sexta-feira, 28 de agosto de 2026

28 de Agosto de 2026
OPINIÃO RBS

Os pontos fortes e fracos do RS

A edição de 2026 do Ranking de Competitividade dos Estados, divulgada ontem pelo Centro de Liderança Pública (CLP), demonstra que, a despeito das preocupações com o desempenho recente e com o futuro da economia gaúcha, o Rio Grande do Sul tem trunfos que podem ser a base para a retomada do dinamismo. O trabalho traz algumas boas novas e aponta em quais aspectos é preciso evoluir para alcançar níveis mais elevados de desenvolvimento econômico e social.

No ranking geral de competitividade, o RS aparece agora na quarta posição no Brasil, após três anos em quinto. É a melhor colocação na série histórica. Em anos anteriores, como 2016 e 2021, chegou a ser o nono. A liderança é de Santa Catarina, que ultrapassou São Paulo.

Os gaúchos permaneceram em primeiro no pilar inovação. O resultado nessa dimensão é puxado por indicadores como número de patentes e estrutura de apoio à inovação. É uma informação que demonstra o potencial de o ecossistema de criação de novos produtos, serviços, processos e tecnologias se firmar como um vetor de progresso para o RS. O Estado também lidera em eficiência da máquina pública, com destaque para o baixo custo do Executivo, do Legislativo e do Judiciário em relação ao PIB. No pilar segurança pública, passou de terceiro para segundo no país. Em sustentabilidade social, permanece em quarto. Em sustentabilidade ambiental, subiu cinco posições e agora é o quinto. Em capital humano, continuou em quarto.

Um dos temas que mais inquieta no Estado é a educação. O RS perdeu três colocações e caiu para nono lugar. Um dos aspectos que atrapalhou foi o desempenho no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2023. Como a performance melhorou em 2025, é possível que a posição gaúcha, à frente, melhore.

As principais fragilidades não são novidade. Em infraestrutura, o RS é o 16º. Qualidade das rodovias, custo e qualidade da energia e preços dos combustíveis puxam para baixo. A posição geográfica, no extremo sul do país, obriga que o aprimoramento da infraestrutura seja prioridade dos gaúchos. O Estado ainda levou um tombo de 12 posições no pilar potencial de mercado. Caiu para o 24º lugar, em função principalmente da deterioração da qualidade do crédito para as pessoas físicas.

A maior desvantagem do RS permanece sendo o quadro fiscal, dimensão em que o Estado está em penúltimo no país. A despeito das reformas realizadas nos últimos anos, ainda há um longo caminho para a situação das finanças ser considerada equilibrada. Contas desajustadas se traduzem em maior dificuldade para o poder público prover os investimentos necessários para alavancar o desenvolvimento e prestar serviços satisfatórios aos cidadãos.

Mas, entre pontos fortes e fracos, nota-se que, apesar dos desafios estruturais, o RS está entre os Estados mais competitivos do Brasil. Isso significa capacidade de gerar progresso e qualidade de vida para a população, produzir empreendedorismo, reter e atrair investimentos. Resta dar atenção especial às debilidades. O ranking do CLP é um bom guia para o novo governo e os deputados e senadores que serão eleitos em outubro. 

28 de Agosto de 2026
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Excesso de pesquisas confunde o eleitor

Com a proximidade da eleição, quase todos os dias pipoca nos meios de comunicação e nas redes sociais o resultado de uma pesquisa de intenção de voto para a Presidência da República, algumas com resultados contraditórios, ainda que convergentes em relação à perspectiva de segundo turno entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Em qual delas acreditar? Em geral, os simpatizantes de um candidato acreditam na que lhes convém - e os concorrentes badalam aquelas em que aparecem melhor na foto.

Sim, na foto. Porque mesmo sendo o maior clichê de uma corrida eleitoral, pesquisa é fotografia de um determinado momento da campanha. Fotografias tiradas no mesmo momento deveriam mostrar um cenário minimamente parecido, o que no universo das pesquisas é chamado de "margem de erro", em geral de dois ou três pontos percentuais para mais e para menos.

O que desnorteia o eleitor é ver que fotografias tiradas nos mesmos dias têm apresentado resultados díspares. Aqui entra um elemento pouco falado, mas que deveria ser informado ao eleitor em letras garrafais: como é feita a coleta de dados.

No passado, os pesquisadores batiam de porta em porta para entrevistar os eleitores selecionados de acordo com o perfil dos votantes, por sexo, cor, religião, escolaridade e faixa de renda. A insegurança fechou as portas das casas para os entrevistadores. Parte dos institutos começou a fazer pesquisas por telefone, usando o número fixo, para não errar no endereço. Com o fim do telefone fixo e a disseminação dos celulares, nova mudança, esta acompanhada de uma nova forma de fazer pesquisas, os questionários pela internet.

Necessidade de cautela

Todos os institutos sustentam que com essas novas metodologias é possível filtrar os questionários e reduzir a possibilidade de erro do trabalho robotizado. Será que é mesmo? As diferenças gritantes de resultados mostram que é preciso ter cautela antes de confiar cegamente no resultado de uma pesquisa.

Quando se comparam os índices de diferentes institutos, tem-se clareza de que é preciso relativizar os números. Porque mesmo admitindo-se que existe um "intervalo de confiança de 95%", há resultados inexplicáveis. _

Aliás

O que o cidadão pode fazer neste cenário de incerteza? Não dar importância exagerada às pesquisas. Porque o eleitor pode mudar de ideia, boa parte define o voto na última hora e intenção de voto é diferente de voto na urna. Ninguém deveria escolher seu candidato no primeiro turno com base em pesquisas. O sentido da eleição em dois turnos é o eleitor votar de acordo com a sua convicção no primeiro, sem se preocupar com quem vai ganhar.

Está com alguma dúvida sobre as eleições? Pergunta pra Rosane. Este é o novo quadro em vídeo da coluna em GZH que estreou para esclarecer as regras do pleito aos leitores. Conto com a sua participação em vídeo ou por escrito.

Marjorie Kauffmann deixa a Secretaria do Meio Ambiente

Marjorie Kauffmann deixou ontem o comando da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura. A exoneração a pedido foi anunciada pelo governador Eduardo Leite nas redes sociais, com a justificativa de que Marjorie "deixa a pasta para assumir novos desafios".

O novo desafio é o cargo de diretora-superintendente do Sebrae-RS. À coluna, Marjorie confirmou ter recebido convite do presidente do Sistema Fecomércio, Luiz Carlos Bohn, para concorrer à vaga aberta com a saída de Joel Vieira Dadda e completar o mandato dele, que só terminaria em 2027.

Como a eleição é na próxima segunda-feira, ela teve de antecipar a saída do governo porque precisa estar liberada para concorrer ao cargo. Trata-se de uma formalidade, porque a diretoria já está com o currículo e Marjorie deve ser aprovada por unanimidade.

- Saio com a sensação de dever cumprido - disse Marjorie. - Foram 2.742 dias (entre a Fepam e a Sema), em que conseguimos muitos avanços. Um deles, a subida no ranking de competitividade, graças à qualificação dos processos e à aceleração dos licenciamentos.

