domingo, 6 de setembro de 2026

05 de Setembro de 2026
CARPINEJAR

Danúbio Azul

Vivo incentivando a torcida como um louco. Mas tudo tem um teto, meu emocional está destruído. A valsa na Arena doeu mais do que a eliminação para o Vitória, para o Mazembe, para o Globo.

É impossível torcer para o Inter não cair com Pezzolano. Ele se supera em decisões equivocadas. Com seu fiasco diante do Grêmio, sua dispensa é obrigatória.

Ou Pezzolano cai, ou o Inter cai. Não adianta esperar mais um confronto. A direção vem cometendo o suicídio do clube. O presidente Alessandro Barcellos quer "reaglutinar" o quê? O medo da dispensa é covardia incompetente.

Pezzolano terminou humilhado pelo contestado Luís Castro. O que revela em qual patamar se encontra.

Pezzolano despejou R$ 9 milhões pelo ralo, a premiação para a semifinal da Copa do Brasil, num período de sérias dificuldades financeiras - e o Inter despejou pelo ralo quase o mesmo valor com o salário de Pezzolano em seus nove meses de inatividade.

Pezzolano já dançou mentalmente há tempo, e nos fez dançar o Danúbio Azul na Arena. Pezzolano estragou a marca de nunca termos sido desclassificados num mata-mata pelo maior rival.

Pezzolano levou duas vezes 3 gols do Grêmio. Pezzolano sacrificou o Gauchão. Pezzolano, quanto mais tempo arranja para treinar, mais desastroso é o seu resultado. Uma competição a menos não melhora em nada o entrosamento.

Pezzolano não desfruta de liderança moral. Ele sabota o plantel, e ainda usa a desculpa da sua limitação para permanecer no cargo.

Pezzolano chega ao absurdo de alegar que a tática que havia armado se desmanchou com o primeiro gol no Gre-Nal, sendo que ele sofreu um gol aos 14 e outro aos 22. Aos 25, não restava esperança.

Pezzolano não arrumou a defesa nem acertou o ataque.

Pezzolano justificou sua escalação para o clássico: "é burrice jogar com cinco atrás quando o rival tem três atacantes". E como foi com o Bahia?

Pezzolano não explica coisa com coisa, mais sonso do que cachorro em dia de mudança.

Pezzolano é um dos piores mandantes do campeonato. Pezzolano não ganha em casa no Brasileiro desde 16 de maio. Pezzolano é um dos piores visitantes do campeonato. Pezzolano não ganha fora de casa no Brasileiro desde 5 de abril.

Pezzolano conseguiu a proeza de jogar recuado no Beira-Rio contra o Grêmio, e com a posse de bola na Arena, numa inversão incompreensível. "Imposible creer en un entrenador que no gana."

Pezzolano possui um aproveitamento raquítico de 33,33% no Brasileiro. Não se diferencia de Ramírez e Medina. Chafurda abaixo de Ramón Díaz em desempenho.

Pezzolano ocupa a 18ª colocação com apenas 25 pontos somados em 25 rodadas. Seguindo com a média de um ponto por rodada, ele alcançará no máximo 38 pontos. Pezzolano é monótono no perde-empata. Jamais apresentou progresso.

Pezzolano cultiva a mania de relegar ao banco quem se destaca. Não existe titularidade ou esquema definido. Não existe reconhecimento dos méritos. Alan Patrick, Carbonero e Vitinho amargaram banco. Quem presta fica na reserva.

Pezzolano é perito em criar descontentamento, forçando seus atletas a atuarem deslocados de posição quando não se mostram seguros nem em suas posições de origem. É evidente o desespero do grupo. Sequer Bernabei sabe quem é.

Pezzolano pretende surpreender o adversário e surpreende o próprio time. Brinca de agente duplo. Pezzolano aceitou continuar sem goleiro e atacante.

Pezzolano não deu certo na Inglaterra (Watford), na Espanha (Real Valladolid) e no México (Pachuca), por que daria certo aqui? Pezzolano só se sagrou campeão da Série B. Talvez Barcellos esteja enxergando longe: já busca garantir o treinador para a segunda divisão.

