quarta-feira, 25 de março de 2026

Região da Campanha espera que Aeroporto de Bagé retome voos comerciais

 Terminal da Campanha Gaúcha opera apenas com aviação geral

Terminal da Campanha Gaúcha opera apenas com aviação geral

Divulgação Motiva/ JC

Gabrieli Silva
Gabrieli SilvaRepórterEnquanto as capitais da Região Sul — Porto Alegre, Curitiba (PR) e Florianópolis (SC) — somaram mais de 18 milhões de passageiros em 2025, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) compilados pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), o Aeroporto Internacional Comandante Gustavo Kraemer, em Bagé, não registrou voos comerciais regulares na malha das companhias aéreas no ano passado.
O terminal da Campanha Gaúcha opera apenas com aviação geral, e não há companhias aéreas com operações regulares programadas. O complexo recebe voos particulares, operações de táxi-aéreo, missões aeromédicas e institucionais. Segundo a administradora do complexo, a Motiva Aeroportos, aeronaves sob demanda podem ser mobilizadas, mediante disponibilidade operacional, em prazo aproximado de uma hora, para deslocamentos a diferentes regiões do País.
Apesar da denominação oficial de Aeroporto Internacional Comandante Gustavo Kraemer, atualmente não há operações internacionais regulares em atividade.
Para a Secretaria de Turismo (Setur) local, comandada por Elidiane Lobato, a retomada da operação comercial é considerada estratégica para o desenvolvimento regional. “O governo municipal avalia o aeroporto como infraestrutura estratégica para Bagé e para a região da Campanha. A conectividade aérea é fundamental para fortalecer o turismo, integrar o território e posicionar o município como polo regional de serviços, eventos e negócios”, afirma.
Segundo a secretária, a localização geográfica e a proximidade com o Mercosul reforçam o potencial logístico do município. A gestão municipal também destaca a relação entre mobilidade aérea e cadeias produtivas locais.
A limitação operacional impacta principalmente setores ligados ao agronegócio, à produção de vinhos e azeites de oliva e ao ambiente universitário instalado na cidade. “As limitações atuais não cumprem o propósito da aviação regional, que é diminuir distâncias e otimizar o tempo de deslocamento de empresários, técnicos e profissionais ligados ao agronegócio e aos serviços”, afirma o vice-prefeito e secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Beto Alágia.
Bagé integra o Bloco Sul de concessões federais e está sob administração da Motiva (antiga CCR) desde março de 2022. Em 2025, a companhia anunciou a venda de 100% de sua plataforma de aeroportos — incluindo formalmente os terminais de Bagé, Pelotas e Uruguaiana — ao grupo mexicano ASUR (Grupo Aeroportuario del Sureste), em operação avaliada em R$ 11,5 bilhões. O valor informado corresponde à alienação integral da plataforma aeroportuária da empresa.
A transação está em análise pelos órgãos competentes, incluindo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e os órgãos de defesa da concorrência, além de depender de anuência do poder concedente federal, conforme previsto nos contratos de concessão. A conclusão está prevista para 2026. Até lá, a gestão permanece sob responsabilidade da Motiva, sem alteração nas obrigações contratuais ou na operação. 

Ministério diz que conectividade regional acompanha crescimento da demanda da Região Sul

