domingo, 28 de junho de 2026

MPor: Governo libera R$ 661 milhões para aliviar capital de giro das aéreas com alta do QAV

Gol e Azul contrataram R$ 330 milhões cada, limite previsto em resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN)

Gol e Azul contrataram R$ 330 milhões cada, limite previsto em resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN)

TÂNIA MEINERZ/JC

Agências
O governo federal liberou R$ 661 milhões em financiamento para capital de giro de companhias aéreas diante da alta do querosene de aviação (QAV), segundo o Ministério de Portos e Aeroportos. Os contratos foram assinados nesta sexta-feira (26), pelo Banco do Brasil com as empresas Gol, Azul, Abaeté e Rima.
Gol e Azul contrataram R$ 330 milhões cada, limite previsto em resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN). As companhias regionais Abaeté e Rima obtiveram R$ 819 mil e R$ 634 mil, respectivamente, dentro do teto de até 1,6% do faturamento bruto projetado para 2025.
A linha de crédito conta com prazo de até seis meses para pagamento, com custo equivalente a 100% do CDI. Os recursos serão operacionalizados pelo Banco do Brasil, enquanto o risco de crédito será integralmente assumido pela União.
Segundo o Ministério, a medida busca garantir liquidez de curto prazo às empresas em meio à pressão sobre os custos operacionais provocada pela valorização do combustível de aviação, preservando a regularidade da malha aérea doméstica e a continuidade dos serviços.
O ministro da Pasta, Tomé Franca, afirmou que os recursos têm caráter emergencial e são destinados exclusivamente ao capital de giro. "Trata-se de financiamento reembolsável, e não de subvenção ou transferência a fundo perdido."

Corsan cria Parque de Infraestrutura e Inovação para acelerar universalização do saneamento no Rio Grande do Sul

Estrutura reúne produção industrial, tecnologia, logística e controle de qualidade para
apoiar o maior ciclo de investimentos da história do Estado

Estrutura reúne produção industrial, tecnologia, logística e controle de qualidade para apoiar o maior ciclo de investimentos da história do Estado

/CORSAN/ DIVULGAÇÃO/ JC
JC
JC
Universalizar o saneamento básico no Rio Grande do Sul até 2033 exige muito mais do que a instalação de redes de água e esgoto. A meta de elevar a cobertura de esgotamento sanitário dos atuais 30% para 90% da população atendida demanda capacidade de execução, planejamento de longo prazo e uma estrutura preparada para sustentar um volume de obras sem precedentes no Estado.
Foi com esse propósito que a Corsan criou, em Esteio, o Parque de Infraestrutura e Inovação, uma estrutura estratégica concebida para apoiar a expansão do saneamento e dar suporte ao maior programa de investimentos já realizado pela Companhia. A entrada em operação da fábrica de tubos, no início de junho, concluiu a implantação da estrutura, consolidando um dos mais completos centros de apoio à infraestrutura de saneamento do País.
O parque reúne, em um único local, fábrica de tubos, usina de asfalto, laboratório de análises de solos e pavimentação e usina de produção de sulfato de alumínio utilizado no tratamento de água. Mais do que concentrar unidades produtivas, a iniciativa foi desenvolvida para aumentar a autonomia operacional da Corsan, reduzir a dependência de fornecedores externos, fortalecer o controle de qualidade dos materiais e ampliar a eficiência na execução das obras.
“Quando falamos em universalização, falamos de um desafio que exige escala, eficiência e capacidade de entrega. O Parque de Infraestrutura e Inovação nasce para responder a esse desafio. Ele representa uma decisão estratégica de investir não apenas nas obras, mas também na estrutura que permitirá acelerar sua execução”, afirma a presidente da Corsan, Samanta Takimi.
A usina de asfalto, por exemplo, foi projetada para acelerar a recomposição das vias após intervenções urbanas, reduzindo prazos e minimizando impactos para a população. Já o laboratório de solos e pavimentação realiza análises técnicas que ajudam a definir as melhores soluções para cada obra, ampliando a durabilidade das intervenções e reduzindo retrabalhos.
A usina de sulfato fortalece a autonomia da Companhia na produção de um dos principais insumos utilizados no tratamento de água, garantindo maior controle de qualidade e segurança operacional em uma atividade essencial ao abastecimento da população.
A estratégia também contempla o fortalecimento da cadeia produtiva regional. Por meio do programa Chega Junto, a Corsan vem mobilizando fornecedores, empreiteiros e prestadores de serviços locais para atender à crescente demanda das obras, estimulando geração de empregos, desenvolvimento econômico e novas oportunidades de negócios em diferentes regiões do Estado.
O Parque de Infraestrutura e Inovação integra uma visão mais ampla de futuro, que combina investimentos em expansão de redes, inovação, eficiência energética e modernização operacional. Ao reunir produção industrial, tecnologia, logística e controle de qualidade em uma única estrutura, a Corsan cria as condições necessárias para acelerar a universalização do saneamento e antecipar benefícios que impactam diretamente a saúde pública, a qualidade de vida, a preservação ambiental e a competitividade do Rio Grande do Sul.
Mais do que apoiar obras, o parque representa a infraestrutura que tornará possível uma das maiores transformações estruturais da história do Estado.

