terça-feira, 3 de setembro de 2024



03 de Setembro de 2024
CARPINEJAR

Nosso reencontro com Caramelo

Não dá para chamar de herança a dilapidação de um Estado inteiro. É uma sina, um fardo, uma cruz que carregaremos para a próxima década. Não existe lado bom na tragédia.

O maior desastre ambiental do Rio Grande do Sul, que atingiu 431 dos nossos 497 municípios em maio, acarretando meio milhão de desabrigados, seria suficiente para acabar com qualquer esperança de grandes eventos até o fim do ano.

Até porque boa parte das vítimas não foi realocada, e as promessas messiânicas de reconstrução imediata terminaram barradas na burocracia. Eram de se prever um hiato de vendas, um fair play de realizações, talvez um voo de galinha na economia devido à injeção financeira momentânea do auxílio do governo federal.

Por isso, ninguém esperava que fosse possível concretizar a Expoagas. Não havia nem o teatro do Centro de Eventos da Fiergs, profundamente avariado pela cheia. Foi levantada uma arena no estacionamento, evitando assim a mudança do tradicional local para sediar a maior feira de supermercados do RS. 

Eu participei como um dos palestrantes, e me emocionei com a mobilização dos associados e varejistas formando uma plateia lotada, atenta e interessada. Apesar do escasso tempo desde a calamidade - só três meses -, o encontro se encerrou com mais de 63 mil visitantes e R$ 704,8 milhões em negócios concretizados entre compradores e expositores, num crescimento de 8% em relação à edição passada.

Igualmente, ninguém imaginava que a Expointer, também em agosto, bateria recordes, logo na retomada após a enchente. Parecia que tocava dentro dos visitantes, na vitrola do coração, aquela canção resiliente do músico nativista pelotense Leopoldo Rassier:

"Não podemo se entregá pros home

De jeito nenhum, amigo e companheiro

Não tá morto quem luta e quem peleia

Pois lutar é a marca do campeiro".

A agropecuária gaúcha finalizou a edição de 2024 com mais de R$ 8,1 bilhões em negócios, com destaque para o setor de máquinas e implementos agrícolas, que faturou R$ 7,3 bilhões em produtos comercializados.

Superou-se a marca de R$ 7,9 bilhões de 2023. Ou seja, houve um acréscimo de 1,41% em comparação com o ano anterior, caracterizado pela normalidade.

Como explicar tal façanha, tão impactante crescimento?

Sem ainda contar com o aeroporto Salgado Filho funcionando, sem ainda contar com as estações de trem de Porto Alegre funcionando, uma hipótese é que o Interior compensou o público de fora e da Capital. O povo do Interior desceu em massa para Esteio e manteve vivo, pujante e pulsante o Parque Estadual de Exposições Assis Brasil. Somamos quase 700 mil visitantes em nove dias. Embora não tenhamos alcançado a marca de público de 2023 - 818.943 pessoas -, não ficamos nem um pouco longe.

Descortina-se um ponto de vista heroico e combativo de nosso empresariado.

O aclamado desfile do cavalo Caramelo, ícone dos resgates, encarnou e traduziu a nossa vontade insana de recuperação. Afinal, aquele animal esquálido, triste, desnutrido, abandonado, que resistiu num telhado de Canoas por vários dias, abaixo de chuva e de vento, aparecia revigorado, de pelagem brilhante, com 50 quilos a mais do que na época do socorro. Nosso campeão moral dividiu as atenções com bicampeão da feira, o touro Hudson, da raça limousin, reconhecido como o mais pesado da Expointer, com 1,45 tonelada.

Já era um outro cavalo, já somos um outro Estado. Pelo menos, em nossa motivação. _

CARPINEJAR

03 de Setembro de 2024
NÍLSON SOUZA

O poder do rádio

Estou acompanhando uma novela de televisão sem vê-la. Enquanto trabalho no meu escritório doméstico, que não tem aparelho de TV, minha companheira assiste No Rancho Fundo na sala ao lado. Evidentemente, ouço os diálogos dos personagens, a música-tema e os dois divertidos repentistas que, ao final de cada episódio, cantam as cenas dos próximos capítulos. Só então saio da frente do computador para ver o telejornal.

Embora voluntariamente, me sinto às vezes como um daqueles prisioneiros da caverna de Platão. Ouço as vozes dos atores, vejo os reflexos da tela luminosa na parede e imagino cenas que nem sempre condizem com a realidade (ou, no caso, com a ficção). Mas capto o suficiente para saber que Zefa Leonel é uma mulher corajosa e que as duas megeras da história são ótimas atrizes, Débora Bloch interpretando Deodora ("quando ela chega, piora") e Luisa Arraes fazendo a lambe-beiço Blandina.

Pois bem, ouvir tevê, com uma ou outra espiadinha para a tela de vez em quando, não é exatamente a mesma coisa que acompanhar programas radiofônicos sem imagens ao vivo - recurso que atualmente a internet proporciona às emissoras de rádio. Numa analogia com o mito, a caverna de Platão ganhou janelas e nós, os prisioneiros da escuta cega, já não precisamos mais nos guiar apenas por sons e sombras.

Mesmo com inovações, o rádio continua sendo veículo da imaginação. Como sou da geração pré-televisão, ainda lembro de programas que ouvia na infância e na adolescência com tal riqueza de detalhes que tenho a impressão de tê-los vivido presencialmente. E são impressões pessoais e intransferíveis. Possivelmente, outras pessoas que ouviram os mesmos programas os tenham gravado em suas memórias com uma conformação muito diferente.

Esse é o encanto do rádio, veículo que completará cem anos de existência em nosso Estado no próximo sábado, dia 7 de setembro. Na ocasião, instigada pelo jornalista e professor Luciano Klöckner, com respaldo nas pesquisas do doutor em Comunicação Luiz Artur Ferraretto, a Associação Riograndense de Imprensa receberá e homenageará profissionais que ajudaram e ajudam a construir a história do rádio no Rio Grande do Sul, estimulando com suas vozes e seu talento os sonhos de milhares de ouvintes. 



03 de Setembro de 2024
OPINIÃO - Editorial

Consequência da omissão

A decisão drástica de bloquear a plataforma X no Brasil não deixa também de ser reflexo direto da omissão da Câmara dos Deputados na regulação das redes sociais. O embate entre o proprietário do antigo Twitter, o bilionário Elon Musk, e o Supremo Tribunal Federal (STF), personificado pelo ministro Alexandre de Moraes, se agrava diante da demora em estabelecer regras claras sobre os limites do que pode circular no ambiente online diante da falta de interesse das big techs em moderar de forma adequada o discurso de ódio, as notícias fraudulentas e outros conteúdos criminosos.

A inércia da Câmara, a partir dos ataques de Musk e da resistência do empresário em cumprir a legislação brasileira, junto a posturas de Moraes que extrapolam a razoabilidade, contribuiu para que milhões de brasileiros, sem nenhum envolvimento na pendenga, ficassem alijados de acessar o X e se expressarem com responsabilidade. Deve-se registrar que, a despeito do retrocesso empreendido por Musk no cuidado com postagens de fake news e de intolerância, o X é ainda uma plataforma de alta relevância para o debate público, no país e no mundo. A rede social foi bloqueada no Brasil por decisão de Moraes na sexta-feira confirmada por unanimidade ontem pela primeira turma do STF.

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, instituiu no dia 5 de junho um grupo de trabalho com 20 parlamentares que teriam a responsabilidade de elaborar uma nova proposta de regulação das redes sociais no Brasil. O prazo seria de 90 dias. Ou seja, o país deveria conhecer o texto, fruto de um consenso de deputados de várias vertentes ideológicas, nesta semana. Diante da ausência de informações sobre o andamento dos trabalhos, é possível concluir que o compromisso não era sério.

