segunda-feira, 20 de julho de 2026

CARPINEJAR

Quase rei- Pelé sobreviveu a Messi.

Se o argentino conseguisse sua segunda Copa consecutiva em sua última dança, a comparação seria sempre reincidente.

A realeza resistiu a sua mais contundente ameaça de sucessor, a um canhoto que parecia filho do impossível, de reações sobrenaturais, levando a seleção inteira nas costas para uma improvável decisão. Mas Messi se despediu da Albiceleste sem o triunfo derradeiro e não tem como ser colocado lado a lado com aquele que levantou três Copas do Mundo. Por coincidência, ou capricho dos deuses, Messi deu adeus no mesmo palco em que Pelé se aposentou do futebol, o MetLife Stadium, que substituiu o antigo Giants Stadium, em Nova Jersey.

São cerca de sete décadas ainda intocado no trono. Pelé já travou batalhas mentais pelo posto de melhor de todos os tempos com vários monstros: Di Stéfano, Eusébio, Cruyff, Beckenbauer, Maradona, Cristiano Ronaldo. Talvez quem mais tenha se aproximado dele foi Lionel, que jamais desistiu de tentar agarrar o manto e o cetro, fugindo de analogias e sendo ele próprio. Sequer sai da competição com a marca de maior artilheiro da história, que ficou para o francês Kylian Mbappé, com 22 gols.

A Espanha anulou a Argentina no confronto de domingo e conquistou seu bicampeonato, ampliando a vantagem das seleções europeias na quantidade de títulos mundiais (13 certames, enquanto os latino-americanos possuem 10).

Assim como neutralizou a França e a Bélgica, outras favoritas para a taça, não deixou o time de Lionel Scaloni existir. Foram duas dezenas de finalizações perante simbólicas duas do adversário. Encurralou a sua presa agigantada pelo messianismo como uma jiboia, digerindo-a lentamente, com paciência exasperante, até superar o goleiro Dibu Martínez na segunda etapa da prorrogação. Ferran Torres consagrou-se como o herói da partida, o "herdeiro" de Iniesta, em 2010.

Venceu o futebol total, orgânico, de absoluta posse de bola, com apenas um gol sofrido no torneio. Mostrou-se uma derivação da Laranja Mecânica da Holanda, que atacava e defendia junto. No entanto, diferentemente dela, pôde sentir o gosto da vitória e não esmorecer no quase.

O esporte coletivo da Fúria - os atletas se completando com igual importância, numa coreografia tática baseada no tiki-taka - subjugou o caos da emoção, a passionalidade, as ressurreições elétricas e intempestivas da Argentina, que se centrava num solitário ídolo.

A cooperativa comandada pela batuta de Luis de la Fuente, campeã da Euro há dois anos, revelou uma geração - Cucurella, Rodri, Olmo, Lamine Yamal e Oyarzabal - que não demonstra pressa para definir, mas controle para escolher a hora do golpe fatal.

Pelé, longe de nós, agradece dos céus.

Na imensa rivalidade com nossos vizinhos hermanos, o povo brasileiro explodiu em gritos no apito final, como se fosse um campeão paralelo. Campeão da secação. Permanecem cinco estrelas contra três. A flauta continua pelas Eliminatórias de 2030. _

CARPINEJAR

 

CLAUDIA LAITANO

O canto da sereia

Mas o que uma coisa tem a ver com a outra, pergunta meu intrigado leitor, tentando adivinhar onde esse assunto vai dar. Para começar, a origem de tudo. Apenas. Tanto o futebol quanto a nova versão de A Odisseia reencenam a mais antiga e sedutora de todas as narrativas: a jornada épica de um herói (ou de uma seleção de heróis) que encara desafios excruciantes - os externos, mas também os que guarda dentro de si - antes de chegar ao destino que lhe está reservado. No caso de Ulysses, Ítaca. No caso de um time campeão, a vitória.

Mas tem mais. Uma Copa e uma superprodução hollywoodiana são uma tromba d?água na borboletinha inconstante da nossa atenção. Arrastados por uma gigantesca onda de estímulos, colocamos o pé para fora da nossa bolha e voltamos todos a brincar no mesmo parquinho - como se ainda vivêssemos no tempo em que havia apenas três ou quatro canais de TV à disposição. Parece natural, mas nada nesse congraçamento global é gratuito. Para que a mágica aconteça na dimensão desejada, somos atolados de trivialidades a ponto de o espetáculo se tornar não apenas uma escolha individual, mas uma necessidade coletiva - mesmo para quem não gosta muito de futebol ou raramente vai ao cinema.

Era mais ou menos isso que a Escola de Frankfurt estava tentando nos dizer quando criou o conceito de Indústria Cultural, lá nos anos 1940: o entretenimento feito para atingir o maior número de pessoas é capaz de rebaixar nosso espírito crítico e nos empurrar qualquer outra mercadoria goela abaixo. No século 21, os apelos desse camelô que não nos dá sossego nem quando estamos tentando nos divertir ou emocionar se tornaram ainda mais escancarados e invasivos.

Por mais sublime que seja o espetáculo, e muitas vezes é, não são apenas o esporte e a arte que entram em campo quando milhões de pessoas estão assistindo ao mesmo jogo ou ao mesmo filme. Quando tanta gente está atenta, é provável que um cardume de sereias esteja aproveitando a audiência cativa para vender algum produto ou ideia. Homero nos deu a real há quase três mil anos: quem não se amarra no mastro, corre o risco de se afogar. 

Cláudia Laitano

 

OPINIÃO RBS

O amparo do conhecimento

Merece ser saudada a boa aceitação dos quatro pré-candidatos ao Piratini mais bem colocados nas pesquisas de intenção de voto da ideia de criar um comitê permanente de assessoria em projetos estratégicos, capitaneado pelas principais universidades gaúchas. A proposta foi levada a Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT), Luciano Zucco (PL) e Marcelo Maranata (PSDB) pelo grupo que forma a Aliança para a Inovação - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Outras instituições e setores da sociedade gaúcha também poderiam participar da instância.

A intenção é tão simples quanto promissora. O propósito central é que a massa de conhecimento existente na academia auxilie o próximo governo na formulação e na implantação de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento. É natural que cada postulante ao Executivo estadual e seus grupos políticos tenham visões distintas sobre formas de o RS recuperar o dinamismo. 

Mas quem for ungido pelas urnas poderá imprimir maior eficiência aos seus planos nas mais diferentes áreas, da infraestrutura à educação, se as ações tiverem respaldo em evidências científicas. Ademais, parece ser incontroverso, a essa altura, que o RS tem desafios cruciais, como a adaptação às mudanças climáticas, a retenção de talentos e a melhora dos indicadores de aprendizagem, além de oportunidades claras em negócios ligados à transição energética.

Mas é importante reforçar que o intuito do chamado Comitê de Assessoria em Projetos Estratégicos do Estado (Cape-RS) não é usurpar a autonomia conferida pela soberania popular ao governador ou governadora. A intenção, a partir da definição das prioridades ou dos setores estratégicos pelo Executivo, é ser consultivo e auxiliar com a experiência dos recursos humanos e o saber científico acumulado, para que os melhores resultados possam ser alcançados.

O Rio Grande do Sul vive uma encruzilhada climática, demográfica, educacional e logística. São problemas complexos, que exigem soluções amparadas em uma consistência que só o conhecimento sólido proporciona. Encontrar saídas que façam o Estado voltar aos trilhos do progresso, reconquistar posição de vanguarda e avançar na qualidade de vida depende de políticas de longo prazo. Serão mais robustas e menos onerosas com a clareza sobre o que utilizar e descartar.

