segunda-feira, 28 de setembro de 2026

28 de Setembro de 2026
CARPINEJAR

Epidemia bloqueada

Já é alguma coisa. A uma semana das eleições, o governo federal assinou uma medida provisória para proibir a atividade das bets no Brasil, comparando o vício em jogos online a uma epidemia.

Antes tarde do que nunca. Ainda não é um fato líquido e certo. Por ser uma medida provisória, a regra deve ser votada e aprovada pelo Congresso Nacional para virar lei.

O setor se tornou onipresente na publicidade do país. Aparecia como patrocinador dos uniformes e transmissões de jogos. Apenas na Série A do Campeonato Brasileiro, onde 14 das 20 equipes exibem anúncios das bets, os investimentos previstos para 2026 são de R$ 1,1 bilhão. Nove clubes da elite do Brasileirão possuem contratos com as plataformas com cifra superior a R$ 50 milhões.

Não há como oferecer um desconto no mercado de ilusões, ou mitigar a potência da tentação. É quase irrefreável a compulsão para antever resultados, começando pelo próprio time.

Todo mundo anseia ser profeta e dominar o futuro. Assim como você ganha, você perde muito. E o hábito faz você perder o que não tem. Chega um momento em que não se dá conta de quanto gastou.

Quando você acerta, sua ambição é atiçada e aplica tudo o que recebe em novas transações. Quando você erra, sua culpa é ativada e busca recuperar o prejuízo com a reincidência.

Não encontro alternativa a não ser a ilegalidade. Impedimos o jogo do bicho, as máquinas caça-níqueis, e não poderíamos considerar normal arriscar o número de escanteios, de gols, de expulsões, numa infinidade de prodigiosas casualidades em uma partida.

A colheita foi a inadimplência e a morte. Afora a ansiedade, o descontrole, a taquicardia durante os placares. O azar venceu a sorte, e atingiu a parcela mais carente da população. Até mesmo o Banco Central se mostrou receoso: em 2024, o tíquete médio das transferências para casas de apostas subiu mais de 200%.

Uma pesquisa do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) estima em R$ 38,8 bilhões anuais o custo social das apostas no país, dos quais R$ 30,6 bilhões estão ligados à saúde. É óbvio que a oferta de fácil enriquecimento atrairia quem mais precisava.

Houve o registro, somente em um mês, de que cerca de 5 milhões de pessoas pertencentes a famílias beneficiárias do Bolsa Família enviaram R$ 3 bilhões às bets via Pix. O montante corresponde a aproximadamente 20% do valor total repassado pelo programa naquele mês. Bolsa Família se transformou em Bolsa Bet.

Entre 2018 e 2025, os atendimentos no Sistema Único de Saúde (SUS) motivados pela patologia aumentaram em torno de 140%. Os dados apontam uma mortalidade por suicídio 15 vezes maior entre indivíduos que sofrem com o transtorno do jogo em relação à população geral.

É evidente que amargamos um adoecimento insuflado por uma paixão: o futebol.

Agora quero ver como trataremos uma abstinência coletiva súbita. O SUS disponibiliza teleatendimento, mas será suficiente para sustentar a reabilitação de milhões de pessoas? Não se emerge de uma intoxicação psicológica sem acompanhamento. Não se sai sozinho do fundo do poço, exige-se sempre uma escada. 

CARPINEJAR

 

28 de Setembro de 2026
CLÁUDIA LAITANO

Em nome do pai

Iniciativa do podcast Calma Urgente, em parceria com ICL, Mídia Ninja e 342 Artes, o vídeo Grandes Igrejas, Master Negócios, apresentado por Fábio Porchat, obrigou milhões de brasileiros a darem um pause nas informações picadinhas e/ou descontextualizadas para assistir a uma reportagem de 30 minutos sobre as conexões entre o escândalo do Banco Master, a igreja Batista da Lagoinha e o bloco dos "irmãozões do Vorcaro": Flávio Bolsonaro, Nikolas Ferreira, Alexandre de Moraes e André Mendonça, entre outros. 

Tudo bem explicadinho e organizado cronologicamente, para facilitar a vida de quem já se perdeu em meio a tantos personagens e falcatruas diferentes. Publicado na última segunda-feira, o vídeo chegou perto de 10 milhões de visualizações antes do final da semana (somando o teaser no Instagram e o vídeo completo no YouTube).

Se você, como eu, ainda acredita que fatos movem montanhas (a mais doce das ilusões), talvez tenha ficado animado com a viralização do vídeo e com a quantidade acachapante de evidências contra Flávio Bolsonaro que se acumulam no noticiário - entre elas, a promessa de acatar todas as demandas de Donald Trump contra a soberania do Brasil. 

Do meu nada isento ponto de vista, parece uma escolha óbvia, mesmo para quem odeia o PT. Claramente não é. No próximo domingo, a disputa vai ser apertada, atroz, lancinante. Estaremos sofrendo todos, de um lado e do outro, sem conseguir entender como chegamos a este ponto de dissonância tão radical.

Nos últimos dias, estive lendo um livro que não acalmou minhas aflições, mas me ajudou a entender um pouco melhor por que aquilo que parece uma desgraça para 40% dos brasileiros é visto como a salvação da pátria para outros 40%. 

No já clássico Não Pense num Elefante (2004), lançado no Brasil este ano pela Editora Fósforo, o linguista George Lakoff nos lembra que todas as escolhas políticas são morais, mas nem todos compartilhamos da mesma moralidade. Se uma perspectiva dos fatos nos parece estapafúrdia é porque só conseguimos compreender aquilo que nosso cérebro permite. Lakoff sugere que progressistas e conservadores pensam segundo padrões distintos. 

No modelo "pai rígido", associado aos conservadores, o mundo é visto como um lugar perigoso, com hierarquias rígidas, e cada um deve cuidar apenas de si e da própria família. No modelo "pai acolhedor", progressista, o mundo pode se tornar um lugar melhor, para todos, e nossa função é trabalhar por isso.

Muitas pessoas estão no meio, ou seja, são "pai rígido" em algumas questões e "pai acolhedor" em outras. São os chamados "biconceituais" - e são eles que, no próximo domingo, vão começar a decidir o futuro do Brasil. 

CLÁUDIA LAITANO

28 de Setembro de 2026
OPINIÃO RBS

Em constante alerta pelo El Niño

Os temporais do início da semana passada voltaram a lembrar os gaúchos dos riscos dos eventos climáticos extremos, potencializados pelo El Niño intenso em desenvolvimento. Tornaram a demonstrar também a necessidade de atenção constante e de preparação do Estado e dos municípios para enfrentar as chuvas intensas e suas consequências. Mesmo com todos os alertas, o Rio Grande do Sul voltou a registrar mortes, estragos em mais de 150 municípios e demora no restabelecimento da energia. O retorno do mau tempo neste início de semana, com nova previsão de precipitações volumosas, reacende a preocupação.

O Estado não precisa reviver uma enchente com dimensões semelhantes às de maio de 2024 para compreender que prevenção, mitigação de danos e adaptação, do poder público, das empresas e dos cidadãos, são palavras de ordem que passam a acompanhar os gaúchos nas próximas décadas diante dos prognósticos climáticos alarmantes. Chuvas copiosas, granizo, enxurradas repentinas, tornados e deslocamentos de massa também podem atingir municípios ou regiões de forma localizada, com resultados dramáticos.

