sábado, 11 de julho de 2026

11 de Julho de 2026
CARPINEJAR

O primeiro celular, o princípio do vício

Minha casa é um museu. Guardo grande parte dos celulares que usei. Foram tão cúmplices de meus segredos que não me desapeguei deles.

Formam uma fila indiana que vai diminuindo de tamanho, até caberem na palma da mão.

Meu primeiro celular, no final dos anos 1990, era semelhante a um radinho de pilha, com antena. Um trabuco, um tijolão, que não entrava no bolso e precisava ser carregado na cintura. Pesava quase meio quilo.

Quem me via de longe achava que eu estava armado. A bateria não durava nem um dia. O visor monocromático cinza não apresentava nenhum atrativo, como um computador antigo, como um aquário de água suja, sem fotos, sem animações. Exibia apenas números, nomes e menus extremamente simples.

Os botões altos, de borracha, afundavam com um toque mais firme e repetiam as operações.

Mandar mensagens envolvia um trabalho incomensurável de catar milho. Na ausência de WhatsApp, recorríamos ao SMS. Poucos contavam com celular, então o recurso não adiantava. A comunicação se mostrava restrita, basicamente limitada a ligações.

Na época, foi um deslumbramento poder telefonar de um dispositivo móvel, não mais me prendendo à extensão de um fio na parede. Eu me sentia importante, livre, com uma privacidade inédita. Pena que as chamadas caíam com frequência ou sequer se efetuavam. Eu tentava discar várias vezes.

Meu modelo de estreia foi um Motorola, que fechava o teclado com uma tampinha.

Quando ele tocava no restaurante - com um bipe eletrônico desprovido de melodia, um "Briiip? Briiip? Briiip?" agudo, metálico, e uma pequena pausa -, os olhares se voltavam para mim. Virava o alvo da atenção. Desfrutava de um luxo, agora capaz de ser encontrado em qualquer lugar. Experimentava a sensação de estar recebendo uma visita. Jamais recuperarei a mesma alegria com as novidades poderosas da atualidade. Testemunhava a transição do mundo analógico para o digital. Vivia um Big Bang de comportamento, uma revolução anárquica dos hábitos.

O que me incomodava é que tinha me tornado um orelhão. Os amigos me confundiam com um telefone público e pediam emprestado meu xodó para transmitir recados à família. Eu gastava mais pelos outros do que por mim na fatura do mês.

Aos poucos, o celular migrou para versões compactas e com mais tecnologia. No fim da década seguinte, adotei o BlackBerry, fingindo ser um executivo do mercado financeiro. Os e-mails chegavam instantaneamente. Mudei a minha maneira de digitar, num teclado QWERTY completo, mais largo do que o de um celular comum. O desenho abaulado fazia com que o polegar deslizasse rapidamente. Eu não mais olhava para teclar, numa velocidade surpreendente. Mantinha a impressão de que levava o escritório comigo.

Havia uma bolinha central, o trackball, uma minúscula esfera, algo como um mouse invertido, que me permitia controlar a tela e rolar em todas as direções. Se antes eu nadava, passei a navegar. A imersão irreversível, a hipnose da telinha, a compulsão de permanecer on-line começaram exatamente com aquele aparelhinho prateado.

Ele piscava sobre a cabeceira da cama. Piscava durante uma reunião. Piscava no cinema. Piscava enquanto eu realizava as refeições.

O ponto luminoso insaciável inaugurou em mim uma ansiedade esquisita: sempre existia alguém esperando uma resposta. Não conseguia mais me distrair para a vida. Não conseguia mais ficar desconectado.

Fui abduzido, como todos, pelas luzes da virtualidade. Pagamos o preço da conquista com a dependência. 

CARPINEJAR

11 de Julho de 2026
ÁCIDO E CONTESTADOR - William Mansque

ÁCIDO E CONTESTADOR

40 anos do álbum que marcou fim da ditadura

Ácido e contestador

Lançado em 1986, o disco que mescla influências do punk rock, pós-punk, funk e reggae ganha uma turnê comemorativa. A obra se destaca por suas composições mais agressivas, que transformam angústias e inconformismos em críticas diretas ao Estado, à religião e ao capital

Os Titãs chutaram a porta com Cabeça Dinossauro. Ao lançar o disco, em 1986, a banda parecia soltar algum grito entalado.

Para celebrar as quatro décadas, a banda está promovendo a turnê Titãs - Cabeça Dinossauro 40 Anos, que passará por Porto Alegre. O grupo vai se apresentar no Auditório Araújo Vianna no dia 17 de julho.

A atual formação dos Titãs conta com Branco Mello (vocal e baixo), Sérgio Britto (vocal, teclado e piano) e Tony Bellotto (guitarra). Nas apresentações da turnê, o grupo tem tocado todas as 13 faixas do álbum, o que inclui AA UU, Bichos Escrotos, Homem Primata, Polícia e Família.

Contudo, há espaço no repertório para faixas de outros trabalhos, com canções como Diversão, Flores e Eu Não Aguento.

Todas as músicas do show têm esse viés mais ácido e contestador, como observa Britto.

- É muito fiel (à época) e talvez soe até melhor, porque as condições técnicas hoje em dia são muito melhores do que as que a gente tinha nos anos 1980 - atesta.

Britto destaca que há um vultuoso aparato cenográfico. A parte instrumental também recebeu a devida atenção, como ressalta Britto, lembrando que algumas músicas de Cabeça Dinossauro contêm três partes de guitarra. Por isso, foi adicionado mais um guitarrista para a turnê. O próprio Britto comprou o mesmo teclado que costumava usar na época da gravação do disco.

- O que mudou mais talvez seja não termos todos os vocalistas daquele período (Paulo Miklos, Nando Reis e Arnaldo Antunes) - pontua Britto.

Fruto da redemocratização

Cabeça Dinossauro foi o terceiro disco de estúdio dos Titãs. O contexto da banda era turbulento: o álbum anterior, Televisão (1985), havia recebido uma recepção morna. Bellotto e Arnaldo Antunes, então integrante do grupo, haviam sido presos no final do ano anterior por porte de drogas.

Então, o grupo catalisou todas as angústias em composições mais agressivas, transpondo suas revoltas contra o Estado (Polícia), a religião (Igreja) e, entre outras questões, o capital (Homem Primata).

Ao mesmo tempo, a sonoridade apresentava influências do punk rock e pós-punk, caracterizando-se como o registro mais cru e pesado da banda até então. Também havia elementos de funk (Bichos Escrotos) e reggae (Família).

Bellotto observa que a efervescência política e social da redemocratização entrou em Cabeça Dinossauro. Para o músico, é um disco fruto do fim da ditadura.

- Quando as pessoas estavam cantando todas aquelas músicas também estavam entoando slogans de liberdade. Era o disco certo na hora certa. 

