terça-feira, 30 de junho de 2026

30 de Junho de 2026
CARPINEJAR

O medo de perto

Foi nos últimos minutos. Foi de virada. Foi épico. Foi dramático. A Copa enfim começou para o Brasil. E, por pouco, não terminou precocemente.

O Japão achou um gol no primeiro tempo, a partir de um passe bisonho de Danilo. E não ameaçou mais. Passou a partida inteira se defendendo, num ferrolho, numa fortaleza medieval.

O triunfo canarinho veio no sufoco, na adrenalina, no desespero, nos acréscimos, com um arremate chorado de Martinelli.

Aliás, Casemiro e Martinelli juntaram os elos de duas gerações. Um veterano recolocou o time no páreo com uma cabeçada, um atacante mais jovem decidiu a classificação. A experiência e a renovação se completaram.

A torcida deixou a sua voz na tarde de ontem, em Houston, e tem até as oitavas de final, no domingo, para se recuperar da emoção afônica.

Diante de um elenco japonês fabril, organizado e operário, a Seleção Brasileira se mostrou raçuda. A superioridade se originou exclusivamente da superação, não resultou da técnica ou do talento individual.

Não desmoronamos psicologicamente com o golpe. Se não houve beleza, a sobrevivência acabou premiada. Talvez tenha sido a primeira vez que o Brasil apresentou espírito coletivo na competição. Não me refiro a entrosamento, mas ânimo para correr atrás de uma desvantagem que abortaria o sonho do hexa.

Fazia tempo que não revertíamos um placar adverso no mata-mata. Isso não acontecia desde a vitória sobre a Inglaterra, nas quartas de final de 2002. O destino novamente interveio a nosso favor e colaborou com o técnico Carlo Ancelotti. O meio-campista Paquetá se machucou, cedendo espaço para Endrick.

Rayan e Vinícius Júnior ficaram bem abertos, para dar profundidade pelos lados. Bruno Guimarães voltou a brilhar como garçom. Para uma formação atípica em sua história, sem laterais abastecendo ofensivamente, a estratégia vingou, cancelando as tentativas inúteis pelos ataques frontais.

Do que nos lembraremos desses dezesseis avos é do quase gol de placa de Vinícius Júnior. Assim como os famosos gols não feitos de Pelé na Copa - a meia-lua no goleiro uruguaio e o chute do meio de campo em cima da Tchecoslováquia.

Vini, num lampejo de Ronaldinho Gaúcho, pôs caprichosamente a bola entre as pernas do capitão do Japão, Takehiro Tomiyasu, humilhando o zagueiro do Arsenal. Na sequência, entortou mais um defensor e finalizou cruzado.

Suzuki espalmou com as pontas dos dedos, e recebeu a bênção aliada da trave. Por um detalhe, aquela caneta perfeita não escreveu o mais inesquecível verso de suas chuteiras. Kento Shiogai, dos samurais azuis, polemizou dizendo que o Brasil não era como o de antigamente. Não metia medo como outrora. Realmente, ele estava certo. Mas ainda é melhor do que o Japão.

Seguimos com aproveitamento de 100% em confrontos com equipes asiáticas.

O que esperamos é que o sacolejo produza união, que a tensão acirre a coragem, que o ensaio de uma despedida fermente confiança no grupo. Conhecemos o fim de perto, e que seja o nosso promissor início. _

CARPINEJAR



30 DE JUNHO DE 2026
NILSON SOUZA

A glória e a desgraça

O que realmente encanta e comove no esporte mais popular da Terra são os heróis e vilões improváveis. Nessa condição, pelo lado positivo, despontou o goleiro Vozinha, de Cabo Verde, que ajudou a seleção de seu país a alcançar o feito histórico de, na condição de estreante, alcançar a fase eliminatória do Mundial. Aos 40 anos, o cabo-verdiano Josimar José Évora Dias consagra-se como herói nacional ao mesmo tempo em que se torna símbolo de resistência ao etarismo e de superação a adversidades, por seu passado de menino pobre criado pela avó.

Do lado ruim da moeda do destino ficou seu colega de posição, o uruguaio Fernando Muslera, também de 40 anos, que cometeu falhas em jogos importantes e acabou sendo apontado por torcedores e cronistas esportivos como principal responsável pela eliminação da seleção do seu país. 

