A IA super-humana pode nos matar?
Jaime CimentiA inteligência artificial é um dos temas globais dominantes atualmente. Em 2023 centenas de personalidades do campo da tecnologia assinaram uma carta aberta alertando sobre os riscos que as inteligências artificiais representam para a vida humana. Desde então a corrida da IA se intensificou com países e empresas criando máquinas cada vez mais inteligentes. O mundo não está preparado para isso.
Se alguém criar, todos morrem ( Editora Intrínseca, 320 p., R$ 68.30) de Eliezer Yudkowsky e Nate Soares, pesquisadores e especialistas pioneiros em IA com longa experiência e reconhecimento internacional levantam uma questão mundial essencial: por que a IA super-humana pode nos matar. O livro foi best-seller instantâneo no The New York Times e foi eleito com um melhores livros de 2025 por The New Yorker; The Guardian e Booklist.
Os autores pesquisaram o tema durante décadas. Eles mostram como as IAs superiores à inteligência humana vão pensar, se comportar e perseguir seus objetivos. Essas IAs podem desenvolver metas conflitantes com a humanidade e vencer. Os humanos não teriam a menor chance na disputa. Mas ainda dá tempo de pensar e agir.
Depois de bem diagnosticar o problemão, os autores apontam possíveis caminhos para a humanidade sobreviver.No capítulo final, número 14, os autores se dirigem diretamente a governantes, políticos, jornalistas e leitores em geral e apontam ideias e ações para enfrentar as IAs super-humanas. Os autores entendem que não apenas os cientistas devem esclarecer sobre as IAs e que a imprensa tem o dever de explicar às pessoas o que elas estão enfrentando.
Não é à toa que Max Tegmark, professor do MIT e autor de Vida 3.0 considerou Se alguém criar, todos morrem o livro da década. Sem dúvida os governos globais devem reconhecer os riscos e partir para uma ação conjunta e efetiva, que ao fim e ao cabo é de interesse de todos. Já tivemos medo de bombas nucleares. Agora o inimigo é outro. Temos que fazer, cada um de nós, a nossa parte.
Lançamentos
Tudo sobre Deus (Editora Planeta, R$ 47, 160 p.) do premiado e consagrado escritor angolano José Eduardo Agualusa é protagonizado por um homem que vai morrer e compra uma igreja abandonada, no deserto, onde vai morar. Nos meses que lhe restam vai lembrar da filha, da arte de se despedir e do milagre de permanecer. Finitude, memória, culpa e redenção estão na obra.
Refúgio do tempo (Estação Liberdade, R$ 64.80, 286 p.) romance do premiado búlgaro Gueorgui Gospodinov , ganhou o International Booker Prize de 2023. O autor é considerado um Proust do Leste e com ficção memorialística traz a história recente de uma Europa inquieta. O protagonista cria uma “clínica do passado” para tratar o Alzheimer. Romance macabro, bem-humorado, fala de tempo, nacionalidade e identidade.
O que se passa na cabeça de um médico ? (Casa do Escritor, 178 p.) de Rodrigo Silva Müller, médico, gestor hospitalar e professor, abre a mente médica e revela o raro: o raciocínio por trás das decisões, das dúvidas , da cautela e, por vezes, da coragem de dizer “não sei”. Humor ácido, histórias reais e reflexões surpreendentes e a ironia da medicina pós-moderna estão na obra, para se saber como a medicina realmente funciona.
Colaborando com a cultura rio-grandense
A sagrada, por vezes profana, e multissecular missão do jornalista não deve se resumir a informar, comentar, interpretar, analisar, opinar, editar, reportar e filtrar 'contiúdos'. Imbuído desse espírito holístico, hoje apresento minha modesta colaboração à nossa cultura rio-grandense, que, como se sabe, tem façanhas e modelos com projeção nacional e internacional. Então, sem mais prolegômenos e delongas, vamos às frases que reinventam nosso universo gaudério:
a propósito
"Mais marrento que pêssego correntino metido a damasco portenho."
"Mais falante que uruguaio depois de uma garrafa de Tannat."
"Mais solita e deslocada que a estátua do Laçador."
"Mais perigoso e caro que ter amante argentina, chácara de fim de semana, avião, cavalo no prado, mansão tombada, livraria e barco."
"Mais demoradas que as obras do Cinema Imperial."
"Mais lembrado e na boca do povo que o Mario Quintana, o Imortal dos leitores."
(Jaime Cimenti)




