segunda-feira, 26 de outubro de 2026

26 de Outubro de 2026
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

Passada a euforia, será hora de reconstruir pontes

Foi uma virada histórica, sem precedentes. Nunca na jornada da Nova República, um candidato à Presidência havia perdido no primeiro turno e revertido o jogo no segundo. A onda lulista que varreu o país nas últimas três semanas se deveu às ruas e às redes. E foi graças à estratégia que Lula atinge um inédito quarto mandato, com virada em Minas Gerais, onde venceu Flávio Bolsonaro por 0,78 ponto percentual. No primeiro turno, havia perdido por 4,91 ponto percentual. A redução da margem no Rio de Janeiro (de 13,6 pontos para 6,2) e em São Paulo (de 13,7 pontos para 7,7) também garantiram a vitória.

Agora, passada a euforia da eleição, será hora de, primeiro, garantir a governabilidade. Lula enfrentará um Congresso mais hostil, majoritariamente conservador - ainda que o centrão normalmente fareje para onde o vento sopra. Terá também um Supremo Tribunal Federal (STF) em crise de legitimidade, mas com direito a mais quatro indicações possíveis para ministros, ou seja, ao final de seu mandato, a Suprema Corte será dominada por nomes alinhados a seu campo político.

O segundo desafio será reconstruir pontes: passado o dia 25 de outubro, o Brasil segue dividido. São fissuras difíceis de serem costuradas. Mas o mapa do caminho do desenvolvimento passa por tentar. Não haverá paz nem prosperidade sem diálogo. Lula venceu com mais de 64 milhões de votos, mas terá obrigação de governar para todos, inclusive para os mais de 59 milhões que optaram por Flávio.

Mais do que isso, terá de mudar radicalmente sua política econômica, com desafios das contas públicas, da dívida, do juro alto, uma conta que pesa sobretudo graças ao pacote de benesses dos últimos meses.

Quando falo em diálogo, essa necessidade recai também sobre a oposição. Principalmente no caso do Rio Grande do Sul, que terá um governador alinhado ao bolsonarismo, Luciano Zucco. Os interesses dos gaúchos, como a renegociação da dívida, a prorrogação do Funrigs e os desafios da reconstrução, passam, fundamentalmente, pela conexão com Brasília. Mais do que nunca, interesses de Estado precisarão ser colocados acima de vaidades pessoais e planos de poder. _

Esperava-se que a diferença entre Lula e Flávio fosse mais apertada do que em 2022 entre o petista e Jair Bolsonaro, quando o total foi de 2,1 milhões. Em 2026, a margem passou de 4 milhões.

Balança de forças na região

A reeleição de Lula mantém o mesmo equilíbrio de forças na balança de poder entre a direita e a esquerda na América do Sul. O Brasil segue como a principal força de esquerda do subcontinente, ao lado do Uruguai de Yamandú Orsi. Ainda há a Venezuela de Delcy Rodríguez - apesar de sua aproximação recente com Donald Trump -, a Guiana de Irfaan Ali e o Suriname de Jennifer Simons.

Do lado da direita, seguem no comando a Colômbia com Abelardo de la Espriella, o Equador com Daniel Noboa, o Peru com Keiko Fujimori, a Bolívia com Rodrigo Paz, o Chile com José Antonio Kast, o Paraguai com Santiago Peña e a Argentina com Javier Milei. _

A política externa do novo mandato

O Brasil é o maior país da América Latina, sétimo mais populoso do mundo e a décima maior economia do planeta. A nação é integrante dos Brics, do G20 e de outras organizações multilaterais. A coluna reúne, abaixo, as principais propostas do presidente reeleito Lula para a política internacional de acordo com o seu plano de governo. _

Aos 96 anos, exercendo o voto

Aos 96 anos, o ex-presidente José Sarney votou ontem. Em um vídeo publicado nas redes sociais, ele chegou à seção eleitoral em São Luís, no Maranhão, de cadeira de rodas e acessando a cabine de votação. Na gravação, Sarney também tirou fotos com eleitores e usou um adesivo do candidato Lula.

- Recordo que as eleições diretas no Brasil foram realizadas por mim, como presidente da República. Restaurei as eleições diretas e mandei ao Congresso Nacional a emenda que possibilitou isso. E hoje estamos vendo, depois de 40 anos, o quanto a nossa transição foi efetiva, foi forte, garantindo ao povo brasileiro a continuidade, para que sejamos, como somos, a segunda maior democracia do mundo ocidental - disse em vídeo. _

INFORME ESPECIAL

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