Muslera, que nasceu na Argentina, mas iniciou sua carreira exitosa em clubes uruguaios, entrou na sua quinta Copa como ídolo de três continentes (foi campeão também pela Lázio da Itália e pelo Galatasaray da Turquia) e saiu amaldiçoado por seus patrícios. Foi substituído no intervalo do jogo decisivo sem estar lesionado, quase uma condenação sumária.

Seu drama me fez lembrar outro Fernando, o Pessoa, que sentenciou num de seus poemas mais célebres: "Os deuses vendem quando dão,/ compra-se a glória com desgraça." Penso que os deuses do futebol foram demasiado cruéis com Muslera, mas acredito que ele conseguirá superar esse momento de desamparo porque, no futebol, só os mais corajosos escolhem jogar numa posição que não tolera erros. 

NÍLSON SOUZA

30 de Junho de 2026
OPINIÃO RBS

OPINIÃO RBS

Resposta a surto de execuções

Tem de ser contundente a resposta do Estado ao surto de execuções que eclodiu na semana passada em Porto Alegre. Sete mortes entre terça e sexta-feira teriam sido causadas por desavenças entre facções criminosas. A origem da onda de violência ainda é investigada pela Polícia Civil. A principal hipótese é de que o fato detonador tenha sido uma traição amorosa, mas não é descartada a motivação financeira. O essencial, agora, é estancar a barbárie, chegar aos executores e punir lideranças que possam ter dado as ordens para os assassinatos. A reação dura das forças da lei e do sistema de Justiça também é relevante para inibir episódios semelhantes no futuro.

A resposta categórica deve demonstrar que não há a menor hipótese de o poder público tolerar que possa voltar a ocorrer algo minimamente parecido com o que foi observado notadamente em 2016 e 2017, quando os números de homicídios pela guerra entre facções atingiram o auge. Desde então o Estado vem conseguindo diminuir o ciclo de ataques e retaliações entre bandidos, apesar de episódios ocasionais de rompantes de violência, sempre contidos.

É equivocada a percepção de que a matança entre grupos criminosos tem menor importância. Não são raros os casos em que o ciclo de homicídios e retaliações transborda, chega a áreas centrais das cidades e vitima inocentes. As comunidades onde essas facções atuam, formadas na esmagadora maioria por trabalhadores e cidadãos que só querem viver em paz, também têm as suas rotinas transformadas pelo medo. Ontem, em um caso que não teria relação com as execuções da semana passada, um homem ligado a uma facção foi abatido com 25 disparos no bairro Santana. É preciso restabelecer a ordem e a segurança.

O surto de mortes violentas fez a Secretaria de Segurança Pública ativar o protocolo de sete medidas contra homicídios, baseado na teoria da dissuasão focalizada, criada décadas atrás por um professor de Criminologia da Universidade de Nova York, que foi utilizado em cidades norte-americanas. Um de seus princípios é o de saturar com policiais as zonas conflagradas, inibindo atividades criminosas e forçando a paralisação dos atos de hostilidade. A ação deflagrada ainda na semana passada já resultou em uma série de detenções. A presença ostensiva também tenta restaurar a sensação de segurança.

As medidas do protocolo incluem ainda a intensificação das investigações, operações especiais, a responsabilização das lideranças criminosas, ainda que já presas, revistas nos presídios e asfixia financeira dessas organizações. Por isso, além da Brigada Militar e das polícias Penal e Civil, dependem também de uma coordenação com o Judiciário e do Ministério Público. O receituário foi adotado na Capital após a constatação de que 80% dos homicídios na cidade eram cometidos pelo crime organizado, em um ciclo de ataques e represálias, e em seguida começou a ser levado para o Interior. Espera-se agora que as demais providências previstas - como as que preveem o bloqueio de bens e capitais e a transferência e o isolamento de líderes das facções envolvidas - sejam aplicadas com firmeza. _

30 de Junho de 2026
INFORME ESPECIAL

Não pode haver recuo

O oitavo homicídio em sete dias, em Porto Alegre, é um teste à vigência do protocolo contra homicídios, aplicado no Estado desde novembro de 2024. A técnica foi criada pelo professor de Criminologia da Universidade de Nova York David Kennedy e trazida para o Rio Grande do Sul pelo delegado Mario Souza, diretor do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa.