Titãs - "Cabeça Dinossauro 40 anos"

Quando: sexta, 17 de julho

Onde: Auditório Araújo Vianna (Av. Osvaldo Aranha, 685), em Porto Alegre

Ingressos: a partir de R$ 252 (mediante doação de 1kg de alimento não perecível)

Ponto de venda online: pela plataforma Eventim

Bilheteria oficial: loja Planeta Surf no Shopping Total (Av. Cristóvão Colombo, 545), de segunda a sábado, das 10h às 22h; e domingos e feriados, das 14h às 20h

11 de Julho de 2026
EUGÊNIO ESBER

Um cadáver insepulto

Na última quinta-feira, 9 de julho, completaram-se sete meses, sete longos meses em que o Brasil fala de tudo - Carnaval, trivialidades diversas, futebol, eleição -, mas desvia o olhar, e as narinas, de um cadáver moral que se decompõe à vista de todos na Praça dos Três Poderes e empesta o ar da República.

A primeira informação que veio a público, em 9 de dezembro do ano passado, já era grave o bastante para levar ao imediato afastamento de Alexandre de Moraes como ministro do Supremo Tribunal Federal e à sua inscrição no rol de investigados pelo maior golpe já praticado contra o sistema financeiro do país. Pelos códigos morais que devem reger a mais alta Corte de Justiça em qualquer nação séria, Moraes não deveria voltar a vestir a toga que já pertenceu a ministros probos, como seu antecessor, Teory Zavascky, até que explicasse que diabo de negócio foi aquele firmado entre o escritório jurídico de sua família e Daniel Vorcaro, o banqueiro que fora preso três semanas antes.

Moraes nada fez ou disse que, diante da opinião pública, pudesse conferir algum sentido moralmente aceitável ao contrato em que o suposto dono do Banco Master se comprometia a pagar a exorbitância de R$ 129 milhões à então desconhecida banca de advogados liderada pela esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes.

Diga-se que o ministro Dias Toffoli também apostou na estratégia de silêncio ante as revelações sobre sua sociedade com a família Vorcaro em um resort no Paraná. Mas o emudecimento de Alexandre de Moraes se tornou um escândalo à parte quando a Polícia Federal encontrou, em um dos vários telefones de Daniel Vorcaro, a mensagem "Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?".

Era 17 de novembro, o dia em que Vorcaro, com base em sua bem-paga rede de informantes, temia ser preso - como de fato foi, momentos antes de embarcar em seu jatinho para fora do Brasil. O telefone para o qual ele dirigiu seu desesperado pedido de informações é do STF, mas a Corte se demora em responder com quem o celular estava naquele final de tarde. No aparelho de Vorcaro, o contato estava salvo como sendo de Alexandre de Moraes.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, não viu razão para investigar Moraes, escrevendo a mais infamante página de submissão da história do Ministério Público brasileiro, instituição que emergiu da Constituição de 1988 para, supostamente, atuar como fiscal da aplicação da lei. Edson Fachin, presidente do STF, adotou uma postura errática, fazendo por merecer o apelido de "Frachin" dentro da Corte que deveria liderar. É um homem bem-intencionado neste caso, mas amedrontado pelas investidas da bancada de Gilmar Mendes, o capo.

E aqui estamos. Sete meses de um cadáver insepulto. Sete insuportáveis meses de pestilência institucional. 

Eugênio Esber

11 de Julho de 2026
OPINIÃO RBS

Promessa ousada, entrega tímida

Há quase dois anos, em agosto de 2024, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu uma entrevista à Rádio Gaúcha e, de maneira categórica, assegurou que, até o final de 2026, entregaria a duplicação da BR-290 entre Eldorado do Sul e Pantano Grande. A realidade à época já demonstrava que a promessa era da boca para fora. Sequer havia perspectiva concreta de início das obras nos lotes 1 e 2, mais próximos da Região Metropolitana. Vinte e três meses depois, esses mesmos trechos permanecem sem trabalhos, como mostra reportagem de Guilherme Milman publicada na sexta-feira em GZH, que averiguou a situação da rodovia em 630 quilômetros, de Porto Alegre a Uruguaiana.

A verdade é que qualquer projeção sobre prazo para finalizar a duplicação do trajeto em questão é mero chute. Depende da disponibilidade de orçamento, problema que ressurge de forma recorrente, e da superação de burocracias de toda ordem, costumeiramente razão para travar obras públicas. A realidade mostra que apenas 28 quilômetros receberam a segunda pista até agora, em dois pontos dos lotes 3 e 4, de Butiá a Pantano Grande. 

Restam mais 87 quilômetros para duplicar, extensão três vezes maior do que a que teve os trabalhos concluídos. Quem circula pela rodovia nas partes ampliadas, separadas por um canteiro central, tem alguns minutos de alívio de uma estrada saturada e perigosa, para em seguida retornar ao quadro predominante de um tráfego pesado, intenso e com maior risco de acidentes.

A promessa foi ousada, mas a entrega até aqui foi tímida. Não se trata de uma estrada qualquer, mas de uma das rodovias mais importantes do Estado, que corta o mapa gaúcho de leste a oeste e é o principal corredor de cargas entre Brasil e Argentina. É vexatório que, na mais importante ligação terrestre entre São Paulo e Buenos Aires, somente na BR-290, entre Eldorado do Sul e Uruguaiana, ainda exista pista simples.

Essa constatação exige reforço na reivindicação por obras em ritmo mais acelerado, para que o fim da duplicação chegue em um prazo não tão dilatado. Convém recordar que os primeiros serviços do projeto ocorreram em 2015 e, originalmente, a inauguração dos 115 quilômetros duplicados seria em 2017. Mas, até 2023, o que se viu foi quase nenhuma evolução. A retomada três anos atrás foi bem-vinda, mas em velocidade muito aquém do necessário e do que foi propagandeado.

Agora, duas etapas previstas para começar ainda no primeiro semestre, nos lotes 2, 3 e 4, seguem à espera dos homens e das máquinas na pista. Falta dinheiro. Sabe-se que o quadro orçamentário do governo federal é apertado e, em 2027, será preciso um ajuste duro nas contas do país. A disputa por verbas tende a ficar mais acirrada. Cabe à sociedade gaúcha, às forças políticas do Estado e às entidades empresariais ampliar a pressão pela garantia dos recursos necessários - assim como para a duplicação da BR-116 entre Guaíba e Pelotas, outra saga, que avança com lentidão semelhante desde 2012.

Para crescer de forma mais robusta, o RS precisa qualificar a sua infraestrutura rodoviária - sem esquecer os demais modais. Duplicar estradas é basilar. Deve-se cobrar maior celeridade nas obras públicas, mas também ficar atento aos prazos estipulados para as vias concedidas. 

11 de Julho de 2026
NOTÍCIAS

Inflação perde força pelo quarto mês consecutivo

Preços

Alta do IPCA em junho ficou em 0,16%, a menor desde outubro de 2025. Alimentos e combustíveis ajudaram a conter a pressão da energia elétrica

A inflação oficial no país desacelerou na passagem de maio para junho. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou junho em 0,16%, o menor resultado desde outubro do ano passado, informou na sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O indicador ficou 0,42 ponto percentual (p.p.) abaixo da taxa de 0,58% registrada em maio. Com isso, a inflação perdeu força pelo quarto mês seguido.

