terça-feira, 6 de outubro de 2026

06 de Outubro de 2026
CARPINEJAR

A farmácia decide o que vou almoçar

O bairro foi o meu primeiro mundo. Frequentávamos sapataria, ferragem, ateliê de costura, armazém. Uma portinha levava a outra. Como um jogo de tabuleiro até a escola.

Nem sempre íamos para solicitar um serviço ou consumar uma compra. Geralmente, apenas cumprimentávamos e conversávamos com os donos, amigos da vizinhança.

Tanto que eu conservo um hábito antigo, que não prescreveu ao longo das décadas: o de me pesar na balança da farmácia. É o momento em que não preciso de receita.

Tiro os sapatos, os objetos do bolso e subo suspirando na prancha. É um ato solitário. Ninguém deve estar atrás de mim, ninguém deve ver. No instante em que identifico os meus quilos, se eles correspondem às minhas expectativas, falo para os mais próximos. Em caso contrário, digo que ela está desregulada ou finjo que não estive ali. Não tem quem não esconda o visor. Não se tenta de novo para não dar chance aos bisbilhoteiros de plantão.

Nunca adquiri o aparelho para o meu controle. Eu somente entro em farmácia que conte com a balança perto da porta.

Muitas vezes, sequer busco medicamentos. Só visito o estabelecimento para a pesagem. Os funcionários já toleram a minha presença invisível. Dos ponteiros, migrei para o visor digital. Da euforia infantil, migrei para o constrangimento adulto.

Faço isso desde pequeno, desde que a minha mãe me iniciou em uma conferida casual.

Para uma criança, o pódio representava o ponto máximo do dia. Como um passeio. Como um brinquedo. Anunciava-se o número em voz altissonante, diante dos fregueses. A informação íntima acabava sendo exposta ao público. Eu ainda não me sentia desrespeitado.

Naquela época, eu queria engordar. Era franzino, uma taquara, um par de gambitos. Esperava crescer, esperava ganhar músculos. Comemorava cada acréscimo. Sonhava em dispor de um tórax de nadador, ilusão da qual desisti pela minha incompetência na piscina. A natação me curou da asma, mas não alargou o peitoral e os ombros.

Invejava os meninos da minha turma que pareciam de uma série mais avançada. As meninas preferiam os mais altos e fortes. Eu só servia para o futebol - pois voava arrastado pelo vento. Agora rezo para, pelo menos, manter o mesmo peso, que oscila entre 76 e 80 quilos. Se extrapolo o limite, começo uma dieta. A farmácia decide o que vou almoçar.

O gesto muda meu humor. Posso ficar otimista ou pessimista de acordo com a contagem. Quando me encontro junto de minha esposa, ela não questiona o resultado. Não invade a privacidade. Pisamos no degrau com providencial distância. Não olho o display dela, ela não olha o meu. Assim seguimos o casamento em paz, sem sobressaltos. Repetimos o padrão de comportamento de qualquer atendente na hora de o cliente pôr a senha na máquina de cartão: viramos o rosto.

Jamais cansamos dessas aparições silenciosas. A drogaria é uma extensão de nossa casa. É onde meu corpo se observa por alguns minutos. Não deixa de ser meu espelho mais fiel. _

CARPINEJAR

06 DE OUTUBRO DE 2026
NÍLSON SOUZA

Olhar implacável

Multiplicam-se nos cruzamentos da Capital as câmeras de vigilância dotadas de inteligência artificial e olhar de raio X, programadas para flagrar infrações e distrações de trânsito. Para as primeiras, são muito bem-vindas. Motoristas que desrespeitam o sinal vermelho, avançam sobre a faixa de segurança, andam sem cinto, usam o celular ao volante ou trafegam acima da velocidade permitida merecem mesmo ser flagrados e punidos. Para alguns desses, multa é pouco. Infratores contumazes deveriam ter seus veículos apreendidos por longo tempo, pois apenas cassar a licença de dirigir - como a lei determina - não impede que delinquentes do volante continuem usando veículos como arma.

