quinta-feira, 4 de junho de 2026

Ecovix e Gerdau finalizam desmontagem da plataforma P-32 no dique seco

A P-32 foi a primeira unidade do sistema de produção da Petrobras a seguir o novo modelo de reciclagem sustentável de plataformas da estatal

A P-32 foi a primeira unidade do sistema de produção da Petrobras a seguir o novo modelo de reciclagem sustentável de plataformas da estatal

Ecovix/Divulgação/JC

JC
JCO Estaleiro Rio Grande, da Ecovix, finalizou nesta semana a desmontagem da plataforma P-32 em seu dique seco. Com a retirada do último bloco da embarcação do espaço, foi encerrada uma etapa essencial do primeiro desmantelamento verde do Brasil, que envolveu centenas de trabalhadores que atuaram na unidade marítima, que possuía mais de 44 mil toneladas.

Adquirida em leilão pela Gerdau, em julho de 2023, a P-32 foi a primeira unidade do sistema de produção da Petrobras a seguir o novo modelo de reciclagem sustentável de plataformas da estatal. A maior empresa brasileira produtora de aço contratou a Ecovix para a desmontagem das estruturas da embarcação, que ocupou grande parte do dique seco.
De acordo com o CEO da Ecovix, Robson Passos, a operação foi totalmente planejada e executada pela mão de obra própria da empresa. Ele acrescenta que a complexidade do trabalho se manifestou já na chegada da plataforma ao Estaleiro, movimentação que envolveu mais de 50 profissionais e dois meses de preparação.

Mais de 90% da estrutura da plataforma será reaproveitada na forma de sucata metálica. Os blocos remanescentes da P-32 estão sendo cortados para serem carregados em caminhões com destino à unidade da Gerdau em Charqueadas (RS), onde a sucata será utilizada como matéria-prima para a produção de aço.
O diretor de matérias-primas da Gerdau, Marco Camin, salienta que uma das fontes de geração de sucata é o desmantelamento de plataformas como a P-32 e de navios, o que permite que um volume importante destes materiais seja retirado dos mares brasileiros e transformados em novos produtos de aço, uma vez que o aço é um item infinitamente e 100% reciclável.

Outros materiais foram enviados para descarte seguro e correto, e o trabalho também gerou benefícios sociais. Uma cozinha completa foi doada a uma escola de Rio Grande que atende crianças em situação de vulnerabilidade; os colchões usados pelos profissionais da P-32 foram destinados a uma entidade de apoio a mulheres no município. Outros itens, como coletes salva-vidas, foram distribuídos durante as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024.

P-33 está prevista para chegar em julho

Com a finalização dos trabalhos na P-32, o dique seco do Estaleiro Rio Grande está liberado para a chegada da P-33, prevista para o mês de julho. A embarcação, que era utilizada no Campo de Marlim, na Bacia de Campos, tem aproximadamente 337m de comprimento, 54,5m de largura e cerca de 45 mil toneladas.

Atualmente no Porto do Açu, no Rio de Janeiro, a plataforma também foi adquirida pela Gerdau e passará pelo mesmo processo de desmontagem em Rio Grande, com o aproveitamento da sucata metálica para produção de aço e destinação correta dos demais resíduos.

Leilão do Bloco 2 de rodovias é cancelado por falta de interessados

Durante realização do Tá na Mesa, da Federasul, o vice-governador Gabriel Souza (MDB) responsabilizou CPI dos Pedágios por afugentar investidores

Durante realização do Tá na Mesa, da Federasul, o vice-governador Gabriel Souza (MDB) responsabilizou CPI dos Pedágios por afugentar investidores

