terça-feira, 1 de setembro de 2026

01 de Setembro de 2026
CARPINEJAR

Uma trilha sonora diferente.

Quem se forma conta com o direito de escolher uma música de sua preferência, que ocupará o fundo sonoro para a entrega do capelo e do diploma e para os cumprimentos da Reitoria.

A melodia e a letra ocupam o lugar do discurso e dos ideais; produzem o efeito contagiante de transmitir uma mensagem, de realizar um protesto, de marcar a noite com um grito de insubordinação ou de ovação.

Vale tudo: hinos de clubes, gospel, samba, rock, MPB, pagode. É aquilo que faz a cabeça do universitário que dedicou anos ao estudo de uma área, embalando a gravação de seu ponto de partida profissional.

Unicamente os oradores se pronunciam pela turma no microfone. Então, cada um se expressa pelo seu hit favorito. Uma formanda da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em 8/8, inovou na escolha da trilha para o instante em que seu nome fosse anunciado na colação de grau.

Não sei como ninguém pensou nisso, mas Manoela, 23 anos, natural de Tupanciretã, alcançou um insight da mais pura sensibilidade e gratidão. Com seu gesto, mudou a tradição para sempre.

Em vez de optar por uma canção famosa, reuniu áudios de WhatsApp de seus familiares. As palavras cotidianas, cheias de sotaque e do calor do cuidado, ditas espontaneamente e enviadas no dia a dia, ilustraram a jornada de Manoela para receber o canudo de Zootecnia.

"Mimosa do vovô" "Coisa mais linda" "O coração não cabe no peito" O timbre não deixa de ser a mais íntima fotografia, porque devolve a presença: contém respiração, humor, carinho.

Transformou a rotina mais banal no acervo de sua conquista. Há quem acelere as conversas em 1,5x ou 2x; a jovem imortalizou-as na lentidão inesquecível da saudade, contemplando a retaguarda do vestibular, das avaliações, do cansaço, do medo de reprovação, do estágio, das contas, das viagens diárias, das madrugadas sem dormir.

Na seleta, reuniu seis vozes de seu repertório de apoio. A montagem começa com sua mãe e, em seguida, traz as falas do pai, das avós, do avô paterno e do irmão.

Um dos trechos mais marcantes e pessoais é da avó Fátima: "vem dormir uma noite aqui para coçar tuas costas". - Desde a minha infância, ela coça as minhas costas. É o nosso código de visita. Tenho um apego a esse ato de proteção - explica Manoela.

As palmas e os assobios da plateia foram substituídos pelo silêncio da comoção. Lágrimas selaram os rostos, pois o que era para ser um momento exclusivo de uma só aluna serviu para todos.

Antes de uma profissão, Manoela já tinha uma torcida. Ela não subiu sozinha ao palco. Levou consigo os apelos que a ajudaram a chegar até ali: os degraus da sua motivação. Incluiu implicitamente, no seu documento afetivo, as caronas, os telefonemas, o dinheirinho para os livros, a comida pronta, o incentivo, as preocupações, o "como foi a prova?", o "vai dar certo".

Nenhum artista seria capaz de traduzir melhor quem ela é do que aqueles que a chamam pelo apelido.

Ela aplaudiu a família sem esperar pelo próprio aplauso. Por fim, encontrou um jeito de diplomar a família inteira junto. Ao atingir seu destino, reverenciou sua origem. Nossas raízes são nossas asas. _

CARPINEJAR

 

01 de Setembro de 2026
OPINIÃO RBS

Açodamento eleitoreiro

O esforço concentrado do Congresso nesta semana, com uma série de sessões e votações sobre temas relevantes e de interesse do governo, prevê para amanhã a apreciação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6x1 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Ávido pelos ganhos eleitorais prometidos pela pauta, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pressiona para que o texto seja votado ainda nesta semana pelo plenário da Casa. A matéria foi aprovada em maio pela Câmara. O relator no Senado, Omar Aziz (PSD-AM), manteve o mesmo conteúdo e rejeitou emendas para evitar a possibilidade de a PEC ter de ser reanalisada pelos deputados federais.

Apesar do propósito meritório, a redução da jornada de trabalho, da forma como está indicada na PEC, pode ter um impacto significativo na economia e na saúde de empresas intensivas em mão de obra. Trata-se de um tema que, pelas repercussões na competitividade e na sustentabilidade financeira das companhias, deveria ser discutido com mais cautela, com base em evidências, amplo diálogo com todas as partes interessadas e análise aprofundada das peculiaridades setoriais.

O que está proposto é que, no calor eleitoral, o Senado, a Casa revisora da República, apenas carimbe o texto aprovado na Câmara. O açodamento avilta o processo legislativo e impede uma discussão responsável, imprescindível para uma matéria de tamanha importância. O racional seria retomar o debate após o pleito de outubro, evitando-se a tendência natural do período de aprovar bondades sem medir as consequências.

A PEC propõe reduzir a carga horária máxima de trabalho semanal de 44 para 40 horas, sem redução de salário. Também garante dois dias de repouso remunerado, sendo um deles preferencialmente aos domingos. O período de transição previsto é de 14 meses, considerado curto por diversos setores.

É fundada a reivindicação de trabalhadores por mais tempo para a convivência com a família, para o lazer e para a qualificação, com reflexos na qualidade de vida e na aquisição de conhecimento e competências. O perigo está em apressar esse passo, ignorando-se as condições necessárias para ser uma mudança sustentável. No Brasil, o custo de empregar está entre os mais elevados do mundo e a produtividade do trabalho não cresce de forma aceitável há décadas, ao contrário de outros países onde as jornadas foram reduzidas. A discussão sobre uma menor carga laboral deveria ser acompanhada pela busca por formas de reduzir encargos e de elevar a produtividade.

O risco, portanto, é o de um grande número de empresas não conseguir absorver esses custos. Uma saída será repassar gastos adicionais com mão de obra ao consumidor, provocando inflação. Não se descarta também o aumento da informalidade como reflexo. Outras empresas - e as vagas que geram - poderão ficar inviabilizadas pela pressão extra, em meio a um ambiente de alto endividamento e de sufoco provocado pelo juro extorsivo, cenário que já tem levado a uma onda de recuperações judiciais. O momento exigiria maior responsabilidade e contenção do ímpeto eleitoreiro. 

OPINIÃO RBS


01 de Setembro de 2026
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Como se explica a ascensão de Cury

Com a ressalva de que pesquisas precisam ser analisadas com cautela, especialmente neste ano em que novas formas de coleta de dados estão sendo usadas, é preciso reconhecer que há uma novidade no cenário eleitoral. É a ascensão do médico, escritor e palestrante Augusto Cury, do minúsculo Avante, um partido de escassa capilaridade no Brasil. Divulgadas ontem, as pesquisas AtlasIntel e BTG/Nexus mostram que Cury produziu um pequeno furo na bolha da polarização.

Antes de AtlasIntel e BTG/Nexus detectarem o crescimento de Cury nas intenções de voto, seu nome começou a aparecer em diferentes bolhas da internet - de empresários a jovens que se perguntavam "quem é esse cara do qual está todo mundo falando?". Todo mundo é um exagero, naturalmente, mas na semana passada Cury foi quem mais ganhou seguidores no Instagram, atrás apenas do perfil da cantora country Dolly Parton, que morreu no dia 25 de agosto.

O que dizem as pesquisas? A do BTG/Nexus coloca Cury com 11% das intenções de voto, salto de nove pontos em relação ao levantamento anterior. Na mesma sondagem, o presidente Lula caiu de 41% para 39% (dentro da margem de erro) e Flávio Bolsonaro perdeu quatro pontos (de 37% para 33%). Ronaldo Caiado (PSD) se manteve nos 5%, assim como Renan Santos (Missão) em 3%. Romeu Zema caiu de 3% para 1% e o resto ficou abaixo de 1%.

