1º de setembro. O nível de confiança é de 95% e a margem de erro é de dois pontos percentuais. O levantamento foi contratado pelo próprio instituto, sob o registro no TSE: RS-00652/2026.

Caiado aproveita visita à Expointer para fazer compras

O candidato à Presidência pelo PSD, Ronaldo Caiado, não saiu de mãos abanando da Expointer. Criador de cavalo crioulo, aproveitou a visita à feira no sábado para comprar direto de um artesão um conjunto de montaria completo, incluindo testeira, freio, rédea, buçal e peiteira.

Assim como Flávio Bolsonaro (PL), Caiado também recebeu o afago de líderes do agro durante almoço promovido pela Farsul com entidades regionais.

Acompanhado de Gabriel Souza (MDB) e Ernani Polo (PSD), que integram a chapa governista ao Piratini, Caiado caminhou pela feira e visitou o pavilhão da agricultura familiar, onde provou de tudo um pouco e ganhou uma chimia de presente de Gabriel.

Questionado pela imprensa sobre o caso do Banco Master, defendeu a quebra dos sigilos de "todos os escândalos". Manuela e Pimenta denunciam vandalismo em windbanners

Os candidatos ao Senado Manuela D?Ávila (PSOL) e Paulo Pimenta (PT) denunciaram que seus windbanners foram vandalizados. Nas redes sociais, expuseram fotos dos materiais de campanha cortados ao meio - as peças de outros candidatos posicionadas ao lado não apresentavam avarias.

As campanhas anunciaram que vão solicitar acesso às câmeras de segurança da prefeitura de Porto Alegre do entorno das regiões onde ocorreram os casos de depredação para identificar quem foram os responsáveis.

Ontem pela manhã, voluntários dos dois candidatos se reuniram na Redenção para um mutirão de costura dos materiais danificados, que continuarão nas ruas após o reparo. 

POLÍTICA E PODER

07 de Setembro de 2026
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

As contradições da extrema direita

A Saxonia-Anhalt, terra de Martinho Lutero, centro do Bauhaus e das bruxas de Hartz, tornou-se, ontem, um Estado conhecido, mundialmente, pela possibilidade de vitória de um candidato de extrema direita, quase um século depois da ascensão do nazismo. Ulrich Siegmund, da Alternativa para Alemanha (AfD), partido que já é a segunda maior força política do país, pode chegar ao poder, embora a maioria no parlamento local ainda seja incerta. 

Sem comícios gigantescos, apenas a bordo de uma motocicleta Samsun, o candidato defende a deportação em massa de imigrantes ilegais, serviço de saúde livre de estrangeiros e a descrição de família como apenas formada por "homens e mulheres".

Saxônia-Anhalt explica muito sobre memória seletiva. Do fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, à reunificação alemã (1990), Saxônia-Anhalt pertencia à antiga Alemanha Oriental (sob governo da URSS). Siegmund fez campanha resgatando essa identidade, por meio de símbolos, memórias afetivas e características associadas à antiga RDA.

Mas ora... esse país de volta seria a Alemanha Oriental? O comunismo? Como isso pode estar associado a uma ideologia de extrema direta?

Daí a contradição. A AfD não está defendendo o marxismo, a economia planificada ou a propriedade estatal dos meios de produção. Ela é fortemente anticomunista. Mas o que interessa é a imagem idealizada de ordem, segurança, comunidade, identidade local e proteção em relação ao mundo exterior. 

O regime comunista que desapareceu com a unificação alemã abriu espaço para a desindustrialização e transformações econômicas e demográficas nas regiões da antiga Alemanha Oriental. O sentimento, em parte, é de que as decisões passaram a ser tomadas pelas elites. No país, por Berlim. Na União Europeia, por Bruxelas.

