quarta-feira, 7 de outubro de 2026

07 DE OUTUBRO DE 2026
MÁRIO CORSO

Como saber a idade

A idade é dada pela data de nascimento, certo? Sim, para a maioria dos casos, mas existem condições que merecem um raciocínio mais detalhado. A minha amiga Maiara, após uma cirurgia, ganhou uma prótese no joelho. O que a levou a dizer que tem setenta anos, mas não em todas as partes.

Disse que ela tinha razão, mas então qual seria a matemática que poderia ser aplicada? Um joelho novo, ou então, por exemplo, uma prótese de quadril, quantos anos abateriam da data de nascimento?

Ela respondeu que nem precisamos ir tão longe, como uma cirurgia, um implante capilar dá uma aparência rejuvenescida. Mas de que forma computar o cabelo novo? Até porque não costuma ser barato. O mesmo vale para facetas de porcelana nos dentes, pelo preço deveria ser possível abater uns meses da idade da carteira.

E quando os índices dos exames são muito bons, as vacinas estão em dia, o exame do coração está ok. Some a isso colesterol e triglicerídeos controlados, hemoglobina glicada nos trinques - isso deveria abater algo da idade para quando chega a incômoda pergunta de quantos anos temos.

Maiara insiste que não é possível que se exercitar dia sim dia não, fazer natação, musculação, ioga, pilates, funcional, ginástica pélvica, e manter o peso baixo, não vá render uns anos a menos da data oficial. Isso não seria uma reivindicação vazia, exige muito esforço para reduzir cada grama do corpo. Diga-se, um corpo que joga contra, assimilando até vento para engordar umas gramas, mesmo que o vivente esteja aturando uma dieta macrobiótica.

Ela quer um índice que contabilize o esforço, a dedicação e o empenho de manter o corpo em forma. Porque não adianta só receber elogios de que está bem, ela quer isso descontado na idade.

Ela desistiu do projeto quando notei que a soma poderia lhe tirar sua aposentadoria. E mais, se ela não ganhasse anos inteiros, ela teria que mudar de signo. Maiara se assustou imaginando perder seu signo de peixes, ascendente em aquário.

Sugeri uma campanha de antidifamação da idade: em vez de setenta são os novos cinquenta, talvez a consolidação de um novo vocabulário. Ela gostou da ideia de setentogata. As palavras podem ser mais dóceis do que os números. 

MÁRIO CORSO

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