sábado, 27 de junho de 2026

Ferramenta eletrônica revela R$ 1 bilhão em renúncias fiscais no RS

Eduardo Jaeger, presidente da Afisvec, destaca o valor

Eduardo Jaeger, presidente da Afisvec, destaca o valor

/Afisvec/Divulgação/JC
Osni Machado
Osni MachadoColunistaAs renúncias fiscais concedidas pelo governo gaúcho por meio do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) alcançam atualmente cerca de R$ 1 bilhão por mês, montante equivalente a aproximadamente 25% da arrecadação do tributo. Os números são acompanhados pelo Incentivômetro, ferramenta eletrônica desenvolvida pela Associação dos Auditores-Fiscais da Receita Estadual do Rio Grande do Sul (Afisvec), que contabiliza, em tempo real, os valores que o Estado deixa de arrecadar em razão dos benefícios fiscais concedidos à iniciativa privada.
Criado para ampliar a transparência sobre os investimentos indiretos realizados pelo poder público, o sistema passou por aperfeiçoamentos metodológicos ao longo dos anos. O presidente da Afisvec, Eduardo Jaeger, auditor-fiscal da Receita Estadual e dirigente da entidade, afirma que a divulgação desses dados permite à sociedade compreender a dimensão dos recursos destinados ao setor privado e avaliar as políticas de desoneração tributária. Jaeger detalha um pouco mais o assunto em entrevista ao Jornal do Comércio.
JC Contabilidade – O que é o Incentivômetro e qual foi a motivação para a sua criação?
Eduardo Jaeger – A motivação principal da criação do Incentivômetro foi contrapor a informação que circulava à época de que o Estado investia muito pouco, referindo-se apenas aos valores destinados no orçamento estadual. Na realidade, esses montantes deveriam considerar também as renúncias fiscais. Foi assim que nasceu a ideia do Incentivômetro e os vultosos valores dispensados indicam que a Afisvec estava correta ao realizar essa contabilização.
Contab – Por que a Afisvec classifica o Incentivômetro como um instrumento de transparência pública?
Jaeger – Porque mostra para a sociedade os valores investidos na iniciativa privada por meio dos benefícios fiscais e tributários.
Contab – Como funciona o cálculo apresentado pelo contador eletrônico?
Jaeger – O cálculo é feito de acordo com os valores de isenção, redução de base de cálculo, créditos presumidos e outros mecanismos de redução do recolhimento do ICMS divulgados pela Receita Estadual do Rio Grande do Sul em seu relatório de desonerações tributárias.
Contab – O que representa, na prática, a renúncia fiscal em ICMS?
Jaeger – Na prática, ela se traduz na redução ou exclusão dos valores que os contribuintes do ICMS beneficiados pelas políticas de desoneração deveriam recolher do imposto.
Contab – Por que o Incentivômetro passou por diversas revisões metodológicas desde o seu lançamento?
Jaeger – Porque, ao longo dos anos, a Receita Estadual foi refinando e melhorando as informações sobre as renúncias fiscais.
Contab – O que mudou nas metodologias adotadas ao longo dos anos?
Jaeger – A mudança ocorreu basicamente nos valores de isenção, que antes eram calculados por estimativa e hoje correspondem aos valores efetivamente abdicados em favor dos contribuintes beneficiados por esse instrumento tributário.
Contab – Qual é a importância de divulgar os valores das renúncias fiscais para a sociedade?
Jaeger – Para que os cidadãos possam ter uma dimensão correta de quanto o Estado investe na iniciativa privada, muito além dos meros recursos orçamentários regularmente destinados com esse fim específico.
Contab – A transparência sobre os incentivos fiscais contribui para a avaliação das políticas públicas?
Jaeger – Sim. Ao sabermos quanto o Estado abre mão em favor da iniciativa privada, podemos aferir, inicialmente, a grandeza desses benefícios e, posteriormente, avaliar o mérito dos mesmos.
Contab – Qual é a relevância dessas informações para profissionais da contabilidade e do setor empresarial?
Jaeger – Saber quanto de ICMS está sendo dispensado de ser recolhido nos diversos segmentos empresariais.
Contab – As projeções mais recentes indicam que as renúncias fiscais continuarão crescendo?
Jaeger – As renúncias atualmente estão na casa de R$ 1 bilhão por mês, o que representa algo ao redor de 25% da arrecadação do ICMS. Esse percentual vem sendo observado ao longo do tempo. O crescimento das renúncias praticamente acompanha o crescimento do imposto.
Contab – O Incentivômetro pode contribuir para qualificar o debate sobre reforma tributária e responsabilidade fiscal?
Jaeger – Todo instrumento que mede as renúncias é extremamente importante, tanto em tempos normais quanto em períodos de reforma. Contudo, com a entrada do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a mudança da tributação para o destino, esses benefícios tendem a ser reduzidos ou passarão a ser concedidos por via orçamentária, afetando de forma mais direta o orçamento estadual.
Contab – Quais são os próximos passos para ampliar o alcance do projeto?
Jaeger – Por ora, o projeto segue como está, mas o ideal seria que houvesse um contador físico, nos moldes do Impostômetro, exibido em algum local público de destaque. O Impostômetro é uma ferramenta que calcula e exibe, em tempo real, o valor total pago em impostos, taxas e contribuições pelos contribuintes do Rio Grande do Sul aos cofres públicos.
Contab – Quais são as suas considerações finais?
Jaeger – Acompanhar onde são aplicados os recursos públicos, seja pelas renúncias fiscais, seja pela despesa pública, deveria ser algo natural para uma sociedade madura, que tem consciência de como são utilizados os recursos arrecadados pelo poder público por meio da cobrança de impostos.