Souza é um aficionado pela teoria aplicada em sua pesquisa de doutorado em Direito, iniciada em 2023. A base da reflexão é que a maior parte dos crimes é provocada por uma minoria de criminosos. E, como o próprio delegado costuma explicar em entrevistas, essas pessoas devem receber a atenção máxima do Estado.

Em termos técnicos, no campo policial, essa aplicação concentrada do arsenal do Estado chama-se "dissuasão focada". Envolve, além de Polícia Civil e Brigada Militar, Polícia Penal, Ministério Público e Poder Judiciário.

Um estudo realizado pelo Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa comprova a tese: a maior parte dos homicídios em Porto Alegre, cerca de 80%, é executada pelo crime organizado. Ou seja, um grupo pequeno que comete muitos crimes. Foco neles, até asfixiá-los, inclusive economicamente.

A teoria foi aplicada na prática pela primeira vez há quase 30 anos, na Operação Cessar-Fogo, em Boston, que levou à queda dos homicídios. Também foi adotada em Medellín, na Colômbia.

No RS, o protocolo foi assinado em 2024, em Porto Alegre e, depois, replicado para todo o território gaúcho. Já no início de 2025, ele foi usado na Operação Pecado Capital, com transferência de líderes com grau de liderança no crime organizado para isolamento nas penitenciárias. A lógica é que não apenas os autores dos crimes sejam punidos, mas também os mandantes, em geral, nas cadeias.

Funcionou até aqui e é o grande responsável pelo RS ter atingido os menores índices de criminalidade desde o início da série histórica - salvo feminicídios, uma chaga gaúcha. Os oito homicídios acendem uma luz amarela. A resposta do poder público precisa ser entendida pelos criminosos como um aviso de que não haverá recuo. _

A ajuda dos EUA à Venezuela

Os Estados Unidos estão mobilizando uma resposta de ajuda humanitária para os terremotos que atingiram a Venezuela. Foi enviada uma Equipe de Resposta e Assistência a Desastres (Dart) com mais de 250 profissionais, incluindo três equipes especializadas em Busca e Resgate Urbano (Usar), dos condados de Fairfax (Virgínia), Los Angeles (Califórnia) e Miami-Dade (Flórida). Além de homens e mulheres especializados em salvamento, os grupamentos são compostos por cães farejadores. Juntas, as equipes transportam mais de 90 toneladas de equipamentos especializados.

O governo também está trabalhando em parceria com a Starlink para fornecer serviço gratuito de internet via satélite. E está mobilizando US$ 150 milhões em assistência. _

Comunidade judaica em arrecadação

A campanha da comunidade judaica para arrecadar roupas de inverno, cobertores e calçados destinados a pessoas em situação de vulnerabilidade social já está na rua. Desta vez, o Iom Mitzvah está com formato diferente.

Neste ano, a passagem dos caminhões pelos bairros será no dia 12 de julho. Mas, a fim de ampliar o alcance da iniciativa e facilitar a participação da população, haverá pontos de coleta espalhados pela cidade.

Condomínios, empresas e instituições podem se cadastrar para receber doações e fazer parte da campanha. Também estão sendo aceitos "embaixadores". Para se inscrever, acesse gzh.digital/pontocoleta. _

Moinhos recebe prêmio do MPRS

O Instituto Moinhos Social, braço do Hospital Moinhos de Vento voltado ao atendimento de populações em situação de vulnerabilidade, foi homenageado pelo Ministério Público do RS (MPRS) em reconhecimento ao Projeto Reparador.

A iniciativa recebeu o Prêmio Miguel Velasquez de Direitos Humanos, distinção concedida a pessoas ou instituições que se destacam na promoção da cidadania, na proteção da infância e da juventude e na realização de ações de impacto social.

Em parceria com o MP, o projeto disponibiliza cirurgias plásticas reparadoras gratuitas a vítimas de crimes - especialmente mulheres que sofreram violência doméstica. _

Neto de Jango lança novo livro

Depois do lançamento do livro biográfico E Manchado de Sangue Terás de Crescer, no qual conta a história do envolvimento de sua família com episódios determinantes da história política gaúcha e brasileira no século 20, o advogado e analista político Christopher Goulart, neto do ex-presidente João Goulart, está preparando o lançamento de uma nova obra literária.

Desta vez, trata-se de O Mistério da Casa 3 (Officio), um romance de ficção que trata de relações familiares, poder, ambição e redenção.

