quinta-feira, 23 de julho de 2026

 

Tempo acelerado

Será que, por dentro, sabemos que vamos morrer?

Há uma intuição adormecida do nosso fim? Guardamos uma duração estimada do nosso tempo por aqui? Talvez não a hora exata, porém uma baliza capaz de revelar que não falta tanto, que devemos acelerar as memórias?

Será que o inconsciente possui um cronômetro, que faz com que certas pessoas sejam mais intensas e passionais, com que sintam mais urgência, sede, gula de viver?

Porque uns caminham, outros correm, e alguns poucos voam. Porque uns têm paciência, outros prudência, e alguns poucos uma voracidade enigmática.

É o que me peguei pensando ao assistir ao documentário Eu Não Ando Só, que acabou de estrear na Globoplay.

Preta Gil foi um vulcão, um escândalo de espontaneidade.

Despediu-se jovem, aos 50 anos, em julho de 2025. No entanto, a sensação é a de que atravessou séculos entre nós.

Começou a cantar publicamente só aos 30 anos, nem por isso adotou uma postura medrosa. Misturou balada, samba, funk, afoxé e MPB. Extrapolou seu berço famoso com um estilo próprio, com a autoridade de quem não levava desaforo para casa. Sua leveza e seu humor tornavam qualquer show irrepetível.

Pretinha acumulou encarnações e várias biografias simultaneamente. Atuou como atriz e empresária, defendeu o corpo livre e o empoderamento feminino com o álbum Prêt-à-Porter, desafiou convenções, calou o racismo e a gordofobia, arrastou 1 milhão de foliões em um único desfile na capital fluminense com seu bloco de Carnaval, dominou rádios e plataformas de streaming com os hits Sinais de Fogo, Só o Amor e Decote.

No especial, a amiga Ivete Sangalo destacou sua soberania de existir. Dava sempre o melhor de si. Não se economizava. Apesar de presa a uma cama, debilitada, não abria mão do capricho de escolher o pijama ideal para uma noite: de coração, de sorvete ou de gato.

Tudo em sua passagem parece se encaixar. Como num filme roteirizado antes de seu nascimento. Sua última apresentação, suportando dores lancinantes de um câncer terminal, aconteceu ao lado do pai, Gilberto Gil, interpretando Drão, a música dedicada a sua mãe, Sandra. Criou um adeus a sua voz com os protagonistas de seu parto. Não é arrepiante, mágico, estranhamente perfeito?

Ela queria viver mais. Dizia que ainda viveria muito a cada volta por cima, a cada cirurgia, a cada tratamento, a cada nova tentativa médica. Nunca deixou de viver, mesmo quando sobrevivia. Nunca deixou de despertar emoções nos mais próximos.

Como se não pudesse esperar. Como se o amanhã fosse logo embora. Como se carregasse uma clarividência escondida.

Suas cinzas estão espalhadas em pingentes distribuídos entre 12 leais amigos, seus apóstolos da alegria. Já seu fogo jamais se apaga. Somos testemunhas de seu calor humano inextinguível. _

CARPINEJAR

23 de Julho de 2026
GRÊMIO -Marco Souza

Na altitude

Chance para o futebol aparecer

Tricolor joga hoje em La Paz, cidade situada 3,6 mil metros acima do nível do mar, contra o Bolívar, pelos playoffs da Sul-Americana. Equipe terá um meio-campo mais defensivo, com Leonel Pérez, Villasanti e Dodi e a saída de Gabriel Mec. Rival da equipe gaúcha contratou quatro reforços durante a pausa para a Copa

O Grêmio subiu a montanha em busca de soluções. A ida até La Paz, cidade situada a 3,6 mil metros de altitude, terá uma versão diferente do time. Uma estratégia pensada para fazer frente ao Bolívar, na partida de ida dos playoffs da Copa Sul-Americana, e tentar trazer um bom resultado a Porto Alegre antes do retorno dos jogos do Brasileirão e da decisão contra o Mirassol na Copa do Brasil.

A busca por soluções terá a ausência de Luís Castro na beira do campo. O clube anunciou que o técnico passou por avaliações médicas e a decisão foi por sua permanência em Porto Alegre. Por conta de problemas respiratórios de outros anos, Castro teve a recomendação de não viajar para locais com altitude. Mesmo assim, com Vitor Severino na casamata, a equipe foi montada e preparada pelo treinador no CT Luiz Carvalho.

A principal mudança pensada é a troca no meio-campo. Gabriel Mec deixa os titulares para o retorno da estrutura de três volantes no setor. A escolha por Dodi e Villasanti, com Leonel Pérez na proteção, é parte da estratégia para conseguir um bom resultado na Bolívia.

Além da questão tática, a equipe terá outra mudança importante. Carlos Vinícius cumpre o primeiro dos dois jogos de suspensão na Copa Sul-Americana. O centroavante recebeu a punição pela expulsão contra o Montevideo City Torque. Uma porta aberta para o retorno de Braithwaite ao time titular.

Para aumentar a velocidade no setor defensivo, Luis Eduardo e Wagner Leonardo jogarão juntos na defesa. A tendência é de que Pavon e Pedro Gabriel atuem nas laterais, com o ataque composto por Enamorado, Tetê e o centroavante dinamarquês.

Adversário

O experiente goleiro Carlos Lampe, 39 anos, acredita que o Bolívar tem chance de eliminar o Grêmio. A crença do jogador, que é titular da seleção nacional, se baseia nos confrontos recentes que o clube viveu em competições continentais. No último deles, em abril, venceu o Fluminense por 2 a 0, em La Paz, pela fase de grupos da Libertadores.

- O Bolívar é um dos poucos que podem eliminar um time brasileiro. Sabemos do poderio econômico que eles têm. Somos uma equipe que compete, que tem claro o que tem de fazer e agora, contra o Grêmio, não vai ser exceção - disse Lampe.

Mesmo com a vitória sobre os cariocas, o Bolívar foi eliminado da Libertadores. Pela queda, o clube demitiu o antigo treinador, o argentino Flavio Robatto. E encarou as duas rodadas finais com o interino Vladimir Soria. Para o segundo semestre, chegou o colombiano Alejandro Restrepo, de passagens por Atlético Nacional e Independiente Medellin, da Colômbia, e Alianza Lima, do Peru.

O jogo de volta pelos playoffs da Copa Sul-Americana está marcado para o dia 30 de julho, na Arena. _

Copa Sul-Americana

Playoff (ida) - 23/7/2026

Bolívar x Grêmio

Lampe; Jesús Sagreso, Echavarría, Arreaga e José Sagredo; Justiniano, Robson Matheus e Melgar; Romero, Patito Rodríguez e Cauteruccio

Técnico: Alejandro Restrepo

Weverton; Pavon, Luis Eduardo, Wagner Leonardo e Pedro Gabriel (Caio Paulista); Leonel Pérez, Dodi e Villasanti; Enamorado, Tetê e Braithwaite

Técnico: Vitor Severino (interino)

HORÁRIO: 19h

LOCAL: Estádio Hernando Siles, em La Paz

ARBITRAGEM: Roberto Perez, auxiliado por Jesus Sanchez e Stephen Atoche

VAR: Diego Haro (todos do Peru)

O JOGO NO AR: a Rádio Gaúcha abre a jornada às 18h15min. Paramount+ anuncia transmissão. Siga a narração torcedora e acompanhe também a Jornada Digital em GZH

 

23 de Julho de 2026
OPINIÃO RBS

Reagir não significa confrontar

O Brasil está desde ontem sob um novo e ilógico tarifaço imposto pelos EUA. Quatro mil produtos brasileiros passaram a ser onerados em mais 25%. É provável que, nos próximos dias, o país e outras dezenas de nações sofram com outra taxação de 12,5%, pela acusação de que de alguma forma se beneficiariam de trabalho forçado para ganhar competitividade. A melhor resposta que o Brasil pode dar passa longe de querer dar um troco na mesma moeda às agressões comerciais despropositadas da Casa Branca. A reação deve ser refletida e combinar estratégias nas frentes interna e externa, com medidas de curto e longo prazo.