Dani Barcellos/Especial/JC

Ana Stobbe
Ana StobbeRepórterO leilão de concessão do Bloco 2 de rodovias, que previa investimentos de R$ 6 bilhões em 409 quilômetros de rodovias entre os vales do Taquari, do Caí e o Norte do Riode do Sul, foi cancelado nesta quarta-feira (3) pela ausência de interessados. Conforme a Secretaria Estadual de Parcerias e Concessões, não há posição sobre os próximos passos do certame.
O leilão ocorreria na próxima quarta-feira, dia 10 de junho, na Bolsa de Valores, em São Paulo, após adiamento da data original, que seria em março, para que o Piratini relançasse o edital conforme recomendações do Tribunal de Contas do Estado (TCE). A expectativa do governo estadual era de assinar o contrato ainda em outubro deste ano.
O governador Eduardo Leite (PSD) comentou sobre o cancelamento do leilão durante evento de anúncio das obras do Caminho do Meio, em Viamão, realizado na tarde desta quarta-feira. Para ele, a questão precisará ser revisada, com um estudo maior sobre os motivos que levaram ao desinteresse dos investidores.
"Ainda temos que entender exatamente as motivações ou a desmotivação de investidores em relação a esse projeto. Mas uma análise preliminar mostra que a precificação desse projeto está bastante apertada, sem ter margens para suportar eventuais riscos que as obras têm, o que contrapõe o que alguns adversários parlamentares de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que se estabeleceu na Assembleia Legislativa e que têm insistido em dizer que os preços estariam maiores e que já teria a definição de quem seria o vencedor. Está aí a palavra", destacou o chefe do Executivo gaúcho. 
Leite reafirmou que os preços estavam apertados e que isso não motivaria os investidores a entrarem no projeto de concessão das rodovias. Além disso, responsabilizou o que chamou de "um ambiente político ostensivo que algumas lideranças políticas insistem em criar" por afugentar possíveis interessados. 
Ao todo, seriam impactadas 32 cidades, com intervenções nas rodovias estaduais RS-128, RS-129, RS-130, RS-453 e RS-324. Dos R$ 6 bilhões previstos em investimentos, R$ 1,5 bilhão sairia dos cofres públicos, pelo Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs). Agora, caso o Piratini opte por seguir com o processo de concessão, precisará lançar um novo edital.
Entre as obras previstas, estavam 182 quilômetros de duplicações, 71,5 quilômetros de terceiras faixas, 745 quilômetros de acostamento e 37 passarelas de pedestres. As rodovias, atualmente, são de pistas simples na maioria dos trechos. Além disso, seria implementado o sistema free flow para a cobrança de pedágios.
A concessão passaria a gestão das rodovias, hoje da Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR), para a iniciativa privada. A eficiência da estatal foi alvo de críticas do vice-governador Gabriel Souza (MDB) durante a realização do evento Tá Na Mesa, da Federasul, nesta quarta-feira.
“Se a EGR é tão boa, por que não tem a ECR, Empresa Catarinense de Rodovias? Por que não tem a EMR, Empresa Mineira de Rodovias? Por que não tem a EAR, Empresa Amazonense de Rodovias? Só tem em um lugar no Brasil uma empresa 100% pública concessionária de rodovias. Nem na China comunista uma empresa 100% pública é concessionária de rodovias. Por isso, não teremos mais EGR e teremos investimentos privados em rodovias na ordem de bilhões de reais”, afirmou Gabriel na ocasião, quando também se apresentou como pré-candidato ao Piratini.

Vice-governador responsabiliza CPI pela ausência de interessados no leilão

Após sua apresentação, em debate ao lado do pré-candidato a vice-governador Ernani Polo (PSD) e do presidente da Federasul, Rodrigo Sousa Costa, Gabriel comentou o cancelamento do leilão do Bloco 2 de rodovias. Na sua avaliação, a realização da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Pedágios, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (ALRS) teria afugentado investidores.
Qual é o investidor que quer investir num Estado que está tendo uma CPI antes de assinar o contrato? Antes de ter leilão? O governo federal até dezembro do ano passado tinha feito 16 leilões de concessões. O governo de São Paulo e do Paraná estão fazendo inúmeros leilões. E por aí vai. Isso falando só do modal rodoviário. E tem players limitados no mercado brasileiro para fazer investimentos”, argumentou Gabriel.
Em resposta, o relator da CPI dos Pedágios, deputado estadual Miguel Rossetto (PT) afirmou que o que afugentou os investidores, no que chamou de um leilão “deserto”, foi a sua modelagem. “Foi um modelo muito ruim que não se sustenta. O modelo é tão ruim que não interessa nem a sociedade, nem o setor privado. E por isso tem que ser suspenso todo ele”, argumentou o parlamentar.
Para Rossetto, a experiência com o Bloco 3 de rodovias, concedida à concessionária Caminhos da Serra Gaúcha (CSG), seria um exemplo negativo da experiência de parceria público-privada no setor. Principalmente, levando em consideração a cobrança dos pedágios.
“São três anos e meio de concessão, tiveram quatro reajustes tarifários e nenhum quilômetro foi duplicado. Nada foi feito. Milhões de reais em multas que, felizmente, foram suspensas pelo governo federal recentemente. Precisa de uma revisão profunda do Bloco 3. Tarifas caras e obras que não acontecem. É um fracasso", acrescentou Rossetto, citando duplicações da ERS-122 que, conforme o parlamentar não foram realizadas até o momento apesar de terem prazos de entrega próximos ou ultrapassados. 