É preciso lembrar que a decisão de Lira foi tomada a partir da escalada das tensões entre Musk e o STF. Seria uma tentativa de voltar ao tema após a Câmara deixar de votar o PL 2630/20, também conhecido como PL das Fake News, aprovado em 2020 no Senado. O PL 2630/20 sucumbiu diante da falta de apoio entre os deputados, resultado inclusive de campanhas de desinformação incentivadas pelas próprias big techs. A pressão contou até com a disseminação da informação falsa de que o projeto de lei ameaçaria a liberdade religiosa.

A sociedade deve estar vigilante na defesa da liberdade de expressão, pilar de qualquer democracia, mas também atenta para o uso distorcido deste princípio de forma maliciosa. Para as grandes empresas proprietárias de redes sociais, é conveniente e lucrativo manter o quadro atual, em que evitam obrigações legais e fogem do dever ético de moderar o que excede a liberdade de expressão e se configura em crime. É um debate global, que vem merecendo a atenção de outros parlamentos e governos.

No Brasil, enquanto a Câmara se omite, o STF exagera ao ocupar esse espaço. O Legislativo costuma reclamar da usurpação de competências pelo Judiciário, mas também é reincidente em empurrar com a barriga assuntos espinhosos. Diante do traumático episódio do bloqueio do X no país, não há mais como aceitar que a Câmara dos Deputados procrastine e fuja de sua responsabilidade neste tema. _

OPINIÃO


03 de Setembro de 2024
GPS DA ECONOMIA - Marta Sfredo

GPS da Economia

O que vem por aí na busca do "petróleo gaúcho"

Depois de meia dúzia de adiamentos, a Petrobras assinou 26 contratos de concessão para explorar petróleo na Bacia de Pelotas. Quando isso ocorre, a empresa se compromete a investir em um "programa exploratório mínimo" que chega a R$ 1,56 bilhão para os 44 blocos arrematados em dezembro de 2023.

Em cálculo muito superficial, só aos 26 com contratos já assinados a estatal precisaria dedicar R$ 922 milhões na fase inicial. Mas é importante observar que os primeiros serviços de exploração não necessariamente incluem embarcações.

É bom lembrar por que a Bacia de Pelotas, que já foi uma área geológica pouco valorizada no Brasil, voltou a atrair interesse: houve grandes descobertas na Namíbia, que fica do outro lado do Atlântico Sul.

Há cerca de 350 milhões de anos, o que hoje são os continentes na América e da África estavam unidos. Era a Gondwana, que deixou como "cicatrizes" da separação formações rochosas de origem vulcânica como o Itaimbezinho e os paredões de Torres, deste lado, e um conjunto conhecido como Ethendeka, na Namíbia.

Primeira atividade local seria sísmica

A etapa de exploração começa a distância. Envolve o estudo da área e a complementação de dados. Nada disso ocorreu desde dezembro de 2023, pelo adiamento do prazo para assinatura dos contratos. Caso o resultado aponte possibilidade de existência de um volume significativo de óleo no fundo do mar, pode chegar o primeiro navio: seria destinado a fazer o "levantamento sísmico", que faz uma espécie de ultrassonografia do subsolo marinho.

Se houver alta probabilidade de existência de "petróleo gaúcho", só então ocorre a primeira perfuração do subsolo marinho. É a única forma de ter certeza sobre a jazida. Caso a avaliação de custo/benefício seja positiva, termina a etapa de exploração e começa a de produção. Mas não se deve descartar situação oposta, como já ocorreu outras vezes na costa gaúcha: se houver risco de não encontrar reserva grande o suficiente para justificar mais investimentos, a área é devolvida à Agência Nacional do Petróleo (ANP). _

Depois de quase dois anos sem intervir no mercado de câmbio, o BC teve ontem a terceira atuação consecutiva. Finalmente, a cotação baixou, mas apenas 0,29%, para R$ 5,615. A maioria dos economistas prevê mais inflação.

Trimestre parado, reação forte em julho

No segundo trimestre, a construtora gaúcha Melnick teve prejuízo de R$ 28,8 milhões, resultado do impacto da enchente. Em julho, a empresa lançou três projetos com valor geral de vendas (VGV) de R$ 189 milhões. E negociou 40% desse total em um mês. Com unidades em estoque, foram R$ 100 milhões no total.

Os lançamentos foram os prédios residenciais Yofi (Bom Fim), o GO Moinhos (Rua 24 de Outubro), em Porto Alegre, e o Grand Park Moinhos, em Canoas.

- No relato do segundo trimestre, incluímos dados do mês subsequente para mostrar o que ocorre aqui ao investidor de fora do RS. Os números de julho foram surpreendentemente fortes - diz o CEO, Leandro Melnick.

O prejuízo veio, explica, porque a empresa paralisou as operações. O sistema de contabilização do setor apura lucro conforme o andamento das obras. Por isso, sustenta que não houve perda econômica para a empresa.

- Voltamos todos os esforços para ajudar, fizemos abrigos em estandes de venda.

A retomada foi reforçada com o prêmio de empreendimento do ano para o Teená, lançado em 2019, no 30º Prêmio Master Imobiliário.

Os gaúchos precisam restaurar a autoestima. Temos ações negociadas em bolsa e mostramos dados oficiais. Tivemos uma das conferências com maior participação de analistas, que queriam saber não só da Melnick, mas do RS - reforça Leandro. _

R$ 33,7 mi

é o investimento da Datacom, de Eldorado do Sul, cidade praticamente varrida pela enchente de maio. A empresa de telecomunicações fará esse aporte em inovação e desenvolvimento de novos produtos. Cerca de 90% dos recursos, ou R$ 30 milhões, vêm de financiamento do Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações do BNDES.

A empresa gaúcha já oferece soluções com tecnologia nacional e quer ampliar essa participação. O projeto prevê a criação de 21 postos de trabalho, dos quais oito em pesquisa e desenvolvimento. Com o acréscimo, a empresa deverá ficar com 450 trabalhadores. A fábrica tem 3 mil m2 e capacidade para produzir cerca de 30 mil equipamentos ao mês.

Expectativa de anúncio de planta de hidrogênio verde

O Rio Grande do Sul está mais perto de um passo importante na transição energética. A secretária estadual do Meio Ambiente, Marjorie Kauff- mann, espera que a primeira planta voltada apenas à produção de hidrogênio verde no Estado seja anunciada ainda neste ano.

O combustível para o avanço vem de Brasília. Em agosto, o governo federal instituiu o marco legal do hidrogênio de baixa emissão de carbono, definindo regras e benefícios para produção no país.

Há 10 empresas com memorandos de entendimento para produção de hidrogênio verde no RS. Na semana passada, foi assinado o mais recente, com a Arpoador Energia e a Mitsubishi Power. Uma das etapas que faltam envolve apresentações dos grupos temáticos da política estadual, que há cerca de um ano desenvolvem um modelo para a produção.

- Temos comissões avaliando necessidade de mão de obra, incentivos fiscais e licenciamentos. Com a nova lei federal, vamos revisitar. Ainda neste semestre, espero o anúncio da primeira planta de hidrogênio verde no RS - afirma Kauffman.