Seria um erro uma retaliação frontal, taxando exportações norte-americanas. O principal argumento contra o tarifaço é o de que a estratégia dos EUA é contraproducente. Encarece insumos e produtos finais para empresas e consumidores. Não faria sentido lançar mão do mesmo expediente, que parece descartado. Esse método, aliás, tenderia a contaminar politicamente ainda mais negociações. Exacerbaria o ímpeto vingativo do governo Donald Trump, que, como define o linguajar sulino, se comporta como um prevalecido.

É possível o uso da Lei da Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso em 2025. O emprego do instrumento, porém, teria de ser muito bem calibrado. Como a sua aplicação depende de uma tramitação longa, com tratativas diplomáticas, avaliação da Câmara de Comércio Exterior (Camex) e consultas públicas, há tempo para perscrutar cenários, evitar medidas açodadas e até fazer a legislação funcionar como um mecanismo de pressão.

Neste primeiro momento, é essencial ouvir empresas e setores mais atingidos e prestar o apoio necessário às companhias prejudicadas pelo tarifaço. Muitas estão no Rio Grande do Sul. A nova sobretaxa afeta 18% das exportações brasileiras, mas chega a quase metade dos embarques gaúchos para os EUA. O programa de amparo anunciado ontem, de R$ 18,5 bilhões, precisa chegar à ponta sem maiores entraves.

Em paralelo, há a promessa de empenho para abertura de novos mercados, por meio de um programa da ApexBrasil, autarquia federal que atua na promoção comercial do país no Exterior. O caminho é acertado, mas nem sempre dá resultados imediatos. Ademais, muitas empresas produzem itens bastante específicos, em conformidade com as normas norte-americanas, e não têm facilidade de redirecioná-los para outros destinos.

Por fim, é vital ampliar a aposta na diplomacia empresarial. Está claro que os canais de interlocução entre os governos deixaram de fluir. As diferenças políticas dificultaram o diálogo. A retórica de ambos os lados não suscita a esperança de retomada de tratativas produtivas. Torna-se imprescindível que companhias e entidades empresariais brasileiras reforcem os contatos com os clientes ou congressistas norte-americanos, para que estes pressionem a Casa Branca ao menos para que a lista de exceções aumente. Quanto mais despolitizada a mobilização, melhor. A estratégia, no entanto, tem de ser coordenada com o governo.

A assimetria de poder econômico indica que a resposta brasileira não deve ser a confrontação direta. Isso não significa falta de firmeza, mas habilidade para ler cenários e definir as melhores linhas de ação para contornar a investida da Casa Branca contra o Brasil. 

Investigação contra Juliana Brizola é arquivada

O Ministério Público (MP) pediu e a Justiça gaúcha determinou, na semana passada, o arquivamento da investigação contra a ex-deputada estadual Juliana Brizola (PDT). Pré-candidata ao governo do Estado, Juliana havia sido indiciada pela Polícia Civil por supostamente se apropriar de dinheiro da avó materna, Dóris Daudt. Segundo o promotor criminal Leo Mario Heidrich Leal, a decisão pelo pedido se deu "por ausência de prova de desvio fraudulento ou apropriação indébita".

Conforme a investigação policial, ela teria desviado recursos da aposentadoria e de uma indenização recebida pela avó. Dóris morreu em novembro do ano passado, aos 99 anos. Desde fevereiro do mesmo ano, ela estava sob curatela de Juliana. No pedido de arquivamento, Leal afirma que o espólio de Dóris permanece solvente (quando o valor total em dinheiro e bens deixados pelo morto é maior do que as dívidas) e que as movimentações financeiras suspeitas eram adiantamento da participação de Juliana na herança que teria a receber da avó.

O inquérito teve origem em ação movida pelo tio de Juliana, Alfredo Daudt Júnior. Ao acessar extratos bancários de Dóris - que mantinha conta-conjunta com Juliana -, ele percebeu saldo negativo de R$ 44 mil. A dívida inquietou Alfredo, pois Dóris tinha pensão mensal de R$ 25 mil e havia recebido R$ 1,8 milhão de indenização em 2024.

O tio de Juliana apresentou notícia-crime na Polícia Civil, anexando extratos bancários que registravam R$ 520 mil em empréstimos no nome de Dóris, além de despesas e transferências de dinheiro que não teriam relação com os cuidados médicos da mãe dele, na época enfrentando sequelas de um AVC. Segundo a Polícia Civil, os extratos mostravam gastos em restaurantes, viagens, lojas de luxo e transferências para familiares de Juliana.

Desavença

A ex-deputada sempre negou qualquer desvio dos recursos da avó e creditava a investigação a uma desavença familiar com o tio. Em sua defesa, disse que mantinha a conta conjunta desde 2018 por iniciativa de Dóris, que teria conhecimento e dado consentimento sobre todas as despesas.

- Foi feita justiça. Era uma questão familiar e meu tio percebeu que nunca houve descuido com relação a dinheiro. Minha relação com minha vó era de mãe e filha. Fico chateada porque foi usado politicamente contra mim, como se eu tivesse esse algum desvio de conduta - afirma Juliana.

"Tendo as partes transacionado (Juliana e o tio) e reconhecido a regularidade das contas na esfera cível e sucessória, a intervenção do Direito Penal revela-se desnecessária e desproporcional, ante a ausência de lesão a bem jurídico que justifique a persecução criminal", afirma o MP.

Nas quatro páginas do documento em que pede o arquivamento do inquérito, o promotor afirma que Alfredo apresentou elementos que sanaram as suspeitas. Segundo Leal, Alfredo "manifestou expressa concordância com as contas apresentadas por Juliana Brizola".

- Venho de uma família extremamente perseguida. Fizeram uma varredura na minha vida e não encontraram nada. Muitos agentes políticos foram para a internet dizer que eu havia roubado minha avó. Vão ter que lavar a boca, pois vou processar todos eles - finaliza Juliana. _

Colaborou Adriana Irion e Fábio Schaffner

Acirramento de ânimos entre candidatos ao Senado

No terceiro encontro entre os oito candidatos ao Senado, ontem, o primeiro enfrentamento mais quente. Mesmo com um formato que não previu confronto direto entre os postulantes, o painel promovido pela Federasul ganhou cara de debate.

Nas respostas que foram mais longas que o habitual, com três minutos cada, os participantes aproveitaram para inserir alfinetadas aqui e ali, acirrando os ânimos. Participaram todos os oito pré-candidatos: Frederico Antunes (PSD), Germano Rigotto (MDB), Marcel Van Hattem (Novo), Ubiratan Sanderson (PL), Paulo Pimenta (PT), Manuela D?Ávila (PSOL), Milton Cardoso (PSDB) e Renato Jaguarão (Cidadania) - que foi convidado de última hora após pedido que partiu dos opositores à Federasul.

Assim como na segunda-feira, na Fecomércio, o impeachment de ministros do STF foi o assunto dominante. Desta vez, entretanto, a propaganda e regulamentação das bets no Brasil gerou momentos de discussão e embate entre os concorrentes. _

Mais um percalço para Flávio Bolsonaro

Depois de levar um carão da senadora Tereza Cristina (PP-MT), ex-ministra da Agricultura de Jair Bolsonaro, o candidato do PL a presidente, Flávio Bolsonaro, sofreu ontem um golpe que fragiliza ainda mais seu projeto político. O presidente do PP, Ciro Nogueira, comunicou ao senador que seu partido e o União Brasil ficarão neutros na eleição presidencial.

Além do significado simbólico, de isolamento, existe o efeito prático. Sem aliados, diminui o tempo do candidato na propaganda de rádio e TV e a campanha perde capilaridade.

Há ainda um problema adicional. Mesmo que a decisão do PP e do União seja a neutralidade, os deputados e senadores ficam liberados para apoiar outros candidatos, o que em alguns Estados inclui o presidente Lula. _

Plano de contingência precisa ser aprimorado

A cheia dos rios Taquari e Caí, que deixou pessoas desabrigadas ontem, mostrou que os sistemas de previsão e monitoramento do governo do Estado precisam ser aprimorados.

Até a véspera, a Defesa Civil informava que não havia risco de alagamento. Ontem de manhã, foi preciso acionar o sinal sonoro de alerta nos telefones de quem estava no Vale do Taquari para avisar que, sim, era preciso sair de áreas ribeirinhas.

Pegos de surpresa, moradores de algumas regiões precisaram usar barcos para sair de casa. Em outras, foi possível retirar móveis e eletrodomésticos de caminhão para evitar que fossem levados pela água.