O Estado precisa de um projeto que mire as próximas décadas. Parte desse planejamento está no Plano Rio Grande, aprovado na Assembleia, o que lhe confere caráter duradouro. Mas há outras frentes que vão além da reconstrução, da adaptação e da resiliência climática. As chances de sucesso serão maiores se existir uma integração efetiva entre poder público, academia, centros tecnológicos, setor privado e sociedade civil. A ideia proposta pela Aliança para a Inovação vai nesse sentido e, portanto, reúne justificadas razões para ser testada pelo novo governo a ser escolhido pelos gaúchos. _

OPINIÃO RBS


POLÍTICA E PODER

Começa nova fase no calendário eleitoral

Com o início das convenções partidárias nesta segunda-feira o jogo eleitoral muda de fase. Embora na prática a campanha esteja correndo solta - nas ruas e na internet -, a agenda legal estabelece um rito que passa pelas convenções, seguido do registro das candidaturas e, só então, o momento em que os candidatos estão autorizados a pedir votos.

No Rio Grande do Sul, todas as candidaturas majoritárias estão definidas e as convenções serão o momento festivo de mobilizar as bases e homologar a lista de concorrentes à Câmara e ao Senado, uma eleição que, embora menos exuberante do que a de governador, senador e presidente, é essencial para que a democracia se solidifique.

É para essa eleição que os gaúchos deveriam olhar com atenção redobrada, especialmente a de deputado federal. Porque nos últimos quatro anos o Rio Grande do Sul foi coadjuvante em Brasília. Ficou excluído da Mesa Diretora, das principais comissões permanentes e das que trataram de temas cruciais, como a reforma tributária.

Emendas e fundo eleitoral dificultam a renovação

A renovação é difícil, porque os aspirantes esbarram no poder econômico e político de quem já tem mandato, mesmo no caso daqueles que nada fizeram para merecer o mandato conquistado nas urnas de 2022.

Além das emendas parlamentares, uma excrescência que a cada legislatura abocanha uma fatia maior do orçamento, quem já tem mandato se beneficia do financiamento público da campanha, como se fosse direito adquirido receber mais do fundo eleitoral do que os mortais que tentam se apresentar como novidades.

Os presidentes de partidos têm a caneta e o poder para definir a forma como vão dividir o milionário fundo eleitoral, com algumas ressalvas em relação às cotas para mulheres e negros.

Dos 31 deputados federais, apenas Márcio Biolchi (MDB) não concorre por ter decidido largar a política. Os outros quatro que não disputam a reeleição estão em busca de voos mais altos - Luciano Zucco (PL) disputa o Palácio Piratini, enquanto Marcel van Hattem (Novo), Paulo Pimenta (PT) e Ubiratan Sanderson (PL) concorrem a uma cadeira no Senado. _

Às vésperas das convenções, somente o presidente Lula (PT) e o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) têm os vices definidos, com Geraldo Alckmin (PSB) e Gilberto Kassab (PSD). Flávio Bolsonaro deve ter mulher como vice.

Grupos de trabalho concluem esboço do plano de governo de Juliana

Resultado de consultas a diferentes setores da sociedade, o relatório com o diagnóstico dos principais desafios do Estado e as propostas para enfrentá-los foi apresentado à candidata Juliana Brizola (PDT) e seu vice, Edegar Pretto (PT) no fim de semana.

Sob coordenação do professor Paulo Burmann, 35 grupos trabalharam na construção das propostas, que agora serão sistematizadas no documento a ser protocolado na Justiça Eleitoral no registro da candidatura. Mais de 600 pessoas se envolveram no processo. _

Kassab questiona STF sobre emendas de presidentes

A ação é uma resposta à tentativa do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, de colocar todos os partidos no mesmo saco. Na Globo News, Valdemar disse que é normal os presidentes de partidos direcionarem emendas, mesmo sem mandato. _

ALIÁS

A pergunta de Kassab ao Supremo é retórica. O ministro Flávio Dino já deixou claro que presidentes de partidos não podem indicar o destino de emendas, prerrogativa de quem tem mandato na Câmara ou no Senado.

POLÍTICA E PODER

 

INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

Capital no centro do debate climático

Em meio a alertas de tempestades e previsões de um El Niño vitaminado, Porto Alegre realiza, de hoje até sexta-feira, a primeira edição da POA Climate Action Week 2026 (Semana da Ação Climática). Passados dois anos das enchentes históricas de 2024, a Capital recebe um evento global que conecta memória, reconstrução, justiça climática e cooperação internacional.

A proposta é construir uma agenda alinhada aos principais temas da COP30, realizada em Belém, em novembro do ano passado. A programação reúne debates, oficinas, ações comunitárias, eventos culturais, aulas abertas e iniciativas de inovação em diferentes pontos da cidade, como o Instituto Caldeira, a UFRGS, a Unisinos, a PUCRS e o Theatro São Pedro, entre outros.

Nesta mesma época, no ano passado, o Brasil vivia a expectativa da COP30. A emergência climática ocupava o centro do debate público, enquanto governos e setor produtivo buscavam apresentar projetos capazes de demonstrar compromisso com a sustentabilidade e alinhamento às discussões globais. Oito meses depois do evento, porém, o que efetivamente permaneceu? E por que se fala tão pouco da COP31, marcada para daqui a quatro meses, na Turquia?

A transição energética continua sendo enorme desafio. O desmatamento e as emissões de gases seguem presentes. O Brasil, aliás, permanece na presidência da COP até a próxima conferência. E o RS continua ocupando lugar central nesse debate. O Estado tornou-se um laboratório vivo dos impactos das mudanças climáticas, fato que ajuda a explicar o interesse crescente da comunidade internacional. Não por acaso, na COP17 da Convenção da ONU de Combate à Desertificação, em agosto, em Ulan Bator, na Mongólia, o RS será apresentado como um dos estudos de caso.

Interesse global

O último fim de semana voltou a lembrar que a crise climática não é um tema do passado. Diversas cidades gaúchas enfrentaram eventos meteorológicos severos. Embora os volumes de chuva devam ficar abaixo das previsões, permanecem os riscos. E basta uma combinação de chuva intensa, ventos, estiagem ou ondas de calor para que o medo volte a fazer parte da rotina. No campo e na cidade.

Ao integrar a rede internacional das Climate Action Weeks, Porto Alegre passa a fazer parte de um circuito que inclui cidades como Londres, Bangcoc, Sydney, Dublin e Baku. O objetivo é transformar a agenda climática em mobilização permanente e, principalmente, em políticas públicas e ações concretas. _

Encontro de benzedeiras e benzedores

A prefeitura de Sapucaia do Sul se prepara para realizar, no próximo dia 25, a segunda edição do "Benzer é Bendizer". A iniciativa pretende reunir cerca de 25 benzedeiras e benzedores locais e de municípios vizinhos na Estação Cidadania-Cultura. O encontro é aberto ao público e busca integrar interessados em preservar e valorizar os saberes populares.

Entrevista- Marcelo Spilki
Presidente da Agergs

"O objetivo é modernizar a Agergs"

Em um cenário em que avançam concessões, PPPs e processos de desestatização no RS, o papel da Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul (Agergs) na fiscalização dos serviços também aumenta. A coluna conversou com Marcelo Spilki, presidente da entidade.

O senhor assumiu a Agergs em dezembro. O modelo atual é suficiente?

