Uma bacia hidrográfica é a delimitação territorial em que se consegue definir para onde escoam superficialmente as águas que nela precipitam, tendo os afluentes e o rio principal. Elas são divididas por meio de cartografia e, a partir do relevo das bacias, se consegue fazer a definição da direção do escoamento, cada posição e ponto no mapa que contribui, assim, identificando a área fluvial que pertence.
Conforme Fernando Dornelles, professor do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IPH/Ufrgs), ainda estamos correndo atrás do prejuízo, que foi de décadas de negligência, tanto de ordenamento urbano nas cidades que tinham algum sistema de proteção contra cheias.
Nesse sentido, em alguns locais em que não é possível seguir com as obras tradicionais de contenção para as cheias, foram adotadas estratégias de reordenamento de ocupação urbana. A área fica restrita ao uso, como a moradia, com a implantação de parques lineares, a exemplo do que ocorre na região do Vale do Taquari.
“Não temos como evitar, é um fenômeno principalmente de ordem natural, mas, temos que atuar para não nos expormos, respeitando as planícies inundáveis dos rios e adquirindo técnicas de zoneamento”, explica Dornelles. O professor ainda cita que é praticamente impossível controlar a vazão dos rios, e pensando na construção de vários reservatórios à montante, o custo seria o fator proibitivo.
Segundo o Atlas Socioeconômico do Rio Grande do Sul, existem 25 bacias hidrográficas e, sendo um dos estados brasileiros com maior disponibilidade de águas superficiais, o montante é dividido em três regiões: a do Uruguai, que drena cerca de 57% da área total do RS; a do Guaíba, 30%; e a Litorânea, abrangendo cerca de 13% do território.
Mesmo com a previsão de chegada do novo El Niño no segundo semestre, Dornelles acredita que a chance de acontecer o mesmo que em maio de 2024 é mínima.
Em um balanço apresentado sobre projetos e ações para deixar o Estado mais protegido frente a eventuais eventos climáticos, o governador Eduardo Leite afirmou que o Rio Grande do Sul está muito melhor preparado para enfrentar calamidades, porém, o mundo todo está aprendendo a conviver com os efeitos das mudanças do clima.
Apoiado nisso, o Estado investiu R$ 52,3 milhões em estudos técnicos de batimetria (responsável pela medição da profundidade de rios, lagos e outros corpos d’água para mapear o relevo subaquático) e topografia (ciência que mapeia e descreve com precisão a superfície terrestre, relevo e acidentes de um terreno). O objetivo é subsidiar a tomada de decisões, qualificar intervenções e fortalecer ações de monitoramento, reconstrução e planejamento territorial.
O estudo faz parte do Plano Rio Grande (Funrigs), que já soma R$ 14 bilhões entre valores pagos por meio do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), empenhados e aprovados, em 227 projetos e ações para reconstrução. Com os levantamentos batimétricos, a partir dos dados coletados e da aplicação de modelagem hidrodinâmica, será possível avaliar com maior precisão a eficácia de intervenções como a dragagem, especialmente no que se refere à melhoria do fluxo hídrico.
Juntamente com esse investimento há uma ampliação da rede de estações hidrometeorológicas, com 125 estações já instaladas e em funcionamento, para obter um diagnóstico mais preciso dos eventos climáticos capazes de entender o tamanho do impacto.