terça-feira, 6 de outubro de 2026

Sete das 28 regiões do RS não elegeram deputados estaduais em 2026

Entre os 55 parlamentares, é possível ver força da Metade Norte do Estado e da área Metropolitana

Entre os 55 parlamentares, é possível ver força da Metade Norte do Estado e da área Metropolitana

Fernando Gomes/ALRS/JC

Ana Stobbe
Ana StobbeRepórter
A representação das diferentes regiões gaúchas na Assembleia Legislativa demonstra uma disparidade entre áreas com maior ou menor articulação política. Entre os 55 deputados estaduais eleitos no domingo, 4 de outubro, a Região Metropolitana, por exemplo, liderou em números absolutos, elegendo 15 representantes.
Já sob um viés proporcional, é notória uma organização de regiões na área setentrional do Estado, como a Região Nordeste, que elegeu 2,3 deputados a cada 100 mil habitantes, e as Missões, com 1,2 parlamentar para cada 100 mil habitantes.
Ao todo, a Macrorregião Norte conquistou 15 parlamentares, pouco menos que a Macrorregião Metropolitana, que fez 19. É mais do que o dobro das outras três grandes áreas do Estado, que fizeram 7 parlamentares cada. 
Ao mesmo tempo, há locais que ficarão sem representação. Isso ocorre em sete dos 28 Conselhos Regionais de Desenvolvimento (Coredes), divisão criada pelo governo do Estado em 1994 para agrupar os municípios gaúchos geograficamente em microrregiões. São eles: Campos de Cima da Serra, Hortênsias, Noroeste Colonial, Rio da Várzea, Vale do Caí e Vale do Jaguari. Essas áreas do RS não elegeram deputado estadual na eleição de 2026.
Em 11 dos demais Coredes, o que se observa é a eleição de apenas um representante local. Mas isso não significa que esses locais tenham sido sub-representados. Afinal, o Alto da Serra do Botucaraí, a região menos populosa do Estado com apenas 98 mil habitantes, elegeu a parlamentar mais votada do Legislativo gaúcho, Adri Cherini (PL), do município de Soledade.
Ao mesmo tempo, o Vale do Taquari, devastado pelas enchentes de 2023 e 2024 conquistou uma cadeira, que não possuía anteriormente. Agora, será possível ter uma representação regional, que ficará a cargo de Roberto Lucchese (MDB).
Maneco Hassen (PT) foi o segundo candidato mais votado da região na disputa à Assembleia Legislativa e ficou como primeiro suplente. Assim, em caso de alterações na bancada da Federação Brasil da Esperança, é ele quem assume a vaga, ampliando a participação do Corede no Parlamento gaúcho.
Em outras áreas há uma força política inferior proporcionalmente à população. É o caso da Região Central, onde está Santa Maria, a quinta cidade mais populosa do Rio Grande do Sul. Mesmo com a densidade demográfica a seu favor, tem apenas um deputado. Valdeci Oliveira (PT) se tornou deputado federal. No seu lugar, a Região Central ficará representada por Beto Fantinel (MDB), vinculado a municípios vizinhos, na área conhecida como Quarta Colônia, mas com inserção regional.
Mas é santamariense Giuseppe Riesgo, primeiro suplente do Novo, que poderá assumir uma cadeira caso o único parlamentar eleito para a sigla, Ramiro Rosário, deixe o cargo.
Passo Fundo, a principal cidade da Macrorregião Norte, localizada no Corede Produção, por sua vez, retomou sua representação no Parlamento gaúcho. Em 2022, o então deputado estadual Mateus Wesp (eleito pelo PSDB, hoje PSD) não conseguiu se reeleger, deixando a cidade sem nenhum legislador vinculado. Agora, Gio Krug (PSD) retoma essa posição.
Também ficaram na primeira posição de suplência de seus partidos Marcio Patussi (PL), representante do município, e Sandro do Covatti (PP), que apesar de ter seu reduto eleitoral na região de Frederico Westphalen, mantém vínculos com Passo Fundo. A Produção também reelegeu Dirceu Franciscon (União), mas sua base se divide entre cidades da região e do Vale do Taquari.
A Serra Gaúcha demonstrou uma concentração da representação no Corede homônimo, especialmente em candidatos ligados ao seu principal centro, Caxias do Sul. São relacionados à cidade Pepe Vargas (PT), Daiane Mello (PL), Professor Cláudio Branchieri (PL) e Scalco (PL).
A vizinha Bento Gonçalves reelegeu Guilherme Pasin (PP). Ao olhar para a macrorregião, outros dois candidatos despontam, ambos no Vale do Paranhana e Encosta da Serra: Diego Picucha (PDT), de Sapiranga, e Joel Wilhelm (PP), de Taquara.
Enquanto isso, a Macrorregião Sul foi a única a ter todos os seus Coredes representados. Da Campanha, foi reeleita Adri Lara (PL), representando Bagé. Marcus Vinícius (PP), de Sentinela do Sul, novamente será o deputado estadual do Centro-Sul. Já a Fronteira Oeste garantiu duas cadeiras, com a ex-prefeita de Santana do Livramento, Ana Tarouco (PSD), e o são-borjense Tiago Cadó (PDT).
O Corede Sul conquistou três vagas na Assembleia Legislativa, divididas entre três dos principais municípios da região. Rio Grande elegeu Halley (PT), Pelotas conquistou uma cadeira para Junior Fox (PL) e São Lourenço do Sul reelegeu Zé Nunes (PT). Fernanda Miranda (PSOL), também de Pelotas, conquistou a primeira suplência psolista.

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