Um exemplo foi o que ocorreu em Caxias do Sul, onde morreram quatro das seis pessoas vitimadas pelas tempestades de uma semana atrás. Um menino de quatro anos, a irmã de 13, e a mãe, de 43, estavam em um carro arrastado pela torrente do Rio São Marcos. No bairro De Zorzi, um homem foi sugado para uma galeria pluvial quando desobstruía um bueiro. Em Pelotas e Charqueadas, outros dois homens não resistiram ao contato com fios energizados caídos devido aos temporais. É outro tipo de perigo ligado ao clima extremo.

Em São Marcos, na Serra, o risco de rompimento de uma barragem fez cerca de 170 moradores da área serem retirados de suas casas. O número de pontos sem luz no Estado superou 900 mil. Na Zona Sul, neste fim de semana restavam milhares de clientes sem energia desde segunda-feira, sofrendo prejuízos e transtornos. Reclamavam ainda da dificuldade de comunicação com a CEEE Equatorial, concessionária da região. A situação demonstra que os eventos climáticos extremos, apesar de toda a preparação anunciada, seguem um desafio para as distribuidoras de energia. Revoltados, moradores bloquearam o trânsito na BR-392, entre Rio Grande e Pelotas.

O Estado evoluiu em sistemas de alerta, monitoramento e prevenção. Obras estão em andamento ou em fase de planejamento. O mesmo ocorreu com as cidades. As Defesas Civis foram fortalecidas de forma material e com recursos humanos capacitados. Os 497 municípios têm planos de contingência. O Rio Grande do Sul, nos próximos meses, vai ser submetido frequentemente a testes quanto à capacidade de resposta.

O El Niño de 2026/2027 tende a ter uma intensidade histórica. O pico do fenômeno é esperado para o final do ano, com decorrências trágicas pelas secas, enchentes e altas temperaturas que provoca em diferentes regiões do planeta. Na semana passada, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou para o surto de doenças como a cólera e de enfermidades transmitidas por mosquitos. Um estudo do Climate Impact Lab, da Universidade de Chicago, projeta que, até fevereiro, o excesso de calor pode provocar mais de 400 mil mortes. É tempo de manter a guarda alta. 

OPINIÃO RBS

28 de Setembro de 2026
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Nem Nossa Senhora Aparecida escapa da baixaria

A campanha para eleição presidencial se encaminha para o final deixando para trás um rastro de descrença na civilização. A troca de acusações substituiu a discussão de propostas e os candidatos se esmeram para ver quem faz a proposta mais improvável de ser cumprida. O assunto dominante nas redes sociais no fim de semana foi a disputa que não respeitou nem mesmo Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do Brasil.

Como tudo neste país em que a política foi judicializada, a fake news sobre a possibilidade de Nossa Senhora Aparecida ser destituída do cargo ganhou pernas e foi parar no Supremo Tribunal Federal. E, como tudo o que cai no Supremo hoje vira disputa política, a história se repetiu.

O ministro André Mendonça mandou as plataformas tirarem do ar os conteúdos que trataram da falsa polêmica. Foram milhares de publicações, a maioria podendo ser caracterizada como fake news, outras com insinuações capazes de dar crédito a uma história distorcida por má-fé. O ministro Flávio Dino entrou em campo e revogou a decisão de Mendonça.

Na origem, um projeto arquivado em 2008

André Mendonça decidiu em favor do candidato Flávio Bolsonaro (PL), diante da fake news de que os católicos estariam preocupados com a possibilidade de Nossa Senhora Aparecida deixar de ser a padroeira do Brasil, em caso de vitória dele. Entre os vídeos que o ministro mandou remover estava um do humorista Antonio Tabet.

Na origem do boato está um projeto apresentado em 2007 pelo então deputado federal Professor Victorio Galli, à época no PMDB. O texto do PL 2.623/2007 sugeria alterar a Lei nº 6.802/1980 para mudar o termo "Padroeira do Brasil" para "Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos". O projeto foi arquivado em 2008.

Dino mandou restabelecer as postagens alegando que a remoção prévia feria a liberdade de expressão e a liberdade religiosa, pois não havia um grau evidente e imediato de ilicitude no texto capaz de justificar a censura sem a devida instrução processual. _

Ainda que tardia e associada à campanha eleitoral, a decisão do presidente Lula de acabar com as bets tem potencial para garantir votos entre indecisos que não toleram a jogatina ou sofrem ao ver parentes viciados em apostas.

Candidatos concentram campanha na Capital e na Região Metropolitana

Com a necessidade de gravar os últimos programas da propaganda de rádio e TV do primeiro turno, os quatro principais candidatos a governador optaram por fazer campanha em Porto Alegre e Região Metropolitana no domingo.

A exceção foi Gabriel Souza (MDB). No sábado, passou mais de seis horas em carreatas pelo Litoral Norte. Ontem, com chuva, circulou pela Zona Norte e pela Grande Cruzeiro, acompanhado do prefeito Sebastião Melo e da primeira-dama Valéria Leopoldino.

Juliana Brizola (PDT) fez apenas gravações no domingo. No sábado, participou de um ato batizado de "Bora Lula", organizado pelo candidato do PT ao Senado, Paulo Pimenta, nas ruas da Cidade Baixa. Juliana estava acompanhada do filho José Inácio, de 16 anos.

Luciano Zucco (PL) realizou na manhã de domingo as últimas gravações dos programas eleitorais de TV. Na sequência, participou de uma mobilização no Parque Moinhos de Vento (Parcão), entregando material de campanha. Depois, foi a Viamão. No sábado, esteve em Novo Hamburgo.

O tucano Marcelo Maranata teve apenas uma atividade externa de campanha no fim de semana. Foi uma carreata em Gravataí ao lado da candidata a deputada federal Márcia Becker (PSDB), no sábado. _

Flávio confirma que vai ao debate

Depois de se recusar a participar dos debates que não teriam a presença do presidente Lula, o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, anunciou que irá ao da Rede Globo, nesta quinta-feira. Com Lula ou sem Lula.

Lula terá de decidir entre ir e ser o alvo de todos os adversários ou não ir e ser chamado de fujão. 

Dois dias sem banners nas ruas

Por ordem do juiz Daniel Henrique Dummer, da 114ª Zona Eleitoral, todos os candidatos e candidatas devem retirar a propaganda eleitoral instalada em vias públicas das 18h de ontem até as 18h de amanhã.

A decisão foi tomada em caráter excepcional e temporário, diante do Alerta Meteorológico nº 21, da Defesa Civil, de risco alto de chuvas intensas, com acumulados da ordem de 165 mm, e rajadas de vento de até 70 km/h.

O magistrado expressou preocupação com a segurança dos pedestres que circulam nas ruas de Porto Alegre. 

POLÍTICA E PODER

28 de Setembro de 2026
INFORME ESPECIAL - Vitor Netto

Dia para reafirmar o valor da informação

Por que confiar no jornalismo? Porque, por trás de cada notícia publicada por profissionais, há método. A informação passa por apuração, checagem, versões, edição e responsabilidade.

Por que faz diferença? Porque serve ao interesse público. Ajuda a fiscalizar, acompanhar direitos, entender decisões e fazer escolhas.