Assumimos com o objetivo de modernizar a agência. Em 2024, a Assembleia Legislativa aprovou uma reestruturação que fortaleceu as áreas técnicas e ampliou a capacidade de fiscalização dos serviços públicos prestados pelas concessionárias. Além das mudanças previstas na legislação, estamos implementando medidas internas para tornar os processos mais ágeis, qualificar a fiscalização e melhorar a comunicação com a sociedade. A Agergs conta com um corpo técnico muito qualificado, mas identificamos também a necessidade de aperfeiçoar a governança da instituição. Esse trabalho vem sendo conduzido ao longo dos últimos meses e nossa expectativa é de que resulte em uma agência mais eficiente, com melhores condições para exercer seu papel e entregar serviços cada vez melhores aos usuários.

Qual o maior desafio?

A Agergs é uma agência multissetorial que regula 10 setores, incluindo energia elétrica, saneamento, rodovias, transporte de passageiros, gás canalizado, aeroportos e hidrovias. São áreas distintas e complexas, cada uma com suas peculiaridades. O principal desafio hoje é modernizar a Agência e dar a ela as condições necessárias para cumprir sua missão com cada vez mais efetividade. Isso passa pelo fortalecimento das áreas técnicas e pela qualificação dos processos.

O tema das concessões e privatizações domina o debate político e eleitoral. Nesse cenário, a Agergs cresce na sua relevância?

A relevância da Agergs cresceu bastante nos últimos 10 anos, acompanhando o avanço das concessões e dos processos de desestatização no RS e em diversos municípios. Com isso, realmente aumentou também a responsabilidade da agência. Os gaúchos precisam saber que a Agergs não decide se um serviço deve ser público ou privado. A agência não faz política pública. Essa é uma decisão que cabe ao poder concedente e aos representantes eleitos pela população. O nosso papel é outro: garantir que os contratos sejam cumpridos e que a população receba os serviços da forma prevista, com qualidade e respeito aos direitos dos usuários.

O número de servidores não é pequeno?

De fato, precisamos de mais servidores. Hoje, ainda contamos com um concurso realizado em 2022, que permanece vigente. No fim de junho, foram nomeados 26 novos servidores, e estamos aguardando quantos efetivamente tomarão posse. Além disso, trabalhamos com a expectativa de publicar um novo edital de concurso até o final deste ano para reforçar as áreas técnicas da agência e ampliar nossa capacidade de atuação. 

Independentemente de aumento no quadro de servidores, acreditamos que conseguiremos uma melhor resposta na fiscalização com investimentos em sistemas e consultorias de apoio, que permitam estreitar o relacionamento com os municípios, agregar maior eficiência aos processos regulatórios e otimizar a alocação de recursos humanos da agência nos processos de maior complexidade.

Qual seria o número ideal de servidores?

Hoje, a Agergs tem 96 servidores. Definir um número ideal não é algo simples, mas, considerando toda a estrutura prevista em lei - incluindo servidores efetivos, procuradores, conselheiros e cargos comissionados -, a agência poderia chegar a 208.

Qual o setor mais difícil de fiscalizar?

Todos os setores têm seus desafios, mas o saneamento é um dos mais complexos pela abrangência e pela importância das metas que precisam ser cumpridas. O Marco Legal prevê que, até 2033, o país alcance 99% de abastecimento de água potável e 90% de coleta e tratamento de esgoto. Cabe à Agergs fiscalizar e acompanhar o cumprimento dessas metas. Hoje fiscalizamos a Corsan em 247 municípios gaúchos. Embora os investimentos da companhia tenham aumentado significativamente, ainda existem desafios, como a recomposição da pavimentação das ruas após a realização das obras. A Corsan conhece essas dificuldades, e a Agergs tem atuado de forma permanente para cobrar soluções e apoiar os municípios na fiscalização dos serviços. 

É importante ressaltar que a fiscalização é compartilhada com o município. Capacitamos as equipes de fiscalização municipais para que elas tenham condições de atuar junto à companhia. Além desse trabalho, cabe à agência elaborar normas regulatórias e realizar fiscalizações técnicas, comerciais e por indicadores de desempenho. Também fiscalizamos os serviços da BRK Ambiental em Uruguaiana e, recentemente, assinamos contratos com Porto Alegre para a regulação da concessão parcial do Dmae e da PPP de resíduos sólidos do DMLU. _

INFORME ESPECIAL

sábado, 18 de julho de 2026

Depois de quase 50 dias sem jogos oficiais, time de Luís Castro foi derrotado por 2 a 1 pelo Mirassol na retomada do Brasileirão. Equipe repetiu atuações ruins de antes da paralisação para o Mundial e fica em situação delicada na tabela antes de voltar a atenção para o playoff da Sul-Americana

Depois das férias, treinos e amistosos, a decepção. Na noite de sexta-feira, pela 19ª rodada do Brasileirão, o Grêmio perdeu por 2 a 1 para o Mirassol. Bruno Santos e Edson marcaram para os donos da casa. Carlos Vinícius descontou. A derrota no Maião manteve a equipe na beira do Z-4.

O Tricolor ficou em 16º lugar, com 21 pontos, apenas um à frente do Vasco. E para tornar ainda pior o resultado, construído com outra péssima atuação, a equipe paulista ficou apenas dois pontos atrás do Tricolor na tabela. Com um jogo ainda a recuperar.

Depois de quase 50 dias de preparação, o resultado em campo lembrou os piores momentos do primeiro semestre.

Na frente

Os paulistas assustaram aos 10 minutos. Edson recebeu na área e finalizou. A bola cruzou a pequena área, mas o centroavante Bruno Santos não chegou a tempo para empurrar para o fundo do gol. Na segunda chance, o centroavante do Mirassol alcançou. O Grêmio perdeu a bola com Caio Paulista. Igor Formiga avançou e acertou o cruzamento para Bruno Santos completar de carrinho. Villasanti não acompanhou o adversário, que teve tempo para chutar caído depois de errar na primeira tentativa.

Aos 35 minutos, o Tricolor ficou em vantagem numérica por alguns segundos. Gabriel Mec driblou Denilson e o último recurso do marcador foi o puxão. O árbitro Bruno Arleu marcou falta e expulsou o jogador, mas trocou a cor do cartão após revisão no VAR.

Após péssima cobrança de falta de Amuzu, o Mirassol ampliou. Kannemann desarmou na área. Pavon tentou tirar a bola de calcanhar e devolveu a posse para os paulistas. Villasanti não conseguiu recuperar, Caio Paulista demorou para fechar o espaço e Edson tocou na saída de Weverton: 2 a 0.

Quatro trocas

O Grêmio voltou com quatro mudanças para o segundo tempo. Amuzu, pelo protocolo de concussão, saiu e liberou uma substituição extra. Pedro Gabriel, Braithwaite, Willian e Leonel Pérez entraram. Caio Paulista, Gabriel Mec, Amuzu e Villasanti saíram.

A pressão tricolor para descontar deu resposta aos 31 minutos. Tetê deu início ao ataque pelo lado direito após lançamento de Braithwaite. O atacante acionou Pavon, que achou Carlos Vinícius. O chute de pé direito não deu chances para Walter. Pouco para um time que se preparou durante quase 50 dias para voltar ao Brasileirão. Uma derrota para assustar, antes da viagem a La Paz para enfrentar o Bolívar pela Copa Sul-Americana.