 No âmbito federal, o Ministério de Portos e Aeroportos informou que a conectividade aérea regional no Rio Grande do Sul acompanha o crescimento da demanda registrado na Região Sul em 2025. Segundo o órgão, aeroportos como os de Pelotas, Bagé e Uruguaiana são considerados estratégicos no âmbito da política nacional de aviação regional por promoverem integração territorial e atenderem regiões de fronteira.
“O governo federal trabalha com diretrizes específicas para o fortalecimento de aeroportos regionais com menor densidade de passageiros. A política pública considera não apenas critérios comerciais, mas também a função social e estratégica dessas unidades”, informou o Ministério.
O MPor anunciou recentemente R$ 389 milhões em investimentos destinados à infraestrutura aeroportuária da Região Sul. O pacote integra uma carteira nacional superior a R$ 1,8 bilhão prevista para os próximos dois anos, com foco em segurança operacional, adequações de infraestrutura e fortalecimento da aviação regional. Bagé não está contemplado na etapa atual dos aportes anunciados.
Segundo a administração municipal, a ausência de voos comerciais regulares já impactou agendas empresariais e a realização de eventos, com deslocamento de atividades para municípios com conectividade ativa. “Conectividade e frequência de voos são indicadores observados por investidores, pois representam segurança logística e previsibilidade”, afirma Elidiane.
A prefeitura informa manter diálogo institucional com concessionária, companhias aéreas e demais entes governamentais para apresentar dados técnicos que evidenciem a demanda regional e buscar a ampliação da malha aérea.
Entre as estratégias locais estão a promoção de cadeias produtivas como vitivinicultura, produção de azeite de oliva e agronegócio, além do fortalecimento do turismo histórico e cultural da Campanha. A expectativa da gestão municipal é que a eventual retomada de voos comerciais possa ampliar a mobilidade regional e apoiar setores como hotelaria, comércio e eventos.
No cenário atual da aviação regional, o terminal de Bagé mantém infraestrutura disponível, porém fora da rede comercial ativa. A retomada de voos regulares permanece condicionada à decisão comercial das companhias aéreas e à consolidação de demanda que sustente a operação.

Nestlé investe R$ 60 milhões na retomada da operação em Carazinho

Empresa tem a intenção de ampliar em 15% a produção de soro de leite até 2029

Empresa tem a intenção de ampliar em 15% a produção de soro de leite até 2029

Nestlé/Divulgação/JC
JC
JCAna Esteves, especial para o JC
A necessidade de incrementar a produção de soro de leite, um ingrediente estratégico para a produção de fórmulas infantis, fez com que a Nestlé retomasse as operações da fábrica de Carazinho, no Norte do Estado, a partir de um investimento de R$ 60 milhões, com foco na expansão do negócio de nutrição para crianças. A intenção é ampliar em 15% a produção desse ingrediente até 2029. “O valor foi investido para a construção de novas pistas de recebimento de soro, estocagem e melhorias na parte de processamento da principal matéria-prima proteica para as fórmulas infantis que nós produzimos na fábrica de Araçatuba”, afirma o diretor das unidades Nestlé de Carazinho e Araçatuba (SP), Durval Silva.
Cerca de 60% do soro de leite para produção de fórmulas infantis são oriundos do Estado e outros 40% divididos entre Santa Catarina e Paraná. Com o incremento produtivo também será necessário aumento na captação e novos parceiros. “Esse soro é o famoso whey protein com alto teor de proteína, oriundo das queijarias locais. A tendência é de incremento no número de produtores fornecedores”, diz Silva. A Nestlé opera com cerca de 15 cooperativas e grandes fornecedores de soro e fabrica 100% das fórmulas infantis comercializadas no Brasil e também exportadas para alguns países.
A planta de Carazinho foi inaugurada em 2010, quando a companhia passou a produzir, no complexo, diferentes itens lácteos e implantou uma operação dedicada ao soro de leite. Dez anos depois, como parte da estratégia de foco em categorias de maior valor agregado, a empresa vendeu a operação de produtos lácteos, incluindo, de forma temporária, o licenciamento das marcas Ninho e Molico para a produção de leite UHT. “A Nestlé vendeu apenas a parte de leite para Piracanjuba, a de soro foi mantida, mas por um acordo comercial, ela passou a ser operada pela Piracanjuba. E é justamente esse acordo que estamos revendo. Retomamos a parte do soro e a Piracanjuba segue com a parte do leite”, afirma Silva. A unidade volta a operar com base na infraestrutura desenvolvida pela própria Nestlé, incluindo tecnologia proprietária que reforça o know-how industrial da companhia.
O soro de leite passou a ser muito valorizado pelo seu alto valor nutritivo, rico em nutrientes funcionais, deixando de ser um passivo ambiental para se tornar um ingrediente de alto valor. Contém proteínas de alto valor biológico e é utilizado pela indústria em geral para produção de bebidas lácteas, suplementos esportivos, sorvetes, além da produção de nutrição de crianças. “É o ingrediente do momento, mas que no passado era considerado como subproduto derivado. Hoje é muito procurado para fórmulas infantis de ponta, muito similares à composição do leite materno”, explica Silva. Além disso, de olho no crescimento das bebidas proteicas, a empresa lançou o Nescau Protein, que também será produzido a partir do soro de leite produzido no Estado.
Silva revela que o foco no momento é o mercado interno, mas que a empresa mantém uma fatia de 5% do volume de soro produzido destinada à exportação para mercados da América e Europa. A renovação da fábrica se justifica também pela possibilidade de a empresa se manter autossuficiente na produção de soro, sem necessidade de importar o produto, tornando-se mais competitiva em função dos custos. “Em caso de falta dessa matéria-prima internamente, teremos ela garantida. O retorno que esse investimento nos dá é o da segurança”.
O investimento de R$ 60 milhões foi realizado durante dois anos e gerou mais de 200 vagas de emprego, além das mais de 80 já existentes na planta da empresa, fomentando a economia de Carazinho e boa parte da região Norte do Estado. “E seguimos concretizando esse crescimento, envolvendo toda essa cadeia de fornecimento de soro e a necessidade de contratação adicional para dar a conta desse crescimento. Os colaboradores da parte de soro da Piracanjuba seguem atuando conosco”, finaliza Silva.
FICHA TÉCNICA
Investimento: R$ 60 milhões
Estágio: Realizado
Empresa: Nestlé
Cidade: Carazinho
Área: Indústria