Como esse trabalho acontece? Com apuração e pluralidade. Profissionais ouvem diferentes fontes, consultam documentos e dados.

Como reconhecer? Pela transparência. Notícia, reportagem, análise, opinião, editorial e publicidade têm funções diferentes.

São essas perguntas e respostas que movem o World News Day, o Dia Mundial do Jornalismo, comemorado hoje. Mais de mil veículos de imprensa, entre eles o Grupo RBS, entidades e universidades em todo o mundo se unem na campanha. Em 2026, a mobilização adota o lema: "Conheça os fatos. Entenda o que importa. Escolha jornalismo de confiança".

Para o jornalista e professor da ECA-USP Eugênio Bucci, a preservação dos fatos tornou-se um desafio na sociedade contemporânea, marcada pela superexposição da desinformação.

- A lembrança dos fatos é algo crucial. Uma das características da nossa era é justamente uma avalanche de quinquilharias das plataformas digitais para obstruir o acesso do cidadão aos fatos. Uma das características é essa dificuldade que a sociedade tem de conhecer e de assimilar o significado dos fatos.

Bucci aponta que a recusa dos fatos abre margem para episódios em que sociedades tomam decisões contrárias aos próprios interesses:

- Os autoritarismos dos anos 1920 e 1930 chegaram ao poder em mobilizações de um certo caráter populista, e mostraram a tragédia que foi aquilo. E o único antídoto contra esse tipo de coisa é o conhecimento dos fatos e o entendimento do que são os fatos - avalia.

Bucci diz que tentativas de cercear repórteres fazem parte de uma ofensiva contra as instituições dedicadas à verificação da realidade.

- A universidade, a ciência, a imprensa e a Justiça sofrem constantes ataques. E são justamente elas que investigam a verdade factual: a academia pelo estudo; a ciência pela pesquisa; a imprensa pela reportagem e a Justiça pela aplicação da lei. _

Caçadores de tempestades registram supercélula na Fronteira

Um grupo formado por caçadores de tempestades brasileiros e americanos registrou no sábado uma supercélula em Alegrete, na Fronteira Oeste. O fenômeno foi divulgado pelos profissionais nas redes sociais e confirmado pela coluna com a Climatempo.

O grupo está circulando pela região para acompanhar eventos climáticos extremos. Caçadores de tempestades são pesquisadores que monitoram o tempo severo para registro e estudo. Entre os integrantes estão o americano Mike Plemmons, conhecido pelo codinome NaderMike, e o fotógrafo gaúcho Gabriel Zaparolli. _

Entrevista

Frederico de Siqueira Filho

Ministro das Comunicações

"Porto Alegre poderá se tornar um grande hub de data centers"

O ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, afirma que Porto Alegre tem potencial para se tornar um "grande hub" tecnológico de data centers. Ele esteve no RS na última semana.

O senhor veio ao RS para ver a expansão do cabo submarino internacional Malbec. O que é e qual a sua função?

Já existem outros cabos submarinos que passam pela costa do RS. E essa iniciativa foi justamente para fortalecer a infraestrutura digital de Porto Alegre, Região Metropolitana. É justamente essa conexão que vai sair de Balneário Pinhal e conectar Buenos Aires e outros países da América do Sul. O que isso quer dizer? Aumentar a disponibilidade de internet para a região com baixa latência. 

Isso permite a atração de novos data centers para a região. Porto Alegre poderá se tornar um grande hub tecnológico de data centers por conta do aumento da disponibilidade de internet para tráfego de dados para a chegada, e viabilizar tecnicamente esses equipamentos hoje tão importantes para o futuro digital do mundo, como também da inteligência artificial e da internet das coisas.

Como garantir a expansão de data centers sem impactar a sobrecarga energética e o gasto de água no resfriamento?

Hoje, todos os incentivos que o governo está promovendo para a chegada disso é que esses data centers venham também com uma planta de energia renovável para fornecer energia limpa, para que não se tenha desbalanceamento no sistema energético nacional. Já existem tecnologias de alto resfriamento com aquela água que está sendo disponibilizada para os data centers. Então, não existe perda de água. Aquela água fica reciclando. 

Sabemos que o grande custo do data center é a energia. Entendemos que o Brasil poderá ser um grande hub de data center em função da matriz energética renovável, do volume de distribuição que já existe e várias iniciativas que o Ministério de Minas e Energia vem fazendo, que é justamente para acomodar essa infraestrutura importante para o futuro da IA, da internet das coisas e com a ampliação dos serviços digitais. 

O mundo está de olho no Brasil por conta de todas essas condições climáticas, e a infraestrutura e a conectividade são insumos importantes. A chegada, a ampliação e a renovação da nossa planta de cabo submarino também está no centro da discussão para tornar cada vez mais o nosso país digital, e também a Região Sul.

Recentemente, líderes das gigantes de IA disseram que é necessário desacelerar o desenvolvimento da tecnologia. Como o governo brasileiro avalia essa expansão?

Estamos cuidando da infraestrutura digital, cuidando também da IA na língua portuguesa, que é um grande desafio, que tenhamos a nossa IA. Além disso, não queremos concorrer com China e EUA. Queremos utilizar a IA para o bem, para aumentar a produtividade do agronegócio, por exemplo. 

A Região Sul tem um histórico de dados fornecidos, por exemplo, pela Embrapa, e a ideia é aplicar uma linguagem de inteligência artificial para que possamos aumentar a produtividade agrícola. Como podemos utilizar uma inteligência artificial para melhorar a prevenção, a saúde, para melhorar a região? A ideia é usar a IA a favor da produtividade em diversas áreas.

Um grande problema são os emaranhados de fios de telefonia nos postes. Atualmente, o compartilhamento desses postes ocorre entre as distribuidoras de energia e as operadoras de telecom. Como resolver?

Temos a expectativa de destravar isso por meio de um projeto de lei que já foi aprovado no Senado e está na Câmara. Tenho a expectativa de resolver ainda esse ano. Esse é um tema histórico do setor de telecomunicações. A ideia é regulamentar para que sejam redefinidas as obrigações tanto dos provedores de internet quanto das concessionárias de energia, para que possamos regulamentar e dar previsibilidade aos dois setores com relação às atribuições e atuação. 

Para isso, essa regulamentação é muito importante para dar visibilidade e segurança jurídica. O Ministério das Comunicações, junto com Minas e Energia, Anatel e ANEEL, está fazendo um trabalho para destravar esse tema em parceria agora com o Congresso. 

INFORME ESPECIAL

sábado, 26 de setembro de 2026

Grande sertão: veredas, os primeiros 70 anos

Jaime Cimenti

Italo Calvino escreveu um livro intitulado Por que ler os clássicos e ensinou: por que eles nunca terminam, deixam marcas profundas na memória e se tornam inesquecíveis, são livros de descoberta e autoconhecimento, dão prazer e saber e funcionam como bússolas . Tudo isso e mais se aplica a Grande sertão: veredas , setentão lépido e faceiro, de 1956, de João Guimarães Rosa(1908-67) que foi publicado em edição especial da Companhia das Letras (544 p., R$ 209), com novo projeto gráfico , entrevista do autor e ensaio de Érico Melo sobre os rascunhos e a forma final do romance .

