sexta-feira, 5 de junho de 2026

Defesa do vinho nacional é pauta na abertura da ExpoBento e Fenavinho

Eventos foram abertos oficialmente na manhã desta quinta-feira, em Bento Gonçalves

Eventos foram abertos oficialmente na manhã desta quinta-feira, em Bento Gonçalves

César Silvestro/Divulgação/JC

Roberto Hunoff
Roberto HunoffJornalistaDe Bento Gonçalves
A solenidade de abertura da 34ª ExpoBento e 21ª Fenavinho, na manhã desta quinta-feira (4), teve como uma das marcas dos discursos de autoridades presentes a defesa do vinho nacional e de seus derivados diante do acordo Mercosul-União Europeia e da reforma tributária, que inclui o setor no chamado imposto do pecado. Os dois eventos ocorrem até o dia 14 de junho, no Parque de Eventos da Fundaparque, em Bento Gonçalves.
A defesa dos produtos nacionais foi iniciada pelo presidente da Câmara de Bento Gonçalves, vereador Anderson Zanella, que exigiu respeito dos governos não apenas com o setor vitivinícola, mas com todos os demais e com os consumidores, reduzindo a desburocratização e a alta carga tributária, além colocar fim à insegurança jurídica, para garantir qualidade de vida e condições para empreender. Criticou o fim da escala 6x1, feita, segundo ele, a toque de caixa. “Precisamos de responsabilidade com a nossa gente”, reforçou.
O deputado Guilherme Pasin, representante da Assembleia, reforçou que é preciso falar da pauta da uva e do vinho que será o futuro do Rio Grande do Sul por meio do enoturismo. “O governo gaúcho precisa abraçar mais esta pauta e acompanhar as comitivas que vão à Brasília para tirar o vinho do imposto seletivo, presente na Reforma Tributária”, assinalou. Comentou que o projeto que trata o vinho como alimento, em tramitação no Congresso, não é uma inovação, apenas se alinha ao que países europeus, como Espanha e Portugal, já fazem. “Lá, o vinho não é visto como bebida alcoólica, mas como cultura, valorizando a longa cadeia, do agricultor ao comércio. Eles compreendem isto como alimento e produto regional. Isto é o que queremos para o Brasil”, destacou.
Representante da Câmara Federal, o deputado Pedro Westphalen também ressaltou que é preciso criar condições para garantir competitividade ao vinho nacional, hoje prejudicada pela alta carga tributária, pois qualidade já tem para concorrer com produtos importados. “O mercado que se abre no Mercosul para produtos importados é preocupante. É uma questão que precisa ser tratada nas diversas instâncias de Brasília”, observou.
Ao definir o turismo como essencial para o futuro do Rio Grande do Sul, o vice-governador Gabriel Souza destacou parcerias do Estado com a prefeitura de Bento Gonçalves para melhorar a infraestrutura. Citou a destinação de recursos para o asfaltamento do estacionamento do Parque de Eventos e a climatização dos pavilhões. Anunciou recursos para a pintura do hall de entrada dos pavilhões e melhorias no estacionamento, e destacou a aplicação de R$ 650 mil do Estado e do Banrisul para fomentar a ExpoBento e Fenavinho.
Para o vice-governador, o Acordo Mercosul-União Europeia trará benefícios para o estado no cenário macroeconômico, mas será prejudicial para alguns setores, como o vitivinícola. A isto, segundo ele, se somam o descaminho e a Reforma Tributária, que irá simplificar os procedimentos, mas que exigirá subvenção econômica. “Teremos, sim, que discutir estes pontos em Brasília e buscar proteção para quem for prejudicado”, afirmou.
O vice-governador anunciou que, pela primeira vez, os recursos do Fundovitis deverão ser integralmente repassados para ações do setor vitivinícola. Segundo Souza, no passado, o governo, por falta de caixa, usava parte dos recursos dos fundos para custear a máquina. “Com as finanças organizadas e por determinação legal, os valores dos fundos serão aplicados em ações específicas de cada setor contemplado”, frisou.
Dentre as primeiras medidas para a atividade da uva e do vinho anunciou R$ 13 milhões para promoção e divulgação em campanhas publicitárias. Também garantiu a destinação de recursos do Fundovitis, em parceria com o Sicredi que fará a compra dos equipamentos, para a implantação do sistema antigranizo em até 19 municípios produtores de uva, com custeio avaliado entre R$ 3 milhões e R$ 4 milhões por ano.
Números similares à edição passada
A comissão organizadora tem a expectativa de atrair 280 mil visitantes e gerar negócios na ordem de R$ milhões para as 520 marcas expositoras. A projeção se ampara em uma estrutura planejada ao longo de meses para conectar empresas e consumidores.
Para o coordenador-geral, Jonatas Ferrari, a grandiosidade do evento é fruto de um trabalho contínuo que vai muito além dos dias de realização. “A ExpoBento se consolidou como uma força econômica fundamental para o desenvolvimento da indústria, do comércio, da agricultura e do setor de serviços”, destacou.
A vocação para os negócios caminha lado a lado com a valorização da identidade local. A celebração da Fenavinho, uma homenagem à cultura vitivinícola da região, traduz a continuidade de uma história construída por gerações. “A Fenavinho representa a conexão viva entre o passado e o futuro de prosperidade que estamos construindo, com os valores que queremos ver refletidos em cada brinde, em cada encontro, em cada edição”, afirmou a coordenadora do comitê da festa, Ana Maria de Paris Possamai.
A combinação entre desenvolvimento econômico e valorização cultural é um dos elementos que ajudam a explicar a longevidade e a relevância dos eventos. Presidente do Centro da Indústria, Comércio e Serviços, entidade promotora da feira e da festa, Daniel Panizzi ressaltou os reflexos que ambas geram em diversos segmentos da economia regional. “Além das oportunidades comerciais geradas dentro do parque, ExpoBento e Fenavinho movimentam hotéis, restaurantes, transportes, comércio e serviços, impulsionando o turismo e o enoturismo e atraindo visitantes para a Serra”, observou.
O prefeito de Bento Gonçalves, Amarildo Lucatelli, destacou o significado dos eventos para o desenvolvimento da cidade e da região. “Eles representam a força, a tradição e o espírito empreendedor da comunidade. Mais do que movimentar a economia, gerar empregos e atrair visitantes, a feira e a festa celebram o vinho e o trabalho dos agricultores”, ressaltou.
Os ingressos custam R$ 15 nos dias 9, 10, 11 e 12 e R$ 22 nos dias 5, 6, 7, 13 e 14. A segunda-feira, dia 8, é de entrada franca. O estacionamento no parque custa R$ 25 entre os dias 8 e 12 de junho e R$ 35 nos dias 5, 6, 7, 13 e 14. Para motos, o valor é fixo em R$ 12 durante todo o evento. Os pavilhões estão abertos à visitação das 10h às 22h30 nos dias 5, 6 e 13; das 10h às 21h, nos dias 7 e 14; das 18h às 22h30 nos dias 8, 9, 10 e 11; e das 14h às 22h30, dia 12.