Não me custa avisar. Depois será complicado voltar para a Série A: o regulamento da B passou por alterações, agora unicamente os dois primeiros sobem direto.

Isso que sou um torcedor otimista. 

CARPINEJAR

Devido processo legal não é amnésia

Existe um consolo perverso em semanas desgraçadas como esta: a biblioteca.

Nada do que o STF produziu nesta semana é novo. Está descrito e publicado, às vezes há séculos. A novidade é o Brasil transformando bibliografia em plantão de notícias.

Raymundo Faoro abre a fila. Em Os Donos do Poder, descreveu o estamento que se apossa do Estado e o administra como patrimônio próprio, sem deixar de se apresentar como serviço público. Faltava o capítulo do contrato de R$ 131 milhões entre um banco e o escritório da mulher de um ministro, alterado por um perfil com o nome dele.

Sérgio Buarque de Holanda desenhou o homem cordial, incapaz de operar a instituição sem convertê-la em intimidade. "Estou na torcida por vocês" e "já estou com saudade de você", atribuídos ao procurador-geral da República e chegando ao celular de um banqueiro prestes a ser preso, são o homem cordial com data e horário.

Edward Coke, em 1610, ajudou a consagrar a ideia de que ninguém deve ser juiz em causa própria. Quatrocentos e dezesseis anos depois, um procurador-geral citado num relatório pede a nulidade dele, e um ministro atingido pelo caso usa inquérito sob sua relatoria para investigar o colega que o investiga.

Kant escreveu que é injusta a ação cuja máxima não suporta ser tornada pública. Serve para uma semana de votos mapeados de antemão e print de bloco de notas em visualização única.

E. P. Thompson protege tudo isso da acusação de formalismo. Marxista, passou Senhores e Caçadores inteiro mostrando como a lei serviu aos poderosos, e terminou defendendo o império da lei como bem humano incondicional. Fica difícil chamar o devido processo de preciosismo.

Mas o devido processo legal não é amnésia.

O país inteiro já leu as mensagens e conheceu conversas que não deveriam interessar só aos autos. A lei existe para impedir condenações arbitrárias, não para obrigar a sociedade a fingir que não viu o que viu.

Ninguém está dispensado de prova, defesa e julgamento. Mas o sigilo judicial não dá a ninguém o direito de apagar da vida pública o que já é incontornável. É preciso abrir tudo o que puder ser aberto. Antes de decidir quem merece cadeia, o Brasil terá de decidir quem merece voto. E para isso o eleitor não precisa de tutela, precisa de luz.

Maquiavel estaria sentado, confortável, tomando notas. O placar contado antes de existir pedido e a mistura entre relação pessoal e poder institucional dariam uma nova edição comentada de O Príncipe.

Só que ele também escreveu, nos Discursos, que a república incapaz de conter seus poderosos não dura.

Nem o cínico deixa a semana sair ilesa. _

Esta coluna contém informação e opinião

Eugênio Esber

eugenioesber@novotexto.net

131 milhões nas ruas

O que hoje o jornal espanhol El País chama de "bomba atômica", referindo-se ao escândalo provocado no Brasil pelas ligações "entre um juiz e um banqueiro preso", está completando nove meses de gestação. Foi em dezembro de 2025 que o jornal O Globo publicou uma notícia-bomba sobre o contrato de R$ 129 milhões (na verdade, R$ 131 milhões) que o escritório jurídico da família do ministro Alexandre de Moraes, do STF, faturou para defender os interesses de Daniel Vorcaro, banqueiro que havia sido preso em novembro, quando se preparava para fugir do Brasil em seu jatinho particular. 

Desde então, Moraes não deu uma única entrevista nem fez pronunciamento público para desfazer a informação de que enriqueceu colocando sua toga de ministro da Suprema Corte a serviço do financista que aplicou o maior desfalque no sistema financeiro nacional e na poupança de uma multidão de brasileiros. O silêncio de Moraes é uma confissão de culpa.