E quanto aos distraídos? Sei, claro, que distração também é infração, até mesmo porque descuidos com o carro em movimento podem ser fatais para terceiros e para o próprio condutor. Mas, pelo que tenho acompanhado do noticiário sobre as novas câmeras, elas também captam condutas irregulares que até pouco tempo atrás eram consideradas normais e rotineiras, como beber água enquanto o veículo está parado num sinal ou num engarrafamento ou soltar momentaneamente o cinto para tirar o casaco no momento da pausa no trânsito.

Desde que ouvi a entrevista de uma autoridade do trânsito sobre esse novo rigor fiscalizatório, evito até coçar a orelha quando paro num semáforo. Vá que as tais câmeras inteligentes interpretem o gesto como uma acomodação do fone de ouvido ou coisa parecida. Sequer ouso olhar diretamente para elas, pois os robozinhos podem pensar que os estou desafiando a encontrar alguma irregularidade. E vão encontrar, na certa: um pacote solto no banco de trás, um palito na boca do condutor, qualquer coisa que possa ser interpretada como distração.

Está bem, estou brincando com coisa séria, mas a verdade é que estamos cada vez mais acuados por sistemas de vigilância do poder público. Quero acreditar que o propósito da nova e poderosa espionagem eletrônica - mais do que multar, como temem alguns motoristas - é contribuir para um trânsito mais civilizado. Submeto-me, portanto, a essas verdadeiras tomografias computadorizadas no semáforo. Só não consigo descontrair. _

NÍLSON SOUZA

06 de Outubro de 2026
OPINIÃO RBS

Os acenos do governador eleito

No dia seguinte à vitória consagradora no primeiro turno, o governador eleito do Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL), deu novas pistas sobre a postura que pretende adotar no cargo, as agendas prioritárias e o perfil da gestão. Chama atenção a promessa reiterada de uma conduta conciliatória. A busca pelo diálogo, inclusive com forças políticas antagônicas, teria o objetivo de construir consensos sobre pautas que unem os gaúchos, como obras de infraestrutura.

Deputado federal de estilo combativo, Zucco ganhou projeção nacional como líder da oposição ao governo Lula na Câmara. Agora, indica trocar os embates pela costura de apoios para temas de interesse do Estado. Irá em uma boa direção se confirmar, na prática, um comportamento agregador, aberto a conversar inclusive com parlamentares petistas. A complexidade dos desafios postos para o RS retornar aos trilhos do desenvolvimento exige mais avenças e menos desavenças estéreis por razões ideológicas.

A sinalização de que formará um secretariado técnico, com nomes que dominem as áreas que vão comandar, também é um indício promissor. O compromisso de reduzir o número de secretarias, das atuais 30 para algo entre 15 e 20, tenta passar uma postura de austeridade em um Estado com sérias dificuldades financeiras, com um déficit orçamentário de R$ 4 bilhões previsto para 2027.

Além da vitória retumbante na corrida ao Palácio Piratini, o futuro governador larga com uma base confortável. A sua coligação elegeu 27 dos 55 deputados estaduais. É uma situação que o favorece nas negociações políticas. Estará menos sujeito à pressão para ceder cargos em troca de apoio no parlamento, embora demonstre disposição para compor com partidos de centro-direita na Assembleia.

Sobre questões federativas, Zucco demonstrou dar prioridade a temas como a renegociação da dívida do Estado com a União e a aprovação do Fundo Constitucional do Sul e do Sudeste. O desempenho do PL na eleição para o Congresso é um trunfo. O partido terá as maiores bancadas na Câmara e no Senado. A vitória em primeiro turno de governadores da sigla e de legendas aliadas, no Sul e no Sudeste, é um instrumento de força adicional. 

Deve ser prioridade angariar adesões à causa de manter a suspensão do pagamento da dívida com a União, previsto para recomeçar em maio, utilizando esses recursos para apoiar projetos de irrigação. O dificultador será a necessidade de o próprio governo federal promover um ajuste fiscal duro a partir do próximo ano, o que pode levar o poder central a também ser menos condescendente.

Outro sinal de maturidade política é o compromisso de manter programas do governo Eduardo Leite com bons resultados. Ontem, Zucco citou o RS Seguro, decisivo para diminuir os índices de criminalidade, e o Devolve ICMS, que reembolsa parcela do imposto pago por famílias de baixa renda.

