segunda-feira, 31 de agosto de 2026

31 DE AGOSTO DE 2026
EM NOVA PETRÓPOLIS

EM NOVA PETRÓPOLIS

Rebeca e Anna se conheceram na adolescência, em Belém (PA), e transformaram a paixão pelos livros em projeto na Serra. A iniciativa reúne cenários inspirados em magia e romance. Além de local para ir comprar um livro, a ideia é ser um ponto de encontro para os leitores

A mais de 3 mil quilômetros do local onde se tornaram amigas há cerca de 16 anos, as duas se reencontraram na Serra como se as histórias tivessem sido escritas justamente para esse destino. Anna Júlia, natural do Rio de Janeiro, morava no estado fluminense e veio a Gramado passar a lua de mel em 2020. Na viagem, passou por Nova Petrópolis e, num ato definido como "loucura", comprou uma casa e se mudou com o esposo, Luiz Guilherme Prado. Rebeca morava em Antônio Prado com o marido, que passou em uma prova de residência médica em Nova Petrópolis.

No reencontro das amigas, mesmo estando há anos sem contato pessoalmente, os livros foram assunto. E a ideia de tornar o sonho de adolescentes em realidade ganhou força. Assim, nasceu o projeto da Livraria Romântica, em maio de 2026. O estabelecimento abriu as portas em julho e já tem conquistado o público leitor nas redes sociais pelos ambientes temáticos.

A livraria encanta pela riqueza de detalhes, todos pensados por fãs de livros para fãs de livros. São dois ambientes temáticos: o da fantasia e o de romance. As escolhas dos temas são, justamente, em função do gosto das donas.

- A gente sempre brincava que nós duas somos leitoras, mas parece que a gente nunca leu a mesma coisa. E isso é perfeito, porque tem coisas que eu nunca leria se não fosse a Rebeca para me indicar. Até para os clientes, porque, às vezes, chega uma pessoa que gosta mais de fantasia, e a Rebeca vai lá, ou então romance de época, aí é com a Anna Júlia - explica Anna.

Imersão no universo fantástico

A imersão se estende ao teto do ambiente. Forrado com um material que simula nuvens, a iluminação obedece ao comando de voz e da varinha mágica. Para acender, é preciso apontar a varinha e dizer o nome do feitiço Lumos. Para desligar a luz, o comando é Nox.

- Essa ideia veio dos nossos corações de leitoras. A gente queria que as pessoas se sentissem dentro de um livro. Temos easter eggs (mensagem secreta escondida de propósito) como os livros voando, a Nimbus 2000, o teto de velas... - conta Rebeca.

Logo ao lado, no ambiente dedicado ao romance, os tons de rosa tomam conta, com detalhes como uma mesa de chá, com bule e pãezinhos decorativos. Para instigar a nostalgia, há o setor dos romances de banca, livros curtos de capa mole e baixo custo, vendidos em bancas de jornal e famosos no Brasil nos anos 1960.

- A gente quer que a pessoa se sinta acolhida, num ambiente lúdico. Que chegasse aqui e ficasse com aquela sensação de quentinho no coração, de sentir que está na regência (universo onde se passa a história de Bridgerton), ou dentro de um livro da Jane Austen - orgulha-se Rebeca.

Além da ludicidade, a proposta das sócias é tornar o ambiente um local de acolhimento para a comunidade leitora. Conforme as sócias, é comum que mulheres adultas sejam julgadas pelos tipos de livros que leem, como histórias de fantasia.

- A gente quer propor um espaço que seja bem acolhedor e seguro. A gente quer que a pessoa seja uma adolescente de novo e se sinta respeitada - afirma Anna.

Cenário bucólico

- A gente mora aqui há seis anos e pensava "Nova Petrópolis é uma cidade tão linda, tão histórica", mas acaba sendo uma cidade de passagem, porque as pessoas querem ir só pra Gramado. Então, ver a evolução da livraria e as pessoas parando, todo mundo ganha, né? - observa Anna.

Mas para quem vai em busca de livros, os que mais têm saído são as edições de colecionador de sagas como O Senhor dos Anéis, Harry Potter e As Crônicas de Nárnia. Esse último universo, inclusive, é que vai ser tema de um novo espaço que está sendo montado na sala ao lado.

- Achávamos que os livros mais baratos sairiam mais. O que realmente mais sai são as edições de luxo. A gente percebe que a pessoa vem aqui e é como se ela quisesse viver uma experiência completa. Vim num lugar lúdico, então eu vou levar algo de recordação - explica Rebeca. _

Como chegar

A Livraria Romântica fica no centro de Nova Petrópolis, no Parque Aldeia do Imigrante. Para ter acesso ao espaço, é necessário comprar ingressos (R$ 38) - moradores de Nova Petrópolis não pagam ingresso.

Endereço: Avenida 15 de Novembro, 1.966 - Centro, Nova Petrópolis

Horário: de quarta-feira a domingo, das 10h às 17h

GABRIELA ALVES

31 de Agosto de 2026
OPINIÃO RBS

Compra Assistida, controle necessário

Uma reportagem publicada em GZH sob o selo do Grupo de Investigação (GDI) da RBS revela preocupantes suspeitas de irregularidades envolvendo a aquisição de imóveis para quem foi afetado pela enchente em Porto Alegre por meio do programa Compra Assistida. A apuração dos jornalistas Humberto Trezzi e Guilherme Milman descobriu que pairam desconfianças sobre um em cada 14 beneficiários do projeto destinado a garantir um novo teto a quem foi atingido pela intempérie.

Embora os 308 contratos com indícios de ilegalidade representem uma fatia minoritária em comparação aos 4,4 mil favorecidos, conforme indica a matéria veiculada na quarta-feira em GZH e na edição de Zero Hora do fim de semana, sinalizam a urgência de reforços nos mecanismos de controle de diferentes esferas de governo e a necessidade de melhorar o desenho e a integração das políticas públicas diante de futuras catástrofes.

Criado pelo governo federal em junho de 2024, na esteira do pior desastre climático do Estado, o programa prevê o repasse de imóveis avaliados em até R$ 200 mil. Pode ser beneficiado quem se enquadra nas faixas 1 ou 2 do Minha Casa Minha Vida (com renda de até R$ 4,7 mil mensais), teve a residência danificada pela cheia e mora em área de risco. Em contrapartida, os contemplados têm de deixar o antigo endereço e não podem vender ou alugar a nova casa.

Há evidências de que parte dos atendidos não seguiu alguma dessas normas, seja por falsear o cadastro ou usufruir de maneira imprópria do bem comprado com dinheiro público. Vale ressaltar que, em situações emergenciais, é fundamental que os governos atuem de forma ágil para amenizar o sofrimento da população. Essa presteza não pode ser confundida com o afrouxamento da fiscalização. O pior cenário é quando o atendimento aos necessitados é feito de forma morosa e, ainda assim, suscetível aos espertalhões que veem no infortúnio coletivo uma brecha para a conquista de vantagens individuais indevidas.

A prefeitura da Capital argumenta que a Caixa Econômica Federal demorou meses para liberar a lista de endereços de quem adquiriu imóvel por meio do programa. Ou seja, o município sabia quem havia sido contemplado, mas desconhecia o local escolhido para residir. Conforme a reportagem, isso dificultou o trabalho de verificar se as pessoas estavam de fato morando no imóvel destinado a elas ou haviam cedido, alugado ou vendido a residência.