 Movimento com 65 entidades se manifesta em defesa da manutenção do Plano Diretor

Movimento Porto Alegre+ vê oportunidade para Capital recuperar seu caráter empreendedor

Movimento Porto Alegre+ vê oportunidade para Capital recuperar seu caráter empreendedor

TÂNIA MEINERZ/JC

Cássio Fonseca
Cássio FonsecaRepórterO movimento Porto Alegre+, composto por 65 entidades representativas da sociedade porto-alegrense, divulgou uma nota nesta quarta-feira (3) em que manifesta uma profunda preocupação com as tentativas judiciais de suspender a sanção do novo Plano Diretor e da Lei de Uso e Ocupação do Solo. O posicionamento responde ao Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio Grande do Sul (CAU/RS), que solicitou à Justiça Federal a suspensão dos efeitos do novo Plano Diretor e a anulação da lei aprovada pela Câmara Municipal.
A nota enfatiza que a revisão do plano foi construída ao longo de cinco anos em um processo "amplo, democrático e participativo", que incluiu centenas de atividades, debates técnicos, audiências públicas e a devida aprovação pela Câmara. O arquiteto, urbanista e porta-voz do Poa+, Antônio Carlos Zago, afirma que esta foi a revisão mais profunda e trabalhada que já presenciou, comparando com 1999 e 2010, e que foram necessários cinco anos de trabalho e mais de 200 eventos de participação popular para chegar ao resultado final. 
Ele destaca que o processo seguiu todos os ritos do Estatuto da Cidade, com incursões técnicas em todos os bairros e macrozonas para ouvir a população e analisar os resultados da legislação vigente. Sobre os efeitos na prática, Zago entende que o novo plano busca colocar a cidade nos “trilhos do urbanismo contemporâneo”, facilitando o acesso ao comércio, serviços e educação perto das residências. Por consequência, “recuperaremos nosso caráter empreendedor, que vem se perdendo nos últimos anos”, completa.
Para tanto, é preciso que se concretizem as principais polêmicas debatidas na votação, como reunir mais pessoas em menor superfície urbana, a fim de viabilizar serviços locais — farmácias, padarias, mercados —, reduzindo a necessidade de deslocamentos por carro e melhorando a qualidade de vida. Além, claro, da proposta por prédios mais altos, já que o limite máximo de altura passou para 130 metros em alguns pontos da cidade.
Ainda sobre o “embate”, o arquiteto explica que o movimento reconhece que o questionamento judicial faz parte do processo democrático e é um direito de qualquer cidadão ou entidade, mas considera que os argumentos de que faltou participação ou dados técnicos não são procedentes, defendendo que o processo foi absolutamente legítimo. Por fim, diz que o texto atual representa a "cidade possível".
Confira as entidades que integram o movimento Poa+
1. ABIH/RS - Associação Brasileira da Indústria de Hotéis Rio Grande do Sul
2. ABRASCE - Associação Brasileira de Shopping Centers
3. ABRASEL - Associação Brasileira de Bares e Restaurantes Seccional Rio Grande do Sul
4. Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura no Rio Grande do Sul (AsBEA-RS)
5. Associação Comercial de Porto Alegre (ACPA)
6. Associação da Classe Média (ACLAME)
7. Associação das Empresas dos Bairros Humaitá-Navegantes (AEHN)
8. Associação de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte de Porto Alegre (AMICRO POA)
9. Associação Delta do Jacuí
10. Associação do Comércio e Indústria da Restinga (ACIR)
11. Associação do Corpo Consular do Rio Grande do Sul (ACCRGS)
12. Associação dos Comerciantes de Materiais de Construção (ACOMAC)
13. Associação dos Dirigentes de Marketing e Vendas do Brasil no RS (ADVB/RS)
