sexta-feira, 8 de maio de 2026

 A IA super-humana pode nos matar?

se alguem criar todos morrem

se alguem criar todos morrem

EDITORA INTRÍNSECA/DIVULGAÇÃO/JC

Jaime CimentiA inteligência artificial é um dos temas globais dominantes atualmente. Em 2023 centenas de personalidades do campo da tecnologia assinaram uma carta aberta alertando sobre os riscos que as inteligências artificiais representam para a vida humana. Desde então a corrida da IA se intensificou com países e empresas criando máquinas cada vez mais inteligentes. O mundo não está preparado para isso.
Se alguém criar, todos morrem ( Editora Intrínseca, 320 p., R$ 68.30) de Eliezer Yudkowsky e Nate Soares, pesquisadores e  especialistas pioneiros  em IA com longa experiência e  reconhecimento internacional levantam uma questão mundial essencial: por que a IA super-humana pode nos matar.  O livro foi best-seller instantâneo no The New York Times e foi eleito com um melhores livros de 2025 por The New Yorker; The Guardian e Booklist.
Os autores pesquisaram o tema durante décadas. Eles mostram como as IAs superiores à inteligência humana vão pensar, se comportar e perseguir seus objetivos. Essas IAs podem desenvolver metas conflitantes com a humanidade e vencer. Os humanos não teriam a menor chance na disputa. Mas ainda dá tempo de pensar e agir.  
Depois de bem diagnosticar o problemão, os autores apontam possíveis caminhos para a humanidade sobreviver.No capítulo final, número 14, os autores se dirigem diretamente a governantes, políticos, jornalistas e leitores em geral e apontam ideias e ações para enfrentar as IAs super-humanas. Os autores entendem que não apenas os cientistas devem esclarecer sobre as IAs e que a imprensa tem o dever de explicar às pessoas o que elas estão enfrentando.
Não é à toa que Max Tegmark, professor do MIT e autor de Vida 3.0 considerou Se alguém criar, todos morrem o livro da década. Sem dúvida os governos globais devem reconhecer os riscos e partir para uma ação conjunta e efetiva, que ao fim e ao cabo é de interesse de todos. Já tivemos medo de bombas nucleares. Agora o inimigo é outro. Temos que fazer, cada um de nós, a nossa parte.

Lançamentos

Tudo sobre Deus (Editora Planeta, R$ 47, 160 p.) do premiado e consagrado escritor angolano José Eduardo Agualusa é protagonizado por um homem que vai morrer e compra uma igreja abandonada, no deserto, onde vai morar. Nos meses que lhe restam vai lembrar da filha, da arte de se despedir e do milagre de permanecer. Finitude, memória, culpa e redenção estão na obra.
Refúgio do tempo (Estação Liberdade, R$ 64.80, 286 p.) romance do premiado búlgaro Gueorgui Gospodinov , ganhou o International Booker Prize de 2023. O autor é considerado um Proust do Leste e com ficção memorialística traz a história recente de uma Europa inquieta. O protagonista cria uma “clínica do passado” para tratar o Alzheimer. Romance macabro, bem-humorado, fala de tempo, nacionalidade e identidade.    
O que se passa na cabeça de um médico ? (Casa do Escritor, 178 p.) de Rodrigo Silva Müller, médico, gestor hospitalar e professor, abre a mente médica e revela o raro: o raciocínio por trás das decisões, das dúvidas , da cautela e, por vezes, da coragem de dizer “não sei”. Humor ácido, histórias reais e reflexões surpreendentes e a ironia da medicina pós-moderna estão na obra, para se saber como a medicina realmente funciona.

Colaborando com a cultura rio-grandense

A sagrada, por vezes profana, e multissecular missão do jornalista não deve se resumir a informar, comentar, interpretar, analisar, opinar, editar, reportar e filtrar 'contiúdos'. Imbuído desse espírito holístico, hoje apresento minha modesta colaboração à nossa cultura rio-grandense, que, como se sabe, tem façanhas e modelos com projeção nacional e internacional. Então, sem mais prolegômenos e delongas, vamos às frases que reinventam nosso universo gaudério:
a propósito
"Mais marrento que pêssego correntino metido a damasco portenho."
"Mais falante que uruguaio depois de uma garrafa de Tannat."
"Mais solita e deslocada que a estátua do Laçador."
"Mais perigoso e caro que ter amante argentina, chácara de fim de semana, avião, cavalo no prado, mansão tombada, livraria e barco."
"Mais demoradas que as obras do Cinema Imperial."
"Mais lembrado e na boca do povo que o Mario Quintana, o Imortal dos leitores."
(Jaime Cimenti)

 Com dívida de R$ 1,42 bilhão, Cotribá tem recuperação judicial suspensa pelo TJRS