No Estado, o potencial do hidrogênio verde foi estimado em R$ 62 bilhões. _

empresa (s) Data

White Martins Dez/21

Enerfin Mar/22

Ocean Winds Jun/22

Neoenergia Ago/22

Pref. Rio Grande Fev/23

Green e Ventos Mai/23

CMPC Set/23

Equinor-Portos RS Set/23

CPFL Energia Set/23

Arpoador e Mitsubishi Ago/24

Dilúvio em livro

Já tem livro sobre o dilúvio de maio no Estado. Na verdade, um e-book, escrito por Gustavo Caleffi, sócio-diretor da Squadra Gestão de Riscos, Ana Flavia Bello e Roberto Zapotocz- ny Costa. Rio Grande do Sul 2024: Uma Perspectiva sobre Gerenciamento de Crises será lançado hoje, em São Paulo, na ISC Brasil Expo 2024.

Caleffi conta a experiência no Centro Integrado de Comando de Porto Alegre, exercendo a função como representante da sociedade civil e apoiando em resgates e logística de doações. Tem experiência de cerca de 20 anos em gestão de riscos e crises, desde resposta a desastres até segurança e antiterrorismo. _

GPS DA ECONOMIA


03 de Setembro de 2024
ESTATÍSTICA ELEITORAL - Marcelo Gonzatto

ESTATÍSTICA ELEITORAL

Proporção de candidatos jovens recua no Estado

Estatística eleitoral

Percentual de concorrentes de 18 a 29 anos cai ao nível mais baixo em duas décadas. Passou de 7,7% para 5,6% desde a última eleição municipal. Fenômeno ocorre também no país. Especialistas apontam efeito demográfico e possível redução de interesse em participação partidária

Queda abrupta - O mais novo do RS ainda frequenta o Ensino Médio

Candidato mais novo nestas eleições em todo o Rio Grande do Sul, com apenas 17 anos, Augusto Moller Estivalete nem mesmo aguentou esperar a maioridade para buscar uma vaga na Câmara Municipal de Bento Gonçalves. Como é preciso ter no mínimo 18 anos para se tornar elegível, sabe que poderá ser barrado pela Justiça Eleitoral.

Apesar desse obstáculo, afirma que decidiu arriscar a candidatura após avaliar que os políticos de sua região não responderam à altura aos desafios impostos pelas enchentes dos últimos meses. O adolescente, que termina de cursar o Ensino Médio e costuma almoçar na escola, avalia perceber, de fato, menor interesse em sua geração pela política partidária tradicional.

- Tem candidatos com mais de 30 anos que dizem querer representar a juventude, mas que não conhecem de verdade a nossa realidade. Quando digo que quero ser político, muitas pessoas me olham de jeito estranho, ou fazem brincadeiras perguntando se vou roubar. Mas acredito que a política é o melhor caminho pra ajudar as pessoas - afirma o concorrente que foge à regra desta eleição.

Logo acima de sua faixa de idade, há 21 adolescentes de 18 anos na disputa eleitoral de 2024 no Estado. 


O trabalho de Porto Alegre para retomar o turismo

Durante a enchente de maio, todos os setores foram, de certa maneira, afetados. O turismo da Capital não foi diferente. E com ele, uma série de ramos que vem na esteira acabaram sofrendo. Se não tem turista, o hotel fica sem clientes, o restaurante não vende, o motorista de aplicativo fica em casa e até o vendedor do brique da Redenção fica parado. Agora, passados quatro meses da catástrofe, inicia-se a retomada do turismo de Porto Alegre.

Ainda com a água inundando bairros da Capital, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo começou a trabalhar para verificar quais os impactos.

- Passado o olho do furacão, começamos a trabalhar como iríamos mapear o impacto na economia e no turismo de Porto Alegre. Foram 45 mil empresas atingidas pela mancha de inundação, e o setor de turismo foi muito afetado em razão de que a maioria dos restaurantes da cidade fica no Centro Histórico e no 4º Distrito, que foram as regiões mais afetadas. A questão da hotelaria também. Esse setor sofreu bastante dano físico e estrutural - explica a titular da pasta, Júlia Evangelista Tavares.

Entre os 45 mil afetados, estão inseridos restaurantes, hotéis, comércio varejista e outros setores. O maior impacto foi no ramo da alimentação, com 13 mil casos. Uns dos trabalhos da secretaria ainda durante a crise foi a prorrogação de alvarás para o período da enchente, isenção do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) para imóveis atingidos, entre outras ações.

No segundo momento, segundo a secretária, iniciou-se o período de reconstrução da cidade, tanto física quanto de autoestima:

Como é que fazemos de novo essa promoção turística da cidade de Porto Alegre? Como incentivamos as pessoas a voltarem a consumir o produto local? A continuarem frequentando os restaurantes?

Um dos trabalhos que a secretaria está colocando em prática neste momento é a divulgação da cidade.

- Esse é o grande desafio, pois tem dois cenários: em um acham que o problema do RS está resolvido, que o dinheiro já chegou e que as pessoas já estão com casa e que esse é assunto passado, e o outro time acha que aqui nós estamos embaixo d?água, que todo mundo foi resgatado de bote, que não tem mais nada para se fazer e visitar. Então, precisamos atacar os dois problemas.

Para "atacar" esses dois pontos, Júlia destaca duas ações que a pasta vem colocando em prática: a cobrança de auxílios ao governo federal para os afetados, com idas a Brasília e reuniões com o Executivo, e a promoção da Capital em feiras do setor, mostrando os diferenciais e atrativos que Porto Alegre pode apresentar. 

Denúncias de assédio eleitoral

De acordo com o relatório do Ministério Público do Trabalho (MPT), são duas denúncias em Porto Alegre (sendo uma desativada), duas em Caxias de Sul e uma em Passo Fundo.

No pleito eleitoral de 2022, o Estado registrou 334 denúncias.

Em casos como esses, a denúncia deve ser feita pelo site do MPT, pelo telefone das unidades, pelo Disque 100 ou direto nas procuradorias do trabalho.

Para que as denúncias tenham efetividade, são necessárias provas do assédio. _

Protestos nas formaturas

A obra dos autores Elisa Kopplin Ferraretto e Elvino Barros traz uma pesquisa documental e entrevistas com estudantes da época. Com peculiaridades das formaturas e doses de protestos contra a ditadura militar.

- Estávamos no ano passado produzindo um material sobre os 125 anos da faculdade e deparamos que nos convites não apareciam nem paraninfos nem homenageados. Descobrimos que faziam isso em forma de protesto contra uma reforma universitária feita pelo regime militar, que ocorreu durante o curso - explica Elisa.

O ato foi repetido nos anos seguintes. Algumas vezes, homenagearam pessoas mortas. Outras formas de protesto, como discursos, mudança nos rituais de formatura, a recusa de uso da beca ou toga, foram praticadas.

- Para a universidade, foi impactante. Em 1979, a direção suspendeu a formatura, e os alunos fizeram seu próprio evento.

A obra conta com vídeos e até o áudio de uma solenidade de 1975, que estão disponíveis via QR code no livro. _

INFORME ESPECIAL

segunda-feira, 2 de setembro de 2024

A F-150 já domina o mercado dos EUA. Qual a estratégia para o Brasil?

Nova F-150 chega por aqui em duas versões: a Lariat e a Lariat Black, com acabamento cromado ou preto. Preço fica o mesmo do modelo anterior e garantia aumentou

Nova F-150. (Divulgação/Divulgação)

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A Ford F-150 é um ícone da indústria automobilística mundial e o veículo mais vendido nos Estados Unidos há 47 anos. No entanto, o sucesso nos EUA não se reflete no mercado brasileiro. Por aqui, a liderança no segmento de picapes grandes pertence à Ram Classic, que vendeu 937 unidades no primeiro semestre deste ano, segundo dados da Fenabrave. A picape do oval azul teve 258 unidades emplacadas no mesmo período.

