sábado, 18 de abril de 2026

Dando voz aos mortos, uma última vez

entrevista com o cadáver

entrevista com o cadáver

EDITORA OBJETIVA/DIVULGAÇÃO/JC
Jaime CimentiEntrevista com o cadáver ( Objetiva, 192 p. , R$ 64.90, tradução de Julia da Rosa Simões) de Philippe Boxho, consagradíssimo médico-legista , escritor e professor da Universidade de Liège é a sua obra mais recente. Philippe nasceu em 1966, em Liège, Bélgica e desde 2023 conquistou grande sucesso com seus livros envolvendo autópsias, histórias e fatos surpreendentes. Seu primeiro livro Os mortos também falam foi publicado pela Objetiva em 2025.
Entre o bisturi e os tribunais, depois de décadas de bem-sucedida carreira, Philippe diz: “Prefiro rir da morte antes que, um dia, ela ria de mim “. Com linguagem bem-humorada o autor fala de assassinatos que parecem acidentes e de acidentes que , na verdade, são assassinatos. Esse novo livro não é a mera continuação do primeiro, que foi imenso sucesso.
Philippe nos mostra que uma sala de autópsia como a dele não precisa ser fria e triste e que lá pode existir muita vida e descobertas cruciais. Tratando de vida e morte, dando voz aos mortos pela última vez, o autor também fala de grandes mistérios forenses como a morte do Rei Alberto I, da Bélgica, definida como acidente. Philippe faz uma autópsia de Jesus Cristo, na qual examina detalhadamente a crucificação.
Sem deixar de fora o lado literário de seus relatos, o autor reafirma o tamanho da responsabilidade dos profissionais da ciência forense, na medida em que as informações que analisam são capazes de mudar destinos, inocentar ou culpar réus e modificar vidas inteiras. “O essencial é não errar nem ir além do que se pode afirmar com segurança”, diz o autor das histórias que ao mesmo tempo que são macabras, são escritas  com leveza, verdade, comicidade e rigor científico.
Como se vê, o autor gosta de descobrir pistas e indícios, reunir tudo que lhe permita dar voz aos mortos uma última vez e ouvir o que eles têm a dizer, ou seja, colocar os mortos a falar. Trinta anos de carreira , Philippe tem muito a contar e sabe muito bem como fazer isso.

Lançamentos

Nas entrelinhas do pensamento (Edição do Autor) do Dr. Fernando Pitrez, consagrado médico, escritor e professor universitário, é uma homenagem aos familiares e amigos do Alto da Bronze que com ele conviveram e convivem. Lançamento 13/4, 18-20h, Centro Histórico e Cultural da Santa Casa. Exemplares serão distribuídos gratuitamente.
Viver & Ser Feliz (AGE, 272 p.) do ilustre e experiente advogado, jornalista, escritor e homem público Edson Pereira Neves, apresenta inspiradores textos que ressaltam que toda vida humana precisa ter um significado. Para viver e ser feliz, não basta apenas existirmos e, ajudando alguém, o maior beneficiado seremos nós mesmos. Edson generosamente divide suas leituras, suas reflexões e sua vasta vivência com os leitores.
Malária ( Tinta-da-China Brasil, 169 p., R$ 79,90) romance de estreia da premiada escritora alemã Carmen Stephan, é uma contagiante história de vida e morte iniciada na Amazônia narrada por um mosquito. O texto, em perspectiva não antropocêntrica, une maestria da construção ficcional, beleza da divulgação científica e a potência das narrativas autobiográficas.