Na AtlasIntel, Lula tem 43,4%, Flávio, 33,7%, e Cury subiu para o terceiro lugar com 7,8%, empatado com Renan (7,6%). Caiado e Zema ficaram para trás.

Como explicar a ascensão de Cury? Não dá para atribuir à entrevista ao Jornal Nacional, feita na noite de sábado, quando a maioria das entrevistas já tinha sido feita. Mais provável que quedas de Lula e Flávio tenham relação com a entrevista.

A audiência do debate da Band (baixa) também é insuficiente para explicar o salto, se ele realmente ocorreu. A hipótese mais provável é subjetiva: parte dos brasileiros incomodados com a polarização entre Lula e Flávio encontrou um outsider para chamar de seu.

Mestre na autoajuda

Cury vive da palavra. É mestre na autoajuda. Natural, portanto, que consiga encantar plateias desencantadas com a política, mesmo que suas propostas sejam superficiais e, em alguns casos, flertem com a fantasia, como se viu no Jornal Nacional.

Falta pouco mais de um mês para a eleição. Lula e Flávio vão continuar se atacando - e o presidente sendo atacado por todos. As duas campanhas terão de encontrar uma estratégia para lidar com Cury, levando em conta a tradição de uma parte significativa do eleitorado brasileiro de votar no improvável, desde que diga o que ele quer ouvir. Foi assim com Fernando Collor em 1989 e com Jair Bolsonaro em 2018. _

Compromisso firmado com agendas ligadas às mulheres

No último dia de agosto, mês usado para conscientização e combate da violência doméstica, um trio de mulheres firmou 15 compromissos com os candidatos Gabriel Souza (MDB) e Ernani Polo (PSD). Valéria Leopoldino, primeira-dama de Porto Alegre e uma das coordenadoras da campanha, Talise Tiecher e Alessandra Polo - esposas de Gabriel e Polo - comandaram o ato ontem, no comitê central da campanha.

Junto de representantes das 59 candidatas da coligação, sendo 30 que concorrem a deputada estadual e 29 a federal, as mulheres apresentaram um documento que sintetiza ações voltadas ao eleitorado feminino em diversos setores.

O texto, assinado por todas elas, reforça medidas que integram o plano de governo da chapa, ligadas ao mercado de trabalho, qualificação profissional, independência econômica, saúde, proteção e acolhimento às vítimas de violência doméstica.

O movimento é uma tentativa de aproximar a chapa majoritária emedebista das mulheres, já que não inclui mulheres concorrendo. A ideia é fazer com que as candidatas a deputada divulguem as propostas do plano de governo de Gabriel para combate aos feminicídios e proteção das mulheres, além de incentivar as candidaturas femininas. _

Teste de popularidade

A visita de Augusto Cury à Expointer, em Esteio, hoje, será um teste de popularidade para quem deu um salto nas pesquisas. Cury chegou a anunciar que iria à Expointer ontem, mas acabou mudando a agenda e limitando as atividades do dia a um comício em Cachoeirinha, cidade administrada pelo Avante. Cury chega ao parque Assis Brasil pouco depois das 10h. 

Dono de várias fazendas, o candidato vai disputar a simpatia dos produtores gaúchos com o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, que tem agenda confirmada para o dia seguinte. _

Prevenção ao feminicídio

Há um Espaço Lilás no Pavilhão da Agricultura Familiar da Expointer. Mais do que uma área física, é um espaço de reflexão sobre violência de gênero e orientação para as mulheres se prevenirem de relacionamentos abusivos. A iniciativa é da Secretaria da Mulher, em trabalho conjunto com a Emater e a Secretaria de Desenvolvimento Rural. Todos os dias, a partir das 10h, começa uma roda de conversa sobre prevenção e enfrentamento da violência de gênero. Com duração de uma hora e meia, os encontros abertos a quem quiser participar têm formato participativo, com dinâmicas de grupo, reflexão coletiva e orientação sobre a rede de proteção. _

Marjorie assume cargo no Sebrae-RS

Com o voto das 14 entidades que participaram da reunião do conselho, ontem, pelo Sistema Fecomércio-RS, a engenheira florestal Marjorie Kauffmann foi eleita por unanimidade nova diretora superintendente do Sebrae-RS, cargo que ocupará até meados de 2027. Ela completará o mandato de Joel Vieira Dadda e, depois, passará por nova eleição para continuar. Marjorie deixou a Secretaria do Meio Ambiente na semana passada. 

POLÍTICA E PODER

01 de Setembro de 2026
EM FOCO

Em foco

Rio Grande do Sul é o quinto com mais reclamações no país no período de 15 dias de campanha oficial. Até agora, foram 640. Nesse ritmo, volume poderá igualar quantidade constatada no pleito de 2022. Tipo de infração mais comum é nas vias públicas, seguida de abuso na internet

De olho na propaganda eleitoral irregular

Humberto Trezzi

A campanha eleitoral começou oficialmente em 16 de agosto. Ao longo dessas duas semanas, a Justiça Eleitoral já recebeu 640 queixas de propaganda irregular no Rio Grande do Sul. Ao ritmo atual, o volume de suspeitas apontadas pode igualar o de 2022, último pleito de alcance federal, quando foram registradas 3.053 denúncias nos dois meses anteriores à eleição. O levantamento é do aplicativo Pardal.

Trata-se da ferramenta de recebimento de denúncias desenvolvida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O canal foi criado para ações rápidas que façam cessar a irregularidade, explica o coordenador de assessoramento eleitoral do Ministério Público do Rio Grande do Sul, promotor de Justiça Rodrigo López Zilio.

- A ideia é que a denúncia parta do cidadão comum, para que o juiz tome uma medida de caráter administrativo, fazendo cessar a ilegalidade. Ela não tem contraditório, apenas manda parar o ilícito - explica Zilio.

A punição mais comum é a retirada imediata da propaganda. Existe um outro tipo de denúncia, menos frequente e mais elaborada, que se chama representação. É uma ação (geralmente, impetrada pelo MP), com direito a contraditório e ampla defesa, ajuizada e que pode resultar em multa de R$ 5 mil a R$ 25 mil. Em casos graves e de reiteração, pode levar à cassação do registro do candidato ou do eleito (se já diplomado).

Inteligência artificial

A legislação proíbe propagandas em bens públicos e de uso comum (inclusive parques e jardins), em outdoors e por meio de amplificadores de som nas proximidades de tribunais, quartéis, hospitais, entre outros locais públicos. O uso de inteligência artificial na internet deve ser mencionado pelo político.

As 640 queixas ocorreram em 80 municípios gaúchos. Mais da metade delas, 387, por propaganda ilegal em vias públicas. A seguir vêm irregularidades na internet (45), em bens públicos (41) e outdoors ilegais, inclusive eletrônicos (39). Os carros de som continuam perturbando e somam 31 relatos até agora.

O desembargador Luciano Losekan, presidente da Comissão de Combate à Desinformação do TRE-RS, saúda a chegada do sistema Pardal.

Ele lembra que todos os cidadãos têm um computador em mãos, que é o celular. Até por isso, foi montado um aplicativo que permite gravação de voz e envio de fotos para as autoridades.

- O que mais nos preocupa nas queixas é a questão das deepfakes (montagens pela internet) e o uso de inteligência artificial sem mencionar essa ferramenta (o que é exigido por lei). Felizmente, ainda não é a irregularidade mais comum, que continua sendo a das propagandas em vias públicas e outdoors - afirma Losekan.

Por cargos

A maioria das denúncias, 260, se refere a propagandas para deputado estadual. Outras 233, para deputado federal. As demais, distribuídas entre senador, governador e partidos, com apenas quatro referentes a candidatos a presidente da República.