Marjorie será substituída por Isa Carla Osterkamp, que tem mestrado e doutorado em Ciências - Ambiente e Desenvolvimento, com MBA em ESG e Inovação e pós-graduação em Energias Renováveis. Isa já atuou como coordenadora da Assessoria Técnica da Sema e foi secretária-executiva do Programa Estadual de Hidrogênio Verde, além de ter desempenhado papel fundamental nas enchentes de 2023 e 2024. _

RS avança em ranking de competitividade

O Rio Grande do Sul passou para o quarto lugar entre as 27 unidades da federação no Ranking de Competitividade elaborado pelo Centro de Liderança Pública. Esse resultado garantiu ao Estado a conquista do Prêmio Excelência em Competitividade, com política voltada à retomada de microempreendedores atingidos pelas enchentes.

De acordo com o estudo, o RS subiu da quinta para a quarta colocação geral, consolidando trajetória de avanço iniciada nos últimos anos. Em 2021, o Rio Grande do Sul ocupava a nona posição no ranking nacional. O resultado foi divulgado ontem, durante evento na Casa Natura Musical, em São Paulo, que reuniu governadores, pesquisadores e representantes da administração pública.

O ranking reúne 68 indicadores distribuídos em 10 pilares que avaliam diferentes dimensões da capacidade dos Estados de promover desenvolvimento, qualidade dos serviços públicos e bem-estar da população. 

Lula virá ao Estado no próximo dia 11

Foi confirmada a nova data do comício do presidente Lula (PT) em Porto Alegre. Anteriormente previsto para hoje, o primeiro ato de campanha no RS do petista será no dia 11 de setembro. Inicialmente, a agenda incluía atividade hoje, mas a previsão de chuva levou ao adiamento. De acordo com a coordenação da campanha no Estado, a intenção é que o ato ocorra em local aberto, ainda não definido. _

Comício de Flávio será no Parcão

O local escolhido para o comício de Flávio Bolsonaro em Porto Alegre não poderia ser outro: o Parque Moinhos de Vento (Parcão), tradicional palco da direita.

O ato começa às 18h do dia 2 de setembro. No mesmo dia, Flávio deve visitar a Expointer e gravar vídeos de campanha. Para evitar impacto no trânsito, a ideia é realizar o comício no interior do Parcão, sem trancar a Avenida Goethe. _

POLÍTICA E PODER

28 de Agosto de 2026
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

É absurda a ideia de o Brasil ter bomba atômica

O candidato do Missão à Presidência, Renan Santos, defendeu, na entrevista à TV Globo, na quarta-feira, que o Brasil crie um programa nuclear voltado à eventual produção de armas atômicas. A ideia é estapafúrdia do ponto de vista estratégico, embora não seja nova - lembra o candidato Enéas, do Prona, nos anos 1980? - e volta e meia encontre respaldo entre parte dos militares.

Santos afirmou que armas nucleares ampliariam a soberania e o peso internacional do Brasil. Sem dúvida, mas a que custo?

O Brasil é signatário do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP) desde 1998, no qual assumiu compromisso perante o mundo de não desenvolver armas desse tipo. Começar um processo como esse significaria rasgar o acordo e se transformar em pária internacional, como o Irã e a Coreia do Norte.

Há ainda dois agravantes: o desenvolvimento de um arsenal do tipo colocaria o Brasil no alvo direto de uma intervenção dos Estados Unidos, potência hegemônica no continente. Nenhum dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU permitiria - nem a China. Sem falar que despertaria uma corrida nuclear na América do Sul e no Caribe, considerado um território de relativa paz. Reacenderia uma disputa geopolítica com a Argentina, já vista no passado.

Ao longo da sua história, o Brasil teve oportunidades de fazer parte desse seleto clube de países armados com a bomba A - mas nunca levou adiante, de forma concreta, os planos. A própria demora em assinar o TNP (aberto para assinatura em 1º de julho de 1968 e entrou em vigor em 5 de março de 1970) levou a desconfianças internacionais durante a ditadura militar.

Histórico

Nos anos 1970, o Brasil desenvolveu um programa nuclear para fins pacíficos, que contou com a assinatura de um acordo com a Alemanha, com transferência de nove centrais atômicas para o território nacional e todo o ciclo de produção do combustível nuclear.

São, hoje, conhecidos planos sigilosos da época, dentro da Aeronáutica, que buscou desenvolver explosivos usados para abrir poços de petróleo ou desviar rios. O objetivo, em tese, seria civil, mas a tecnologia também pode ter como objetivo um arsenal militar, o famoso "dual use" (uso dual), na linguagem estratégica. Que o diga a Índia, que, a partir de um programa pacífico, se tornou um dos mais novos atores nucleares do grupo diminuto de potências nucleares, que inclui ainda Paquistão, Coreia do Norte, Israel (embora não admita) e os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU - EUA, Reino Unido, França, China e Rússia.

Uma das evidências da existência desse programa secreto brasileiro eram túneis construídos na Serra do Cachimbo, no sul do Pará. Nunca ficou claro sobre o quão sério os militares brasileiros estavam empenhados em construir uma bomba atômica brasileira como parte desse projeto.

Em 1990, o então presidente Fernando Collor foi à Serra do Cachimbo e enterrou os poços construídos pela Aeronáutica. Dias depois, ele viajou para a Assembleia Geral da ONU e fez um discurso ressaltando as ambições pacíficas do projeto nuclear brasileiro.

De tempos em tempos, políticos ressuscitam discursos como o de Renan em busca de chamar atenção - em geral, conseguem. Além de todos os aspectos estratégicos contrários à ideia, há outro tão importante quanto: desenvolver um programa nuclear que leve ao enriquecimento de urânio para ter a bomba atômica é apenas um passo. Uma coisa é ter a bomba, a outra é dispor de condições para dispará-la. E tudo isso é muito caro, na casa dos bilhões. O Brasil tem problemas maiores e bem mais urgentes que exigem investimento. _

Rio Grande

do Sul na tela da "Times Square" de Xangai

Um vídeo com dados sobre os potenciais econômicos do RS foi exibido ontem na Century Plaza, uma das principais áreas comerciais da China, conhecida como a "Times Square" de Xangai.

A ação ocorreu durante a missão da Invest RS à China. A região, no entorno da Nanjing Road, é conhecida pelo movimento e forte presença de publicidade e grandes telas, que lembram a famosa área de Manhattan, em Nova York.

Nesta semana, a Invest RS oficializou o lançamento de uma representação em Xangai, com o objetivo de fortalecer o relacionamento institucional entre o Estado e parceiros chineses. _

Porto Alegre: capital mais competitiva

Porto Alegre está entre as três cidades mais competitivas do Brasil, segundo o Ranking de Competitividade dos Municípios de 2026, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP). A capital gaúcha avançou uma posição em relação ao ano anterior. O levantamento reúne indicadores que impactam a capacidade de desenvolvimento das cidades, considerando pilares como eficiência da máquina pública, capital humano, inovação, dinamismo econômico, saúde, educação, segurança, sustentabilidade e saneamento. _

Plano para a Defesa até 2050

O Ministério da Defesa instituiu, por meio de portaria publicada ontem no Diário Oficial, a criação do Grupo de Trabalho responsável por elaborar o Cenário Militar de Defesa 2028-2050. A iniciativa visa identificar ameaças, oportunidades e desafios geopolíticos que impactarão a segurança e a soberania do país nas próximas décadas. Entre as atribuições do grupo estão: identificar e aplicar instrumentos para mapear tendências e incertezas no setor; apresentar contextos, variáveis e atores cujas evoluções possam impactar a atuação das Forças Armadas; e utilizar ferramentas de prospectiva e redes de pesquisa em áreas de interesse da defesa nacional. 

