sábado, 6 de junho de 2026

 Juros: mercado vê chance majoritária de Selic estável em junho após payroll forte

A taxa para janeiro de 2029 avançou para 14,81%, ante 14,427%, e o para janeiro de 2031 subiu a 14,71%, de 14,409%

A taxa para janeiro de 2029 avançou para 14,81%, ante 14,427%, e o para janeiro de 2031 subiu a 14,71%, de 14,409%

Antonio Cruz/Agência Brasil/JC

Agências
Os vértices intermediários e longos dos juros futuros renovaram máxima nesta tarde e alcançaram os maiores níveis desde março e abril de 2025, respectivamente, momento em que o Comitê de Política Monetária (Copom) ainda estava elevando a taxa Selic. Com a arrancada das taxas, a aposta majoritária (68%) agora é de que o juro básico se mantenha em 14,50% ao ano na reunião de junho.
A mudança na perspectiva ocorre após o relatório de emprego dos Estados Unidos, payroll, mostrar criação de empregos bem acima do teto das estimativas e fazer o mercado financeiro ampliar chances de alta de juros pelo Federal Reserve (Fed) no segundo semestre de 2026. Trata-se de um novo ingrediente para a tempestade perfeita a favor de juros altos por mais tempo, que já contemplava a deterioração das expectativas de inflação, a desvalorização do real e a incerteza eleitoral.
O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subiu a 14,43%, de 14,295% do ajuste de quarta-feira. A taxa para janeiro de 2029 avançou para 14,81%, ante 14,427%, e o para janeiro de 2031 subiu a 14,71%, de 14,409%.
Os EUA criaram 172 mil empregos em maio, em termos líquidos, acima do teto das estimativas de 125 mil postos e mediana de 85 mil. O time de economistas do Bradesco, liderado por Fernando Honorato Barbosa, afirmou que "a diferença relevante frente a abril quando criou 115 mil vagas está na função de reação do Fed: com o pano de fundo de pressão inflacionária via energia (Oriente Médio e Ormuz), a combinação de mercado resiliente traz foco do FOMC de volta para a inflação".
E de fato, o mercado passou a ver maiores chances de que o Fed eleve juros em setembro (de 23,2% antes da divulgação do payroll para 38,4% por volta das 12h de Brasília). A aposta majoritária, contudo, ainda é de manutenção, que recuava de 74,1% para 60,5%.
"O payroll foi um gatilho e uma pressão adicional para os juros futuros brasileiros", comenta o economista Carlos Lopes, do banco BV, destacando que por aqui os investidores tiram bastante da probabilidade de queda na taxa Selic na próxima reunião. "Temos queda de 8 pontos precificada para o dia 18 de junho, então a probabilidade maior é de parada. O mercado agora aguarda para ver se o BC dará alguma sinalização contra essa precificação, ou se ele se manterá em silêncio", afirma. Uma redução de 8 pontos na curva representa 68% de chance de manutenção do juro básico em 14,50%, e 32% de corte de 0,25 ponto porcentual.
A correção local na renda fixa, contudo, já tinha respaldo de uma série de outras preocupações: os próprios números de inflação e as expectativas com relação à guerra durando por mais tempo, acrescenta Lopes.
O Bank of America (BofA) mencionou a deterioração nas dinâmicas atuais de inflação, o aumento das expectativas de inflação e um real mais fraco para embasar sua mudança de cenário, que prevê apenas mais um corte de 0,25 pp na Selic em junho e uma sinalização do Copom de pausa no ciclo de afrouxamento. Assim, o banco elevou a projeção para a taxa básica de juros no fim de 2026, de 13,25% para 14,25%, e no fim de 2027, de 12,50% para 13,25%.
"O payroll inverteu completamente o cenário. Talvez o Copom tenha espaço para mais um corte de juros, e nenhum mais. Talvez nem mesmo esse de junho", avalia Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil.

Integração e resposta rápida definem nova lógica do cuidado cardiovascular no Hospital São Lucas da PUCRS

Estrutura reúne emergência 24 horas, diagnóstico, hemodinâmica, cirurgia e UTI especializada em uma linha contínua de atendimento ao paciente cardíaco

Estrutura reúne emergência 24 horas, diagnóstico, hemodinâmica, cirurgia e UTI especializada em uma linha contínua de atendimento ao paciente cardíaco