Os municípios que registram mais queixas até o momento são Porto Alegre (204), Passo Fundo (30) e Pelotas (30). Tanto o promotor Zilio como o desembargador Losekan acreditam que o uso do aplicativo Pardal pode estar mais popularizado, o que facilita o aumento no número de queixas apresentadas.

No Brasil, foram registradas até a manhã de ontem 8.706 denúncias de irregularidades. O RS é o quinto colocado no ranking dos Estados com mais queixas protocoladas - embora seja o sexto em população. Perde em registros de suspeitas eleitorais para São Paulo (1.650), Bahia (1.067), Pernambuco (698) e Minas Gerais (661). _

Acordo para combater as manipulações digitais

Paulo Rocha

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RS) e o Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT4) firmaram na sexta-feira acordo de cooperação voltado ao combate à manipulação digital nas eleições. A parceria, já editada em pleitos anteriores, possibilita que peritos do TRT4 façam exames especializados em processos eleitorais que envolvam ilícitos digitais.

Entre as apurações que poderão ser feitas, estão a verificação de adulteração de fotos, vídeos, áudios e documentos, a identificação de conteúdo gerado ou alterado por inteligência artificial (IA) e a análise de deepfakes e clonagem de voz.

- Recentemente, 200 servidores da Justiça Eleitoral participaram de um curso com o nosso setor de perícia digital porque, no período de eleições, se utiliza muito as redes sociais e há possibilidade das deepfakes. Esse ensinamento vai permitir que se possa verificar dentro dos processos que correm na Justiça Eleitoral se houve o cometimento de um ilícito ou não - destaca o desembargador Alexandre Corrêa da Cruz, presidente do TRT4.

Pelo acordo, os peritos do TRT4 farão apenas análise técnica, sem poder de decisão sobre questões eleitorais e de fiscalização de redes sociais. Os juízes eleitorais seguirão responsáveis pelos processos e decisões finais.

Recente levantamento do Tribunal Superior do Trabalho revelou que cinco Estados concentram o maior volume de ações de assédio eleitoral no trabalho. O estudo se debruçou sobre 738 processos ajuizados entre maio de 2023 e dezembro de 2025. São Paulo lidera, com cerca de 17,5% das ações. Em seguida vêm Paraná (14,6%) e Rio Grande do Sul (10,5%). Para o TRE-RS, o avanço de casos é motivo de preocupação.

- Até mesmo em função da facilidade da mídia, de meios de comunicação como o WhatsApp, esse tipo de ameaça é cada vez mais comum, mas esperamos que isso ocorra o mínimo possível - afirma a desembargadora Maria de Lourdes Galvão Braccini de Gonzalez, presidente do TRE-RS. 

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

31 DE AGOSTO DE 2026
EM NOVA PETRÓPOLIS

EM NOVA PETRÓPOLIS

Rebeca e Anna se conheceram na adolescência, em Belém (PA), e transformaram a paixão pelos livros em projeto na Serra. A iniciativa reúne cenários inspirados em magia e romance. Além de local para ir comprar um livro, a ideia é ser um ponto de encontro para os leitores

A mais de 3 mil quilômetros do local onde se tornaram amigas há cerca de 16 anos, as duas se reencontraram na Serra como se as histórias tivessem sido escritas justamente para esse destino. Anna Júlia, natural do Rio de Janeiro, morava no estado fluminense e veio a Gramado passar a lua de mel em 2020. Na viagem, passou por Nova Petrópolis e, num ato definido como "loucura", comprou uma casa e se mudou com o esposo, Luiz Guilherme Prado. Rebeca morava em Antônio Prado com o marido, que passou em uma prova de residência médica em Nova Petrópolis.

No reencontro das amigas, mesmo estando há anos sem contato pessoalmente, os livros foram assunto. E a ideia de tornar o sonho de adolescentes em realidade ganhou força. Assim, nasceu o projeto da Livraria Romântica, em maio de 2026. O estabelecimento abriu as portas em julho e já tem conquistado o público leitor nas redes sociais pelos ambientes temáticos.

A livraria encanta pela riqueza de detalhes, todos pensados por fãs de livros para fãs de livros. São dois ambientes temáticos: o da fantasia e o de romance. As escolhas dos temas são, justamente, em função do gosto das donas.

- A gente sempre brincava que nós duas somos leitoras, mas parece que a gente nunca leu a mesma coisa. E isso é perfeito, porque tem coisas que eu nunca leria se não fosse a Rebeca para me indicar. Até para os clientes, porque, às vezes, chega uma pessoa que gosta mais de fantasia, e a Rebeca vai lá, ou então romance de época, aí é com a Anna Júlia - explica Anna.

Imersão no universo fantástico

A imersão se estende ao teto do ambiente. Forrado com um material que simula nuvens, a iluminação obedece ao comando de voz e da varinha mágica. Para acender, é preciso apontar a varinha e dizer o nome do feitiço Lumos. Para desligar a luz, o comando é Nox.

- Essa ideia veio dos nossos corações de leitoras. A gente queria que as pessoas se sentissem dentro de um livro. Temos easter eggs (mensagem secreta escondida de propósito) como os livros voando, a Nimbus 2000, o teto de velas... - conta Rebeca.

Logo ao lado, no ambiente dedicado ao romance, os tons de rosa tomam conta, com detalhes como uma mesa de chá, com bule e pãezinhos decorativos. Para instigar a nostalgia, há o setor dos romances de banca, livros curtos de capa mole e baixo custo, vendidos em bancas de jornal e famosos no Brasil nos anos 1960.

- A gente quer que a pessoa se sinta acolhida, num ambiente lúdico. Que chegasse aqui e ficasse com aquela sensação de quentinho no coração, de sentir que está na regência (universo onde se passa a história de Bridgerton), ou dentro de um livro da Jane Austen - orgulha-se Rebeca.

Além da ludicidade, a proposta das sócias é tornar o ambiente um local de acolhimento para a comunidade leitora. Conforme as sócias, é comum que mulheres adultas sejam julgadas pelos tipos de livros que leem, como histórias de fantasia.

- A gente quer propor um espaço que seja bem acolhedor e seguro. A gente quer que a pessoa seja uma adolescente de novo e se sinta respeitada - afirma Anna.

Cenário bucólico

- A gente mora aqui há seis anos e pensava "Nova Petrópolis é uma cidade tão linda, tão histórica", mas acaba sendo uma cidade de passagem, porque as pessoas querem ir só pra Gramado. Então, ver a evolução da livraria e as pessoas parando, todo mundo ganha, né? - observa Anna.

Mas para quem vai em busca de livros, os que mais têm saído são as edições de colecionador de sagas como O Senhor dos Anéis, Harry Potter e As Crônicas de Nárnia. Esse último universo, inclusive, é que vai ser tema de um novo espaço que está sendo montado na sala ao lado.

- Achávamos que os livros mais baratos sairiam mais. O que realmente mais sai são as edições de luxo. A gente percebe que a pessoa vem aqui e é como se ela quisesse viver uma experiência completa. Vim num lugar lúdico, então eu vou levar algo de recordação - explica Rebeca. _

Como chegar

A Livraria Romântica fica no centro de Nova Petrópolis, no Parque Aldeia do Imigrante. Para ter acesso ao espaço, é necessário comprar ingressos (R$ 38) - moradores de Nova Petrópolis não pagam ingresso.

Endereço: Avenida 15 de Novembro, 1.966 - Centro, Nova Petrópolis

Horário: de quarta-feira a domingo, das 10h às 17h

GABRIELA ALVES

31 de Agosto de 2026
OPINIÃO RBS

Compra Assistida, controle necessário

Uma reportagem publicada em GZH sob o selo do Grupo de Investigação (GDI) da RBS revela preocupantes suspeitas de irregularidades envolvendo a aquisição de imóveis para quem foi afetado pela enchente em Porto Alegre por meio do programa Compra Assistida. A apuração dos jornalistas Humberto Trezzi e Guilherme Milman descobriu que pairam desconfianças sobre um em cada 14 beneficiários do projeto destinado a garantir um novo teto a quem foi atingido pela intempérie.

