sexta-feira, 24 de abril de 2026

 Duas obras emergenciais são anunciadas pela prefeitura para contenção de cheias em Porto Alegre

Prefeito Sebastião Melo detalha as obras e os investimentos no sistema de proteção contra cheias em Porto Alegre

Prefeito Sebastião Melo detalha as obras e os investimentos no sistema de proteção contra cheias em Porto Alegre

Pedro Piegas/ PMPA/Divulgação/JC

Cláudio Isaías
Cláudio IsaíasRepórterDuas obras emergenciais foram anunciadas pelo prefeito Sebastião Melo para contenção de cheias nas Zonas Norte e Sul de Porto Alegre. Com um investimento previsto de R$ 30 milhões, os trabalhos serão feitos na Zona Norte e na área do Aeroporto Internacional Salgado Filho contra cheias ainda este ano. A previsão é que os trabalhos sejam concluídos no segundo semestre de 2026.
A prefeitura da Capital busca uma solução para os pôlderes 7 e 8, ao lado da BR-290, a Freeway, para ampliar a proteção à região Norte da Capital e ao aeroporto - que foi duramente atingido na enchente de 2024. O anúncio de Melo foi feito nesta quinta-feira (23) durante a apresentação dos investimentos em prevenção e proteção de Porto Alegre realizado no auditório da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus).
O prefeito de Porto Alegre disse que a cidade está muito mais protegida e que obras imediatas estão sendo realizadas pelo município de forma emergencial. Melo destacou um plano de investimentos tripartite (governos federal, estadual e municipal) envolvendo cerca de R$ 6 bilhões para obras de drenagem e reforço de diques. 
Melo disse ainda que, para a realização das obras emergenciais, a prefeitura abriu tratativas para tentar contar com a ajuda do Exército. "A ideia é contratar o serviço do Exército brasileiro. Caso eles não possam fazer a obra vamos para a iniciativa privada", destacou o prefeito. Com relação à Zona Sul de Porto Alegre, o projeto consiste na instalação de uma proteção móvel com cerca de 300 metros de extensão preenchida com areia na região do Arroio Guarujá, ao custo estimado de R$ 540 mil.
O diretor-geral do Departamento Municipal de Águas e Esgotos (DMAE), Vicente Perrone, disse que estão previstas obras como solução imediata no Arroio Areia com o fechamento das galerias que levam a água da chuva para o rio Gravataí. O volume é represado na área alagável. No arroio Passo das Pedras, será feita a construção de um dique, com 100 metros de extensão, entre o curso d’água e o rio Gravataí. Também haverá a colocação de bombas submersíveis que vão retirar a água da área alagável para fora do dique, em direção ao rio Gravataí.
  • LEIA MAIS: Melo e Leite tratam de ações conjuntas para fortalecer proteção de cheias de Porto Alegre
  • Segundo a meteorologista Natália Pereira, da Catavento Meteorologia, a previsão do International Research Institute for Climate and Society (IRI) é que o mês de abril apresente cerca de 70% de probabilidade do fenômeno El Niño no trimestre abril-maio-junho. Como resposta ao evento, as previsões indicam anomalias positivas de precipitação no trimestre agosto-setembro-outubro em todo o  Rio Grande do Sul, com o mês de setembro e outubro atingindo valores de 100 e 150 mm acima da média histórica.
Conforme Perrone, a solução definitiva proposta pelo DMAE prevê uma estrutura permanente criada para reter a água da chuva acumulada nas bacias dos arroios. Com relação à drenagem urbana, estão previstas duas novas casas de bombas que vão retirar a água acumulada na bacia de amortecimento em direção ao Rio Gravataí. "O impacto é a execução mais célere, mais barata e sem necessidade imediata de acolhimento de famílias", destaca. 