Daí, a ideologia de prateleira. A AfD retira da memória aquilo que lhe interessa e pega aquilo que é compatível com seu interesse: o Estado forte, fronteiras controladas e até relação histórica com a Rússia. Estou falando da Alemanha, mas poderia ser de qualquer região do Ocidente, entre Washington e Brasília. _

Entrevista

Irmão Peter Carroll

Superior-geral dos Irmãos Maristas

"Educação não é um luxo em que se possa investir após todos os problemas"

A educação não é um luxo em que as sociedades possam investir depois de resolvidos todos os demais problemas. Ela é uma das formas mais importantes de enfrentar esses mesmos problemas. Educação de qualidade contribui para o desenvolvimento humano, a coesão social, a saúde pública, as oportunidades econômicas e a cidadania ativa. Ao mesmo tempo, precisamos reconhecer as realidades difíceis enfrentadas por muitos países e comunidades. 

Governos, famílias e instituições com frequência precisam tomar decisões muito difíceis a respeito de recursos limitados. Como rede educacional internacional, nós, maristas, temos constatado que, mesmo em contextos de pobreza e desigualdade, o investimento em educação pode ter um efeito transformador, sobretudo quando dirigido aos mais vulneráveis.

A IA apresenta oportunidades notáveis e desafios significativos. Como qualquer tecnologia, seu valor depende do modo como é usada e das finalidades humanas a que serve. Da perspectiva marista, a IA deve apoiar a educação, e não substituir as relações humanas essenciais que estão em seu centro. Educar é mais do que transmitir informação. 

Envolve acompanhamento, pensamento crítico, formação ética, desenvolvimento emocional e cultivo de virtudes e valores. Essas continuam sendo tarefas humanas. Por isso, estamos incentivando nossas comunidades educativas a se relacionarem de forma cautelosa com a IA, ajudando os estudantes a aprender a usar essas ferramentas com responsabilidade, ética e senso crítico.

Os desafios impostos pela distração digital estão sendo vividos por escolas do mundo inteiro. Sei que o governo brasileiro aprovou leis restringindo o uso de celulares pelos estudantes nas escolas. Contudo, outras questões sobre políticas de uso de celular são mais bem decididas por quem está mais próximo da realidade educacional, ou seja, os gestores escolares locais, as autoridades educacionais, os professores e as famílias. 

Eu não pretenderia julgar o que é mais apropriado para cada contexto. De todo modo, em meu próprio país, a Austrália, alguns governos estaduais também proibiram o uso de celulares pelos estudantes nas escolas. Nosso governo nacional foi também o primeiro, creio eu, a impor restrições de acesso às redes sociais para menores de 16 anos. Ao que tudo indica, os pais apoiam essas medidas. O que parece claro, no entanto, é que os estudantes precisam de ambientes que favoreçam a concentração, a reflexão, o diálogo e uma aprendizagem significativa. Se determinadas medidas ajudam a criar essas condições, elas merecem consideração cuidadosa. 

Ao mesmo tempo, a educação também deve ajudar os jovens a aprender a usar a tecnologia com responsabilidade, já que as ferramentas digitais continuarão sendo parte importante de suas vidas. O objetivo final não é simplesmente restringir a tecnologia, mas ajudar os jovens a desenvolver a maturidade e a autodisciplina para usá-la com sabedoria.

Estou nessa função há menos de um ano, de modo que meu principal objetivo era encontrar pessoas, escutar e aprender. É também expressar minha gratidão às lideranças do instituto, pelo trabalho notável que a missão marista vem realizando. Visitas como essa me permitem encontrar irmãos, leigos maristas, educadores, estudantes, dirigentes universitários e tantos outros que contribuem para a vida e a missão do instituto. 

Fiquei especialmente animado com o compromisso com a qualidade educacional, a responsabilidade social e a inovação que observei em diversas instituições maristas. Também me impressionou a forte integração dos valores maristas às iniciativas educacionais e sociais. Como líder internacional, hesito em colocar uma região acima de outra. Cada região do Brasil contribui de modo importante para a vida e o desenvolvimento do país. 

Não há dúvida, porém, de que o RS tem uma história distinta, instituições educacionais fortes e uma contribuição cultural e econômica significativa para o país. Dentro do mundo marista, a região também desempenhou papel importante no desenvolvimento de iniciativas educacionais, sociais e universitárias cuja influência ultrapassou largamente suas fronteiras. _

TJRS e artistas contra o feminicídio

INFORME ESPECIAL

domingo, 6 de setembro de 2026

05 de Setembro de 2026
CARPINEJAR

Danúbio Azul

Vivo incentivando a torcida como um louco. Mas tudo tem um teto, meu emocional está destruído. A valsa na Arena doeu mais do que a eliminação para o Vitória, para o Mazembe, para o Globo.