O coordenador da Defesa Civil, coronel Luciano Boeira, reconheceu que nas cabeceiras dos rios choveu além do previsto nos modelos meteorológicos, provocando a elevação súbita dos níveis do Taquari e do Caí. A chuva bem acima da média estava nas previsões da Defesa Civil desde a metade da semana passada, quando passaram a ser divulgados alertas para fenômenos climáticos extremos, sobretudo na Fronteira Oeste, Zona Sul e Campanha.

Com a cheia repentina do Taquari e do Caí, será preciso o governo rever pontos do seu plano de contingência. É fato que houve acerto na maioria das previsões, mas essa não estava no radar. Tanto é que o governador Eduardo Leite publicou um vídeo dizendo que não havia risco de alagamento e precisou apagá-lo. 

Uma amostra do que pode vir

O que estamos assistindo neste final de julho é uma amostra do que o El Niño pode trazer para o Rio Grande do Sul nos próximos meses. Os meteorologistas dizem que o pior ainda está por vir. São especialmente preocupantes os meses de setembro e outubro.

POLÍTICA E PODER

quarta-feira, 22 de julho de 2026

 

MÁRIO CORSO

Receita da longevidade

O dia começa com uma corrida de madrugada, depois musculação e termina com ioga. Pela tarde, um treino aeróbico, natação, pilates e drenagem linfática. Mas sem exageros, no domingo não precisa fazer musculação, afinal, a ideia é relaxar.

Quebre o jejum com suco morno de limão. Não pode faltar no café da manhã iogurte grego desnatado com whey protein, kefir, frutas vermelhas, própolis, semente de abóbora, castanhas e alpiste. Para beber, kombucha e suco verde de alfafa.

Aproveite o momento do chá de cavalinha para os suplementos matinais: cápsulas de omega 3 e de linhaça, ácido fólico, fibras prebióticas, creatina, vitaminas do complexo B, beta-alanina, sulfato ferroso, colecaciferol e carbonato de cálcio. O melhor colágeno é de cartilagem de barbatana de tubarão. Acerte o nível de magnésio. Aliás, como a humanidade sobrevivia sem magnésio? Tem tantos magnésios, qual o seu? Aquele que combina com seu signo.

Não esqueça dos peptídeos bioativos hidrolisados. Acrescente uma dose de ashwagandha para baixar o cortisol, reduzir o estresse e curar a fadiga. Depois, para desintoxicar, é a hora do ginko biloba, da maca peruana da chlorella e da spirulina azul. Use a coenzima Q10 para energizar suas mitocôndrias. Com isso, dê adeus ao envelhecimento celular.

O almoço é sem carne vermelha, sem carboidrato, sem gordura, com muitas folhas verdes cruas temperadas com azeite de oliva de santa extravirgem e sal do Himalaia. Para beber, suco de babosa. Hora da berberina, o hype do momento para emagrecimento, controle glicêmico e equilíbrio ortomolecular quântico.

No meio da tarde, depois da meditação, para estimular seu cérebro, iria sugerir guaraná em pó, mas é tão século 20. O guaraná está precisando de um rebranding, então vamos de matcha chai.

Para o jantar - com talheres de bambu -, algas marinhas com óleo de coco e vinagre de maçã para desinflamar o fígado. Consuma com água alcalina para neutralizar o pH do corpo. Quando sentir fome, lembre que não é fome, é jejum. Durma com as galinhas.

Se isso vai te dar uma prolongada vida não sei, mas se tiveres uma rotina assim, teus dias vão parecer uma eternidade. A felicidade é breve, a chatice é longa. _

MÁRIO CORSO

 

OPINIÃO

Ênfase na disputa leal por votos

O crescimento do número de denúncias de descumprimento de regras de propaganda eleitoral, no Estado e no país, é mais um prenúncio de que o pleito de 2026 tende a ter elevada carga de tensão. Na Justiça Eleitoral do Rio Grande do Sul, a quantidade de casos sobre divulgações irregulares ou antecipadas é, até aqui, três vezes maior do que no mesmo período de 2022. No Tribunal Superior Eleitoral (TSE), até os últimos dias do primeiro semestre o número de representações protocoladas foi quase multiplicado por quatro.

Conteúdos produzidos por inteligência artificial (IA) fora das normas estão entre as principais queixas. Combater a circulação de material em desacordo com os limites permitidos será um dos grandes desafios desta eleição. A popularização das ferramentas de IA contribui para o risco de uso desordenado.

Deve ser saudada, nesse contexto, a iniciativa do Tribunal Regional Eleitoral do Estado (TRE-RS) de reunir os partidos políticos para assinar um documento em que se comprometem a fazer uma campanha limpa. O pacto por uma disputa íntegra foi firmado na segunda-feira. Participaram também o Ministério Público Eleitoral e a seção gaúcha da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RS). O documento trata de desinformação, assédio eleitoral, violência política, uso de IA e destinação correta de recursos às campanhas de candidaturas femininas, de pessoas pardas e pretas e dos povos originários.

A adesão das agremiações políticas à declaração de respeito às regras democráticas da disputa pelo voto é positiva. Ainda assim, é revelador que a Justiça Eleitoral considere necessário que as legendas reforcem o compromisso com as regras do jogo. Resta esperar a observação rigorosa das normas. Mas sabe-se também que desinformação, deepfakes e conteúdos gerados por IA, especialmente para atingir adversários, muitas vezes são criados, disparados e compartilhados por pessoas sem ligação formal com as campanhas, além de serem espalhados por contas automatizadas. 

Seria bem-vindo um gesto em que as próprias candidaturas fizessem manifestações públicas de repúdio a manipulações e condutas desleais e de defesa do uso somente de métodos lícitos na batalha pelo convencimento dos eleitores. A atitude poderia ajudar a desencorajar terceiros a produzir e a propagar material voltado a confundir os cidadãos.

A utilização de IA é permitida, mas é obrigatório informar o uso da tecnologia e qual ferramenta foi empregada. É liberado ainda o impulsionamento de postagens nas redes sociais, quando se paga para elevar o alcance da mensagem, mas não com ataques a outros candidatos. As regras foram aprovadas em março pelo TSE. São amplamente conhecidas pelos partidos, portanto. Aguarda-se que colaborem para a integridade do processo democrático.

A disputa pela preferência do eleitor permite o embate duro entre os pretendentes aos cargos, mas uma escolha contaminada por falsidades não é verdadeiramente livre. Melhor farão as siglas e os concorrentes se priorizarem o confronto de ideias construtivas e a apresentação de propostas factíveis que auxiliem no desenvolvimento socioeconômico do Estado e do país. _

Opinião do leitor

Carpinejar

Fabrício Carpinejar nos brinda diariamente com textos muito bem escritos. Sua coluna "Irmão de Messi" (ZH, 21/7) nos traz uma pérola: "O ouro da taça não supera o Rio da Prata dos olhos de Messi". Essa frase tem toques de gênio! _

João Carlos Stona Heberle

Médico - Cruz Alta

Vorcaro

A tática de Daniel Vorcaro de se imiscuir, sem distinção, entre figuras relevantes do três poderes da República parece que está atingindo seus propósitos. Uma a uma, as vozes que bradavam por justiça subitamente silenciaram. Perderam o interesse de levar o caso adiante, aumentando a probabilidade de repetir o mesmo desfecho dos escândalos anteriores. Nada de novo. Seria apenas mais um caso entrando na coleção de impunidades características desses crimes. _

Rubens Correa Rechden

Aposentado - Porto Alegre

Pais e filhos

Hoje, pais se livram da chatice de criar filhos dando celulares para eles. Quando, mais tarde, os filhos se livrarem da chatice de cuidar dos velhos colocando-os em asilos, entenderão o que é reciprocidade. _

Lauro Becker- Empresário - Porto Alegre

Treinador

Ser eliminado nas oitavas de final da Copa do Mundo é o equivalente a ser rebaixado. E o técnico responsável pelo fracasso, Carlo Ancelotti, teve em maio o contrato renovado, pasmem, por mais quatro anos! Foi a pior Seleção de todos os tempos. Vergonhoso. _

