quinta-feira, 11 de junho de 2026

Bares e restaurantes apostam no Dia dos Namorados e Copa do Mundo para recuperar receitas, aponta Abrasel no RS

Dados mostram que 94% das empresas pretendem abrir durante o Dia dos Namorados

Dados mostram que 94% das empresas pretendem abrir durante o Dia dos Namorados

GRAZIELA BECKER/DIVULGA??O/JC
Sofia Kramp Leke
Sofia Kramp LekeNo Rio Grande do Sul, o setor de alimentação fora do lar continua a enfrentar desafios para recuperar o cenário de pouca rentabilidade, mas conta com datas importantes do calendário para impulsionar resultados nos meses seguintes. Uma pesquisa realizada pela divisão gaúcha da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-RS), entre os dias 18 e 26 de maio, mostra que 41% das empresas obtiveram lucro no mês de abril, enquanto 35% registraram estabilidade e 24% relataram prejuízo.
De acordo com dados do levantamento, os números mostraram um cenário de baixo faturamento em comparação ao mês de março, enquanto apenas 28% dos estabelecimentos registraram aumento no lucro, 31% mantiveram estabilidade e 40% apontaram queda. Outros 1% dos negócios não existiam em abril. O presidente da Abrasel-RS, Leonardo Vogel Dorneles, explica que o Dia dos Namorados possui grande expectativa para aliviar muitos negócios.
“A gente tem percebido uma redução de faturamento aqui nesse início de ano, e a partir de março, abriu uma recuperação, e o faturamento, querendo ou não, acaba impactando no resultado final. Por exemplo, na última pesquisa que nós fizemos, 24%, um a cada quatro restaurantes ainda estão operando no prejuízo, e uma grande parcela dos restaurantes também não estão ganhando e não estão perdendo, empatando suas despesas. Então, é muito importante que a gente tenha esse movimento em junho, seja o Dia dos Namorados ou a própria Copa do Mundo, para gerar um faturamento maior e para que possa melhorar o seu resultado”, afirma.
Um dos maiores desafios do setor permanece sendo a dificuldade de repassar custos. Nos últimos 12 meses, 39% dos estabelecimentos não conseguiram reajustar preços, 55% realizaram modificações na linha ou abaixo da inflação, enquanto apenas 6% conseguiram repassar aumentos acima da inflação. Ainda na divisão de custos, 32% das empresas possuem pagamentos em atraso.

Dia dos Namorados impulsiona expectativas dos estabelecimentos

Uma das principais apostas para aquecer o movimento no setor é o Dia dos Namorados. Dados mostram que 94% das empresas pretendem abrir durante a data e 74% esperam faturar ainda mais do que em uma sexta-feira rotineira.
Entre os empresários que esperam crescimento, 45% acreditam que as vendas podem ampliar em até 20%, enquanto 29% esperam um resultado ainda superior. 

Copa do mundo também espera movimentar o setor

A Copa do Mundo também é vista com bons olhos pelos empresários. O levantamento mostra que 45% das empresas pretendem transmitir os jogos, e 60% esperam aumentar o faturamento em comparação aos dias sem partidas. Ainda dentro desse grupo, 48% esperam que o crescimento possa chegar até 20%, depositando confiança no potencial que o evento possui para atrair consumidores e assim, ampliar o movimento nos estabelecimentos.
Dorneles afirma que uma boa movimentação durante a Copa do Mundo pode ajudar a compensar o baixo fluxo de rendimento enfrentado pelo setor. “Não apenas em bares e restaurantes que vão transmitir os jogos, mas também acreditamos que no próprio setor de delivery deve ter uma movimentação um pouquinho maior nesses dias, não necessariamente durante o jogo, mas a gente acredita que tanto antes do jogo quanto no pós jogo, devemos ter um salto, uma concentração, um pico de pedidos muito grande. Então, para o setor, essas datas especiais são muito importantes, esses movimentos diferenciados para fazer girar a economia”.