É impossível torcer para o Inter não cair com Pezzolano. Ele se supera em decisões equivocadas. Com seu fiasco diante do Grêmio, sua dispensa é obrigatória.

Ou Pezzolano cai, ou o Inter cai. Não adianta esperar mais um confronto. A direção vem cometendo o suicídio do clube. O presidente Alessandro Barcellos quer "reaglutinar" o quê? O medo da dispensa é covardia incompetente.

Pezzolano terminou humilhado pelo contestado Luís Castro. O que revela em qual patamar se encontra.

Pezzolano despejou R$ 9 milhões pelo ralo, a premiação para a semifinal da Copa do Brasil, num período de sérias dificuldades financeiras - e o Inter despejou pelo ralo quase o mesmo valor com o salário de Pezzolano em seus nove meses de inatividade.

Pezzolano já dançou mentalmente há tempo, e nos fez dançar o Danúbio Azul na Arena. Pezzolano estragou a marca de nunca termos sido desclassificados num mata-mata pelo maior rival.

Pezzolano levou duas vezes 3 gols do Grêmio. Pezzolano sacrificou o Gauchão. Pezzolano, quanto mais tempo arranja para treinar, mais desastroso é o seu resultado. Uma competição a menos não melhora em nada o entrosamento.

Pezzolano não desfruta de liderança moral. Ele sabota o plantel, e ainda usa a desculpa da sua limitação para permanecer no cargo.

Pezzolano chega ao absurdo de alegar que a tática que havia armado se desmanchou com o primeiro gol no Gre-Nal, sendo que ele sofreu um gol aos 14 e outro aos 22. Aos 25, não restava esperança.

Pezzolano não arrumou a defesa nem acertou o ataque.

Pezzolano justificou sua escalação para o clássico: "é burrice jogar com cinco atrás quando o rival tem três atacantes". E como foi com o Bahia?

Pezzolano não explica coisa com coisa, mais sonso do que cachorro em dia de mudança.

Pezzolano é um dos piores mandantes do campeonato. Pezzolano não ganha em casa no Brasileiro desde 16 de maio. Pezzolano é um dos piores visitantes do campeonato. Pezzolano não ganha fora de casa no Brasileiro desde 5 de abril.

Pezzolano conseguiu a proeza de jogar recuado no Beira-Rio contra o Grêmio, e com a posse de bola na Arena, numa inversão incompreensível. "Imposible creer en un entrenador que no gana."

Pezzolano possui um aproveitamento raquítico de 33,33% no Brasileiro. Não se diferencia de Ramírez e Medina. Chafurda abaixo de Ramón Díaz em desempenho.

Pezzolano ocupa a 18ª colocação com apenas 25 pontos somados em 25 rodadas. Seguindo com a média de um ponto por rodada, ele alcançará no máximo 38 pontos. Pezzolano é monótono no perde-empata. Jamais apresentou progresso.

Pezzolano cultiva a mania de relegar ao banco quem se destaca. Não existe titularidade ou esquema definido. Não existe reconhecimento dos méritos. Alan Patrick, Carbonero e Vitinho amargaram banco. Quem presta fica na reserva.

Pezzolano é perito em criar descontentamento, forçando seus atletas a atuarem deslocados de posição quando não se mostram seguros nem em suas posições de origem. É evidente o desespero do grupo. Sequer Bernabei sabe quem é.

Pezzolano pretende surpreender o adversário e surpreende o próprio time. Brinca de agente duplo. Pezzolano aceitou continuar sem goleiro e atacante.

Pezzolano não deu certo na Inglaterra (Watford), na Espanha (Real Valladolid) e no México (Pachuca), por que daria certo aqui? Pezzolano só se sagrou campeão da Série B. Talvez Barcellos esteja enxergando longe: já busca garantir o treinador para a segunda divisão.

Não me custa avisar. Depois será complicado voltar para a Série A: o regulamento da B passou por alterações, agora unicamente os dois primeiros sobem direto.