Diante dessa situação, é crucial que os órgãos públicos sigam fiscalizando a execução do projeto, que os casos suspeitos sejam devidamente apurados - e os eventuais responsáveis, punidos - e, acima de tudo, que o episódio sirva de lição para o aprimoramento da aplicação de políticas sociais de moradia. Uma vez que os fenômenos climáticos severos tendem a ser cada vez mais frequentes, será preciso contar com projetos de realocação populacional céleres e confiáveis. A melhor forma de prevenir o mau uso de recursos públicos é integrar órgãos e níveis de governo e aprimorar o cruzamento de informações antes mesmo da concessão do benefício. 

31 de Agosto de 2026
CAMPO E LAVOURA - Carolina Pastl

A oportunidade para a safra de inverno

A transição energética ganha espaço entre os debates do terceiro dia da 49ª Expointer, hoje, no parque Assis Brasil, em Esteio, com iniciativas que aproximam o agronegócio (mais especificamente, a produção de inverno) do mercado de biocombustíveis. Enquanto o setor da canola vai discutir o uso do grão como matéria-prima para a produção de energia, a Be8 vai apresentar o seu investimento em Passo Fundo, superior a R$ 1,5 bilhão, para a produção etanol de cereais e demais produtos a partir do trigo.

No caso da canola, a discussão, que ganhou força durante o 4º Rally da Canola, em diferentes regiões do RS e do Paraná na última semana, será assunto do primeiro Campo em Debate da Casa RBS na feira, a partir das 10h, com mediação de Gisele Loeblein. A ideia será debater caminhos para a expansão da área cultivada, que já cresce, e mercados futuros.

Neste ano, a canola ocupa de 395 mil hectares no RS, segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Canola (Abrascanola). Mas um levantamento da Rede Técnica de Cooperativas (RTC), da CCGL, estima que o potencial é de que se possa chegar a 1,4 milhão de hectares. Atualmente, conforme a Abrascanola, o mercado de alimentos absorve o equivalente a 100 mil hectares de canola. Parte da produção restante pode ser destinada à fabricação de biocombustíveis ou à exportação.

A ideia, no caso da Be8, será fomentar o cultivo do trigo no Estado. A possibilidade de ampliar esses dois mercados, vale lembrar, também tem a ver com calendário agrícola do RS. Dos cerca de 9 milhões de hectares ocupados por culturas de verão, como a soja, menos de 2 milhões são utilizados no inverno, segundo a Abrascanola, com culturas como trigo e canola. _

Vitrine da carne

A carne de cordeiro ainda carrega uma fama que o setor considera coisa do passado: a de ter cheiro e sabor fortes. Para ajudar a mudar essa percepção, a proteína é uma das que está exposta na Vitrine da Carne Gaúcha até sábado, no parque Assis Brasil, em Esteio, durante a 49ª Expointer.

A apresentação, acompanhada por 40 pessoas, foi conduzida pelo chef Bruno Ivanoff em parceria com a Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco), Farsul, Celebra Gourmet e Escola de Gastronomia do Senac. _

Quando o campo encontra o mar

- Chegou o momento de surfar na onda (do brangus e da pecuária). Os próximos anos serão de mar bom. Não baixem a régua.

A frase do produtor, leiloeiro e surfista Pedro Bastos deu o tom de uma conversa diferente na 49ª Expointer. Ontem, durante o Dia do Brangus, pecuária e surfe dividiram o mesmo palco para discutir o futuro da carne e da própria raça, que tem, nesta edição, o maior número entre os bovinos de argola. O painel "Pecuária, carne e o Brangus na visão de agro-surfistas", promovido pela Associação Brasileira de Brangus, reuniu Eduardo Linhares da Silva, Ignácio Tellechea, Ignácio Weiller, Pedro Bastos e Rafael Linhares da Silva, com mediação de Roberto Grecellé, executivo-chefe da entidade.

Para Bastos, o produtor brasileiro deve aproveitar o momento:

- Os EUA estão com o menor rebanho da história, e a China retirou a cota. 

120 anos de angus no Brasil

Assim como a devon, a raça angus, originária da Escócia, completou 120 anos de história no Brasil. Foi em 1906, em Bagé, na Campanha, onde chegou ao país o primeiro touro angus de que se tem registro, Menelik, trazido do Uruguai pelo criador Leonardo Collares Sobrinho. De lá para cá, a raça ajudou a transformar a pecuária de corte brasileira e se tornou sinônimo de carne de qualidade. Na Expointer, uma homenagem marcou a data: a inauguração de uma placa comemorativa na casa da Associação Brasileira de Angus. _

O gaúcho Patric Luderitz foi eleito vice-presidente da Confederação Brasileira de Apicultura (CBA). Ele está como presidente em exercício da Federação Apícola e de Meliponicultura do Rio Grande do Sul (Fargs).

CAMPO E LAVOURA

31 de Agosto de 2026
INFORME ESPECIAL

Rafael Valim

Advogado brasileiro que integra a equipe de defesa da ex-presidente

"No caso Cristina, houve uma campanha difamatória"

A ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner contratou o brasileiro Rafael Valim para a sua equipe de advogados. Ele vai liderar a defesa em cortes internacionais. Cristina foi condenada no "Caso Vialidad".

Como você passou a integrar a equipe de defesa da ex-presidente Cristina Kirchner?

O núcleo próximo da Cristina me procurou e eu quis examinar o caso. Eu tinha, obviamente, uma impressão do que era, mas não conhecia tecnicamente. Fiquei convencido de que era uma causa boa a ser defendida.

A ONU pode alterar a decisão da Justiça argentina?

Essa é a grande incompreensão, não só na Argentina, mas como foi no Brasil na época do caso Lula. A primeira coisa que as pessoas estão questionando é que levar à ONU é uma ingerência no Poder Judiciário da Argentina. Agora, como que temos de entender isso? O sistema internacional de proteção dos Direitos Humanos integra as ordens internas por deliberação dos próprios Estados nacionais. 

No caso da Argentina, como resultado do processo de redemocratização, houve uma abertura muito grande do sistema constitucional aos Direitos Humanos. E esses tratados na Argentina têm status constitucional. A constituição estabelece que o pacto internacional de direitos civis e políticos e o protocolo facultativo são o que permite o acesso dos cidadãos à ONU. É o próprio sistema constitucional argentino que habilita esse questionamento, caso se configurem violações às garantias fundamentais.

Você trabalha a tese de lawfare. O que é isso?

É uma junção da palavra "law", direito, e "warfare", que é guerra. E essa é a concepção do Direito ser instrumentalizado como uma arma para destruir inimigos. Como sabemos, o Direito nasce na ideia de ser um instrumento de pacificação social. E ele pode ser desvirtuado para ser usado como uma arma de destruição. Eu digo que no lawfare é uma guerra muito mais perversa, porque ela é camuflada. Eu conceituo como o uso estratégico do Direito para fins de deslegitimar o inimigo.

Quais exemplos podemos citar de casos de lawfare?

Talvez um exemplo de (sala de) aula foi o caso Lula. Porque nós temos três dimensões na teoria: da geografia, do armamento e das externalidades. Da geografia é a escolha do órgão aplicador do Direito. Eu falo disso há alguns anos, que o Sergio Moro era um juiz incompetente. Depois tem o armamento, que é o uso, no caso aqui do lawfare, das normas e das leis que lhe são favoráveis. 

Ou, quando você não tem uma lei que é favorável, você cria estados de exceção, que foi também o que aconteceu no caso Lula. E depois nós temos as externalidades, que é o papel dos meios de comunicação, das redes sociais, para gerar e criar um ambiente de culpabilidade. Que torna mais fácil o ataque.