Na noite desta quinta-feira, o ministro, que parece sem defesa para a suspeita de haver incorrido em crimes gravíssimos, como corrupção passiva e advocacia administrativa, perdeu miseravelmente o controle e, em fúria, partiu para uma retaliação pessoal. Incluiu um colega de Corte, o ministro André Mendonça, no famigerado Inquérito das Fake News (4781), aberto há mais de sete anos para investigar qualquer um sobre qualquer coisa - uma espécie de AI-5, mas ainda pior que o ato institucional da ditadura militar. 

O ódio de Moraes contra Mendonça, relator do processo relativo ao Banco Master no Supremo, é por ter sido exposto, em indícios colhidos pela polícia, como um magistrado que desonra o STF e a Justiça brasileira. 

Diálogos encontrados no telefone de Daniel Vorcaro indicam que ele contava com a assessoria de Moraes para ter acesso a informações sigilosas sobre diligências contra si e seu Master no Banco Central, na Polícia Federal, no Ministério Público e até no Judiciário. E o pior dos mundos: Vorcaro pediu orientação sobre quando deveria se mandar - sim, fugir - do Brasil. Isso tem nome. É obstrução da Justiça.

Para um juiz, é fim de carreira. Até meu amigo Alter, radical da moderação, diz que é caso de cadeia. Mas o presidente do STF, o gaúcho Edson Fachin, demora-se em honrar as calças e levar de imediato, ao plenário, o pedido de investigação contra Moraes. E a ministra Cármen Lúcia, tão pudica nas afetações verbais, apressou-se a levar, segundo a imprensa, solidariedade a Moraes,

Pode um país sério aceitar esta pouca-vergonha? A pergunta é para mim, é para você. Segunda-feira, dia 7 de setembro, gostaria de ver, nas ruas, pelo menos 131 milhões de brasileiros dispostos a ecoar um novo grito pela independência do Brasil. 

OPINIÃO ZH 

05 de Setembro de 2026
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Crise sem precedentes expõe as entranhas do STF

No fundo do poço em que está o Supremo Tribunal Federal, existia um alçapão, revelado agora na crise que expôs as entranhas de uma Corte movida a interesses e vaidades. Não são todos, é preciso frisar, mas a guerra entre Alexandre de Moraes e André Mendonça acaba atraindo tanta atenção que os outros submergem como se fossem espectadores na arena em que se digladiam os briguentos.

A reação do ministro Alexandre de Moraes à divulgação de suas relações promíscuas com Daniel Vorcaro foi partir para o ataque a Mendonça, acusando-o de atropelar os ritos previstos na Constituição Federal.

O presidente do Supremo, Edson Fachin, deu cinco dias úteis para os briguentos se explicarem. A Polícia Federal e o Ministério Público Federal são parte do problema e terão de participar da solução.

Não há até agora equivalência entre os delitos de Moraes e de Mendonça, mas tudo tem de ser investigado. Ninguém está acima da lei. O silêncio barulhento de Moraes soa como confissão de que suas conversas com Vorcaro e o contrato de R$ 130 milhões da esposa, Viviane Barci de Moraes, não têm explicação republicana.

Do alto de sua condição de decano, o ministro Gilmar Mendes propôs a saída de agentes da Polícia Federal dos gabinetes de ministros. Moraes e Mendonça têm os seus, e isso desagrada a direção da PF, porque mina a própria instituição.

A perda de credibilidade das instituições cria o cenário ideal para os oportunistas, ainda mais quando se está a um mês da eleição que vai definir dois terços do Senado, o presidente da República, 27 governadores, 513 deputados federais e os deputados estaduais e distritais de todo o país. _

INSS anuncia redução nas filas

Depois de anos de reclamações de segurados pela demora no atendimento, o INSS anuncia que atingiu a meta de reduzir as filas em todo o Brasil, tanto para as aposentadorias quanto para as perícias médicas. No Rio Grande do Sul, de acordo com os números divulgados na sexta-feira, a redução foi de 56%. Traduzindo o percentual em números, a pilha diminuiu de 140.413 processos em janeiro deste ano para 60.459 em agosto.