Isso que sou um torcedor otimista. 

CARPINEJAR

Devido processo legal não é amnésia

Existe um consolo perverso em semanas desgraçadas como esta: a biblioteca.

Nada do que o STF produziu nesta semana é novo. Está descrito e publicado, às vezes há séculos. A novidade é o Brasil transformando bibliografia em plantão de notícias.

Raymundo Faoro abre a fila. Em Os Donos do Poder, descreveu o estamento que se apossa do Estado e o administra como patrimônio próprio, sem deixar de se apresentar como serviço público. Faltava o capítulo do contrato de R$ 131 milhões entre um banco e o escritório da mulher de um ministro, alterado por um perfil com o nome dele.

Sérgio Buarque de Holanda desenhou o homem cordial, incapaz de operar a instituição sem convertê-la em intimidade. "Estou na torcida por vocês" e "já estou com saudade de você", atribuídos ao procurador-geral da República e chegando ao celular de um banqueiro prestes a ser preso, são o homem cordial com data e horário.

Edward Coke, em 1610, ajudou a consagrar a ideia de que ninguém deve ser juiz em causa própria. Quatrocentos e dezesseis anos depois, um procurador-geral citado num relatório pede a nulidade dele, e um ministro atingido pelo caso usa inquérito sob sua relatoria para investigar o colega que o investiga.

Kant escreveu que é injusta a ação cuja máxima não suporta ser tornada pública. Serve para uma semana de votos mapeados de antemão e print de bloco de notas em visualização única.

E. P. Thompson protege tudo isso da acusação de formalismo. Marxista, passou Senhores e Caçadores inteiro mostrando como a lei serviu aos poderosos, e terminou defendendo o império da lei como bem humano incondicional. Fica difícil chamar o devido processo de preciosismo.

Mas o devido processo legal não é amnésia.

O país inteiro já leu as mensagens e conheceu conversas que não deveriam interessar só aos autos. A lei existe para impedir condenações arbitrárias, não para obrigar a sociedade a fingir que não viu o que viu.

Ninguém está dispensado de prova, defesa e julgamento. Mas o sigilo judicial não dá a ninguém o direito de apagar da vida pública o que já é incontornável. É preciso abrir tudo o que puder ser aberto. Antes de decidir quem merece cadeia, o Brasil terá de decidir quem merece voto. E para isso o eleitor não precisa de tutela, precisa de luz.

Maquiavel estaria sentado, confortável, tomando notas. O placar contado antes de existir pedido e a mistura entre relação pessoal e poder institucional dariam uma nova edição comentada de O Príncipe.

Só que ele também escreveu, nos Discursos, que a república incapaz de conter seus poderosos não dura.

Nem o cínico deixa a semana sair ilesa. _

Esta coluna contém informação e opinião

Eugênio Esber

eugenioesber@novotexto.net

131 milhões nas ruas

O que hoje o jornal espanhol El País chama de "bomba atômica", referindo-se ao escândalo provocado no Brasil pelas ligações "entre um juiz e um banqueiro preso", está completando nove meses de gestação. Foi em dezembro de 2025 que o jornal O Globo publicou uma notícia-bomba sobre o contrato de R$ 129 milhões (na verdade, R$ 131 milhões) que o escritório jurídico da família do ministro Alexandre de Moraes, do STF, faturou para defender os interesses de Daniel Vorcaro, banqueiro que havia sido preso em novembro, quando se preparava para fugir do Brasil em seu jatinho particular. 

Desde então, Moraes não deu uma única entrevista nem fez pronunciamento público para desfazer a informação de que enriqueceu colocando sua toga de ministro da Suprema Corte a serviço do financista que aplicou o maior desfalque no sistema financeiro nacional e na poupança de uma multidão de brasileiros. O silêncio de Moraes é uma confissão de culpa.

Na noite desta quinta-feira, o ministro, que parece sem defesa para a suspeita de haver incorrido em crimes gravíssimos, como corrupção passiva e advocacia administrativa, perdeu miseravelmente o controle e, em fúria, partiu para uma retaliação pessoal. Incluiu um colega de Corte, o ministro André Mendonça, no famigerado Inquérito das Fake News (4781), aberto há mais de sete anos para investigar qualquer um sobre qualquer coisa - uma espécie de AI-5, mas ainda pior que o ato institucional da ditadura militar. 