Se depender da Ford, essa situação deve mudar consideravelmente nos próximos meses. A montadora tem um plano traçado para alcançar a liderança no segmento no Brasil com o lançamento da nova F-150. O modelo passou por um facelift que a deixou mais moderna e atual, mas ainda assim clássica. Um dos grandes atrativos e a aposta da Ford para mudar esse cenário é o preço e a garantia.

A F-150 chega por aqui em duas versões: a Lariat e a Lariat Black, com acabamento cromado ou preto. Ambas são completas e têm o preço de R$ 519.990, o mesmo valor do modelo anterior Platinum. Há alguns itens opcionais, mas eles são mais acessórios. A garantia, que antes era de três anos, agora é de cinco anos. As encomendas podem ser feitas a partir desta segunda-feira, 26. Quem pedir agora receberá a picape em outubro ou novembro.

Mudança no design

O design da F-150 ficou mais moderno e robusto, seguindo o DNA da família Raça Forte. A nova frente traz faróis com luzes de assinatura em formato de "F" estilizado, da Ford. A grade, com duas barras horizontais, tem acabamento cromado na versão Lariat e em preto brilhante na Lariat Black, padrão que se repete nos retrovisores, maçanetas e nas novas rodas de 20 polegadas. Já os para-choques são cromados na Lariat e na cor da carroceria na versão Black.

A F-150 é o primeiro modelo a exibir o novo logotipo oval da Ford, com friso e letras brancas em vez do tradicional cromado. O emblema, aplicado na grade dianteira, é mais um item de personalização dos modelos, com fundo azul na Lariat e preto na versão Black.

Outra grande novidade é a tampa da caçamba multiacesso, chamada Pro Access, que pode ser aberta tanto da forma tradicional quanto lateralmente. Junto com o novo degrau embutido no para-choque, ela torna o acesso ao compartimento de carga mais fácil, principalmente quando o veículo é usado com reboque.

Motor e desempenho

A nova F-150 vem de série com o pacote off-road FX4, composto por protetores metálicos e suspensão com tunagem especial para fora de estrada, e tanque estendido de 136 litros com autonomia de mais de 1.000 km.

“Ela é a picape mais potente do Brasil, com o motor V8 5.0 de 405 cv e torque de 56,7 kgfm, que acelera de 0 a 100 km/h em 7,1 segundos e tem a melhor relação peso/potência do mercado, de 5,89 kg/cv”, explica André Oliveira, diretor de Engenharia da Ford América do Sul.

A moto indiana que se tornou um fenômeno no Brasil e tem fila de espera de 4 meses

A marca indiana Royal Enfield, presente no Brasil há sete anos, já é líder no segmento Custom

Royal Enfield: Super Meteor 650. (Divulgação/Divulgação) - Gilson Garrett Jr.


O setor de vendas de motos no Brasil tem mostrado um crescimento constante nos últimos anos. Dados da Fenabrave mostram que, de janeiro a julho deste ano, foram emplacadas 1,089 milhão de motos, quase 200 mil unidades a mais do que no mesmo período do ano passado. Especialistas apontam diversos fatores para esse crescimento, destacando uma maior estabilidade econômica do país e a busca da população por soluções de transporte mais ágeis.

Embora a Honda continue sendo a líder isolada no ranking geral, com mais de 760 mil motos emplacadas nos primeiros sete meses do ano, alguns segmentos chamam a atenção. Um exemplo é a categoria Custom, que se destaca por motos com design mais clássico, mas altamente eficiente e tecnológico.

A marca indiana Royal Enfield, presente no Brasil há sete anos, já é líder no segmento Custom, com a Hunter 350 no topo, acumulando 3.027 unidades emplacadas neste ano. O lançamento mais recente, a Super Meteor 650, surpreendeu pela alta demanda: em apenas 48 horas foram comercializadas 650 unidades. Atualmente há uma fila de espera com 1.300 pessoas e um tempo estimado de entrega de quatro meses.

O sucesso da Super Meteor 650 foi inesperado, como conta Renato Ferri, gerente de Marketing da Royal Enfield Brasil. “O projeto da Super Meteor 650 tinha a missão de combinar o DNA da nossa marca, características e personalidade cruiser, com o refinamento e sofisticação que o público espera, além de um motor que entregasse potência e leveza simultaneamente”, afirma.

Um dos principais atrativos da moto é seu preço, significativamente abaixo dos concorrentes. A Super Meteor 650 chega ao Brasil com preços a partir de R$ 33.990 para a versão Astral, R$ 34.490 para a versão Interstellar, e R$ 34.990 para a versão Celestial, incluindo a entrega até o cliente, algo inédito no setor.

Segundo Gabriel Patini, diretor executivo Latam da Royal Enfield, novas encomendas são feitas por meio de uma lista de intenção de compra. "Temos um setor na Índia que elabora os kits para montagem das motos aqui no Brasil, dedicado exclusivamente a nós, para atender à alta demanda", conta.

Como é a Super Meteor 650

A Super Meteor 650 é uma motocicleta da linha premium, projetada para a estrada. Seu motor bicilíndrico oferece trocas de marcha precisas, forte aceleração em baixas rotações e uma resposta de aceleração sem esforço. Tem 648 cilindradas e 53,3 Nm de torque.

O design inclui um assento baixo e largo e uma posição de pilotagem descontraída, proporcionando conforto em viagens longas. Também possui um painel de instrumentos digital-analógico de inspiração retrô com tela LCD e navegação Tripper integrada.

Fábrica e Concessionárias

Fundada em 1901 na Inglaterra e atualmente de propriedade indiana, a Royal Enfield é uma das maiores fabricantes de motos do mundo. No Brasil, a marca possui uma fábrica na Zona Franca de Manaus desde dezembro de 2022, em parceria com a Dafra, que monta kits enviados da Índia.

Entre 2023 e 2024, a Royal Enfield registrou um crescimento de 44% nas vendas e estabeleceu uma meta agressiva de expansão, com planos de aumentar de 28 para 38 concessionárias até o fim do ano. As novas concessionárias serão abertas em cidades do interior de São Paulo, Santa Catarina, Paraná, além de Cuiabá, no Mato Grosso. Para 2025, a meta é chegar a 60 concessionárias.

Mindfulness: o que é e para que serve

Mindfulness, ou atenção plena, ajuda a focar no presente, reduzir o estresse e aumentar a produtividade

Treinamento introdutório vai preparar profissionais para tomarem decisões estratégicas com base em dados e análises avançadas (Freepik)

Treinamento introdutório vai preparar profissionais para tomarem decisões estratégicas com base em dados e análises avançadas (Freepik)

Durante nossa jornada escolar, universitária e profissional, todos nós somos lembrados constantemente da importância da atenção e do foco para o bom desenvolvimento de todas as tarefas demandadas em nosso dia a dia. Por vezes, essa “atenção” cobrada se torna um conceito abstrato, principalmente em um mundo onde nosso foco é disputado incessantemente por aplicativos, notificações e redes sociais.

Dentro desse cenário, o Mindfulness surge como um aliado para nos educar a respeito do que é a atenção e como ela pode se tornar nossa aliada.

Para que serve o Mindfulness?

A origem dessa técnica remonta a meditações usadas em templos budistas habitados há 500 anos antes do nascimento de Cristo, porém a palavra se popularizou no mundo corporativo junto ao avanço tecnológico a partir dos anos 70 e se tornou sinônimo de controle do estresse, aumento de produtividade, diminuição de dores crônicas e até mesmo um tratamento alternativo para doenças como a depressão.

Como funciona meditação Mindfulness?

