sexta-feira, 6 de março de 2026

Os últimos dias do Terceiro Reich

berlim - a queda

berlim - a queda

EDITORA PLANETA/DIVULGAÇÃO/JC

Jaime CimentiA tomada de Berlim pelo Exército Vermelho foi um dos capítulos mais devastadores da Segunda Guerra Mundial. Em janeiro de 1945 o Exército Vermelho, numa ação de extrema vingança , alcançou  as fronteiras do Terceiro Reich e devolveu os maus tratos e  anos de violência impostos pela Wehrmacht e pela SS nos territórios ocupados.
Berlim em ruínas: A queda – 1945 ( Crítica-Planeta do Brasil, 560 p. , R$ 159,90 , tradução de Rafael Rocca dos Santos ) de Antony Beevor, ex-militar, escritor best-seller e um dos mais respeitados autores sobre a Segunda Guerra Mundial , autor de obras como  Dia D; A Batalha de Ardenas Rússia , publicados no Brasil pela Planeta, é , acima de tudo, uma grande reconstrução da tomada da capital alemã.
Com base em arquivos inéditos e testemunhos diretos, Beevor elaborou muito mais do que apenas um registro histórico. A obra é um relato trágico e profundamente humano , em que orgulho e loucura, heroísmo e medo, abnegação e crueldade se entrelaçam. O drama da população civil alemã , abandonada à própria sorte pelo regime que não admitia a derrota e a proibição de evacuação que produziu a morte de centenas de milhares de mulheres e crianças estão narrados na obra, com precisão e contundência. Os inocentes morreram vítimas de frio, fome e violência.
Para o autor poucas coisas revelam mais sobre os líderes políticos e os sistemas que administraram do que a maneira como se deu a queda. Por isso, diz ele,  jovens, especialmente na Alemanha, que admiram certas facetas do nazismo, devem pensar sobre o tema.