Com cerca de 11 mil associados, cooperativa agropecuária é a mais antiga do País

Com cerca de 11 mil associados, cooperativa agropecuária é a mais antiga do País

COTRIBÁ/DIVULGAÇÃO/JC

JC
JCAna Esteves, especial para o JC
O Banco Votorantim (BV), um dos credores da Cotribá (Cooperativa Agrícola Mista General Osório), de Ibirubá, recorreu à decisão da justiça que autorizou, no final de abril deste ano, o processo de recuperação judicial (RJ) da cooperativa, e conseguiu a suspensão da mesma junto ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS). A justificativa da instituição financeira, para quem a cooperativa deve mais de R$ 15 milhões, se deve à impossibilidade legal de uma cooperativa utilizar o mecanismo de RJ, o qual é viável apenas para empresas. O entendimento consolidado, no âmbito dos tribunais, é de que cooperativas agropecuárias não podem pedir recuperação judicial, mas sim, liquidação extrajudicial, como ocorreu com as cooperativas Piá e Languiru. A recuperação judicial confere maior proteção para o devedor, permite maior margem para negociação coletiva - com a aprovação da maioria dos credores e sem precisar da anuência de todos eles -, diferentemente da liquidação extrajudicial.
 Em 2025, a cooperativa entrou com um pedido anterior ao de recuperação judicial, chamado de tutela antecedente, através do qual a parte comunica que vai entrar com pedido de recuperação judicial por conta de questões urgentes que, via de regra, são vencimentos de dívida. Na época, o juiz aceitou a tutela antecedente e determinou que a Cotribá seria parte legítima para pedir a recuperação judicial. Todos os credores entraram com recursos no TJRS, quando foi concedido o efeito suspensivo e a cooperativa desistiu do processo. Em abril deste ano, a cooperativa entrou novamente em juízo, dessa vez com o pedido direto de recuperação judicial, que também foi concedido, ocasionando novo recurso por parte dos credores que resultou na suspensão do processo de recuperação judicial.
Através de nota, a Cotribá informou que “está trabalhando nas próximas fases de sua reestruturação diante de seu pedido de recuperação judicial, processo que corre em segredo de justiça”. A Cotribá é a cooperativa agropecuária mais antiga do País, fundada em 1911. Tem em torno de 11 mil associados e gera cerca de 800 empregos diretos.
 

Varejo gaúcho espera alta nas vendas para o Dia das Mães

Gasto pessoal médio deverá ser de R$ 282,59, conforme pesquisa da Fecomércio-RS

Gasto pessoal médio deverá ser de R$ 282,59, conforme pesquisa da Fecomércio-RS

TÂNIA MEINERZ/JC

Marina Mugnol
Marina MugnolApesar de o cenário econômico atual se mostrar desafiador, a semana que antecede o Dia das Mães, uma das datas mais importantes para o varejo e de maior valor sentimental, promete vender mais do que no ano passado. Dados levantados por entidades que representam o setor no Estado indicam que, neste ano, embora o consumidor esteja mais cauteloso, a previsão para a data, que será celebrada no próximo domingo (10), é de aumento no tíquete médio das compras de presentes.
Conforme pesquisa realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio-RS), que ouviu 523 pessoas de oito cidades do Estado, 51,6% dos entrevistados apontaram que devem gastar o mesmo que no ano passado, enquanto 30,7% irão gastar mais ou muito mais neste ano.
De acordo com Giovana Menegotto, economista da entidade, ainda que o cenário de crescimento seja positivo, o aumento é modesto. “Apesar de a perspectiva ser favorável, ela ocorre em um cenário difícil, no qual as famílias enfrentam condições desafiadoras em relação ao seu orçamento. As famílias estão muito atentas sobre as compras que vão fazer para presentear a mãe, mas, obviamente, como há uma motivação afetiva em relação à data, as pessoas mesmo assim irão presentear”, explica.
A pesquisa ainda mostrou que o gasto pessoal médio deverá ser de R$ 282,59. Seguindo o padrão histórico do levantamento, os homens deverão gastar mais com o presente para as mães, com uma média de R$ 345,90, enquanto que o gasto das mulheres será de R$ 234,10. 
O resultado da pretensão de compras reflete diretamente no desenvolvimento econômico do Estado. A projeção da Federação das Câmaras de Comércio e de Serviços do Rio Grande do Sul (FCCS-RS), por exemplo, indica uma injeção de R$ 2,5 bilhões no comércio gaúcho este ano. 

Tendências para este Dia das Mães

A Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre (CDL-POA) mapeou os itens mais procurados para presentear no Dia das Mães. De forma inédita, artigos de perfumaria, maquiagem e cosméticos lideram o ranking, com 23,4% das intenções de compra. Esta é a primeira edição da pesquisa em que outra categoria supera a de vestuário, que aparece com 20,1%. Em seguida, estão flores, com 8,6%, e calçados, com 7,6%.
Além desses itens, a busca por produtos sustentáveis também chamou a atenção. Dados do Sindicato dos Lojistas do Comércio de Porto Alegre (Sindilojas POA) indicaram uma mudança no perfil de consumo, com maior atenção dos consumidores a fatores como sustentabilidade. Assim, 71,5% dos entrevistados afirmam estar dispostos a pagar mais por produtos ou práticas sustentáveis.
Segundo o presidente da entidade, Arcione Piva, a tendência de produtos que prezam pela sustentabilidade já aparecia há alguns anos, mas não com essa intensidade. “Os problemas ambientais pelos quais passamos nos últimos anos refletem esse comportamento do consumidor. A consciência estará cada vez mais voltada a cuidar da natureza e a evitar situações que possam eventualmente trazer prejuízos”, afirma.
A pesquisa do sindicato também mostrou que a busca por produtos locais vem chamando a atenção. Segundo os dados, 83,5% dos consumidores afirmam preferir comprar em lojas da região, sendo a loja física o principal ponto, concentrando mais de 80% das intenções de compra.
Ainda assim, dados da CDL-POA mostram que as compras pela internet registraram um crescimento de 7,4 pontos percentuais em comparação a 2025. Segundo Oscar Frank, economista-chefe da entidade, embora o varejo físico tenha um apelo humanizado, por ser um ponto de contato com o consumidor, o fenômeno das compras digitais é multifacetado e uma herança deixada pela pandemia.
“A disponibilidade de o e-commerce aumentou muito por uma questão de competitividade. Em função das transformações sociais, o consumidor busca comodidade e, como a compra online oferece uma vitrine disponível 24 horas por dia, sete dias por semana, a compra digital tem ganhado mais popularidade, principalmente em datas como esta”, explica.