Quais pontos que vocês levarão à ONU para classificar o caso Cristina como lawfare?

Violação à imparcialidade. Nós demonstramos que não houve um tribunal independente que julgou Cristina. Houve manobras para escolher juízes. Houve violação à presunção de inocência. Como semelhança do caso Lula, no caso Cristina também houve uma maciça campanha difamatória e a criação de um ambiente de culpabilidade. Arguímos que de oito a 10 artigos do Pacto Internacional de Direitos Políticos foram violados. _

Colaborou Maria Clara Centeno

Maduro aparece em fotos na prisão

Os perfis de Nicolás Maduro no Telegram e no X publicaram fotos do ex-presidente da Venezuela na prisão. As imagens são datadas de 25 de junho.

"Envio estas fotos como um pequeno presente a todos os meus netos e netas, às crianças, e a toda a gente nobre que nos ama. Quero que saibam que estamos firmes", disse um trecho da mensagem divulgada. 

resiliência

A Granpal realizará, no dia 8, um seminário internacional para debater o crescimento econômico, governança metropolitana, atração de investimentos, competitividade, inovação e resiliência. O evento contará com a participação do Instituto Deltares, da Holanda, que realiza pesquisas sobre água, subsolo e infraestrutura.

INFORME ESPECIAL

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

28 de Agosto de 2026
OPINIÃO RBS

Os pontos fortes e fracos do RS

A edição de 2026 do Ranking de Competitividade dos Estados, divulgada ontem pelo Centro de Liderança Pública (CLP), demonstra que, a despeito das preocupações com o desempenho recente e com o futuro da economia gaúcha, o Rio Grande do Sul tem trunfos que podem ser a base para a retomada do dinamismo. O trabalho traz algumas boas novas e aponta em quais aspectos é preciso evoluir para alcançar níveis mais elevados de desenvolvimento econômico e social.

No ranking geral de competitividade, o RS aparece agora na quarta posição no Brasil, após três anos em quinto. É a melhor colocação na série histórica. Em anos anteriores, como 2016 e 2021, chegou a ser o nono. A liderança é de Santa Catarina, que ultrapassou São Paulo.

Os gaúchos permaneceram em primeiro no pilar inovação. O resultado nessa dimensão é puxado por indicadores como número de patentes e estrutura de apoio à inovação. É uma informação que demonstra o potencial de o ecossistema de criação de novos produtos, serviços, processos e tecnologias se firmar como um vetor de progresso para o RS. O Estado também lidera em eficiência da máquina pública, com destaque para o baixo custo do Executivo, do Legislativo e do Judiciário em relação ao PIB. No pilar segurança pública, passou de terceiro para segundo no país. Em sustentabilidade social, permanece em quarto. Em sustentabilidade ambiental, subiu cinco posições e agora é o quinto. Em capital humano, continuou em quarto.

Um dos temas que mais inquieta no Estado é a educação. O RS perdeu três colocações e caiu para nono lugar. Um dos aspectos que atrapalhou foi o desempenho no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2023. Como a performance melhorou em 2025, é possível que a posição gaúcha, à frente, melhore.

As principais fragilidades não são novidade. Em infraestrutura, o RS é o 16º. Qualidade das rodovias, custo e qualidade da energia e preços dos combustíveis puxam para baixo. A posição geográfica, no extremo sul do país, obriga que o aprimoramento da infraestrutura seja prioridade dos gaúchos. O Estado ainda levou um tombo de 12 posições no pilar potencial de mercado. Caiu para o 24º lugar, em função principalmente da deterioração da qualidade do crédito para as pessoas físicas.

A maior desvantagem do RS permanece sendo o quadro fiscal, dimensão em que o Estado está em penúltimo no país. A despeito das reformas realizadas nos últimos anos, ainda há um longo caminho para a situação das finanças ser considerada equilibrada. Contas desajustadas se traduzem em maior dificuldade para o poder público prover os investimentos necessários para alavancar o desenvolvimento e prestar serviços satisfatórios aos cidadãos.

Mas, entre pontos fortes e fracos, nota-se que, apesar dos desafios estruturais, o RS está entre os Estados mais competitivos do Brasil. Isso significa capacidade de gerar progresso e qualidade de vida para a população, produzir empreendedorismo, reter e atrair investimentos. Resta dar atenção especial às debilidades. O ranking do CLP é um bom guia para o novo governo e os deputados e senadores que serão eleitos em outubro. 

28 de Agosto de 2026
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Excesso de pesquisas confunde o eleitor

Com a proximidade da eleição, quase todos os dias pipoca nos meios de comunicação e nas redes sociais o resultado de uma pesquisa de intenção de voto para a Presidência da República, algumas com resultados contraditórios, ainda que convergentes em relação à perspectiva de segundo turno entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Em qual delas acreditar? Em geral, os simpatizantes de um candidato acreditam na que lhes convém - e os concorrentes badalam aquelas em que aparecem melhor na foto.

Sim, na foto. Porque mesmo sendo o maior clichê de uma corrida eleitoral, pesquisa é fotografia de um determinado momento da campanha. Fotografias tiradas no mesmo momento deveriam mostrar um cenário minimamente parecido, o que no universo das pesquisas é chamado de "margem de erro", em geral de dois ou três pontos percentuais para mais e para menos.

O que desnorteia o eleitor é ver que fotografias tiradas nos mesmos dias têm apresentado resultados díspares. Aqui entra um elemento pouco falado, mas que deveria ser informado ao eleitor em letras garrafais: como é feita a coleta de dados.

No passado, os pesquisadores batiam de porta em porta para entrevistar os eleitores selecionados de acordo com o perfil dos votantes, por sexo, cor, religião, escolaridade e faixa de renda. A insegurança fechou as portas das casas para os entrevistadores. Parte dos institutos começou a fazer pesquisas por telefone, usando o número fixo, para não errar no endereço. Com o fim do telefone fixo e a disseminação dos celulares, nova mudança, esta acompanhada de uma nova forma de fazer pesquisas, os questionários pela internet.

Necessidade de cautela

Todos os institutos sustentam que com essas novas metodologias é possível filtrar os questionários e reduzir a possibilidade de erro do trabalho robotizado. Será que é mesmo? As diferenças gritantes de resultados mostram que é preciso ter cautela antes de confiar cegamente no resultado de uma pesquisa.

Quando se comparam os índices de diferentes institutos, tem-se clareza de que é preciso relativizar os números. Porque mesmo admitindo-se que existe um "intervalo de confiança de 95%", há resultados inexplicáveis. _

Aliás

O que o cidadão pode fazer neste cenário de incerteza? Não dar importância exagerada às pesquisas. Porque o eleitor pode mudar de ideia, boa parte define o voto na última hora e intenção de voto é diferente de voto na urna. Ninguém deveria escolher seu candidato no primeiro turno com base em pesquisas. O sentido da eleição em dois turnos é o eleitor votar de acordo com a sua convicção no primeiro, sem se preocupar com quem vai ganhar.

Está com alguma dúvida sobre as eleições? Pergunta pra Rosane. Este é o novo quadro em vídeo da coluna em GZH que estreou para esclarecer as regras do pleito aos leitores. Conto com a sua participação em vídeo ou por escrito.

Marjorie Kauffmann deixa a Secretaria do Meio Ambiente

Marjorie Kauffmann deixou ontem o comando da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura. A exoneração a pedido foi anunciada pelo governador Eduardo Leite nas redes sociais, com a justificativa de que Marjorie "deixa a pasta para assumir novos desafios".