Um psiquiatra para o Brasil no divã

Desde a Carta do Caminha, certidão de nascimento do Brasil, na qual ele pedia uma força ao Rei para liberar o genro que cumpria pena de banimento na África, passando pelos escândalos de sempre e chegando aos dos últimos minutos, sempre com altos índices de crescimento  e por outras escabrosas histórias coloniais, imperiais e republicanas envolvendo doideiras, roubalheiras, interesses públicos nas privadas e cenas hiper-surrealistas de nosso amado Sanatório Geral, para o qual o saudoso Tim Maia foi nomeado Síndico, a gente sempre soube que é melhor e mais fácil gostar e amar o Brasil do que entendê-lo. Entender esse País complexo e maravilhoso que é o Brasil, definitivamente, nunca foi para amadores. Tomara que segunda que vem o País comece a virar Nação. Será que se tivesse sido mantida a monarquia não seria mais barata a coisa pública e não estaríamos melhor? Divãgações, divãngações, mas no mundo atual onde tem monarquia em geral a coisa tá bem.
Esse lero inicial aí, nem tão nariz de cera, é para falar da novidade patropi-psi do momento : temos um candidato psiquiatra a Presidente da República. Já tivemos no comando do País do Futuro militares, advogados ( a maioria), médico, engenheiro, professores, sociólogo, economista, metalúrgico e até um ministro presidente do STF, José Linhares, foi nosso presidente por três meses, Outubro de 1945 a janeiro de 1946, na transição Estado Novo/Redemocratização.
O Avante anunciou domingo passado o famoso escritor, professor e psiquiatra Augusto Cury como pré-candidato à Presidência da República. Cury tem dezenas de livros publicados com grande sucesso, em mais de 90 países. No Brasil consta que já vendeu mais de 25 milhões de livros. Ele defende saúde mental, educação de qualidade e formação de líderes. A novidade gerou expectativa no contexto eleitoral. Numa palestra aqui na capital eu perguntei para o Sérgio Paulo Rouanet o que ele achava de um psiquiatra na presidência. Ele disse que a alternativa era inusitada, mas de pensar.
Se eleito Cury, autor da Teoria da Inteligência Multifocal e que não é exatamente freudiano , seguindo linha própria, além das inevitáveis escolhas políticas e econômicas, certamente poderia e deveria ajudar , com elementos de psicologia e filosofia, no controle da ansiedade, gestão das emoções, pensamento crítico e qualidade de vida mental. Está todo mundo mais nervoso que gato em dia de faxina. Cury é acessível, eficiente, simples e todo mundo entende. Os críticos dizem que ele não é muito científico, que é simples demais e tal.
Quem sabe um psiquiatra presidente possa coordenar uma grande terapia nacional de grupo , onde a gente encontre uma saída que não seja o aeroporto , o Uruguai, Miami ou o florescente, seguro e estável Paraguai. Pensando bem ,um freudiano ortodoxo para remoer nosso passado e nossas inconsciências não é o caso.  Quem sabe Cury foque e nos foque no presente e no futuro. Quem sabe seremos nossos próprios coaches desbravando territórios, ações e poderes até então desconhecidos e ilimitados?
a propósito
Quero dar minha humilde contribuição. Se o Dr. Cury for presidente ou mesmo indicado para um ministério, se outro candidato ganhar, sugiro a criação de um Ministério da Corrupção. Cury poderia criar o grupo Corruptos Anônimos, para que os doentes crônicos corruptos pudessem se ajudar, se curar do mal terrível  e nos ajudar e ao país. Poderia ser criado um Museu da Corrupção, tipo o maravilhoso Museu Vasa de Estocolmo, Suécia, atração número um, que mostra tudo o que políticos e população jamais devem fazer. Bom, vou ficando por aqui. Se o Dr. Cury for eleito, pedirei ajuda, que estou meio estressado com tudo o que está aí. Se não for, também pedirei ajuda.
(Jaime Cimenti)

 Investimento em geração distribuída no RS foi de R$ 1 bilhão em 2025

No País, desembolso foi de aproximadamente R$ 22,3 bilhões

No País, desembolso foi de aproximadamente R$ 22,3 bilhões

BLUE SOL ENERGIA SOLAR/DIVULGAÇÃO/JC
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Jefferson Klein
Jefferson KleinRepórter
A mais recente atualização do Painel de Dados de Micro e Minigeração Distribuída (PDGD) da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) indica que esse tipo de produção de energia representou um aporte de cerca de R$ 1 bilhão no Rio Grande do Sul no ano passado. A prática consiste na geração elétrica feita pelo próprio consumidor e é muito difundida no Estado e no País por meio da instalação de painéis solares fotovoltaicos.
Apesar do número expressivo, o desembolso é o menor desde o ano de 2019, quando foram aplicados nesse segmento, no Estado, R$ 754 milhões. No Brasil, o investimento nessa área, em 2025, foi na ordem de R$ 22,3 bilhões (o mais baixo desde 2021). Questões como mudanças regulatórias, barateamento da tecnologia e consolidação do setor influenciaram o desempenho.
No acumulado, enquanto o Rio Grande do Sul fechou o ano passado com 3,6 mil MW de capacidade de geração distribuída e cerca de 389 mil sistemas instalados, o País registrou 45 mil MW e quase 4 milhões de sistemas. A título de comparação, a potência instalada de energia elétrica de todas as usinas de energia gaúchas é hoje da ordem de 10 mil MW, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Para o futuro, a coordenadora estadual da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) e diretora da Solled Energia, Mara Schwengber, comenta que, mesmo que haja alguns obstáculos para o desenvolvimento do setor que não havia no passado, como é o caso da preocupação com a inversão de fluxo (quando há mais geração que consumo em determinada região), há fatores que devem continuar mantendo a geração distribuída competitiva. Ela cita o encarecimento do custo no ambiente de mercado livre (em que o cliente pode escolher de quem comprar a energia) como um dos motivos que está fazendo os consumidores a apostarem em uma produção própria de eletricidade.
De acordo com a integrante da Absolar, a indústria e comércios de maior porte, que até então olhavam a atratividade do mercado livre e pensavam que não valia a pena fazer o investimento em energia solar, já começam a avaliar uma resposta paralela. Outro ponto destacado por Mara é que as baterias, que podem ser aproveitadas de forma conjunta com os sistemas fotovoltaicos, estão ingressando com força no mercado.
Ela argumenta que entre as razões para isso ocorrer está o fato de as baterias tratarem “várias dores” dos consumidores. “Evita a necessidade de investimentos em infraestrutura, como um eventual aumento de uma subestação, e resolve o problema do risco de falta de energia”, comenta Mara.
Para uma residência que tem uma conta de luz de cerca de R$ 500,00 por mês, a diretora da Solled Energia calcula que a instalação de apenas um sistema de geração distribuída sairia a um custo de cerca de R$ 15 mil. Com a bateria incluída, a estimativa é de um valor final de R$ 25 mil.
CEO da SunnyHub, Guilherme Corrêa, acrescenta que o custo das baterias caiu em torno de 75%, nos últimos dez anos. Ele ressalta que os carros elétricos vêm ganhando escala de produção e isso tem reduzido o preço da tecnologia das baterias de lítio. “É um mercado crescente, inclusive no Brasil”, frisa Corrêa.
O executivo considera que o futuro da geração distribuída será ancorado nos sistemas híbridos, com painéis fotovoltaicos e baterias. No momento, ele argumenta que o principal motivo que os usuários estão investindo em soluções de armazenamento é a segurança de ter um backup, em caso de queda da energia da distribuidora.
Corrêa salienta que condomínios, quando falta energia, ficam expostos quanto à segurança devido à inoperância de dispositivos como, por exemplo, os portões eletrônicos. Outro elemento que pode impulsionar essa solução, aponta o CEO da SunnyHub, são clientes que têm a conta de luz atrelada à tarifa horo-sazonal, que varia o valor da energia conforme o horário de ponta de consumo. Esses usuários podem utilizar a bateria nos momentos em que a eletricidade proveniente da concessionária estiver mais cara.