O ódio de Moraes contra Mendonça, relator do processo relativo ao Banco Master no Supremo, é por ter sido exposto, em indícios colhidos pela polícia, como um magistrado que desonra o STF e a Justiça brasileira. 

Diálogos encontrados no telefone de Daniel Vorcaro indicam que ele contava com a assessoria de Moraes para ter acesso a informações sigilosas sobre diligências contra si e seu Master no Banco Central, na Polícia Federal, no Ministério Público e até no Judiciário. E o pior dos mundos: Vorcaro pediu orientação sobre quando deveria se mandar - sim, fugir - do Brasil. Isso tem nome. É obstrução da Justiça.

Para um juiz, é fim de carreira. Até meu amigo Alter, radical da moderação, diz que é caso de cadeia. Mas o presidente do STF, o gaúcho Edson Fachin, demora-se em honrar as calças e levar de imediato, ao plenário, o pedido de investigação contra Moraes. E a ministra Cármen Lúcia, tão pudica nas afetações verbais, apressou-se a levar, segundo a imprensa, solidariedade a Moraes,

Pode um país sério aceitar esta pouca-vergonha? A pergunta é para mim, é para você. Segunda-feira, dia 7 de setembro, gostaria de ver, nas ruas, pelo menos 131 milhões de brasileiros dispostos a ecoar um novo grito pela independência do Brasil. 

OPINIÃO ZH 

05 de Setembro de 2026
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Crise sem precedentes expõe as entranhas do STF

No fundo do poço em que está o Supremo Tribunal Federal, existia um alçapão, revelado agora na crise que expôs as entranhas de uma Corte movida a interesses e vaidades. Não são todos, é preciso frisar, mas a guerra entre Alexandre de Moraes e André Mendonça acaba atraindo tanta atenção que os outros submergem como se fossem espectadores na arena em que se digladiam os briguentos.

A reação do ministro Alexandre de Moraes à divulgação de suas relações promíscuas com Daniel Vorcaro foi partir para o ataque a Mendonça, acusando-o de atropelar os ritos previstos na Constituição Federal.

O presidente do Supremo, Edson Fachin, deu cinco dias úteis para os briguentos se explicarem. A Polícia Federal e o Ministério Público Federal são parte do problema e terão de participar da solução.

Não há até agora equivalência entre os delitos de Moraes e de Mendonça, mas tudo tem de ser investigado. Ninguém está acima da lei. O silêncio barulhento de Moraes soa como confissão de que suas conversas com Vorcaro e o contrato de R$ 130 milhões da esposa, Viviane Barci de Moraes, não têm explicação republicana.

Do alto de sua condição de decano, o ministro Gilmar Mendes propôs a saída de agentes da Polícia Federal dos gabinetes de ministros. Moraes e Mendonça têm os seus, e isso desagrada a direção da PF, porque mina a própria instituição.

A perda de credibilidade das instituições cria o cenário ideal para os oportunistas, ainda mais quando se está a um mês da eleição que vai definir dois terços do Senado, o presidente da República, 27 governadores, 513 deputados federais e os deputados estaduais e distritais de todo o país. _

INSS anuncia redução nas filas

Depois de anos de reclamações de segurados pela demora no atendimento, o INSS anuncia que atingiu a meta de reduzir as filas em todo o Brasil, tanto para as aposentadorias quanto para as perícias médicas. No Rio Grande do Sul, de acordo com os números divulgados na sexta-feira, a redução foi de 56%. Traduzindo o percentual em números, a pilha diminuiu de 140.413 processos em janeiro deste ano para 60.459 em agosto.

O tempo médio de decisão para os segurados é de 23 dias, número inferior ao do Brasil, que está em 34 dias. O tempo de espera por uma perícia médica, que era de 28 dias em agosto de 2023, caiu para 15 dias em agosto deste ano. É importante registrar que esses números são referentes à média. _

Juliana Brizola leva campanha para a região central do Estado

Depois de uma semana focada na Região Metropolitana, com agendas na Capital, na Expointer e em Eldorado do Sul, a candidata ao governo do RS pelo PDT, Juliana Brizola, encerrou o período com um roteiro pela região central do Estado.