O livro tem previsão para o próximo ano, com tiragem inicial de 3 mil exemplares pela editora Officio. 

INFORME ESPECIAL

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Desculpe, Zico. Sei que o seu coração deve estar rachado pela lealdade, entre a gratidão e a pátria.

Entendo o quanto você contribuiu para o desenvolvimento do futebol no Japão, que só alcançou uma possibilidade real de título hoje porque você esteve lá antes. As cerejeiras floresceram nos gramados.

Você é o pai da profissionalização do futebol japonês. Ninguém assimilou a sua escolha. Abdicar do calor do Rio de Janeiro para atravessar os mares e atuar pelo inexpressivo Sumitomo Metals (que se sagrou como o multicampeão nacional Kashima Antlers). Você foi pioneiro, movendo o sol para um lugar inexplorado. Emprestou as asas para a Ásia. Ajudou a fundar a J.League em 1993, transformando um esporte então considerado amador e corporativo, que acontecia dentro de fábricas, numa potência.

Já era ídolo incontestável em 1991, e decidiu recomeçar a carreira sem vestiário, sem arquibancadas, sem holofotes. Coisa de gigante, de estadista.

Apenas Pelé, nos Estados Unidos, arcou com tamanho trabalho na popularização da nossa mentalidade competitiva.

Você é um bushi e merece o nosso respeito. Você ganhou estátua. Você ainda é conselheiro do Kashima, do qual foi diretor técnico. Comandou a Seleção Japonesa na Copa do Mundo de 2006. Virou estrela de mangá e anime e capa de games.

Mas não dá para facilitar. Não podemos deixar que o sonho do Mundial japonês se torne o nosso pesadelo.

Não será agora que a Associação Japonesa de Futebol (JFA) vai atingir o ápice de sua Visão 2050, conhecida internacionalmente como "Plano de 100 Anos". O documento estabeleceu metas ambiciosas, entre elas engajar 10 milhões de torcedores (o público já passou de 12,5 milhões nos estádios, somando suas divisões) e conquistar uma Copa do Mundo até 2050. Resta a margem de 24 anos. Não precisamos apressar a realização do grande objetivo.

O beisebol permanece como o esporte preferido entre os japoneses, porém se vê ameaçado. Culpa sua. Tudo culpa sua.

Os invictos samurais azuis enfrentam a invicta Seleção Brasileira na tarde de hoje. Alguém terá que perder no mata-mata, e que não sejamos nós. Alguém terá que dizer adeus, e que não sejamos nós.

Pena que houve o embate precoce, nos 16 avos. Desejávamos torcer para que o Japão batesse o recorde e estreasse nas quartas.

É uma geração que assusta: com Daichi Kamada, cabeça da equipe; com Ritsu Doan, líder das assistências; com Keito Nakamura, motor pelo lado esquerdo; com Ayase Ueda, homem-gol.

Assusta, mas não provoca pânico.

Trago uma notícia alarmante: Ancelotti inventou um time em pouco tempo. O Brasil vem crescendo no torneio, vem melhorando, vem calando dissidências, vem derrubando apostas. Vini Júnior, criado no Ninho do Urubu como você, assumiu o protagonismo e frustrou a crença dos secadores de que não rende o mesmo com a camisa amarela.

Não somos favoritos a nada: isso é uma vantagem. Humildade gera atenção.

Desculpe, Zico, não queria percebê-lo triste neste dilema salomônico. Não há no mundo indivíduo mais tenso e dividido do que você.

De uma forma ou de outra, tentaremos fazer justiça para o nosso lendário 10.

Está no nosso sangue não aliviar nem com quem amamos. É um mal incurável. Compaixão não existe na guerra. 

CARPINEJAR

29 de Junho de 2026
CLÁUDIA LAITANO

Friolência

Mudei eu ou mudou o frio? O minuano da razão sopra no meu ouvido que o inverno gaúcho é isso aí mesmo - e que ao contrário das chuvas de 2024 provavelmente não se pode colocar esse martírio invisível na conta das mudanças climáticas. Ou pode?

Mudei eu então. De idade, algumas dezenas de vezes, e de país, nos últimos cinco anos. O fato é que em algum momento, seja por falta de prática ou excesso de quilometragem nos ossos, desaprendi a invernar com o devido estoicismo em Porto Alegre. Dentro ou fora de casa, já não há japona que me acuda ou aquecedor que me baste.