Carreta de exames de imagem chega a Porto Alegre e estima reduzir em 10% a fila de 15 mil pessoas na cidade

Carreta do programa "Agora tem Especialistas" deve atender 70 pessoas por dia

REPRODUÇÃO/CRISTINE ROCHOL/PMPA/JC
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Jamil Aiquel
Jamil AiquelRepórter
Nesta sexta-feira (17), Porto Alegre iniciou a operação de uma unidade móvel equipada para a realização de exames de tomografia, focada em pacientes que já aguardam encaminhamento na rede pública de saúde. O grande destaque da iniciativa é a promessa de mitigar um problema reprimida do município. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, cerca de 15 mil pessoas se encontram na fila do Sistema Único de Saúde (SUS) à espera de exames de tomografia. Estima-se que a ação consiga diminuir em 10% a fila atual.
A carreta está instalada no pátio da sede 2 da Secretaria Municipal de Saúde, localizada na avenida Erico Verissimo, n° 100, em frente ao Ginásio Tesourinha. Com capacidade para realizar 70 procedimentos por dia, a unidade vai operar de segunda a sábado, com cada exame durando em média 10 minutos.
Durante o lançamento, o secretário municipal de Saúde, Fernando Ritter, ressaltou a importância da estrutura para acelerar diagnósticos e iniciar tratamentos de forma precoce.
"Nós temos uma fila de aproximadamente 15 mil pessoas aqui em Porto Alegre. Isso aqui vai dar um fôlego. São 35 exames de manhã, 35 de tarde durante 30 dias, incluindo sábados. São em torno de 1.700 exames que serão ofertados. Então vai poder fazer uma redução aí em 30 dias de 10% da fila, o que para nós é extremamente importante", celebrou o secretário.
O atendimento na unidade móvel não ocorre por livre demanda. Os pacientes, que já estão cadastrados no sistema de gerenciamento de consultas, são avisados pelo WhatsApp sobre a data e o horário do exame, que é integrado diretamente ao prontuário eletrônico.
Apoio do programa "Agora Tem Especialistas"
A carreta faz parte do programa federal "Agora Tem Especialistas", que visa ampliar o acesso a atendimentos especializados e encurtar o tempo de espera no SUS.
O secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Felipe Proenço de Oliveira, esteve presente no ato de lançamento e explicou o impacto da estratégia nacional:
"É uma grande iniciativa para usar o máximo da capacidade da rede pública e privada, para diminuir o tempo de espera, para oferecer um cuidado qualificado, um bom atendimento para a população. Uma das modalidades é a oferta de carretas, tanto para o atendimento de saúde das mulheres, para a área de oftalmologia e também para diminuir o tempo de espera para realização de exames", explicou o secretário federal.
A carreta faz parte do programa federal "Agora Tem Especialistas", que visa ampliar o acesso a atendimentos especializados | JAMIL AIQUEL/ESPECIAL/JC
A carreta faz parte do programa federal "Agora Tem Especialistas", que visa ampliar o acesso a atendimentos especializadosJAMIL AIQUEL/ESPECIAL/JC
Cronograma de atendimentos
Na primeira semana de funcionamento, entre os dias 17 e 25 de abril, a carreta atenderá exclusivamente os pacientes de Porto Alegre. Após esse período inicial, a estrutura passará a absorver também as demandas de outros municípios da Região Metropolitana, permanecendo na capital gaúcha por cerca de um mês no total.
A unidade é uma das 64 carretas que estão em operação pelo Brasil e que já percorreram cerca de 150 regiões de saúde, que têm como objetivo levar diagnósticos mais ágeis para áreas com alta demanda.