sexta-feira, 29 de maio de 2026

Prazo para entregar o IR 2026 termina nesta sexta-feira

Declaração pode ser enviada pelo Programa Gerador da Declaração no aplicativo da Receita Federal

Declaração pode ser enviada pelo Programa Gerador da Declaração no aplicativo da Receita Federal

Dani Barcellos/Especial/JC
Agências
O prazo para entregar a declaração do Imposto de Renda 2026 termina às 23h59min desta sexta-feira (29). Quem perder a data terá de pagar multa, que começa em R$ 165,74 e pode chegar a 20% do imposto devido no ano.
O prazo para alterar o modelo de tributação da declaração (entre desconto simplificado e deduções legais) também termina nesta sexta-feira. Quem é obrigado, mas não envia a declaração pode ficar com o CPF classificado como pendente de regularização.
A declaração pode ser enviada pelo PGD (Programa Gerador da Declaração), instalado no computador, pelo aplicativo da Receita Federal, na opção "Meu Imposto de Renda", ou ainda de forma online, pelo e-CAC, também em "Meu Imposto de Renda".
Para acessar a declaração pré-preenchida no programa instalado no computador, é necessário ter conta Gov.br nos níveis prata ou ouro. O contribuinte deve informar todos os rendimentos recebidos em 2025, além de declarar bens, dívidas, investimentos, financiamentos e despesas dedutíveis, como gastos com saúde, educação, dependentes, previdência oficial e privada e livro-caixa, no caso de profissionais autônomos. Também é necessário guardar os documentos que comprovem todas as informações declaradas.
Especialistas ouvidos pela Folha recomendam que o contribuinte envie a declaração dentro do prazo, mesmo que incompleta, para evitar a multa. Depois, é possível enviar declarações retificadoras quantas vezes forem necessárias para corrigir ou complementar os dados. A Folha de S.Paulo também produziu uma série de reportagens para ajudar quem deixou a entrega para a reta final:
QUEM É OBRIGADO A DECLARAR O IMPOSTO DE RENDA 2026?
Deve entregar a declaração neste ano o contribuinte que, em 2025:
- Recebeu rendimentos tributáveis -como salário e aposentadoria- a partir de R$ 35.584,00
- Recebeu rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte (como rendimento de poupança ou FGTS) acima de R$ 200 mil
- Obteve, em qualquer mês, ganho de capital na venda de bens ou direitos sujeitos à incidência do Imposto;
- Realizou operações de venda na Bolsa de Valores cuja soma foi superior a R$ 40 mil ou teve apuração de ganhos líquidos sujeitos à incidência do imposto
- Obteve, na atividade rural, receita bruta em valor superior a R$ 177.920 ou pretenda compensar, no ano-calendário de 2025 ou posteriores, prejuízos de anos-calendário anteriores ou do próprio ano-calendário de 2025
- Tinha, em 31 de dezembro, a posse ou a propriedade de bens ou direitos de valor acima de R$ 800 mil
- Passou à condição de residente no Brasil em qualquer mês e nessa condição encontrava-se em 31 de dezembro;
- Optou pela isenção do imposto sobre a renda incidente sobre o ganho de capital auferido na venda de imóveis residenciais, caso o produto da venda seja aplicado na aquisição de imóveis residenciais localizados no País, no prazo de cento e oitenta dias, contado da celebração do contrato de venda, nos termos do art. 39 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005
- Optou por declarar os bens, direitos e obrigações detidos pela entidade controlada, direta ou indireta, no exterior como se fossem detidos diretamente pela pessoa física, nos termos do regime de transparência fiscal de entidade controlada estabelecido no art. 8º da lei nº 14.754, de 12 de dezembro de 2023
- Era titular, em 31 de dezembro, de trust e demais contratos regidos por lei estrangeira com características similares, nos termos dos arts. 10 a 13 da Lei nº 14.754, de 12 de dezembro de 2023
- Tinha capital investido em aplicações financeiras no exterior, a que se referem os arts. 2º a 4º e 9º da Lei nº 14.754, de 12 de dezembro de 2023:
- Teve rendimentos ou pretenda compensar, no ano-calendário de 2025 ou posteriores, perdas de anos-calendário anteriores ou do próprio ano-calendário de 2025
- Teve lucros ou dividendos de entidades no exterior, nos termos dos arts. 2º e 5º a 6º-A da lei nº 14.754, de 12 de dezembro de 2023
CALENDÁRIO DE PAGAMENTO DA RESTITUIÇÃO
Serão quatro lotes. Lote Data de pagamento
1º lote 29 de maio
2º lote 30 de junho
3º lote 31 de julho
4º lote 31 de agosto