O estado de Mindfulness se caracteriza por ações e pensamentos conscientes, ancorados no momento presente e estruturados para que suas metas sejam atingidas de forma objetiva e intencional, ao invés de reativa e emocional.

Com o passar dos anos, mais e mais artigos e estudos científicos foram feitos a respeito da técnica, principalmente nos Estados Unidos e a consolidou como uma tendência que dificilmente sairá de moda dentro das maiores empresas do mundo que buscam conciliar resultado com saúde mental e bem-estar dos seus colaboradores. E o melhor é que você pode praticar Mindfulness sozinho e até mesmo ajudar a implementá-lo em sua empresa!

Leia mais: Adaptabilidade: entenda o que é e a importância dessa habilidade para os profissionais do futuro

Como praticar Mindfulness para iniciantes?

É preciso entender que o Mindfulness é um treinamento mental constante, assim como acontece com exercícios físicos. Você não alcançará grandes resultados se praticar apenas esporadicamente e sem a dedicação necessária. Você precisa disciplinar sua mente para obter controle sobre seu foco e o primeiro e mais importante passo é: praticar.

As técnicas são muito parecidas com as de uma meditação comum, confira exercícios de Mindfulness:

Tire ao menos 10 minutos do seu dia para “apenas” respirar e deixar sua mente divagar em todos os pensamentos e sentimentos abstratos que competem pela sua atenção durante o dia;

Em seguida, traga sua atenção completa para sua respiração e para os movimentos do seu corpo focando no momento presente e aguçando todos os seus sentidos para degustá-lo;

Antes de começar seu dia elabore uma lista pequena de prioridades e estipule um prazo para sua execução, de preferência com poucas horas de duração;

Evite realizar mais de uma tarefa ao mesmo tempo, por exemplo: ao almoçar, sente-se apenas para saborear o alimento, sem checar o celular ou assistir algum programa na TV;

Faça pausas intencionais durante o seu dia para relaxar entre uma tarefa e outra sem sobrecarregar o seu cérebro.

Além disso, é importante que essas práticas sejam incorporadas e se tornem uma parte natural do seu dia, não apenas comportamentos adotados visando atingir os benefícios finais, pois isso causar um nível de ansiedade que atrapalhará ainda mais o seu foco.

Benefícios do Mindfulness

É importante lembrar que essa técnica foi trazida para o espectro corporativo no intuito de aumentar o bem-estar dos profissionais e tornar sua rotina mais leve. O Mindfulness pode ser adaptado livremente para se tornar um aliado e os parâmetros de sucesso dessa experiência serão definidos por você.

Imprevistos, problemas pessoais e distrações fazem parte da rotina de todos nós. O importante é construir mentalmente um lugar estável que aumente sua confiança na hora de tomar decisões e alcançar o sucesso profissional.

Storytelling: o que é e como aplicar essa técnica?

Publicado em 29 de agosto de 2024 às 18h12.

Em nossa vida, nós é que escrevemos nossos próprios cases e, cá entre nós, quem não gosta de uma boa história?

Neil Gaiman, um autor britânico, diz que “histórias lidas no momento certo jamais te abandonam. Você pode esquecer o autor ou o título. Pode até não lembrar precisamente o que aconteceu. Mas se você se identifica com uma história, ela continua com você para sempre.”

O que é storytelling?

Em tradução literal, storytelling significa narrativa. A técnica de storytelling tem caráter persuasivo, e as pessoas que dominam essa habilidade são capazes de transmitir conteúdo por meio de um enredo elaborado e de narrativas envolventes. 

O tripé de sustentação do storytelling é fundamentado por três elementos, que precisam estar sempre conectados:

Técnicas narrativas: nesta etapa, são definidos os caminhos conceituais que sustentarão o conteúdo;

Conteúdo narrativo: parte mais conhecida e explorada do Storytelling, é o que dá vida à técnica;

Fluidez: para uma história ser consistente, ela precisa ser contínua. Tentar não ser interruptiva, mas sim criar experiências e momentos de conexão com suas audiências.

11 elementos principais para uma boa narrativa

Existem algumas técnicas que podem ser usadas para fazer um storytelling, embora não haja uma “receita de bolo pronta”. O storytelling eficaz geralmente incorpora uma combinação de elementos para cativar a audiência e transmitir a mensagem de maneira envolvente. 

1. Personagens

Introduza personagens interessantes e bem desenvolvidos. Eles podem ser heróis, vilões ou personagens com os quais o público possa se identificar. A empatia em relação aos personagens é crucial.

2. Gancho

Inclua um gancho no início da história para capturar imediatamente a atenção da audiência. Um bom gancho desperta a curiosidade e incentiva as pessoas a continuarem ouvindo.

3. Enredo 

Desenvolva uma narrativa clara e coesa com início, meio e fim. O enredo deve ter conflitos, desafios e resoluções para manter o interesse da audiência.

4. Conflito

Introduza um conflito central para impulsionar a história. O conflito cria tensão e mantém o interesse da audiência, que deseja ver como os personagens lidam com os desafios apresentados.

5. Cenário 

Descreva o ambiente e o contexto em que a história se desenrola. O cenário contribui para a atmosfera da narrativa e pode influenciar as emoções dos ouvintes.

6. Ponto de virada 

Inclua momentos decisivos na história que mudam o curso dos eventos. Esses pontos de virada adicionam surpresa e mantêm o público envolvido.

7. Tema

Identifique o tema central da história. O tema é a mensagem ou lição que você deseja transmitir, e deve fornecer uma base para a narrativa.

8. Tom e estilo

Defina o tom da história, que pode ser humorístico, dramático, inspirador etc. O estilo de narração também é importante, pois pode variar de acordo com a audiência e o propósito da história.

9. Ponto de vista 

Escolha um ponto de vista narrativo que sirva melhor à sua história. Pode ser em primeira pessoa, terceira pessoa ou até mesmo múltiplos pontos de vista.

10. Clímax 

O clímax é o ponto de maior intensidade na história, muitas vezes marcado por uma grande revelação, confronto ou momento de virada. É o momento mais emocionante e impactante.

11. Conclusão

Feche a história de maneira satisfatória. As conclusões devem resolver os conflitos principais e proporcionar uma sensação de encerramento.

Por que é tão importante saber fazer um bom storytelling?

Ao combinar esses elementos de forma habilidosa, é possível criar histórias cativantes e impactantes em diversos contextos. 

Seja para influenciar, educar, inspirar ou simplesmente se conectar com os outros, o storytelling desempenha um papel fundamental em diversas áreas da vida e do trabalho. Também podemos elencar os seguintes benefícios: 

Engajamento e retenção da atenção do público por meio de histórias envolventes. As pessoas se conectam emocionalmente com histórias, o que aumenta a probabilidade de lembrarem da mensagem que está sendo transmitida.

Transmissão de mensagens complexas, uma vez que, ao incorporar informações em uma narrativa, você torna conceitos complicados mais compreensíveis e acessíveis ao seu público.

Construção de identidade e marca, contando a história da empresa, seus valores e sua jornada com uma narrativa profunda e que pode criar uma conexão mais profunda com os clientes.

Persuasão para influenciar as opiniões e decisões das pessoas de maneira mais eficaz do que simples argumentos ou dados.

Diferenciação da concorrência por meio de histórias únicas.


02 de Setembro de 2024
CARPINEJAR

Os inocentes do X

Fui um dos primeiros adeptos do Twitter no país. Abri a minha conta em 2009, três anos após sua fundação nos Estados Unidos por Jack Dorsey, Biz Stone, Noah Glass e Evan Williams, o quarteto que revolucionou a comunicação digital com sua proposta de microblogging ("blogar rápido"). Vivíamos o auge dos blogs. O pássaro azul, logotipo do aplicativo, incitava-nos a cantar junto - seu nome é uma alusão a twitter ("gorjear" em inglês). Havia uma mágica naquele SMS público, um desafio de dizer muito em pouco, de escolher bem as palavras para que uma ideia coubesse exatamente em 140 caracteres (depois o tamanho dobrou para 280 caracteres).