Após a partida, Amuzu saiu de ambulância do estádio por conta de choque sofrido na cabeça. _

Brasileirão

19ª rodada - 17/7/2026

Mirassol

2

grêmio

1

Mirassol: Walter, Igor Formiga, João Vitor, Gabriel Knesowitsch e Reinaldo; Aldo Filho, Denilson (Chico Kim, 37?/2ºT) e Japa (Shaylon, 30?/2ºT); Alesson (Fernandino, 37?/2ºT), Edson (Carlos Eduardo, 26?/2ºT) e Bruno Santos (André Luis, 30?/2ºT)

Técnico: Rafael Guanaes

Grêmio: Weverton; Pavon, Gustavo Martins, Kannemann e Caio Paulista (Pedro Gabriel, INT); Villasanti (Leonel Pérez, INT), Nardoni (Riquelme, 34?/2ºT), Tetê (Marcos Rocha, 40?/2ºT), Gabriel Mec (Braithwaite, INT) e Amuzu (Willian, INT); Carlos Vinícius

Técnico: Luís Castro

GOLS: Bruno Santos (M), aos 15min, e Edson (M), aos 38min do 1º tempo; Carlos Vinícius (G), aos 31min do 2º tempo

CARTÕES AMARELOS: Denilson (M); Kannemann, Gustavo Martins, Leonel Pérez (G)

ARBITRAGEM: Bruno Arleu, auxiliado por Carlos Henrique Alves e Thayse Fonseca

VAR: Paulo Renato Coelho (quarteto do RJ)

PÚBLICO E RENDA: 4.593 pessoas (R$ 128.000)

LOCAL: Estádio Maião, em Mirassol (SP)

Cotação

GRÊMIO

Weverton: não teve culpa nos dois gols sofridos. 6

Pavon: a assistência para Carlos Vinícius não apaga o péssimo passe de calcanhar que deu origem ao lance do segundo gol do Mirassol. 5

Gustavo Martins: não conseguiu evitar o primeiro gol e foi discreto nas disputas mais físicas. 5

Kannemann: exposto pelos atacantes do Mirassol. Faltou velocidade e agilidade nos combates longe da área. 5

Caio Paulista: uma avenida aberta para o Mirassol explorar no lado esquerdo da defesa. Errou o bote em Edson no segundo gol. 4

Villasanti: claramente longe da melhor condição física. Sempre um pouco atrasado nas disputas. 4,5

Nardoni: novamente perdido entre a função de defender e depois ser parte da criação do time. 5

Tetê: dois chutes perigosos. Boa participação na jogada do gol gremista. 6

Gabriel Mec: sofreu uma falta perigosa. Muito preso na marcação do Mirassol. 5

Amuzu: pouca participação, até sair no intervalo devido ao protocolo de concussão. 5

Carlos Vinícius: uma chance e um gol. 6,5

Pedro Gabriel: algumas subidas perigosas ao ataque. 6

Leonel Pérez: deu mais vitalidade para a marcação no meio-campo. 5,5

Willian: deveria melhorar a produção do time. Baixou a rotação da equipe. 4,5

Braithwaite: tentou algumas combinações com Carlos Vinícius. 6

Riquelme: foi meia, atacante e ponta nos amistosos de intertemporada. Apareceu como volante no primeiro jogo após a parada. 5,5

Marcos Rocha: entrou no final. SEM NOTA

MIRASSOL

Edson Carioca teve espaço para jogar como quis. A marcação de Caio Paulista permitiu que ele fosse o principal destaque da vitória do Mirassol.

Próximo jogo

Quinta-feira, 23/7 - 19h

Bolívar x Grêmio

Estádio Hernando Siles - Copa Sul-Americana (playoffs, ida)

Bahia vence a Chapecoense em jogo da 4ª rodada

Em jogo atrasado da 4ª rodada do Brasileirão, o Bahia venceu, na noite de sexta-feira, a Chapecoense por 2 a 0. Rodrigo Nestor e Román Gómez marcaram os gols na Arena Fonte Nova.

Com o resultado, o time de Rogério Ceni chega aos 29 pontos e volta a encostar no G-5. O time catarinense se afundou ainda mais na lanterna.

Em Salvador, os donos da casa abriram o placar aos 12 minutos do primeiro tempo, com Rodrigo Nestor em cobrança de pênalti. Ainda na etapa inicial, o argentino Román Gómez ampliou, aos 33 minutos, de cabeça.

Também na sexta-feira, mas pela 19ª rodada, Fluminense e Bragantino empataram em 1 a 1. Eduardo Sasha abriu o placar e Ignácio marcou no fim do jogo. Sant?Anna e Fabinho, do lado paulista, e John Kennedy, do lado carioca, foram expulsos. 

Botafogo 2x1 Santos

Vitória 1x0 Vasco

Fluminense 1x1 Bragantino

Mirassol 2x1 Grêmio

Terça-feira

19h30min Atlético-MG x Bahia

Quarta-feira

19h30min Coritiba x Palmeiras

21h30min São Paulo x Athletico-PR

21h30min Inter x Cruzeiro

21h30min Chapecoense x Flamengo

Quinta-feira

19h30min Corinthians x Remo 

O prazer de ser um alienado

A Copa acaba neste fim de semana e já me sinto órfão da única coisa que parecia sustentar minha sanidade mental: a mais pura, cristalina e redentora alienação. Como é bom ser um idiota completo de vez em quando. Como é maravilhoso olhar para o abismo do mundo e responder com um sonoro "e eu com isso?".

Não que eu tenha abandonado minhas obrigações, que fique claro, mas meu projeto de vida, nas últimas semanas, foi basicamente derreter no sofá sob um cobertor marrom, engordando à base de pudim morno enquanto elaborava teses profundas sobre as tranças do Raphinha e a linha de cinco do Paraguai. Sempre que pude, ignorei o que importava. E foi a glória.

Alguém dirá que "enquanto você grita gol, o país desmorona", mas, em resposta, mencionarei um edificante meme que vi no TikTok, porque hoje não citarei Freud nem Hobbes nem qualquer outro sabichão, vou apenas celebrar a alienação e a cultura inútil, então falarei desse belo meme que dizia, com admirável sensatez, que "o país também desmorona enquanto você assiste àquela folha caindo da árvore no seu filme iraniano". Não é verdade?

Precisávamos desse coma induzido. A Copa serviu de oxigênio antes de sermos atirados no moedor de carne que nos aguarda ali na esquina: a eleição de outubro. Aliás, o futebol é maravilhoso porque nos permite terceirizar a angústia. Se a Seleção perde, a culpa é de onze milionários correndo de shortinho na TV. Mas, a partir de segunda-feira, a culpa de tudo volta a ser nossa. E o voto é o lembrete incômodo de que o destino desse hospício, vejam que perigo, está em nossas mãos.

Natural que bata um desânimo. O problema de passar 40 dias dopado de irrelevância é que a nossa imunidade contra a realidade despenca. Discutir as façanhas do goleiro Vozinha - que ganhou esse apelido, você sabe, porque foi criado pelos avós e vivia reclamando para sua vozinha - era o nosso recreio mental. Agora o mundo retorna às asperezas do arcabouço fiscal, do superávit primário e do trânsito da Bento Gonçalves.

Resta assinar o termo de gratidão a esse delírio de seis semanas. Obrigado por me fazer acreditar que a física quântica operava nos três centímetros que anularam aquele gol impedido. Valeu a pena gastar neurônios projetando o futuro da humanidade no contra-ataque da Argélia. A partir de segunda-feira, a realidade me confisca o crachá de idiota e exige que eu volte a ter opiniões adultas sobre o destino da nação.

Mas, até lá, por favor, não me interrompam: ainda tenho um domingo inteiro para tratar o supérfluo como caso de vida ou morte. 

PAULO GERMANO 

18 de Julho de 2026
MARCELO RECH - Marcelo Rech

O que une esquerda e direita

Uma das formas de se identificar a praga do populismo é quando políticos e governantes ignoram os ditames básicos da responsabilidade fiscal para, às custas do dinheiro público, agradar o eleitorado às vésperas de eleições. Aprovam-se benesses seletivas e distribuem-se recursos a rodo como se o Tesouro fosse um butim infinito e sem dono.