O tempo médio de decisão para os segurados é de 23 dias, número inferior ao do Brasil, que está em 34 dias. O tempo de espera por uma perícia médica, que era de 28 dias em agosto de 2023, caiu para 15 dias em agosto deste ano. É importante registrar que esses números são referentes à média. _

Juliana Brizola leva campanha para a região central do Estado

Depois de uma semana focada na Região Metropolitana, com agendas na Capital, na Expointer e em Eldorado do Sul, a candidata ao governo do RS pelo PDT, Juliana Brizola, encerrou o período com um roteiro pela região central do Estado.

Juliana passou a sexta-feira em Santa Maria, onde gravou materiais de campanha, acompanhada de Paulo Pimenta, santa-mariense que concorre ao Senado pelo PT. Depois de rápida passagem por São Martinho da Serra, onde visitou uma propriedade rural, caminhou pela Praça Saldanha Marinho até o Calçadão de Santa Maria, onde manteve contato com comerciantes e moradores.

A agenda terminou em ato do presidente estadual do PT, Valdeci Oliveira, que tenta vaga na Câmara dos Deputados.

Neste sábado, Juliana passa por Venâncio Aires e retorna a Porto Alegre no domingo. _

Divisão do fundo eleitoral do PP mostra repasses desiguais no RS

A falta de clareza sobre os critérios adotados para a distribuição do fundo eleitoral entre os 29 candidatos a deputado estadual do Progressistas no Rio Grande do Sul tem causado frustração e revolta entre postulantes do partido. Cerca de R$ 10,5 milhões foram distribuídos entre os concorrentes, com repasses que variam entre R$ 60 mil e R$ 1,2 milhão.

Entre os atuais deputados, ficou definido que todos receberiam R$ 400 mil para disputar a reeleição. Entretanto, Guilherme Pasin aparece no topo da lista, com R$ 1,2 milhão, seguido por Joel Wilhelm, contemplado com R$ 920 mil. Rodrigo Lorenzoni e Gaúcho da Geral, ambos concorrendo pela primeira vez pelo PP, têm mais de R$ 600 mil à disposição. Marcus Vinícius, que disputa o segundo mandato, e Adolfo Brito, que tenta chegar ao nono mandato consecutivo, ganharam cerca de R$ 450 mil cada um.

Chamam atenção ainda os repasses feitos a Nicole Webber Covatti e Sandro Franciscatto, o Sandro do Covatti - esposa e tio de Covatti Filho, presidente estadual do partido. Ambos receberam R$ 400 mil, mais do que a metade da nominata, que obteve repasses entre R$ 60 mil e R$ 300 mil.

À coluna, Covattinho explicou que os candidatos a federal informaram à direção nacional com quais postulantes a estadual fariam dobradinha e quanto destinariam da sua parte para a campanha conjunta. _

POLÍTICA E PODER

05 de Setembro de 2026
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

rodrigo.lopes@zerohora.com.br

Inovação, ciência e tecnologia: os planos de governo para o RS

Há consenso entre os principais candidatos ao governo do Estado sobre um ativo importante do Rio Grande do Sul: universidades de excelência, instituições de pesquisa e um ecossistema de inovação consolidado, formado por parques tecnológicos, incubadoras, startups e empresas.

O desafio é transformar esse potencial em desenvolvimento. Ainda existe um descompasso entre o conhecimento produzido nos campi e sua aplicação no setor produtivo e na gestão pública.

Nos programas de governo dos postulantes ao Piratini, essa preocupação aparece de diferentes maneiras, mas com um ponto de convergência: a necessidade de aproximar universidades, centros de pesquisa e tecnologia, empresas e poder público, criando condições para que conhecimento e inovação se traduzam em novos produtos, negócios, investimentos e soluções para o Estado.