Regis Nestrovski- Jornalista - Porto Alegre

Técnico argentino

Na final da Copa do Mundo, o técnico argentino, Lionel Scaloni, copiou a tática do treinador do Brasil, Carlo Ancelotti, de dar a bola para o adversário. Mereceu perder! _

Vital Romaneli Penha- Aposentado - Jacareí (SP)

PPPs em escolas

As PPPs das escolas estaduais somente seriam viáveis se fossem construídas a partir do zero. Em terreno próprio, com estruturas material e pedagógica próprias, em locais onde o governo não alcança e onde haja falta de atendimento a comunidades sem oportunidades para crianças e adultos. Deveriam proporcionar educação profissional, oferecer maior carga horária e custear os profissionais concursados. Assim, todos ganhariam. _

Benjamin Barbiaro- Professor aposentado - Porto Alegre

OPINIÃO

 


EM FOCO

Taxação extra de 25% imposta pelo governo dos Estados Unidos a produtos brasileiros foi definida na semana passada. Impacto abrange cerca de 18% das exportações nacionais e metade dos embarques do RS para o mercado norte-americano

Tarifaço dos EUA contra o Brasil entra em vigor

Pedro Garcia

Sem avanços nas negociações diplomáticas, o novo tarifaço dos Estados Unidos contra produtos brasileiros entrou em vigor à 1h01min de hoje, no horário de Brasília. A sobretaxa de 25% deve atingir cerca de 18% das exportações nacionais e quase a metade dos embarques do Rio Grande do Sul para o mercado norte-americano.

Com a nova taxação, confirmada na última quinta-feira pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), a tarifa efetiva média sobre todas as exportações do Brasil para os EUA vai subir de 11,7% para 18,2%, segundo a Global Trade Alert, plataforma independente de monitoramento de políticas comerciais. Com isso, o país passará a ser o segundo mais tarifado pelos EUA, atrás apenas da China, cuja tarifa média chega a 27%. Até então, o Brasil estava na 13ª posição.

O tarifaço vai impactar quase metade das exportações do Rio Grande do Sul (48,2%) para os EUA, segundo cálculo da Federação das Indústrias do Estado (Fiergs). O país é o segundo principal destino dos embarques do RS. Embora o governo norte-americano tenha divulgado uma ampla lista de exceções, somente 2% do total exportado pelo Rio Grande do Sul aos EUA foi incluído, com destaque para alguns itens de couro e pescado.

Enquanto isso, setores relevantes para a economia gaúcha permanecem afetados, como máquinas e equipamentos, equipamentos elétricos, calçados, móveis, tabaco, produtos metalúrgicos e diversos bens manufaturados.

A nova sobretaxa se somará às tarifas aplicadas com base na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962, sobre produtos como aço, alumínio e seus derivados, e que atingem 36,9% dos embarques do Estado. No total, de acordo com a Fiergs, 85,1% das exportações do Rio Grande do Sul aos Estados Unidos estão sob impacto de taxação extra.

Esse cenário, conforme a entidade, mantém um elevado nível de restrição ao comércio bilateral, reduzindo a competitividade da indústria gaúcha no mercado norte-americano.

- A tarifa de 25% coloca o Brasil entre os países com maior custo de acesso ao mercado norte-americano, atrás apenas da China, ampliando nossa desvantagem frente aos principais concorrentes internacionais - afirma Claudio Bier, presidente da Fiergs.

Lista de 4 mil itens

A sobretaxa de 25% vai afetar importantes setores exportadores do país, como madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis, produtos cerâmicos, calçados e açúcar. Ao todo, a lista de produtos sujeitos à nova tarifa tem cerca de 4 mil itens.

O governo federal estima que 18% das exportações brasileiras para os EUA serão afetadas, o equivalente a US$ 7,4 bilhões. A sobretaxa agrava um cenário que já vinha pressionando as exportações nacionais.

De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), desde 2025 as exportações brasileiras para o mercado norte-americano diminuíram 13%, o equivalente a US$ 2,6 bilhões. A retração foi influenciada pela redução de 8,7% nas vendas de bens industriais.

- Os efeitos do aumento de tarifas dos Estados Unidos estão sendo cada vez mais sentidos pela indústria brasileira: 20 dos 27 Estados reduziram suas exportações ao mercado norte-americano no primeiro semestre - avalia Ricardo Alban, presidente da CNI

Apesar do impacto, alguns dos principais produtos de exportação do Brasil estão na lista de exceções, que tem cerca de 2,2 mil itens.

Entre eles estão produtos bovinos, café e especiarias, aeronaves civis e peças, suco de laranja, frutas e nozes, minérios e combustíveis e produtos químicos e farmacêuticos. _

Quais são os argumentos dos EUA?

O tarifaço é baseado em uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, para analisar supostas práticas comerciais desleais por parte do Brasil.

Ao final da apuração, o órgão recomendou a imposição de uma tarifa geral de 25% sobre diversos produtos brasileiros.

Dentre as práticas apontadas no relatório do USTR que prejudicariam a economia norte-americana, estão barreiras digitais (decisões do Judiciário brasileiro que impactaram big techs americanas e alegações de favorecimento estatal ao sistema Pix), mercado de etanol (dificuldades de acesso de produtores dos EUA ao mercado brasileiro) e fatores ambientais e governança (falhas na fiscalização do desmatamento ilegal e problemas no combate à corrupção).

O governo brasileiro vai retaliar?

O vice-presidente Geraldo Alckmin descartou ontem à noite o uso imediato da Lei da Reciprocidade pelo governo federal. "Olho por olho pode acontecer dos dois ficarem cegos", disse Alckmin, ao destacar que essa lei serve de instrumento de defesa, mas deve ser usada com cautela.

Em encontro com Alckmin e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, representantes do setor de máquinas e equipamentos se posicionaram contra o uso da reciprocidade em razão de risco de agravamento de cenário.

Quais as medidas para aliviar o impacto?

Na última sexta-feira, o Ministério da Fazenda solicitou ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a liberação de R$ 7,25 bilhões ao Tesouro para socorrer empresas afetadas. A ideia é oferecer novas linhas de crédito com juros subsidiados, reforçando o Fundo de Garantia à Exportação (FGE).

Outras medidas, como ajustes no Plano Brasil Soberano para ampliar a elegibilidade das empresas, abertura de novos mercados para exportações e ações para reduzir o chamado Custo Brasil também estão no radar do Planalto.

Há risco de nova taxação em breve?

Há a possibilidade de uma nova taxação contra o Brasil que pode ser confirmada ainda esta semana.

Em entrevista ontem à CNBC, o chefe do USTR, Jamieson Greer, afirmou que o governo norte-americano anunciará "em breve" decisão sobre tarifas relacionadas ao uso de trabalho forçado nas cadeias de produção.

De acordo com Greer, 60 países devem ser atingidos pela medida. O Brasil está na lista e pode ser taxado em 12,5%, conforme recomendação do relatório preliminar publicado pelo USTR no dia 3 de junho.


 

Rodrigo Lopes

Político não pode fugir do debate

Sempre que um político decide fugir dos debates, lembro de uma lição da Venezuela. Em diferentes momentos do chavismo, parte da oposição concluiu que participar de eleições, debates e espaços institucionais apenas legitimaria um regime que considerava autoritário. Abandonou o campo político. O resultado não explica, por si só, a consolidação da ditadura chavista-madurista, mas revela um ensinamento importante: quando a democracia ainda oferece espaços de confronto público, abandoná-los costuma fortalecer quem permanece neles.

A omissão é a pior decisão. Mas não chega a surpreender que o presidente Lula avalie faltar a todos os debates com os demais candidatos nos encontros promovidos por emissoras de TV e outros veículos de imprensa. A preocupação é que o político de esquerda fique exposto no confronto com adversários, todos de direita.

Lula já adotou essa tática em 2006. Em 1998, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) também não compareceu aos debates. Como candidato à presidência, Jair Bolsonaro (PL) teve ausências em debates em dois momentos distintos, mas por razões diferentes. Antes do atentado, na pré-campanha, não participou por estratégia. Dias depois, a estratégia foi parcialmente revista. Bolsonaro compareceu ao debate da Band (9 de agosto) e ao da RedeTV! (17 de agosto).