A última do populismo desenfreado é a aprovação pelo Congresso de benefícios, sem origem ou sustentação prévia, a 360 mil agentes de saúde. A bolada vai custar R$ 27 bilhões em 10 anos. Não por acaso, é chamada de pauta-bomba. Ela não explode só o orçamento. A benesse, que antecipa aposentadorias com vencimentos integrais, suga recursos que poderiam ir para hospitais, estradas, investimentos em segurança ou serem usados em momentos de emergência, como enchentes.

Há aspectos assustadores sobre como as pautas-bomba avançam no Brasil. O mais vistoso é a placidez com que políticos de todos os matizes se juntam no festim populista. Com a honrosa exceção do senador gaúcho Hamilton Mourão, que votou contra, e quatro ausências, a prebenda aos agentes foi alegremente endossada por todos os demais senadores, não importa se de esquerda, centro ou direita. Se há algo capaz de unir todo o arco político brasileiro, esse é o uso de dinheiro do contribuinte para comprar simpatias eleitorais e implodir a responsabilidade fiscal.

A noção de que o Estado deve servir primeiro a ele próprio, a seus cupinchas e aos que nele trabalham, e não à maioria silenciosa de seus cidadãos, é particularmente fértil no Brasil por culpa coletiva. Em alguns países, vota-se em candidatos que se esmeram em fiscalizar o uso dos impostos, de modo que ele seja aplicado da forma mais responsável, apropriada e com melhor retorno possível para toda a coletividade. Quem se vale de recursos públicos para espalhar bondades eleitorais é execrado.

Aqui, fazemos o contrário. Os poucos que resistem à farra são tachados de inimigos do povo, como se o povo entendesse e soubesse como seu suado dinheiro é torrado nos plenários e palácios. Reside aí, na cândida ignorância sobre como recursos públicos são manuseados ao bel-prazer de quem os controla, a origem dos penduricalhos, das emendas secretas ou não, dos desperdícios, dos privilégios e da manutenção de currais políticos mediante bolsas disso e daquilo.

Só uma república que inibisse o extrativismo do Estado por ambições políticas faria com que um dia a chaga do populismo tirasse votos, em vez de despejá-los nos seus arautos. Até lá, seguiremos com a festa de arromba nas contas públicas, com todas as suas consequências nefastas - dos juros nas alturas à sufocante carga tributária. E o eleitor? Este agradece quando a esmola cai da mesa e vota, feliz, no populista. 

MARCELO RECH

18 de Julho de 2026
EDITORIAL

Fôlego para o campo

A medida provisória 1.376/2026, que trata da renegociação das dívidas rurais, publicada pelo governo federal na quarta-feira, é o resultado da mobilização incansável de produtores, entidades do setor e parlamentares ligados ao agronegócio, que desde o início do ano passado demonstravam a necessidade de uma repactuação ampla e em condições excepcionais. Foi uma conquista sobretudo dos agricultores gaúchos, que deflagraram o movimento.

Os termos anunciados não são os considerados ideais pelo campo, que preferia o Projeto de Lei 5.122. Também não são tão limitados quanto os apresentados anteriormente pelo Ministério da Fazenda, preocupado com o impacto fiscal. Mas, como em toda negociação, em que cada parte cede um pouco enquanto tenta manter pontos centrais, são fruto do acordo possível. O desfecho atende a grande maioria dos produtores em dificuldades. Assim, podem recuperar o acesso ao crédito para tratar de preparar a safra de verão que se aproxima e se planejar para quitar os compromissos ao longo dos próximos anos sem a pressão de uma dívida que inviabilizava milhares de propriedades.

O pedido pela renegociação, no caso dos produtores do Rio Grande do Sul, era amplamente justificado. Nos últimos anos, os agricultores gaúchos foram afetados por quatro estiagens de diferentes magnitudes e por dois anos com grandes enchentes. Nenhum negócio, de nenhum ramo, suporta tamanha sequência de receitas frustradas em um período tão curto. Além do clima hostil, vieram as quedas dos preços dos grãos, o aumento dos custos de produção, como combustíveis e fertilizantes, e o garrote do juro.

A crise já era dramática, atingindo produtores de todos os portes. A possibilidade de repactuação, com prazos maiores de pagamento e juro menor, é um fôlego justo para quem produz alimentos, ajuda a sustentar a balança comercial brasileira, movimenta uma grande cadeia de negócios antes e depois da porteira e, no RS, também influencia o PIB pelos reflexos no desempenho da indústria, dos serviços e do comércio nos centros urbanos.

A MP beneficia produtores e cooperativas que tiveram prejuízos entre 2019 e 2025 por problemas climáticos ou de mercado em ao menos duas safras, desde que comprovem os prejuízos com laudos. O Ministério da Fazenda calcula que cerca de R$ 100 bilhões em dívidas serão repactuados, com juro que vai de 5% a 12% ao ano, conforme a extensão das perdas e o porte da propriedade. O custo para o Tesouro Nacional é estimado em R$ 3,6 bilhões por ano. Os prazos de pagamento serão de oito a 10 anos, incluídos dois de carência. Foram solucionadas pendências relativas às garantias e incluídas as chamadas Cédulas de Produtor Rural (CPRs), títulos de crédito utilizados no financiamento agropecuário. Não estão contempladas dívidas contratadas fora do sistema bancário.

Convém, agora, aguardar a regulamentação da medida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e acompanhar a operacionalização da renegociação pelos bancos. Mas os riscos climáticos continuam. A renegociação conquistada não deve levar à procrastinação da busca por medidas estruturantes, como políticas que impulsionem a irrigação e a viabilização do fundo garantidor para o setor, também previsto na MP. É preciso evitar que um quadro semelhante de endividamento e inadimplência em larga escala se repita nos próximos anos. 


18 de Julho de 2026
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Caiado aposta na desidratação de Flávio Bolsonaro

Com o fim da Copa do Mundo, as convenções e o início da campanha eleitoral, com os primeiros debates, o candidato do PSD a presidente, Ronaldo Caiado, está confiante de que a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) vai derreter. Em conversa com a coluna, no final da tarde de sexta-feira, depois de almoçar com o prefeito Sebastião Melo e com os candidatos da aliança MDB-PSD, Caiado detalhou sua visão da campanha e de onde vem o otimismo com a perspectiva de quebrar a polarização entre Flávio e o presidente Lula.

Caiado está convencido de que a candidatura de Flávio se desidratará sem que os adversários precisem atacá-lo, como consequência de uma combinação entre a fragilidade natural do candidato, a briga familiar com Michelle Bolsonaro, o tarifaço e os erros cometidos por ele, pelo irmão Eduardo e pelo influenciador Paulo Figueiredo, com as declarações ofensivas às mulheres.

Entre as fragilidades de Flávio que Caiado considera fatais para a candidatura, estão o crescimento inexplicável do patrimônio, incluindo a mansão financiada pelo Banco Regional de Brasília, o envolvimento com Daniel Vorcaro, a dificuldade de articulação no PL, a rejeição no eleitorado feminino, a falta de experiência administrativa, o despreparo para debater os grandes temas do Brasil e, agora, a foto do Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o Sicário, para a qual o senador apresentou diferentes versões desde que foi divulgada.