Governo federal anuncia nova medida para conter preços dos combustíveis

Projeto prevê que aumento de arrecadação compense corte de impostos

Projeto prevê que aumento de arrecadação compense corte de impostos

Dani Barcellos/ Especial/JC

Francisco Conte
Francisco ConteEstagiárioO governo federal apresentou ao Congresso Nacional uma proposta de mitigação dos efeitos da guerra no Oriente Médio nos preços dos combustíveis no Brasil. O anúncio foi feito pelo Ministério da Fazenda, junto com o Ministério do Planejamento e Orçamento, em coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (23).
A proposta tem como ponto central converter o aumento de arrecadação na receita pública, decorrente do aumento dos preços dos combustíveis, em subvenções a essas fontes de energia. 
A apresentação da proposta foi baseada em eixos políticos e econômicos, de acordo com a atribuição de cada ministro. No caso do Planejamento e Orçamento, Bruno Morett afirmou que o petróleo voltou a subir e que isso tem pressionado os derivados: "O ponto central é converter o aumento de arrecadação em redução de tributos aplicáveis sobre os combustíveis."
O ministro ressaltou os tributos isentos ao diesel e biodiesel, que têm como duração dois meses, e não descartou a possibilidade de prorrogação. Nessa esteira, Morett também afirmou que a isenção da tributação também pode ser alongada à gasolina e etanol. Mas, no momento, "para o caso da gasolina, nós não temos uma proposta imediata", afirmou o ministro. De acordo com ele, a cada 10 centavos retirado dos impostos incidentes sobre esse combustível, seria acarretado o custo de R$800 milhões em dois meses. Morett assevera que eventuais decisões acerca da subvenção serão devidamente discutidas com o Congresso.
Morett disse que o custo para tais medidas se restringe à arrecadação extraordinária advinda do aumento dos combustíveis, tendo em vista que o governo fatura mais quando o petróleo encarece, pois é um exportador: "Dada a neutralidade fiscal e a devida compensação de tributo, nós viabilizaríamos uma nova retirada de impostos". O chefe do planejamento e orçamento destacou que a duração das medidas, fixadas em dois meses, deve-se à volatilidade dos preços, e serão reavaliadas conforme a duração do conflito no Oriente Médio.
De acordo com Morett, essas iniciativas têm como principal objetivo a redução do impacto nos consumidores.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, ainda elencou as medidas que proporcionaram ao Brasil, segundo ele, uma maior resiliência frente ao atual cenário mundial, e assegurou que todas as providências são tomadas tendo em vista a saúde fiscal.  
No âmbito político, o chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, José Guimarães, disse que, por orientação do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, todas as medidas referentes às propostas de subvenção devem passar pela discussão com o Congresso. Isso, de acordo com Guimarães, inaugura uma nova etapa na relação do Executivo com o Legislativo. 
Atualmente o preço médio da gasolina no Brasil é de R$ 6,77, desse valor, R$ 1,57 é Imposto Estadual (23,2%) e R$ 0,68 são de Impostos Federais (10,0%). No RS, o valor médio da gasolina registrado pela ANP é de R$ 6,62 referente ao período de coleta de 5 a 11 de abril de 2026.
 

Grandes acumulados de chuva precedem o frio no Rio Grande do Sul

Em Porto Alegre e na Região Metropolitana, o tempo fica chuvoso com alguns intervalos de melhorias

Em Porto Alegre e na Região Metropolitana, o tempo fica chuvoso com alguns intervalos de melhorias

EVANDRO OLIVEIRA/JC

JC
JCA MetSul Meteorologia adverte para o risco de chuva volumosa nesta sexta-feira (24) em parte do Rio Grande do Sul. O tempo fica instável com precipitação, sobretudo, na faixa central desde São Borja até o Litoral Norte. Pulsos de chuva moderada a forte ocorrerão em vários momentos do dia gerando acumulados altos.
Os modelos projetam volumes ao redor de 50 a 100 mm nessa faixa central de Oeste a Leste do Estado. Pontualmente não se descarta acumulado maior. Nos extremos Norte e Sul, a previsão é de pouca chuva. A temperatura varia pouco ao longo do dia e predomina um padrão de outono com máximas na faixa de 22 a 24°C. Na divisa com Santa Catarina poderá esquentar mais com até 29°C.
Em Porto Alegre e na Região Metropolitana, o tempo fica chuvoso com alguns intervalos de melhorias. O acumulado de precipitação poderá chegar a 50 mm em alguns pontos da região com potencial para alagamentos. O tempo úmido favorece pouca variação térmica.
No sábado, o tempo fica nublado com pancadas de chuva que alternam com melhorias. A expectativa é de chuva fraca. No domingo poderá ter garoa pela manhã com sol e variação de nuvens à tarde. A próxima semana terá frio com mínimas próximas ao 0°C no Estado e na casa dos 10°C na Capital.