O novo desafio é o cargo de diretora-superintendente do Sebrae-RS. À coluna, Marjorie confirmou ter recebido convite do presidente do Sistema Fecomércio, Luiz Carlos Bohn, para concorrer à vaga aberta com a saída de Joel Vieira Dadda e completar o mandato dele, que só terminaria em 2027.

Como a eleição é na próxima segunda-feira, ela teve de antecipar a saída do governo porque precisa estar liberada para concorrer ao cargo. Trata-se de uma formalidade, porque a diretoria já está com o currículo e Marjorie deve ser aprovada por unanimidade.

- Saio com a sensação de dever cumprido - disse Marjorie. - Foram 2.742 dias (entre a Fepam e a Sema), em que conseguimos muitos avanços. Um deles, a subida no ranking de competitividade, graças à qualificação dos processos e à aceleração dos licenciamentos.

Marjorie será substituída por Isa Carla Osterkamp, que tem mestrado e doutorado em Ciências - Ambiente e Desenvolvimento, com MBA em ESG e Inovação e pós-graduação em Energias Renováveis. Isa já atuou como coordenadora da Assessoria Técnica da Sema e foi secretária-executiva do Programa Estadual de Hidrogênio Verde, além de ter desempenhado papel fundamental nas enchentes de 2023 e 2024. _

RS avança em ranking de competitividade

O Rio Grande do Sul passou para o quarto lugar entre as 27 unidades da federação no Ranking de Competitividade elaborado pelo Centro de Liderança Pública. Esse resultado garantiu ao Estado a conquista do Prêmio Excelência em Competitividade, com política voltada à retomada de microempreendedores atingidos pelas enchentes.

De acordo com o estudo, o RS subiu da quinta para a quarta colocação geral, consolidando trajetória de avanço iniciada nos últimos anos. Em 2021, o Rio Grande do Sul ocupava a nona posição no ranking nacional. O resultado foi divulgado ontem, durante evento na Casa Natura Musical, em São Paulo, que reuniu governadores, pesquisadores e representantes da administração pública.

O ranking reúne 68 indicadores distribuídos em 10 pilares que avaliam diferentes dimensões da capacidade dos Estados de promover desenvolvimento, qualidade dos serviços públicos e bem-estar da população. 

Lula virá ao Estado no próximo dia 11

Foi confirmada a nova data do comício do presidente Lula (PT) em Porto Alegre. Anteriormente previsto para hoje, o primeiro ato de campanha no RS do petista será no dia 11 de setembro. Inicialmente, a agenda incluía atividade hoje, mas a previsão de chuva levou ao adiamento. De acordo com a coordenação da campanha no Estado, a intenção é que o ato ocorra em local aberto, ainda não definido. _

Comício de Flávio será no Parcão

O local escolhido para o comício de Flávio Bolsonaro em Porto Alegre não poderia ser outro: o Parque Moinhos de Vento (Parcão), tradicional palco da direita.

O ato começa às 18h do dia 2 de setembro. No mesmo dia, Flávio deve visitar a Expointer e gravar vídeos de campanha. Para evitar impacto no trânsito, a ideia é realizar o comício no interior do Parcão, sem trancar a Avenida Goethe. _

POLÍTICA E PODER

28 de Agosto de 2026
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

É absurda a ideia de o Brasil ter bomba atômica

O candidato do Missão à Presidência, Renan Santos, defendeu, na entrevista à TV Globo, na quarta-feira, que o Brasil crie um programa nuclear voltado à eventual produção de armas atômicas. A ideia é estapafúrdia do ponto de vista estratégico, embora não seja nova - lembra o candidato Enéas, do Prona, nos anos 1980? - e volta e meia encontre respaldo entre parte dos militares.

Santos afirmou que armas nucleares ampliariam a soberania e o peso internacional do Brasil. Sem dúvida, mas a que custo?

O Brasil é signatário do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP) desde 1998, no qual assumiu compromisso perante o mundo de não desenvolver armas desse tipo. Começar um processo como esse significaria rasgar o acordo e se transformar em pária internacional, como o Irã e a Coreia do Norte.

Há ainda dois agravantes: o desenvolvimento de um arsenal do tipo colocaria o Brasil no alvo direto de uma intervenção dos Estados Unidos, potência hegemônica no continente. Nenhum dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU permitiria - nem a China. Sem falar que despertaria uma corrida nuclear na América do Sul e no Caribe, considerado um território de relativa paz. Reacenderia uma disputa geopolítica com a Argentina, já vista no passado.

Ao longo da sua história, o Brasil teve oportunidades de fazer parte desse seleto clube de países armados com a bomba A - mas nunca levou adiante, de forma concreta, os planos. A própria demora em assinar o TNP (aberto para assinatura em 1º de julho de 1968 e entrou em vigor em 5 de março de 1970) levou a desconfianças internacionais durante a ditadura militar.

Histórico

Nos anos 1970, o Brasil desenvolveu um programa nuclear para fins pacíficos, que contou com a assinatura de um acordo com a Alemanha, com transferência de nove centrais atômicas para o território nacional e todo o ciclo de produção do combustível nuclear.

São, hoje, conhecidos planos sigilosos da época, dentro da Aeronáutica, que buscou desenvolver explosivos usados para abrir poços de petróleo ou desviar rios. O objetivo, em tese, seria civil, mas a tecnologia também pode ter como objetivo um arsenal militar, o famoso "dual use" (uso dual), na linguagem estratégica. Que o diga a Índia, que, a partir de um programa pacífico, se tornou um dos mais novos atores nucleares do grupo diminuto de potências nucleares, que inclui ainda Paquistão, Coreia do Norte, Israel (embora não admita) e os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU - EUA, Reino Unido, França, China e Rússia.

Uma das evidências da existência desse programa secreto brasileiro eram túneis construídos na Serra do Cachimbo, no sul do Pará. Nunca ficou claro sobre o quão sério os militares brasileiros estavam empenhados em construir uma bomba atômica brasileira como parte desse projeto.

Em 1990, o então presidente Fernando Collor foi à Serra do Cachimbo e enterrou os poços construídos pela Aeronáutica. Dias depois, ele viajou para a Assembleia Geral da ONU e fez um discurso ressaltando as ambições pacíficas do projeto nuclear brasileiro.

De tempos em tempos, políticos ressuscitam discursos como o de Renan em busca de chamar atenção - em geral, conseguem. Além de todos os aspectos estratégicos contrários à ideia, há outro tão importante quanto: desenvolver um programa nuclear que leve ao enriquecimento de urânio para ter a bomba atômica é apenas um passo. Uma coisa é ter a bomba, a outra é dispor de condições para dispará-la. E tudo isso é muito caro, na casa dos bilhões. O Brasil tem problemas maiores e bem mais urgentes que exigem investimento. _

Rio Grande

do Sul na tela da "Times Square" de Xangai

Um vídeo com dados sobre os potenciais econômicos do RS foi exibido ontem na Century Plaza, uma das principais áreas comerciais da China, conhecida como a "Times Square" de Xangai.

A ação ocorreu durante a missão da Invest RS à China. A região, no entorno da Nanjing Road, é conhecida pelo movimento e forte presença de publicidade e grandes telas, que lembram a famosa área de Manhattan, em Nova York.