Alice D'almeida/ Divulgação/ JC

JC
JC
Quando sintomas como dor no peito, falta de ar, arritmias ou sensação de desmaio surgem, o tempo de resposta pode ser determinante para o desfecho clínico. Em um cenário no qual doenças cardiovasculares seguem entre as principais causas de morte no país, hospitais de alta complexidade passaram a estruturar modelos integrados de assistência para reduzir tempo entre diagnóstico, intervenção e recuperação.
No Hospital São Lucas da PUCRS, essa lógica sustenta o + Cardio, linha de cuidado cardiovascular que conecta emergência cardiológica 24 horas, diagnóstico, hemodinâmica, cirurgia cardiovascular, UTI dedicada e acompanhamento especializado dentro da mesma estrutura assistencial.
Segundo o médico-chefe do Serviço de Cardiologia do Hospital, Dr. Paulo Caramori, o modelo foi desenhado para garantir agilidade e continuidade ao atendimento. “A correta identificação do problema e a rápida implementação de um tratamento adequado podem salvar a vida do paciente”, afirma.
A emergência cardiológica funciona em tempo integral com equipe especializada e suporte para situações de alta complexidade, como síndromes coronarianas agudas, infartos, insuficiência cardíaca e arritmias graves. A proximidade física entre setores reduz deslocamentos e acelera a realização de exames e procedimentos.
Caramori compara o funcionamento da estrutura a um sistema de resposta permanente. “Frequentemente, comparo isso a um corpo de bombeiros, ou seja, uma equipe habilitada e equipada para enfrentar situações de risco cardiovascular utilizando ciência e tecnologia em benefício dos pacientes”, explica.
Na retaguarda da emergência, o Hospital mantém uma unidade dedicada a intervenções por cateterismo, tecnologia que ampliou a capacidade de resolução de doenças cardiovasculares com menor tempo de internação. O serviço realiza desde desobstrução coronariana com stents em casos de angina e infarto até procedimentos valvares, terapias endovasculares, ablação de fibrilação atrial e tratamentos vasculares complexos.
O modelo assistencial é sustentado por três pilares centrais: atualização contínua do corpo clínico, renovação tecnológica e atendimento humanizado. “A evolução da tecnologia cardiovascular é contínua e impressionante. Por isso, buscamos permanentemente novas soluções diagnósticas e terapêuticas, associadas a investimentos constantes em equipamentos e ao cuidado multiprofissional focado também no bem-estar emocional do paciente”, destaca o cardiologista.
O reconhecimento internacional desse padrão assistencial veio com a acreditação Qmentum Diamond, concedida ao + Cardio pela segunda vez. O Hospital São Lucas foi o primeiro centro de cardiologia da América Latina a receber a certificação canadense, que avalia qualidade, segurança e integração dos processos assistenciais desde a entrada do paciente na emergência até a alta hospitalar.
O serviço atende pacientes particulares e de convênios. Consultas e procedimentos podem ser agendados pelo WhatsApp (51) 3320.3000 ou pela plataforma digital do Hospital.

Empresa de Ijuí lidera produção de máquinas de solda e conquista gigantes da indústria

Fricke Soldas - Balmer produz 7 mil máquinas ao mês com fabricação verticalizada dos seus componentes

Fricke Soldas - Balmer produz 7 mil máquinas ao mês com fabricação verticalizada dos seus componentes