A coluna analisou os programas de governo e reúne, a seguir, as principais propostas dos quatro candidatos, em ordem alfabética, de partidos com representação no Congresso Nacional. _

Fortalecer ecossistema de inovação por meio de Coredes, universidades e setor produtivo.

Apoiar municípios na criação de legislações.

Criar Comitê de Assessoria em Projetos Estratégicos do Estado (Cape) para fortalecer a cooperação entre governo e educação superior.

Ampliar apoio a startups, incentivando proteção intelectual, transferência de tecnologia e acesso a financiamento.

Regulamentar e operacionalizar o Sandbox Regulatório no Estado.

Internacionalizar o ecossistema de inovação, fortalecendo o RS como destino de investimentos. Ampliar parcerias e potencializar eventos, como o South Summit Brazil.

Consolidar a Política Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação 2025-2030.

Preservar financiamento da pesquisa.

Fortalecer a Fapergs e direcionar o fomento à pesquisa e à inovação para áreas de desenvolvimento, aproximando universidades, centros de pesquisa, empresas e setor produtivo.

Fortalecer projetos cooperativos, núcleos de inovação tecnológica, provas de conceito, propriedade intelectual e licenciamento.

Aperfeiçoar o Inova RS e apoiar parques, incubadoras e ambientes regionais.

Instituir sandboxes e fluxos experimentais apenas nas áreas de competência estadual.

Ampliar a integração entre universidades, centros de pesquisa, empresas e poder público.

Apoiar startups e empresas inovadoras e promover a "soberania digital" da administração.

Assegurar recursos da Fapergs. Apoiar startups e govtechs.

Expandir ambientes comunitários de inovação e inclusão digital nas periferias.

Fomentar pesquisas e soluções em inteligência artificial em áreas como saúde, clima, agricultura e gestão pública.

Fortalecer soberania e infraestrutura tecnológica, expandindo a Infovia Gaúcha, e estimular a implantação de data centers sustentáveis, abastecidos por energia renovável.

Fortalecer o Conselho Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação.

Financiar pesquisa orientada a desafios climáticos, saúde, agro e indústria.

Apoiar parques, incubadoras e ambientes de inovação no Interior.

Criar programa de transferência tecnológica para pequenas empresas.

Estimular capital semente, venture capital e fundos de coinvestimento.

Conectar universidades, empresas e governos em redes temáticas. Medir patentes, contratos, startups, produtividade e empregos gerados.

Sistema antigranizo

O governo do Estado lançou, durante a Expointer, o edital de chamamento para apoio à manutenção e operação de sistemas antigranizo, iniciativa que envolve 18 municípios da Serra e dos Campos de Cima da Serra. A proposta prevê a instalação de cerca de 130 unidades de proteção distribuídas entre os municípios. A estrutura será voltada à redução de danos causados pelo granizo em áreas agrícolas, especialmente em regiões com forte produção de uva e outras culturas. _

Os cem mais da saúde

Vários executivos gaúchos ou de entidades com forte ligações com o RS foram reconhecidos entre as cem personalidades mais influentes da saúde, em 2026. O prêmio é realizado desde 2013 pelo Grupo Mídia, por meio do Ecossistema Healthcare. Entre os premiados está Mohamed Parrini, CEO do Hospital Moinhos de Vento (categoria Qualidade e Segurança); Franco Pallamolla, presidente da Lifemed (Empresário); Pedro Tedesco Silber, diretor-presidente da Construtora Tedesco (Espaço, Operações & Facilities); Evandro Luis Moraes, diretor-geral do Hospital São Lucas da PUCRS (Qualidade e Segurança); Hilton Mancio, CEO do Tacchini Saúde (Qualidade e Segurança); e Pedro Westphalen, deputado federal (Representatividade). O prêmio foi entregue em São Paulo. _

Gramado no top 10

A Decolar registrou crescimento de 20% nas buscas por viagens para este feriado de 7 de Setembro na comparação com 2025. Gramado, na Serra, aparece em 10º lugar. Veja os principais destinos:

Rio de Janeiro

São Paulo

Maceió

Foz do Iguaçu

Salvador

Recife

Fortaleza

Natal

Porto Seguro

Gramado

Tensão geopolítica

Em uma amostra do aumento da tensão geopolítica no Ártico, a Noruega reteve o navio russo Professor Molchanov no arquipélago de Svalbard, a pedido da estatal ucraniana Naftogaz, que busca cobrar mais de US$ 4 bilhões por expropriação de ativos da Crimeia. A embarcação de pesquisa, com cientistas russos a bordo, ficou impedida de deixar o porto de Barentsburg, na ilha de Spitsbergen. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia convocou a embaixadora norueguesa em Moscou, Heidi Olufsen, para apresentar um protesto e classificou o gesto como "ato de pirataria".

INFORME ESPECIAL

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Novo romance da fenomenal Carla Madeira

quando

quando

EDITORA RECORD/DIVULGAÇÃO/JC

Jaime Cimenti

A mineira Carla Madeira, 61 anos, autora dos romances Tudo é rio; A natureza da mordida e Véspera, fenômeno editorial, é hoje a autora mais lida do Brasil, com 1.4 milhão de exemplares vendidos. Há poucas semanas Carla lançou seu novo romance, Quando (Editora Record, 280 p., R$ 69.90), que já encabeça a lista de mais vendidos da revista VEJA.


Narrando cenas familiares e cotidianas com linguagem intensa, carregadas de imagens fortes, neste novo romance a autora traz um pano de fundo mais amplo da história e realidade brasileiras. Depois de três grandes sucessos editoriais com seus romances, Carla pretendia parar de escrever por um tempo, para viajar, ler e respirar. Atropelada por uma sequência de lutos, viu que era impossível não escrever.


Quando é a história da família de Viridiana, que ficou viúva cedo com três filhos para criar. A trama se passa no Brasil da década de 1980 e aborda temas como a ditadura, a maternidade, machismo, feminismo e homofobia. Viridiana precisou contornar valores discutíveis deixados pelo marido, Afonso. 


A filha Margarida se casou com Otávio, tão machista como o pai. Valquíria empedrou o coração depois de uma tristeza e , no intervalo dos plantões de enfermagem, cuida da mãe idosa e doente. Tito, o outro filho, sumiu há vinte anos. As irmãs e o sobrinho Francisco esperam por sua visita.


No calor de um acontecimento trágico, Viridiana será capaz de um ato impensado: denunciar o próprio filho à polícia, abrindo um abismo entre eles. Depois dos vinte anos de ausência , quando o tempo parecia ter dissolvido as possibilidades, Carla Madeira nos colocará diante da extraordinária força dos afetos.

Bem recebido pela crítica, o livro está sendo considerado o melhor de Carla, que enfrentou muito bem a circunstância de seguir trabalhando com criatividade depois do enorme sucesso de Tudo é rio.

Lançamentos

vendas movem o mundo

vendas movem o mundo

DVS EDITORA/DIVULGAÇÃO/JC

A cor que nos separa - A origem (Avec, 216 pág.), oitavo livro do advogado e escritor Daniel Tonetto, é um romance que inicia com Ndala, arrancada de Angola em 1837 e lançada num navio negreiro rumo ao Brasil. No sul do País, em meio a frio, charqueadas e sonhos de liberdade nasce o velho Becca, herdeiro de uma África imortal. Depois virão os italianos e eles conviverão com o sombrio Isidoro, ex-capitão do mato.


Banda Municipal de Porto Alegre (Libretos, 376 pág, R$ 100,00), de Álvaro Santi, músico, escritor e gestor cultural, é uma obra instrutiva e instigante para as pessoas que vivem em Porto Alegre, que amam a música e a cidade. Inícios e primeiros tempos da Banda (1912-1931), da redução à dissolução (1932-1963) e a Banda atual (1975-2025) são as três grandes partes da bela obra de Santi, que nasce referencial sobre o tema.