Clássico definitivo, recriador da língua portuguesa mesclando fala de jagunços com erudição latina e grega , pleno de imaginação poética sem limites, com oralidade sintética, universalidade no regional e poesia em prosa inigualável, a narrativa contínua traz Riobaldo, Diadorim (Reinaldo) , Hermógenes, Joca Ramiro , Zé Bebeto, Medeiro Vaz, Otacília, e Nhorinhá envoltos no bem e no mal, liberdade e destino, violência e vida, amor, identidade e a transformação do indivíduo e o sertão, que “é dentro da gente” .

Romance de aventura, história de amor, narrativa de formação e grande reflexão sobre bem, mal, destino e liberdade,tudo isso e mais o infinito que os leitores imaginarem , criarem, sentirem, duvidarem e filosofarem estão no livrão, no sertão, nas veredas , nas árvores, animais, pessoas, luzes, sombras, silêncios e sons , revelações e mistérios de ontem, hoje e sempre.

Depoimentos inéditos dos leitores ilustres Mia Couto, Alison Entrekin, Caetano W. Galindo, Eduardo Gianetti, Milton Hatoum, Bia Lessa, Ana Martins Marques, Geovani Martins, Amara Moira, Silviano Santiago, Heloísa Murgel Starling e Itamar Vieira Junior estão nesta edição de um dos maiores romances brasileiros e mundiais.

O homem que colocou o Brasil no divã

Eu o conheci como professor da memória e prometi guardar o cara que nunca deixou a admiração ceder à inveja É rápido e você não perde nada importante.

Zuenir Ventura morreu aos 95 anos, no Rio de Janeiro, após décadas dedicadas ao jornalismo e à literatura brasileira.

Acusamos o golpe da ausência de Luis Fernando Verissimo há um ano. Agora Zuenir Ventura, um dos maiores jornalistas de nossa história, escritor e membro da Academia Brasileira de Letras, acaba de nos dar adeus, aos 95 anos. Encontrava-se em sua residência, no Rio de Janeiro, e não resistiu a uma pneumonia na terça-feira (22).

Verissimo se encarregará de receber seu amigo no paraíso das enciclopédias. Eles passam a ser encantados, como vaticinava Guimarães Rosa, e afetivamente eternos para sua legião de leitores.

Corajoso, resoluto, convicto de reportagens empáticas, com o arco grisalho das sobrancelhas protegendo seus olhos fundos, Zuenir mexia nos vespeiros. Escancarou a exploração da Amazônia, com sua cobertura do caso Chico Mendes, na década de 1980, e os meandros da violência em Vigário Geral com o livro Cidade Partida, nos meses que se seguiram à chacina de 29 de agosto de 1993.

Não abdicou da simplicidade de sua caligrafia desenhada no papel. Filho de um pintor de paredes e de uma dona de casa, mais do que criar sua biblioteca do nada, tornou-se a própria biblioteca. Foi office boy, faxineiro e balconista antes de conseguir cursar Letras na Universidade Federal do Rio de Janeiro, numa graduação que contava com Manuel Bandeira e Alceu Amoroso Lima entre seus docentes.

Nunca parou de escrever sua coluna, tendo a encomenda como musa inspiradora. Nunca deixou de engraxar as unhas na tinta do impresso e nos conceder a luz do entendimento, numa longevidade sábia. Colaborou com a Tribuna da Imprensa, o Correio da Manhã, o Jornal do Brasil, O Globo e as revistas O Cruzeiro, Fatos e Fotos, Visão, Veja e IstoÉ.

O jornalismo e a literatura entrelaçavam as mãos como irmãos gêmeos da verdade. Apesar dos temas difíceis que abordava, o mestre Zu era um otimista incorrigível. Seu riso mineiro discreto melhorava o silêncio em qualquer ambiente.

Os autores que cruzavam seu caminho se transformavam em personagens, num feitiço às avessas. Na obra Minhas Histórias dos Outros, ele celebra a saudade, resgatando fatos, anedotas e curiosidades sobre personalidades com as quais conviveu, como Glauber Rocha e Carlos Drummond de Andrade.

Zuenir psicanalisou o Brasil, colocou o país no divã para encarar suas contradições. Sua tarefa se centrou em nos ajudar a perdoar, mas sem apagar o pior.

No clássico 1968: O Ano que Não Terminou, sobre a ditadura militar, ele afirma que o nosso passado não deveria nos servir de exemplo, e sim de lição. Para não mais repeti-lo. Ele, inclusive, teve a sua solar liberdade confiscada pelas trevas do AI-5, permanecendo preso durante três meses.

Em Mal Secreto: Inveja, põe-se a desentocar nossa síndrome de caranguejo, de puxar para baixo quem faz sucesso: “A inveja é um vírus que se caracteriza pela ausência de sintomas aparentes. O ódio espuma. A preguiça se derrama. A gula engorda. A avareza acumula. A luxúria se oferece. O orgulho brilha. Só a inveja se esconde”. 

Eu chamei Zuenir para ser professor da graduação de Formação de Escritores da Unisinos. Ficou responsável pela disciplina de memória. Suas lembranças cintilavam como testemunhos. Ele havia vivido o século XX por dentro dos principais acontecimentos culturais, da Bossa Nova ao Cinema Novo.

Ao se despedir de mim, ele costumava soltar um paradoxo: “Não esqueça de lembrar de mim”. Eu prometo que jamais o esquecerei. Zuenir: quando a inveja perdeu para a admiração.

26 de Setembro de 2026
MARCELO RECH

Cobiça sem fim

É bom ter um pé atrás sempre que se ouve que determinada categoria ou função precisa ser bem remunerada para evitar que o ocupante do cargo se corrompa. O argumento soa como ofensa a quem não desfruta de contracheques rechonchudos - a bem da verdade, a imensa maioria dos brasileiros, que, segundo essa falácia, estaria fadada à corrupção porque ganha mal.

Se há alguma coisa a aprender do escândalo do Master, é que corrupção não distingue contas bancárias. O propinoduto de Daniel Vorcaro foi pródigo em abastecer membros de algumas das categorias de servidores mais bem pagas do Brasil - de políticos a funcionários do Banco Central - e de representantes da elite econômica e social, como gestores financeiros e familiares de ministros do STF.

Vida modesta não é dobradiça para os encantos de um banqueiro armado com Pix sem limites nas cifras e na ética. A cobiça infinita é que é. Alexandre de Moraes, por exemplo, tinha muito mais que qualquer mortal poderia sonhar: um gabinete do tamanho de um apartamento, estabilidade no bom emprego, um séquito de assessores a servir-lhe, prestígio entre os pares, poder que não acaba mais e uma conta bancária já alentada por direitos autorais de livros de direito. De que mais precisava, levando-se em conta que há muito já não viajava em classe econômica e nem se hospedava em hotéis três estrelas?

A cobiça desmesurada atrai favores suspeitos porque ela diz para o servidor que ele sempre pode ter mais. Não basta voar pelo mundo em classe executiva. O sujeito passa a evitar filas em aeroportos e, como Moraes e Flávio Bolsonaro, viajar no jatinho de amigos complicados. Não acaba nunca. Um relógio que mostra as horas não é suficiente. O ministro precisa ostentar um de grife avaliado em R$ 720 mil. Para que e por quê? Uma festa com Wesley Safadão, bancado por uma advogada com interesses no STF, no aniversário da filha de Kassio Nunes Marques não dispara o desconfiômetro?