Em 6 de setembro, sofreu o atentado a faca em Juiz de Fora e foi hospitalizado. A partir daí, deixou de participar de todos os debates restantes do primeiro turno por recomendação médica. Em 2022, a situação foi diferente. Bolsonaro participou da maior parte dos debates televisivos, enquanto Lula foi o candidato que mais faltou a alguns confrontos do primeiro e do segundo turno.

O problema é que a eleição não pertence apenas aos candidatos. Pertence também aos eleitores. Os duelos servem para que o cidadão compare projetos, teste a capacidade de reação dos candidatos diante de perguntas incômodas, observe como lidam com críticas e avalie quem está mais preparado para governar. Com exceção de alegações envolvendo temas de saúde, político que foge do debate alega estratégia. Mas, na verdade, está sendo covarde. _

Destaque internacional para laboratório da UFRGS

O Criosfera 1 - módulo científico brasileiro na Antártica e projeto liderado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) - alcançou mais um marco de projeção global.

Após ser destacado na série Pole to Pole, da National Geographic, a produção audiovisual em que aparece foi indicada ao Wildscreen Panda Awards 2026, o prêmio mais prestigiado do mundo para produções sobre vida selvagem, natureza e ambiente. Apresentada pelo ator Will Smith e disponível no Disney+, a série conta com o episódio The South Pole, que acompanha uma expedição ao módulo. O projeto do INCT da Criosfera é coordenado pelo professor Jefferson Cardia Simões. _

Entrevista- Ana Toni
CEO da COP30

"Não precisamos mais traduzir o que é a mudança do clima"

Um dos principais nomes da pauta da mudança climática no Brasil e no mundo, a CEO da COP30, Ana Toni, esteve na Capital na segunda-feira para participar da Semana da Ação Climática de Porto Alegre. Em entrevista à coluna, ela falou sobre o legado da conferência de Belém, sobre o contato da sociedade com a pauta ambiental e sobre a transição energética.

Qual o principal legado da COP30 para o Brasil?

O legado é colocar o Brasil para o mundo como um provedor de soluções climáticas. Mudou a percepção do mundo com o Brasil como um problema climático, que, antes, era a maneira que o mundo olhava, para se tornar um provedor de soluções climáticas. Esse é um grande legado para o Brasil. Para o mundo, eu diria que há alguns legados, mas acho que o mais importante é o de ter mudado essa ficha de sair da ênfase e da priorização da negociação para colocar prioridade na implementação, para agilizar as ações climáticas que precisamos. Isso não é abandonar a negociação, mas reforçar a necessidade de agilizarmos a implementação.

Como o Brasil vai entregar a coordenação da COP30 para a COP31?

Volto para a implementação. Trabalhamos muito com os governos da Turquia e da Austrália, que são os dois que estão dividindo a COP31, para essa pegada da implementação e acelerar as ações climáticas. A agenda de ação da COP30, a estrutura que foi montada, os seis eixos, foram mantidos, acelerando a implementação. Esse é o maior legado e foi muito abraçado pela COP31 e também pelos atores que estão ao redor.

Algumas pessoas enxergam um distanciamento do que é debatido entre os negociadores nas COPs com a população em geral. Há esse distanciamento?

Você tem toda razão, e tem havido esse distanciamento. Hoje, escutei de uma das lideranças sobre isso: "Como assim, as pessoas vão para a COP, um bando de diplomatas se encontra lá, e não sabemos como isso está afetando o nosso dia a dia?". Esse era um dos objetivos da COP30, dessa aproximação com o dia a dia das pessoas. E acho que essa aproximação está acontecendo pelo bem e, infelizmente, pelo mal. Quando vemos uma cidade como Porto Alegre, que tanto sofreu com a mudança do clima, não precisamos mais traduzir o que é a mudança do clima para uma população que sofreu na pele com as suas próprias vidas, negócios, as consequências da mudança do clima. Isso começa, infelizmente, a ficar muito real no dia a dia das pessoas.

Recentemente, a senhora falou sobre a crise no Oriente Médio e que o Estreito de Ormuz mostrou a necessidade de pensar em energias renováveis, de diversificar as fontes. Como fazer essa transição?

Felizmente as energias renováveis, hoje em dia, já são mais baratas do que a energia fóssil. Isso é um grande estímulo ao consumidor. Começamos a ter agora alternativas para poder fazer essas escolhas de maneira consciente e mais fácil, porque, como falei, ninguém gosta de mudança. Então as mudanças que estão vindo são para conseguirmos fazer com que elas facilitem a vida.

Um exemplo é o caso da usina de Candiota, no sul do Estado, em que a Justiça Federal suspendeu a operação. Porém, várias cidades da região dependem desse setor econômico. Como combinar essa equação?

Primeiro, colocar as pessoas no centro desse debate. Aqueles trabalhadores que dependem daquele emprego, tem de ser pensado como eles vão sobreviver. Vamos pensar em novas capacitações para essas pessoas, realocá-las para outros empregos. Isso tem que ser planejado e feito. Ao mesmo tempo, percebemos, principalmente no tema de carvão aqui no Brasil, que é uma energia muito subsidiada há muitos anos. Aquele subsídio que está indo para as empresas poderia ir para os trabalhadores, não só para manter o trabalho, mas, se o trabalhador é a nossa prioridade, o subsídio poderia ir direto a eles. Esse é o debate que temos de fazer. 

INFORME ESPECIAL

terça-feira, 21 de julho de 2026

 

VIDA EM FAMÍLIA

Tem pet em casa? Saiba como diminuir o tamanho da mordida no seu orçamento

Cada vez mais integrados aos lares, animais de estimação podem representar um gasto mensal subestimado no universo financeiro do dia a dia. É preciso estar atento, por exemplo, ao fato de que eles estão vivendo por mais tempo. Para evitar sustos, é importante planejar

Não é de hoje que os animais de estimação passaram a ocupar um lugar de destaque nas famílias. E, como verdadeiros membros do lar, garantir sua qualidade de vida e manter a saúde em dia exige planejamento financeiro. Adotar um pet significa assumir despesas contínuas - muitas vezes crescentes ao longo do tempo - por um período que pode variar de sete a 15 anos, dependendo da espécie, da raça, das características do animal e, claro, de sua saúde.

A família Pias é a prova de que um pet pode transformar a rotina financeira de uma casa. Cinco pessoas resolveram rachar as despesas de Aretha, uma sheepdog de 50 quilos. O gasto mensal com a cadela de 11 anos inclui ração específica, plano de saúde, medicamentos para artrose e banhos semanais, entre outros, contabiliza a família.

- Os custos são bem maiores do que eram há alguns anos, porque hoje ela é uma cadela idosa e demanda mais cuidado. Em média, gastamos de R$ 1,4 mil a R$ 2 mil por mês. O nosso principal gasto com ela é a ração, já que ela é alérgica às mais acessíveis - conta Camille Pias.

O exemplo de Aretha mostra o porquê de o mercado pet ser tão aquecido. Segundo a Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação, o setor faturou R$ 75,4 bilhões no Brasil em 2024, e os lares já somam, em média, 1,8 animal de estimação por residência, conforme o IBGE.

A professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e educadora financeira Wendy Carrara afirma que alguns gastos devem ser tratados como despesas fixas, já que são previsíveis.

- É essencial ter a categoria "pet" no controle financeiro e, assim, incluir subcategorias como alimentação e plano de saúde - explica a professora.

Alerta para a falsa economia

A educadora financeira também diz que um dos erros mais comuns é acreditar que assinaturas vão tornar o custo mais baixo, pois às vezes elas podem dar uma falsa impressão de economia. O fato de ter uma assinatura com descontos em produtos pode fazer com que o consumidor acabe gastando mais em produtos que não são necessários. Essa é uma falsa economia, conforme a especialista. O grande erro acontece quando contratamos sem fazer comparações; por isso, é fundamental fazer um planejamento.

Outro erro comum é subestimar o custo total de ter um pet.

- Normalmente acham que é só comprar ração; esquecem que haverá vacina, vermífugo, consultas médicas, produtos... - diz a professora. Cabe ressaltar que só a organização financeira não garante uma economia real de custos. A prevenção também é uma forma de redução de gastos futuros, como afirma a médica veterinária Claudia Krefta.

- Quando acompanhamos o animal regularmente, conseguimos descobrir problemas que podem ser tratados em casa, sem necessidade de internação, o que normalmente sai muito mais caro - explica Claudia.