Claudio Bier destaca participação de pequenas indústrias gaúchas em Hannover

Presidente do Sistema Fiergs, Claudio Bier vê boas condições de competitividade

Presidente do Sistema Fiergs, Claudio Bier vê boas condições de competitividade

Guilherme Kolling/Especial/JC
Guilherme Kolling
Guilherme KollingEditor-chefeDe Hannover, Alemanha
"No ano passado, tínhamos só uma empresa do Rio Grande do Sul expondo aqui em Hannover. Passamos de uma para 38. A Fiergs está muito satisfeita, é uma participação maravilhosa." Essa é a avaliação do presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul, Claudio Bier, sobre a presença gaúcha no maior evento de tecnologia industrial do mundo, que termina nesta sexta-feira, 24 de abril.
Bier projeta também um aumento das exportações brasileiras para a Alemanha, especialmente após a entrada em vigor do acordo de livre comércio União Europeia-Mercosul, que acontece na próxima semana, no dia 1º de maio.
Nesta entrevista ao Jornal do Comércio, o presidente do Sistema Fiergs ainda destaca a participação de pequenas indústrias gaúchas expondo em Hannover, o que, acredita, é um divisor de águas e deverá fazer com que esse movimento se renove em 2027.
Jornal do Comércio – Quando o Brasil foi escolhido país parceiro da Feira de Hannover 2026, no ano passado, havia o desafio de ampliar a participação no evento. Como avalia esse ano de trabalho até aqui e o resultado de Hannover 2026?
Claudio Bier – Primeiro, no ano passado, nós, da Fiergs, batalhamos muito para que o Brasil fosse o país irmão de Hannover (em 2026). Você estava junto naquela reunião que nós fizemos com os comandantes da feira (dirigentes da Deutsche Messe AG, empresa que organiza o evento). E insistimos que o Brasil fosse o país parceiro. Bom, obtivemos esse mérito de ter o Brasil como grande protagonista da feira deste ano. E aí fizemos um esforço muito grande, porque no ano passado nós tínhamos um expositor gaúcho.
JC – A empresa Novus, de Canoas...
Bier – A Novus, de Canoas, e só eles. E também 57 gaúchos que vieram para a feira, alguns já conheciam, outros ficaram encantados. Bom, depois disso (fim da Feira de Hannover de 2025), começamos a trabalhar na Fiergs, com o nosso departamento (de Relações Internacionais e Comércio Exterior) chefiado pelo Luciano (D'Andrea), para que tivéssemos mais expositores em 2026. Pois até te confesso que foi uma surpresa para mim: nós trouxemos 38 expositores (do Rio Grande do Sul). Alguns a Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) ajudou, e a maioria deles a Fiergs ajudou. A Fiergs participou financeiramente dessa vinda. E estamos entusiasmados, porque com o advento do acordo Mercosul e comunidade europeia, temos que cada vez mais nos ligar com a Europa. Apesar do Custo Brasil e os juros altíssimos, temos condições de exportar para cá.
JC – Abrir mercado...
Bier – Sim, temos que abrir mercado e é isso que o pessoal está fazendo (em Hannover). Então, a feira está sendo um sucesso, porque essas 38 empresas – nós estamos visitando algumas – estão muito satisfeitas com a possibilidade de vir a exportar para a comunidade europeia. E perderam aquele medo, "ah, mas porque a Alemanha..." A Alemanha é um país como o Brasil, claro, tem suas peculiaridades, mas nós temos que ter coragem de vir aqui e mostrar que temos uma mão de obra excelente e especializada, que temos o segundo polo metalmecânico do Brasil, temos tudo para competir. E a Fiergs vai estar ao lado dessas empresas, principalmente as empresas pequenas que vieram para cá.
JC – Dar apoio...
Bier – Porque são essas empresas que precisam da Fiergs. As grandes não precisam, mas as pequenas precisam muito do nosso auxílio. Tenho certeza que essas 38 empresas que vieram vão difundir (a participação em Hannover) para os seus colegas. Ou até os concorrentes: " ah, mas se o fulano foi, eu tenho que ir também". Então, espero que ano que vem tenhamos mais empresas ainda, apesar de não ser o Brasil o país irmão  (em 2027). Até em função desse acordo Mercosul e União Europeia.
JC – A sua expectativa é que esse ano seja de virada de chave. E que Brasil e Rio Grande do Sul tenham presença, com expositores, cada vez mais constante em Hannover?
Bier – Sim. Esse ano já foi uma grande virada de chave. Viemos de uma empresa para 38. Temos que ajudar essas 38 empresas, ver as dificuldades que vão encontrar. E a Fiergs vai estar junto para ajudá-las no que for preciso. E mostrar que a feira, agora com o advento do acordo (União Europeia-Mercosul), é um grande passo para entrarmos na Alemanha e em toda a Europa.
JC – Grandes empresas também tiveram uma boa exposição em Hannover...
Bier – Sim, claro. Mas quis dizer que as grandes já têm departamentos, algumas têm até funcionários aqui (na Europa), não precisam da Fiergs (para vir a Hannover). Então, a presença das pequenas é que me animou, essas 38 empresas que aqui estão. E a feira está sendo muito positiva. Estamos visitando as empresas gaúchas, o pessoal está satisfeito. E nós estamos satisfeitos.
JC – E qual é a sua avaliação da presença do Brasil como um todo em Hannover?
Bier – Apesar do Custo Brasil e o juro altíssimo, mesmo assim temos condições de ser exportadores. E vai ser positivo, vamos exportar mais para cá do que eles para o Brasil, essa é a impressão que eu tenho. E têm um problema seríssimo aqui, que é a energia. Hoje a energia está caríssima na Alemanha. A energia para eles é o nosso Custo Brasil. Então, empatou. E temos condições (de competir), nossa mão de obra é tão competente quanto a deles, que é paga em euros, então, é mais cara que a nossa. A Fiergs tem que estar atenta (ao acordo Mercosul-UE). Acho que vai ser muito positivo.