Caiado segue direcionando suas críticas mais pesadas a Lula, mas sabe que no primeiro turno o adversário a ser combatido é Flávio, com quem disputa os votos dos eleitores de direita. E tentará convencer os antipetistas de que votar em Flávio significará dar mais quatro anos de mandato ao PT. Para conquistar os eleitores indecisos e os que hoje estão com Flávio, a campanha de Caiado vai explorar seu currículo de gestor público, médico, ex-deputado e ex-senador e mostrar os avanços ocorridos em Goiás nos seus mandatos, como o primeiro lugar no Ideb, a liderança no uso da inteligência artificial e no desenvolvimento de plataformas, a exploração de terras raras e minerais críticos e o investimento em ciência e tecnologia. _

aliás

Nas visitas ao interior do Rio Grande do Sul, Ronaldo Caiado constatou que, mesmo o Estado sendo um dos mais bolsonaristas do Brasil, o apoio a Flávio é tímido. Por isso, acredita que, se conseguir quebrar a polarização na eleição presidencial, o candidato da aliança MDB-PSD ao Piratini, Gabriel Souza, subirá junto nas pesquisas.

Mais um tropeço na campanha

No contexto da campanha eleitoral, a imagem da semana que se encerra não é nova. É de 2022 e mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL) sem camisa, aparentemente na área da piscina do Hotel Fasano, um dos mais luxuosos do Rio de Janeiro, na companhia de Luiz Phillipi Mourão, o Sicário, espécie de jagunço de Daniel Vorcaro, que atentou contra a própria vida logo depois de ser preso.

Flávio já apresentou diferentes versões para a foto, sempre garantindo que não conheceu Sicário.

No primeiro momento, disse que, como pessoa pública, tira fotos com desconhecidos.

Depois, seguindo a trilha do irmão Eduardo Bolsonaro, questionou a autenticidade da foto, insinuando que a imagem pode ter sido produzida por inteligência artificial. Na sexta-feira, a plataforma brasileira de autenticidade digital Signaip analisou a fotografia e não encontrou indícios de uso de inteligência artificial na imagem. 

Jairo Jorge abandona a política

Depois de enfrentar uma série de percalços em seu último mandato como prefeito de Canoas, com sucessivos afastamentos do cargo pela Justiça, e de perder a eleição de 2024, o jornalista Jairo Jorge decidiu "pendurar as chuteiras". Na segunda-feira, ele assume a nova Superintendência de Relações Governamentais e Cidades na Ulbra, voltada ao desenvolvimento dos municípios.

- Estou encerrando meu ciclo na política. Na Ulbra, vou usar minha experiência de três mandatos de prefeito para ajudar uma nova geração de prefeitos a qualificar e inovar na gestão. Estou muito motivado - disse Jairo à coluna.

A nova estrutura é estratégica para a universidade. Por meio do projeto Ulbra Cidades, a instituição busca se consolidar como o principal polo de inteligência aplicada à modernização urbana no sul do Brasil. 

Mudança descartada

Depois de Eduardo Leite vetar o fim da taxa de licenciamento veicular, o governo do Estado estuda a possibilidade de enviar um projeto alternativo à Assembleia Legislativa, prevendo apenas redução do valor, em vez da extinção da cobrança.

Parlamentares da oposição à direita foram sondados nos últimos dias pela base do governo na Assembleia, que sugeriu a ideia para testar a aceitação de uma proposta que concilie os dois lados. O veto de Leite foi criticado por deputados de PL, PP e Novo, que seguem irredutíveis e mantêm a defesa pelo fim da taxa. A esquerda também já declarou ser favorável a acabar com a cobrança e não deve mudar o posicionamento. 

A viúva do ex-governador Alceu Collares (PDT), Neuza Canabarro, engajou-se na campanha de Luciano Zucco (PL) para o Piratini. Em 2022, também declarou apoio ao PL de Onyx Lorenzoni e Jair Bolsonaro.

POLÍTICA E PODER

18 de Julho de 2026
NFORME ESPECIAL -´Rodrigo Lopes

A TV pública e o exemplo húngaro

Passou quase despercebido por aqui, mas o dia 7 de julho deveria virar um case de análise para todos aqueles que defendem o papel social da imprensa profissional. Naquela terça-feira, às 16h em Budapeste, o canal de notícias M1 exibiu uma tela preta com a seguinte mensagem: "A mídia pública não deve mentir. Pedimos desculpas por termos feito isso durante tanto tempo. A mídia pública será reformada para se tornar independente e confiável. Nosso serviço de notícias está temporariamente suspenso. Fique ligado!".

Todos os telejornais e programas de política transmitidos pelos canais públicos de televisão e rádio da Hungria, reunidos no conglomerado MTVA, exibiram essa mesma mensagem por quase quatro horas. Durante os 16 anos em que Viktor Orbán esteve no poder, a emissora divulgou notícias estapafúrdias, propagou desinformação e, por vezes, veiculou versões tão absurdas quanto perversas: de que migrantes árabes e africanos eram criminosos que estupravam meninas húngaras indefesas; de que o Estado ucraniano, supostamente dominado por uma máfia, desejava sacrificar sua geração mais jovem na guerra e roubar milhões de aposentados húngaros; e por aí vai.

Diferenças

TV pública é diferente de TV estatal. A primeira pertence à sociedade, é financiada pelo Estado ou por recursos públicos, deve prestar contas ao cidadão e fiscalizar o próprio governo. Já uma TV estatal funciona como instrumento de comunicação do governo, prioriza a agenda oficial e, por isso, possui menor autonomia editorial. Melhor exemplo do mundo, a BBC é financiada por recursos públicos, mas sua obrigação é informar, fiscalizar e incomodar Westminster e Downing Street. A Televisión Española (TVE), por sua vez, viveu altos e baixos. Abraçou o franquismo durante a ditadura, mas, desde a redemocratização, trava uma disputa permanente para fortalecer sua autonomia editorial.

A MTVA, ao contrário, aproximou-se de modelos hoje observados na Venezuela chavista-madurista e na Rússia de Vladimir Putin.

No Brasil, o debate sempre foi como impedir que uma TV pública se transforme em TV de governo. A própria lei que criou a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), em 2007, estabeleceu o conceito de comunicação pública, voltada ao interesse da sociedade, e não apenas à divulgação dos atos do Poder Executivo. A missão institucional da TV Brasil é justamente ser uma televisão pública, independente e democrática, complementar ao sistema privado. Mas isso está longe de ser simples.

Uma comunicação pública verdadeiramente independente depende de mecanismos permanentes de participação social, governança e proteção institucional. Que, ao menos, as instituições brasileiras, quando discutirem formas de fortalecer essa independência para que ela não dependa da boa vontade do governo de plantão, se lembrem da lição deixada pelo caso húngaro. _

Novas escolas na Capital

Estão definidos os locais onde serão construídas as 10 novas escolas de Educação Infantil como parte da parceria público-privada (PPP) da prefeitura de Porto Alegre.

Os prédios devem ficar prontos até 2028. Com isso, cerca de 1,8 mil vagas seriam criadas em até dois anos.

A coluna obteve imagens de projetos referenciais usados para a modelagem. Agora, a concessionária irá trabalhar para um modelo similar para as unidades da cidade. _

Bloco Norte - Uma no Rubem Berta, uma no Santa Rosa de Lima e duas no Mario Quintana.

Bloco Centro - Uma no bairro Santo Antônio e uma no Jardim do Salso.

Bloco Sul - Uma na Aberta dos Morros, duas na Hípica e uma na Restinga.

Delegação chinesa visita Grupo RBS

Visitaram o Grupo RBS o ministro conselheiro da Embaixada da China no Brasil, Ji Wei, a terceira secretária da embaixada, Sun Jing, e a terceira secretária do Consulado Geral em São Paulo, Ding Jiahui. Acompanharam o grupo o professor Diego Pautasso, especialista em China, e o pró- reitor de Desenvolvimento Institucional do IFRS, Lucas Coradini.