Vendas que movem o mundo- Como treinar equipes de vendas para transformar potencial em impacto (DVS Editora, 280 pág, R$ 84,00), de Carol Manciola, empreendedora, palestrante e escritora, questiona os modelos tradicionais de treinamento e enfatiza a capacidade de aprender. Verdadeiro guia para quem acredita no potencial humano como motor de transformação.

O Brasilino enlouqueceu

Quase não acreditei quando me disseram que o Brasilino tinha pirado e que estava internado numa clínica psiquiátrica da zona sul de Porto Alegre. Brasilino, aposentado do Banco do Brasil, sempre penteado, arrumadinho e elegante como um soneto parnasiano numa clínica? Essa tinha que conferir. Fui lá e ele estava sentado no belo jardim, olhando para os patos que nadavam no laguinho.

Por que tu veio parar aqui, meu amigo? O que houve? Brasilino tomou uns goles de chimarrão, me olhou sem pressa e disse: Nunca pensei estar num lugar desses. Vivia quieto no meu canto, com meus pensamentos de centro-direita, e aí a Dora, minha mulher, professora estadual aposentada, passou a falar do Lula e do PT desde que acordava até dormir. No início tentei ficar quieto e democraticamente aceitar a polarização conjugal, mas aí ela queria me doutrinar e fazer eu votar no cara e aí eu achei demais e saía de casa toda hora.


Um dos meus genros é PT, professor da Ufrgs e outro é empresário, bolsonarista raiz. No almoço de domingo não era servida paz alguma junto com o churrasco. Uma das filhas acha que os militares têm que voltar e botar ordem e a outra, esquerda-caviar-beluga, acha que a esquerda é o caminho, desde que se caminhe para Paris na primavera, com um monte de euros para tomar cafezinho no Flore e sorvete de cereja na ilê Saint-Louis.


Quando eu ficava quieto ou tentava apartar ou impor democracia e civilidade me chamavam carinhosamente de isentão e diziam que eu tinha que me atualizar. Aí larguei de mão, passei a desligar meu aparelho auditivo e ouvir o som do silêncio. De repente melhor deprê ou meio gagá do que ficar estonteado com aquelas confusões que não iam a lugar nenhum.


Para tentar me acalmar até arrumei uma "amiga" jornalista, que conheci no Bar do Beto. No início conversas amenas sobre comida, futebol, música e causos de pessoas, mas adiante ela, que foi diretora do CPERS, começou a me patrulhar antes, durante e depois dos jogos na hora da sesta. Não aguentei e nem ela. Um para cada lado, com sequelas tristes de amor invernal. Ela era viúva de um coronel do exército e tinha lembranças "complicadas e ambivalentes".


Fui fazer terapia e tomar uns remédios para ver se conseguia "elaborar" minhas ideias mais enroladas que namoro de cobra. O terapeuta me ouvia pacientemente, sem dizer quase nada, e um dia falou que vivemos no meio de relações líquidas, conflituadas, num mundo de conectados-desconectados, intoxicados digitalmente, narcisistas, individualistas e que o que poderíamos fazer era tentar preservar a paz interior e não se deixar levar pelas insanidades e depressões da contemporaneidade. 


Ele disse que o mel era doce, que a vida tem ganhos e perdas e que precisamos exercer a escuta interior e exterior. Acabei me desentendendo com o grupo do cafezinho no shopping. Um é bolsonarista, outra lulista , outro sonha com a terceira via utópica e outro é anarquista-romântico distópico. Eu tentava dar uma de pomba da paz, unir os impossíveis e acabei me dando mal. Disseram que eu era sem noção, que meu coração até era legal, mas minha cabeça confusa.

A propósito

Começaram a dizer que eu andava estranho, fora da casinha, que ficavam preocupados com meus silêncios e isolamentos. Pedi para meu terapeuta me internar. Ele não queria. Mas aí disse que ele podia me atender na clínica ou por vídeo e insisti na internação, inventando ideias suicidas e papos epiléticos. Disse para ele que tomava sopa com garfo, rasgava notas de dólar, dormia nos trilhos e que ia me amarrar num poste. 