Nesta semana, a Invest RS oficializou o lançamento de uma representação em Xangai, com o objetivo de fortalecer o relacionamento institucional entre o Estado e parceiros chineses. _

Porto Alegre: capital mais competitiva

Porto Alegre está entre as três cidades mais competitivas do Brasil, segundo o Ranking de Competitividade dos Municípios de 2026, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP). A capital gaúcha avançou uma posição em relação ao ano anterior. O levantamento reúne indicadores que impactam a capacidade de desenvolvimento das cidades, considerando pilares como eficiência da máquina pública, capital humano, inovação, dinamismo econômico, saúde, educação, segurança, sustentabilidade e saneamento. _

Plano para a Defesa até 2050

O Ministério da Defesa instituiu, por meio de portaria publicada ontem no Diário Oficial, a criação do Grupo de Trabalho responsável por elaborar o Cenário Militar de Defesa 2028-2050. A iniciativa visa identificar ameaças, oportunidades e desafios geopolíticos que impactarão a segurança e a soberania do país nas próximas décadas. Entre as atribuições do grupo estão: identificar e aplicar instrumentos para mapear tendências e incertezas no setor; apresentar contextos, variáveis e atores cujas evoluções possam impactar a atuação das Forças Armadas; e utilizar ferramentas de prospectiva e redes de pesquisa em áreas de interesse da defesa nacional. 

Reflexões psicológicas sobre a enchente

Equilibrando ciência, história e uma abordagem psicológica da maior catástrofe climática do Rio Grande do Sul, a historiadora e psicoterapeuta Angélica Boff está lançando o livro A enchente que não acabou - O que a tragédia revela sobre nós (Carta Editora).

O trabalho traz uma abordagem até agora inédita: reflexões profundas sobre o durante e o depois do dilúvio gaúcho de 2024. Com escuta atenta, Angélica buscou ouvir 19 histórias de pessoas que viveram a tragédia.

O livro está em pré-venda, com valor promocional de R$ 50 (frete grátis) no site da editora. O lançamento deve ser em outubro, em data ainda a ser definida. _

INFORME ESPECIAL

28 de Agosto de 2026
MARCO MATOS

O entrevistado fui eu

Vim aqui contar uma história que aconteceu comigo nas últimas semanas e como um bate-papo despretensioso se transformou em algo surpreendente, capaz de ajudar a curar algumas feridas profundas da percepção que tenho de mim mesmo.

Sou acostumado a olhar para o outro. Fui treinado para entrevistar, para encontrar na história alheia pontos que possam interessar ao grande público. Faço isso todos os dias há quase 15 anos, desde que me formei em Jornalismo. Aprendi a escutar, a observar e, muitas vezes, a fazer as perguntas. Raramente sou eu quem precisa respondê-las.

O causo que quero compartilhar hoje com vocês é sobre a minha participação no podcast do Luciano Potter, o Potter Entrevista (que, aliás, está disponível no YouTube. Vai lá assistir!).

Primeiro, deixa eu explicar quem é o Potter para mim. É o cara que eu escuto desde a adolescência, nos tempos da Rádio Atlântida, do início do Pretinho Básico e de programas de TV como o Patrola. Uma referência para qualquer guri da minha idade. Eu tenho 35 anos; ele, 47. Embora eu trabalhe na TV há bastante tempo, poucas vezes encontrei o Potter na empresa.

Durante muito tempo associei o Potter ao bom humor, aos papos leves e descontraídos. Por isso, quando cheguei para a gravação, imaginei uma conversa nessa linha. Bastaram os primeiros minutos para perceber que seria diferente. Ele tinha estudado sobre a minha vida e parecia genuinamente interessado em conhecer partes da minha personalidade que costumo guardar para mim.

Me senti confortável para falar. Falei, inclusive, coisas que até então só tinham aparecido na terapia. Dei opinião sobre como percebo o preconceito hoje em dia, contei sobre escolhas que mudaram o rumo da minha vida e também toquei no ponto mais delicado da minha memória: o bullying que sofri na escola por ser gay.

Ao sair dali, fiquei pensando em como a gente carrega determinadas dores por anos, às vezes décadas, sem perceber o peso que elas ainda exercem sobre nós. A conversa me lembrou da importância de verbalizar aquilo que nos incomoda e de como, muitas vezes, processamos melhor os sentimentos quando ouvimos a nós mesmos dizendo as coisas em voz alta.

Em certo momento, até corrigi uma colocação dele sobre "opção" sexual e tive a oportunidade de explicar que sexualidade não é uma escolha. Potter ouviu, reconheceu o ponto e fez o que um grande comunicador deve fazer: me deixou confortável.

Talvez essa tenha sido a grande surpresa daquela tarde. Não a entrevista em si, mas a sensação de ter sido escutado de verdade.

Ainda ganhei uma carona pra voltar pra casa e uma chuva de comentários positivos e mensagens de apoio nas minhas redes.

Como é bom conversar. 

MARCO MATOS

28 de Agosto de 2026
OPINIÃO RBS

Os pontos fortes e fracos do RS

A edição de 2026 do Ranking de Competitividade dos Estados, divulgada ontem pelo Centro de Liderança Pública (CLP), demonstra que, a despeito das preocupações com o desempenho recente e com o futuro da economia gaúcha, o Rio Grande do Sul tem trunfos que podem ser a base para a retomada do dinamismo. O trabalho traz algumas boas novas e aponta em quais aspectos é preciso evoluir para alcançar níveis mais elevados de desenvolvimento econômico e social.

No ranking geral de competitividade, o RS aparece agora na quarta posição no Brasil, após três anos em quinto. É a melhor colocação na série histórica. Em anos anteriores, como 2016 e 2021, chegou a ser o nono. A liderança é de Santa Catarina, que ultrapassou São Paulo.

Os gaúchos permaneceram em primeiro no pilar inovação. O resultado nessa dimensão é puxado por indicadores como número de patentes e estrutura de apoio à inovação. É uma informação que demonstra o potencial de o ecossistema de criação de novos produtos, serviços, processos e tecnologias se firmar como um vetor de progresso para o RS. O Estado também lidera em eficiência da máquina pública, com destaque para o baixo custo do Executivo, do Legislativo e do Judiciário em relação ao PIB. No pilar segurança pública, passou de terceiro para segundo no país. Em sustentabilidade social, permanece em quarto. Em sustentabilidade ambiental, subiu cinco posições e agora é o quinto. Em capital humano, continuou em quarto.

Um dos temas que mais inquieta no Estado é a educação. O RS perdeu três colocações e caiu para nono lugar. Um dos aspectos que atrapalhou foi o desempenho no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2023. Como a performance melhorou em 2025, é possível que a posição gaúcha, à frente, melhore.

As principais fragilidades não são novidade. Em infraestrutura, o RS é o 16º. Qualidade das rodovias, custo e qualidade da energia e preços dos combustíveis puxam para baixo. A posição geográfica, no extremo sul do país, obriga que o aprimoramento da infraestrutura seja prioridade dos gaúchos. O Estado ainda levou um tombo de 12 posições no pilar potencial de mercado. Caiu para o 24º lugar, em função principalmente da deterioração da qualidade do crédito para as pessoas físicas.

A maior desvantagem do RS permanece sendo o quadro fiscal, dimensão em que o Estado está em penúltimo no país. A despeito das reformas realizadas nos últimos anos, ainda há um longo caminho para a situação das finanças ser considerada equilibrada. Contas desajustadas se traduzem em maior dificuldade para o poder público prover os investimentos necessários para alavancar o desenvolvimento e prestar serviços satisfatórios aos cidadãos.