A delegação foi recebida pelo editor Leandro Fontoura e por este colunista. _

Quem é o futuro primeiro-ministro do Reino Unido

O ex-prefeito da Grande Manchester Andy Burnham foi confirmado na sexta-feira como o novo líder do Partido Trabalhista britânico. Com isso, Burnham está a um passo de se tornar o primeiro-ministro do Reino Unido, o que deve se confirmar na segunda-feira, quando ele se tornará o sétimo chefe de governo britânico em uma década. Único candidato na disputa, ele sucederá o atual premiê Keir Starmer, que renunciou ao cargo há quase um mês após enfrentar intensa instabilidade política e pressão interna.

Trajetória

A consolidação de Burnham como nome de consenso ocorreu após seu retorno ao Parlamento em junho de 2026, quando renunciou à prefeitura para vencer uma eleição especial (by-election) pelo distrito de Makerfield.

Essa, porém, está longe de ser a sua primeira passagem pelo centro do poder em Londres. Entre 2001 e 2017, Burnham foi parlamentar e integrou os gabinetes de Tony Blair e Gordon Brown, ocupando os ministérios da Saúde e da Cultura. Na época, chegou a disputar - e perder - a liderança do Partido Trabalhista por duas vezes. Ele retornou à sua região natal para disputar o recém-criado cargo de prefeito da Grande Manchester, em 2017.

Foi justamente a gestão local que o projetou nacionalmente. Ao se posicionar como um contraponto firme às decisões de Westminster e evidenciar a profunda divisão socioeconômica entre o norte e o sul do país, Burnham ganhou o apelido de "Rei do Norte".

Vale lembrar que o Reino Unido não elege o seu primeiro-ministro diretamente. O chefe de governo é escolhido pelos parlamentares do partido majoritário na Câmara dos Comuns - posto ocupado hoje pelos trabalhistas - e o cargo, por convenção, cabe ao líder da sigla. _

Ajuda humanitária aos deslocados

O Médicos Sem Fronteiras (MSF) abre, na próxima segunda-feira, a exposição interativa O Que Se Leva no BarraShoppingSul, em Porto Alegre. A mostra apresenta histórias reais de pessoas que tiveram de deixar suas casas e enfrentar os desafios da migração, do refúgio e do deslocamento forçado.

Na exposição, o público tem acesso a mais de 20 fotografias e testemunhos de migrantes e refugiados que deixaram tudo para trás, exceto alguns poucos objetos carregados de memórias de familiares e amigos. Ao caminhar pelo espaço, painéis fotográficos mostram as principais causas do deslocamento forçado - como a crise climática e os conflitos armados - e a resposta humanitária do MSF para salvar vidas, com destaque especial para a atuação nas Américas e no Mar Mediterrâneo. O evento tem entrada franca. _

INFORME ESPECIAL

sexta-feira, 17 de julho de 2026

17 de Julho de 2026
MARCO MATOS

O que ganhei com a maratona

42.195 metros é só uma distância. Concluir uma maratona, porém, é algo muito maior do que simplesmente terminar de correr tudo isso.

A maratona nasce meses antes do dia da prova. São muitas semanas de preparação, de adaptação da rotina, de foco em hábitos saudáveis e de mudanças que vão muito além dos treinos. É preciso reconfigurar a alimentação, respeitar o descanso e preparar o corpo e a mente para encarar desafios cada vez maiores.

São horas e horas de dedicação. Alguns treinos passam de duas horas e meia. Organizar a vida para cumprir pelo menos quatro sessões de corrida por semana, além do fortalecimento na academia, exige disciplina, comprometimento e, acima de tudo, prioridade.

Ao longo dessa jornada, aprendi a abrir mão de tudo aquilo que não contribuía para o objetivo. Dormir tarde? Nem pensar. Trocar um treino pela cama quentinha? Sem chance. Cada escolha passou a ter um propósito claro. E foi justamente essa clareza que transformou não apenas minha preparação esportiva, mas também minha forma de enxergar a vida.

Semana após semana, a gente aprende a conhecer melhor o próprio corpo. Descobre sinais que antes passavam despercebidos, entende limites e, principalmente, percebe que muitos deles existem apenas na nossa cabeça. A maratona é uma experiência extraordinária porque ensina, na prática, que somos capazes de realizar muito mais do que imaginamos.

Durante a preparação, consegui alinhar diversas áreas da minha vida que estavam precisando de mais atenção. A maratona não permite improvisos. Não há atalhos. O planejamento é uma parte fundamental do processo, mas ele só tem valor quando é colocado em prática diariamente. Levar essa lição para além do esporte é um dos maiores presentes que essa experiência oferece.

No dia da corrida acordei ansioso. Nervoso mesmo. Por mais que os treinos indicassem que eu estava pronto, os questionamentos apareciam sem pedir licença. E se uma câimbra me tirasse da prova? E se eu não suportasse correr tanto tempo? E se precisasse caminhar? Foram muitas dúvidas que desapareceram assim que cruzei a linha de largada.

Os 42 quilômetros foram vencidos um de cada vez. Não existe outra maneira. Ninguém corre uma maratona pensando nos 42 quilômetros o tempo inteiro. Minha estratégia foi simples: sentir o corpo, encontrar o ritmo e continuar correndo. Um passo após o outro.

Foram 3 horas e 34 minutos sem parar. Ainda assim, ouvi cada incentivo. Por isso, deixo meu agradecimento a todos que gritaram meu nome ao me ver passar, aos amigos que suportaram meu assunto quase exclusivo nos últimos meses, a vocês que acompanharam aqui as colunas sobre essa preparação, aos parceiros de treino e aos profissionais que caminharam comigo nessa jornada: treinadores, fisioterapeuta e médicos.

Cruzar a linha de chegada não mudou quem eu sou. Mas mudou a forma como eu vejo aquilo de que sou capaz. Parece bobagem, mas, de um jeito difícil de explicar, tudo ficou diferente depois daquele momento. Porque a maior conquista da maratona não foi completar 42.195 metros. _

O conteúdo desta coluna reflete a opinião do autor

MARCO MATOS

17 de Julho de 2026
OPINIÃO RBS

Que a racionalidade volte a preponderar

O novo tarifaço imposto pelo governo norte-americano contra o Brasil demonstra outra vez que os fatores políticos preponderaram sobre a lógica econômica. É lamentável que diferenças dessa ordem, alimentadas por interesses que não são os dos dois povos, tenham levado a relação entre os países ao pior momento em mais de 200 anos de convivência diplomática.

Com o ruído entre os canais oficiais, resta persistir nas negociações via setor privado, com as empresas nacionais mantendo contato com clientes dos Estados Unidos e suas associações, para que esses continuem a tentar influenciar a Casa Branca na busca por ao menos ampliar a lista de bens que escaparam da oneração. O Rio Grande do Sul é um dos Estados mais afetados. Metade da pauta gaúcha, pela forte presença de produtos industriais acabados, como máquinas e calçados, deve ser impactada. É preciso insistir em demonstrar o quanto a medida prejudica importadores e consumidores. O eventual uso da Lei de Reciprocidade teria de ser muito bem calculado.

As taxas adicionais contra as exportações brasileiras, agora de 25% sobre uma série de itens, não têm respaldo nas justificativas utilizadas por Donald Trump para erguer barreiras tarifárias. O republicano sempre argumentou que o objetivo era combater o déficit nas trocas com os demais países. O Brasil é um dos poucos que mais compra do que vende para os EUA. Mesmo assim, agora é o segundo parceiro mais sobretaxado pela Casa Branca, atrás apenas da China, o grande rival geopolítico e econômico dos norte-americanos.

O componente político é patente desde o anúncio do primeiro tarifaço contra o Brasil, no ano passado, quando Trump divulgou uma carta vinculando a taxa proibitiva de 50% ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. À tentativa inicial de ingerência seguiram-se a reabertura do diálogo diplomático e contatos entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas os capítulos recentes desse episódio e o desfecho desta semana põem em dúvida se de fato existia margem razoável de negociação, se havia disposição para transigir e mesmo sobre quais termos as tratativas eram conduzidas.