Ela reforça que o tutor que ignora as consultas de rotina corre o risco de precisar de atendimento de urgência - e os plantões acabam saindo até o dobro do preço, conforme a urgência.

Atenção aos check-ups

A recomendação é que cães e gatos, a partir dos sete anos, façam exames de sangue e cardiológicos a cada seis meses ou, no mínimo, uma vez por ano: - O tutor precisa lembrar que o pet vai envelhecer e que isso vai exigir exames e cuidados específicos. E mais custos também.

Outro ponto importante é conhecer a raça do animal. Algumas são predispostas a doenças específicas - boxers, por exemplo, têm maior incidência de problemas cardíacos, e golden retrievers, por exemplo, de linfomas - e o tutor deve perguntar sobre esse histórico ao veterinário. Já os vira-latas, apesar de geralmente mais resistentes, podem surpreender negativamente.

- Cada um é uma caixinha de surpresas - brinca a veterinária.

Em resumo, ter um pet exige não apenas amor, mas responsabilidade financeira. Pelo bem- estar dele e do nosso bolso. 

Produção: Caroline Goulart, estudante de jornalismo, sob orientação e supervisão de Caue Fonseca

 

NOTÍCIAS

Menos eleitores gaúchos irão às urnas nas eleições deste ano

Recuo

Enquanto Paraná e Santa Catarina expandiram seus respectivos colégios eleitorais, o Rio Grande do Sul foi na contramão do movimento e registrou encolhimento no total de aptos a votar. Apesar disso, dentro desse universo, mulheres ampliaram a liderança proporcional

O cenário eleitoral da região sul do Brasil apresenta movimentos distintos para o pleito de 2026. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o eleitorado total da região expandiu 1,34%, saltando de 22.558.759 para 22.861.012 pessoas, um incremento de 302.253 novos eleitores. O número de cidadãos aptos a votar cresceu 1,57% no Paraná e 4,30% em Santa Catarina. No entanto, o Rio Grande do Sul foi na contramão desse crescimento.

Em 2022, os gaúchos somavam 8.593.469 eleitores, número que recuou para 8.526.233 em 2026, representando uma redução absoluta de 67.236 (0,78%) votantes no Estado.

Até o momento não há uma explicação para a queda registrada no RS, mas o desinteresse em ir às urnas não é uma novidade no solo gaúcho. Em 2024, Porto Alegre teve a maior abstenção de sua história e o percentual mais alto entre as capitais brasileiras.

Apesar do recuo geral, as mulheres mantêm a liderança histórica no Estado e seguem sendo maioria entre os votantes, representando 52,89% do eleitorado gaúcho. Em 2022, o contingente feminino totalizava 4.524.133 (52,65% do eleitorado local). Em 2026, embora o número absoluto de mulheres tenha caído para 4.509.262, a fatia proporcional que elas ocupam no Estado subiu para 52,89%.

O eleitorado masculino seguiu o mesmo ritmo de queda em números absolutos: passou de 4.069.336 homens aptos em 2022 (47,35%) para 4.016.971 em 2026 (47,11%).

No país

O TSE informou ainda que 158.745.463 eleitores estarão aptos a votar nas eleições de outubro. A Justiça Eleitoral registrou crescimento de 2.291.452 (1,46%) eleitores em relação ao pleito de 2022.

A região norte do país ganhou o maior número de eleitores em relação ao último pleito presidencial. Houve aumento de 548.944 eleitores, número que representou alta de 4,37% no eleitorado regional. Em 2022, 12.560.410 pessoas estavam aptas a votar. Neste ano, serão 13.109.354. A Região Sudeste, por outro lado, foi a única do país a sofrer redução no número de votantes, com 378.090 menos em comparação a 2022 - um recuo de 0,56%.

O eleitorado no Exterior apresentou aumento de 31,82%. O número de brasileiros que vive fora do país passou de 697.078 para 918.876 pessoas. Quem está no Exterior só pode votar para presidente da República.

De acordo com o TSE, o número de mulheres aptas a votar permaneceu no mesmo patamar em relação ao pleito de 2022, quando foram registradas 82.373.164 mulheres (52,65%) no cadastro eleitoral. Neste ano, as mulheres somam 83.877.126 (52,84%).

Idade

A principal faixa etária do eleitorado está no grupo de 40 a 44 anos, composto por 15.994.390 (10,08% do total). Em seguida, estão as seguintes faixas etárias: 45 a 49 anos (15.271.754); 35 a 39 anos (15.262.815); 30 a 34 anos (15.178.204) e 25 a 29 anos (14.990.259). Também foi registrado crescimento de 4.566.099 eleitores na faixa com mais de 60 anos. O crescimento demonstrou que a participação dos eleitores idosos nas eleições subiu de 21,02% para 23,60% do total.

Os dados do TSE apontaram a queda de eleitores na faixa entre 21 a 34 anos. O número passou de 43.819.788 para 41.037.601. A participação no total caiu de 28,01% para 25,85%. Na faixa de 18 anos ou menos, houve queda de 606.468 eleitores. Nas eleições de 2022, 4.177.627 estavam aptos a votar. Em outubro, serão 3.571.159 pessoas nessa faixa. _

Moraes arquiva investigação contra Bolsonaro no caso "Abin Paralela"

Supremo

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou ontem o arquivamento da investigação contra o ex-presidente Jair Bolsonaro pelo uso ilegal da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo. O ministro seguiu parecer da Procuradoria-Geral da República e entendeu que Bolsonaro já foi condenado por fatos relacionados ao monitoramento ilegal de autoridades públicas no processo da trama golpista. O ex-presidente cumpre 27 anos e três meses de prisão.

Moraes determinou ainda que as acusações contra Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente, sejam enviadas para a Justiça Federal no Distrito Federal. A Polícia Federal apurou suposta ligação do chamado "gabinete do ódio" com o caso "Abin Paralela". 

Partidos firmam pacto por campanha justa no RS

Compromisso
Matheus Goulart

Representantes de partidos políticos no Rio Grande do Sul assinaram ontem um documento proposto pela Justiça Eleitoral no qual se comprometem a fazer uma campanha justa.

O documento representa um compromisso das legendas em relação a temas como enfrentamento à desinformação, repúdio ao assédio eleitoral nos ambientes de trabalho, uso legal e ético da inteligência artificial (IA) nas campanhas e correta destinação dos recursos públicos de campanha às candidaturas femininas, de pessoas pretas e pardas e de povos indígenas, bem como combate à violência política em suas diversas manifestações.

No ato, do qual participaram também o Ministério Público Eleitoral e a Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional do Rio Grande do Sul (OAB-RS), a presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RS), desembargadora Maria de Lourdes Braccini de Gonzalez, reforçou que essa é uma eleição com desafios inéditos ligados à tecnologia, como a IA.

- A disputa eleitoral pode e muitas vezes deve ser intensa, mas jamais desleal. As eleições de 2026 apresentam desafios inéditos. A inteligência artificial amplia extraordinariamente as possibilidades de comunicação política, mas toda a tecnologia carrega consigo uma responsabilidade proporcional ao seu poder - observou. 

 

OPINIÃO RBS

Sinal de mal-estar financeiro

É sintoma da sensação de mal-estar da população com a economia o dado apresentado na edição de Zero Hora de ontem demonstrando que 40% dos brasileiros com investimentos já precisaram resgatar dinheiro para pagar dívidas. O levantamento é da Serasa. Ter aplicação já é, de certa forma, um privilégio no país. Muitos cidadãos, que fazem malabarismos para fechar as contas todo mês, não têm essa condição.

Tem investimento, em regra, quem em algum momento conseguiu obter renda superior às despesas e pôde guardar dinheiro. Parte desses indivíduos é agora forçada a recorrer às reservas para honrar compromissos. É sinal de desequilíbrio nas finanças pessoais e gera desconforto, a despeito de ser lógica a decisão de sacrificar aplicações para pagar obrigações e evitar a bola de neve do endividamento, que não raro se transforma em inadimplência. Há casos em que se economiza como forma de ter uma espécie de fundo de emergência, mas muitas vezes poupa-se e investe-se para a realização de planos pessoais ou familiares.