14. Associação Gaúcha de Empresas de Obras de Saneamento (AGEOS)
15. Associação Gaúcha de Microcervejarias (AGM)
16. Associação Gaúcha de Supermercados (AGAS)
17. Associação Gaúcha do Varejo (FAGV)
18. Associação Gaúcha dos Advogados de Direito Ambiental Empresarial (AGAAE)
19. Associação Gaúcha dos Advogados do Direito Imobiliário e Empresarial (AGADIE)
20. Associação Riograndense de Empreiteiros de Obras Públicas (AREOP)
21. Associação Riograndense de Propaganda (ARP)
22. Câmara Americana de Comércio para o Brasil (AMCHAM)
23. Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre (CDL POA)
24. Centro Empresarial Porto Seco (CEPORTO)
25. Ciclo Empreendedor
26. Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Rio Grande do Sul (CRECI-RS)
27. Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado do Rio Grande do Sul (CREA-RS)
28. Entrepreneurs’ Organization (EO Porto Alegre)
29. Federação das Empresas de Logística e de Transporte de Cargas no Rio Grande do Sul (FETRANSUL)
30. Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS)
31. Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul)
32. Grupo Front
33. Instituto Atlantos
34. Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças RS (IBEF-RS)
35. Instituto Caldeira
36. Instituto Cultural Floresta (ICF)
37. Instituto de Estudos Empresariais (IEE)
38. Instituto Liberdade
39. LIDE-RS - Grupo de Líderes Empresariais
40. LIVE Marketing
41. Porto Alegre Convention & Visitors Bureau
42. RSNasce
43. Sindicato da Habitação do RS / Associação Gaúcha de Empresas do Mercado Imobiliário (SECOVI-RS/AGADEMI)
44. Sindicato da Indústria da Construção de Estradas, Pavimentação e Obras de Terraplenagem em Geral no Estado do Rio Grande do Sul (Sicepot/RS)
45. Sindicato da Indústria de Energias Renováveis do Rio Grande do Sul (Sindienergia-RS)
46. Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas do Estado do Rio Grande do Sul (Sescon/RS)
47. Sindicato das Empresas de Transportes de Carga e Logística no Estado do Rio Grande do Sul (SETCERGS)
48. Sindicato das Indústrias da Construção Civil no Estado do Rio Grande do Sul (Sinduscon-RS)
49. Sindicato de Hospedagem e Alimentação de POA e Região (SINDHA)
50. Sindicato do Comércio Atacadista de Álcool e Bebidas em Geral do Estado do RS (Sicabege RS)
51. Sindicato do Comércio Atacadista de Gêneros Alimentícios de Porto Alegre (Sindiatacadistas RS)
52. Sindicato do Comércio Atacadista de Madeiras de Porto Alegre (Sindiatacadistas RS)
53. Sindicato do Comércio Atacadista de Produtos Químicos para a Indústria e Lavoura
e de drogas e medicamentos de Porto Alegre (Sindiatacadistas RS)
54. Sindicato do Comércio Atacadista de Tecidos, Vestuário e Armarinho de Porto Alegre (Sindiatacadistas RS)
55. Sindicato do Comércio Atacadista do Estado do RS (Sindiatacadistas RS)
56. Sindicato do Ensino Privado do Rio Grande do Sul (SINEPE/RS)
57. Sindicato dos Hospitais e Clínicas de Porto Alegre (Sindihospa)
58. Sindicato dos Hotéis de Porto Alegre (SHPOA)
59. Sindicato dos Lojistas do Comércio de Porto Alegre (Sindilojas Porto Alegre)
60. Sindicato Intermunicipal do Comércio Atacadista de Materiais de Construção, louças, tintas, ferragens, vidros planos, cristais, espelhos, agregados de concreto, sucata de ferro, ferros planos, ferros não planos do Estado do RS (Sindiatacadistas RS)
61. Sindicato Intermunicipal do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes do Estado do RS (Sulpetro)
62. Sindicato Intermunicipal dos Estabelecimentos de Educação Infantil do Estado do Rio Grande do Sul (Sindeedin-RS)
63. Sociedade de Engenharia do Rio Grande do Sul (SERGS)
64. Tijolo Hub
65. Transforma-RS