terça-feira, 2 de junho de 2026

Empresa do Grupo Renner Hermann compra a Mekal Tintas, de Carazinho

Empresa tem forte atuação no setor de máquinas agrícolas

Empresa tem forte atuação no setor de máquinas agrícolas

Mekal Tintas/Divulgação/JC

Ana Stobbe
Ana StobbeRepórterA Renner Coatings, divisão do Grupo Renner Herrmann S.A que atua no segmento de tintas de alta performance, de manutenção industrial e tintas marítimas, comprou a Mekal Tintas, fundada em Horizontina e com sede em Carazinho, no Norte do RS. Agora, é aguardada a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para concretizar a transação. O valor não foi informado pelas empresas. 
Conforme o Grupo Renner Hermann, a proposta será a de manter as atividades da Mekal, principalmente, no que diz respeito ao atendimento aos clientes. Entretanto, será utilizada a rede de suprimentos da companhia para garantir maior rentabilidade, eficiência e produtividade da empresa do Norte gaúcho.
O quadro de funcionários e administradores deverá ser mantido após a confirmação da compra, sendo incorporado pela Renner Coatings.
A indústria adquirida tem forte atuação nos setores de implementos em máquinas agrícolas. Nesse sentido, a Renner Coatings destaca a sua consolidação na Região Norte do Estado como um fator decisivo para a compra, assim como a alta eficiência da Mekal, com produtos de qualidade e eficiência na entrega, realizada de maneira rápida. 
Com a aquisição, além do selo do cavalinho branco, a Mekal terá acesso a um amplo portfólio de produtos tecnologicamente avançados, informa o Grupo Renner. No momento, não estão previstos investimentos futuros na indústria.

Primeira planta de fertilizante fosfatado no RS inicia oficialmente a operação

Águia Fertilizantes celebra inauguração de fábrica nesta terça-feira (2)

Águia Fertilizantes celebra inauguração de fábrica nesta terça-feira (2)

Márcio Sapper/Divulgação/JC

Jefferson Klein
Jefferson KleinRepórter
O começo oficial da produção do primeiro fertilizante fosfatado feito no Rio Grande do Sul será celebrado nesta terça-feira (2). Chamado de Pampafos, o insumo que será utilizado pelo setor do agronegócio será fabricado pela Águia Fertilizantes em dois municípios: Caçapava do Sul e Lavras do Sul.
A operação da empresa inicia agora em uma planta alugada, em Caçapava do Sul, e, em 2027, começará a construção de uma unidade própria, em Lavras do Sul. Em princípio, o complexo terá uma capacidade para 120 mil toneladas ao ano, entretanto o planejamento da Águia Fertilizantes prevê o aumento desse potencial futuramente. A companhia já investiu cerca de R$ 230 milhões no empreendimento e pretende também fazer novos aportes.
A licença ambiental de operação do Projeto Fosfato Três Estradas, como foi batizado o complexo da Águia Fertilizantes, foi entregue em meados de maio. A secretária do Meio Ambiente e Infraestrutura, Marjorie Kauffmann, reforça o fato de que se trata de uma operação inédita no Rio Grande do Sul.
Ela acrescenta que é muito importante desenvolver essa cadeia de fertilizantes dentro do Estado. “Em momentos que a gente tem guerras e conflitos internacionais, se vê reforçada a necessidade de ter competitividade”, enfatiza Marjorie. De acordo com a secretária, a nova produção será relevante tanto para o Rio Grande do Sul quanto para outras regiões do Brasil, ou até mesmo para nações vizinhas, que precisam de mais oferta de fertilizantes para atender à demanda do setor do agronegócio.

Desocupação de prédio da extinta Fepagro expõe incertezas sobre futuro da pesquisa agropecuária gaúcha

Após uma longa disputa judicial, prédio no bairro Menino Deus foi considerado inóspito para servidores e acervo

Após uma longa disputa judicial, prédio no bairro Menino Deus foi considerado inóspito para servidores e acervo