Reflexões psicológicas sobre a enchente

Equilibrando ciência, história e uma abordagem psicológica da maior catástrofe climática do Rio Grande do Sul, a historiadora e psicoterapeuta Angélica Boff está lançando o livro A enchente que não acabou - O que a tragédia revela sobre nós (Carta Editora).

O trabalho traz uma abordagem até agora inédita: reflexões profundas sobre o durante e o depois do dilúvio gaúcho de 2024. Com escuta atenta, Angélica buscou ouvir 19 histórias de pessoas que viveram a tragédia.

O livro está em pré-venda, com valor promocional de R$ 50 (frete grátis) no site da editora. O lançamento deve ser em outubro, em data ainda a ser definida. _

INFORME ESPECIAL

28 de Agosto de 2026
MARCO MATOS

O entrevistado fui eu

Vim aqui contar uma história que aconteceu comigo nas últimas semanas e como um bate-papo despretensioso se transformou em algo surpreendente, capaz de ajudar a curar algumas feridas profundas da percepção que tenho de mim mesmo.

Sou acostumado a olhar para o outro. Fui treinado para entrevistar, para encontrar na história alheia pontos que possam interessar ao grande público. Faço isso todos os dias há quase 15 anos, desde que me formei em Jornalismo. Aprendi a escutar, a observar e, muitas vezes, a fazer as perguntas. Raramente sou eu quem precisa respondê-las.

O causo que quero compartilhar hoje com vocês é sobre a minha participação no podcast do Luciano Potter, o Potter Entrevista (que, aliás, está disponível no YouTube. Vai lá assistir!).

Primeiro, deixa eu explicar quem é o Potter para mim. É o cara que eu escuto desde a adolescência, nos tempos da Rádio Atlântida, do início do Pretinho Básico e de programas de TV como o Patrola. Uma referência para qualquer guri da minha idade. Eu tenho 35 anos; ele, 47. Embora eu trabalhe na TV há bastante tempo, poucas vezes encontrei o Potter na empresa.

Durante muito tempo associei o Potter ao bom humor, aos papos leves e descontraídos. Por isso, quando cheguei para a gravação, imaginei uma conversa nessa linha. Bastaram os primeiros minutos para perceber que seria diferente. Ele tinha estudado sobre a minha vida e parecia genuinamente interessado em conhecer partes da minha personalidade que costumo guardar para mim.

Me senti confortável para falar. Falei, inclusive, coisas que até então só tinham aparecido na terapia. Dei opinião sobre como percebo o preconceito hoje em dia, contei sobre escolhas que mudaram o rumo da minha vida e também toquei no ponto mais delicado da minha memória: o bullying que sofri na escola por ser gay.

Ao sair dali, fiquei pensando em como a gente carrega determinadas dores por anos, às vezes décadas, sem perceber o peso que elas ainda exercem sobre nós. A conversa me lembrou da importância de verbalizar aquilo que nos incomoda e de como, muitas vezes, processamos melhor os sentimentos quando ouvimos a nós mesmos dizendo as coisas em voz alta.

Em certo momento, até corrigi uma colocação dele sobre "opção" sexual e tive a oportunidade de explicar que sexualidade não é uma escolha. Potter ouviu, reconheceu o ponto e fez o que um grande comunicador deve fazer: me deixou confortável.

Talvez essa tenha sido a grande surpresa daquela tarde. Não a entrevista em si, mas a sensação de ter sido escutado de verdade.

Ainda ganhei uma carona pra voltar pra casa e uma chuva de comentários positivos e mensagens de apoio nas minhas redes.

Como é bom conversar. 

MARCO MATOS

28 de Agosto de 2026
OPINIÃO RBS

Os pontos fortes e fracos do RS

A edição de 2026 do Ranking de Competitividade dos Estados, divulgada ontem pelo Centro de Liderança Pública (CLP), demonstra que, a despeito das preocupações com o desempenho recente e com o futuro da economia gaúcha, o Rio Grande do Sul tem trunfos que podem ser a base para a retomada do dinamismo. O trabalho traz algumas boas novas e aponta em quais aspectos é preciso evoluir para alcançar níveis mais elevados de desenvolvimento econômico e social.

No ranking geral de competitividade, o RS aparece agora na quarta posição no Brasil, após três anos em quinto. É a melhor colocação na série histórica. Em anos anteriores, como 2016 e 2021, chegou a ser o nono. A liderança é de Santa Catarina, que ultrapassou São Paulo.

Os gaúchos permaneceram em primeiro no pilar inovação. O resultado nessa dimensão é puxado por indicadores como número de patentes e estrutura de apoio à inovação. É uma informação que demonstra o potencial de o ecossistema de criação de novos produtos, serviços, processos e tecnologias se firmar como um vetor de progresso para o RS. O Estado também lidera em eficiência da máquina pública, com destaque para o baixo custo do Executivo, do Legislativo e do Judiciário em relação ao PIB. No pilar segurança pública, passou de terceiro para segundo no país. Em sustentabilidade social, permanece em quarto. Em sustentabilidade ambiental, subiu cinco posições e agora é o quinto. Em capital humano, continuou em quarto.

Um dos temas que mais inquieta no Estado é a educação. O RS perdeu três colocações e caiu para nono lugar. Um dos aspectos que atrapalhou foi o desempenho no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2023. Como a performance melhorou em 2025, é possível que a posição gaúcha, à frente, melhore.

As principais fragilidades não são novidade. Em infraestrutura, o RS é o 16º. Qualidade das rodovias, custo e qualidade da energia e preços dos combustíveis puxam para baixo. A posição geográfica, no extremo sul do país, obriga que o aprimoramento da infraestrutura seja prioridade dos gaúchos. O Estado ainda levou um tombo de 12 posições no pilar potencial de mercado. Caiu para o 24º lugar, em função principalmente da deterioração da qualidade do crédito para as pessoas físicas.

A maior desvantagem do RS permanece sendo o quadro fiscal, dimensão em que o Estado está em penúltimo no país. A despeito das reformas realizadas nos últimos anos, ainda há um longo caminho para a situação das finanças ser considerada equilibrada. Contas desajustadas se traduzem em maior dificuldade para o poder público prover os investimentos necessários para alavancar o desenvolvimento e prestar serviços satisfatórios aos cidadãos.

Mas, entre pontos fortes e fracos, nota-se que, apesar dos desafios estruturais, o RS está entre os Estados mais competitivos do Brasil. Isso significa capacidade de gerar progresso e qualidade de vida para a população, produzir empreendedorismo, reter e atrair investimentos. Resta dar atenção especial às debilidades. O ranking do CLP é um bom guia para o novo governo e os deputados e senadores que serão eleitos em outubro. 

28 de Agosto de 2026
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Excesso de pesquisas confunde o eleitor

Com a proximidade da eleição, quase todos os dias pipoca nos meios de comunicação e nas redes sociais o resultado de uma pesquisa de intenção de voto para a Presidência da República, algumas com resultados contraditórios, ainda que convergentes em relação à perspectiva de segundo turno entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Em qual delas acreditar? Em geral, os simpatizantes de um candidato acreditam na que lhes convém - e os concorrentes badalam aquelas em que aparecem melhor na foto.