Mas, entre pontos fortes e fracos, nota-se que, apesar dos desafios estruturais, o RS está entre os Estados mais competitivos do Brasil. Isso significa capacidade de gerar progresso e qualidade de vida para a população, produzir empreendedorismo, reter e atrair investimentos. Resta dar atenção especial às debilidades. O ranking do CLP é um bom guia para o novo governo e os deputados e senadores que serão eleitos em outubro. 

28 de Agosto de 2026
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Excesso de pesquisas confunde o eleitor

Com a proximidade da eleição, quase todos os dias pipoca nos meios de comunicação e nas redes sociais o resultado de uma pesquisa de intenção de voto para a Presidência da República, algumas com resultados contraditórios, ainda que convergentes em relação à perspectiva de segundo turno entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Em qual delas acreditar? Em geral, os simpatizantes de um candidato acreditam na que lhes convém - e os concorrentes badalam aquelas em que aparecem melhor na foto.

Sim, na foto. Porque mesmo sendo o maior clichê de uma corrida eleitoral, pesquisa é fotografia de um determinado momento da campanha. Fotografias tiradas no mesmo momento deveriam mostrar um cenário minimamente parecido, o que no universo das pesquisas é chamado de "margem de erro", em geral de dois ou três pontos percentuais para mais e para menos.

O que desnorteia o eleitor é ver que fotografias tiradas nos mesmos dias têm apresentado resultados díspares. Aqui entra um elemento pouco falado, mas que deveria ser informado ao eleitor em letras garrafais: como é feita a coleta de dados.

No passado, os pesquisadores batiam de porta em porta para entrevistar os eleitores selecionados de acordo com o perfil dos votantes, por sexo, cor, religião, escolaridade e faixa de renda. A insegurança fechou as portas das casas para os entrevistadores. Parte dos institutos começou a fazer pesquisas por telefone, usando o número fixo, para não errar no endereço. Com o fim do telefone fixo e a disseminação dos celulares, nova mudança, esta acompanhada de uma nova forma de fazer pesquisas, os questionários pela internet.

Necessidade de cautela

Todos os institutos sustentam que com essas novas metodologias é possível filtrar os questionários e reduzir a possibilidade de erro do trabalho robotizado. Será que é mesmo? As diferenças gritantes de resultados mostram que é preciso ter cautela antes de confiar cegamente no resultado de uma pesquisa.

Quando se comparam os índices de diferentes institutos, tem-se clareza de que é preciso relativizar os números. Porque mesmo admitindo-se que existe um "intervalo de confiança de 95%", há resultados inexplicáveis. _

Aliás

O que o cidadão pode fazer neste cenário de incerteza? Não dar importância exagerada às pesquisas. Porque o eleitor pode mudar de ideia, boa parte define o voto na última hora e intenção de voto é diferente de voto na urna. Ninguém deveria escolher seu candidato no primeiro turno com base em pesquisas. O sentido da eleição em dois turnos é o eleitor votar de acordo com a sua convicção no primeiro, sem se preocupar com quem vai ganhar.

Está com alguma dúvida sobre as eleições? Pergunta pra Rosane. Este é o novo quadro em vídeo da coluna em GZH que estreou para esclarecer as regras do pleito aos leitores. Conto com a sua participação em vídeo ou por escrito.

Marjorie Kauffmann deixa a Secretaria do Meio Ambiente

Marjorie Kauffmann deixou ontem o comando da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura. A exoneração a pedido foi anunciada pelo governador Eduardo Leite nas redes sociais, com a justificativa de que Marjorie "deixa a pasta para assumir novos desafios".

O novo desafio é o cargo de diretora-superintendente do Sebrae-RS. À coluna, Marjorie confirmou ter recebido convite do presidente do Sistema Fecomércio, Luiz Carlos Bohn, para concorrer à vaga aberta com a saída de Joel Vieira Dadda e completar o mandato dele, que só terminaria em 2027.

Como a eleição é na próxima segunda-feira, ela teve de antecipar a saída do governo porque precisa estar liberada para concorrer ao cargo. Trata-se de uma formalidade, porque a diretoria já está com o currículo e Marjorie deve ser aprovada por unanimidade.

- Saio com a sensação de dever cumprido - disse Marjorie. - Foram 2.742 dias (entre a Fepam e a Sema), em que conseguimos muitos avanços. Um deles, a subida no ranking de competitividade, graças à qualificação dos processos e à aceleração dos licenciamentos.

Marjorie será substituída por Isa Carla Osterkamp, que tem mestrado e doutorado em Ciências - Ambiente e Desenvolvimento, com MBA em ESG e Inovação e pós-graduação em Energias Renováveis. Isa já atuou como coordenadora da Assessoria Técnica da Sema e foi secretária-executiva do Programa Estadual de Hidrogênio Verde, além de ter desempenhado papel fundamental nas enchentes de 2023 e 2024. _

RS avança em ranking de competitividade

O Rio Grande do Sul passou para o quarto lugar entre as 27 unidades da federação no Ranking de Competitividade elaborado pelo Centro de Liderança Pública. Esse resultado garantiu ao Estado a conquista do Prêmio Excelência em Competitividade, com política voltada à retomada de microempreendedores atingidos pelas enchentes.

De acordo com o estudo, o RS subiu da quinta para a quarta colocação geral, consolidando trajetória de avanço iniciada nos últimos anos. Em 2021, o Rio Grande do Sul ocupava a nona posição no ranking nacional. O resultado foi divulgado ontem, durante evento na Casa Natura Musical, em São Paulo, que reuniu governadores, pesquisadores e representantes da administração pública.

O ranking reúne 68 indicadores distribuídos em 10 pilares que avaliam diferentes dimensões da capacidade dos Estados de promover desenvolvimento, qualidade dos serviços públicos e bem-estar da população. 

Lula virá ao Estado no próximo dia 11

Foi confirmada a nova data do comício do presidente Lula (PT) em Porto Alegre. Anteriormente previsto para hoje, o primeiro ato de campanha no RS do petista será no dia 11 de setembro. Inicialmente, a agenda incluía atividade hoje, mas a previsão de chuva levou ao adiamento. De acordo com a coordenação da campanha no Estado, a intenção é que o ato ocorra em local aberto, ainda não definido. _

Comício de Flávio será no Parcão

O local escolhido para o comício de Flávio Bolsonaro em Porto Alegre não poderia ser outro: o Parque Moinhos de Vento (Parcão), tradicional palco da direita.

O ato começa às 18h do dia 2 de setembro. No mesmo dia, Flávio deve visitar a Expointer e gravar vídeos de campanha. Para evitar impacto no trânsito, a ideia é realizar o comício no interior do Parcão, sem trancar a Avenida Goethe. _

POLÍTICA E PODER

28 de Agosto de 2026
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

É absurda a ideia de o Brasil ter bomba atômica

O candidato do Missão à Presidência, Renan Santos, defendeu, na entrevista à TV Globo, na quarta-feira, que o Brasil crie um programa nuclear voltado à eventual produção de armas atômicas. A ideia é estapafúrdia do ponto de vista estratégico, embora não seja nova - lembra o candidato Enéas, do Prona, nos anos 1980? - e volta e meia encontre respaldo entre parte dos militares.

Santos afirmou que armas nucleares ampliariam a soberania e o peso internacional do Brasil. Sem dúvida, mas a que custo?

O Brasil é signatário do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP) desde 1998, no qual assumiu compromisso perante o mundo de não desenvolver armas desse tipo. Começar um processo como esse significaria rasgar o acordo e se transformar em pária internacional, como o Irã e a Coreia do Norte.