Em meio aos contatos empresariais e diplomáticos, a família Bolsonaro continuava a incitar a ala mais ideológica da Casa Branca a aplicar sanções contra o Brasil. O tarifaço de agora teve, por parte dos EUA, demandas inaceitáveis, como algum recuo ainda não bem explicado sobre o uso do Pix, e alegações baseadas em dados defasados, como os de desmatamento. As repetidas críticas públicas de Lula a Trump e ao governo norte-americano, mesmo que tenham fundo de razão, por certo não contribuíram para a Casa Branca ter maior boa vontade. O discurso da soberania brandido por Lula obedecia também a uma lógica eleitoral. A manifestação de ontem do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, dizendo que Lula e o governo brasileiro não negociaram de boa-fé e que o petista colocou à frente "o seu próprio ego" escancara ainda mais o viés político da desavença.

Conta-se que esse impasse seja apenas um momento transitório no histórico de vínculos econômicos e institucionais entre EUA e Brasil e que em um prazo não muito distante a racionalidade volte a preponderar. No futuro, esse episódio merece ser lembrado apenas como exemplo do potencial ruinoso do radicalismo. 

17 de Julho de 2026
RELAÇÕES COMERCIAIS

RELAÇÕES COMERCIAIS

Metade das exportações do Estado aos EUA será atingida por tarifaço

Levantamento técnico da Fiergs aponta que apenas 2% do volume financeiro comercializado com os Estados Unidos conseguiu escapar da

nova taxa de 25% sobre diversos produtos brasileiros. Setores de calçados, metalurgia e máquinas são os mais afetados

A nova sobretaxa de 25% anunciada pelo governo dos Estados Unidos na noite de quarta-feira vai atingir em cheio o comércio exterior do Rio Grande do Sul. Segundo levantamento técnico da Federação das Indústrias do Estado (Fiergs), a barreira alfandegária impactará diretamente quase metade das vendas gaúchas (48,2%) ao mercado norte-americano, que é o segundo principal destino das exportações do Estado.

No caso do Brasil, segundo o ministro do Desenvolvimento, Márcio Elias Rosa, a sobretaxa deverá atingir cerca de 18% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano.

A medida da administração de Donald Trump passa a valer a partir do dia 22, com base em apurações feitas por Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês). A decisão norte-americana foi tomada no âmbito de investigação conduzida sob a seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.

A apuração iniciada há um ano pelo USTR concluiu que certas práticas brasileiras são descabidas e oneram ou restringem o comércio de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores norte-americanos. Entre as medidas citadas pelo USTR, estão "práticas de comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas preferenciais injustas; interferência anticorrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal". O governo rechaçou as alegações (leia mais na reportagem abaixo).

Ao somar a nova alíquota às restrições setoriais que já vigoravam para o aço e o alumínio (sob a seção 232), 85,1% de tudo o que o Rio Grande do Sul vende aos EUA passará a sofrer algum tipo de taxação extra.

Nichos

Apenas 2% do volume financeiro exportado pelo RS conseguiu escapar da nova tarifa - com isenções restritas a nichos muito específicos, como alguns tipos de pescados e itens de couro.

O presidente da Fiergs, Claudio Bier, avalia que o aumento do custo de acesso ao mercado americano coloca as empresas gaúchas em severa desvantagem frente a concorrentes internacionais.

- A tarifa de 25% coloca o Brasil entre os países com maior custo de acesso ao mercado norte-americano, atrás apenas da China - analisa Bier.

Com a nova tarifa, a Abicalçados, por exemplo, revisou sua projeção para as exportações totais de calçados em 2026, estimando queda média de 7,1%, piora de 3,5 pontos porcentuais em relação à previsão anterior, de retração de 3,6%.

O USTR publicou lista com mais de 2 mil produtos que ficaram isentos da taxação. Além de carne bovina, café, laranja e suco de laranja, que já constavam de rol divulgado pelo órgão em junho, itens como mel orgânico, hidróxido de alumínio, sucata de ferro e de aço, peixes e frutos do mar, couros, alguns produtos de madeira, medicamentos e insumos farmacêuticos foram excluídos da taxa. Entre os 50 produtos brasileiros mais exportados para os EUA em 2025, ficam de fora da nova cobrança petróleo bruto, café em grão, aeronaves, carne bovina, celulose, sucos de laranja, ferro-gusa e ferro-nióbio.

O governo americano disse que rejeitou solicitações de pedidos de isenção para outros produtos, como vestuário, calçados e máquinas agrícolas e industriais. Os EUA justificam a isenção afirmando que os insumos são matérias-primas que poderiam levar à indisponibilidade de oferta doméstica e causar "perturbações" na economia do país caso fossem submetidas à nova tarifa. _

A situação

Os setores produtivos gaúchos mais expostos

Máquinas e equipamentos

Calçados e metalurgia

Equipamentos elétricos, móveis e tabaco

Cronograma de transição

22 de julho de 2026: início da vigência da nova tarifa de 25%.

29 de julho de 2026: prazo-limite para a entrada de mercadorias isentas nos EUA, desde que o embarque tenha ocorrido antes da data de início da vigência.

Governo Lula repudia sobretaxa e avalia uso da Lei de Reciprocidade

O governo brasileiro divulgou nota repudiando a sobretaxa de 25% sobre produtos nacionais. O comunicado, assinado pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República e compartilhado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em rede social, destaca que o Brasil não reconhece a legitimidade das investigações dos EUA, que não teriam amparo nas regras multilaterais de comércio. E acrescenta que não há justificativa para medidas unilaterais norte-americanas contra o Brasil.

O comunicado diz que a Lei de Reciprocidade brasileira será acionada imediatamente, além de instrumentos para solução de conflitos no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC). "O dia 15 de julho de 2026 passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável", diz a nota.

Ontem, Lula reuniu vários ministros para tratar do assunto. Após o encontro, o titular das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o novo tarifaço teve "motivação política" e "não tem lastro na realidade". E afirmou que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, atacou o chefe de Estado de um país amigo "de forma grosseira". Na madrugada de quinta-feira, Rubio disse que Lula e o governo brasileiro "não negociaram de boa-fé", que o chefe do Executivo "colocou seu próprio ego à frente de um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro" e que as políticas econômicas adotadas pelo presidente são "ruins para os americanos e ruins para os brasileiros".

Para Vieira, o que incomoda os norte-americanos é o fato de o Brasil "não ter se curvado" a demandas da gestão Trump, como a abertura total e exclusiva de setores da economia nacional aos interesses dos EUA:

- Em outras palavras, exigiam capitulação.

Em outra entrevista, o vice­presidente Geraldo Alckmin e o ministro do Desenvolvimento, Márcio Elias Rosa, disseram que as empresas afetadas pelo tarifaço poderão contar com ajuda do governo federal. Alckmin contestou as alegações norte-americanas para justificar a sobretaxa e disse que a medida é "injusta e descabida". Ao lado, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, classificou a decisão como "interferência indevida externa".

Conforme a nota brasileira, nas audiências públicas promovidas pelo USTR na semana passada, houve 78 intervenções de representantes do setor privado dos dois países, das quais 63 foram contrárias ao tarifaço. O comunicado ressalta que nos últimos 15 anos os Estados Unidos acumularam US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil. "Em 2025, 76% das importações originárias dos EUA entraram no país sem pagar imposto de importação, e a alíquota média efetivamente aplicada sobre produtos norte-americanos foi de apenas 3,1%", diz a nota.