Quando a fortuna é obtida dentro da lei, bom proveito. O problema é quando um funcionário público quer usufruir de um mundo que não é dele, como ocorreu com tantos seduzidos por Daniel Vorcaro, que torrou biografias públicas com a assustadora facilidade de quem serve um Macallan 25 anos.

Para acabar com a corrupção em larga escala, é preciso prevenção e punição, mas sobretudo consciência individual sobre o certo e o errado. Há incontáveis casos diários de servidores humildes e empreendedores que, mesmo diante de uma oportunidade de ganho fácil, não se deixam levar pelo canto da sereia. Eles colocam a formação familiar, os valores espirituais, a ética e, não menos importante, a paz de dormir sem sobressaltos acima de tudo. E isso não tem Master que pague. _

MARCELO RECH

26 de Setembro de 2026
OPINIÃO RBS

OPINIÃO RBS

O que resta dizer ao eleitor

A pesquisa Quaest divulgada na quinta-feira sobre a eleição para o Palácio Piratini indica que o percentual de indecisos ainda é alto. Mesmo quando são estimulados a apontar um nome diante da lista de candidatos, um quarto dos entrevistados ainda não sabe em quem votará no primeiro turno, no domingo, dia 4 de outubro. É um contingente significativo, à espera de ser convencido sobre qual postulante ao governo gaúcho merece a sua confiança para liderar o Rio Grande do Sul pelos próximos quatro anos.

É natural que, com a aproximação do pleito, os eleitores prestem mais atenção ao que as candidaturas propõem para os temas que os afligem. Ganham maior peso os debates na reta final da campanha, como o realizado na sexta-feira pela Rádio Gaúcha. O encontro reuniu Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT), Luciano Zucco (PL) e Marcelo Maranata (PSDB), postulantes cujos partidos têm representantes no Congresso. Debates são a oportunidade para que os candidatos exponham suas ideias e promovam o embate direto de propostas, para que os votantes possam compará-las e decidir o número a ser apertado na urna.

Uma das formas de o Grupo RBS contribuir para uma escolha consciente dos gaúchos é abrir amplos espaços para a discussão e a apresentação de projetos. A RBS TV realiza debate na terça-feira, às 22h50min, e entre segunda-feira e quinta, os quatro aspirantes ao Piratini serão sabatinados na Rádio Gaúcha, no espaço do Atualidade, das 9h às 10h.

O debate de sexta-feira, com maior aprofundamento dos temas em relação ao realizado no dia 6 de agosto, também pela Gaúcha, deve ser enaltecido pela civilidade, a despeito de momentos de confrontação mais incisiva, o que é próprio de uma democracia vibrante. É usual que os candidatos critiquem adversários e apontem contradições dos oponentes. O embate eleitoral, em toda a campanha até aqui, manteve-se em regra em bom nível. A troca de farpas permaneceu centrada no eixo político, sem acusações de cunho pessoal ou de desvios éticos. É bem diferente, diga-se, do que se nota na corrida ao Planalto. Os dois principais concorrentes à Presidência, aliás, nem sequer se dignaram a comparecer a debates, um desrespeito aos eleitores.

O reconhecimento ao tom respeitoso, no entanto, não pode encobrir uma preocupação central. Ainda faltam respostas factíveis e didáticas dos candidatos sobre como enfrentar os principais desafios do Estado, como a situação das finanças gaúchas a partir de 2027. O debate de sexta-feira priorizou assuntos como quadro fiscal, saúde, infraestrutura, concessões e feminicídios. Parte considerável das respostas tangenciou as questões, foi pelo caminho das generalidades, das ideias inexequíveis e de objetivos meritórios, mas que soam como promessas vagas demais.

Depositar esperanças excessivas em recursos federais é temerário. O próximo presidente também será forçado a um ajuste duro nas contas. O orçamento da União será alvo de disputa renhida. É relevante ter capacidade de articulação com Brasília, mas o que os eleitores querem saber é o que o futuro governador ou governadora fará com a força da sua caneta. Aguarda-se que os concorrentes ao Piratini aproveitem melhor as oportunidades que terão - como no debate da RBS TV e nas sabatinas da Gaúcha - para serem mais claros com os gaúchos. 

26 de Setembro de 2026
POLÍTICA E PODER

Medidas para acabar com as bets chegam na hora errada

Nasceu prematura a medida provisória em que o presidente Lula tenta acabar com as bets no Brasil. É preciso dizer que a providência é eleitoreira, apesar de necessária. Por trás da precipitação está a proximidade de uma eleição em que os candidatos precisam conquistar o voto das mulheres. São elas que clamam por uma barreira aos jogos que sugam parte importante do orçamento familiar.

Lula identificou nas bets o inimigo que precisa ser combatido a qualquer custo, até porque se tornou um dos principais temas da campanha. O custo deveria ter sido levado em conta antes de qualquer medida drástica.

Não há dúvida de que os jogos na palma da mão estão na raiz do endividamento das famílias. Causam dependência, depressão, empobrecimento. O problema é que, quando regulamentou as bets, o governo exigiu que as empresas se enquadrassem para operar e agora prepara um corte radical, que coloca no mesmo balaio as legalizadas e as ilegais.

Organização do setor

O governo regulamentou os jogos com o argumento de que as pessoas apostavam de qualquer jeito em plataformas instaladas fora do país, que não pagavam impostos. A preocupação era organizar um setor que havia sido liberado no final do governo Michel Temer. Pesou na decisão do governo Lula a necessidade de aumentar a receita, mas o Congresso afrouxou as medidas mais duras, a começar pelo imposto, que seria de 18% e os parlamentares reduziram para 12%.

Há meses os comerciantes, os bancos e uma parcela significativa da população alertam para a epidemia de vício em jogos, mas só agora, às vésperas da eleição, Lula resolveu agir.

Como as empresas pagaram valores significativos ao governo a título de outorga para se legalizar, a devolução desse dinheiro será cobrada. De onde sairá? Dos cofres públicos. Pode-se dizer que o custo da existência das bets é maior, mas resta uma dúvida. Será possível acabar com o jogo ilegal, num país que nunca conseguiu impedir o jogo do bicho? _

A proposta de orçamento de 2027 terá de ser reescrita para retirar a previsão de receita do imposto sobre os jogos. O mercado de bets movimentou R$ 410,85 bilhões no primeiro semestre de 2026 e arrecadou R$ 8,75 bilhões em impostos federais até julho.

Flávio tenta atribuir a Lula a liberação das apostas

Se o presidente Lula (PT) assinou a medida provisória para acabar com as bets no Brasil de olho na eleição, cujo primeiro turno será realizado em nove dias, a campanha do oponente Flávio Bolsonaro (PL) também aproveita a situação para tentar atrair pontos eleitorais. Minutos antes do anúncio do governo, o senador divulgou vídeo nas redes sociais em que chama a medida de "eleitoreira" e Lula de "oportunista".

No vídeo e também em peças da campanha em rádio e televisão, o candidato do PL tenta atribuir ao presidente a autoria da liberação das bets no Brasil, dizendo que "Lula é o pai do tigrinho".

- Podemos dizer que Lula é o pai do tigrinho - disse Flávio, no vídeo que antecedeu o anúncio da medida provisória.