Sim, na foto. Porque mesmo sendo o maior clichê de uma corrida eleitoral, pesquisa é fotografia de um determinado momento da campanha. Fotografias tiradas no mesmo momento deveriam mostrar um cenário minimamente parecido, o que no universo das pesquisas é chamado de "margem de erro", em geral de dois ou três pontos percentuais para mais e para menos.

O que desnorteia o eleitor é ver que fotografias tiradas nos mesmos dias têm apresentado resultados díspares. Aqui entra um elemento pouco falado, mas que deveria ser informado ao eleitor em letras garrafais: como é feita a coleta de dados.

No passado, os pesquisadores batiam de porta em porta para entrevistar os eleitores selecionados de acordo com o perfil dos votantes, por sexo, cor, religião, escolaridade e faixa de renda. A insegurança fechou as portas das casas para os entrevistadores. Parte dos institutos começou a fazer pesquisas por telefone, usando o número fixo, para não errar no endereço. Com o fim do telefone fixo e a disseminação dos celulares, nova mudança, esta acompanhada de uma nova forma de fazer pesquisas, os questionários pela internet.

Necessidade de cautela

Todos os institutos sustentam que com essas novas metodologias é possível filtrar os questionários e reduzir a possibilidade de erro do trabalho robotizado. Será que é mesmo? As diferenças gritantes de resultados mostram que é preciso ter cautela antes de confiar cegamente no resultado de uma pesquisa.

Quando se comparam os índices de diferentes institutos, tem-se clareza de que é preciso relativizar os números. Porque mesmo admitindo-se que existe um "intervalo de confiança de 95%", há resultados inexplicáveis. _

Aliás

O que o cidadão pode fazer neste cenário de incerteza? Não dar importância exagerada às pesquisas. Porque o eleitor pode mudar de ideia, boa parte define o voto na última hora e intenção de voto é diferente de voto na urna. Ninguém deveria escolher seu candidato no primeiro turno com base em pesquisas. O sentido da eleição em dois turnos é o eleitor votar de acordo com a sua convicção no primeiro, sem se preocupar com quem vai ganhar.

Está com alguma dúvida sobre as eleições? Pergunta pra Rosane. Este é o novo quadro em vídeo da coluna em GZH que estreou para esclarecer as regras do pleito aos leitores. Conto com a sua participação em vídeo ou por escrito.

Marjorie Kauffmann deixa a Secretaria do Meio Ambiente

Marjorie Kauffmann deixou ontem o comando da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura. A exoneração a pedido foi anunciada pelo governador Eduardo Leite nas redes sociais, com a justificativa de que Marjorie "deixa a pasta para assumir novos desafios".

O novo desafio é o cargo de diretora-superintendente do Sebrae-RS. À coluna, Marjorie confirmou ter recebido convite do presidente do Sistema Fecomércio, Luiz Carlos Bohn, para concorrer à vaga aberta com a saída de Joel Vieira Dadda e completar o mandato dele, que só terminaria em 2027.

Como a eleição é na próxima segunda-feira, ela teve de antecipar a saída do governo porque precisa estar liberada para concorrer ao cargo. Trata-se de uma formalidade, porque a diretoria já está com o currículo e Marjorie deve ser aprovada por unanimidade.

- Saio com a sensação de dever cumprido - disse Marjorie. - Foram 2.742 dias (entre a Fepam e a Sema), em que conseguimos muitos avanços. Um deles, a subida no ranking de competitividade, graças à qualificação dos processos e à aceleração dos licenciamentos.

Marjorie será substituída por Isa Carla Osterkamp, que tem mestrado e doutorado em Ciências - Ambiente e Desenvolvimento, com MBA em ESG e Inovação e pós-graduação em Energias Renováveis. Isa já atuou como coordenadora da Assessoria Técnica da Sema e foi secretária-executiva do Programa Estadual de Hidrogênio Verde, além de ter desempenhado papel fundamental nas enchentes de 2023 e 2024. _

RS avança em ranking de competitividade

O Rio Grande do Sul passou para o quarto lugar entre as 27 unidades da federação no Ranking de Competitividade elaborado pelo Centro de Liderança Pública. Esse resultado garantiu ao Estado a conquista do Prêmio Excelência em Competitividade, com política voltada à retomada de microempreendedores atingidos pelas enchentes.

De acordo com o estudo, o RS subiu da quinta para a quarta colocação geral, consolidando trajetória de avanço iniciada nos últimos anos. Em 2021, o Rio Grande do Sul ocupava a nona posição no ranking nacional. O resultado foi divulgado ontem, durante evento na Casa Natura Musical, em São Paulo, que reuniu governadores, pesquisadores e representantes da administração pública.

O ranking reúne 68 indicadores distribuídos em 10 pilares que avaliam diferentes dimensões da capacidade dos Estados de promover desenvolvimento, qualidade dos serviços públicos e bem-estar da população. 

Lula virá ao Estado no próximo dia 11

Foi confirmada a nova data do comício do presidente Lula (PT) em Porto Alegre. Anteriormente previsto para hoje, o primeiro ato de campanha no RS do petista será no dia 11 de setembro. Inicialmente, a agenda incluía atividade hoje, mas a previsão de chuva levou ao adiamento. De acordo com a coordenação da campanha no Estado, a intenção é que o ato ocorra em local aberto, ainda não definido. _

Comício de Flávio será no Parcão

O local escolhido para o comício de Flávio Bolsonaro em Porto Alegre não poderia ser outro: o Parque Moinhos de Vento (Parcão), tradicional palco da direita.

O ato começa às 18h do dia 2 de setembro. No mesmo dia, Flávio deve visitar a Expointer e gravar vídeos de campanha. Para evitar impacto no trânsito, a ideia é realizar o comício no interior do Parcão, sem trancar a Avenida Goethe. _

POLÍTICA E PODER

28 de Agosto de 2026
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

É absurda a ideia de o Brasil ter bomba atômica

O candidato do Missão à Presidência, Renan Santos, defendeu, na entrevista à TV Globo, na quarta-feira, que o Brasil crie um programa nuclear voltado à eventual produção de armas atômicas. A ideia é estapafúrdia do ponto de vista estratégico, embora não seja nova - lembra o candidato Enéas, do Prona, nos anos 1980? - e volta e meia encontre respaldo entre parte dos militares.

Santos afirmou que armas nucleares ampliariam a soberania e o peso internacional do Brasil. Sem dúvida, mas a que custo?

O Brasil é signatário do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP) desde 1998, no qual assumiu compromisso perante o mundo de não desenvolver armas desse tipo. Começar um processo como esse significaria rasgar o acordo e se transformar em pária internacional, como o Irã e a Coreia do Norte.

Há ainda dois agravantes: o desenvolvimento de um arsenal do tipo colocaria o Brasil no alvo direto de uma intervenção dos Estados Unidos, potência hegemônica no continente. Nenhum dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU permitiria - nem a China. Sem falar que despertaria uma corrida nuclear na América do Sul e no Caribe, considerado um território de relativa paz. Reacenderia uma disputa geopolítica com a Argentina, já vista no passado.