Gabriel, Juliana e Maranata se enfrentam em debate na Federasul

Debate ocorreu na reunião-almoço Tá Na Mesa, da Federasul

Debate ocorreu na reunião-almoço Tá Na Mesa, da Federasul

Dani Barcellos/Especial/JC
Bolívar Cavalar
Bolívar CavalarRepórterOs pré-candidatos ao governo do Rio Grande do Sul Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT) e Marcelo Maranata (PSDB) participaram nesta quarta-feira (10) de debate promovido pela Federasul, durante reunião-almoço Na Mesa. O deputado federal Luciano Zucco (PL), que também está na corrida ao Piratini, foi convidado e não compareceu, alegando compromisso em Brasília na votação do projeto que trata da renegociação das dívidas dos produtores rurais gaúchos. 
No debate, os postulantes ao governo gaúcho trataram de temas como segurança pública, articulação política com o executivo federal e contas públicas, principalmente no âmbito do retorno do pagamento das parcelas das dívidas do Estado com a União, previsto para ocorrer na metade do próximo ano. Houve também momentos de maior tensão e troca de farpas entre os pré-candidatos 
Se destacou um embate entre Gabriel Souza e Juliana Brizola, em que o emedebista buscou vincular o nome da pré-candidata do PDT aos governos do PT no Estado, de Tarso Genro e Olívio Dutra, e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que apoia a pedetista e participou da articulação que levou à formação da chapa com Edegar Pretto (PT) de vice. Gabriel associou as administrações do Partido dos Trabalhadores a um eventual desequilíbrio das contas públicas no caso de vitória da coligação de Juliana. 
Em resposta, a pedetista reafirmou apoio à reeleição de Lula, agradeceu à composição com os petistas gaúchos, mas pontuou que o seu partido é o PDT. “Aqui os meus governadores foram Alceu Collares e Leonel Brizola”, disse. Outra questão relacionada à participação de Juliana é que, nos bastidores, empresários presentes se surpreenderam com o seu desempenho, avaliando que ela aprendeu a falar na linguagem empresarial, mesmo que seja a pré-candidata da centro-esquerda.
O emedebista, mais próximo ao final do evento, fez outra provocação relacionada à questão partidária, ao destacar que o PDT integrou os dois governos de Eduardo Leite (PSD), do qual Gabriel é o pré-candidato da sucessão. O atual vice-governador utilizou este argumento ao responder críticas aos últimos doze anos de gestão no Estado – oito de Leite e quatro de José Ivo Sartori (MDB) 
Já o ex-prefeito de Guaíba, Marcelo Maranata, focou em sua experiência na prefeitura como qualidade para governar o Estado. Dentre os quatro pré-candidatos ao Piratini cujos partidos têm representação no Congresso, ele é o único com esta característica de ter comandado executivo municipal, apesar de Gabriel ter assumido interinamente o governo gaúcho por diversas vezes na condição de vice-governador.  
Maranata citou as calamidades enfrentadas por Guaíba nos últimos anos, cidade que sofreu com muitas enchentes, com destaque para as cheias históricas de maio de 2024. “A gente não desistiu, e teve o privilégio de negociar tanto com o presidente Bolsonaro, como também com o presidente Lula. Sem essas ideologias. Quem que ganha quando a gente se divide, briga entre a gente e não tem capacidade de diálogo?”, questionou o tucano.  
O tema da prevenção contra enchentes levou a outro embate, desta vez entre Maranata e Gabriel. O ex-prefeito criticou o atual governo por ainda não ter entregado um sistema de proteção aos municípios mais atingidos pelas cheias de 2024, e destacou o início de um Super El Niño neste ano, que gera preocupações de eventuais novas calamidades no Estado. 
O emedebista respondeu afirmando que foi necessária a revisão do anteprojeto para a proteção contra desastres, motivado pelo evento extremo de dois anos atrás, e questionou se Maranata defenderia uma dispensa de licitação para a contratação deste estudo. O ex-prefeito disse que apoiaria esta ausência de processo licitatório. 
Outro ponto foi a ausência de Zucco. Gabriel e Maranata provocaram o adversário pela sua ausência no debate. O emedebista, por exemplo, apontou que "para ser governador, é necessário enfrentar o debate", em manifestação de apresentação, no início do evento.