Juliana passou a sexta-feira em Santa Maria, onde gravou materiais de campanha, acompanhada de Paulo Pimenta, santa-mariense que concorre ao Senado pelo PT. Depois de rápida passagem por São Martinho da Serra, onde visitou uma propriedade rural, caminhou pela Praça Saldanha Marinho até o Calçadão de Santa Maria, onde manteve contato com comerciantes e moradores.

A agenda terminou em ato do presidente estadual do PT, Valdeci Oliveira, que tenta vaga na Câmara dos Deputados.

Neste sábado, Juliana passa por Venâncio Aires e retorna a Porto Alegre no domingo. _

Divisão do fundo eleitoral do PP mostra repasses desiguais no RS

A falta de clareza sobre os critérios adotados para a distribuição do fundo eleitoral entre os 29 candidatos a deputado estadual do Progressistas no Rio Grande do Sul tem causado frustração e revolta entre postulantes do partido. Cerca de R$ 10,5 milhões foram distribuídos entre os concorrentes, com repasses que variam entre R$ 60 mil e R$ 1,2 milhão.

Entre os atuais deputados, ficou definido que todos receberiam R$ 400 mil para disputar a reeleição. Entretanto, Guilherme Pasin aparece no topo da lista, com R$ 1,2 milhão, seguido por Joel Wilhelm, contemplado com R$ 920 mil. Rodrigo Lorenzoni e Gaúcho da Geral, ambos concorrendo pela primeira vez pelo PP, têm mais de R$ 600 mil à disposição. Marcus Vinícius, que disputa o segundo mandato, e Adolfo Brito, que tenta chegar ao nono mandato consecutivo, ganharam cerca de R$ 450 mil cada um.

Chamam atenção ainda os repasses feitos a Nicole Webber Covatti e Sandro Franciscatto, o Sandro do Covatti - esposa e tio de Covatti Filho, presidente estadual do partido. Ambos receberam R$ 400 mil, mais do que a metade da nominata, que obteve repasses entre R$ 60 mil e R$ 300 mil.

À coluna, Covattinho explicou que os candidatos a federal informaram à direção nacional com quais postulantes a estadual fariam dobradinha e quanto destinariam da sua parte para a campanha conjunta. _

POLÍTICA E PODER

05 de Setembro de 2026
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

rodrigo.lopes@zerohora.com.br

Inovação, ciência e tecnologia: os planos de governo para o RS

Há consenso entre os principais candidatos ao governo do Estado sobre um ativo importante do Rio Grande do Sul: universidades de excelência, instituições de pesquisa e um ecossistema de inovação consolidado, formado por parques tecnológicos, incubadoras, startups e empresas.

O desafio é transformar esse potencial em desenvolvimento. Ainda existe um descompasso entre o conhecimento produzido nos campi e sua aplicação no setor produtivo e na gestão pública.

Nos programas de governo dos postulantes ao Piratini, essa preocupação aparece de diferentes maneiras, mas com um ponto de convergência: a necessidade de aproximar universidades, centros de pesquisa e tecnologia, empresas e poder público, criando condições para que conhecimento e inovação se traduzam em novos produtos, negócios, investimentos e soluções para o Estado.

A coluna analisou os programas de governo e reúne, a seguir, as principais propostas dos quatro candidatos, em ordem alfabética, de partidos com representação no Congresso Nacional. _

Fortalecer ecossistema de inovação por meio de Coredes, universidades e setor produtivo.

Apoiar municípios na criação de legislações.

Criar Comitê de Assessoria em Projetos Estratégicos do Estado (Cape) para fortalecer a cooperação entre governo e educação superior.

Ampliar apoio a startups, incentivando proteção intelectual, transferência de tecnologia e acesso a financiamento.

Regulamentar e operacionalizar o Sandbox Regulatório no Estado.