Ao longo da sua história, o Brasil teve oportunidades de fazer parte desse seleto clube de países armados com a bomba A - mas nunca levou adiante, de forma concreta, os planos. A própria demora em assinar o TNP (aberto para assinatura em 1º de julho de 1968 e entrou em vigor em 5 de março de 1970) levou a desconfianças internacionais durante a ditadura militar.

Histórico

Nos anos 1970, o Brasil desenvolveu um programa nuclear para fins pacíficos, que contou com a assinatura de um acordo com a Alemanha, com transferência de nove centrais atômicas para o território nacional e todo o ciclo de produção do combustível nuclear.

São, hoje, conhecidos planos sigilosos da época, dentro da Aeronáutica, que buscou desenvolver explosivos usados para abrir poços de petróleo ou desviar rios. O objetivo, em tese, seria civil, mas a tecnologia também pode ter como objetivo um arsenal militar, o famoso "dual use" (uso dual), na linguagem estratégica. Que o diga a Índia, que, a partir de um programa pacífico, se tornou um dos mais novos atores nucleares do grupo diminuto de potências nucleares, que inclui ainda Paquistão, Coreia do Norte, Israel (embora não admita) e os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU - EUA, Reino Unido, França, China e Rússia.

Uma das evidências da existência desse programa secreto brasileiro eram túneis construídos na Serra do Cachimbo, no sul do Pará. Nunca ficou claro sobre o quão sério os militares brasileiros estavam empenhados em construir uma bomba atômica brasileira como parte desse projeto.

Em 1990, o então presidente Fernando Collor foi à Serra do Cachimbo e enterrou os poços construídos pela Aeronáutica. Dias depois, ele viajou para a Assembleia Geral da ONU e fez um discurso ressaltando as ambições pacíficas do projeto nuclear brasileiro.

De tempos em tempos, políticos ressuscitam discursos como o de Renan em busca de chamar atenção - em geral, conseguem. Além de todos os aspectos estratégicos contrários à ideia, há outro tão importante quanto: desenvolver um programa nuclear que leve ao enriquecimento de urânio para ter a bomba atômica é apenas um passo. Uma coisa é ter a bomba, a outra é dispor de condições para dispará-la. E tudo isso é muito caro, na casa dos bilhões. O Brasil tem problemas maiores e bem mais urgentes que exigem investimento. _

Rio Grande

do Sul na tela da "Times Square" de Xangai

Um vídeo com dados sobre os potenciais econômicos do RS foi exibido ontem na Century Plaza, uma das principais áreas comerciais da China, conhecida como a "Times Square" de Xangai.

A ação ocorreu durante a missão da Invest RS à China. A região, no entorno da Nanjing Road, é conhecida pelo movimento e forte presença de publicidade e grandes telas, que lembram a famosa área de Manhattan, em Nova York.

Nesta semana, a Invest RS oficializou o lançamento de uma representação em Xangai, com o objetivo de fortalecer o relacionamento institucional entre o Estado e parceiros chineses. _

Porto Alegre: capital mais competitiva

Porto Alegre está entre as três cidades mais competitivas do Brasil, segundo o Ranking de Competitividade dos Municípios de 2026, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP). A capital gaúcha avançou uma posição em relação ao ano anterior. O levantamento reúne indicadores que impactam a capacidade de desenvolvimento das cidades, considerando pilares como eficiência da máquina pública, capital humano, inovação, dinamismo econômico, saúde, educação, segurança, sustentabilidade e saneamento. _

Plano para a Defesa até 2050

O Ministério da Defesa instituiu, por meio de portaria publicada ontem no Diário Oficial, a criação do Grupo de Trabalho responsável por elaborar o Cenário Militar de Defesa 2028-2050. A iniciativa visa identificar ameaças, oportunidades e desafios geopolíticos que impactarão a segurança e a soberania do país nas próximas décadas. Entre as atribuições do grupo estão: identificar e aplicar instrumentos para mapear tendências e incertezas no setor; apresentar contextos, variáveis e atores cujas evoluções possam impactar a atuação das Forças Armadas; e utilizar ferramentas de prospectiva e redes de pesquisa em áreas de interesse da defesa nacional. 

Reflexões psicológicas sobre a enchente

Equilibrando ciência, história e uma abordagem psicológica da maior catástrofe climática do Rio Grande do Sul, a historiadora e psicoterapeuta Angélica Boff está lançando o livro A enchente que não acabou - O que a tragédia revela sobre nós (Carta Editora).

O trabalho traz uma abordagem até agora inédita: reflexões profundas sobre o durante e o depois do dilúvio gaúcho de 2024. Com escuta atenta, Angélica buscou ouvir 19 histórias de pessoas que viveram a tragédia.

O livro está em pré-venda, com valor promocional de R$ 50 (frete grátis) no site da editora. O lançamento deve ser em outubro, em data ainda a ser definida. _

INFORME ESPECIAL

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

OPINIÃO RBS

Nova oportunidade para o diálogo

Diante do recrudescimento das tensões entre EUA e Brasil nas últimas semanas, é bem-vinda a perspectiva de retomada do diálogo entre os dois governos sobre comércio. A oportunidade para uma nova rodada de negociações surgiu após a conversa por telefone, na sexta-feira, entre os presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva. Em seguida, o representante comercial norte-americano, Jamieson Greer, contatou o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. Eles terão uma reunião virtual na segunda-feira para avançar em temas técnicos relacionados às tarifas adicionais impostas pela Casa Branca sobre produtos industriais brasileiros no mês passado.

Um progresso efetivo em busca da superação do impasse depende da existência de disposição real de transigir de lado a lado e de reconhecimento pelos EUA, em alguma medida, de que a agressão tarifária contra o Brasil é descabida e contraproducente. Embora o histórico das tratativas entre os dois governos recomende certa cautela quanto a resultados, aguarda-se que desta vez a volta à mesa de negociações produza resultados concretos. Ao Brasil, cabe definir em quais pontos é possível maleabilidade e aqueles que não estão em questão.

Ainda assim, decisões imediatas não devem ser esperadas. Um objetivo plausível, adiante, é elevar a lista de exceções aos mais recentes tarifaços contra o Brasil, em julho. Primeiro, foi aplicada uma taxa de 25% sobre cerca de 4 mil produtos, após uma investigação comercial sobre supostas práticas desleais. Depois, o país recebeu uma nova oneração de 12,5% pela acusação de falhas na fiscalização da importação de bens produzidos sob trabalho forçado.

A hostilidade norte-americana atinge em cheio o Rio Grande do Sul, pouco contemplado com o rol de exceções. Itens relevantes da pauta de exportação, como fumo e calçados, sofrem punição dupla, de 37,5%. O Estado já perdeu um volume significativo de negócios desde a primeira ofensiva comercial da Casa Branca, no ano passado. De agosto de 2025 ao último mês, os embarques do Rio Grande do Sul para os EUA foram US$ 561,4 milhões menores em relação ao montante vendido nos 12 meses anteriores à adoção das primeiras sobretaxas. A queda de 29,1% corresponde a mais de R$ 2,8 bilhões.

A conversa entre Trump e Lula foi descrita pelo Planalto como cordial. A despeito das diferenças políticas dos dois governos, os presidentes conseguem manter uma relação pessoal respeitosa. A postura de maior agressividade contra o Brasil parte de figuras como o secretário de Estado, Marco Rubio, mais atento às questões ideológicas da América Latina.