Desde que me mudei para os Estados Unidos, em 2021, tenho voltado todos os anos para passar uma temporada na casa de cá. Essas visitas eram sempre em março, quando o verão ainda combate, e as cobertas só saem do armário para que os ácaros tomem banho de sol. 

Este ano, por motivos de verão texano (mais quente, mais abafado e mais longo do que o verão gaúcho, se é que vocês me acreditam) e Copa do Mundo (torcer com os amigos daqui sempre foi a melhor parte de qualquer Copa), decidi vir em junho e ficar até o final de julho. Afinal, que mal pode fazer um friozinho subtropical para quem já se acostumou com a neve na porta de casa? (Sim, também neva na parte do Texas onde eu moro.) Subestimei um fato empiricamente comprovado por todos os gaúchos expatriados: há invernos muito mais rigorosos, mas só o nosso rengueia o cusco.

O problema prático mais óbvio é a calefação insuficiente. Aquele split que salva da agonia as noites de Forno Alegre sente-se moralmente desobrigado de trabalhar com o mesmo empenho no inverno. Fica ali, preguiçoso, soprando um arzinho morno que não aquece direito o ambiente nem justifica o gasto extra na conta de luz. Poderia pensar que o problema é só comigo se todo mundo que eu encontro não reclamasse das mesmas coisas: as roupas que não secam, o ar que não aquece, os lugares públicos mais gelados do que o frigorífico do súper. 

Eu sabia de tudo isso, claro, mas perdi um pouco o traquejo. Precisei sair para comprar um par novo de pantufas, aceitar um convite para comer um mocotó e repetir 17 vezes por dia a palavra "encarangado" para começar a descongelar o modo "friolência gaúcha" no meu termostato particular. Torçam por mim.

Agora, enquanto escrevo, bate um solzinho na minha janela. É um dia gelado de um céu muito azul e luminoso. E só quem já encarangou muito por aqui sabe exatamente o que isso significa.

...

Faça frio ou faça chuva, vou estar com Kátia Suman, Luís Augusto Fischer e Diego Grando amanhã, às 20h, no Bar Ocidente (Osvaldo Aranha, 960), na abertura oficial das comemorações do aniversário do Sarau Elétrico - que, muito gauchamente, estreou em uma fria noite de inverno, há 27 anos. Passa lá! _

CLÁUDIA LAITANO


29 de Junho de 2026
OPINIÃO RBS

Conforme os dados do Censo Escolar de 2025, conhecidos na sexta-feira, a taxa de abandono no Ensino Médio da rede pública no Estado foi de 2,6%. O abandono ocorre quando um aluno deixa de frequentar as aulas ao longo do ano letivo, enquanto a evasão se refere a estudantes que não voltam à escola no ano seguinte. Em 2023, era de 8,9%. No ano retrasado, caiu para 5,2%. Em 2023, a taxa gaúcha era quase três vezes superior à brasileira. Agora, com a do país em 2,5%, ficaram semelhantes.

Um dos principais motivos a levar o jovem a abandonar o Ensino Médio é a necessidade de trabalhar precocemente para auxiliar no orçamento familiar. Foi por essa constatação que os governos do Estado e federal lançaram mão nos últimos anos de programas de auxílio financeiro a alunos em situação de vulnerabilidade social, para incentivar a conclusão dos estudos.

O Piratini criou, ainda em 2021, o Todo Jovem na Escola. Hoje, beneficia mais de 80 mil estudantes. Prevê R$ 150 mensais para matriculados no Ensino Médio regular e na Educação de Jovens e Adultos e R$ 225 para quem está em escolas de tempo integral ou em cursos técnicos integrados, além de auxílio para compra de material, valor extra por aprovação e prêmios por desempenho. Com o mesmo propósito, o governo federal deu início, em 2024, ao programa Pé-de-Meia, que basicamente garante R$ 200 por mês mais R$ 1 mil a cada ano concluído. O valor anual só pode ser retirado após a formatura no Médio. Um mesmo estudante pode ser favorecido pelas duas iniciativas. Ambas foram aprovadas pelos respectivos Legislativos e são agora ferramentas de Estado.