Os momentos que se seguem a triunfos eleitorais são de justa comemoração e impregnados de otimismo. A realidade que espera a nova gestão, no entanto, é intrincada. Aguarda-se que o governador eleito, ao assumir as suas funções, pratique de fato a conduta conciliatória prometida, forme e mantenha uma equipe pautada pela eficiência e consiga entregar resultados à população gaúcha. 

06 de Outubro de 2026
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Como Zucco deve montar sua equipe de governo

Um dia depois de ser eleito governador no primeiro turno, Luciano Zucco (PL) confirmou que pretende reduzir o número de secretarias de 30 para entre 15 e 20 e indicou qual será o perfil dos secretários. A ideia é nomear apenas pessoas com conhecimento técnico da área em que vão atuar e capacidade de diálogo com os setores envolvidos. Nos planos do futuro governador, está o reforço da estrutura já existente em Brasília, para ter uma pessoa "com tamanho suficiente" para dialogar com ministros, senadores, deputados e governadores.

Pelo perfil descrito, o nome combina com a ex-senadora Ana Amélia Lemos, que deixou o PSD, voltou para o PP e foi conselheira de Zucco em toda a campanha. Ele reconheceu que Ana Amélia deve estar na equipe. Outro que deve integrar o secretariado é Leonardo Pascoal (PL), hoje secretário da Educação de Porto Alegre, não necessariamente na mesma área. Ex-prefeito de Esteio, Pascoal tem experiência política e administrativa e uma das características buscadas por Zucco para todos os secretários: capacidade de diálogo.

Entre os deputados, Zucco citou apenas um nome como exemplo de político que poderia ocupar um cargo no Executivo. É o deputado Claudio Branchieri, 55 anos, economista e professor universitário. Na Comunicação, o governador eleito não falou em nomes, mas em diferentes ocasiões elogiou o trabalho da jornalista Tânia Moreira, responsável pelos programas de TV.

Outro nome possível para a Comunicação é o de Renan Arais, que o assessorou durante a campanha. Cleber Benvegnú, mesmo que seja convidado para algum cargo no governo, não aceitará porque pretende retornar à empresa da qual é sócio, a Critério.

Logo no início da campanha, quando as pesquisas indicavam que Ubiratan Sanderson (PL) teria dificuldade para se eleger senador, Zucco o tinha no topo da lista para a Secretaria da Segurança Pública. Eleito com uma das maiores votações da história para o Senado, Sanderson descarta a possibilidade de se licenciar. Diz que tem um compromisso com o RS em Brasília.

Secretaria de Estado

Cezar Schirmer, que se licenciou do MDB para atuar como conselheiro de Zucco, será um dos nomes fortes da transição, ao lado de Pascoal e Benvegnú, e é forte candidato a ocupar uma secretaria. Eleito no primeiro turno, Zucco não precisará fazer concessões aos partidos nem abrigar deputados no primeiro escalão para acomodar suplentes que não se elegeram. _

AL mais feminina

Com acréscimo de mulheres, incluindo a primeira travesti eleita para o parlamento gaúcho, a Assembleia Legislativa amplia a representatividade feminina com a nova composição a partir do ano que vem. A bancada cresceu de 11 para 16 deputadas entre as 55 cadeiras.

Três novatas vêm da Câmara de Porto Alegre: Comandante Nádia (PL), Karen Santos (PSOL) e Natasha Ferreira (PT). Na sessão de ontem, elas e os vereadores homens eleitos foram homenageados pela Casa com um buquê de flores - com direito a cumprimentos entre Nádia e Natasha, antagonistas de embates no plenário.

A maior parte das mulheres eleitas é alinhada com o campo da direita. _

Agenda no Estado e na capital federal

Depois de passar a segunda-feira concedendo entrevistas à imprensa, Luciano Zucco se prepara para uma semana dividida entre o início da transição no Estado e articulações em Brasília. Hoje, Zucco deve ter a primeira reunião com o núcleo duro da campanha para começar a desenhar o processo de transição. À noite, Zucco embarca para Brasília, onde ainda cumpre mandato como deputado federal.