Eu me senti enfeitiçado pela possibilidade de elaborar aforismos, máximas poéticas. Nunca parei de postar nesses 15 anos, com cinco ou sete mensagens por dia. Tanto que me tornei o primeiro autor brasileiro a publicar uma coletânea de frases feitas no Twitter em formato de livro.

Experimentávamos uma comunidade viva de informação, com trending topics (assuntos do momento), notícias e personalidades mais lembradas. Quando você queria descobrir se uma fofoca era verdade, consultava a barra de 20 tópicos mais populares.

Além das hashtags, dispúnhamos de recursos novos como linha do tempo, mensagens diretas, e respostas e menções nos tweets.

Diante da polarização ideológica das últimas eleições, aquele espaço passou a ser mais raivoso, com ataques a todo posicionamento aberto. Qualquer um poderia ser linchado em minutos por causa das divergências políticas. A ave celeste começou a ser apedrejada. Muitos deixaram de frequentar a rede por uma questão de saúde emocional. Aquilo que iniciou com a inofensiva pergunta "o que está pensando?" desandou para a subjetividade pantanosa de "quem você está odiando?".

Mas resistíamos, procurando adoçar, com a ternura de pequenas frases, a existência de milícias digitais. Eu contava com mais de 820 mil seguidores e acompanhava 13 mil perfis. Não permitia que a intransigência me contaminasse, separando o joio do trigo, os robôs dos humanos.

Em 2022, o multimilionário Elon Musk comprou a plataforma por US$ 44 bilhões e trocou o nome lendário por uma letra: X. Entre as novidades, os verificados com selo azul teriam que pagar para manter o privilégio, e quem não era famoso poderia adquirir a diferenciação.

Em seguida, deflagrou-se uma guerra entre Musk e a corte brasileira, em especial o ministro Alexandre de Moraes, chamado por Musk de ditador. Era o adeus ao poder ilimitado dessa mídia.

Assim Moraes determinou, na última sexta-feira, a suspensão do X no Brasil devido ao "desrespeito à legislação e o reiterado descumprimento de inúmeras decisões judiciais" por parte da plataforma, contrariando o Marco Civil da Internet. De acordo com essa legislação, de 2014, empresas que atuam na internet devem ter representantes no Brasil para responder na Justiça pelos seus atos. Elon Musk alega que não há representantes e ainda afirma que vai aproveitar para encerrar sua ação no solo brasileiro.

O que não é justo - sem entrar em detalhes do imbróglio judicial - é que os 9 milhões de usuários ativos no Brasil sejam prejudicados com a resolução, extrapolando a responsabilização dos envolvidos. Tantas pessoas que usavam o X para o trabalho ou para as suas relações sociais, entre as quais me incluo, perderam seus domínios e não fizeram nada de errado. Não postaram nenhuma ofensa, não agiram com intolerância religiosa, ou com preconceito, ou com injúria, ou com pornografia. Não violaram os códigos de conduta da comunidade. Permaneceram invisíveis para a lei, ou significaram uma massa de manobra no meio da negociação.

Quem garante que o mesmo não possa acontecer no futuro com o Facebook, com o Instagram, com o Threads, com o TikTok? Você aprende da pior forma que a conta nunca foi sua. 

CARPINEJAR


02 de Setembro de 2024
CLÁUDIA LAITANO

A vida e o baile

O Leopardo (1958) foi uma das grandes paixões literárias da minha juventude. Li o romance antes de assistir ao filme do Visconti, o que significa que os personagens principais ainda não tinham, como viriam a ter, os rostos de Burt Lancaster e Alain Delon. Relendo o livro agora, sou obrigada a concordar com a Cláudia de 20 e poucos anos. É mesmo um livro para se apaixonar, mas talvez mais melancólico do que eu lembrava ou do que eu seria capaz de perceber naquela idade.

Quando a narrativa se inicia, em maio de 1860, Garibaldi está prestes a desembarcar na costa da Sicília, anunciando a queda iminente do antigo regime. Don Fabrizio, o magnífico príncipe de Salina, percebe que o mundo que conheceu até então está prestes a deixar de existir. Seu jovem sobrinho, Tancredi, rapidamente providencia a tábua de salvação que vai garantir a manutenção dos privilégios da família em meio às turbulências da História: o casamento da tradição com o dinheiro, na figura da voluptuosa Angélica, filha de um burguês sem modos da região. É de Tancredi a frase que se tornaria ainda mais célebre do que a obraprima póstuma da Lampedusa: "Se queremos que tudo fique como está é preciso que tudo mude". 

O Leopardo é um daqueles romances em que os acontecimentos históricos formam uma espécie de duplo com subjetividade dos personagens. Ao mesmo tempo em que acompanhamos a decadência de uma ordem social que parecia destinada à eternidade, vemos o príncipe de Salina lidando com a ideia cada vez mais concreta da própria finitude - sensação que aflige nobres e plebeus exatamente da mesma forma. No filme de Visconti, de 1963, esse aspecto fica ainda mais evidente na longa e extraordinária sequência do baile. 

Enquanto Tancredi (Alain Delon) e Angélica (Claudia Cardinale) vivem um instante de plenitude, enamorados de si mesmos e do futuro que os aguarda, Don Fabrizio (Burt Lancaster) contempla tudo com melancolia e distanciamento. Não apenas porque seus anos de mazurca já passaram e ele já não tem mais idade para adaptar-se com facilidade às novas circunstâncias, mas porque intui (sabe) que a felicidade do jovem casal será tão passageira quanto sua juventude e beleza. 

A vida nunca supera o baile. Enquanto eu relia O Leopardo, Alain Delon morreu, aos 88 anos, na França. Ao que consta, amargurado com os filhos, com a política (era amigo e admirador de Jean-Marie LePen), com a velhice. No cinema - pelo menos no cinema - o baile continua. Neste exato instante, em algum lugar, Delon e Cardinale ainda dançam, plenos de beleza e futuro, para puro deleite da plateia. _

CLÁUDIA LAITANO


02 de Setembro de 2024
EDITORIAL

Os limites do da liberdade

Além de acirrar a polarização política em nosso país, causa justificada repercussão mundial a suspensão no Brasil da rede social X (antigo Twitter) pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A bombástica decisão judicial que entrou em vigor no último final de semana, privando milhares de usuários de se comunicar pela plataforma digital comandada pelo empresário Elon Musk, não deve ser vista apenas como uma disputa de poder entre um juiz autoritário e um bilionário prepotente, ainda que ambos pareçam merecer tais rótulos por atos e manifestações exacerbadas. 

Na verdade, outros valores maiores estão em jogo nesse embate, entre os quais os limites da liberdade de expressão e a urgência de uma regulamentação isonômica para os serviços digitais com legitimidade para conter deformações como a disseminação de fake news, a apologia a crimes, a apropriação indébita de conteúdos, a manipulação de processos eleitorais e outros atentados à democracia.

O episódio brasileiro, portanto, integra um grande debate mundial sobre o enquadramento legal de gigantes da tecnologia que atuam como veículos de comunicação na produção e na distribuição de conteúdos. Mas também envolve questões nacionais que não podem ser ignoradas. O confronto teve início pouco depois dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, quando uma multidão de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro invadiu e depredou as sedes dos três poderes em Brasília. 