No ano, o IPCA acumula alta de 3,36% e, nos últimos 12 meses, ficou em 4,64%, abaixo dos 4,72% dos 12 meses imediatamente anteriores, mas ainda acima da meta estabelecida para o Banco Central, de 4,50%.

Em junho, o maior aumento (0,63%) e impacto (0,10 p.p.) vieram do grupo habitação. O grupo de alimentos e bebidas, com queda de 0,24%, registrou a maior variação e impacto negativos (-0,05 p.p.).

A queda dos preços de alimentos e de combustíveis em junho, itens de peso importante no índice, ajudou a conter a pressão da energia elétrica sobre o índice, explicou o gerente do IPCA no IBGE, Fernando Gonçalves.

- A queda de alimentação e bebidas pode refletir uma combinação de fatores, com o alívio vindo dos combustíveis, que já vêm em trajetória de redução e ajudam a diminuir custos ao consumidor final, uma possível devolução de altas anteriores e, sobretudo, maior oferta de alguns itens, como café, por exemplo, com expectativa de safra melhor pressionando preços para baixo - comentou Gonçalves.

O gerente destacou ainda que o resultado de alimentação foi o menor para meses de junho desde 2023, mas destacou que alguns produtos seguiram em alta em junho, como batata, alho e feijão carioca, o que mostra um comportamento heterogêneo dentro do grupo.

Difusão

No caso do comportamento da energia elétrica residencial, saiu de 3,67% para 1,53%, ainda figurando como o principal impacto individual no resultado do mês (0,06 p.p.). Individualmente, o Rio de Janeiro registrou a maior variação, de 5,61%, com o retorno da vigência do reajuste de 15,10% sobre as tarifas em uma das concessionárias.

A difusão do índice também arrefeceu. A proporção de subitens com aumento de preços caiu de 65% em maio (245 subitens) para 54% em junho (202 subitens), com redução tanto entre itens alimentícios quanto não alimentícios, reforçando o quadro de desaceleração da inflação no mês.

Nos índices regionais, Brasília apresentou a maior variação no mês (0,52%), com influência de itens como passagem aérea e gasolina. No outro extremo, Recife registrou queda de 0,20%, pressionada, entre outros fatores, pelo recuo de itens como tomate e gasolina. Em Porto Alegre, a alta em junho foi de 0,36% - no ano alcança 3,18%, e em 12 meses acumula 4,80%. _

Trump aceita negociar com Irã, mas reitera que o cessar-fogo acabou

Oriente Médio

O presidente Donald Trump disse, na sexta-feira, que os Estados Unidos aceitaram continuar as negociações com o Irã, mas reiterou que o cessar-fogo entre os dois países chegou ao fim. O cessar-fogo de 8 de abril pôs fim a semanas de guerra que se seguiram ao ataque israelense-americano ao Irã, que desencadeou o conflito em 28 de fevereiro, mas foi marcado por repetidos confrontos de menor intensidade.

"O Irã nos pediu que continuássemos as ?conversas?. Nós aceitamos fazer isso, mas os Estados Unidos informaram, sem margem para dúvidas, que o cessar-fogo TERMINOU", afirmou Trump em rede social.

Durante a semana, o presidente americano disse que conversaria com seu enviado especial, o empresário Steve Witkoff, e com seu genro, Jared Kushner, que têm negociado com os iranianos, mas insistiu que cabe a Teerã retornar à mesa de negociações.

Ambos os lados se agrediram em diversas ocasiões nesta semana: Teerã alvejou navios mercantes e Washington realizou ataques aéreos, enquanto o Irã mirou alvos americanos em países do Oriente Médio com drones e mísseis.

Os ministros das Relações Exteriores do Egito e do Catar pediram, na sexta-feira, que EUA e Irã retomem as negociações. Em conversa telefônica, Badr Abdelatty, do Egito, e o primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores do Catar, xeque Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, "instaram todas as partes a priorizar a linguagem da diplomacia e do diálogo e a voltar à mesa de negociações", informou o ministério egípcio em nota. Uma delegação do Catar chegou ao Irã na sexta-feira para manter conversas, informaram meios de comunicação locais. _

Ataque ucraniano incendeia instalações no sul da Rússia

Leste da Europa

Drones ucranianos atingiram, na sexta-feira, infraestruturas petrolíferas e o porto em Taganrog, no sul da Rússia, de onde as autoridades retiraram moradores devido a um incêndio. O governador da região de Rostov, Yuri Sliusar, indicou que, além do porto em Taganrog, duas instalações de armazenamento de hidrocarbonetos pegaram fogo em Azov, às margens do mar de mesmo nome. Dezenas de moradores foram levados para um abrigo temporário e não poderão retornar às suas casas por "vários dias", disse Sliusar, acrescentando que "não será possível extinguir esse tipo de incêndio rapidamente".

A Ucrânia intensificou os ataques, visando infraestruturas de hidrocarbonetos, em tentativa de reduzir a capacidade de Moscou de financiar seu esforço de guerra. Esses ataques causam escassez de combustível e dificuldades de abastecimento na península da Crimeia, anexada pela Rússia. 


11 de Julho de 2026
NOTÍCIAS

PF afirma que Valdemar indicou emendas mesmo sem mandato

Recursos públicos

Presidente nacional do PL teria interferido na destinação de R$ 119,2 milhões, mas ele nega. Investigação teve início a partir de conversas extraídas de celular apreendido de uma servidora da Câmara dos Deputados. Flávio Dino determinou bloqueio de bens do político

O que mais foi descoberto

Segundo a PF, as indicações de Valdemar eram organizadas em planilhas e as emendas eram registradas em nome de deputados federais. Para os investigadores, esse procedimento dava aparência de legalidade às indicações.

Em diálogos obtidos pela PF, servidores envolvidos no esquema fazem referências recorrentes a indicações qualificadas como sendo "do Valdemar" ou "do VCN", em alusão ao presidente do PL.

As emendas investigadas foram para áreas como saúde, turismo e esporte, principalmente para municípios de São Paulo.

Em uma troca de mensagens, um servidor afirma: "Marquei com o Valdemar amanhã 10:30. Acho que ele vai jogar no turismo os 24. Pode ser?".

Em outra conversa, uma servidora avisa que está "terminando de cadastrar" as emendas "do Valdemar".

Vorcaro encomendou dossiê sobre André Esteves, sócio do BTG Pactual

Conexão Brasília - Matheus Schuch

Por que a medida do STF parece exagerada

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), bloqueou R$ 119 milhões em bens do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, mesmo sem apresentar indícios de desvio de recursos. O que a Polícia Federal (PF) aponta, em caráter preliminar, é que o dirigente foi o verdadeiro responsável pela indicação de emendas que totalizam o valor em questão.

Valdemar não possui mandato parlamentar e não pode comandar as indicações que são de direito dos deputados e senadores. O caso pode configurar peculato por desvio de finalidade.