Foi Michel Temer, entretanto, quem sancionou a lei 13.756/2018 que criou o sistema de apostas de quota fixa (quando o apostador já sabe quanto vai receber se acertar o palpite) no Brasil, nos últimos dias de mandato, permitindo a operação das casas de apostas esportivas. A legislação estabeleceu prazo de dois anos, prorrogável por mais dois, para que o Ministério da Fazenda regulamentasse a atividade das empresas, o que não foi feito por Jair Bolsonaro durante o seu governo.

Até a regulamentação, em dezembro de 2023, as bets operaram no Brasil sem fiscalização e sem pagar impostos. A partir de então, as casas de apostas online passaram a operar em um mercado registrado, com diretrizes e regras de tributação, mediante autorização do Ministério da Fazenda com pagamento de outorga ao governo. _

Debate expõe excesso de dependência de recursos federais

Depois de duas horas de debate na Rádio Gaúcha, restou a impressão de que as promessas dos candidatos só serão cumpridas se o governo federal aportar mais dinheiro no Estado. Afora a incerta prorrogação do Funrigs, que significa suspensão do pagamento da dívida por mais um ano, a ideia de criação de um fundo constitucional para o desenvolvimento do Sul e do Sudeste é uma miragem.

Nada disso se resolve automaticamente com diálogo e articulação em Brasília, com o Congresso ou com outros governadores. Quem for eleito terá de governar tendo como referência um orçamento apertado e deficitário.

É preciso levar em conta que o presidente que se eleger neste ano terá de promover um ajuste fiscal rigoroso, sob pena de não conseguir reduzir os juros, questão que impacta toda a sociedade, especialmente no setor produtivo.

Como todos os candidatos se comprometem a não aumentar impostos, resta aumentar a receita pelo crescimento econômico, sonho de consumo de qualquer cidadão. Só que isso não depende da vontade do governo. Ou pode ser freado por falta de investimentos em infraestrutura. Como crescer sem ter estradas de qualidade, ferrovias e hidrovias?

Aqui entra outro tema que os candidatos abordam de forma superficial ou demagógica: as concessões de rodovias. Sem dinheiro no orçamento para conservar as rodovias estaduais e muito menos para fazer as obras necessárias, a opção seria recorrer às concessões, defendidas por Gabriel Souza na condição de candidato do governo. Luciano Zucco e Juliana Brizola são a favor, mas não apresentam um modelo viável.

Fila do SUS

Outra promessa mal explicada é a de zerar a fila do SUS. Funciona aos ouvidos dos eleitores, mas falta explicar como. O dinheiro disponível não é suficiente e boa parte da solução vem do Ministério da Saúde, que já tem programas em andamento, mas não dá conta da demanda. Corrigir a tabela do SUS também depende do governo federal e está atrelada às dificuldades orçamentárias da União. _

O que foi mais repetido pelos candidatos ao Piratini

Assim como no primeiro debate da Rádio Gaúcha, a saúde foi tema central dos candidatos ao governo do Estado no segundo enfrentamento, na sexta-feira. Os discursos estão alinhados, em parte, com um dos principais temores dos gaúchos, segundo revelado pela última pesquisa Quaest: 25% dos eleitores gaúchos veem a saúde como o principal problema do RS. Outros 25% entendem que são as enchentes - tema que passou longe dos quatro concorrentes.

Termos como "hospitais", "fila", "SUS gaúcho" e "saúde" foram repetidos pelos quatro candidatos entre as 12.865 palavras proferidas ao longo de uma hora e meia do debate. Com auxílio de inteligência artificial, sob revisão de jornalistas, a coluna elencou as expressões mais ditas pelos postulantes.

Gabriel Souza (MDB), por exemplo, falou "Estado" 35 vezes, expressão que também aparece no topo das listas de Juliana Brizola (PDT), Luciano Zucco (PL) e Marcelo Maranata (PSDB). Juliana e Maranata focaram o discurso nas "pessoas". Como no primeiro debate, Maranata falou diversas vezes sobre a trajetória como "prefeito" e em ser o único com experiência de Executivo municipal.

Zucco falou oito vezes a palavra "concessão", além de sete citações a "bloco", quatro vezes "ferrovia" e quatro vezes "apontamento", referindo-se aos questionamentos do TCE à proposta do bloco 2, cuja gestão o governo de Eduardo Leite tentou entregar à iniciativa privada. _

POLÍTICA E PODER

Temas fundamentais foram ignorados

Nos dias que antecederam o segundo debate da Rádio Gaúcha neste primeiro turno, o RS chegou a seis mortes em decorrência dos temporais. A chuvarada elevou o nível dos rios, provocou alertas da Defesa Civil e obrigou 170 pessoas a deixarem suas casas diante do risco de rompimento de barragem em São Marcos. Estamos às vésperas de um El Niño vitaminado e, pouco mais de dois anos atrás, vivemos a maior tragédia climática da história do Estado.

Ainda assim, ambiente, adaptação climática e contenção de cheias praticamente não apareceram no duelo de sexta-feira.

Também não faltavam razões para falar dos desafios do agronegócio.Nos últimos cinco anos, o Rio Grande do Sul deixou de colher 48,6 milhões de toneladas de grãos em razão de intempéries, sobretudo estiagens. Segundo levantamento da Farsul, R$ 126,3 bilhões deixaram de ser gerados diretamente.

O produtor rural está endividado e precisa conviver com uma atividade cada vez mais vulnerável aos extremos climáticos. Mesmo assim, o agronegócio não mereceu, por parte dos candidatos, atenção no duelo da Gaúcha.

Essencial para o desenvolvimento de qualquer sociedade, a educação também foi ignorada. Ampliar vagas na educação infantil, melhorar os indicadores de alfabetização, aumentar o acesso ao ensino em tempo integral e fortalecer o ensino profissionalizante são desafios que estarão sobre a mesa de quem assumir o Piratini em janeiro.

Nada disso apareceu.

Segurança pública também não foi discutida de forma abrangente - exceção à resposta provocada pela colega Kelly Matos sobre violência contra a mulher.

E pouco se falou sobre indústria, setor que enfrenta dificuldades para encontrar mão de obra qualificada, segundo pesquisa da Fiergs. A escassez já restringe a capacidade de ampliar a produção. É um problema que conecta educação, produtividade, crescimento econômico e retenção de talentos.

Inovação, outro caminho fundamental para aumentar a competitividade do Estado, também passou ao largo.

Não há desenvolvimento econômico sem infraestrutura, outro grande tema ausente. O sucateamento da malha ferroviária gaúcha dificulta e encarece o escoamento da produção, como mostrou reportagem de Mathias Boni na série do Grupo RBS sobre os desafios do Estado. Falou-se de rodovias, mas nada sobre ferrovias, portos, aeroportos, logística e infraestrutura, que deveriam estar no centro de qualquer projeto que pretenda discutir o Rio Grande do Sul das próximas décadas.

E, novamente, a exemplo do primeiro debate da Gaúcha, nada sobre cultura.

O encontro acabou concentrado principalmente em três grandes assuntos: saúde, sobretudo as filas de espera do SUS; concessões de serviços básicos e infraestrutura concedida, como energia e pedágios; e contas públicas, com destaque para a dívida do Estado. Mas é lamentável que temas fundamentais para o desenvolvimento tenham passado ao largo de quase duas horas de programa.