Há ainda dois agravantes: o desenvolvimento de um arsenal do tipo colocaria o Brasil no alvo direto de uma intervenção dos Estados Unidos, potência hegemônica no continente. Nenhum dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU permitiria - nem a China. Sem falar que despertaria uma corrida nuclear na América do Sul e no Caribe, considerado um território de relativa paz. Reacenderia uma disputa geopolítica com a Argentina, já vista no passado.

Ao longo da sua história, o Brasil teve oportunidades de fazer parte desse seleto clube de países armados com a bomba A - mas nunca levou adiante, de forma concreta, os planos. A própria demora em assinar o TNP (aberto para assinatura em 1º de julho de 1968 e entrou em vigor em 5 de março de 1970) levou a desconfianças internacionais durante a ditadura militar.

Histórico

Nos anos 1970, o Brasil desenvolveu um programa nuclear para fins pacíficos, que contou com a assinatura de um acordo com a Alemanha, com transferência de nove centrais atômicas para o território nacional e todo o ciclo de produção do combustível nuclear.

São, hoje, conhecidos planos sigilosos da época, dentro da Aeronáutica, que buscou desenvolver explosivos usados para abrir poços de petróleo ou desviar rios. O objetivo, em tese, seria civil, mas a tecnologia também pode ter como objetivo um arsenal militar, o famoso "dual use" (uso dual), na linguagem estratégica. Que o diga a Índia, que, a partir de um programa pacífico, se tornou um dos mais novos atores nucleares do grupo diminuto de potências nucleares, que inclui ainda Paquistão, Coreia do Norte, Israel (embora não admita) e os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU - EUA, Reino Unido, França, China e Rússia.

Uma das evidências da existência desse programa secreto brasileiro eram túneis construídos na Serra do Cachimbo, no sul do Pará. Nunca ficou claro sobre o quão sério os militares brasileiros estavam empenhados em construir uma bomba atômica brasileira como parte desse projeto.

Em 1990, o então presidente Fernando Collor foi à Serra do Cachimbo e enterrou os poços construídos pela Aeronáutica. Dias depois, ele viajou para a Assembleia Geral da ONU e fez um discurso ressaltando as ambições pacíficas do projeto nuclear brasileiro.

De tempos em tempos, políticos ressuscitam discursos como o de Renan em busca de chamar atenção - em geral, conseguem. Além de todos os aspectos estratégicos contrários à ideia, há outro tão importante quanto: desenvolver um programa nuclear que leve ao enriquecimento de urânio para ter a bomba atômica é apenas um passo. Uma coisa é ter a bomba, a outra é dispor de condições para dispará-la. E tudo isso é muito caro, na casa dos bilhões. O Brasil tem problemas maiores e bem mais urgentes que exigem investimento. _

Rio Grande

do Sul na tela da "Times Square" de Xangai

Um vídeo com dados sobre os potenciais econômicos do RS foi exibido ontem na Century Plaza, uma das principais áreas comerciais da China, conhecida como a "Times Square" de Xangai.

A ação ocorreu durante a missão da Invest RS à China. A região, no entorno da Nanjing Road, é conhecida pelo movimento e forte presença de publicidade e grandes telas, que lembram a famosa área de Manhattan, em Nova York.

Nesta semana, a Invest RS oficializou o lançamento de uma representação em Xangai, com o objetivo de fortalecer o relacionamento institucional entre o Estado e parceiros chineses. _

Porto Alegre: capital mais competitiva

Porto Alegre está entre as três cidades mais competitivas do Brasil, segundo o Ranking de Competitividade dos Municípios de 2026, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP). A capital gaúcha avançou uma posição em relação ao ano anterior. O levantamento reúne indicadores que impactam a capacidade de desenvolvimento das cidades, considerando pilares como eficiência da máquina pública, capital humano, inovação, dinamismo econômico, saúde, educação, segurança, sustentabilidade e saneamento. _

Plano para a Defesa até 2050

O Ministério da Defesa instituiu, por meio de portaria publicada ontem no Diário Oficial, a criação do Grupo de Trabalho responsável por elaborar o Cenário Militar de Defesa 2028-2050. A iniciativa visa identificar ameaças, oportunidades e desafios geopolíticos que impactarão a segurança e a soberania do país nas próximas décadas. Entre as atribuições do grupo estão: identificar e aplicar instrumentos para mapear tendências e incertezas no setor; apresentar contextos, variáveis e atores cujas evoluções possam impactar a atuação das Forças Armadas; e utilizar ferramentas de prospectiva e redes de pesquisa em áreas de interesse da defesa nacional. 

Reflexões psicológicas sobre a enchente

Equilibrando ciência, história e uma abordagem psicológica da maior catástrofe climática do Rio Grande do Sul, a historiadora e psicoterapeuta Angélica Boff está lançando o livro A enchente que não acabou - O que a tragédia revela sobre nós (Carta Editora).

O trabalho traz uma abordagem até agora inédita: reflexões profundas sobre o durante e o depois do dilúvio gaúcho de 2024. Com escuta atenta, Angélica buscou ouvir 19 histórias de pessoas que viveram a tragédia.

O livro está em pré-venda, com valor promocional de R$ 50 (frete grátis) no site da editora. O lançamento deve ser em outubro, em data ainda a ser definida. _

INFORME ESPECIAL

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

OPINIÃO RBS

Nova oportunidade para o diálogo

Diante do recrudescimento das tensões entre EUA e Brasil nas últimas semanas, é bem-vinda a perspectiva de retomada do diálogo entre os dois governos sobre comércio. A oportunidade para uma nova rodada de negociações surgiu após a conversa por telefone, na sexta-feira, entre os presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva. Em seguida, o representante comercial norte-americano, Jamieson Greer, contatou o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. Eles terão uma reunião virtual na segunda-feira para avançar em temas técnicos relacionados às tarifas adicionais impostas pela Casa Branca sobre produtos industriais brasileiros no mês passado.

Um progresso efetivo em busca da superação do impasse depende da existência de disposição real de transigir de lado a lado e de reconhecimento pelos EUA, em alguma medida, de que a agressão tarifária contra o Brasil é descabida e contraproducente. Embora o histórico das tratativas entre os dois governos recomende certa cautela quanto a resultados, aguarda-se que desta vez a volta à mesa de negociações produza resultados concretos. Ao Brasil, cabe definir em quais pontos é possível maleabilidade e aqueles que não estão em questão.

Ainda assim, decisões imediatas não devem ser esperadas. Um objetivo plausível, adiante, é elevar a lista de exceções aos mais recentes tarifaços contra o Brasil, em julho. Primeiro, foi aplicada uma taxa de 25% sobre cerca de 4 mil produtos, após uma investigação comercial sobre supostas práticas desleais. Depois, o país recebeu uma nova oneração de 12,5% pela acusação de falhas na fiscalização da importação de bens produzidos sob trabalho forçado.

A hostilidade norte-americana atinge em cheio o Rio Grande do Sul, pouco contemplado com o rol de exceções. Itens relevantes da pauta de exportação, como fumo e calçados, sofrem punição dupla, de 37,5%. O Estado já perdeu um volume significativo de negócios desde a primeira ofensiva comercial da Casa Branca, no ano passado. De agosto de 2025 ao último mês, os embarques do Rio Grande do Sul para os EUA foram US$ 561,4 milhões menores em relação ao montante vendido nos 12 meses anteriores à adoção das primeiras sobretaxas. A queda de 29,1% corresponde a mais de R$ 2,8 bilhões.