Mas há um abismo entre o uso de influência política para definir investimentos e a ideia de que o montante foi desviado e deve ser devolvido aos cofres públicos. A própria decisão de Dino admite a falta de qualquer elemento que ateste corrupção.

Poder de influência

Dino tem tomado decisões corretas para exigir transparência na alocação de emendas parlamentares e já conduziu inquéritos que culminaram na condenação de parlamentares e outras autoridades envolvidos em vultuosos desvios de verba pública.

No caso em questão, contudo, apenas foi demonstrado o poder de influência do presidente de um dos maiores partidos do país. Não se trata de relativizar o histórico de Valdemar, que tem conhecida ficha criminal e inclusive foi preso por envolvimento no Mensalão.

Mas, se o ministro do STF decidir punir de forma antecipada todos os dirigentes partidários que influenciam nas decisões de alocação de emendas por deputados e senadores, será difícil deixar alguém de fora. 

sexta-feira, 10 de julho de 2026

10 de Julho de 2026
CARPINEJAR

Zoo da memória

Eu recebi um questionário do meu amigo José Klein, no WhatsApp, e criei uma adaptação literária, ampliando o repertório.

Você pode determinar a sua idade pelo zoológico da memória. Quanto mais bichos e feras habitarem as suas lembranças, mais velho você é.

Não percebemos a enormidade de expressões populares que carregam animais. Do arco da Velha à Arca de Noé.

Complete:

1. Não conte que ganhou um dinheirinho a mais: não alerte os .

2. O inverno promete temperaturas abaixo de zero, com um frio de renguear o .

3. Não interfiro nas discussões dos chefes. Guaipeca não se mete em briga de grande.

4. Os motoristas começaram a se provocar na sinaleira, até que um deles ameaçou descer do carro. Preteou o olho da .

5. Ele achava que o concurso seria barbada, não revisou a prova e deu com os n?água.

6. Eu me espantei com a notícia: me mordam.

7. Não esperava que ela soltasse a na festa da firma e bebesse que nem um .

8. Resolvi os problemas com apenas um telefonema: matei dois com uma cajadada só.

9. O que passou, passou. Não adianta se lamentar, chorar a morte da .

10. No Gre-Nal, a vai fumar.

11. Minha mãe dançou Macarena no elevador. Paguei ao seu lado.

12. Meu colega implicava com quem chegava na sala. Acordou com a .

13. Depois de uma série de derrotas, quando a_________ torce o rabo, sempre é o técnico que paga o .

14. Não acredito no arrependimento dos envolvidos no caso do Banco Master, são lágrimas de .

15. A loja recém-inaugurada não tinha nenhum freguês, estava entregue às .

16. É incrível como se lembra de tudo, tem memória de .

17. Nunca deixe de defender seus interesses em qualquer aproximação: puxe a brasa para a sua .

18. Foi enganado pela pressa: comprou por lebre.

19. A íris da Mona Lisa é misteriosamente indefinida: parece cor de quando foge.

20. Eu jurava que a Seleção Brasileira iria mais longe na Copa, mas, diante da Noruega, ela caiu do .

21. A estreia do filme no cinema foi um fiasco, com alguns pingados.

22. Suspensórios e gravatas-borboleta são do tempo do .

23. Não tente pela enésima vez. Tire o da chuva.

24. Cada um dá um pouco na arrecadação. Que tal fazer uma online?

25. Ele se enfureceu com a piada: soltou os .

26. A casa para alugar se encontrava num estado lastimável, largada às .

27. Mostrou-se desconfiado no rumo da prosa, com atrás da orelha.

28. Não se afobe! Tenha calma. Não coloque a carroça na frente dos .

29. Não me amole! Saia de perto. Vá pentear .

30. É segredo, não espalhe para ninguém: boca de .

31. Não pegou o guarda-chuva na hora de ir ao trabalho. Acabou molhado como um .

32. Por que você aguenta ser tão humilhado em público? Pare de engolir .

33. Já nasci sofrendo bullying na maternidade, era chamado de chupando manga.

34. Aquele que julga demais os outros costuma ser um em pele de cordeiro.

35. Não fique feito em carniça, imaginando o pior.

36. Não mudarei de opinião, nem que a tussa.

Se você conseguiu preencher todas as lacunas, como eu, parabéns pela longevidade. É um dinossauro. Há uma selva na linguagem, e você é da época em que se assistia ao seriado Tarzan, com Ron Ely, no televisor preto e branco.

Respostas: 1. Gansos ? 2. Cusco ? 3. Cachorro ? 4. Gateada ? 5. Burros ? 6. Macacos ? 7. Franga / Gambá ? 8. Coelhos ? 9. Bezerra ? 10. Cobra ? 11. Mico ? 12. Macaca ? 13. Porca / Pato ? 14. Crocodilo ? 15. Moscas ? 16. Elefante ? 17. Sardinha ? 18. Gato ? 19. Burro ? 20. Cavalo ? 21. Gatos ? 22. Onça ? 23. Cavalinho ? 24. Vaquinha ? 25. Cachorros ? 26. Traças ? 27. Pulga ? 28. Bois ? 29. Macacos ? 30. Siri ? 31. Pinto ? 32. Sapos ? 33. Cão ? 34. Lobo ? 35. Urubu ? 36. Vaca

CARPINEJAR

10 de Julho de 2026
MARCO MATOS

Pizza

Hoje é Dia da Pizza. Essa data foi criada nos anos 1980 por um secretário de Turismo de São Paulo com um objetivo simples: celebrar e divulgar ainda mais um dos pratos mais populares do planeta.

Onde quer que a gente vá, há uma pizza esperando. A receita nasceu na Itália, claro, mas conquistou o mundo inteiro. E talvez o segredo esteja justamente na simplicidade: massa, molho e alguma coisa por cima. Parece pouco. Mas, quando tudo é bem feito, vira uma experiência inesquecível.

Dentro desse universo existem muitas variações. E tudo começa pela base: a massa. A mais gostosa que já comi é de uma pizzaria de São Paulo que usa uma técnica que lembra massa folhada. Nem sei explicar direito. O que sei é que ela faz um leve "crack" quando a gente morde. É fina, delicada, leve e crocante na medida certa. Um respiro interessante em tempos de obsessão pela fermentação natural, que, confesso, nunca me conquistou completamente.

A segunda peça fundamental é o molho de tomate. Para mim, pizza de verdade tem que ter molho e, de preferência, um molho generoso, daqueles em que ainda se percebem pequenos pedaços de tomate. A forma como ele é distribuído sobre a massa também faz diferença. Não sou fã de borda recheada, mas admiro aquela pizza em que o molho quase escorre até o limite do disco. Aquele "quase" que evita bordas secas e sem graça. É uma arte.

Há ainda um elemento que considero indispensável: queijo. Independentemente do recheio, um bom queijo transforma qualquer pizza. Meu favorito sempre será o provolone. O toque defumado tem uma personalidade difícil de superar. Segurar a fatia com a mão, dar uma mordida e ver o queijo esticar enquanto os dedos se afastam da boca é um dos espetáculos mais bonitos da gastronomia.