Embora os 308 contratos com indícios de ilegalidade representem uma fatia minoritária em comparação aos 4,4 mil favorecidos, conforme indica a matéria veiculada na quarta-feira em GZH e na edição de Zero Hora do fim de semana, sinalizam a urgência de reforços nos mecanismos de controle de diferentes esferas de governo e a necessidade de melhorar o desenho e a integração das políticas públicas diante de futuras catástrofes.

Criado pelo governo federal em junho de 2024, na esteira do pior desastre climático do Estado, o programa prevê o repasse de imóveis avaliados em até R$ 200 mil. Pode ser beneficiado quem se enquadra nas faixas 1 ou 2 do Minha Casa Minha Vida (com renda de até R$ 4,7 mil mensais), teve a residência danificada pela cheia e mora em área de risco. Em contrapartida, os contemplados têm de deixar o antigo endereço e não podem vender ou alugar a nova casa.

Há evidências de que parte dos atendidos não seguiu alguma dessas normas, seja por falsear o cadastro ou usufruir de maneira imprópria do bem comprado com dinheiro público. Vale ressaltar que, em situações emergenciais, é fundamental que os governos atuem de forma ágil para amenizar o sofrimento da população. Essa presteza não pode ser confundida com o afrouxamento da fiscalização. O pior cenário é quando o atendimento aos necessitados é feito de forma morosa e, ainda assim, suscetível aos espertalhões que veem no infortúnio coletivo uma brecha para a conquista de vantagens individuais indevidas.

A prefeitura da Capital argumenta que a Caixa Econômica Federal demorou meses para liberar a lista de endereços de quem adquiriu imóvel por meio do programa. Ou seja, o município sabia quem havia sido contemplado, mas desconhecia o local escolhido para residir. Conforme a reportagem, isso dificultou o trabalho de verificar se as pessoas estavam de fato morando no imóvel destinado a elas ou haviam cedido, alugado ou vendido a residência.

Diante dessa situação, é crucial que os órgãos públicos sigam fiscalizando a execução do projeto, que os casos suspeitos sejam devidamente apurados - e os eventuais responsáveis, punidos - e, acima de tudo, que o episódio sirva de lição para o aprimoramento da aplicação de políticas sociais de moradia. Uma vez que os fenômenos climáticos severos tendem a ser cada vez mais frequentes, será preciso contar com projetos de realocação populacional céleres e confiáveis. A melhor forma de prevenir o mau uso de recursos públicos é integrar órgãos e níveis de governo e aprimorar o cruzamento de informações antes mesmo da concessão do benefício. 

31 de Agosto de 2026
CAMPO E LAVOURA - Carolina Pastl

A oportunidade para a safra de inverno

A transição energética ganha espaço entre os debates do terceiro dia da 49ª Expointer, hoje, no parque Assis Brasil, em Esteio, com iniciativas que aproximam o agronegócio (mais especificamente, a produção de inverno) do mercado de biocombustíveis. Enquanto o setor da canola vai discutir o uso do grão como matéria-prima para a produção de energia, a Be8 vai apresentar o seu investimento em Passo Fundo, superior a R$ 1,5 bilhão, para a produção etanol de cereais e demais produtos a partir do trigo.

No caso da canola, a discussão, que ganhou força durante o 4º Rally da Canola, em diferentes regiões do RS e do Paraná na última semana, será assunto do primeiro Campo em Debate da Casa RBS na feira, a partir das 10h, com mediação de Gisele Loeblein. A ideia será debater caminhos para a expansão da área cultivada, que já cresce, e mercados futuros.

Neste ano, a canola ocupa de 395 mil hectares no RS, segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Canola (Abrascanola). Mas um levantamento da Rede Técnica de Cooperativas (RTC), da CCGL, estima que o potencial é de que se possa chegar a 1,4 milhão de hectares. Atualmente, conforme a Abrascanola, o mercado de alimentos absorve o equivalente a 100 mil hectares de canola. Parte da produção restante pode ser destinada à fabricação de biocombustíveis ou à exportação.

A ideia, no caso da Be8, será fomentar o cultivo do trigo no Estado. A possibilidade de ampliar esses dois mercados, vale lembrar, também tem a ver com calendário agrícola do RS. Dos cerca de 9 milhões de hectares ocupados por culturas de verão, como a soja, menos de 2 milhões são utilizados no inverno, segundo a Abrascanola, com culturas como trigo e canola. _

Vitrine da carne

A carne de cordeiro ainda carrega uma fama que o setor considera coisa do passado: a de ter cheiro e sabor fortes. Para ajudar a mudar essa percepção, a proteína é uma das que está exposta na Vitrine da Carne Gaúcha até sábado, no parque Assis Brasil, em Esteio, durante a 49ª Expointer.

A apresentação, acompanhada por 40 pessoas, foi conduzida pelo chef Bruno Ivanoff em parceria com a Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco), Farsul, Celebra Gourmet e Escola de Gastronomia do Senac. _

Quando o campo encontra o mar

- Chegou o momento de surfar na onda (do brangus e da pecuária). Os próximos anos serão de mar bom. Não baixem a régua.

A frase do produtor, leiloeiro e surfista Pedro Bastos deu o tom de uma conversa diferente na 49ª Expointer. Ontem, durante o Dia do Brangus, pecuária e surfe dividiram o mesmo palco para discutir o futuro da carne e da própria raça, que tem, nesta edição, o maior número entre os bovinos de argola. O painel "Pecuária, carne e o Brangus na visão de agro-surfistas", promovido pela Associação Brasileira de Brangus, reuniu Eduardo Linhares da Silva, Ignácio Tellechea, Ignácio Weiller, Pedro Bastos e Rafael Linhares da Silva, com mediação de Roberto Grecellé, executivo-chefe da entidade.

Para Bastos, o produtor brasileiro deve aproveitar o momento:

- Os EUA estão com o menor rebanho da história, e a China retirou a cota. 

120 anos de angus no Brasil

Assim como a devon, a raça angus, originária da Escócia, completou 120 anos de história no Brasil. Foi em 1906, em Bagé, na Campanha, onde chegou ao país o primeiro touro angus de que se tem registro, Menelik, trazido do Uruguai pelo criador Leonardo Collares Sobrinho. De lá para cá, a raça ajudou a transformar a pecuária de corte brasileira e se tornou sinônimo de carne de qualidade. Na Expointer, uma homenagem marcou a data: a inauguração de uma placa comemorativa na casa da Associação Brasileira de Angus. _

O gaúcho Patric Luderitz foi eleito vice-presidente da Confederação Brasileira de Apicultura (CBA). Ele está como presidente em exercício da Federação Apícola e de Meliponicultura do Rio Grande do Sul (Fargs).

CAMPO E LAVOURA

31 de Agosto de 2026
INFORME ESPECIAL

Rafael Valim

Advogado brasileiro que integra a equipe de defesa da ex-presidente

"No caso Cristina, houve uma campanha difamatória"

A ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner contratou o brasileiro Rafael Valim para a sua equipe de advogados. Ele vai liderar a defesa em cortes internacionais. Cristina foi condenada no "Caso Vialidad".

Como você passou a integrar a equipe de defesa da ex-presidente Cristina Kirchner?

O núcleo próximo da Cristina me procurou e eu quis examinar o caso. Eu tinha, obviamente, uma impressão do que era, mas não conhecia tecnicamente. Fiquei convencido de que era uma causa boa a ser defendida.

A ONU pode alterar a decisão da Justiça argentina?