lançamentos

Juntos chegaremos lá! (Matrix Editora, 179 pág, R$ 35,00), de Guilherme Afif Domingos, administrador, empresário e político, ex-vice-governador de SP, ex-ministro e ex-presidente do Sebrae e atual Secretário de Estado em SP, traz suas memórias e revela bastidores da construção de um Brasil empreendedor. Autor do art. 179 da Constituição, que criou o Simples e o MEI.
Os esquecidos de domingo (Editora Intrínseca, 288 pág, R$ 59,00), da premiada francesa Valérie Perrin, autora de Três e Água fresca para as flores, é seu romance de estreia, de 2015. Justine, 21 anos, mora num vilarejo da Borgonha com os avós. Seus pais morreram. Distrai-se com as peripécias de Jules, as noites de sábado na boate e o emprego numa clínica geriátrica, onde vai se relacionar com uma senhora de quase cem anos e muita coisa vai acontecer.
Malária (Tinta da China, 168 pág, R$ 79,90), de Carmen Stephan, escritora e jornalista alemã radicada na Bahia, autora do livro de contos Brasília Stories, une autoficção e divulgação científica. A narradora é absolutamente improvável: é a fêmea de anófeles, que picou a autora e lhe transmitiu malária. O mosquito se sente culpado e aí muita coisa vai acontecer, com o mosquito e a vítima convivendo e se conhecendo.
Dona Assunción,a Dona Asun
Como se sabe, uma boa biografia é a que coloca a pessoa biografada, especialmente se já falecida, a circular, sorrir e falar para os leitores e trazer boas e inspiradoras lembranças e úteis ensinamentos. Esse é bem o caso da obra Asunción - A saga de uma imigrante, em segunda edição ampliada e atualizada, de Sandra M. Rocha, publicitária, escritora e designer e especializada em Marketing.
A primeira edição do livro teve prefácio de Antônio Longo, Presidente da AGAS, e esta segunda foi prefaciada por Paulo Sérgio Pinto, Vice-Presidente da Rede Pampa de Comunicação. Ricardo Breier, advogado e professor, Simone Lopes e Ricardo Chaves, jornalistas do Correio do Povo e da Zero Hora, respectivamente, assinaram apresentações. 
Dezenas de lindas fotos em preto e branco e em cores acompanham o envolvente e emocionante texto, que traz a impressionante trajetória de Assunción Romacho García, fundadora de um dos maiores grupos varejistas do Sul do Brasil, o Grupo Asun, que tem mais de quarenta estabelecimentos e milhares de colaboradores.
Esta nova edição tem três novos capítulos, novas ilustrações, prefácio de Paulo Sérgio Pinto, relatos sobre o lançamento da primeira edição do livro em 2027 e sobre os últimos dias de Dona Asun no Brasil e na Espanha, onde faleceu em 24 de junho de 2017.
Assunción nasceu na Espanha, numa família de dez filhos, em 1928. Tinha oito anos quando a Guerra Civil Espanhola começou, e 11 anos quando a terrível Segunda Guerra Mundial iniciou. Aos dez anos, Asun auxiliava no auxílio a combatentes feridos; aos treze, substituiu sua professora de bordado, que adoecera. Em 1960 veio para o Brasil com os três filhos, Ernesto, Antônio e Pepito,de  6, 4 e 2 anos. Em 1968 nasceu Asuncionita, a Nita, sua única filha mulher.
Assunción, a doce e forte Abuelita, católica fervorosa e de muita fé, trabalhou muito em casa e fora dela, em diversas atividades. Bordava, costurava e exerceu outras tarefas até abrir seu primeiro mercado. Cavalhada, Quintão e depois muitas outras localizações foram recebendo a energia, o trabalho ético e honesto e o sentido social e empreendedor da matriarca que até hoje traz sua marca indelével de superação, determinação e persistência. Dona Asun, além da competência empresarial, deixou um legado de simplicidade, moralidade, enfrentamento de dificuldades, eficiência e foco na família, nos colaboradores e nos clientes.
Quatro filhos, treze netos e doze bisnetos compõem a grande família de Asunción, que sempre ensinou aos descendentes sobre a importância do trabalho, do estudo, da solidariedade, da ética, da religiosidade, da boa alimentação e da prática de exercícios. A Abuelita nos legou também, como não poderia deixar de ser, uma ótima receita da autêntica Paella e um bom conselho para que a gente faça uma sesta diária de, no máximo, vinte minutos, para recarregar as baterias.
a propósito
Paulo Sérgio Pinto escreveu no prefácio: "Dona Asun foi, antes de tudo, uma guerreira que nunca perdeu a doçura. Na complementaridade da vida encontrou, por escolha, a eternidade. Ela soube buscar em sua terra natal, a sua Guadix, o caminho das estrelas, fez história em dois continentes, na constelação de empreendedores e empreendedoras que deixaram a vida para entrar na glória dos corações e mentes de sua família, de amigos e de todos os que conheceram ou venham a conhecer sua trajetória". Palavras muito merecidas para uma doce guerreira, um exemplo para todos, neste mundo polarizado carente de bons líderes, referências duradouras e normas saudáveis de convívio, trabalho e forma de viver. (Jaime Cimenti)

 Yara consolida Cruz Alta como sua plataforma logística para o centro do País

Da nova estrutura sairão os fertilizantes misturados em Cruz Alta, os prontos produzidos em Rio Grande e os trazidos do Exterior

Da nova estrutura sairão os fertilizantes misturados em Cruz Alta, os prontos produzidos em Rio Grande e os trazidos do Exterior