E os recheios? Aqui peço desculpas aos italianos mais tradicionais, mas gosto de sabores surpreendentes e coberturas generosas. As versões minimalistas ficam até melancólicas ao lado de uma pizza brasileira cheia de catupiry.

Não sou adepto de carne de gado na pizza. Mas frango, quatro queijos, portuguesa, milho com bacon... Sou apaixonado. Pizza boa é aquela em que, ao pegar a fatia com a mão, uma parte do recheio ameaça escapar. Pizza, para mim, tem que transmitir fartura. Adoro receber a caixa do motoboy e sentir que ela está pesada.

E nem vou perder tempo comparando nossas pizzas doces às de outros lugares do mundo. Afinal, quantos países podem se orgulhar de criar uma pizza de pudim? Só isso já é um excelente motivo pra ter orgulho de ser brasileiro. 

O conteúdo desta coluna reflete a opinião do autor

MARCO MATOS

10 de Julho de 2026
OPINIÃO RBS

No aguardo da renegociação

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse ontem, em entrevista à Rádio Gaúcha, que o governo federal deve editar, até o início da próxima semana, uma medida provisória (MP) sobre os termos para a renegociação das dívidas rurais no país. O tema é de especial interesse dos agricultores do Rio Grande do Sul, atingidos por uma sequência de estiagens nos últimos anos e pela enchente de 2024. Espera-se que o assunto tenha uma solução definitiva, encerrando um impasse que se arrasta desde o início de 2025, quando uma nova colheita frustrada pela falta de chuva escancarou o quadro de ruína no campo.

Conforme o ministro, o texto seria fruto de um acerto com o setor e a bancada ruralista no Congresso. Ainda ontem existiam arestas a serem aparadas, como questões relacionadas ao juro. Aguarda-se que a MP prometida confirme ser fruto de um consenso. Segundo Durigan, se buscará um equilíbrio entre o conteúdo do Projeto de Lei 5.122, que tramita no parlamento e é defendido pelas lideranças do segmento, e o esforço orçamentário possível para o governo. Com bom senso de parte a parte, é possível construir uma solução que signifique uma luz no fim do túnel para milhares de agricultores que hoje não teriam como honrar seus compromissos. Essa impossibilidade não foi causada por má gestão, mas por uma repetição inaudita de eventos climáticos extremos na primeira metade da década.

O governo resiste às condições do Projeto de Lei 5.122 pela previsão de uso do Fundo Social do Pré-Sal e por considerá-las onerosas demais para os cofres públicos, mas, ao que parece, cedeu em alguns pontos. Um deles é a possibilidade de quem teve perdas severas comprovadas por fatores climáticos ter um tratamento diferenciado, com prazo de pagamento de 10 anos e dois de carência, sem necessidade de entrada. Também transigiu parcialmente com a demanda de incluir agricultores que tiveram perdas relacionadas a oscilações de mercado, como queda de preços. Esses, no entanto, não terão termos tão vantajosos. Assim, o custo para o Tesouro com a equalização do juro seria de R$ 2 bilhões a R$ 3 bilhões anuais e o volume renegociado de dívidas poderia chegar a mais de R$ 100 bilhões. Há a promessa ainda de flexibilizar as garantias para essa repactuação.

É preciso esperar que o otimismo do ministro não se mostre exagerado e seja possível chegar a um consenso que garanta condições aceitáveis de renegociação, nos limites suportáveis pelo Tesouro. Deve-se reconhecer, de qualquer forma, que a mobilização dos agricultores gaúchos, a partir do ano passado, vem produzindo resultados na busca por uma solução para a crise no campo. Sem uma saída, milhares de propriedades, de todos os portes, serão inviabilizadas.

A urgência é dar sobrevida a quem teve vários anos de perda de faturamento sem alívio nas contas, em meio a um período de alta de custos de produção e retração dos preços das commodities - uma conjuntura fatal para qualquer tipo de negócio. Mas também é prioridade encontrar meios, como os relacionados à irrigação e ao seguro agrícola, para que o mesmo cenário de frustração de safra e endividamento não se repita. Está claro que as safras de verão no Estado não podem mais contar somente com a água que cai do céu. 

OPINIÃO RBS

10 de Julho de 2026
POLÍTICA E PODER - Henrique Ternus

Pressão do RS levou governo a editar MP

Foram duas semanas de reuniões e negociações até que saísse a confirmação de que o Palácio do Planalto editará uma medida provisória (MP) para renegociar as dívidas dos agricultores. O texto final deve ser concluído até a próxima segunda-feira e publicado até quarta, segundo previsão do líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS).

Depois de aprovado com alterações no Senado, sob pressão da bancada gaúcha e até do governador Eduardo Leite, o projeto de lei (PL) 5.122/2023, que autoriza o uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal para criar uma linha especial de financiamento aos agricultores, voltou à Câmara para deliberação sobre as mudanças no texto.

Em um encontro com Pimenta e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), manifestou preocupação por considerar o projeto uma "bomba fiscal".

- Ele disse que o projeto como veio do Senado não teria como ser votado, porque deixava totalmente aberto para os produtores de todo o Brasil, e não apenas para os que foram atingidos por problemas climáticos - relatou Pimenta.

Na discussão da nova proposta, Pimenta insistiu que fossem garantidas condições especiais aos afetados por crises ambientais.

No dia 30 de junho, agricultores participaram de reunião com a bancada gaúcha para pressionar pela aprovação do PL. No encontro, os deputados Luciano Zucco (PL), Marcel van Hattem (Novo) e Afonso Hamm (PP) demandaram ao líder do governo que cobrasse a base para acelerar a tramitação da pauta.

O petista cedeu e concordou em garantir apoio a todos os produtores com perda comprovada de renda, desde que houvesse melhores condições àqueles afetados por eventos climáticos.

- Temos nossas diferenças e posicionamentos distintos. Mas precisamos colocar a ideologia de lado e nos unirmos quando os temas forem de interesse dos gaúchos e das gaúchas - afirmou Zucco. _

Estado manda licitação para a PGE

O governo do Estado decidiu submeter a licitação para contratar duas empresas de comunicação digital à análise da Procuradoria-Geral do Estado. O caso repercutiu depois que as agências Escala e HOC apareceram como as primeiras colocadas na abertura dos envelopes, no dia 1º de julho.

A HOC tem como CEO o publicitário Fabio Bernardi, que fez a campanha de Eduardo Leite em 2022 e integra a equipe do pré-candidato Gabriel Souza, atual vice-governador. Deputados de oposição chegaram a protocolar um pedido de CPI. _

Futuro da última "brizoleta" da Capital gera preocupação

Defensor antigo da manutenção da Escola Estadual Maria Thereza da Silveira, o vereador Pedro Ruas (PSOL) se surpreendeu com a informação de que parte do imóvel será incluído em uma negociação do governo do Estado com uma construtora. A sexagenária escola é a última das "brizoletas" em Porto Alegre.