Essa é a grande incompreensão, não só na Argentina, mas como foi no Brasil na época do caso Lula. A primeira coisa que as pessoas estão questionando é que levar à ONU é uma ingerência no Poder Judiciário da Argentina. Agora, como que temos de entender isso? O sistema internacional de proteção dos Direitos Humanos integra as ordens internas por deliberação dos próprios Estados nacionais. 

No caso da Argentina, como resultado do processo de redemocratização, houve uma abertura muito grande do sistema constitucional aos Direitos Humanos. E esses tratados na Argentina têm status constitucional. A constituição estabelece que o pacto internacional de direitos civis e políticos e o protocolo facultativo são o que permite o acesso dos cidadãos à ONU. É o próprio sistema constitucional argentino que habilita esse questionamento, caso se configurem violações às garantias fundamentais.

Você trabalha a tese de lawfare. O que é isso?

É uma junção da palavra "law", direito, e "warfare", que é guerra. E essa é a concepção do Direito ser instrumentalizado como uma arma para destruir inimigos. Como sabemos, o Direito nasce na ideia de ser um instrumento de pacificação social. E ele pode ser desvirtuado para ser usado como uma arma de destruição. Eu digo que no lawfare é uma guerra muito mais perversa, porque ela é camuflada. Eu conceituo como o uso estratégico do Direito para fins de deslegitimar o inimigo.

Quais exemplos podemos citar de casos de lawfare?

Talvez um exemplo de (sala de) aula foi o caso Lula. Porque nós temos três dimensões na teoria: da geografia, do armamento e das externalidades. Da geografia é a escolha do órgão aplicador do Direito. Eu falo disso há alguns anos, que o Sergio Moro era um juiz incompetente. Depois tem o armamento, que é o uso, no caso aqui do lawfare, das normas e das leis que lhe são favoráveis. 

Ou, quando você não tem uma lei que é favorável, você cria estados de exceção, que foi também o que aconteceu no caso Lula. E depois nós temos as externalidades, que é o papel dos meios de comunicação, das redes sociais, para gerar e criar um ambiente de culpabilidade. Que torna mais fácil o ataque.

Quais pontos que vocês levarão à ONU para classificar o caso Cristina como lawfare?

Violação à imparcialidade. Nós demonstramos que não houve um tribunal independente que julgou Cristina. Houve manobras para escolher juízes. Houve violação à presunção de inocência. Como semelhança do caso Lula, no caso Cristina também houve uma maciça campanha difamatória e a criação de um ambiente de culpabilidade. Arguímos que de oito a 10 artigos do Pacto Internacional de Direitos Políticos foram violados. _

Colaborou Maria Clara Centeno

Maduro aparece em fotos na prisão

Os perfis de Nicolás Maduro no Telegram e no X publicaram fotos do ex-presidente da Venezuela na prisão. As imagens são datadas de 25 de junho.

"Envio estas fotos como um pequeno presente a todos os meus netos e netas, às crianças, e a toda a gente nobre que nos ama. Quero que saibam que estamos firmes", disse um trecho da mensagem divulgada. 

resiliência

A Granpal realizará, no dia 8, um seminário internacional para debater o crescimento econômico, governança metropolitana, atração de investimentos, competitividade, inovação e resiliência. O evento contará com a participação do Instituto Deltares, da Holanda, que realiza pesquisas sobre água, subsolo e infraestrutura.

INFORME ESPECIAL

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

28 de Agosto de 2026
OPINIÃO RBS

Os pontos fortes e fracos do RS

A edição de 2026 do Ranking de Competitividade dos Estados, divulgada ontem pelo Centro de Liderança Pública (CLP), demonstra que, a despeito das preocupações com o desempenho recente e com o futuro da economia gaúcha, o Rio Grande do Sul tem trunfos que podem ser a base para a retomada do dinamismo. O trabalho traz algumas boas novas e aponta em quais aspectos é preciso evoluir para alcançar níveis mais elevados de desenvolvimento econômico e social.

No ranking geral de competitividade, o RS aparece agora na quarta posição no Brasil, após três anos em quinto. É a melhor colocação na série histórica. Em anos anteriores, como 2016 e 2021, chegou a ser o nono. A liderança é de Santa Catarina, que ultrapassou São Paulo.

Os gaúchos permaneceram em primeiro no pilar inovação. O resultado nessa dimensão é puxado por indicadores como número de patentes e estrutura de apoio à inovação. É uma informação que demonstra o potencial de o ecossistema de criação de novos produtos, serviços, processos e tecnologias se firmar como um vetor de progresso para o RS. O Estado também lidera em eficiência da máquina pública, com destaque para o baixo custo do Executivo, do Legislativo e do Judiciário em relação ao PIB. No pilar segurança pública, passou de terceiro para segundo no país. Em sustentabilidade social, permanece em quarto. Em sustentabilidade ambiental, subiu cinco posições e agora é o quinto. Em capital humano, continuou em quarto.

Um dos temas que mais inquieta no Estado é a educação. O RS perdeu três colocações e caiu para nono lugar. Um dos aspectos que atrapalhou foi o desempenho no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2023. Como a performance melhorou em 2025, é possível que a posição gaúcha, à frente, melhore.

As principais fragilidades não são novidade. Em infraestrutura, o RS é o 16º. Qualidade das rodovias, custo e qualidade da energia e preços dos combustíveis puxam para baixo. A posição geográfica, no extremo sul do país, obriga que o aprimoramento da infraestrutura seja prioridade dos gaúchos. O Estado ainda levou um tombo de 12 posições no pilar potencial de mercado. Caiu para o 24º lugar, em função principalmente da deterioração da qualidade do crédito para as pessoas físicas.

A maior desvantagem do RS permanece sendo o quadro fiscal, dimensão em que o Estado está em penúltimo no país. A despeito das reformas realizadas nos últimos anos, ainda há um longo caminho para a situação das finanças ser considerada equilibrada. Contas desajustadas se traduzem em maior dificuldade para o poder público prover os investimentos necessários para alavancar o desenvolvimento e prestar serviços satisfatórios aos cidadãos.

Mas, entre pontos fortes e fracos, nota-se que, apesar dos desafios estruturais, o RS está entre os Estados mais competitivos do Brasil. Isso significa capacidade de gerar progresso e qualidade de vida para a população, produzir empreendedorismo, reter e atrair investimentos. Resta dar atenção especial às debilidades. O ranking do CLP é um bom guia para o novo governo e os deputados e senadores que serão eleitos em outubro. 

28 de Agosto de 2026
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Excesso de pesquisas confunde o eleitor

Com a proximidade da eleição, quase todos os dias pipoca nos meios de comunicação e nas redes sociais o resultado de uma pesquisa de intenção de voto para a Presidência da República, algumas com resultados contraditórios, ainda que convergentes em relação à perspectiva de segundo turno entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Em qual delas acreditar? Em geral, os simpatizantes de um candidato acreditam na que lhes convém - e os concorrentes badalam aquelas em que aparecem melhor na foto.

Sim, na foto. Porque mesmo sendo o maior clichê de uma corrida eleitoral, pesquisa é fotografia de um determinado momento da campanha. Fotografias tiradas no mesmo momento deveriam mostrar um cenário minimamente parecido, o que no universo das pesquisas é chamado de "margem de erro", em geral de dois ou três pontos percentuais para mais e para menos.

O que desnorteia o eleitor é ver que fotografias tiradas nos mesmos dias têm apresentado resultados díspares. Aqui entra um elemento pouco falado, mas que deveria ser informado ao eleitor em letras garrafais: como é feita a coleta de dados.