Será preciso aguardar para verificar se a orientação de Trump para o diálogo se traduzirá em atitudes nesse sentido por parte de seus subordinados. Lula também terá de modular o tom no uso da retórica da soberania nos discursos eleitorais. Mas é inequívoco que negociar, desde que esse propósito seja sincero dos dois lados da mesa, pode produzir melhores resultados do que revidar ou recorrer à engessada Organização Mundial do Comércio (OMC). É provável, no entanto, que avanços concretos ocorram apenas após a eleição brasileira, seja qual for o resultado do pleito.  

27 de Agosto de 2026
EM FOCO

EM FOCO

O crescimento do uso de ferramentas digitais na política levou o Tribunal Superior Eleitoral a discutir critérios mais claros para conteúdos manipulados. A proposta em análise diferencia produções claramente fantasiosas de materiais com aparência de fato real. Se adotada, poderá orientar julgamentos futuros

Mendonça propõe critérios para definir deepfake nas eleições

O ministro André Mendonça, vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), propôs uma tese para estabelecer critérios objetivos que indiquem quando conteúdos produzidos ou alterados por inteligência artificial (IA) devem ser classificados como deepfake e proibidos durante as eleições. Para o ministro, o simples uso de IA não é suficiente para caracterizar uma irregularidade. É necessário que a manipulação tenha grau de realismo capaz de fazer o material parecer um registro verdadeiro.

A proposta foi apresentada em uma decisão individual na terça-feira e ainda será submetida ao plenário do TSE. A expectativa é de que o tema não entre na sessão presencial de hoje, já que a pauta está definida, e que a análise ocorra no plenário virtual. Caso algum ministro peça destaque, porém, a discussão poderá ser transferida para uma sessão no Tribunal.

Se aprovada, a tese poderá orientar juízes eleitorais e tribunais regionais na análise de casos envolvendo inteligência artificial durante a campanha de 2026. Mendonça justificou a iniciativa em razão da possibilidade de aumento expressivo de processos relacionados ao uso de IA nas eleições. Segundo ele, a definição de parâmetros comuns é necessária para ampliar a segurança jurídica e evitar decisões divergentes.

Ação do PL

Mendonça apresentou a tese ao analisar uma ação apresentada pelo candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) contra o perfil @forabolsonaronacional, no Instagram. A conta publicou, em 11 de agosto, um vídeo produzido com IA no qual imagens de Flávio Bolsonaro aparecem inseridas em situações que não ocorreram. Na gravação, um intérprete fala em primeira pessoa como se fosse o banqueiro Daniel Vorcaro e associa o senador a um suposto acordo financeiro e ao esquema conhecido como "rachadinhas".

Mendonça determinou que o perfil responsável pela publicação e a Meta retirem o conteúdo do ar no prazo de 24 horas, sob pena de multa diária, além de impedir novas reproduções. A plataforma também precisou apresentar os dados cadastrais capazes de identificar o titular da conta e manter preservados os registros e metadados relacionados às publicações.

Após a decisão do caso envolvendo Flávio Bolsonaro, Mendonça propôs uma distinção entre o conteúdo factual e a mera conjectura como um dos parâmetros para avaliar se uma produção feita ou manipulada por IA ultrapassa os limites estabelecidos pela legislação eleitoral e pode ser classificada como deepfake.

Distinção

A proposta estabelece uma distinção entre conteúdos sintéticos, que podem ser utilizados sob determinadas condições, e deepfakes, submetidos a uma proibição mais rígida quando empregados para favorecer ou prejudicar uma candidatura.

Na avaliação de Mendonça, deve ser considerado deepfake o conteúdo que alcance um nível de realismo ou verossimilhança capaz de ser confundido com um registro real, dentro do seu contexto de divulgação. Se a natureza artificial ou fantasiosa estiver evidente, a produção não deve ser enquadrada como deepfake apenas por ter utilizado IA.

A interpretação, na prática, abre espaço para diferenciar manipulações realistas de memes, caricaturas, animações e outras produções assumidamente fantasiosas. Para o ministro, classificar automaticamente como deepfake todo conteúdo produzido ou alterado por IA esvaziaria a própria distinção prevista nas regras eleitorais entre materiais sintéticos permitidos, desde que devidamente identificados, e aqueles cuja utilização é vedada.

Outro ponto destacado por Mendonça é que não seria necessário provar que um eleitor efetivamente foi enganado pelo conteúdo. _

Uso de IA ainda divide parte dos ministros

O uso de deepfake é atualmente proibido pelo TSE e já tem uma definição que consta em resolução aprovada em março para o pleito de 2026, a despeito da proposta de Mendonça. Segundo o documento, "é proibido o uso, para prejudicar ou para favorecer candidatura, de conteúdo sintético em formato de áudio, vídeo ou combinação de ambos, que tenha sido gerado ou manipulado digitalmente, ainda que mediante autorização, para criar, substituir ou alterar imagem ou voz de pessoa viva, falecida ou fictícia (deepfake)".

Foi com base nisso que o PT entrou com uma ação que questiona a utilização de um vídeo com imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro criado por IA que foi apresentado em convenção do PL que apresentou Flávio Bolsonaro como candidato à presidência. O fato fez ganhar força entre os ministros do TSE a preocupação com o uso de IA, seus limites e sanções na campanha eleitoral. Na semana passada, estiveram reunidos a portas fechadas para tratar sobre o tema, mas ainda não foi marcada uma data para o julgamento.

Restrição mais ampla

O texto da resolução, entretanto, é mais brando quanto ao uso de IA de forma geral, ressaltando que sua utilização "para criar, substituir, omitir, mesclar ou alterar a velocidade ou sobrepor imagens ou sons impõe ao responsável pela propaganda o dever de informar, de modo explícito, destacado e acessível que o conteúdo foi fabricado ou manipulado e a tecnologia utilizada". A defesa da campanha de Flávio tem se apoiado nisso, justificando que o conteúdo com Jair Bolsonaro foi rotulado como IA.

Uma das preocupações que agora dividem os ministros é o excesso de judicialização, o que levaria uma parte deles a defender uma restrição mais ampla da utilização. _

Painel com candidatos ao Piratini marca abertura da Casa RBS na Expointer

Um dia antes do início da feira, a Casa RBS abre as portas na Expointer recebendo um painel temático sobre agronegócio com participação de candidatos ao governo do Estado amanhã. Mediado pela comunicadora Rosane de Oliveira, o bate-papo com Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT), Luciano Zucco (PL) e Marcelo Maranata (PSDB) será transmitido ao vivo no YouTube de GZH a partir das 10h.

O evento, fechado para convidados, terá plateia composta por autoridades, líderes e representantes do agronegócio. Reafirmando o processo de escuta ativa da sociedade e dando visibilidade a pautas prioritárias para o desenvolvimento do Estado, entidades previamente selecionadas de diferentes setores do agro farão perguntas aos candidatos.

A agenda do Grupo RBS na 49ª Expointer conta com ampla cobertura editorial, transmissão de programas e eventos institucionais, como a tradicional cerimônia do Troféu Guri. Durante a feira, serão realizadas 12 edições do Campo em Debate, que propõem discussões sobre temas relevantes para o agronegócio. 

