quinta-feira, 25 de junho de 2026

Com Selic a 14,25%, quanto rendem R$ 10 mil na poupança, CDB e Tesouro Direto?

Conforme especialistas, cenário segue amplamente favorável à renda fixa

Conforme especialistas, cenário segue amplamente favorável à renda fixa

Iano Andrade/CNI/Divulgação/JC

Gabriel Margonar
Gabriel MargonarA redução da taxa Selic de 14,50% para 14,25% ao ano, anunciada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na última quarta-feira (17), pouco alterou as estratégias recomendadas para quem busca aplicações mais conservadoras. Apesar do terceiro corte consecutivo dos juros, especialistas ouvidos pelo Jornal do Comércio avaliam que o cenário segue amplamente favorável à renda fixa, enquanto a Bolsa ainda exige cautela e horizonte de longo prazo.
Simulações da XP Investimentos mostram que uma aplicação inicial de R$ 10 mil pode chegar a R$ 17.954,24 em cinco anos no Tesouro Selic 2031 (vencimento em 1º de março de 2031). No mesmo período, um CDB que renda 100% do CDI levaria o montante a R$ 17.913,53, enquanto uma LCI ou LCA com retorno equivalente a 85% do CDI acumularia R$ 17.589,34. Já a poupança, opção mais popular entre os brasileiros, faria os mesmos R$ 10 mil se transformarem em R$ 14.137,34.
Conforme o professor de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) Marco Martins, a queda de 0,25 ponto percentual teve efeito limitado sobre as recomendações para os investidores. “A Selic está caindo, mas a taxa de juros real, acima da inflação, continua bastante elevada. Ainda vivemos um cenário de juros reais altos, então o investidor deve priorizar estratégias mais simples”, afirma.
Segundo ele, a renda fixa segue sendo a alternativa mais favorável em um ambiente marcado por incertezas externas, inflação ainda elevada e redução gradual dos juros. Ainda assim, para quem deseja investir em ações, Martins recomenda limitar a exposição a uma parcela menor do patrimônio e manter uma carteira diversificada.
“A Bolsa sempre envolve mais incertezas e, neste momento, temos tanto fatores externos quanto internos que ainda geram cautela. A queda da Selic ainda é pequena. Com juros reais elevados, fica difícil recomendar uma exposição maior à renda variável”, avalia.

Pós-fixados ganham destaque

Na avaliação do economista e professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Pucrs), Gustavo Inácio de Moraes, o corte da Selic reforçou a atratividade dos investimentos pós-fixados. “A redução foi extremamente discreta. E a tendência é de novos cortes, mas sem reduções significativas, principalmente porque a inflação ainda permanece acima do teto da meta”, diz.
Embora os títulos indexados à inflação, como os IPCA+, continuem sendo uma alternativa, Moraes observa que eles perderam parte da atratividade diante do aumento das incertezas relacionadas aos combustíveis, ao cenário geopolítico e aos preços dos alimentos.
“Nesse contexto, recomendamos que o investidor prefira títulos pós-fixados atrelados à Selic. Mesmo com a queda recente, a taxa continua elevada e esses investimentos seguem apresentando vantagem em relação a outras aplicações”, destaca.
Para ele, os papéis do Tesouro Selic disponíveis no Tesouro Direto são uma das principais opções para os investidores mais conservadores. A recomendação é priorizar vencimentos mais curtos, até 2027, devido às incertezas sobre a trajetória futura da economia.
É importante destacar que esses valores são estimativas baseadas em premissas simplificadas, como manutenção de taxas médias futuras, reinvestimento contínuo dos rendimentos e ausência de mudanças tributárias ou macroeconômicas relevantes. Na prática, os retornos reais podem variar conforme o comportamento da Selic, do CDI e das condições de mercado ao longo do período.
Outro ponto relevante é que o retorno do Tesouro Selic pode variar caso o investidor venda o título antes do vencimento, já que o preço de mercado oscila conforme as expectativas de juros.

Poupança ainda lidera entre os brasileiros

Apesar da menor rentabilidade (conforme mostra o gráfico acima), a poupança continua sendo a aplicação mais utilizada no País. Dados da 9ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro, da Anbima, mostram que 22% da população possui recursos na caderneta, à frente dos títulos privados (7%) e dos fundos de investimento (5%).
Entre os próprios investidores, entretanto, a participação da poupança vem diminuindo. Em cinco anos, o percentual de pessoas que mantêm recursos na modalidade caiu de 75% para 61%, enquanto os títulos privados avançaram de 8% para 20%. Moraes considera que a permanência na caderneta é justamente um dos principais erros dos investidores.
“A poupança oferece baixa rentabilidade e sua principal vantagem, que é a liquidez, pode ser encontrada em outros produtos mais rentáveis. Os bancos oferecem CDBs com liquidez diária ou mensal que permitem acesso rápido aos recursos e costumam render mais”, afirma.
Marco Martins acrescenta que outros erros frequentes são concentrar todo o patrimônio em um único ativo e investir sem conhecer os riscos envolvidos. “Nunca se deve desrespeitar o próprio perfil de investimento e nunca investir em algo que não se entende. Muitas vezes, o investidor procura soluções fáceis sem compreender os riscos envolvidos”, ressalta.
Embora parte do mercado associe uma Selic de um dígito ao aumento do interesse pela renda variável, os especialistas afirmam que não existe um número mágico capaz de tornar automaticamente as ações mais atrativas.
“A atratividade da renda variável depende muito mais das perspectivas para as empresas e para a economia do que de um nível específico da Selic”, conclui Martins.