No passado, os pesquisadores batiam de porta em porta para entrevistar os eleitores selecionados de acordo com o perfil dos votantes, por sexo, cor, religião, escolaridade e faixa de renda. A insegurança fechou as portas das casas para os entrevistadores. Parte dos institutos começou a fazer pesquisas por telefone, usando o número fixo, para não errar no endereço. Com o fim do telefone fixo e a disseminação dos celulares, nova mudança, esta acompanhada de uma nova forma de fazer pesquisas, os questionários pela internet.

Necessidade de cautela

Todos os institutos sustentam que com essas novas metodologias é possível filtrar os questionários e reduzir a possibilidade de erro do trabalho robotizado. Será que é mesmo? As diferenças gritantes de resultados mostram que é preciso ter cautela antes de confiar cegamente no resultado de uma pesquisa.

Quando se comparam os índices de diferentes institutos, tem-se clareza de que é preciso relativizar os números. Porque mesmo admitindo-se que existe um "intervalo de confiança de 95%", há resultados inexplicáveis. _

Aliás

O que o cidadão pode fazer neste cenário de incerteza? Não dar importância exagerada às pesquisas. Porque o eleitor pode mudar de ideia, boa parte define o voto na última hora e intenção de voto é diferente de voto na urna. Ninguém deveria escolher seu candidato no primeiro turno com base em pesquisas. O sentido da eleição em dois turnos é o eleitor votar de acordo com a sua convicção no primeiro, sem se preocupar com quem vai ganhar.

Está com alguma dúvida sobre as eleições? Pergunta pra Rosane. Este é o novo quadro em vídeo da coluna em GZH que estreou para esclarecer as regras do pleito aos leitores. Conto com a sua participação em vídeo ou por escrito.

Marjorie Kauffmann deixa a Secretaria do Meio Ambiente

Marjorie Kauffmann deixou ontem o comando da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura. A exoneração a pedido foi anunciada pelo governador Eduardo Leite nas redes sociais, com a justificativa de que Marjorie "deixa a pasta para assumir novos desafios".

O novo desafio é o cargo de diretora-superintendente do Sebrae-RS. À coluna, Marjorie confirmou ter recebido convite do presidente do Sistema Fecomércio, Luiz Carlos Bohn, para concorrer à vaga aberta com a saída de Joel Vieira Dadda e completar o mandato dele, que só terminaria em 2027.

Como a eleição é na próxima segunda-feira, ela teve de antecipar a saída do governo porque precisa estar liberada para concorrer ao cargo. Trata-se de uma formalidade, porque a diretoria já está com o currículo e Marjorie deve ser aprovada por unanimidade.

- Saio com a sensação de dever cumprido - disse Marjorie. - Foram 2.742 dias (entre a Fepam e a Sema), em que conseguimos muitos avanços. Um deles, a subida no ranking de competitividade, graças à qualificação dos processos e à aceleração dos licenciamentos.

Marjorie será substituída por Isa Carla Osterkamp, que tem mestrado e doutorado em Ciências - Ambiente e Desenvolvimento, com MBA em ESG e Inovação e pós-graduação em Energias Renováveis. Isa já atuou como coordenadora da Assessoria Técnica da Sema e foi secretária-executiva do Programa Estadual de Hidrogênio Verde, além de ter desempenhado papel fundamental nas enchentes de 2023 e 2024. _

RS avança em ranking de competitividade

O Rio Grande do Sul passou para o quarto lugar entre as 27 unidades da federação no Ranking de Competitividade elaborado pelo Centro de Liderança Pública. Esse resultado garantiu ao Estado a conquista do Prêmio Excelência em Competitividade, com política voltada à retomada de microempreendedores atingidos pelas enchentes.

De acordo com o estudo, o RS subiu da quinta para a quarta colocação geral, consolidando trajetória de avanço iniciada nos últimos anos. Em 2021, o Rio Grande do Sul ocupava a nona posição no ranking nacional. O resultado foi divulgado ontem, durante evento na Casa Natura Musical, em São Paulo, que reuniu governadores, pesquisadores e representantes da administração pública.

O ranking reúne 68 indicadores distribuídos em 10 pilares que avaliam diferentes dimensões da capacidade dos Estados de promover desenvolvimento, qualidade dos serviços públicos e bem-estar da população. 

Lula virá ao Estado no próximo dia 11

Foi confirmada a nova data do comício do presidente Lula (PT) em Porto Alegre. Anteriormente previsto para hoje, o primeiro ato de campanha no RS do petista será no dia 11 de setembro. Inicialmente, a agenda incluía atividade hoje, mas a previsão de chuva levou ao adiamento. De acordo com a coordenação da campanha no Estado, a intenção é que o ato ocorra em local aberto, ainda não definido. _

Comício de Flávio será no Parcão

O local escolhido para o comício de Flávio Bolsonaro em Porto Alegre não poderia ser outro: o Parque Moinhos de Vento (Parcão), tradicional palco da direita.

O ato começa às 18h do dia 2 de setembro. No mesmo dia, Flávio deve visitar a Expointer e gravar vídeos de campanha. Para evitar impacto no trânsito, a ideia é realizar o comício no interior do Parcão, sem trancar a Avenida Goethe. _

POLÍTICA E PODER

28 de Agosto de 2026
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

É absurda a ideia de o Brasil ter bomba atômica

O candidato do Missão à Presidência, Renan Santos, defendeu, na entrevista à TV Globo, na quarta-feira, que o Brasil crie um programa nuclear voltado à eventual produção de armas atômicas. A ideia é estapafúrdia do ponto de vista estratégico, embora não seja nova - lembra o candidato Enéas, do Prona, nos anos 1980? - e volta e meia encontre respaldo entre parte dos militares.

Santos afirmou que armas nucleares ampliariam a soberania e o peso internacional do Brasil. Sem dúvida, mas a que custo?

O Brasil é signatário do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP) desde 1998, no qual assumiu compromisso perante o mundo de não desenvolver armas desse tipo. Começar um processo como esse significaria rasgar o acordo e se transformar em pária internacional, como o Irã e a Coreia do Norte.

Há ainda dois agravantes: o desenvolvimento de um arsenal do tipo colocaria o Brasil no alvo direto de uma intervenção dos Estados Unidos, potência hegemônica no continente. Nenhum dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU permitiria - nem a China. Sem falar que despertaria uma corrida nuclear na América do Sul e no Caribe, considerado um território de relativa paz. Reacenderia uma disputa geopolítica com a Argentina, já vista no passado.

Ao longo da sua história, o Brasil teve oportunidades de fazer parte desse seleto clube de países armados com a bomba A - mas nunca levou adiante, de forma concreta, os planos. A própria demora em assinar o TNP (aberto para assinatura em 1º de julho de 1968 e entrou em vigor em 5 de março de 1970) levou a desconfianças internacionais durante a ditadura militar.

Histórico

Nos anos 1970, o Brasil desenvolveu um programa nuclear para fins pacíficos, que contou com a assinatura de um acordo com a Alemanha, com transferência de nove centrais atômicas para o território nacional e todo o ciclo de produção do combustível nuclear.

São, hoje, conhecidos planos sigilosos da época, dentro da Aeronáutica, que buscou desenvolver explosivos usados para abrir poços de petróleo ou desviar rios. O objetivo, em tese, seria civil, mas a tecnologia também pode ter como objetivo um arsenal militar, o famoso "dual use" (uso dual), na linguagem estratégica. Que o diga a Índia, que, a partir de um programa pacífico, se tornou um dos mais novos atores nucleares do grupo diminuto de potências nucleares, que inclui ainda Paquistão, Coreia do Norte, Israel (embora não admita) e os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU - EUA, Reino Unido, França, China e Rússia.

Uma das evidências da existência desse programa secreto brasileiro eram túneis construídos na Serra do Cachimbo, no sul do Pará. Nunca ficou claro sobre o quão sério os militares brasileiros estavam empenhados em construir uma bomba atômica brasileira como parte desse projeto.