Yara/Divulgação/jc
Eduardo Torres
Eduardo TorresRepórter
Cruz Alta consolida-se como um posto logístico avançado da Yara Fertilizantes para atender não apenas o mercado da maior produção de grãos do Rio Grande do Sul, entre o Norte e o Centro do Estado, mas também compradores de fertilizantes do Centro-Oeste, especialmente Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, onde concentra-se a maior demanda pelo produto no País. Esse é apontado como o principal objetivo da multinacional norueguesa, que inaugurou na manhã desta quinta (5) um novo Centro de Distribuição na cidade, junto à sua unidade de produção em Cruz Alta, finalizando um investimento de R$ 4,5 milhões no armazém de 14 mil metros quadrados.
Sairão dali tanto os fertilizantes misturados em Cruz Alta quanto aqueles prontos, produzidos em Rio Grande ou trazidos do Exterior pela Yara Fertilizantes.
"Cruz Alta cada vez mais se fortalece como um polo logístico que é fundamental para nossas operações no Rio Grande do Sul. Temos, no setor de fertilizantes, uma necessidade muito grande por facilitações logísticas, capacidade de entregarmos o produto que o cliente precisa, com o menor tempo possível. A cidade tem, além das facilitações rodoviárias, uma verdadeira fortaleza ferroviária. Além de garantirmos uma sinergia completa com a nossa unidade de Rio Grande, que é a principal e mais moderna produtora de fertilizantes da América Latina", afirma o diretor de operações da Regional Sul e Cerrado da Yara, Lucas Elizalde.
Segundo ele, nos últimos anos foi possível perceber que, em Cruz Alta, além dos clientes próximos e de propriedades do Norte gaúcho, há um fluxo importante de caminhões que, ao retornarem do Porto de Rio Grande, onde descarregam grãos, cruzam por ali no caminho para o Centro-Oeste, e fazem a compra dos fertilizantes para aquela região.
Hoje, a fábrica da Yara Fertilizantes em Cruz Alta gera uma movimentação diária de até 100 caminhões no município, e gera 110 empregos. A estimativa é de que este movimento amplie em torno de 20% e que sejam gerados até 15 novos empregos em Cruz Alta. O faturamento por volume da unidade também deve ampliar em 25%. Com um diferencial logístico considerado fundamental pela empresa.
"Até então, a produção, com uma capacidade estática de 50 mil toneladas, é toda vendida a granel. Ou seja, quando o comprador chega, é preciso preparar as big bags, e isso gera tempo e custo logístico. Com o novo armazém, teremos as big bags prontas, como um mercado, com pronta entrega para o cliente", explica Elizalde.
Produção local vai aumentar
O Centro de Distribuição terá armazenados, exclusivamente, os produtos do portfólio da Yara. A capacidade de produção na unidade, com o aumento do potencial de armazenagem e distribuição, deve ampliar em torno de 100 mil toneladas por ano, chegando a 400 mil toneladas de fertilizantes misturados ali. No entanto, entre 75% e 80% dos produtos a serem armazenados no local chegarão prontos de Rio Grande, onde a empresa, além da mistura, garante a granulação completa para a produção das suas fórmulas próprias de fertilizantes com capacidade de 1,5 milhão de toneladas por ano -- a maior produção da América Latina -- e ponto de chegada, pelo porto, dos produtos nitrogenados já prontos trazidos pela multinacional. A Yara prepara ainda, também com uma unidade misturadora, outros 300 a 400 mil toneladas anuais em Porto Alegre.
De acordo com Lucas Elizalde, 100% da produção em Cruz Alta é garantida pela matéria-prima transportada a partir de Rio Grande, 70% dela por trens a partir da planta industrial no Sul do Estado.
O aporte no novo Centro de Distribuição deve ser o principal da Yara Fertilizantes em novas estruturas este ano no Rio Grande do Sul. A empresa não informa o valor total a ser investido no Estado em 2026, mas Lucas Elizalde aponta que haverá desembolsos para melhorias em processos industriais da empresa em busca de maior eficiência, e por consequência, maior capacidade produtiva com a estrutura já instalada.
Mesmo com o apontamento da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA) de que houve aumento de 7,7% nas entregas de fertilizantes no País em 2025, chegando a 49,11 milhões de toneladas, sendo 10% disso no Rio Grande do Sul -- a quarta maior demanda entre os estados do Brasil --, a produção nacional de fertilizantes responde atualmente por somente 15% da demanda da produção rural nacional.
FICHA TÉCNICA
Investimento: não informado
Estágio: Em execução
Empresa: Yara Fertilizantes
Cidades: Cruz Alta, Rio Grande
Área: Indústria

Indústria do aço brasileira está sob ataque das importações desleais, diz André Gerdau

André Gerdau Johannpeter aponta a necessidade da adoção de medidas contra a ameaça das importações predatórias