Inúmeras pesquisas de opinião captaram, nos últimos anos, um sentimento de frustração dos brasileiros com a própria condição financeira, a despeito de a economia interna demonstrar resiliência e o mercado de trabalho continuar forte. Ao fim, predomina a percepção de aumento do custo de vida, com inflação persistente e juro nas alturas, o que corrói a renda.

Outro indício aparece nos números da caderneta de poupança, a aplicação mais popular entre os brasileiros. De janeiro a junho, os saques superaram os depósitos em R$ 39,3 bilhões, de acordo com o Banco Central (BC). Foi o 11º semestre consecutivo de perdas. É verdade que, pelo rendimento baixo da poupança, parte desse movimento se deve à busca por opções mais atrativas. Mas boa parte da explicação está na necessidade de cumprir compromissos quando os ganhos mensais deixam de cobrir as despesas.

A 9ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro, da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), mostrou que, no ano passado, 36% dos brasileiros de 16 anos ou mais tinham algum tipo de investimento, queda de 1 ponto percentual em relação a 2024, após um crescimento verificado nos anos anteriores. A pesquisa constatou ainda que cerca de um terço da população gasta mais do que ganha. Esses são presas fáceis para o endividamento em um período de oferta farta de crédito, mas com juro exorbitante.

O quadro reforça a importância da educação financeira, mas também da disciplina fiscal do governo federal. A gastança pré-eleitoral alimenta as expectativas inflacionárias e dificulta o trabalho do BC de manter o ciclo de corte da Selic, hoje em 14,25% ao ano. A surpresa positiva do IPCA de junho, com alta de 0,16%, abaixo das expectativas, dá maior conforto para o Comitê de Política Monetária (Copom) promover nova redução da taxa na primeira semana de agosto. Mas os riscos persistem. 

O El Niño pode impactar alimentos e energia e o recrudescimento do conflito entre EUA e Irã provoca um repique no preço do petróleo. Diante de causas que não tem como controlar, o Brasil deveria ao menos ser mais responsável em relação aos fatores que pode manejar. 

OPINIÃO RBS

 

Rodrigo Lopes

A Copa mais política da história

Você deve ter visto - caso contrário, dê um Google e reveja a cena: Donald Trump e Gianni Infantino entregam a taça de campeã da Copa ao capitão da Espanha, Rodri.

O protocolo recomenda que os dois deixem o pódio. A festa deveria ser apenas da seleção. Mas Trump se recusa a deixar o palco, mesmo com Infantino o convidando a se retirar. Quer protagonismo, como sempre, como se tudo fosse sobre ele. Aliás, o presidente já tinha feito algo parecido na final da Copa do Mundo de Clubes da Fifa, entre Chelsea e Paris Saint-Germain, no ano passado, ali mesmo no MetLife Stadium.

Era o ato final, literalmente, de uma Copa marcada por atos políticos - como todas, aliás. Mas, nesta, até pela complexidade do cenário global nesta terceira década do século 21, provavelmente as interferências entre geopolítica e futebol foram mais intensas.

Questões de imigração, conflitos armados, interferências na disputa e até ambiente foram algumas das marcas da maior de todas as Copas. _

Além do futebol

A coluna escolheu sete episódios que mostram como a geopolítica rivalizou com o que ocorria dentro de campo.

Guerra no Irã

Pela primeira vez, um país anfitrião de uma Copa, os EUA, estava em guerra com outra nação, o Irã. Por determinação das autoridades de imigração, a delegação iraniana não pôde pernoitar em território americano. Como alternativa, a seleção concentrou-se no México (outro país sede), viajando de avião para os EUA apenas nos dias dos jogos e retornando imediatamente após o final das partidas.

Camisa censurada

A Fifa censurou o uniforme da seleção haitiana, na qual uma ilustração fazia referência à Batalha de Vertières (1803), marco da independência do país, contra as tropas de Napoleão Bonaparte. A entidade entendeu que havia referência política na mensagem, o que é proibido.

Árbitro deportado

O árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, eleito o melhor do continente em 2025, teve seu visto de entrada negado e acabou deportado de volta a seu país. A alegação americana é de que ele seria suspeito de envolvimento com o terrorismo. O governo não apresentou provas públicas para embasar as acusações.

O caso Balogun

A amizade entre Trump e Infantino é antiga. Em 2025, o presidente da Fifa premiou o líder americano com a primeira edição do Prêmio de Paz. Durante a Copa, Trump interferiu diretamente para que a Fifa anulasse um cartão vermelho recebido pelo atacante dos EUA, Folarin Balogun, durante jogo contra Bósnia e Herzegovina. Ele elogiou publicamente a anulação do lance e admitiu ter conversado com Infantino, embora ambos tenham negado qualquer interferência direta no comitê de arbitragem.

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Argentina e Malvinas

A soberania das Ilhas Malvinas (Falkland Islands, para os britânicos) era tema de fundo do jogo entre Argentina e Inglaterra. Mas, no final da partida da semifinal, houve um fato concreto: uma bandeira com a inscrição "As Malvinas são argentinas" foi exibida por alguns jogadores. O governo britânico solicitou oficialmente à Fifa que investigue a seleção argentina pela exibição da faixa.

Autonomias espanholas

No pódio, os jogadores espanhóis exibiram diferentes bandeiras regionais - e não apenas a da Espanha (veja ao lado). Apareceram das Ilhas Canárias, o símbolo da Comunidade Valenciana, da Galícia; da cidade de Terrassa; de Andaluzia; e de Roquetas de Mar, por exemplo.

Ambiente

O calor extremo tornou obrigatórias as pausas para hidratação. Os incêndios florestais no Canadá levaram cinzas até New Jersey. A dois dias da final, o MetLife estava envolto por uma névoa.

Um registro para a eternidade

Já está presente no acervo do Museu de História da Medicina do Rio Grande do Sul a máscara mortuária de Eduardo Sarmento Leite da Fonseca, personagem considerado um dos maiores ícones da medicina no Estado. A família doou o item à instituição no último mês.

Falecido em 1935, Sarmento Leite foi fundador e consolidador da Faculdade de Medicina de Porto Alegre (UFRGS), além de professor, diretor, cirurgião e protagonista da organização sanitária gaúcha.

A peça, produzida pelo artista André Arjonas, ficará disponível para pesquisa e preservação histórica. _

Comunidades da Espanha

Diversos atletas espanhóis celebraram a conquista da Copa com estandartes de comunidades autônomas do país. Pedri e Yéremy Pino, por exemplo, estavam com a bandeira das Ilhas Canárias. O responsável pelo gol do título, Ferran Torres, trazia o símbolo da Comunidade Valenciana; Borja Iglesias, a bandeira da Galícia; Dani Olmo carregava o símbolo da cidade de Terrassa; Gavi com a bandeira de Andaluzia; e Álex Baena, o de Roquetas de Mar.

O episódio remete à história da própria formação da Espanha. O país se consolidou a partir da unificação de diferentes reinos ao longo dos séculos 15, 16 e 17, processo concluído centralmente no início do século 18.

A partir da redemocratização e da promulgação da Constituição de 1978 - após o fim da ditadura de Francisco Franco -, o Reino da Espanha passou a ser organizado em 17 comunidades autônomas e duas cidades autônomas.

Algumas regiões mantêm um forte sentimento de identidade. País Basco e Catalunha abrigam movimentos separatistas. _

O Nobel contra Trump

Em sua newsletter, o Nobel de Economia Paul Krugman defendeu o Pix e criticou Donald Trump por impor tarifas contra o Brasil: "Usar tarifas para punir o Brasil por suas conquistas monetárias não terá sucesso. Politicamente, a medida só fortalecerá o presidente Lula. Economicamente, o alcance das tarifas será limitado pelos temores do governo Trump de que os preços do café, do suco de laranja, da carne bovina e de outros produtos subam ainda mais". _

CEOs mulheres

O RS aparece como o terceiro Estado brasileiro com maior presença de mulheres em cargos de CEO, segundo o estudo Women at the Top 2026, realizado pelo Evermonte Institute. O levantamento identificou que 7,5% das executivas analisadas atuam em empresas gaúchas, posicionando o Estado atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro no ranking nacional. Entre as executivas destacadas na pesquisa estão Aline Eggers Bagatini, CEO da Fruki Bebidas, e Cristine Grings Nogueira, CEO da Piccadilly. _

INFORME ESPECIAL

segunda-feira, 20 de julho de 2026

CARPINEJAR

Quase rei- Pelé sobreviveu a Messi.