No final do ano passado, a Secretaria de Educação anunciou a retomada das atividades no prédio da escola, fechada desde 2023. Inicialmente, com cursos rápidos e apresentações culturais. A partir do próximo ano, a instituição se transformará na Escola Técnica em Audiovisual e Economia Criativa.

Em nota, o Estado garantiu que a negociação com a construtora preservará "integralmente a área responsável pelo funcionamento da escola e não afetará o desenvolvimento das atividades pedagógicas no local". _

Redação final do Plano Diretor vai ser entregue hoje a Melo

Após meses de debates, negociações e votações, está finalizada a redação dos dois projetos que atualizam o Plano Diretor de Porto Alegre. Os textos serão entregues pelo presidente do Legislativo, Moisés Barboza (PSDB), ao prefeito Sebastião Melo às 9h de hoje, na prefeitura.

A partir de então, começará a contar o prazo de 15 dias para Melo decidir se sanciona integralmente os projetos ou se veta algum trecho. Nesse caso, apenas os trechos questionados voltarão ao Legislativo para nova análise. 

Na quarta-feira, Hugo Motta se reuniu novamente com representantes do governo para conhecer a minuta da MP, com prazos, juros e condições. Depois, ligou para integrantes da bancada ruralista no Congresso para pedir opiniões.

Em nota, o Piratini informou que ainda não há um resultado definitivo pois o certame está em etapa recursal. Mesmo assim, decidiu encaminhar o processo para a PGE antes de avançar qualquer etapa.

POLÍTICA E PODER

10 de Julho de 2026
EM FOCO - Marcelo Gonzatto

EM FOCO

Trabalhos em quatro trechos do Arroio Dilúvio chegaram a 30%, com expectativa de finalização para o fim do ano. O que está em aberto, porém, é a definição de quando todas as deficiências da estrutura, ao longo da avenida, estarão resolvidas. Três outros pontos já foram entregues

Avançam obras nos taludes, mas previsão de conclusão total é incerta

A recuperação de quatro trechos dos taludes do Arroio Dilúvio, localizados próximo ao campus da Pontifícia Universidade Católica (PUCRS), em Porto Alegre, alcançou 30% de conclusão. Essa obra deverá ficar pronta até o final do ano, mas ainda não há previsão de quando todas as deficiências da estrutura com cerca de 20 quilômetros de extensão serão recuperadas.

Três outros pontos já foram reformados e entregues e, além da etapa atualmente em execução, mais quatro trechos que estão em fase de projeto deverão ser iniciados nos próximos meses (veja lista ao lado). O Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) informou que não há uma previsão de entrega de todos os locais porque "o cronograma é definido com base em critérios técnicos do Dmae e de mobilidade urbana", já que as intervenções também provocam interferência no trânsito.

A prefeitura já investiu R$ 6,8 milhões na recomposição das margens do arroio, dos quais R$ 2,6 milhões são relativos aos quatro locais atualmente em obras. O diretor-geral do Dmae, Vicente Perrone, afirma que o município já tem garantidos outros R$ 29 milhões via financiamento da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil para estender as melhorias a novas áreas dos taludes - que seguem apresentando deficiências em outros setores.

- Finalizando a obra na região da PUCRS, a gente prioriza outros pontos. Vamos elencar as prioridades com base em três quesitos: criticidade, impacto no trânsito e se tem ciclovia - revela Perrone.

De cerca de 80 pontos com algum grau de fragilidade mapeados pelo Dmae, é preciso encaminhar solução para cerca de 70 deles. A ideia é ir realizando as obras em sequência. Como as estruturas de contenção se estendem ao longo dos dois lados da Avenida Ipiranga, que tem cerca de 10 quilômetros de comprimento, somam aproximadamente 20 quilômetros de barreiras.

Segundo o Dmae, hoje as equipes estão atuando simultaneamente em dois pontos localizados junto à ponte da Rua Professor Cristiano Fischer (outros dois locais, mais próximos ao campus da PUCRS, receberão reforço estrutural). Considerada a etapa mais complexa do trabalho, essa fase inclui a cravação de estacas metálicas para a recuperação do talude localizado ao lado da ciclovia da Avenida Ipiranga.

Os taludes sofreram desmoronamentos depois de chuvas intensas registradas em 2023 e 2024. Neste período, a Capital enfrentou três cheias, incluindo a enchente histórica de maio de 2024. Para reduzir o risco de novos problemas, o Dmae contratou estudo técnico para nortear as melhorias.

Impacto no trânsito

Segundo a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), a faixa da esquerda da avenida Ipiranga, no sentido Centro-bairro, permanecerá bloqueada de forma contínua até o término das obras, nas proximidades da Rua Professor Cristiano Fischer. A segunda faixa será bloqueada diariamente, das 8h às 17h. A ciclovia foi desviada para o passeio, junto à calçada da PUCRS, garantindo a continuidade do deslocamento dos ciclistas com segurança.

A EPTC orienta motoristas e demais usuários da via a redobrar a atenção ao transitar pelo trecho, respeitando a sinalização e as equipes em operação. As condições de trânsito poderão sofrer alterações ao longo do dia. 

quinta-feira, 9 de julho de 2026

09 de Julho de 2026
CARPINEJAR

Excessivamente humano

Os argentinos são tão metidos quanto nós, tão vaidosos quanto nós, tão confiantes quanto nós, tão megalomaníacos quanto nós. Mas, diferentemente de nós, jamais se rendem a um fracasso. Veja o que fizeram com o Egito, revertendo um placar de 2 a 0 nos 20 minutos derradeiros, com uma adoração à garra, com uma entrega incondicional, com um nacionalismo passional, com uma loucura contagiosa.

Tivemos os mesmos 20 minutos para mudar o resultado contra a Noruega e não suamos sangue como eles. Acolhemos o golpe e nos despedimos com antecedência. Costumamos desistir antes do apito final. O improvável nos convence rapidamente. Somos servis à realidade adversa.

Se Pelé era de outra galáxia, Messi nos comove por uma genialidade profundamente humana, à imagem e semelhança de seus conterrâneos. Um general que se destaca sendo soldado na linha de frente, oferecendo o exemplo de sacrifício.

Ele é o ídolo da superação. Luta contra o seu corpo de 39 anos, contra o cansaço, contra o desânimo dos seus colegas, contra o rival. Duela com unhas e dentes contra o fim, o adeus, a aposentadoria simbolizados na desclassificação. Ao negar a morte, revela-se um sujeito comum.

Não é um extraterrestre. Jamais perde a conexão com o nosso mundo, privilegiado por um hiperfoco. Dá a volta por cima. Junta o fôlego para se recuperar dos tropeços e transformá-los em redenção. O que leva o torcedor a explodir de um sentimento de justiça, regurgitando em pesados decibéis o grito engasgado.