27 de Agosto de 2026
INFORME ESPECIAL

Cada vez menos podemos falar em tragédias "naturais"

A força de um terremoto, de uma enxurrada ou de um furacão não distingue ricos de pobres, mas a capacidade de resistir a eles, sim. Países mais desenvolvidos têm construções mais resistentes, sistemas de alerta, estradas melhores, hospitais preparados, equipes de resgate equipadas e recursos para reconstruir. Nos mais pobres, o fenômeno encontra uma sociedade muito mais vulnerável.

A segunda constatação: quando o número de desaparecidos é muito alto, a contagem inicial de mortos quase nunca conta toda a história. Nas primeiras horas, "desaparecido" é uma categoria que reúne pessoas isoladas e incomunicáveis, feridos ainda não identificados, sobreviventes que conseguiram fugir e vítimas que ainda não foram localizadas. À medida que estradas são reabertas, escombros removidos e áreas isoladas alcançadas, parte dos desaparecidos é encontrada com vida, mas outra parte acaba incorporada à lista de mortos.

A terceira questão: cada vez mais devemos ter em mente que não é a natureza que está no lugar errado, mas nós, seres humanos. Rios transbordam, encostas deslizam, placas tectônicas se movimentam, geleiras se rompem. O desastre acontece quando colocamos casas, estradas, hospitais, cidades e pessoas no caminho desses fenômenos sem proteção suficiente. E isso, no Rio Grande do Sul, é muito perceptível.

A própria ONU abandonou, conceitualmente, a ideia de que existam simplesmente "desastres naturais": existe o evento natural, mas a tragédia resulta do encontro entre ameaça, exposição e vulnerabilidade. _

Rodrigo Lopes

26 de Agosto de 2026
MÁRIO CORSO

Comprando histórias

Em maio de 2023, uma emissora de TV belga resolveu fazer uma pegadinha. Em parceria com o sommelier Eric Boschman, compraram um vinho barato de 2,5 euros. Colocaram o vinho em uma garrafa de aparência sofisticada, criaram um nome fictício e elegante para a bebida: Château du Colombier. Feito isso, inscreveram o vinho no concurso internacional Gilbert & Gaillard. 

O vinho barato ganhou uma medalha de ouro na competição, alcançando 88 pontos numa escala de 100. Os jurados o descreveram como: paladar suave, vigoroso e rico; aromas jovens e limpos; de uma agradável complexidade.

Em 2015, surge um novo restaurante em Milão especializado em hambúrguer. O visual era minimalista, iluminação aconchegante e garçons elegantes. Os hambúrgueres eram servidos em tábuas de madeira. E é claro, havia um trololó sobre a origem especial dos ingredientes. 

Durante uns dias, críticos gastronômicos e influenciadores elogiaram a alta gastronomia da casa. Depois disso, a rede McDonald?s anunciou que o restaurante era seu e que os pratos eram exatamente iguais aos que ela vendia nas lojas comuns. Tudo era uma estratégia de marketing para penetrar no difícil mercado gastronômico italiano.

A empresa de sorvetes Häagen-Dazs surgiu em 1961 no Bronx, em Nova York. O casal de imigrantes poloneses, Reuben e Rose Mattus, apesar de um bom produto, não conseguia fazer frente às grandes marcas de sorvete da época. Então mudaram de nome para algo que parecesse dinamarquês. A palavra foi inventada, não existe em nenhuma língua. Para ajudar, colocaram um mapa da Escandinávia no rótulo. Voilà, agora eles vendiam um produto de qualidade superior, por parecer europeu e tradicional.

O que esses três casos nos ensinam é que não consumimos apenas um produto, adquirimos a história que envolve o objeto. Foquei no efeito placebo gastronômico, mas todos os produtos são atingidos por essa lógica que envolve a ideia de raro, artesanal e premiado.

Comprar uma história é comprar um lugar simbólico. Por isso a pergunta que vale a pena não é "como não cair nesses truques", mas outra, mais incômoda: quando escolho algo caro, é o objeto que desejo, ou a imagem de mim mesmo valorizada que ele promete devolver? _

O conteúdo desta coluna reflete a opinião do autor

MÁRIO CORSO

26 de Agosto de 2026
OPINIÃO RBS

Os inquéritos e a eleição

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu pedido de investigadores que atuam no caso da suspeita de uso indevido de emendas parlamentares para custear o filme Dark Horse e determinou acesso a dados sobre a apuração conduzida pela Polícia Civil de São Paulo, que, em junho, fez uma operação mirando a produtora da obra. Assim, a Polícia Federal (PF) terá acesso a provas que passarão a ser analisadas no inquérito relatado por Dino na Corte sobre possíveis irregularidades no financiamento da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A decisão preocupa a campanha de Flávio Bolsonaro. Não será surpresa se começarem a pipocar informações das investigações que possam causar desgaste ao senador do PL na disputa pelo Planalto. Algo semelhante ao que ocorre em relação às apurações relacionadas às suspeitas de tráfico de influência do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e do ex-chefe de gabinete do petista, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. Essas investigações estão sob a guarda do ministro André Mendonça na Corte.

Está criada a possibilidade de a eleição para a Presidência da República deste ano acabar decidida por meio de uma espécie de campeonato de vazamentos de elementos de inquéritos em tese sob sigilo, conduzidos pela PF e sob supervisão do Supremo. As pesquisas de intenção de voto até aqui apontam para um pleito parelho, que tende a ser definido por pequena margem. Uma revelação bombástica na reta final ou uma sequência de notícias comprometedoras pode ser determinante.

Enquanto Dino é identificado com o governo Lula, Mendonça é vinculado ao bolsonarismo. Dino também é relator de uma investigação sobre Lulinha, da qual não se conhecem novidades. Mendonça supervisiona outro inquérito sobre os repasses de ao menos R$ 61 bilhões do banqueiro Daniel Vorcaro a Flávio Bolsonaro para o filme Dark Horse, que da mesma forma não tem notícias vindas a público.

Caso essa hipótese de uma disputa de vazamentos se confirme às vésperas de eleição, será mais um grave sinal de degradação institucional, com a politização escancarada de alas do STF e de setores localizados da PF. O resultado seria uma erosão ainda maior da confiança da sociedade em organizações basilares de Estado, que deveriam ser guiadas por normas republicanas e permanecer imunes a ações contaminadas por preferências ou vínculos a grupos que disputam o poder.

A eleição deve ser decidida pela comparação dos históricos dos candidatos, pelo cotejo das propostas e pela confrontação de planos de governo para solucionar os problemas do país, e não pelo uso das instituições para projetos políticos. A recente ausência de Lula e de Flávio no debate veiculado pela TV Bandeirantes demonstra pouca disposição para o embate direto de ideias e o receio do devido escrutínio.

O caso Dark Horse e as investigações sobre tráfico de influência de Lulinha e de Marcola contêm suspeitas graves. Exigem total elucidação. As informações sobre esses episódios são de interesse público. Mas os inquéritos não deveriam ser seletivamente usados, acelerados ou retardados por objetivos político-eleitorais. 

Leite nomeia 5.808 professores para rede estadual

Boa notícia para os professores que fizeram o concurso público em 2025 e foram aprovados: o Diário Oficial de ontem publicou a relação dos 5.808 nomeados pelo governador Eduardo Leite, que agora terão de cumprir as etapas burocráticas para a efetivação.

Destes nomeados, 2.341 são professores com contratos temporários, que passaram no concurso e agora serão efetivados e farão carreira no Estado. A expectativa da Secretaria Estadual da Educação é de que os novos profissionais estejam em exercício nas escolas a partir de outubro. Eles atuarão nos anos finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio.