Em 1990, o então presidente Fernando Collor foi à Serra do Cachimbo e enterrou os poços construídos pela Aeronáutica. Dias depois, ele viajou para a Assembleia Geral da ONU e fez um discurso ressaltando as ambições pacíficas do projeto nuclear brasileiro.

De tempos em tempos, políticos ressuscitam discursos como o de Renan em busca de chamar atenção - em geral, conseguem. Além de todos os aspectos estratégicos contrários à ideia, há outro tão importante quanto: desenvolver um programa nuclear que leve ao enriquecimento de urânio para ter a bomba atômica é apenas um passo. Uma coisa é ter a bomba, a outra é dispor de condições para dispará-la. E tudo isso é muito caro, na casa dos bilhões. O Brasil tem problemas maiores e bem mais urgentes que exigem investimento. _

Rio Grande

do Sul na tela da "Times Square" de Xangai

Um vídeo com dados sobre os potenciais econômicos do RS foi exibido ontem na Century Plaza, uma das principais áreas comerciais da China, conhecida como a "Times Square" de Xangai.

A ação ocorreu durante a missão da Invest RS à China. A região, no entorno da Nanjing Road, é conhecida pelo movimento e forte presença de publicidade e grandes telas, que lembram a famosa área de Manhattan, em Nova York.

Nesta semana, a Invest RS oficializou o lançamento de uma representação em Xangai, com o objetivo de fortalecer o relacionamento institucional entre o Estado e parceiros chineses. _

Porto Alegre: capital mais competitiva

Porto Alegre está entre as três cidades mais competitivas do Brasil, segundo o Ranking de Competitividade dos Municípios de 2026, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP). A capital gaúcha avançou uma posição em relação ao ano anterior. O levantamento reúne indicadores que impactam a capacidade de desenvolvimento das cidades, considerando pilares como eficiência da máquina pública, capital humano, inovação, dinamismo econômico, saúde, educação, segurança, sustentabilidade e saneamento. _

Plano para a Defesa até 2050

O Ministério da Defesa instituiu, por meio de portaria publicada ontem no Diário Oficial, a criação do Grupo de Trabalho responsável por elaborar o Cenário Militar de Defesa 2028-2050. A iniciativa visa identificar ameaças, oportunidades e desafios geopolíticos que impactarão a segurança e a soberania do país nas próximas décadas. Entre as atribuições do grupo estão: identificar e aplicar instrumentos para mapear tendências e incertezas no setor; apresentar contextos, variáveis e atores cujas evoluções possam impactar a atuação das Forças Armadas; e utilizar ferramentas de prospectiva e redes de pesquisa em áreas de interesse da defesa nacional. 

Reflexões psicológicas sobre a enchente

Equilibrando ciência, história e uma abordagem psicológica da maior catástrofe climática do Rio Grande do Sul, a historiadora e psicoterapeuta Angélica Boff está lançando o livro A enchente que não acabou - O que a tragédia revela sobre nós (Carta Editora).

O trabalho traz uma abordagem até agora inédita: reflexões profundas sobre o durante e o depois do dilúvio gaúcho de 2024. Com escuta atenta, Angélica buscou ouvir 19 histórias de pessoas que viveram a tragédia.

O livro está em pré-venda, com valor promocional de R$ 50 (frete grátis) no site da editora. O lançamento deve ser em outubro, em data ainda a ser definida. _

INFORME ESPECIAL

28 de Agosto de 2026
MARCO MATOS

O entrevistado fui eu

Vim aqui contar uma história que aconteceu comigo nas últimas semanas e como um bate-papo despretensioso se transformou em algo surpreendente, capaz de ajudar a curar algumas feridas profundas da percepção que tenho de mim mesmo.

Sou acostumado a olhar para o outro. Fui treinado para entrevistar, para encontrar na história alheia pontos que possam interessar ao grande público. Faço isso todos os dias há quase 15 anos, desde que me formei em Jornalismo. Aprendi a escutar, a observar e, muitas vezes, a fazer as perguntas. Raramente sou eu quem precisa respondê-las.

O causo que quero compartilhar hoje com vocês é sobre a minha participação no podcast do Luciano Potter, o Potter Entrevista (que, aliás, está disponível no YouTube. Vai lá assistir!).

Primeiro, deixa eu explicar quem é o Potter para mim. É o cara que eu escuto desde a adolescência, nos tempos da Rádio Atlântida, do início do Pretinho Básico e de programas de TV como o Patrola. Uma referência para qualquer guri da minha idade. Eu tenho 35 anos; ele, 47. Embora eu trabalhe na TV há bastante tempo, poucas vezes encontrei o Potter na empresa.

Durante muito tempo associei o Potter ao bom humor, aos papos leves e descontraídos. Por isso, quando cheguei para a gravação, imaginei uma conversa nessa linha. Bastaram os primeiros minutos para perceber que seria diferente. Ele tinha estudado sobre a minha vida e parecia genuinamente interessado em conhecer partes da minha personalidade que costumo guardar para mim.

Me senti confortável para falar. Falei, inclusive, coisas que até então só tinham aparecido na terapia. Dei opinião sobre como percebo o preconceito hoje em dia, contei sobre escolhas que mudaram o rumo da minha vida e também toquei no ponto mais delicado da minha memória: o bullying que sofri na escola por ser gay.

Ao sair dali, fiquei pensando em como a gente carrega determinadas dores por anos, às vezes décadas, sem perceber o peso que elas ainda exercem sobre nós. A conversa me lembrou da importância de verbalizar aquilo que nos incomoda e de como, muitas vezes, processamos melhor os sentimentos quando ouvimos a nós mesmos dizendo as coisas em voz alta.

Em certo momento, até corrigi uma colocação dele sobre "opção" sexual e tive a oportunidade de explicar que sexualidade não é uma escolha. Potter ouviu, reconheceu o ponto e fez o que um grande comunicador deve fazer: me deixou confortável.

Talvez essa tenha sido a grande surpresa daquela tarde. Não a entrevista em si, mas a sensação de ter sido escutado de verdade.

Ainda ganhei uma carona pra voltar pra casa e uma chuva de comentários positivos e mensagens de apoio nas minhas redes.

Como é bom conversar. 

MARCO MATOS

28 de Agosto de 2026
OPINIÃO RBS

Os pontos fortes e fracos do RS

A edição de 2026 do Ranking de Competitividade dos Estados, divulgada ontem pelo Centro de Liderança Pública (CLP), demonstra que, a despeito das preocupações com o desempenho recente e com o futuro da economia gaúcha, o Rio Grande do Sul tem trunfos que podem ser a base para a retomada do dinamismo. O trabalho traz algumas boas novas e aponta em quais aspectos é preciso evoluir para alcançar níveis mais elevados de desenvolvimento econômico e social.

No ranking geral de competitividade, o RS aparece agora na quarta posição no Brasil, após três anos em quinto. É a melhor colocação na série histórica. Em anos anteriores, como 2016 e 2021, chegou a ser o nono. A liderança é de Santa Catarina, que ultrapassou São Paulo.

Os gaúchos permaneceram em primeiro no pilar inovação. O resultado nessa dimensão é puxado por indicadores como número de patentes e estrutura de apoio à inovação. É uma informação que demonstra o potencial de o ecossistema de criação de novos produtos, serviços, processos e tecnologias se firmar como um vetor de progresso para o RS. O Estado também lidera em eficiência da máquina pública, com destaque para o baixo custo do Executivo, do Legislativo e do Judiciário em relação ao PIB. No pilar segurança pública, passou de terceiro para segundo no país. Em sustentabilidade social, permanece em quarto. Em sustentabilidade ambiental, subiu cinco posições e agora é o quinto. Em capital humano, continuou em quarto.