Na sequência, o STF intensificou as investigações sobre a disseminação de conteúdos falsos nas redes sociais, ordenando o bloqueio de usuários acusados de integrar milícias digitais e atentar contra a democracia. Como proprietário da rede social X, Elon Musk acusou o ministro brasileiro de censura e a plataforma não retirou do ar os perfis, desrespeitando as decisões do STF.

No despacho que suspende a operação da rede no Brasil, Alexandre de Moraes contesta as acusações, dizendo que "Elon Musk confunde liberdade de expressão com liberdade de agressão, confunde deliberadamente censura com proibição constitucional ao discurso de ódio e de incitação a atos antidemocráticos".

Ainda que a medida extrema de suspensão do uso da rede social esteja sendo contestada por muitos usuários e até mesmo por especialistas em direito, é inquestionável que uma decisão judicial precisa ser respeitada e cumprida, até mesmo porque, num regime democrático como o nosso, o sistema judiciário contém mecanismos para corrigir seus próprios excessos. No caso específico, cabe à parte inconformada recorrer ao tribunal para que a decisão monocrática seja reavaliada pelo plenário da Corte. Aliás, o próprio relator já convocou a primeira turma do STF para examinar sua medida nesta segunda-feira.

Porém, independentemente do desfecho que tiver o atual episódio, ele já deixou evidente, mais uma vez, que as plataformas digitais precisam de regramento nacional. Com o poder que adquiriram de interferir na vida das pessoas e das nações, não podem continuar submetidas apenas ao controle discricionário de empresas globais de tecnologia comprometidas apenas com o lucro e com os interesses de seus proprietários. 


02 de Setembro de 2024
GPS DA ECONOMIA - Marta Sfredo

GPS DA ECONOMIA

Presidente da Termolar, formada em Administração pela ESPM, fez Gestão Financeira na FGV e MBA em Administração na Estação Business School

"Depois de forte queda, tivemos recorde, o melhor resultado da história"

Natalie Ardrizzo assumiu a presidência da Termolar no início de 2021, aos 32 anos. No mês passado, deixou sua marca na história da empresa de 66 anos, uma rara indústria no coração de Porto Alegre: o recorde máximo de volume de produção.

Qual foi o impacto da cheia?

Não paramos a produção, mas estava tudo pronto para isso se houvesse necessidade, porque houve projeção de que a inundação chegaria. Vi barcos passando na esquina. No dia 3 de maio, não esqueço, íamos desligar máquinas, porque não tinha como içar. Olhávamos hora a hora, para não colocar nem pessoas nem o equipamento em risco. Como a área é mais elevada, a água não chegou. Mas a produção caiu para pouco mais de dois terços, tivemos problemas de estoque, de falta de matéria-prima, muitos percalços.

Qual foi a reação?

Cuidamos dos funcionários, antecipamos benefícios, distribuição de lucros, compramos cesta básica, água potável, abonamos o ponto para quem não conseguiu vir trabalhar. Para a cidade, emprestamos empilhadeiras, apoiamos abrigos.

O que veio depois?

Depois de forte queda, tivemos recorde, o melhor resultado da história. Produzimos 1.104.122 unidades em julho, ou 92 mil dúzias de garrafas e outros utensílios.

Como foi possível?

Investimos no parque fabril, em máquinas novas, em produtividade. O friozinho desse inverno ajuda na venda de garrafas térmicas. Mas também temos um trabalho forte de liderança interna para melhorar processos e indicadores. Temos um gerente industrial com larga experiência, que veio da Gerdau. Temos um mix de pessoas muito experientes, com 20 ou 30 anos de empresa, com desenvolvimento de novos líderes.

Como é possível manter a produção em Porto Alegre?

Tivemos centros de distribuição fora, fechamos, reabrimos, para aproveitar questões tributárias e logísticas. Mas não recebemos proposta com supervantagem para ir para outro lugar. Estudamos diversos movimentos. O terreno é próprio, então teria de fazer uma jogada que valesse muito a pena. Até hoje, não sentimos que era momento de mudar, seja para as cercanias ou para abrir fábrica em outra localidade.

Há mais vantagens ou mais problemas?

Do ponto de vista interno, estar em uma ponta da cidade é ruim. Mas estar em Porto Alegre, no sul do Brasil, é bom porque nosso mercado, apesar de nacional, é concentrado aqui.

? Existe espaço para ampliação, se for necessária?

São seis hectares, é uma área substancial. Mas não temos só produção, precisamos de área de estocagem e expedição. Então, já está começando a ficar apertado. Estamos estudando CDs para tirar pressão.

Como encaram a concorrência dos produtos Stanley?

Como sempre encaramos a concorrência. Sempre há novos entrantes. Todo mundo quer uma garrafa térmica para água, chimarrão, chá, café. O que a gente faz é olhar para dentro, fortalecer nossa marca e tentar criar a melhor experiência possível para o consumidor, seja o final, que vai usar, seja o intermediário, que vai revender.

Mulher no comando parece normalizado, mas ainda há desafios. Como tem sido a experiência?

Tenho muito orgulho de ser mulher e fazer tudo que faço, porque consigo fazer um trabalho incrível independente de questão de gênero. Recebo feedbacks de que já dei outra cara para a empresa, mas isso foi feito em equipe.

Já sentiu preconceito?

Estou na Termolar há nove anos e, no início, houve momentos mais tumultuados. Nos últimos anos, o resultado fala mais alto. Não sofri preconceito, mas visitei países asiáticos e me sentei para jantar enquanto mulheres cozinhavam, filhos serviam e eu estava à mesa com seis homens, bem mais velhos. Foi estranho estar em um lugar em que essa questão é ainda mais complicada do que aqui. Li há pouco o livro sobre a Casa Gucci, a filha não ter herdado um centavo por ser mulher. Meu pai sempre dizia que eu tinha de ser o que quisesse, fazer o que quisesse, que não tinha de depender de ninguém, nem de homem nenhum. Cresci nesse ambiente, sempre fui muito aventureira. 


02 DE SETEMBRO DE 2024
NO PLENÁRIO VIRTUAL

NO PLENÁRIO VIRTUAL

Colegiado do STF julga hoje decisão que suspendeu o X - No plenário virtual. Alexandre de Moraes ordenou na sexta-feira o bloqueio da rede social de Musk em razão de descumprimento de ordens judiciais

Os ministros da 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) começariam a julgar, a partir da madrugada de hoje, a decisão que suspendeu o acesso ao X, o antigo Twitter, após reiterados descumprimentos de ordens judiciais pela plataforma do bilionário Elon Musk. O julgamento será em uma sessão virtual extraordinária, conforme o despacho, ontem, de Alexandre de Moraes, que liberou o processo para análise colegiada. Além de Moraes, compõem a 1ª Turma do STF a ministra Cármen Lúcia e os ministros Luiz Fux, Cristiano Zanin e Flávio Dino.

No plenário virtual, os ministros inserem votos no sistema, sem debate com transmissão aberta. Os magistrados terão até 23h59min de hoje para se manifestarem e poderão manter ou não a decisão que suspendeu o acesso à rede social.

Desde a madrugada de sábado, os provedores de internet passaram a cumprir a ordem judicial e restringir o acesso ao x.com. No centro de uma briga com Musk, Moraes havia sido aconselhado por outros ministros para levar o caso à análise colegiada para que o tema fosse referendado pelos pares.

Musk se recusou a cumprir determinação de Moraes para que em 24 horas indicasse um representante legal no Brasil. Antes, o empresário já havia desobedecido a decisões judiciais para bloqueio de perfis suspeitos e pagamento de multas, que chegam a cerca de R$ 18,3 milhões.