A nomeação também é uma boa notícia para o sucessor de Leite, já que encontrará, ao assumir, os professores aptos para atuar em sala de aula no início do ano letivo, sem precisar correr para fazer contratos emergenciais. Como todos os candidatos prometem ampliar o ensino de tempo integral, a nomeação é o primeiro passo para garantir a ampliação do número de vagas.

Próxima fase é de apresentação de documentos

As informações sobre as etapas de ingresso serão encaminhadas ao e-mail registrado pelo candidato no momento da inscrição. A recomendação é que acompanhem regularmente a caixa de entrada e a pasta de spam.

A primeira etapa envolve a apresentação da documentação necessária e a avaliação de aptidão física e psicológica pelo Departamento de Perícia Médica do Estado. Os documentos e exames necessários para a avaliação médica e psicológica deverão ser enviados pelo Portal do Servidor entre 31 de agosto e 8 de setembro.

Entre os exames obrigatórios, estão hemograma com plaquetas, creatinina, glicemia de jejum e audiometria. Para candidatos com 45 anos ou mais, também são exigidos eletrocardiograma, além de laudos cardiológico, ortopédico e oftalmológico. Os exames são de responsabilidade e custo da pessoa. A posse será realizada presencialmente na sede da Coordenadoria Regional de Educação para a qual o candidato foi nomeado. _

Se os candidatos estão sendo sinceros quando criticam os contratos temporários na educação, não podem ser contra a nomeação de professores concursados pelo governo que está terminando, porque eles serão essenciais em 2027.

PDT se omite na apreciação do veto ao fim da taxa de licenciamento

A bancada do PDT se uniu à parte da base de Eduardo Leite na Assembleia e se ausentou da sessão plenária que ontem à tarde derrubou o veto do governador ao projeto que acaba com a taxa de licenciamento veicular no Estado. Nenhum deputado do partido registrou presença no plenário, nem participou da reunião de líderes pela manhã, quando foi definida a pauta do dia.

No PDT, a avaliação sobre a medida é semelhante à de Leite, de que o fim da taxa vai onerar as contas do Estado. Quando vetou o fim da taxa, o governador indicou que o projeto causaria um impacto de R$ 750 milhões no orçamento de 2027. Desse total, R$ 250 milhões são direcionados para a segurança pública.

Com a perspectiva de vitória de Juliana Brizola na eleição para o governo do Estado, nos bastidores os pedetistas demonstram preocupação com a situação das finanças.

Luiz Antônio Bins, que foi secretário da Fazenda no governo José Ivo Sartori e é coordenador das finanças da campanha de Juliana, já havia manifestado contrariedade com o fim da taxa.

Em junho, Gerson Burmann, Luiz Marenco e Thiago Duarte votaram a favor do projeto de Rodrigo Lorenzoni (PP) para acabar com a cobrança de R$ 114, aprovado por 47 votos a zero. Gilmar Sossella e Eduardo Loureiro não estavam na sessão.

O PDT adotou a estratégia esperada dos parlamentares de MDB e PSD, de esvaziar a sessão na tentativa de não dar quórum para votar o veto.

Deputados do MDB e do PSD retardaram a entrada no plenário, mas ao final, votaram para derrubar o veto, já que são todos candidatos e sabem que a cobrança é impopular. _

Lula suspende comício no RS

Menos de 24 horas depois de anunciar a vinda do presidente Lula a Porto Alegre para um comício na sexta-feira, a coordenação da campanha suspendeu a agenda.

A alegação é de que Lula quer um comício em local público, preferencialmente no Largo Glênio Peres, e a previsão para a noite de sexta-feira é de chuva forte no Rio Grande do Sul.

Por telefone, Lula havia comunicado ao deputado e candidato ao Senado Paulo Pimenta (PT) na segunda-feira sobre a decisão de dar a largada da campanha no Rio Grande do Sul por um ato público no dia em que começa a propaganda de rádio e TV. _

aliás

Na agenda de Lula, o Rio Grande do Sul foi trocado pela Bahia. No dia em que pretendia fazer comício em Porto Alegre, o presidente estará em Salvador. O governador e candidato à reeleição Jerônimo Rodrigues (PT) confirmou ontem que Lula telefonou para ele confirmando presença na capital baiana para atos de campanha.

Saúde e enchentes preocupam eleitor

Os dois maiores problemas do Estado, indicados pela pesquisa Quaest, são o que se poderia chamar de sumo da vida real. Saúde e enchentes estão empatadas com 22% na resposta a uma pergunta de escolha simples. Em terceiro lugar, com 10%, vem economia.

Em eleições pretéritas, a segurança já esteve no topo dessa lista. Hoje, violência foi citada por somente 8%, sinal de que o RS Seguro está sendo percebido como um programa eficaz. _

POLÍTICA E PODER 

26 de Agosto de 2026
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

Exportações e investimentos: os planos dos candidatos no RS

Os quatro principais candidatos ao governo do RS colocam a inserção internacional do Estado entre os instrumentos para ampliar crescimento, investimentos e competitividade. Embora com ênfases diferentes, os programas convergem em pontos como aumento das exportações, atração de capital, melhoria da infraestrutura logística e maior conexão das empresas gaúchas com mercados externos. A coluna resume as principais propostas, obedecendo ordem alfabética. _

Invest RS com foco nos semicondutores chineses

A Invest RS lançou ontem, em Xangai, sua primeira representação oficial na China. O objetivo da agência de desenvolvimento do RS é criar um canal direto para prospectar negócios, aproximar empresas e investidores e ampliar o alcance das oportunidades do Estado no mercado asiático.

Durante a cerimônia de lançamento, a agência assinou um Memorando de Entendimento com a China Semiconductor Industry Association (CSIA), entidade que representa o setor industrial de semicondutores no país. O acordo estabelece uma frente de cooperação voltada à aproximação entre empresas, instituições de pesquisa e ecossistemas de inovação de um segmento estratégico e de alta tecnologia.

A operação na China será executada em parceria com a consultoria View Widen, sob coordenação da Invest RS, e a liderança da unidade ficará a cargo do executivo chinês Patrick Chen. _

Três tribunais gaúchos foram reconhecidos pelo Conselho Nacional de Justiça por cumprir integralmente os critérios avaliados no Ranking de Transparência do Poder Judiciário 2026. Tratam-se do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS), do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) e do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT4).

R$ 30 milhões para ações resilientes

Após conceder R$ 68 milhões em crédito e apoiar cerca de mil micro e pequenos empreendedores em 142 municípios afetados pela enchente de 2024, o Fundo Retoma RS entra em uma nova fase.

O projeto disponibilizará R$ 30 milhões para ações focadas em resiliência climática, preparando os negócios gaúchos para novos eventos extremos no Estado.

As operações oferecem taxas entre 0,99% e 1,99% ao mês (conforme a saúde financeira da empresa), isenção de garantias reais e prazo de pagamento de 36 meses, com seis meses de carência e parcelas fixas.

A iniciativa é do Fundo de Impacto Estímulo, que realizou um levantamento com participantes da primeira etapa para mapear as necessidades do setor. De acordo com a pesquisa, 77% dos entrevistados não se sentem plenamente preparados para uma próxima emergência climática. _

INFORME ESPECIAL