Amanhã, Zucco participará de reunião a convite de Flávio Bolsonaro (PL). No encontro, os dois devem tratar de mobilizações para a campanha do senador no segundo turno da disputa presidencial. _

PL do RS bate meta traçada em 2025

O presidente do PL no RS, Giovani Cherini, está muito satisfeito. Reeleito deputado federal, celebra a eleição de Zucco, dos senadores Ubiratan Sanderson (PL) e Marcel van Hattem (Novo), das maiores bancadas de deputados federais e estaduais e dos campeões de voto na Assembleia e na Câmara, sua esposa Adri Cherini e o deputado reeleito Maurício Marcon. A meta traçada em 2025, segundo Cherini, foi atingida:

- Colocamos no papel uma projeção ousada: eleger o governador do RS, um senador, oito deputados federais e 12 estaduais, além de fortalecer ainda mais a presença do PL nos 497 municípios. _

Peso da pesquisa qualitativa

Todos os candidatos que fazem campanhas profissionais contratam um instituto de pesquisa. Mas a campanha de Zucco decidiu mergulhar na cabeça do eleitor e contratou o Instituto Pesquisas de Opinião (IPO), da cientista social Elis Radmann. O IPO constatou que dois terços do eleitorado não queriam a continuidade da gestão Eduardo Leite e se queixavam da falta de entregas nas áreas de saúde, enchentes, educação e segurança.

Por que Zucco falou tanto em prosperidade? Porque o IPO mostrou que o eleitor não percebia o RS como um Estado próspero. E a história de que nas enchentes foi apenas "o povo pelo povo" colou. _

POLÍTICA E PODER

06 de Outubro de 2026
INFORME ESPECIAL- Rodrigo Lopes

Efeitos do El Niño: o primeiro desafio do futuro governador

O governador eleito Luciano Zucco vai assumir o Palácio Piratini em meio às consequências de um El Niño vitaminado. As enchentes e as mudanças climáticas são, junto com a saúde, a principal preocupação dos gaúchos, segundo a pesquisa Quaest. Desde a vitória, Zucco tem dito que pretende manter "projetos que tiverem uma entrega efetiva", de forma geral. Em entrevista ao Jornal do Almoço, ontem, Zucco afirmou que sua prioridade número 1, no tema enchentes, será "a segurança das pessoas".

- É demorado fazer um dique? É demorado. Às vezes burocrático, às vezes a obra se estende, mas as casas são mais rápidas. O nosso foco prioritário é tirar as pessoas das áreas de risco. A gente tem o entendimento de que a segurança das pessoas é o número 1. E fazer uma casa não demora tanto. Portanto, temos recursos para isso, temos o Programa Assistir, temos programa do governo federal e do governo estadual, que é a Compra Assistida. Após isso, ou em paralelo a isso, desassoreamento de rios urbanos, canais urbanos, dragagens urbanas, limpeza de terrenos e áreas alagáveis controladas - afirmou. 

Orientar uma política estadual de proteção e defesa civil pela prevenção e redução de riscos.

Fortalecer a Defesa Civil Estadual, com estrutura técnica, profissional e integrada.

Concluir, integrar e manter radares, estações hidrológicas e meteorológicas, sensores geotécnicos e demais sistemas de observação.

Qualificar os alertas à população com a integração do SMS, Cell Broadcast, sirenes e outros canais.

Atualizar continuamente os mapas de inundação, enxurrada, deslizamento, estiagem, incêndio e outros riscos relevantes.

Definir a carteira estadual de obras prioritárias de proteção contra cheias, drenagem, contenção, amortecimento e estabilização.

Promover a diversificação da matriz energética, ampliando o aproveitamento de fontes renováveis, da geração distribuída, do biogás, do biometano e do hidrogênio, além de estruturar uma política competitiva para o gás natural e fortalecer a infraestrutura energética no meio rural.

Consolidar o Biogás RS com projetos economicamente viáveis.

Estimular pesquisa, inovação e investimentos em novas tecnologias e usos econômicos do carvão e de seus derivados, buscando alternativas de maior valor agregado e menor impacto ambiental.

Modernizar o licenciamento ambiental com segurança jurídica e rigor técnico, fortalecendo a Fepam, a gestão integrada das águas por bacia hidrográfica, a ampliação do monitoramento ambiental, a adaptação dos ecossistemas às mudanças climáticas e a conservação da biodiversidade.