Um dos temas que mais inquieta no Estado é a educação. O RS perdeu três colocações e caiu para nono lugar. Um dos aspectos que atrapalhou foi o desempenho no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2023. Como a performance melhorou em 2025, é possível que a posição gaúcha, à frente, melhore.

As principais fragilidades não são novidade. Em infraestrutura, o RS é o 16º. Qualidade das rodovias, custo e qualidade da energia e preços dos combustíveis puxam para baixo. A posição geográfica, no extremo sul do país, obriga que o aprimoramento da infraestrutura seja prioridade dos gaúchos. O Estado ainda levou um tombo de 12 posições no pilar potencial de mercado. Caiu para o 24º lugar, em função principalmente da deterioração da qualidade do crédito para as pessoas físicas.

A maior desvantagem do RS permanece sendo o quadro fiscal, dimensão em que o Estado está em penúltimo no país. A despeito das reformas realizadas nos últimos anos, ainda há um longo caminho para a situação das finanças ser considerada equilibrada. Contas desajustadas se traduzem em maior dificuldade para o poder público prover os investimentos necessários para alavancar o desenvolvimento e prestar serviços satisfatórios aos cidadãos.

Mas, entre pontos fortes e fracos, nota-se que, apesar dos desafios estruturais, o RS está entre os Estados mais competitivos do Brasil. Isso significa capacidade de gerar progresso e qualidade de vida para a população, produzir empreendedorismo, reter e atrair investimentos. Resta dar atenção especial às debilidades. O ranking do CLP é um bom guia para o novo governo e os deputados e senadores que serão eleitos em outubro. 

28 de Agosto de 2026
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Excesso de pesquisas confunde o eleitor

Com a proximidade da eleição, quase todos os dias pipoca nos meios de comunicação e nas redes sociais o resultado de uma pesquisa de intenção de voto para a Presidência da República, algumas com resultados contraditórios, ainda que convergentes em relação à perspectiva de segundo turno entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Em qual delas acreditar? Em geral, os simpatizantes de um candidato acreditam na que lhes convém - e os concorrentes badalam aquelas em que aparecem melhor na foto.

Sim, na foto. Porque mesmo sendo o maior clichê de uma corrida eleitoral, pesquisa é fotografia de um determinado momento da campanha. Fotografias tiradas no mesmo momento deveriam mostrar um cenário minimamente parecido, o que no universo das pesquisas é chamado de "margem de erro", em geral de dois ou três pontos percentuais para mais e para menos.

O que desnorteia o eleitor é ver que fotografias tiradas nos mesmos dias têm apresentado resultados díspares. Aqui entra um elemento pouco falado, mas que deveria ser informado ao eleitor em letras garrafais: como é feita a coleta de dados.

No passado, os pesquisadores batiam de porta em porta para entrevistar os eleitores selecionados de acordo com o perfil dos votantes, por sexo, cor, religião, escolaridade e faixa de renda. A insegurança fechou as portas das casas para os entrevistadores. Parte dos institutos começou a fazer pesquisas por telefone, usando o número fixo, para não errar no endereço. Com o fim do telefone fixo e a disseminação dos celulares, nova mudança, esta acompanhada de uma nova forma de fazer pesquisas, os questionários pela internet.

Necessidade de cautela

Todos os institutos sustentam que com essas novas metodologias é possível filtrar os questionários e reduzir a possibilidade de erro do trabalho robotizado. Será que é mesmo? As diferenças gritantes de resultados mostram que é preciso ter cautela antes de confiar cegamente no resultado de uma pesquisa.

Quando se comparam os índices de diferentes institutos, tem-se clareza de que é preciso relativizar os números. Porque mesmo admitindo-se que existe um "intervalo de confiança de 95%", há resultados inexplicáveis. _

Aliás

O que o cidadão pode fazer neste cenário de incerteza? Não dar importância exagerada às pesquisas. Porque o eleitor pode mudar de ideia, boa parte define o voto na última hora e intenção de voto é diferente de voto na urna. Ninguém deveria escolher seu candidato no primeiro turno com base em pesquisas. O sentido da eleição em dois turnos é o eleitor votar de acordo com a sua convicção no primeiro, sem se preocupar com quem vai ganhar.

Está com alguma dúvida sobre as eleições? Pergunta pra Rosane. Este é o novo quadro em vídeo da coluna em GZH que estreou para esclarecer as regras do pleito aos leitores. Conto com a sua participação em vídeo ou por escrito.

Marjorie Kauffmann deixa a Secretaria do Meio Ambiente

Marjorie Kauffmann deixou ontem o comando da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura. A exoneração a pedido foi anunciada pelo governador Eduardo Leite nas redes sociais, com a justificativa de que Marjorie "deixa a pasta para assumir novos desafios".

O novo desafio é o cargo de diretora-superintendente do Sebrae-RS. À coluna, Marjorie confirmou ter recebido convite do presidente do Sistema Fecomércio, Luiz Carlos Bohn, para concorrer à vaga aberta com a saída de Joel Vieira Dadda e completar o mandato dele, que só terminaria em 2027.

Como a eleição é na próxima segunda-feira, ela teve de antecipar a saída do governo porque precisa estar liberada para concorrer ao cargo. Trata-se de uma formalidade, porque a diretoria já está com o currículo e Marjorie deve ser aprovada por unanimidade.

- Saio com a sensação de dever cumprido - disse Marjorie. - Foram 2.742 dias (entre a Fepam e a Sema), em que conseguimos muitos avanços. Um deles, a subida no ranking de competitividade, graças à qualificação dos processos e à aceleração dos licenciamentos.

Marjorie será substituída por Isa Carla Osterkamp, que tem mestrado e doutorado em Ciências - Ambiente e Desenvolvimento, com MBA em ESG e Inovação e pós-graduação em Energias Renováveis. Isa já atuou como coordenadora da Assessoria Técnica da Sema e foi secretária-executiva do Programa Estadual de Hidrogênio Verde, além de ter desempenhado papel fundamental nas enchentes de 2023 e 2024. _

RS avança em ranking de competitividade

O Rio Grande do Sul passou para o quarto lugar entre as 27 unidades da federação no Ranking de Competitividade elaborado pelo Centro de Liderança Pública. Esse resultado garantiu ao Estado a conquista do Prêmio Excelência em Competitividade, com política voltada à retomada de microempreendedores atingidos pelas enchentes.

De acordo com o estudo, o RS subiu da quinta para a quarta colocação geral, consolidando trajetória de avanço iniciada nos últimos anos. Em 2021, o Rio Grande do Sul ocupava a nona posição no ranking nacional. O resultado foi divulgado ontem, durante evento na Casa Natura Musical, em São Paulo, que reuniu governadores, pesquisadores e representantes da administração pública.

O ranking reúne 68 indicadores distribuídos em 10 pilares que avaliam diferentes dimensões da capacidade dos Estados de promover desenvolvimento, qualidade dos serviços públicos e bem-estar da população. 

Lula virá ao Estado no próximo dia 11

Foi confirmada a nova data do comício do presidente Lula (PT) em Porto Alegre. Anteriormente previsto para hoje, o primeiro ato de campanha no RS do petista será no dia 11 de setembro. Inicialmente, a agenda incluía atividade hoje, mas a previsão de chuva levou ao adiamento. De acordo com a coordenação da campanha no Estado, a intenção é que o ato ocorra em local aberto, ainda não definido. _

Comício de Flávio será no Parcão

O local escolhido para o comício de Flávio Bolsonaro em Porto Alegre não poderia ser outro: o Parque Moinhos de Vento (Parcão), tradicional palco da direita.

O ato começa às 18h do dia 2 de setembro. No mesmo dia, Flávio deve visitar a Expointer e gravar vídeos de campanha. Para evitar impacto no trânsito, a ideia é realizar o comício no interior do Parcão, sem trancar a Avenida Goethe. _

POLÍTICA E PODER