É mortal no revés e na glória. É aquele que erra um pênalti, mostrando que qualquer um está propenso a um lapso, e se vinga com um golaço, mostrando que qualquer um pode se redimir. Messi aparenta estar alheio ao comportamento dominante de desaparecer pelo desperdício de uma penalidade. Já falhou em quatro das oito cobranças nas suas participações no Mundial, num retrospecto risível de 50% de aproveitamento.

Ele cresce no ocaso, encontra o auge mental no esgotamento físico. Ao festejar a reação, desferiu um emblemático soco no ar, à moda de nosso Rei do Futebol. Foi um salto sobre si próprio: a euforia de ter ido novamente além de seus limites.

Ele atinge a plenitude de sua técnica pelo esforço mundano. Marcou em todas as partidas da Copa de 2026. Tanto que é o recordista da história da competição com 21 gols - experimentando sucessivas quebras de expectativas.

Esconde a bola como um prestidigitador em sua canhota, e a bola ressurge de repente dentro das redes, para espanto do arqueiro. É a mágica derivada da aplicação tática, da dedicação geoespacial, um trunfo da mortalidade vivida ao extremo.

Gera uma inveja planetária a todos que não são argentinos. Uma inveja que culmina numa admiração contrariada. É impossível não amar Messi, por mais que o odiemos, cheios de raiva e rancor porque ele não farda as cores de nossa bandeira.

Pelé e Garrincha são incomparáveis, Messi e Maradona são igualmente de cepas distintas. Os dois duetos são capazes de conquistar Copas: exércitos de um homem só. É possível alegar que o Egito acabou desfavorecido: o que valia para a Seleção Argentina não valia para ele. Entretanto, não há como não reverenciar a busca dos hermanos pela ressurreição até o último minuto. São campeões e se portam como campeões.

É quase inútil secá-los. Eu comemorei a derrota deles antecipadamente e me frustrei, e apaguei as mensagens enviadas aos amigos. Conclamo meus compatriotas a empregar um novo método: torcer pela Argentina contra a Suíça. Vá que a secação reversa funcione. 

CARPINEJAR

09 de Julho de 2026
ROGER LERINA

O plebiscito de todos os dias

Uma cidade não é representada somente por desenvolvimento urbanístico, obras viárias grandiosas, shoppings imponentes, edifícios que desafiam o Plano Diretor e muitas, muitas farmácias. A alma de uma comunidade está escrita também e sobretudo em suas muitas histórias, preservadas na memória e no relato das pessoas que convivem naquele lugar.

Nesta quinta-feira, chega gratuitamente ao YouTube o documentário Sereno Canto - Contos dos Cantos da Cidade, nova etapa de um projeto idealizado pelo músico e psicólogo Thiago Ramil. Criada em 2012 em parceria com o também psicólogo Raul Jung, a iniciativa começou com atividades em casas de acolhimento, a fim de contribuir com o sono de crianças atendidas nesses locais, virou podcast, contação de histórias e canções, deu origem em 2023 a um álbum visual e em 2024 ao belo livro Sereno Canto Histórias e Canções. Neste atual desdobramento, o acalanto artístico quer envolver não apenas os pequenos, mas Porto Alegre inteira.

O excelente filme idealizado por Thiago e dirigido por Lucas Moraes recolhe os depoimentos de um grupo de personagens cuja trajetória conecta-se com a capital gaúcha: Iracema Gãh Té, indígena Kaingang; Mestre Paraquedas, figura histórica do samba e do Carnaval locais; Nina Fola, artista, socióloga e ativista cultural negra; Loua Pacôm Oulaï, imigrante marfinense, artista e contador de histórias; e Eva Schul, bailarina e coreógrafa que é referência nacional em dança contemporânea. 

Cinco perspectivas singulares da memória urbana, um punhado de narrativas que mostram as múltiplas formas como Porto Alegre é vivida e contada. Esse mergulho no nosso patrimônio imaterial por meio de vozes que costumam ficar à margem dos discursos oficiais é ilustrado por preciosas imagens de arquivo mostrando as mudanças na paisagem da cidade ao longo do tempo.

O historiador e filósofo Ernest Renan (1823 - 1892) celebrizou o conceito de nação como fruto de um pacto diário. Segundo o pensador francês, o desejo de viver junto e a valorização da herança recebida estreita os laços das sociedades - uma liga, porém, que precisa ser constantemente renovada: "A existência de uma nação é um plebiscito de todos os dias". Esse princípio universal pode ser adaptado para o quintal aqui de casa: nosso lugar no mundo não é apenas um porto físico, mas um "cais de encontros", como define Thiago Ramil, cujas histórias devem ser sempre contadas - mesmo na voz baixa de um acalanto. 

ROGER LERINA

09 de Julho de 2026
OPINIÃO RBS

À espera de uma saída equilibrada

A decisão do governador Eduardo Leite desta semana de vetar o fim da taxa de licenciamento para veículos no Estado, aprovado por unanimidade pela Assembleia Legislativa em junho, abriu uma frente de atrito entre o Piratini e o parlamento. A oposição se articula para derrubar o veto do Executivo. A própria base governista, afinal, cerrou fileiras a favor da extinção do pagamento de R$ 114,09 por motoristas proprietários pela emissão do Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV).

Há boas razões para justificar as posições em cada lado da contenda. Faz sentido a alegação do autor da proposta, o deputado Rodrigo Lorenzoni (PP), de que com a digitalização do documento não existem mais os gastos com papel-moeda para a produção do documento e com o envio do certificado físico pelos correios. 

Uma das vantagens dos serviços digitais é a redução de custos, o que no caso do setor estatal deveria se refletir em menor oneração aos contribuintes. Eliminam-se, afinal, desembolsos com papel, impressão, manuseio, expedição postal e espaço para acondicionamento. E os cidadãos brasileiros já são sobrecarregados de impostos, taxas e contribuições que pagam sem uma contrapartida adequada por parte do poder público.

O Palácio Piratini, de outra parte, também exibe argumentos razoáveis. Mesmo a emissão digital tem custos, ainda que menores. Conforme o governador Eduardo Leite, o fim da taxa faria com que o Estado perdesse de forma abrupta uma receita de R$ 750 milhões a partir de 2027, sendo que parte desse valor, R$ 250 milhões, irriga o Fundo Estadual de Segurança Pública. Pode-se questionar a conformidade desse uso, mas não há dúvida de que o devido aparelhamento das polícias é uma política necessária para o combate à criminalidade. Esses recursos perdidos teriam de ser cobertos com o remanejamento de verbas, ou então os investimentos na área cairiam.

Convém pontuar ainda que o Estado, mesmo tendo deixado no passado o período de finanças caóticas, com atraso de salários e de pagamento de fornecedores, continua a enfrentar um quadro orçamentário desafiador. O próximo ano será particularmente adverso. 

O Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027 apresentado pelo Piratini estima um déficit de R$ 4,8 bilhões. O Estado será pressionado pela volta do pagamento da dívida com a União, pelas contrapartidas à adesão ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) e pelos acordos com o Ministério Público para o cumprimento dos gastos mínimos constitucionais com saúde e educação.