Merece registro, ainda, a Política de Proteção à Trajetória do Estudante, apresentada em maio do ano passado pelo Piratini. Com o uso de inteligência artificial, identifica alunos em situação de risco, para que passem a ser acompanhados de perto. As ações previstas incluem diálogo com a família, acolhimento e identificação de problemas de aprendizagem, entre outras medidas, para reter o estudante e levá-lo a concluir a jornada escolar.

Ainda que não exista a comprovação por estudos de fôlego de que os programas de bolsa estão diretamente relacionados à queda do abandono, é plausível que essa relação exista. De qualquer forma, a permanência de mais estudantes nas salas de aula, em especial no Rio Grande do Sul, é esperança de futuro melhor. Jovens que deixam a escola têm a vida profissional prejudicada. Tendem a perpetuar o ciclo da pobreza. Por outro lado, ter capital humano mais bem formado e produtivo é essencial para a competitividade da economia gaúcha. Para isso, também é primordial começar a avançar de forma robusta na aprendizagem. 

OPINIÃO RBS

 Agências bancárias abrem às 9h e fecham ao meio-dia na estreia do Brasil na segunda fase do Mundial

Atendimento especial segue determinação oficial da Federação Brasileira de Bancos, em vista da partida entre Brasil e Japão pela Copa do Mundo 2026

Atendimento especial segue determinação oficial da Federação Brasileira de Bancos, em vista da partida entre Brasil e Japão pela Copa do Mundo 2026

MARCELO CAMARGO/AG?NCIA BRASIL/JC
JC
JCCom a classificação da Seleção Brasileira para o mata-mata da Copa do Mundo de 2026, o atendimento presencial nas agências bancárias de todo o Rio Grande do Sul terá um horário especial, exclusivamente nesta segunda-feira (29), quando o Brasil disputa com o Japão pelos 16 avos de final. Seguindo a determinação oficial da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), a rede bancária no Estado (incluindo instituições como Banrisul, cooperativas do Sicredi, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú, entre outros) abrirá as portas mais cedo, às 9h, e fechará o atendimento presencial às 12h.
No caso de postos de atendimento situados em locais com dinâmicas específicas, como shoppings, aeroportos ou centros comerciais, o horário de expediente será determinado caso a caso e informado diretamente por cada estabelecimento, com a devida antecedência.
De acordo com a Febraban, a flexibilização do expediente físico está respaldada pela Resolução nº 4.880 do Conselho Monetário Nacional (CMN). A medida busca conciliar a prestação de serviços à população com a segurança operacional das agências e a logística dos serviços de transporte de valores durante os dias de jogos da Seleção.
As alterações temporárias no atendimento presencial não vão impactar o ecossistema de transações eletrônicas. O diretor de Serviços e Segurança da Febraban, Raphael Mielle, reforça que as plataformas digitais e remotas, como o internet banking e os aplicativos de mobile banking, além dos terminais das salas de autoatendimento, funcionarão normalmente seguindo os critérios de cada instituição.
O sistema de pagamentos instantâneos (Pix) também continuará operando sem qualquer interrupção, disponível 24 horas por dia. A recomendação institucional é que os clientes programem suas operações com antecedência e, se possível, priorizem os canais digitais por maior conveniência, agilidade e segurança.

