Os últimos dias do Terceiro Reich
Jaime CimentiA tomada de Berlim pelo Exército Vermelho foi um dos capítulos mais devastadores da Segunda Guerra Mundial. Em janeiro de 1945 o Exército Vermelho, numa ação de extrema vingança , alcançou as fronteiras do Terceiro Reich e devolveu os maus tratos e anos de violência impostos pela Wehrmacht e pela SS nos territórios ocupados.
Berlim em ruínas: A queda – 1945 ( Crítica-Planeta do Brasil, 560 p. , R$ 159,90 , tradução de Rafael Rocca dos Santos ) de Antony Beevor, ex-militar, escritor best-seller e um dos mais respeitados autores sobre a Segunda Guerra Mundial , autor de obras como O Dia D; A Batalha de Ardenas e Rússia , publicados no Brasil pela Planeta, é , acima de tudo, uma grande reconstrução da tomada da capital alemã.
Com base em arquivos inéditos e testemunhos diretos, Beevor elaborou muito mais do que apenas um registro histórico. A obra é um relato trágico e profundamente humano , em que orgulho e loucura, heroísmo e medo, abnegação e crueldade se entrelaçam. O drama da população civil alemã , abandonada à própria sorte pelo regime que não admitia a derrota e a proibição de evacuação que produziu a morte de centenas de milhares de mulheres e crianças estão narrados na obra, com precisão e contundência. Os inocentes morreram vítimas de frio, fome e violência.
Para o autor poucas coisas revelam mais sobre os líderes políticos e os sistemas que administraram do que a maneira como se deu a queda. Por isso, diz ele, jovens, especialmente na Alemanha, que admiram certas facetas do nazismo, devem pensar sobre o tema.
lançamentos
Juntos chegaremos lá! (Matrix Editora, 179 pág, R$ 35,00), de Guilherme Afif Domingos, administrador, empresário e político, ex-vice-governador de SP, ex-ministro e ex-presidente do Sebrae e atual Secretário de Estado em SP, traz suas memórias e revela bastidores da construção de um Brasil empreendedor. Autor do art. 179 da Constituição, que criou o Simples e o MEI.
Os esquecidos de domingo (Editora Intrínseca, 288 pág, R$ 59,00), da premiada francesa Valérie Perrin, autora de Três e Água fresca para as flores, é seu romance de estreia, de 2015. Justine, 21 anos, mora num vilarejo da Borgonha com os avós. Seus pais morreram. Distrai-se com as peripécias de Jules, as noites de sábado na boate e o emprego numa clínica geriátrica, onde vai se relacionar com uma senhora de quase cem anos e muita coisa vai acontecer.
Malária (Tinta da China, 168 pág, R$ 79,90), de Carmen Stephan, escritora e jornalista alemã radicada na Bahia, autora do livro de contos Brasília Stories, une autoficção e divulgação científica. A narradora é absolutamente improvável: é a fêmea de anófeles, que picou a autora e lhe transmitiu malária. O mosquito se sente culpado e aí muita coisa vai acontecer, com o mosquito e a vítima convivendo e se conhecendo.
Dona Assunción,a Dona Asun
Como se sabe, uma boa biografia é a que coloca a pessoa biografada, especialmente se já falecida, a circular, sorrir e falar para os leitores e trazer boas e inspiradoras lembranças e úteis ensinamentos. Esse é bem o caso da obra Asunción - A saga de uma imigrante, em segunda edição ampliada e atualizada, de Sandra M. Rocha, publicitária, escritora e designer e especializada em Marketing.
A primeira edição do livro teve prefácio de Antônio Longo, Presidente da AGAS, e esta segunda foi prefaciada por Paulo Sérgio Pinto, Vice-Presidente da Rede Pampa de Comunicação. Ricardo Breier, advogado e professor, Simone Lopes e Ricardo Chaves, jornalistas do Correio do Povo e da Zero Hora, respectivamente, assinaram apresentações.
Dezenas de lindas fotos em preto e branco e em cores acompanham o envolvente e emocionante texto, que traz a impressionante trajetória de Assunción Romacho García, fundadora de um dos maiores grupos varejistas do Sul do Brasil, o Grupo Asun, que tem mais de quarenta estabelecimentos e milhares de colaboradores.
Esta nova edição tem três novos capítulos, novas ilustrações, prefácio de Paulo Sérgio Pinto, relatos sobre o lançamento da primeira edição do livro em 2027 e sobre os últimos dias de Dona Asun no Brasil e na Espanha, onde faleceu em 24 de junho de 2017.
Assunción nasceu na Espanha, numa família de dez filhos, em 1928. Tinha oito anos quando a Guerra Civil Espanhola começou, e 11 anos quando a terrível Segunda Guerra Mundial iniciou. Aos dez anos, Asun auxiliava no auxílio a combatentes feridos; aos treze, substituiu sua professora de bordado, que adoecera. Em 1960 veio para o Brasil com os três filhos, Ernesto, Antônio e Pepito,de 6, 4 e 2 anos. Em 1968 nasceu Asuncionita, a Nita, sua única filha mulher.
Assunción, a doce e forte Abuelita, católica fervorosa e de muita fé, trabalhou muito em casa e fora dela, em diversas atividades. Bordava, costurava e exerceu outras tarefas até abrir seu primeiro mercado. Cavalhada, Quintão e depois muitas outras localizações foram recebendo a energia, o trabalho ético e honesto e o sentido social e empreendedor da matriarca que até hoje traz sua marca indelével de superação, determinação e persistência. Dona Asun, além da competência empresarial, deixou um legado de simplicidade, moralidade, enfrentamento de dificuldades, eficiência e foco na família, nos colaboradores e nos clientes.
Quatro filhos, treze netos e doze bisnetos compõem a grande família de Asunción, que sempre ensinou aos descendentes sobre a importância do trabalho, do estudo, da solidariedade, da ética, da religiosidade, da boa alimentação e da prática de exercícios. A Abuelita nos legou também, como não poderia deixar de ser, uma ótima receita da autêntica Paella e um bom conselho para que a gente faça uma sesta diária de, no máximo, vinte minutos, para recarregar as baterias.
a propósito
Paulo Sérgio Pinto escreveu no prefácio: "Dona Asun foi, antes de tudo, uma guerreira que nunca perdeu a doçura. Na complementaridade da vida encontrou, por escolha, a eternidade. Ela soube buscar em sua terra natal, a sua Guadix, o caminho das estrelas, fez história em dois continentes, na constelação de empreendedores e empreendedoras que deixaram a vida para entrar na glória dos corações e mentes de sua família, de amigos e de todos os que conheceram ou venham a conhecer sua trajetória". Palavras muito merecidas para uma doce guerreira, um exemplo para todos, neste mundo polarizado carente de bons líderes, referências duradouras e normas saudáveis de convívio, trabalho e forma de viver. (Jaime Cimenti)