TÂNIA MEINERZ/JC

Ana Stobbe
Ana StobbeRepórte* De Ijuí
No Noroeste Colonial, na cidade de Ijuí, está a Fricke Soldas - Balmer, a maior fabricante de máquinas de solda de toda a América do Sul. Em uma área de 20 mil metros quadrados, a empresa é capaz de produzir 7 mil máquinas ao mês e atende clientes de diversos segmentos, como os setores metalmecânico, automotivo e a indústria naval.
A empresa adotou uma estratégia de verticalização total. E, assim, desenha e monta as próprias placas eletrônicas, produz gabinetes, painéis e desenvolve o software embarcado em suas máquinas. Essa autonomia permite reduzir prazos de entrega e garantir flexibilidade produtiva, garantindo a fabricação em massa dos equipamentos.
A qualidade dos produtos tem aberto portas em gigantes multinacionais, como a Marcopolo, a Randoncorp e a Kepler Weber. Mas um ponto de virada de chave foi o contrato com a Mercedes-Benz, quando a empresa venceu concorrentes como as europeias Kemppi, da Finlândia, e Fronius, da Áustria, para fornecer 120 máquinas de solda.
Na ocasião, foi criado um sistema novo para atender às necessidades da empresa: "Não fornecemos só a máquina, mas todo o sistema de soldagem e monitoramento digital. Foi uma solução completa, a nossa primeira nesse estilo", conta o diretor executivo, Martinho Kelm.
"Eles queriam monitorar o que cada máquina estava fazendo. São 120 máquinas, cada uma com um sistema de monitoramento. Mas a Mercedes-Benz queria que todas aparecessem em uma única tela, como se fosse um sistema de monitoramento para o departamento de manutenção da fábrica, para monitorar tudo ao mesmo tempo. Isso não existia. E criamos aqui em Ijuí", relembra o diretor industrial da empresa, Luciano Fricke.
E foi esse salto que levou a empresa a ingressar em um novo segmento: o de veículos elétricos. Recentemente, a Fricke Soldas - Balmer assinou um contrato com a BYD para o fornecimento de máquinas. A exigência era justamente para que o fornecedor já atuasse no setor automotivo.
"Foi um salto conseguir fornecer para um cliente do patamar da Mercedes-Benz. Isso foi uma porta de entrada para a BYD e começa a abrir outras portas também", avalia Martinho. Hoje, a empresa atua no setor fornecendo equipamentos de solda para marcas como Facchini, Honda, Renault e Fiat.
Produtos vão de linhas simples, para iniciantes, a sofisticadas, voltadas a grandes indústrias | TÂNIA MEINERZ/JC
Produtos vão de linhas simples, para iniciantes, a sofisticadas, voltadas a grandes indústriasTÂNIA MEINERZ/JC
Além disso, a empresa desenvolveu carregadores para carros elétricos residenciais e de carga rápida para postos de combustíveis. Os produtos, patenteados, são capazes de carregar totalmente carros elétricos em um período de 20 minutos. "Entendemos que conseguiríamos produzir carregadores com uma tecnologia muito parecida com a dos inversores de solda. O conhecimento nós já tínhamos", revela Martinho.
Atualmente, o faturamento anual chega a aproximadamente R$ 120 milhões a partir da Balmer, valor que sobe a R$ 300 milhões considerando todas as atuações do Grupo Fricke. A linha de produtos vai desde máquinas compactas para serralheria até sistemas complexos de robótica industrial e robôs colaborativos (Cobots).
Para suportar essa operação, a Balmer conta com uma rede de 6 mil pontos de venda e 450 assistências técnicas espalhadas pelo Brasil. Além da matriz em Ijuí, a empresa possui centros de distribuição estratégicos em Atibaia (SP) e Conde (PB), atendendo todas as regiões do País. 

Indústria naval é setor estratégico para a Balmer

Outra importante área de atuação da Fricke Soldas - Balmer é a da indústria naval. Conforme o diretor comercial André Fricke, é um mercado em ebulição. "Estávamos até agora pouco negociando máquinas com os estaleiros de Manaus. Hoje, todos eles usam nossas máquinas", conta o executivo. Ao todo, são 14 estaleiros em operação no polo naval da capital amazonense.
No caso do Estaleiro Rio Grande, as demandas oscilam com maior frequência, embora a empresa também comercialize com a indústria naval gaúcha. Em 2025, o polo localizado na cidade de Rio Grande, no Sul do Estado, anunciou a retomada das atividades, com contratos bilionários ligados à Petrobras e à Transpetro para a construção de embarcações. As atividades devem iniciar neste ano. 
"Já fizemos as homologações das máquinas e estamos fazendo o trabalho inicial com eles. Agora, o Estaleiro Rio Grande está se preparando para iniciar os trabalhos e estão vendo o que sobrou das máquinas de fabricação", conta André.
Nesses casos, a produção funciona sob demanda. "São máquinas grandes e você costuma ter um prazo de seis a oito meses para finalizar. Isso significa em torno de 20% do nosso faturamento. Os outros 80% fabricamos para estoque. Temos uma rede de distribuidores e representantes em todo o País, mas não fazemos vendas diretas, exceto para grandes clientes, como a Kepler Weber e a Mercedes-Benz. A maior parte da produção, vamos regulando conforme o ritmo de venda e saída", acrescenta Martinho.

Países que recebem exportações da Fricke Soldas - Balmer

  • Argentina
  • Bolívia
  • Chile
  • Paraguai
  • Uruguai
  • Alemanha
  • Itália
  • China
  • Japão

A Fricke Soldas - Balmer em números

  • 7 mil máquinas de solda produzidas ao mês
  • 20 mil metros quadrados de fábrica em Ijuí, em um complexo de 200 mil metros quadrados
  • Dois centros de distribuição fora do Rio Grande do Sul
  • Vendas em três continentes e 10 países
  • Mais de 6 mil revendas e lojas
  • Mais de 44 representantes em todo o Brasil
  • Mais de 450 pontos de assistência técnica autorizada no País
  • R$ 300 milhões de faturamento ao ano