A conversa entre Trump e Lula foi descrita pelo Planalto como cordial. A despeito das diferenças políticas dos dois governos, os presidentes conseguem manter uma relação pessoal respeitosa. A postura de maior agressividade contra o Brasil parte de figuras como o secretário de Estado, Marco Rubio, mais atento às questões ideológicas da América Latina.

Será preciso aguardar para verificar se a orientação de Trump para o diálogo se traduzirá em atitudes nesse sentido por parte de seus subordinados. Lula também terá de modular o tom no uso da retórica da soberania nos discursos eleitorais. Mas é inequívoco que negociar, desde que esse propósito seja sincero dos dois lados da mesa, pode produzir melhores resultados do que revidar ou recorrer à engessada Organização Mundial do Comércio (OMC). É provável, no entanto, que avanços concretos ocorram apenas após a eleição brasileira, seja qual for o resultado do pleito.  

27 de Agosto de 2026
EM FOCO

EM FOCO

O crescimento do uso de ferramentas digitais na política levou o Tribunal Superior Eleitoral a discutir critérios mais claros para conteúdos manipulados. A proposta em análise diferencia produções claramente fantasiosas de materiais com aparência de fato real. Se adotada, poderá orientar julgamentos futuros

Mendonça propõe critérios para definir deepfake nas eleições

O ministro André Mendonça, vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), propôs uma tese para estabelecer critérios objetivos que indiquem quando conteúdos produzidos ou alterados por inteligência artificial (IA) devem ser classificados como deepfake e proibidos durante as eleições. Para o ministro, o simples uso de IA não é suficiente para caracterizar uma irregularidade. É necessário que a manipulação tenha grau de realismo capaz de fazer o material parecer um registro verdadeiro.

A proposta foi apresentada em uma decisão individual na terça-feira e ainda será submetida ao plenário do TSE. A expectativa é de que o tema não entre na sessão presencial de hoje, já que a pauta está definida, e que a análise ocorra no plenário virtual. Caso algum ministro peça destaque, porém, a discussão poderá ser transferida para uma sessão no Tribunal.

Se aprovada, a tese poderá orientar juízes eleitorais e tribunais regionais na análise de casos envolvendo inteligência artificial durante a campanha de 2026. Mendonça justificou a iniciativa em razão da possibilidade de aumento expressivo de processos relacionados ao uso de IA nas eleições. Segundo ele, a definição de parâmetros comuns é necessária para ampliar a segurança jurídica e evitar decisões divergentes.

Ação do PL

Mendonça apresentou a tese ao analisar uma ação apresentada pelo candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) contra o perfil @forabolsonaronacional, no Instagram. A conta publicou, em 11 de agosto, um vídeo produzido com IA no qual imagens de Flávio Bolsonaro aparecem inseridas em situações que não ocorreram. Na gravação, um intérprete fala em primeira pessoa como se fosse o banqueiro Daniel Vorcaro e associa o senador a um suposto acordo financeiro e ao esquema conhecido como "rachadinhas".

Mendonça determinou que o perfil responsável pela publicação e a Meta retirem o conteúdo do ar no prazo de 24 horas, sob pena de multa diária, além de impedir novas reproduções. A plataforma também precisou apresentar os dados cadastrais capazes de identificar o titular da conta e manter preservados os registros e metadados relacionados às publicações.

Após a decisão do caso envolvendo Flávio Bolsonaro, Mendonça propôs uma distinção entre o conteúdo factual e a mera conjectura como um dos parâmetros para avaliar se uma produção feita ou manipulada por IA ultrapassa os limites estabelecidos pela legislação eleitoral e pode ser classificada como deepfake.

Distinção

A proposta estabelece uma distinção entre conteúdos sintéticos, que podem ser utilizados sob determinadas condições, e deepfakes, submetidos a uma proibição mais rígida quando empregados para favorecer ou prejudicar uma candidatura.

Na avaliação de Mendonça, deve ser considerado deepfake o conteúdo que alcance um nível de realismo ou verossimilhança capaz de ser confundido com um registro real, dentro do seu contexto de divulgação. Se a natureza artificial ou fantasiosa estiver evidente, a produção não deve ser enquadrada como deepfake apenas por ter utilizado IA.

A interpretação, na prática, abre espaço para diferenciar manipulações realistas de memes, caricaturas, animações e outras produções assumidamente fantasiosas. Para o ministro, classificar automaticamente como deepfake todo conteúdo produzido ou alterado por IA esvaziaria a própria distinção prevista nas regras eleitorais entre materiais sintéticos permitidos, desde que devidamente identificados, e aqueles cuja utilização é vedada.

Outro ponto destacado por Mendonça é que não seria necessário provar que um eleitor efetivamente foi enganado pelo conteúdo. _

Uso de IA ainda divide parte dos ministros

O uso de deepfake é atualmente proibido pelo TSE e já tem uma definição que consta em resolução aprovada em março para o pleito de 2026, a despeito da proposta de Mendonça. Segundo o documento, "é proibido o uso, para prejudicar ou para favorecer candidatura, de conteúdo sintético em formato de áudio, vídeo ou combinação de ambos, que tenha sido gerado ou manipulado digitalmente, ainda que mediante autorização, para criar, substituir ou alterar imagem ou voz de pessoa viva, falecida ou fictícia (deepfake)".

Foi com base nisso que o PT entrou com uma ação que questiona a utilização de um vídeo com imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro criado por IA que foi apresentado em convenção do PL que apresentou Flávio Bolsonaro como candidato à presidência. O fato fez ganhar força entre os ministros do TSE a preocupação com o uso de IA, seus limites e sanções na campanha eleitoral. Na semana passada, estiveram reunidos a portas fechadas para tratar sobre o tema, mas ainda não foi marcada uma data para o julgamento.

Restrição mais ampla

O texto da resolução, entretanto, é mais brando quanto ao uso de IA de forma geral, ressaltando que sua utilização "para criar, substituir, omitir, mesclar ou alterar a velocidade ou sobrepor imagens ou sons impõe ao responsável pela propaganda o dever de informar, de modo explícito, destacado e acessível que o conteúdo foi fabricado ou manipulado e a tecnologia utilizada". A defesa da campanha de Flávio tem se apoiado nisso, justificando que o conteúdo com Jair Bolsonaro foi rotulado como IA.

Uma das preocupações que agora dividem os ministros é o excesso de judicialização, o que levaria uma parte deles a defender uma restrição mais ampla da utilização. _

Painel com candidatos ao Piratini marca abertura da Casa RBS na Expointer

Um dia antes do início da feira, a Casa RBS abre as portas na Expointer recebendo um painel temático sobre agronegócio com participação de candidatos ao governo do Estado amanhã. Mediado pela comunicadora Rosane de Oliveira, o bate-papo com Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT), Luciano Zucco (PL) e Marcelo Maranata (PSDB) será transmitido ao vivo no YouTube de GZH a partir das 10h.

O evento, fechado para convidados, terá plateia composta por autoridades, líderes e representantes do agronegócio. Reafirmando o processo de escuta ativa da sociedade e dando visibilidade a pautas prioritárias para o desenvolvimento do Estado, entidades previamente selecionadas de diferentes setores do agro farão perguntas aos candidatos.

A agenda do Grupo RBS na 49ª Expointer conta com ampla cobertura editorial, transmissão de programas e eventos institucionais, como a tradicional cerimônia do Troféu Guri. Durante a feira, serão realizadas 12 edições do Campo em Debate, que propõem discussões sobre temas relevantes para o agronegócio.