A saudar, foi um encontro um pouco mais profundo do que o primeiro, com mais propostas, em um ambiente de relativa cordialidade. _

Advocacia pública

Ao comemorar os 60 anos, a Associação dos Procuradores do Estado do RS (Apergs) está lançando um livro que resgata a história da instituição.

A publicação reúne fatos, personagens e bastidores que marcaram a consolidação da advocacia pública no RS. Intitulada Apergs - Memória, História e Inovação, traz documentos, fotografias e depoimentos. Entre os fatos, está a consolidação da carreira e da própria Procuradoria-Geral do Estado (PGE).

- A advocacia pública hoje tem um papel que vai muito além da representação judicial: está na construção de soluções jurídicas, na segurança dos investimentos, na proteção do patrimônio público e na viabilização de políticas que impactam diretamente a vida dos gaúchos - destaca a presidente Patrícia Bernardi Dall?Acqua. _

Quem irá ocupar o cargo na ONU

Dos sete candidatos para substituir António Guterres na Secretaria-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), quatro são mulheres. Aliás, há grande chance de o cargo ser ocupado por uma mulher pela primeira vez. A terceira votação secreta informal realizada pelo Conselho de Segurança apontou duas candidatas preferidas: Rebeca Grynspan e Carolyn Rodrigues Birkett. _

O Sul é a região com os maiores índices de consumo frequente de álcool e cigarro, além de liderar a ingestão de alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas. As informações fazem parte de uma pesquisa recente do A.C.Camargo Cancer Center com o instituto Nexus.

INFORME ESPECIAL 

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

25 de Setembro de 2026
EDITORIAL

EDITORIAL

Quando chega a primavera

Chegamos à primavera, a estação mais florida, leve e refrescante do ano. Com ela, voltam com ainda mais frequência os encontros ao ar livre, as conversas sem fim e a mesa farta de pratos para compartilhar. É nesse espaço que a refeição cumpre seu papel mais bonito: o de abraçar, confortar e celebrar.

Inspirados por esse clima - e embalados pelas comemorações do Dia do Sorvete, celebrado quarta, nesta mesma semana -, preparamos este caderno. Afinal, poucas coisas combinam tanto com o calor e a alegria da estação quanto essa indulgência gelada, capaz de arrancar sorrisos de crianças e adultos.

Nas próximas páginas, você poderá passear pela nossa própria versão de primavera, com direito a um mergulho na horta comestível cultivada por Carlos Kristensen. O chef e sócio-proprietário do Um Bar&Cozinha nos conduz por uma imersão ao redor de ingredientes tão regionais e, ao mesmo tempo, tão universais. Prepare-se para conhecer o menu exclusivo desenvolvido para a temporada e descobrir mais sobre a trajetória de um dos pioneiros da alta gastronomia no Rio Grande do Sul.

Para completar este passeio que conecta as nossas raízes, na coluna Abobrinhas, da colunista Mariana Weckerle, desvendamos as diferenças entre sorvete, gelato e nicecream e reunimos receitas práticas para fazer em casa. Ainda preparamos uma hotlist imperdível com alguns lugares para saborear essas sobremesas na Capital e na região metropolitana. 

Brunna Oliveira - Analista de Conteúdo

25 de Setembro de 2026
OPINIÃO RBS

Nunes Marques é outro que deve explicações

Depois dos colegas Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, que até hoje não deram explicações convincentes sobre negócios ligados ao Banco Master e relações com Daniel Vorcaro, chega a vez de o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques ser cobrado a prestar esclarecimentos plausíveis. Não é apropriado que, sobre um membro da mais alta Corte brasileira, seu filho e pessoas próximas, pairem tantas dúvidas acerca de vínculos com o ex-banqueiro e seus interesses no Judiciário. Várias mensagens extraídas do celular de Vorcaro pela Polícia Federal (PF) formam um acervo de episódios obscuros que aguardam elucidação.

A mais recente revelação mostra um contrato de advocacia com a "Turma do KN". Conforme a PF, as iniciais são uma referência a Kassio Nunes. A "turma" seriam Camila Ramos, sócia do escritório Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos, e seu marido, o desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). Previa o pagamento de R$ 427 milhões à banca em caso de êxito em ações sobre pagamentos de precatórios do setor sucroalcooleiro adquiridos pelo Master, que totalizavam R$ 8,5 bilhões. Ontem, o gabinete de Ramos foi alvo de uma operação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Ramos é amigo e foi juiz auxiliar de Nunes Marques quando o hoje ministro foi vice-presidente do TRF-1, de 2018 a 2020. Seis meses antes de o contrato ser firmado, Ramos votou a favor do Master em dois casos sobre precatórios do setor. Em 2024, na 2ª Turma do STF, Nunes Marques desempatou um processo que interessava à tese do Master. Votou após mudar de ideia, depois de declarar-se impedido. O resultado foi comemorado por Vorcaro, mostram mensagens de celular.

Há mais referências constrangedoras. Em uma delas, surge um pedido para o então banqueiro autorizar uma estadia com tarifa promocional para o ministro em um hotel. Em outra, há sugestão de pagamento de um possível encontro íntimo de Nunes Marques com uma mulher.

O jovem advogado Kevin Marques, filho do ministro, também aparece nas trocas de mensagens em situações mal explicadas. Em um diálogo com Vorcaro, um colaborador pergunta, sobre Kevin: "Esse aqui - 500 mil mês - mantém?". O filho de Nunes Marques parece ser um prodígio na profissão. Tem apenas 26 anos e foi aprovado no exame da OAB em 2024. Mesmo assim, em pouco tempo acumulou clientela de peso e patrimônio vultoso. Dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) apontam que, em 2025, iniciou o ano com R$ 5 milhões aplicados em fundos e, no segundo semestre, fez aporte de R$ 22 milhões.

No final de 2025, após a primeira prisão de Vorcaro, a defesa do Master tentou uma manobra para que o caso ficasse com Nunes Marques. Em favor do ministro, cumpre lembrar que, na 2ª Turma, neste ano, votou pela manutenção da prisão do ex-banqueiro.

É ingenuidade não vincular as revelações que embaraçam Nunes Marques à guerra de vazamentos entre alas do STF. Há interesse de Moraes e de seus aliados para o ministro seguir pressionado. Coagido, continuaria a declarar-se impedido de votar em casos como o que envolve Moraes e Vorcaro. Um acordo tácito pela garantia de que os enrolados com o Master não precisem dar satisfações nem ser investigados desonra ainda mais a Corte. O interesse do país é o de que toda conduta suspeita seja apurada. 

25 de Setembro de 2026
ECONOMIA

ECONOMIA

Reajuste no Bolsa Família impacta outras áreas - Economia

O governo do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), anunciou uma redução na projeção de recursos para Previdência Social, remuneração de servidores, Benefício de Prestação Continuada (BPC), subsídios e outras despesas para acomodar o reajuste do Bolsa Família.

O presidente Lula anunciou reajuste de 15% no Bolsa Família. O piso passará de R$ 600 para R$ 691, e a média, de R$ 675 para R$ 777, a partir de outubro. O impacto estimado é de R$ 5,8 bilhões em 2026 e R$ 22 bilhões em 2027.

Para bancar o aumento do benefício, o governo anunciou uma economia com outros recursos. Ontem, o Executivo apresentou o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do quarto bimestre do ano.