André Gerdau Johannpeter aponta a necessidade da adoção de medidas contra a ameaça das importações predatórias

TÂNIA MEINERZ/JC
Cláudio Isaías
Cláudio IsaíasRepórter"Os desafios do setor do aço no Brasil estão relacionados ao aumento das importações. Existe uma demanda doméstica importante, mas a importação cresceu demais, praticamente quase triplicou nos últimos anos e isso tirou uma parte importante do mercado doméstico dos produtores nacionais. O grande desafio tem sido a defesa comercial porque muito desse aço que tem entrado no País é aço que vem da China". A análise é do presidente do Conselho de Administração da Gerdau, André Gerdau Johannpeter. "O aço vem da Ásia a preço abaixo de custo, dumping e práticas desleais. A indústria do aço brasileira está sob ataque das importações desleais", destaca. Nesta quinta-feira (3), Johannpeter participou da primeira reunião-almoço de 2026 da Associação do Aço do Rio Grande do Sul (AARS).
O executivo da Gerdau abordou o tema "Aço Brasil - desafios do setor". De acordo com ele, é difícil concorrer com os chineses porque os subsídios do governo de Pequim possibilitam que as usinas chinesas reduzam seus preços abaixo do custo de produção. Gerdau destaca que o impacto das importações chinesas no Brasil resultou na perda de 5.100 empregos e investimentos de R$ 2,5 bilhões.  
De acordo com o presidente do Conselho de Administração da Gerdau, a indústria do aço tem tido um bom diálogo com o governo federal, através do Ministério da Indústria e Comércio e com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, para adoção de medidas contra a ameaça das importações predatórias, especialmente o aço chinês, que satura o mercado nacional com preços desleais devido ao excesso de capacidade produtiva na Ásia. "É necessário diante desse cenário a adoção urgente de mecanismos de defesa comercial e tarifas protetivas para garantir a sobrevivência dos produtores locais", ressalta. De acordo com Gerdau, as importações diretas atingiram 5,7 milhões de toneladas em 2025, 160% acima da média histórica, tomando 27% das vendas internas. "As importações de aço contido em bens atingiram 6,1 milhões, totalizando 11,8 milhões de toneladas que ingressaram no País em 2025", acrescenta.
Para Gerdau, a sustentabilidade da indústria do aço e da cadeia metalmecânica requer continuidade da aplicação de medidas de defesa comercial mais eficazes e políticas de conteúdo local. "A redução do Custo Brasil é fator essencial para a recuperação da competitividade sistêmica da indústria e a retomada do crescimento econômico do Brasil", ressalta.
Gerdau destaca que a China é o maior produtor e consumidor de aço no mundo, mas o consumo diminuiu no país asiático. "O governo de Pequim para não parar suas máquinas e para não causar desemprego exporta muito aço para o restante do mundo", comenta. 
O presidente em exercício da AARS, Sergio Neumann, disse que o Brasil importou mais aço no ano passado - 64% da China e segue a tendência de crescimento. "Esse movimento ameaça a produção nacional e corremos o risco de redução de investimentos e corte de empregos se nada for feito no curto e médio prazo", acrescenta. Segundo Neumann, a importação do aço está entre as maiores preocupações da indústria brasileira. "O aço chinês entrando no Brasil  com tarifas reduzidas e subsidiado pelo governo de Pequim bate de frente com o produzido no Brasil", lamenta. 
Gerdau no Brasil conta com 24 mil funcionários e 13 plantas industriais no Ceará, em Minas Gerais, no Paraná, em Pernambuco, no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Sul e em São Paulo. São 73 filiais de distribuição de aço, 11 centros de reciclagem, oito hubs e quatro Centros de Serviço. A empresa atua nos  mercados da construção (civil, metálica, fundações e contenções), indústria (energia, agricultura) e distribuição. No Rio Grande do Sul, são 3.900 funcionários e duas plantas de produção de aço (Charqueadas e Sapucaia do Sul). A empresa possui uma unidade de corte e dobra e seis unidades da Comercial Gerdau. A Gerdau é líder na reciclagem de sucata ferrosa no Rio Grande do Sul.