Se o argentino conseguisse sua segunda Copa consecutiva em sua última dança, a comparação seria sempre reincidente.

A realeza resistiu a sua mais contundente ameaça de sucessor, a um canhoto que parecia filho do impossível, de reações sobrenaturais, levando a seleção inteira nas costas para uma improvável decisão. Mas Messi se despediu da Albiceleste sem o triunfo derradeiro e não tem como ser colocado lado a lado com aquele que levantou três Copas do Mundo. Por coincidência, ou capricho dos deuses, Messi deu adeus no mesmo palco em que Pelé se aposentou do futebol, o MetLife Stadium, que substituiu o antigo Giants Stadium, em Nova Jersey.

São cerca de sete décadas ainda intocado no trono. Pelé já travou batalhas mentais pelo posto de melhor de todos os tempos com vários monstros: Di Stéfano, Eusébio, Cruyff, Beckenbauer, Maradona, Cristiano Ronaldo. Talvez quem mais tenha se aproximado dele foi Lionel, que jamais desistiu de tentar agarrar o manto e o cetro, fugindo de analogias e sendo ele próprio. Sequer sai da competição com a marca de maior artilheiro da história, que ficou para o francês Kylian Mbappé, com 22 gols.

A Espanha anulou a Argentina no confronto de domingo e conquistou seu bicampeonato, ampliando a vantagem das seleções europeias na quantidade de títulos mundiais (13 certames, enquanto os latino-americanos possuem 10).

Assim como neutralizou a França e a Bélgica, outras favoritas para a taça, não deixou o time de Lionel Scaloni existir. Foram duas dezenas de finalizações perante simbólicas duas do adversário. Encurralou a sua presa agigantada pelo messianismo como uma jiboia, digerindo-a lentamente, com paciência exasperante, até superar o goleiro Dibu Martínez na segunda etapa da prorrogação. Ferran Torres consagrou-se como o herói da partida, o "herdeiro" de Iniesta, em 2010.

Venceu o futebol total, orgânico, de absoluta posse de bola, com apenas um gol sofrido no torneio. Mostrou-se uma derivação da Laranja Mecânica da Holanda, que atacava e defendia junto. No entanto, diferentemente dela, pôde sentir o gosto da vitória e não esmorecer no quase.

O esporte coletivo da Fúria - os atletas se completando com igual importância, numa coreografia tática baseada no tiki-taka - subjugou o caos da emoção, a passionalidade, as ressurreições elétricas e intempestivas da Argentina, que se centrava num solitário ídolo.

A cooperativa comandada pela batuta de Luis de la Fuente, campeã da Euro há dois anos, revelou uma geração - Cucurella, Rodri, Olmo, Lamine Yamal e Oyarzabal - que não demonstra pressa para definir, mas controle para escolher a hora do golpe fatal.

Pelé, longe de nós, agradece dos céus.

Na imensa rivalidade com nossos vizinhos hermanos, o povo brasileiro explodiu em gritos no apito final, como se fosse um campeão paralelo. Campeão da secação. Permanecem cinco estrelas contra três. A flauta continua pelas Eliminatórias de 2030. _

CARPINEJAR

 

CLAUDIA LAITANO

O canto da sereia

Mas o que uma coisa tem a ver com a outra, pergunta meu intrigado leitor, tentando adivinhar onde esse assunto vai dar. Para começar, a origem de tudo. Apenas. Tanto o futebol quanto a nova versão de A Odisseia reencenam a mais antiga e sedutora de todas as narrativas: a jornada épica de um herói (ou de uma seleção de heróis) que encara desafios excruciantes - os externos, mas também os que guarda dentro de si - antes de chegar ao destino que lhe está reservado. No caso de Ulysses, Ítaca. No caso de um time campeão, a vitória.

Mas tem mais. Uma Copa e uma superprodução hollywoodiana são uma tromba d?água na borboletinha inconstante da nossa atenção. Arrastados por uma gigantesca onda de estímulos, colocamos o pé para fora da nossa bolha e voltamos todos a brincar no mesmo parquinho - como se ainda vivêssemos no tempo em que havia apenas três ou quatro canais de TV à disposição. Parece natural, mas nada nesse congraçamento global é gratuito. Para que a mágica aconteça na dimensão desejada, somos atolados de trivialidades a ponto de o espetáculo se tornar não apenas uma escolha individual, mas uma necessidade coletiva - mesmo para quem não gosta muito de futebol ou raramente vai ao cinema.

Era mais ou menos isso que a Escola de Frankfurt estava tentando nos dizer quando criou o conceito de Indústria Cultural, lá nos anos 1940: o entretenimento feito para atingir o maior número de pessoas é capaz de rebaixar nosso espírito crítico e nos empurrar qualquer outra mercadoria goela abaixo. No século 21, os apelos desse camelô que não nos dá sossego nem quando estamos tentando nos divertir ou emocionar se tornaram ainda mais escancarados e invasivos.

Por mais sublime que seja o espetáculo, e muitas vezes é, não são apenas o esporte e a arte que entram em campo quando milhões de pessoas estão assistindo ao mesmo jogo ou ao mesmo filme. Quando tanta gente está atenta, é provável que um cardume de sereias esteja aproveitando a audiência cativa para vender algum produto ou ideia. Homero nos deu a real há quase três mil anos: quem não se amarra no mastro, corre o risco de se afogar. 

Cláudia Laitano

 

OPINIÃO RBS

O amparo do conhecimento

Merece ser saudada a boa aceitação dos quatro pré-candidatos ao Piratini mais bem colocados nas pesquisas de intenção de voto da ideia de criar um comitê permanente de assessoria em projetos estratégicos, capitaneado pelas principais universidades gaúchas. A proposta foi levada a Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT), Luciano Zucco (PL) e Marcelo Maranata (PSDB) pelo grupo que forma a Aliança para a Inovação - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Outras instituições e setores da sociedade gaúcha também poderiam participar da instância.

A intenção é tão simples quanto promissora. O propósito central é que a massa de conhecimento existente na academia auxilie o próximo governo na formulação e na implantação de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento. É natural que cada postulante ao Executivo estadual e seus grupos políticos tenham visões distintas sobre formas de o RS recuperar o dinamismo. 

Mas quem for ungido pelas urnas poderá imprimir maior eficiência aos seus planos nas mais diferentes áreas, da infraestrutura à educação, se as ações tiverem respaldo em evidências científicas. Ademais, parece ser incontroverso, a essa altura, que o RS tem desafios cruciais, como a adaptação às mudanças climáticas, a retenção de talentos e a melhora dos indicadores de aprendizagem, além de oportunidades claras em negócios ligados à transição energética.

Mas é importante reforçar que o intuito do chamado Comitê de Assessoria em Projetos Estratégicos do Estado (Cape-RS) não é usurpar a autonomia conferida pela soberania popular ao governador ou governadora. A intenção, a partir da definição das prioridades ou dos setores estratégicos pelo Executivo, é ser consultivo e auxiliar com a experiência dos recursos humanos e o saber científico acumulado, para que os melhores resultados possam ser alcançados.

O Rio Grande do Sul vive uma encruzilhada climática, demográfica, educacional e logística. São problemas complexos, que exigem soluções amparadas em uma consistência que só o conhecimento sólido proporciona. Encontrar saídas que façam o Estado voltar aos trilhos do progresso, reconquistar posição de vanguarda e avançar na qualidade de vida depende de políticas de longo prazo. Serão mais robustas e menos onerosas com a clareza sobre o que utilizar e descartar.

O Estado precisa de um projeto que mire as próximas décadas. Parte desse planejamento está no Plano Rio Grande, aprovado na Assembleia, o que lhe confere caráter duradouro. Mas há outras frentes que vão além da reconstrução, da adaptação e da resiliência climática. As chances de sucesso serão maiores se existir uma integração efetiva entre poder público, academia, centros tecnológicos, setor privado e sociedade civil. A ideia proposta pela Aliança para a Inovação vai nesse sentido e, portanto, reúne justificadas razões para ser testada pelo novo governo a ser escolhido pelos gaúchos. _

OPINIÃO RBS