Aí estou aqui. Não te assusta, que não estou tão louco. Meu negócio é ficar fora do caos, olhando os patos por algum tempo e pensando que é melhor não pensar muito. Tem duas camas no meu quarto, quer ficar aí, meu amigo? A comida até que é boa. Vais gostar. 

(Jaime Cimenti) 

04 de Setembro de 2026
CARPINEJAR

O recreio voltou

Não sei você, mas percebo um retorno saudável às práticas do passado. Ninguém mais aguenta ser digital. Sequer as crianças nativas das redes sociais. Veja o crescimento dos clubes de leitura. Minha esposa já participa de dois e se debruça no dever de casa, lendo clássicos e revisitando as estantes.

O número desses grupos de reflexão no país saltou 35% nas últimas duas décadas, reunindo 2 milhões de pessoas em torno de algum título - dados da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e da Nielsen BookData apontam alta de 7,7% no faturamento e de 6,5% no volume de livros vendidos.

A solidão do hábito virou solidariedade. As rodas de análise de textos mexem no sobe-desce da lista dos best-sellers e se destacam pelos encontros presenciais, pelo confronto dos mais diferentes pontos de vista e pelo prazer de conversar sobre afinidades. Não são organizadas apenas por escritores, mas também por diletantes da literatura.

Um ano e meio após a Lei nº 15.100/2025, que restringe o uso de celulares em escolas de educação básica, 97% dos gestores escolares relatam que a norma aumentou o engajamento dos estudantes nas atividades pedagógicas.

Houve, inclusive, um movimento de ressocialização nos recreios. Agora estão na moda os lanchinhos entre as mesas de fórmica e os jogos como cartas, pingue-pongue, vôlei e futebol. Vários alunos até se esquecem da existência do aparelho nas caixas coletoras e precisam regressar à instituição para buscar.

Passamos, aos poucos, a recuperar o domínio das mãos, deixando- as livres para brincar e interagir, para escrever bilhetes, não mais destinando a atenção exclusivamente para as telas.

A ansiedade diminui, assim como a sensação de estar perdendo um acontecimento importante no mundo e a competição pelos melhores modelos de smartphone. A abstinência migra para a alegria, com a redescoberta de brincadeiras e de antigos suportes. A biblioteca é mais frequentada, e o barulho do falatório nos minutos sem aula eleva consideravelmente seus decibéis.

Além disso, adolescentes vêm resgatando câmeras velhas, iPods, Walkmen, fones com fio e vinis. Registrou-se uma demanda de quase 50% a mais na aquisição de iPods e Walkmen pelo eBay no Reino Unido em 2025. Tira-se uma foto sem poder conferir imediatamente se ficou boa, suportando a espera e o erro de foco.

Cansada da hiperconectividade, a Geração Z espanou o pó do MP3 player, procurando a ausência de notificações, algoritmos e feeds infinitos na hora de treinar ou de ouvir música em paz.

O site de vendas Enjoei revelou que o valor total de dispositivos comercializados na plataforma no primeiro trimestre deste ano (janeiro, fevereiro e março) foi 47% maior do que no mesmo período de 2025.

Na contramão da modernidade, os jovens querem novamente os fios, querem uma âncora, uma experiência particular, só sua, que não seja imposta por tendências do momento ou playlists do streaming. É menos tecnologia para mais pessoalidade e privacidade, tendo que lidar com o nó no bolso, com um lado que para de funcionar, com ajuste no plugue para normalizar o som.

O trabalho ou o esforço são insignificantes perto da reserva e da discrição. Ainda se abre a perspectiva gentil de dividir um fone com alguém e mostrar uma canção predileta. A vibe saudosista é uma forma de reaver o controle da vida, que só a simplicidade, cheia de ruídos, possibilita.

A igreja analógica tem cada vez mais adeptos. O recreio voltou com a bênção das sinetas. _

CARPINEJAR