O congelamento de despesas para cumprir as regras fiscais diminuiu de R$ 17,9 bilhões para R$ 16,1 bilhões em 2026. A contenção é resultado de um bloqueio de R$ 2,4 bilhões e de um contingenciamento de R$ 13,6 bilhões. Até o momento, o governo havia bloqueado R$ 17,9 bilhões em despesas e não havia nenhum contingenciamento.

Benefícios previdenciários

Segundo o governo, em 2026 haverá uma economia de R$ 11,5 bilhões com benefícios previdenciários, R$ 4,1 bilhões com despesas de pessoal e encargos sociais, R$ 1,8 bilhão com BPC, R$ 1,1 bilhão com subsídios, subvenções e Proagro e R$ 100 milhões com outros gastos. Com isso, será possível acomodar o reajuste do Bolsa Família neste ano. Para 2027, o Executivo encaminhará mudanças no Orçamento ao Congresso Nacional.

Segundo o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, a redução de despesas não é um corte na Previdência Social, mas é uma estimativa de economia que vai reduzir o crescimento do gasto. 

25 de Setembro de 2026
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Tudo é possível na disputa pelo Senado

Pouca coisa mudou na pesquisa Quaest para o Senado entre o levantamento de 24 de agosto e o divulgado nesta quinta-feira, a 10 dias da eleição. Manuela D?Ávila (PSOL) é a única entre os candidatos ao Senado em situação relativamente confortável, pela combinação entre primeiro e segundo votos. Mas nem ela pode ser considerada eleita, dada a proximidade entre os cinco primeiros candidatos e o elevado número de indecisos e de eleitores dispostos a votar branco ou nulo ou até não votar.

Com margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos, Manuela é o primeiro voto de 18% dos entrevistados e o segundo de 9%. Como são duas vagas, essa combinação de números expressa melhor a intenção de voto do que o percentual de 14%, resultado da soma dos dois votos, divididos por dois, para chegar a 100%.

Marcel van Hattem (Novo) tem 16% como primeiro voto e 6% como segundo, o que lhe dá uma média de 11%, tecnicamente empatado com Paulo Pimenta (PT) e Ubiratan Sanderson (PL), ambos com 10%. Germano Rigotto (MDB) tem 9% e está no jogo.

Indecisos e desencantados podem virar o jogo

O elevado percentual de indecisos, somado ao dos que pretendem votar branco ou nulo, ou não estão pensando em votar, torna impossível fazer qualquer previsão segura de resultado. Historicamente, quando há duas cadeiras em disputa, os eleitores deixam para definir o segundo voto nos últimos dias. Boa parte chega diante da urna sem saber que precisa escolher dois nomes e acaba anulando a segunda opção.

Na Quaest, 25% dos entrevistados ainda não escolheram o candidato para a primeira vaga e 36% não definiram o segundo voto. O ponto de interrogação supera todos os candidatos. Há ainda 8% que pensam em não ir às urnas ou votar nulo ou branco na primeira vaga. Na segunda, esse índice sobe para 13%.

Somando-se as duas vagas, os indecisos representam 30% dos eleitores e os desencantados, 11%, mesmo com a campanha nas ruas, nas redes, no rádio e TV. Em agosto, eram 37%, mais 14% que a todos rejeitam. _

Na corrida presidencial, Flávio e Lula estão empatados na margem de erro

Na simulação de primeiro turno no Rio Grande do Sul, o senador Flávio Bolsonaro (PL) tem 35% das intenções de voto no primeiro turno e o presidente Lula (PT), 31%. Como a margem de erro é de três pontos para mais ou para menos, a situação se configura como de empate técnico. Flávio teria entre 32% e 38%. Lula, entre 28% e 34%.

Todos os demais candidatos juntos somam 10%, menos que os indecisos (16%) e pouco mais do que os 8% dispostos a votar nulo, branco ou não comparecer à sessão no dia 4.

No segundo turno, a vantagem de Flávio se amplia. Ele herda os votos de quase todos os candidatos e sobe para 46%, enquanto Lula passa de 31% para 35%.

Os indecisos no segundo turno são 7% e os que não pretendem votar ou pensam em anular ou digitar "branco" somam 12%. _

Leite é bem avaliado

A campanha de Gabriel Souza ajudou a melhorar a avaliação do governador Eduardo Leite. O índice de aprovação subiu de 42% para 52% em um mês e o de reprovação caiu de 45% para 38%. Já a aprovação do presidente Lula subiu de 38% para 40% e a desaprovação caiu de 55% para 54%. _

Indecisos embaralham eleição para governador

A pesquisa Quaest detectou um fenômeno incomum na eleição para governador do Rio Grande do Sul. Um quarto dos 900 entrevistados (25%) declarou ainda não saber em quem votar. Dos que já escolheram, 29% optaram por Luciano Zucco (PL) e 23% por Juliana Brizola (PDT). Gabriel Souza (MDB) foi mencionado por 10%. Há ainda 8% que não se empolgam com nenhum dos candidatos.

É curioso que, apesar da campanha intensa dos últimos 30 dias, todas as mudanças tenham ocorrido dentro da margem de erro de três pontos. Zucco subiu de 26% para 29%, Juliana se manteve em 23%, Gabriel passou de 9% para 10% e Marcelo Maranata (PSDB) passou de 2% para 3%.

No segundo turno, Zucco está à frente, mas 40% contra 34% de Juliana significa "empate no limite da margem de erro". No confronto direto com Gabriel, Zucco faz 42% e o vice-governador, 26%. Na disputa entre Juliana e Gabriel, ela tem 34% e ele, 27%.

A favor de Zucco pesa a baixa rejeição: 23% dos entrevistados disseram que conhecem o candidato do PL e não votariam nele. Já a rejeição de Juliana é de 35%, um ponto a menos do que os que a conhecem e votariam nela. Gabriel tem 20% de rejeição, ante 21% que o conhecem e votariam nele. _

Amizade com advogado pode ser pior do que voo no jatinho

Se não fossem os laços e os cifrões que unem Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro, seria possível acreditar que ele não tivesse a mais remota ideia de que o Legacy no qual viajou com a família, de Fort Lauderdale para Brasília em janeiro de 2025, era compartilhado pelo "amigo legítimo" Willer Tomaz com outros dois sócios. E que o dono de um terço do jatinho era ninguém menos que Vorcaro.

É verdade que o mundo dos muito ricos - aqueles que podem comprar ou dividir um jatinho - é muito pequeno. E que se o avião está no nome de uma pessoa jurídica, como saber que o dono da empresa seja justamente aquele banqueiro para quem você ali adiante vai pedir dinheiro para financiar um filme sobre a vida de seu pai?

É possível que ter viajado no mesmo avião que oito meses depois levaria o ministro Alexandre de Moraes e sua esposa para um compromisso no Rio de Janeiro seja um problema menor do que o álibi apresentado por Flávio para se defender.

Ocorre que Willer é investigado no escândalo do INSS por ligações com o senador Weverton Rocha, que aparece em fotos com ele e Flávio no mesmo safári. O advogado, que diz não conhecer Vorcaro, comprou do cunhado dele, Fabiano Zettel, um apartamento de luxo em uma das áreas mais nobres de São Paulo por R$ 2 milhões a menos do que pagara. Isso poucos dias antes de Zettel ser preso. _

POLÍTICA E PODER