É natural que, nesse contexto, o Executivo se oponha a uma perda de arrecadação repentina. Em Santa Catarina, Estado que vive uma situação financeira mais saudável, com argumentos parecidos o governador Jorginho Mello (PL) também vetou em fevereiro uma lei semelhante aprovada pela Assembleia local.

Em entrevista à Rádio Gaúcha, na terça-feira, Eduardo Leite se disse disposto a "conversar, dialogar, construir alternativas". É com esse espírito que o Executivo e a Assembleia podem encontrar uma solução sensata e responsável para o impasse, assegurando algum alívio para os proprietários de veículos, sem criar embaraços maiores para a saúde ainda frágil das finanças gaúchas. 

09 de Julho de 2026
POLÍTICA E PODER - Henrique Ternus

Pré-candidatos aquecem para a campanha

Os pré-candidatos ao governo do Estado devem aproveitar os últimos dias antes do início oficial da campanha para compromissos no Interior, encaminhar planos de governo e dar início à captação de materiais para divulgação das candidaturas. O período de convenções partidárias vai de 20 de julho a 5 de agosto, 10 dias antes do início efetivo do período eleitoral.

Gabriel Souza (MDB) tem uma das agendas mais intensas, pois tem de conciliar os compromissos de vice-governador com as demandas da pré-candidatura. Além dos encontros partidários, as participações em debates e painéis ocupam boa parte do tempo do emedebista.

Afeito aos estudos, Gabriel não se furta de reservar tempo para se preparar para os assuntos que serão abordados em cada evento. Até a convenção do MDB, marcada para 1º de agosto, o vice-governador vai participar dos últimos encontros do movimento Vozes do Rio Grande - a partir do qual está sendo elaborado o plano de governo, já em fase final - e seguirá com a gravação de conteúdos focados para as redes sociais.

À esquerda, Juliana Brizola (PDT) mantém o ritmo de agendas pelo Interior, apresentando o movimento Coração Gaúcho em diversas regiões. Com mais tempo disponível por não ocupar cargo eletivo, a pedetista tem mantido agendas mais individuais com empresários e representantes de setores estratégicos do Estado.

A partir da próxima semana, Juliana vai intensificar as reuniões dedicadas a estudar o plano de governo, que vem sendo elaborado para a chapa da esquerda, e planeja fazer imersões temáticas sobre as propostas com a equipe de comunicação, com quem vai alinhar estratégias de divulgação da candidatura e fará gravação de materiais para a campanha. A convenção do PDT está marcada para o dia 25 de julho.

Também com mandato ativo, o deputado Luciano Zucco (PL) tem dividido as semanas entre idas a Brasília, onde participa de sessões na Câmara e articula a votação de pautas prioritárias, e as viagens pelo Interior para se apresentar como alternativa ao Palácio Piratini. O caso mais emblemático foi a ausência no debate promovido pela Federasul, em que Zucco optou por articular a aprovação da renegociação das dívidas dos agricultores no Senado.

O PL fará convenção em 22 de julho. Até lá, o pré-candidato focará em agendas internas da campanha, como a organização do comitê. Zucco também planeja fazer imersões no plano de governo e, ainda esta semana, deve fazer as fotos oficiais da campanha.

Mesmo em desvantagem nas pesquisas, Marcelo Maranata (PSDB) segue motivado pelo histórico do Estado de eleger "zebras". Nos próximos dias, os compromissos vão se concentrar em Porto Alegre e na Região Metropolitana.

O tucano lança no domingo sua "Maranatona", primeira mobilização digital da campanha, enquanto sua equipe finaliza os últimos detalhes do plano de governo. A convenção será no dia 30 de julho. _

Melo vistoria novas comportas

do sistema de proteção da Capital

Desde que a cheia do Guaíba em 2024 rompeu barreiras de proteção de Porto Alegre e expôs os problemas do sistema de contenção de enchentes, o prefeito Sebastião Melo garantiu que uma das ações emergenciais seria o fechamento definitivo ou reforma das comportas.

Ontem, Melo fez questão de acompanhar o teste das novas estruturas no dique da Avenida Castelo Branco, que marcou a conclusão das obras de modernização das passagens móveis.

Foram mais de R$ 11 milhões investidos. Das 14 comportas, oito foram definitivamente fechadas, substituídas por estruturas de concreto armado. Além das duas entregues agora, outras quatro foram reformadas e modernizadas. _

Caiado tenta reforçar palanque no RS com agenda no Interior

Pré-candidato à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD) virá ao Rio Grande do Sul na próxima semana para a segunda edição do evento O Brasil do Futuro, em Passo Fundo. Promovido pela Atitus Educação, o evento reunirá integrantes do Comitê de Entidades Empresariais para ouvir ideias e propostas do presidenciável.

A primeira edição foi em abril, com a presença de Romeu Zema, pré-candidato pelo Novo.

Caiado deverá estar acompanhado do vice-governador e pré-candidato a governador, Gabriel Souza (MDB). Além de Passo Fundo, estão sendo negociadas agendas de Caiado em Santa Maria, Santo Ângelo e Uruguaiana. _

Fiergs questiona postulantes sobre 6x1, ICMS e alianças

Nos encontros a portas fechadas com a direção da Fiergs na terça-feira, os pré-candidatos a governador Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT) e Luciano Zucco (PL) responderam a questões elaboradas por líderes do setor. A primeira pergunta, endereçada aos três, foi se apoiam a criação do Fundo Constitucional do Sul e Sudeste. Todos responderam "sim".

A Fiergs também preparou uma questão específica para cada um. Para Zucco, por exemplo, o tema foi o fim da escala 6x1. Ele alegou que votou favorável à PEC na Câmara na expectativa de que outra proposta, que institui o regime de trabalho baseado em horas trabalhadas, também avançasse.

Para Juliana, a questão envolveu o comando de um eventual governo dela e a gestão dos partidos aliados de esquerda. Na resposta, ela se disse de centro­esquerda e que um eventual governo será comandado pelo PDT.

Para Gabriel, a pergunta remeteu à tentativa de aumento de ICMS no governo Eduardo Leite e à perspectiva tributária para a próxima gestão. O emedebista se comprometeu a não aumentar impostos e argumentou que a medida apresentada por Leite visava ampliar os recursos para o Estado diante das regras de transição da reforma tributária. _

O União Brasil estuda lançar o vice-prefeito de Canoas, Rodrigo Busato, a deputado estadual. Sem representante do terceiro maior município do Rio Grande do Sul há 12 anos na Assembleia, aliados querem fortalecer a articulação por recursos e projetos do governo estadual.

Tudo igual na disputa nacional

A divulgação do vídeo da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro com críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-­RJ) teve pouco impacto sobre o cenário da disputa presidencial, segundo pesquisa Meio/Ideia divulgada ontem.

Na simulação de segundo turno entre Flávio e o presidente Lula (PT), o petista aparece com 45% das intenções de voto, contra 40% de Flávio, uma oscilação em relação ao fim de maio (46,5% a 41,4%). _

POLÍTICA E PODER