Diretor da Kepler Weber defende retenção de talentos durante Mapa Econômico do RS

Schneider acredita que o avanço tecnológico no setor agroindustrial cria novas oportunidades, mas também amplia a demanda por mão de obra qualificada

Schneider acredita que o avanço tecnológico no setor agroindustrial cria novas oportunidades, mas também amplia a demanda por mão de obra qualificada

Tânia Meinerz/JC

Ana Stobbe
Ana StobbeRepórterO Rio Grande do Sul deverá começar a perder população em 2027, conforme estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse cenário está mais acelerado em algumas partes do Estado do que em outras. E é diante disso que o diretor industrial e de produto da Kepler Weber, Fabiano Schneider, defende a necessidade de investimentos na retenção de talentos na Macrorregião Norte do RS
O dirigente da Kepler Weber foi painelista do evento Mapa Econômico do RS nesta quinta-feira, 28 de maio, na Associação Comercial e Industrial de Ijuí. Na ocasião, foram destacados os desafios e as oportunidades de desenvolvimento para a metade norte do Estado. Durante sua participação, Schneider destacou a necessidade de investimentos em infraestrutura logística, qualificação profissional e retenção de jovens como pilares fundamentais para o crescimento regional.
Segundo ele, o avanço tecnológico no setor agroindustrial cria novas oportunidades, mas também amplia a demanda por mão de obra qualificada. “A gente tem uma região muito pujante de indústrias, de comércio, de várias atividades que vão demandar mão de obra. Por mais que a gente trabalhe muito forte em automação e inteligência artificial, sempre vai haver necessidade de pessoas qualificadas”, afirmou.
Nesse sentido, foi enfatizado pelo dirigente industrial a necessidade de criar condições para que os jovens permaneçam na região. Para ele, além de emprego e formação profissional, é preciso investir em qualidade de vida. “As indústrias estão cada vez mais tecnológicas, com mais automação e inteligência artificial. Precisamos preparar essa juventude para essa realidade e também oferecer qualidade de vida para que ela queira ficar aqui”, disse.
Ao falar sobre o agronegócio, Schneider enfatizou o protagonismo regional na produção agrícola e no setor de armazenagem. Segundo ele, o avanço da industrialização do agronegócio e da digitalização do pós-colheita abre novas perspectivas econômicas para o Estado. O diretor citou o déficit nacional de armazenagem de grãos, estimado em cerca de 135 milhões de toneladas, como uma das grandes oportunidades para expansão do setor, a partir do investimento na verticalização e no processamento da produção primária.
O dirigente também apresentou iniciativas desenvolvidas pela Kepler Weber na área de tecnologia. Entre elas, destacou a digitalização de unidades armazenadoras, permitindo o monitoramento remoto de silos e secadores em tempo real. “Hoje conseguimos ter todos os dados de uma unidade armazenadora na mão, no tablet ou no celular”, explicou durante o painel do qual fez parte.
Entretanto, ele enxerga a logística como um grande desafio. “A gente precisa trabalhar e melhorar a nossa infraestrutura de estradas. A BR-285 é um desafio. É uma rodovia transcontinental e está muito carregada”, afirmou.
É essa a via utilizada pela Kepler Weber para transportar diariamente suas cargas de produtos e insumos. Nesse sentido, Schneider considerou que a deficiência logística impacta diretamente na competitividade das empresas da região. O dirigente acredita ser necessário o investimento também em outros modais, como a malha ferroviária, para melhorar o setor logístico. 
“A Kepler exporta para 53 países. Então, a gente tem tecnologia, tem qualidade aqui, só que a gente precisa ter pessoas qualificadas. Precisa ter uma infraestrutura boa para que essas empresas sigam aqui. Quando ela pensar em se desenvolver, em crescer, que ela queira crescer aqui, para que ela não precise buscar isso em outro lugar, porque aqui talvez não tenha o mínimo necessário de infraestrutura”, finalizou Schneider.