Internacionalizar o ecossistema de inovação, fortalecendo o RS como destino de investimentos. Ampliar parcerias e potencializar eventos, como o South Summit Brazil.

Consolidar a Política Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação 2025-2030.

Preservar financiamento da pesquisa.

Fortalecer a Fapergs e direcionar o fomento à pesquisa e à inovação para áreas de desenvolvimento, aproximando universidades, centros de pesquisa, empresas e setor produtivo.

Fortalecer projetos cooperativos, núcleos de inovação tecnológica, provas de conceito, propriedade intelectual e licenciamento.

Aperfeiçoar o Inova RS e apoiar parques, incubadoras e ambientes regionais.

Instituir sandboxes e fluxos experimentais apenas nas áreas de competência estadual.

Ampliar a integração entre universidades, centros de pesquisa, empresas e poder público.

Apoiar startups e empresas inovadoras e promover a "soberania digital" da administração.

Assegurar recursos da Fapergs. Apoiar startups e govtechs.

Expandir ambientes comunitários de inovação e inclusão digital nas periferias.

Fomentar pesquisas e soluções em inteligência artificial em áreas como saúde, clima, agricultura e gestão pública.

Fortalecer soberania e infraestrutura tecnológica, expandindo a Infovia Gaúcha, e estimular a implantação de data centers sustentáveis, abastecidos por energia renovável.

Fortalecer o Conselho Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação.

Financiar pesquisa orientada a desafios climáticos, saúde, agro e indústria.

Apoiar parques, incubadoras e ambientes de inovação no Interior.

Criar programa de transferência tecnológica para pequenas empresas.

Estimular capital semente, venture capital e fundos de coinvestimento.

Conectar universidades, empresas e governos em redes temáticas. Medir patentes, contratos, startups, produtividade e empregos gerados.

Sistema antigranizo

O governo do Estado lançou, durante a Expointer, o edital de chamamento para apoio à manutenção e operação de sistemas antigranizo, iniciativa que envolve 18 municípios da Serra e dos Campos de Cima da Serra. A proposta prevê a instalação de cerca de 130 unidades de proteção distribuídas entre os municípios. A estrutura será voltada à redução de danos causados pelo granizo em áreas agrícolas, especialmente em regiões com forte produção de uva e outras culturas. _

Os cem mais da saúde

Vários executivos gaúchos ou de entidades com forte ligações com o RS foram reconhecidos entre as cem personalidades mais influentes da saúde, em 2026. O prêmio é realizado desde 2013 pelo Grupo Mídia, por meio do Ecossistema Healthcare. Entre os premiados está Mohamed Parrini, CEO do Hospital Moinhos de Vento (categoria Qualidade e Segurança); Franco Pallamolla, presidente da Lifemed (Empresário); Pedro Tedesco Silber, diretor-presidente da Construtora Tedesco (Espaço, Operações & Facilities); Evandro Luis Moraes, diretor-geral do Hospital São Lucas da PUCRS (Qualidade e Segurança); Hilton Mancio, CEO do Tacchini Saúde (Qualidade e Segurança); e Pedro Westphalen, deputado federal (Representatividade). O prêmio foi entregue em São Paulo. _

Gramado no top 10

A Decolar registrou crescimento de 20% nas buscas por viagens para este feriado de 7 de Setembro na comparação com 2025. Gramado, na Serra, aparece em 10º lugar. Veja os principais destinos:

Rio de Janeiro

São Paulo

Maceió

Foz do Iguaçu

Salvador

Recife

Fortaleza

Natal

Porto Seguro

Gramado

Tensão geopolítica

Em uma amostra do aumento da tensão geopolítica no Ártico, a Noruega reteve o navio russo Professor Molchanov no arquipélago de Svalbard, a pedido da estatal ucraniana Naftogaz, que busca cobrar mais de US$ 4 bilhões por expropriação de ativos da Crimeia. A embarcação de pesquisa, com cientistas russos a bordo, ficou impedida de deixar o porto de Barentsburg, na ilha de Spitsbergen. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia convocou a embaixadora norueguesa em Moscou, Heidi Olufsen, para apresentar um protesto e classificou o gesto como "ato de pirataria".

INFORME ESPECIAL