Proteger os biomas, fortalecendo unidades de conservação, fiscalização, monitoramento e uso econômico compatível com a manutenção dos ecossistemas.

Aviões militares estrangeiros sobrevoam o Brasil

Uma operação envolvendo seis caças F-16 da Argentina e duas aeronaves KC-135R de reabastecimento aéreo dos Estados Unidos chamou a atenção na última semana ao cruzar o espaço aéreo brasileiro.

Trata-se do traslado de caças adquiridos pelo governo argentino junto à Dinamarca, que passam a integrar a frota militar do país vizinho.

O voo partiu do Aeroporto de Gran Canária, nas Ilhas Canárias (Espanha), com destino à Base Aérea de Río Cuarto, na Argentina. A rota que conectou a Europa à América do Sul incluiu uma escala técnica em solo brasileiro, no aeroporto de Natal (RN).

Segundo a Força Aérea Brasileira (FAB), os seis caças da Força Aérea Argentina e as duas aeronaves de reabastecimento em voo da Força Aérea dos EUA (USAF) entraram no espaço aéreo nacional em 28 de setembro. Após pousarem na Base Aérea de Natal, os aviões deixaram o país no dia seguinte, 29 de setembro, cruzando a fronteira pelo Paraná.

Vídeos que circularam nas redes sociais - divulgados principalmente pelos canais Brazil Aviation Araraquara SP e Defesa Aviação - indicavam que os caças teriam sobrevoado a cidade paulista de Araraquara. No entanto, a FAB esclareceu em nota que as aeronaves não passaram sobre a cidade nem sobre Gavião Peixoto, tendo cruzado a aproximadamente 20 quilômetros desta última, em altitude de cruzeiro e por uma rota aérea regular.

A FAB informou ainda que a entrada e o sobrevoo das aeronaves estrangeiras foram devidamente autorizados pelo Comando da Aeronáutica, sob coordenação e controle do Departamento de Controle do Espaço Aéreo. _

Como foi a votação no Exterior

O candidato Lula (PT) venceu em oito dos 10 maiores colégios eleitorais no Exterior: Portugal, Canadá, Alemanha, Espanha, Reino Unido, Itália, França e Suíça. Já Flávio Bolsonaro (PL) levou a maioria dos votos em dois países com maior quantidade de eleitores: Estados Unidos e Japão.

Além dos principais colégios eleitorais, Lula teve votações expressivas na Argentina (64% dos votos). Flávio obteve vantagem expressiva no Paraguai, onde conquistou 84% da preferência. _

Votação nos 10 maiores colégios eleitorais

1| Estados Unidos

Flávio Bolsonaro 45.004 votos

Lula 23.335 votos

2| Portugal

Lula 26.401 votos

Flávio Bolsonaro 19.418 votos

3| Japão

Flávio Bolsonaro 24.601 votos

Lula 5.234 votos

4| Canadá

Lula 12.508 votos

Flávio Bolsonaro 7.043 votos

5| Alemanha

Lula 13.525 votos

Flávio Bolsonaro 3.532 votos

6| Espanha

Lula 7.263 votos

Flávio Bolsonaro 3.338 votos

7| Reino Unido

Lula 8.152 votos

Flávio Bolsonaro 5.227 votos

8| Itália

Lula 6.148 votos

Flávio Bolsonaro 4.386 votos

9| França

Lula 8.054 votos

Flávio Bolsonaro 1.654 votos

10| Suíça

Lula 5.194 votos

Flávio Bolsonaro 4.525 votos

INFORME ESPECIAL

Com fim da greve na Caixa, prazos para processos de financiamento imobiliários levam 10 dias

Caixa Federal é responsável por mais de 60% dos financiamentos imobiliários no País

Caixa Federal é responsável por mais de 60% dos financiamentos imobiliários no País

