Região da Campanha espera que Aeroporto de Bagé retome voos comerciais

Gabrieli SilvaRepórterEnquanto as capitais da Região Sul — Porto Alegre, Curitiba (PR) e Florianópolis (SC) — somaram mais de 18 milhões de passageiros em 2025, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) compilados pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), o Aeroporto Internacional Comandante Gustavo Kraemer, em Bagé, não registrou voos comerciais regulares na malha das companhias aéreas no ano passado.
O terminal da Campanha Gaúcha opera apenas com aviação geral, e não há companhias aéreas com operações regulares programadas. O complexo recebe voos particulares, operações de táxi-aéreo, missões aeromédicas e institucionais. Segundo a administradora do complexo, a Motiva Aeroportos, aeronaves sob demanda podem ser mobilizadas, mediante disponibilidade operacional, em prazo aproximado de uma hora, para deslocamentos a diferentes regiões do País.
Apesar da denominação oficial de Aeroporto Internacional Comandante Gustavo Kraemer, atualmente não há operações internacionais regulares em atividade.
Para a Secretaria de Turismo (Setur) local, comandada por Elidiane Lobato, a retomada da operação comercial é considerada estratégica para o desenvolvimento regional. “O governo municipal avalia o aeroporto como infraestrutura estratégica para Bagé e para a região da Campanha. A conectividade aérea é fundamental para fortalecer o turismo, integrar o território e posicionar o município como polo regional de serviços, eventos e negócios”, afirma.
Segundo a secretária, a localização geográfica e a proximidade com o Mercosul reforçam o potencial logístico do município. A gestão municipal também destaca a relação entre mobilidade aérea e cadeias produtivas locais.
A limitação operacional impacta principalmente setores ligados ao agronegócio, à produção de vinhos e azeites de oliva e ao ambiente universitário instalado na cidade. “As limitações atuais não cumprem o propósito da aviação regional, que é diminuir distâncias e otimizar o tempo de deslocamento de empresários, técnicos e profissionais ligados ao agronegócio e aos serviços”, afirma o vice-prefeito e secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Beto Alágia.
Bagé integra o Bloco Sul de concessões federais e está sob administração da Motiva (antiga CCR) desde março de 2022. Em 2025, a companhia anunciou a venda de 100% de sua plataforma de aeroportos — incluindo formalmente os terminais de Bagé, Pelotas e Uruguaiana — ao grupo mexicano ASUR (Grupo Aeroportuario del Sureste), em operação avaliada em R$ 11,5 bilhões. O valor informado corresponde à alienação integral da plataforma aeroportuária da empresa.
A transação está em análise pelos órgãos competentes, incluindo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e os órgãos de defesa da concorrência, além de depender de anuência do poder concedente federal, conforme previsto nos contratos de concessão. A conclusão está prevista para 2026. Até lá, a gestão permanece sob responsabilidade da Motiva, sem alteração nas obrigações contratuais ou na operação.
Ministério diz que conectividade regional acompanha crescimento da demanda da Região Sul
No âmbito federal, o Ministério de Portos e Aeroportos informou que a conectividade aérea regional no Rio Grande do Sul acompanha o crescimento da demanda registrado na Região Sul em 2025. Segundo o órgão, aeroportos como os de Pelotas, Bagé e Uruguaiana são considerados estratégicos no âmbito da política nacional de aviação regional por promoverem integração territorial e atenderem regiões de fronteira.
“O governo federal trabalha com diretrizes específicas para o fortalecimento de aeroportos regionais com menor densidade de passageiros. A política pública considera não apenas critérios comerciais, mas também a função social e estratégica dessas unidades”, informou o Ministério.
O MPor anunciou recentemente R$ 389 milhões em investimentos destinados à infraestrutura aeroportuária da Região Sul. O pacote integra uma carteira nacional superior a R$ 1,8 bilhão prevista para os próximos dois anos, com foco em segurança operacional, adequações de infraestrutura e fortalecimento da aviação regional. Bagé não está contemplado na etapa atual dos aportes anunciados.
Segundo a administração municipal, a ausência de voos comerciais regulares já impactou agendas empresariais e a realização de eventos, com deslocamento de atividades para municípios com conectividade ativa. “Conectividade e frequência de voos são indicadores observados por investidores, pois representam segurança logística e previsibilidade”, afirma Elidiane.
A prefeitura informa manter diálogo institucional com concessionária, companhias aéreas e demais entes governamentais para apresentar dados técnicos que evidenciem a demanda regional e buscar a ampliação da malha aérea.
Entre as estratégias locais estão a promoção de cadeias produtivas como vitivinicultura, produção de azeite de oliva e agronegócio, além do fortalecimento do turismo histórico e cultural da Campanha. A expectativa da gestão municipal é que a eventual retomada de voos comerciais possa ampliar a mobilidade regional e apoiar setores como hotelaria, comércio e eventos.
No cenário atual da aviação regional, o terminal de Bagé mantém infraestrutura disponível, porém fora da rede comercial ativa. A retomada de voos regulares permanece condicionada à decisão comercial das companhias aéreas e à consolidação de demanda que sustente a operação.