Praça Mall de Gravataí recebe mais de R$ 1 milhão em novas operações

Rua Coberta de Gravataí recebe  aportes de quatro novos empreendimentos

Rua Coberta de Gravataí recebe aportes de quatro novos empreendimentos

praça mall/divulgação/jc
Eduardo Torres
Eduardo TorresRepórterA Praça Mall, mais conhecida como a Rua Coberta de Gravataí, no centro da cidade, atrai novas operações e investimentos. Somente em uma dessas operações, da padaria Adulla, serão mais de R$ 1 milhão desembolsados. Ao todo, quatro novas operações chegam ao empreendimento.
A Adulla está entre as duas que preparam a instalação no lado externo da Praça Mall, voltada a atender ao público em geral com um aumento no mix comercial daquele espaço. Outras duas empresas instalam-se na parte interna da rua coberta, na área destinada aos empreendimentos de gastronomia.
De acordo com os administradores da Praça Mall, seguem as negociações para ampliar ainda mais o mix comercial para fortalecer a atratividade do espaço para consumidores e empreendedores de Gravataí. Os segmentos de gastronomia e serviços seguem sendo as prioridades. A expectativa é de que novos anúncios aconteçam nos próximos meses.
Paralelamente, e como forma de atrair novos operadores, há uma série de melhorias em fase de implementação na infraestrutura. Entre elas, a instalação de 21 câmeras de monitoramento, além de alarmes integrados para melhorar a segurança de lojistas, colaboradores e frequentadores.
"Também passamos a oferecer wi-fi gratuito aos usuários e climatização em áreas estratégicas para ampliar o conforto aos visitantes e qualificar a experiência de permanência na Praça Mall", destaca a sócia e investidora do empreendimento, Maya Nakahara.
Atualmente, a Praça Mall reúne 25 operações, com destaque para o segmento gastronômico. De acordo com Maya, a estratégia para os próximos meses é ampliar a complementaridade entre os negócios já existentes e as novas operações, fortalecendo a capacidade de atração do empreendimento e ampliando as opções de consumo, serviços e conveniência disponíveis ao público.

Ponte do Fandango será reaberta após conclusão de obra estratégica na BR-153

Liberação da Ponte do Fandango encerra meses de travessia por balsa e deve normalizar o fluxo de veículos entre as duas margens do Rio Jacuí

Liberação da Ponte do Fandango encerra meses de travessia por balsa e deve normalizar o fluxo de veículos entre as duas margens do Rio Jacuí

DNIT RS/Divulgação/JC
Gabrieli Silva
Gabrieli SilvaRepórter
A Ponte do Fandango, em Cachoeira do Sul, está prestes a ser liberada ao tráfego após mais de um ano de intervenções. A vistoria conclusiva ocorre nesta quinta-feira (25), com a presença do ministro dos Transportes, George Santoro, e deve anteceder a liberação da travessia à população nos próximos dias, segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).
A entrega representa a conclusão de uma das principais intervenções rodoviárias realizadas no Rio Grande do Sul após as enchentes, restabelecendo um corredor estratégico para a mobilidade da região central e para o transporte de cargas. Localizada na BR-153, a ponte integra importantes eixos logísticos do Estado e conecta rotas com acesso ao Porto de Rio Grande.
Com investimento de R$78 milhões, a reabilitação elevou a estrutura em 3,14 metros e ampliou sua capacidade de carga de 24 para 45 toneladas. As melhorias adequam a ponte aos padrões atuais de engenharia, aumentam sua resiliência a eventos climáticos extremos e permitem a circulação de veículos de maior porte.
Na última atualização divulgada pelo Dnit, a obra havia atingido cerca de 90% de execução física e entrava na etapa final, com serviços concentrados nos acessos, na pavimentação e na instalação de sistemas de segurança e sinalização que são considerados determinantes para a liberação ao tráfego.
Inicialmente prevista para abril, a entrega foi reprogramada devido à complexidade das fases finais. Segundo o órgão, a execução simultânea de intervenções estruturais e operacionais, além de ajustes técnicos ao longo do projeto, impactou o cronograma.
Impactos e travessia provisória
Durante o período de obras, a interdição da Ponte do Fandango alterou a rotina da população e a dinâmica econômica de Cachoeira do Sul. Desde fevereiro, quando a travessia foi totalmente bloqueada para veículos, moradores, trabalhadores, transportadores e produtores rurais passaram a depender exclusivamente da balsa para cruzar o Rio Jacuí.
A embarcação Deusa do Jacuí, adotada como solução provisória pelo DNIT, tornou-se parte da rotina da cidade. Em períodos de maior movimento, motoristas enfrentaram filas e esperas que chegaram a quatro horas. Com capacidade limitada e operação condicionada às condições de navegabilidade, a travessia exigiu a reorganização da logística de empresas, do transporte de cargas e dos deslocamentos diários da população.
Com a conclusão das obras na ponte, a expectativa é de normalização dos fluxos e ganho de eficiência logística. A nova estrutura deve oferecer mais segurança, fluidez no tráfego e maior capacidade de transporte, especialmente em períodos de safra.
Agenda no Estado
Além da vistoria em Cachoeira do Sul, o ministro dos Transportes também cumpre agenda em Santa Maria, onde participa da entrega de uma nova etapa da Travessia Urbana. O empreendimento, com investimento de cerca de R$450 milhões, busca melhorar a mobilidade e a segurança viária nas BRs 158, 287 e 392.