MARIANA ALVES/Arquivo/JC
Com o fim da greve dos funcionários da Caixa Econômica Federal, os financiamentos imobiliários no Rio Grande do Sul estão sendo retomados gradativamente, segundo avaliação do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 3ª Região (Creci/RS). "O principal reflexo ainda é o prazo. Antes, essa etapa levava em média três dias. Agora, em razão da demanda represada, estamos observando prazos próximos de dez dias", comenta Vinícius Dal Castel, ouvidor e conselheiro do Creci/RS.
Segundo Castel, apesar disso, os processos estão sendo liberados e inclusive pagamentos que estavam pendentes já começaram a ser realizados. Os trabalhadores da Caixa retornaram ao trabalho no dia 30 de setembro após permanecerem em greve por quase 20 dias.
Segundo Castel, os processos de financiamento do banco já estão voltando a andar. "No período de greve, os processos avançavam até a etapa de conformidade. Porém, a partir desse ponto, dependiam diretamente da estrutura interna da Caixa Econômica Federal para seguir", destaca o conselheiro do Creci/RS. Segundo ele, isso gerou um acúmulo significativo de processos.
O dirigente afirma que a expectativa é que, mantido esse ritmo, dentro de aproximadamente 15 a 20 dias o fluxo esteja próximo da normalidade. Castel disse que durante a paralisação, nos casos em que o financiamento não precisava necessariamente ser feito pela Caixa Federal, muitos clientes acabaram migrando para outras instituições financeiras. "Agora, o desafio é justamente absorver essa demanda acumulada e normalizar os prazos dos financiamentos imobiliários", acrescenta.
De acordo com Castel, o banco é responsável por mais de 60% do crédito imobiliário no País. "Ou seja, a cada 10 clientes, sete fazem financiamento pelo banco. No Minha Casa, Minha Vida a participação chega a 99%", acrescenta. Conforme o conselheiro do Creci/RS, é um número bem expressivo de financiamentos imobiliários. "Se a Caixa Federal para como ocorreu na greve, praticamente o mercado imobiliário fica paralisado", comenta.
Em nota, a Caixa Federal informa que, após o julgamento do dissídio pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), no dia 29, foi encerrado o processo de negociação coletiva submetido à apreciação da Justiça do Trabalho. Com a decisão, o funcionamento das agências foi restabelecido em 30 de setembro, retomando o atendimento presencial aos clientes.
Sobre as contratações do crédito imobiliário, o banco explica que seguiram disponíveis durante o período de greve, com suporte da jornada digital habitacional e da rede de correspondentes parceiros. A maior parte das etapas da contratação habitacional pôde ser realizada de forma digital e remota. Segundo a Caixa, o processo de contratação por meio digital, que estava disponível na rede parceira, compradores e vendedores puderam enviar documentos e assinar formulários e contratos eletronicamente, com certificações digitais reconhecidas. 

Zucco quer enxugar máquina pública e indica redução de até metade das secretarias

Governador eleito no Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL), em entrevista a veículos locais

Governador eleito no Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL), em entrevista a veículos locais

Mateus Raugust/Divulgação/JC
O governador eleito para comandar o Rio Grande do Sul entre 2027 e 2030, Luciano Zucco (PL), buscará enxugar a máquina pública e aponta para a redução das atuais 30 secretarias estaduais para 15 ou 20 pastas. Zucco foi eleito ao Palácio Piratini neste domingo (4), em primeiro turno.

“Não vamos divulgar ainda quais (secretarias) serão reunidas, mas pode ter certeza que a informação é correta, e a intenção é que fiquem de 15 a 20 secretarias, e que a gente possa realmente enxugar essa máquina, e que não há necessidade, na nossa visão, de tanta secretaria”, afirmou o governador eleito.

Sobre o processo de transição, Zucco já conversou com o atual governador, Eduardo Leite (PSD), e está em tratativas junto ao executivo estadual para agendar uma reunião nesta semana. “Essa semana mesmo deve ocorrer a primeira reunião, que é uma reunião, logicamente, preliminar para que a gente possa alinhar como vai funcionar a transição, que acredito que se inicie na segunda-feira que vem”, disse.

Além de governador eleito, Zucco também tem, até o final deste ano, mandato como deputado federal. Ele acredita que a simultaneidade destas duas funções “veio a calhar”, pois buscará já nesta semana buscará ir a Brasília para tratar de temas do interesse do Rio Grande do Sul, como a renegociação da dívida com a União - atualmente superior a R$ 100 bilhões - e a prorrogação do fundo da reconstrução gaúcha, o Funrigs.