Resiliência do produtor gaúcho é destaque na abertura da 24ª Expoagro Afubra

Capacidade de resistir dos produtores gaúchos foi destacada pelas autoridades na abertura da Expoagro Afubra em Rio Pardo

Capacidade de resistir dos produtores gaúchos foi destacada pelas autoridades na abertura da Expoagro Afubra em Rio Pardo

Tânia Meinerz/JC
Ana Esteves Especial para o JC

A abertura da 24ª Expoagro Afubra, realizada em Rio Pardo ontem, foi marcada por uma só palavra: resiliência. A capacidade de resistir dos produtores gaúchos foi destacada pelas autoridades que participaram do evento. O presidente da Afubra, Marcilio Laurindo Drescher, afirmou que faltam políticas agrícolas justas e eficazes, proteção ao mercado e acesso ao seguro agrícola acessível e abrangente. “O termo sempre fez parte da vida de quem vive do campo: quem planta sem a certeza da colheita. E mesmo quando colhe não sabe se terá o preço justo pelo seu produto”, disse o dirigente.
Drescher destacou o papel fundamental da feira nesse contexto em que os produtores passam por dificuldades, por ser polo de conhecimento, novas tecnologias e projeção de soluções para o futuro. “O produtor resiste e se reinventa, investe em inovação, aumenta a produtividade e segue fazendo aquilo que sabe fazer de melhor”, pontua.
O presidente defendeu que a Expoagro Afubra também seja um momento de reflexão e que autoridades e governantes voltem seus olhares para o campo. “Neste ano, também faço um apelo muito especial ao setor do tabaco que a comercialização desta safra seja pautada pela justiça, que o produtor seja valorizado, que o preço pago reflita a qualidade do produto e que haja equilíbrio de sustentabilidade em toda a cadeia”.
O senador Luis Carlos Heinze (PP) destacou que, diante do endividamento crescente, os produtores gaúchos, especialmente de soja, milho, leite e arroz, precisam de “juros baratos e de negociação”. Heinze enfatizou também a importância do tema dos créditos de carbono, que podem resultar em ganhos extras para os agricultores. “Uma arroba de fumo, um saco de soja, de arroz, um litro de leite são ativos que temos nas mãos e temos uma lei que permite que o agricultor possa receber o crédito de carbono”, afirmou.