Ataque

Em mais um ataque a Moraes, Musk fez uma publicação em seu perfil no X chamando o ministro de "falso juiz" e acusando-o de interferir nas eleições presidenciais de 2022 no país, mas sem apresentar prova. Na postagem, o empresário afirma que funcionários do Twitter "parecem ter sido cúmplices" na suposta interferência do ministro e pede que qualquer pessoa com exemplos ou evidências nesse sentido respondam a ele.

No sábado, Musk criou um perfil no X chamado "Alexandre Files", para divulgar decisões sigilosas de Moraes relacionadas ao bloqueio de contas e conteúdos na plataforma.

Mesmo suspensa no Brasil, a X continuou sendo usada por alguns políticos bolsonaristas, como o deputado Marcel Van Hattem (PP-RS), que afirmou estar usando redes privadas virtuais, conhecidas como VPN, para burlar a restrição. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), em publicação em inglês, falou sobre o risco de ser multado, mas disse que "não vai recuar", afirmando que se o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) poderia continuar postando na rede, ele também tinha o direito. O TSE realizou postagens no sábado e no domingo. Questionado pelo jornal O Estado de S.Paulo, o órgão afirmou que as postagens estavam programadas e por isso foram publicadas depois da determinação de Moraes. A suspensão impossibilitou a exclusão dos agendamentos.

No sábado, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) criticou a suspensão do X e sugeriu que Moraes quer uma ditadura. 


02 de Setembro de 2024
INFORME ESPECIAL

Voltaire de Lima Moraes - Desembargador e presidente do Tribunal Regional Eleitoral do RS

"Nossa maior preocupação é evitar abstenção"

Faltam pouco mais de 30 dias para o primeiro turno das eleições municipais e os olhos dos mais de 8,6 milhões de gaúchos aptos a votar se voltam para o dia 6 de outubro. Mas como que o Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS) está se preparando para o dia do pleito? A coluna conversou com o presidente do órgão, o desembargador Voltaire de Lima Moraes.

Como o TRE está se preparando para o pleito?

Logo que surgiu o problema das enchentes, nós fizemos uma reunião com as principais zonas eleitorais atingidas. Levar a nossa solidariedade e, ao mesmo tempo, ouvi-los. Mas, antes disso, nós estabelecemos uma estratégia aqui. Ouvir todas as zonas eleitorais e os secretários das respectivas áreas e, in loco, com as suas equipes, verificar as mais atingidas. 

Foi um trabalho gigantesco para fazer todo esse levantamento. Nós tínhamos, no início, digamos assim, uma projeção que não era muito favorável. Depois, uma projeção mais favorável. Hoje eu posso dizer que, lá atrás, aquela posição que nós tomamos no sentido de que deveriam ser realizadas as eleições foi algo muito acertado. Hoje, nós podemos dizer que nós temos uma convicção plena que as eleições vão ser realizadas de forma muito tranquila.

Há um levantamento de quantos locais foram afetados?

O levantamento final será divulgado no início de setembro. Podemos dizer que foi bem menos do que 10%. Os locais afetados serão realocados. ? Para quem ainda estiver fora de sua cidade, como será?

O que vai haver, por exemplo, no dia, é o transporte público municipal liberado. E nós estamos também pensando nas pessoas que estão em abrigos. Fazer um movimento de atendimento. Pois nossa preocupação maior hoje é com evitar abstenção alta. Então, nós vamos fazer uma campanha que vai ser desencadeada aqui, um grande evento no dia 18 de setembro, no sentido de que se faça um chamamento às pessoas para irem votar. Eu sempre tenho salientado isso e volto a bater nessa mesma tecla, que nos preocupamos sempre em escolher o melhor médico, o melhor colégio, o melhor dentista para o filho, o melhor livro. E o gestor municipal pode mudar a vida de uma pessoa, de uma família, de várias pessoas. Temos que ter essa preocupação de saber escolher bem.

Já chegaram as 6,5 mil urnas para substituir os equipamentos danificados na enchente?

As urnas já chegaram e nós temos, inclusive, urnas de sobra agora, que ficam de reserva. Nós estávamos preocupados com os mesários também. Mas nós fizemos essa campanha do mesário voluntário e hoje está tudo tranquilo com relação a isso também. Não vai ter problema, temos bastante voluntários, inclusive, digamos assim, vai haver até de sobra.

Como serão as realocações?

Nós temos tido um critério muito importante que vem sendo adotado. Toda vez que houver uma modificação de uma seção eleitoral, vai ficar um aviso, a seção era aqui, foi para tal lugar, o mais próximo possível.

Há a preocupação de acirramento durante a eleição?

Eu não posso descartar, digamos assim, que vai ser 100% tranquila. Por quê? Porque é possível que um lugar aqui ou outro, dadas as peculiaridades da região e o embate entre os candidatos, possa assumir um acirramento muito forte. Mas sempre que detectamos alguma coisa, nós fazemos os devidos comunicados, inclusive às forças de segurança, para que elas possam agir até mesmo preventivamente. O que nós queremos? Eleições tranquilas, serenas, dando tratamento isonômico para partidos, para candidatos e a segurança para o eleitor. Aquilo que eu chamo de conforto para o eleitor. _

Tribunal de Justiça retoma atendimento presencial

Quatro meses após a enchente de maio, os prédios do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) e do Foro Central I da Capital serão reabertos à população a partir de hoje.

O prédio principal do TJ, onde funcionam a administração, setores jurisdicionais e administrativos, e o anexo, que abriga o estacionamento e os gabinetes, fica localizado na Avenida Borges de Medeiros, no bairro Praia de Belas.

No local, três andares do subsolo ficaram submersos e seguem interditados, ainda em recuperação. O nível da água, que chegou à marca de 2,5 metros de altura no pavimento térreo, atingiu parte do acesso principal do prédio.

O público interno já retornou às suas atividades no local desde o dia 20 de agosto.

Foro Central

O Foro Central I, que fica na Avenida Aureliano de Figueiredo Pinto, também retoma atividades em expediente presencial, com atendimento e também a realização de audiências e sessões.

O Foro II já estava em funcionamento.

Ao todo, o Judiciário Estadual teve 20 prédios atingidos, tanto na Capital como no Interior. Durante a enchente em Porto Alegre, toda a estrutura foi transferida para o Palácio da Justiça, no Centro Histórico. 

Donald Trump e Kamala Harris devem se enfrentar pela primeira vez em um debate na rede americana ABC News no próximo dia 10. Contudo, um fato gera discordância entre os dois. A regra apresentada pelo canal é que o microfone daquele candidato que não estiver no seu momento de fala, seja silenciado. Trump aceitou, já Kamala discorda.

Moradores do Litoral Norte protestam contra obra de esgoto

Uma manifestação contra a construção de uma tubulação que levará esgoto tratado de Xangri-Lá até a bacia do Rio Tramandaí reuniu manifestantes de quatro cidades na manhã de sábado. O ato foi organizado pelo Movimento Unificado em Defesa do Litoral Norte Gaúcho (MOVLN).

Participaram moradores de Tramandaí, Imbé, Capão da Canoa e Osório. Os manifestantes se concentraram nos dois lados da ponte Giuseppe Garibaldi, sobre o Rio Tramandaí, e de forma simbólica cruzaram a estrutura.

Como a coluna noticiou na última semana, o prefeito de Tramandaí, Luiz Carlos Gauto da Silva, não descarta a possibilidade de judicialização da obra. Uma audiência no Ministério Público Federal está agendada para quarta-feira.

A Corsan afirma que todo esgoto (100%) será tratado e terá 95% de eficiência do processo. _

INFORME ESPECIAL