Aeroporto de Porto Alegre pode ter fluxo pré-pandemia com mais voos ao exterior

Fraport espera movimentar 15 mil voos até o fim da operação

Fraport espera movimentar 15 mil voos até o fim da operação

/PATRÍCIA COMUNELLO/ESPECIAL/JC
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Patrícia Comunello
Patrícia Comunello
Está aberta a temporada de expectativas para o fluxo de inverno no Aeroporto Internacional Salgado Filho, o Porto Alegre Airport, como chama a concessionária Fraport Brasil, para recuperar patamares de tráfego pré-enchente de 2024. Nada como um frio mais intenso para dar as boas-vindas à maior oferta de voos internacionais, como os das aéreas Azul, Sky e Aerolíneas Argentinas. Mas há também ampliação da Copa Airlines e TAP Air e de ligações domésticas, segundo a Fraport e apuração da coluna Minuto Varejo.
A Fraport espera movimentar 15 mil voos no total da operação de junho a agosto, trimestre da temporada da atual estação. Esses números sustentam a aposta da concessionária em superar 2 milhões de passageiros nesse período, retomando o patamar pré-enchente de 2024, segundo dados buscados pelo Minuto Varejo no site da concessionária. Se a demanda vier mais "quente", o Salgado Filho pode até ultrapassar 2019 e encostar em 2018, o melhor junho a agosto até agora
Em 2023, foi o último registro acima de 2 milhões, quando o terminal somou 2,039 milhões de passageiros. O ano de 2019 teve 2,091 milhões. Em 2018, foi o recorde: 2,143 milhões de passageiros de junho a agosto, o "trimestre" que a Fraport considera como temporada de frio. Além do front externo, há ainda a malha que ganha mais ocupantes com o tráfego para a Serra Gaúcha, vindo de outras regiões do Brasil.     
"Essa expansão é resultado do trabalho conjunto entre a concessionária e as companhias aéreas, que reconhecem o Aeroporto de Porto Alegre como importante porta de entrada para o Brasil e um elo estratégico de conexão entre diferentes países", valoriza, em nota, Pedro Navega, gerente de Aviação Comercial da Fraport Brasil.
A Azul abre o ciclo de maior oferta para o exterior. O foco é nas férias, com voos diretos para Bariloche, um dos principais destinos para quem ama frio, neve e esqui. No site da aérea, as passagens podem sair por R$ 1 mil a R$ 1,5 mil por trecho. O primeiro voo da cidade argentina chega neste fim de semana à Capital. Dia 3 de julho deve partir do Salgado Filho a primeira aeronave de volta. A previsão da Azul é de 18 voos em 40 dias, com oferta de 3,1 mil assentos.
A Aerolíneas acrescenta mais uma frequência para Buenos Aires, chegando a cinco voos diretos semanais. A Latam tem mais três frequências. "São no total oito voos semanais diretos entre Porto Alegre e a capital portenha", cita a concessionária, em nota.
A TAP passa a quatro frequências semanais para Lisboa em 7 de julho, com saídas às terças, quartas, quintas e domingos de Porto Alegre. A Copa Airlines eleva de sete para nove voos por semana para o hub da Cidade do Panamá.
Companhia chilena espera transportar 8 mil passageiros na nova temporada na Capital | FRAPORT BRASIL/DIVULGAÇÃO/JC
Companhia chilena espera transportar 8 mil passageiros na nova temporada na CapitalFRAPORT BRASIL/DIVULGAÇÃO/JC
A conexão com Santiago, no Chile, terá dez frequências semanais a partir de fim de junho. A novidade é a volta da chilena SKY, além da Latam que já faz a ligação. A Sky terá três voos semanais (segundas, sábados e domingos). "Projetamos transportar cerca de 8 mil passageiros", informou a chilena low cost à coluna, que começou a ofertar os voos em 2023.
A Fraport inclui na temporada de reforço as novas rotas sazonais, como da Azul para Maceió, em Alagoas. A Latam ampliou destinos diretos para Salvador, com mais três frequências semanais. A Gol acrescenta a ligação para Foz do Iguaçu, com duas frequências semanais. Estes dois devem permanecer na malha após agosto.
"A expansão de voos é super boa. As pessoas têm viajado muito na temporada de inverno para destinos como Chile e Argentina. Algumas datas já não têm mais lugares", observa o presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens no RS (Abav-RS), João Augusto Machado.
"Tem muita gente indo para a Europa, atrás do verão. Também teve muito movimento para a Copa do Mundo, mesmo com valores de ingresso elevados", cita Machado. "O nosso mercado está muito aquecido. As viagens viraram o grande desejo das pessoas", associa o dirigente. 

Fluxo de passageiros junho-agosto no Aeroporto de Porto Alegre:

Maior fluxo de passageiros no terminal de Porto Alegre foi em 2018 | PATRÍCIA COMUNELLO/ESPECIAL/JC
Maior fluxo de passageiros no terminal de Porto Alegre foi em 2018PATRÍCIA COMUNELLO/ESPECIAL/JC

2018: 2.143.587
2019: 2.091.531
2020: 341.702 (primeiro ano da pandemia de Covid-19)
2021: 1.263.199
2022: 1.760.115
2023: 2.039.215
2024: 229.131 (aeroporto fechado pela enchente, operação Base Aérea de Canoas)
2025: 1.938.766 
2026: mais de 2 milhões (projeção Fraport Brasil
Fonte: Fraport Brasil