CLAITON DORNELLES/JC

Agnês Noll
Agnês NollA pesquisa agropecuária pública do Rio Grande do Sul atravessa um momento de incerteza. Ainda sem sede definitiva, pesquisadores oriundos da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), extinta em 2017, estão distribuídos em laboratórios desmontados e atuando em projetos científicos ao mesmo tempo em que enfrentam um cenário de instabilidade. As dúvidas  vêm após determinação judicial que obrigou a saída do prédio histórico em Porto Alegre, no bairro Menino Deus. 
Sem uma nova sede definida e após uma desocupação desorganizada, o Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária (DDPA), sucessor da extinta Fepagro, teve suas atividades presenciais suspensas no prédio da rua Gonçalves Dias, 570. A mudança mobilizou pesquisadores, técnicos e estudantes para retirar equipamentos, coleções científicas e materiais de laboratório acumulados ao longo de décadas.  
A situação é resultado de uma longa disputa judicial iniciada há mais de uma década, com o fim da Fepagro. O DDPA, criado no governo de José Ivo Sartori, é vinculado à Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), e se tornou o órgão responsável por pesquisas agropecuárias e serviços de diagnóstico que atendem diversas cadeias produtivas do Estado.
Parte importante das estruturas de trabalhos realizados pela DDPA estava localizada na unidade de Porto Alegre, que abrigava laboratórios, herbários, equipamentos especializados e acervos científicos considerados únicos pelos pesquisadores. A determinação que levou à desocupação do prédio tem origem em uma Ação Civil Pública ajuizada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) em 2015. A investigação que embasou a ação apontou diversas irregularidades nas instalações elétricas do imóvel, incluindo fios expostos, sobrecarga da rede elétrica, quadros de disjuntores inadequados e falhas de aterramento, em desacordo com as normas regulamentadoras NR-10 e NR-12 do Ministério do Trabalho. Segundo o MPT, as condições representavam riscos de choques elétricos, curtos-circuitos e incêndios para trabalhadores e pesquisadores.
A primeira decisão favorável ao Ministério Público foi proferida em 2016, determinando que a então Fepagro realizasse as adequações até março de 2017. Após a extinção da fundação, o Estado assumiu a responsabilidade pelo processo. A condenação foi mantida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-4) em 2018 e confirmada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) em 2024.
Com o trânsito em julgado da ação, em fevereiro de 2025, o governo passou a ter a obrigação definitiva de cumprir a decisão judicial. Diante do alto custo das reformas exigidas, optou pela desocupação integral do imóvel.
Em abril deste ano, após sucessivos adiamentos e o descumprimento dos cronogramas anteriormente apresentados pelo Estado, a Justiça do Trabalho determinou a suspensão do trabalho presencial no local até que os servidores fossem transferidos para instalações adequadas. "O que ocorreu neste caso é que o Estado até agora não desocupou um imóvel com claros riscos apontados há mais de uma década. Cabe ao MPT assegurar que os trabalhadores prestem serviços em local que atenda as normas legais de segurança", afirmou o procurador do trabalho Carlos Carneiro Esteves Neto, responsável pelo caso.
 

Entidade que representa servidores critica forma como processo foi conduzido

Embora reconheçam os problemas estruturais do prédio, representantes dos servidores criticam a forma como a mudança foi conduzida. O presidente da Associação dos Servidores das Ciências Agrárias (Assagra), Paulo Henrique Souza da Silva, afirma que a principal preocupação é a continuidade das pesquisas e a ausência de uma estrutura preparada para receber os trabalhadores. "Houve um mandado para evacuação do prédio, mas esse caso já vinha sendo discutido há mais de um ano. Haveria possibilidade, sim, de ter sido feito um planejamento, e isso não ocorreu", afirma.
Segundo ele, muitos servidores ainda não sabem onde irão desenvolver suas atividades nas próximas semanas, especialmente aqueles que dependem diretamente de laboratórios. "O governo fala em teletrabalho para parte dos servidores, mas há colegas que trabalham em laboratórios e dependem desses espaços para exercer suas funções. Existe uma preocupação muito grande sobre onde essas pessoas vão trabalhar e como os projetos terão continuidade", diz.
Paulo Henrique também destaca os riscos relacionados ao transporte de equipamentos e materiais científicos sensíveis. "Tem pesquisas que representam anos de trabalho e equipamentos de valor bastante considerável. Esses materiais precisam de condições específicas de armazenamento e transporte. Quando uma mudança acontece de forma abrupta, o risco de perdas é grande." Além da preocupação com os projetos em andamento, também se avalia o impacto que uma eventual interrupção das atividades pode causar para o Estado. Entre as pesquisas desenvolvidas pelo DDPA estão análises de solo, estudos voltados à agricultura familiar, monitoramento ambiental e desenvolvimento de tecnologias para adaptação às mudanças climáticas.
Em nota, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE-RS) afirmou que a desocupação está sendo realizada em estrito cumprimento da decisão judicial e em observância ao interesse público. Segundo a PGE, a situação passou por ampla tramitação administrativa, incluindo avaliações técnicas e orçamentárias sobre a viabilidade das reformas exigidas no imóvel. Diante do elevado custo das intervenções, foi definida a transferência das atividades.
O Estado informou que os servidores estão sendo realocados provisoriamente para outras unidades da Secretaria da Agricultura e que está em andamento a locação de um imóvel que servirá como sede definitiva do departamento.

A Procuradoria também afirmou que foram adotadas medidas para preservar equipamentos, acervo científico e demais patrimônios vinculados ao DDPA, além de solicitar autorização judicial para acessos pontuais ao prédio quando necessário para manutenção de maquinários e preservação de materiais. "O Estado do Rio Grande do Sul reafirma seu compromisso com a segurança dos servidores, a preservação do patrimônio público e a continuidade das atividades de pesquisa de interesse da sociedade", diz a Procuradoria em nota enviada à redação.