 Crédito rural fica mais seletivo no RS após alta da inadimplência

No Rio Grande do Sul, 35% da carteira de crédito rural apresenta algum tipo de problema

No Rio Grande do Sul, 35% da carteira de crédito rural apresenta algum tipo de problema

PAULO PIRES/FECOAGRO/DIVULGA??O/JC

Claudio Medaglia
Claudio MedagliaRepórterA combinação de perdas climáticas sucessivas, aumento dos custos de produção, queda nos preços de commodities e endividamento acumulado começa a produzir reflexos mais evidentes sobre o acesso ao crédito rural no Rio Grande do Sul. Bancos, cooperativas de crédito e cooperativas agropecuárias relatam aumento da percepção de risco no campo, crescimento da procura por renegociações e processos de concessão mais criteriosos, em um momento em que a inadimplência do setor atinge os maiores níveis da série histórica recente.
Dados divulgados pelo Banco Central na última semana mostram que a inadimplência do crédito rural para pessoas físicas chegou a 7,4% em abril. No Rio Grande do Sul, o quadro é ainda mais preocupante. Segundo a autoridade monetária, cerca de R$ 40 bilhões em operações rurais no Estado apresentam algum tipo de problema, o equivalente a aproximadamente 35% da carteira ativa gaúcha.
O cenário reflete os efeitos acumulados de uma sequência de estiagens e enchentes que atingiram o Estado nos últimos anos, mas as instituições ouvidas apontam que os desafios vão além do clima. A deterioração das margens dos produtores, pressionadas pelo aumento dos custos de produção e pela queda dos preços agrícolas, também contribui para o enfraquecimento da capacidade financeira do setor.
Uma cooperativa agropecuária gaúcha, que pediu para não ser identificada, relata que muitos produtores enfrentam dificuldades para cumprir os custos de produção e que a concessão de crédito já se tornou mais seletiva nas instituições financeiras.
A percepção converge com a da cooperativa de crédito Cresol. 
"A capacidade financeira e de liquidez dos nossos agricultores tem se espremido cada vez mais", afirma o presidente do Conselho de Administração, Cledir Magri.
Segundo ele, produtores que anteriormente possuíam reservas e margem para absorver períodos de adversidade perderam essa condição após anos consecutivos de frustração de safra.
"É visível e perceptível que os produtores gaúchos diminuíram muito a capacidade financeira nesse último ciclo, não só por questões climáticas, mas também pela relação entre aumento dos custos de produção e redução dos preços dos produtos."
A Cresol, presente em 20 estados brasileiros, também observa aumento na procura por renegociações e maior dificuldade dos produtores em honrar compromissos financeiros.
"Quando fazemos esse recorte no Rio Grande do Sul, percebemos que esse aumento é maior. Há uma busca maior dos agricultores para estabelecer processos de renegociação", afirma Magri.
Segundo ele, as dificuldades aparecem em praticamente todas as principais cadeias agropecuárias, incluindo soja, milho, trigo, feijão, arroz e leite.
A Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS) também percebe um ambiente mais restritivo para novos financiamentos e renegociações. Segundo o diretor-executivo da entidade, Sérgio Feltraco, a combinação de perdas climáticas, pressão sobre os preços das commodities e juros elevados tem ampliado as exigências impostas pelas instituições financeiras.
Conforme Feltraco, o movimento afeta especialmente produtores que ampliaram áreas de cultivo por meio de arrendamentos, com destaque para a cadeia da soja.
Para o superintendente de Varejo do Banco do Brasil (BB) no Rio Grande do Sul, Ricardo Sehn, a alta da inadimplência é atribuída principalmente aos eventos climáticos que atingiram os produtores gaúchos. Apenas no BB, foram renegociados R$ 36,5 bilhões em operações por meio da MP 1.314/2025. Os produtores gaúchos responderam por 89% das contratações da linha com juros controlados disponibilizada pela instituição.
Segundo Sehn, mais de 7 mil produtores tiveram o fluxo de caixa ajustado por meio das renegociações. Além disso, linhas emergenciais beneficiaram mais de 8 mil produtores, com desembolsos de R$ 962 milhões.
Embora nenhuma das instituições ouvidas relate retração relevante na oferta de recursos, todas reconhecem que o ambiente de crédito se tornou mais rigoroso.
No BB, houve aperfeiçoamento dos modelos de análise, com maior atenção ao fluxo de caixa, às garantias e ao histórico financeiro dos produtores.
"Importante também manter e reduzir os níveis de inadimplência atuais, pois caso sigam em elevação, podem afetar diretamente as novas contratações", afirma Sehn.
No Sicredi, o aumento das operações problemáticas reforçou a necessidade de processos mais criteriosos na concessão do crédito rural. De acordo com o diretor de Desenvolvimento de Negócios da Central Sicredi Sul/Sudeste, Edison Neuwald Silva, a cooperativa revisa constantemente suas políticas para refletir os cenários econômico, climático e produtivo.
"Quando necessário, ajustamos critérios, reforçamos garantias e aperfeiçoamos parâmetros de análise, sempre com foco em manter a saúde da carteira e a capacidade de atendimento ao agro gaúcho", afirma.