“Vou lá (em Brasília) já começar alguns diálogos próximos em relação às bancadas federais sobre a renegociação da dívida, sobre a prorrogação do Funrigs. Vou estar lá com parlamentares que se elegeram senadores. Não só o Sanderson e o Marcel (van Hattem), mas também Carol de Toni (eleita em SC) e Felipe Barros (eleito no PR) são deputados muito próximos a mim e que vou pedir articulação a partir do ano que vem”, disse.

O governador eleito ainda afirmou: “Eu ainda não tomei posse. A transição é uma troca de informações para a gente também aprimorar e começar a intenção de indicar nomes para a transição, e também formar uma equipe de secretariado. Então, na prática, vai permanecer o governo Eduardo Leite e eu vou aos poucos me inteirando de todas as demandas, todos os projetos, todos os programas. Então é importante essa conciliação com o Congresso Nacional, que vai favorecer despachos e articulações para o ano que vem em Brasília”.

Sobre as prioridades do próximo governo gaúcho, Zucco apontou para o desenvolvimento econômico com a sua principal bandeira e que, em 2031, ao final de seu mandato, quer ser lembrado por essa agenda de crescimento. 

“Um governo que fez a retomada do crescimento, que não só ficou com a agenda fiscal, que realmente seja marcado por uma agenda de desenvolvimento econômico, com mais infraestrutura, logística de conectividade, de energia, que a gente leve a internet para o Interior, a energia trifásica para o Interior. Ou seja, um governo que dê mais opções de cursos técnicos profissionalizantes, de qualificação da mão de obra para segurar os jovens aqui. Um governo que tenha mais liberdade econômica, que tenha mais segurança jurídica, menos burocracia. Vamos focar em licenciamentos rápidos, baratos”, disse.

A coligação de Zucco - PL, Podemos, Novo e Federação União-PP - elegeu 27 deputados estaduais, o que indica que o próximo Executivo está muito próximo de construir uma maioria simples de aliados no Parlamento. Mas a ideia do governador eleito é buscar o diálogo com partidos que não compuseram a chapa, e que ele acredita que possam somar ao projeto. Apesar disso, ele afirmou que ainda não há conversas oficiais com outras siglas, como o MDB e o PSD.

“Nós não temos nenhum diálogo. Agora, logicamente que há uma coerência, e todos os partidos que quiserem ter uma construção conjunta de um novo Rio Grande serão todos bem-vindos. A nossa (chapa) majoritária já faz uma maioria simples, nós já temos, hoje, um parlamento gaúcho de maioria simples, e logicamente que a gente pretende conversar com deputados do MDB, do PSD, e são partidos que acredito que vão querer também essa aproximação, mas não há um diálogo formal não, e eu espero que a gente consiga conversar não só com eles, como também com quem pensa diferente, e que entenda que pode agregar valor a este projeto”, afirmou.

Outro tema abordado por Zucco foi o da resiliência climática e proteção contra desastres naturais. Questionado sobre a sua opinião quanto ao Plano Rio Grande, elaborado pelo atual governo para proteger o Estado contra cheias, o governador afirmou que vai analisar todos os projetos vigentes, mas destacou que obras de grande porte, como diques, “podem seguir o seu trâmite”. Ele ainda apontou para uma prioridade de retirar residentes de áreas de risco.

“Em relação à resiliência climática, o nosso foco é a remoção das pessoas das áreas de risco. Esta é a prioridade número um. Em paralelo a isso, vamos buscar o desassoreamento e dragagem de arroios urbanos, vamos buscar aquelas atividades que não necessitam de grandes licenciamentos, para que a gente possa iniciar já em janeiro uma nova forma de gestão”, disse o governador eleito.

No domingo, após ser eleito, Zucco comemorou a vitória, mas também indicou que fará “forte campanha” para buscar a eleição do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, que disputará segundo turno com o atual presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Tratando disso, ele afirmou que tem agenda nesta semana com os outros dois governadores eleitos na Região Sul, Jorginho Mello e Sergio Moro - ambos do PL -, para articular como será o apoio a Flávio nestes três estados.