Federasul critica PEC de 40 horas e vê pauta com viés eleitoral

"A proposta está sendo conduzida pelo governo federal de forma equivocada", destaca Rafael Goelzer, vice-presidente de Integração da Federasul

"A proposta está sendo conduzida pelo governo federal de forma equivocada", destaca Rafael Goelzer, vice-presidente de Integração da Federasul

FEDERASUL/DIVULGAÇÃO/JC
Osni Machado
Osni MachadoColunista
A aprovação, em primeiro turno, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada semanal de trabalho para 40 horas e prevê o fim da escala 6x1 provocou forte reação do setor empresarial gaúcho. Para Rafael Goelzer, vice-presidente de Integração da Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul), a proposta está sendo conduzida pelo governo federal de forma “equivocada” e com foco eleitoral, sem estudos aprofundados sobre os impactos econômicos da medida. Goelzer afirmou que o verdadeiro problema enfrentado pelos trabalhadores brasileiros não é apenas a jornada de trabalho, mas a elevada carga tributária e os encargos que reduzem o salário líquido recebido pelos empregados.
A PEC foi aprovada pela Câmara dos Deputados na noite desta quarta-feira (27), com 472 votos favoráveis e 22 contrários. O texto prevê a redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial, além de dois dias de folga semanais e um período de transição de até 14 meses após a promulgação. A proposta ainda precisa ser votada em segundo turno antes de seguir para análise do Senado Federal.
Em entrevista ao Jornal do Comércio, Goelzer criticou o que chamou de “pauta eleitoreira” em torno do debate. “A discussão sobre a escala 6x1 está sendo conduzida de forma equivocada pelo governo federal, sendo utilizada como uma pauta eleitoreira sem o devido estudo de seus impactos”, afirmou. Segundo ele, o governo busca se posicionar como defensor dos trabalhadores, mas ignora fatores que, na avaliação da entidade, afetam diretamente o poder de compra da população, como juros elevados, endividamento e aumento de impostos.
O vice-presidente de Integração da Federasul também chamou atenção para a diferença entre o custo de contratação para as empresas e o valor efetivamente recebido pelos trabalhadores. “É inaceitável que uma empresa desembolse R$ 3.900 por um funcionário e este receba menos de R$ 2 mil líquido”, declarou. Conforme o dirigente, os encargos trabalhistas, tributos e contribuições obrigatórias representam uma “mordida” do Estado sobre a renda do trabalhador e impedem que o dinheiro chegue diretamente ao bolso de quem produz.
Outro ponto destacado por Goelzer foi a defesa da flexibilização das jornadas de trabalho. Para ele, diferentes formatos deveriam ser permitidos conforme a realidade econômica e a necessidade de cada trabalhador. “É preciso garantir segurança jurídica e liberdade de escolha, permitindo diferentes jornadas, de 20, 36, 40 ou 44 horas, conforme a necessidade do trabalhador”, argumentou.
Ele também rebateu a ideia de que os brasileiros desejam trabalhar menos. Segundo Goelzer, muitos profissionais que atuam na informalidade, como motoristas de aplicativo, diaristas e ambulantes, buscam autonomia e maior renda, tentando escapar da elevada carga tributária e burocrática do País. Na avaliação da Federasul, o debate deveria estar centrado em mecanismos que ampliem a renda líquida dos trabalhadores e reduzam o peso do Estado sobre a atividade produtiva.
Agora, com o avanço da proposta para o Senado Federal, a entidade empresarial defende que os senadores promovam alterações no texto. Entre as sugestões estão medidas que reduzam encargos trabalhistas e transfiram parte desses valores diretamente para os salários. “O verdadeiro debate não é apenas sobre a escala de trabalho, mas sobre garantir que o trabalhador ganhe mais, tenha autonomia e dependa menos de um Estado que sustenta privilégios em Brasília com o dinheiro de quem produz”, concluiu Goelzer.