O vice-governador Gabriel Souza ressaltou a importância da produção de tabaco para o Estado, como fonte de renda e também demonstrou preocupação com a questão do endividamento dos produtores de fumo e de outras culturas. “Infelizmente, ainda não temos solução para PL 5122/23, projeto que autoriza o uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal para criar uma linha especial de financiamento destinada a produtores rurais afetados por estiagens. Fomos muito impactados pelas estiagens, mais do que o Nordeste brasileiro”, disse.
O secretário de Desenvolvimento Rural do Rio Grande do Sul, Gustavo Paim, frisou a importância da agricultura familiar para a feira, considerada como uma das campeãs em comercialização dos produtos das agroindústrias familiares. “A Expodireto e a Expoagro Afubra disputam, ano a ano, qual é a segunda maior feira em termos de comercialização no Estado. Uma disputa saudável de um setor cada vez mais liderado pelos jovens e pelas mulheres”, disse Paim.
O secretário da Agricultura, Edvilson Brum, salientou a importância social e econômica da mostra de Rio Pardo. “É esta organização, é esse espírito de coletividade que fazem a representatividade dos produtores para continuarem trabalhando pelo agro gaúcho e pelo agro brasileiro”, destacou. O superintendente do Ministério da Agricultura e Pecuária, no Rio Grande do Sul, José Kleber Dias de Souza, reforçou o tema da resiliência dos produtores e a necessidade de prover novas políticas mais adequadas às necessidades dos agricultores. “Trabalhamos de duas formas distintas orientadas pela manifestação das representações dos agricultores em ambas não conseguimos superar todos os problemas. Mas avançamos bastante”, afirmou.

Pavilhão da Agricultura Familiar abre com recorde histórico de 222 empreendimentos

A abertura do Pavilhão da Agricultura Familiar marcou um momento histórico na 24ª Expoagro Afubra. Com a presença de 222 empreendimentos participantes, maior número já registrado, o espaço reafirma sua relevância como vitrine da produção da agricultura familiar gaúcha e como importante canal de geração de renda no meio rural. O ato contou com a presença do vice-governador Gabriel Souza.

O pavilhão funcionará entre os dias 24 a 27 de março, das 8h às 18h, reunindo 177 agroindústrias familiares, 23 empreendimentos de artesanato, 19 de plantas e flores e três iniciativas indígenas. Ao todo, 122 municípios estão representados, evidenciando a diversidade regional e produtiva do Rio Grande do Sul.

Outro destaque desta edição é o protagonismo feminino e da juventude no campo: são 96 empreendimentos liderados por mulheres e 98 com participação de jovens, fortalecendo a sucessão familiar e garantindo a continuidade das atividades rurais. Os visitantes encontram uma ampla variedade de produtos, como panificados, embutidos, mel, sucos, doces, conservas, bebidas, além de itens artesanais e produtos de origem vegetal e animal, todos oriundos de agroindústrias familiares apoiadas por políticas públicas estaduais.

O presidente da Emater/RS-Ascar, Claudinei Baldissera, destacou o trabalho dos extensionistas no dia a dia, junto aos produtores, à juventude rural e as mulheres agricultoras familiares, que trazem o resultado do seu trabalho para esse Pavilhão da Agricultura Familiar, que traduz a diversidade da nossa cultura gastronômica, etnias, cores e sabores.

O espaço é organizado por meio da parceria entre a Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), Afubra, Emater/RS-Ascar e Fetag-RS, consolidando um trabalho conjunto de valorização da agricultura familiar. Na última edição, o Pavilhão da Agricultura Familiar superou, pela primeira vez, a marca de R$ 2 milhões em comercialização, alcançando R$ 2.355.901,95 em vendas, resultado que reforça o impacto econômico do espaço para os produtores. A expectativa para 2026 é de ampliação desses números, acompanhando o crescimento do número de expositores.