sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Nunes Marques precisa ser investigado

Reza a lenda que o filósofo alemão Friedrich Nietzsche fez uma correção à frase cunhada em 1734 por Sir Robert Walpole, primeiro-ministro da Grã-Bretanha, segundo a qual "todo homem tem seu preço". Nietzsche escreveu: "Não é verdade que todo homem tem seu preço, mas para cada homem existe uma isca que ele não consegue deixar de morder". 

No Brasil do século 21, Daniel Vorcaro comprou quem estava à venda. O banqueiro agia com a certeza de que todo homem tem seu preço e jogava diferentes tipos de isca, todas caras, para políticos influentes, ministros de tribunais superiores, burocratas do Executivo, jornalistas, executivos de empresas, influenciadores e quem quer que um dia pudesse atuar na defesa dos seus interesses.

As iscas podiam ser rodadas de uísque, festas nababescas, jantares, viagens de jatinho, passagens de classe executiva, hospedagem em hotéis, contratos milionários com esposas e filhos de ministros, sociedade em empreendimentos, patrocínios e... Mulheres bonitas, brasileiras e estrangeiras, usadas como moeda de troca.

Foi essa última a isca que o ministro Kássio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, mordeu e se expôs ao ridículo com a divulgação dos detalhes de uma noitada no triplex de Vorcaro em São Paulo, com cinco "meninas" agenciadas para agradar homens de meia-idade. Garotas de programa, que fique claro, o que significa prostituição. 

Com base em conversas extraídas de um dos celulares de Vorcaro, a revista Piauí reconstituiu a noitada de Nunes Marques. A reportagem "Os vestígios da noite", assinada por Breno Pires, Ana Clara Costa e João Batista Júnior, tem como matéria-prima as 125 mensagens trocadas por Vorcaro com os encarregados de proporcionar uma noite inesquecível ao ministro.

Suspeita

Haverá quem defenda Kássio Nunes Marques com o argumento de que Alexandre de Moraes e Dias Toffoli fizeram pior. Os dois já foram devidamente criticados nesta coluna pelas relações promíscuas com Vorcaro, que envolveram o contrato milionário da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, e a sociedade com Toffoli no resort Tayayá. Os três precisam ser investigados, porque pesa contra Nunes Marques a suspeita de que o filho dele, um advogado recém-formado, recebeu dinheiro sujo de Vorcaro. 

Aliás

O ministro Kássio Nunes Marques deveria se declarar impedido de presidir o Tribunal Superior Eleitoral, já que tem tomado decisões que são no mínimo questionáveis em favor de um candidato, Flávio Bolsonaro (PL), que é investigado no mesmo caso Master por receber dinheiro de Daniel Vorcaro para financiar o filme sobre a vida do pai, Jair Bolsonaro.

O governador Eduardo Leite pediu ontem à ministra-chefe da Casa Civil, Miriam Belchior, a prorrogação do prazo para execução financeira dos recursos do Funrigs para até dezembro de 2028. O prazo atual termina em outubro de 2027.

Alcolumbre salva Lula de desgaste por emenda que reduz a maioridade penal

Você já deve ter ouvido que "quem tem padrinho não morre pagão". Pois o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), está fazendo o papel de padrinho e protetor do presidente Lula.

Além de acelerar a votação do fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas, ele salvou Lula de uma enrascada ontem, ao retirar da pauta a votação da PEC da Segurança.

Lula queria a votação para ter mais uma bandeira a agitar na reta final da campanha, mas os senadores de direita penduraram um jabuti na proposta do governo: a redução da maioridade penal, promessa de Flávio Bolsonaro. O objetivo era criar um beco sem saída para os aliados do governo - ou votavam contra e davam discurso para Flávio ou rasgavam o discurso anterior e votavam a favor para não perder votos.

Como a oposição propôs reduzir a maioridade penal para 14 anos, ideia que o PT sempre combateu, o senador Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da Educação, sugeriu uma proposta intermediária, de 16 anos para crimes mais graves.

O partido se dividiu, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil entrou em cena para protestar, e Alcolumbre salvou o governo retirando de pauta a PEC da Segurança.

Qualquer que fosse o texto aprovado sobre maioridade penal ofuscaria a celebração do fim da escala 6x1, que será promulgada por Alcolumbre hoje, às 9h. _

Zucco já articula com Sul e Sudeste

Na campanha eleitoral, Luciano Zucco (PL) sustentava que o dinheiro para custear os projetos anunciados como prioridade virá de Brasília, em articulação com outros governadores do Sul e do Sudeste. Essa articulação começou na quarta-feira, com os governadores de Santa Catarina, Jorginho Melo, do Paraná, Sergio Moro, e de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas, todos eleitos no primeiro turno. Zucco também busca apoio do Rio de Janeiro e de Minas Gerais. _

Votos duplicados para candidatos

Na disputa que elegeu Ubiratan Sanderson (PL) e Marcel van Hattem (Novo) para as duas cadeiras da bancada gaúcha, 837.203 pessoas anularam o voto, das quais 175.092 votaram duas vezes no mesmo candidato - anulando a segunda escolha. Mais da metade desse grupo digitou o 222 de Sanderson duas vezes na urna eletrônica. Foram 92.765 eleitores. Van Hattem, dupla de chapa com o candidato do PL, recebeu votos duplicados de 23.074 eleitores. _

Bancada do PT quer ampliar custeio da saúde do RS com emendas

Uma emenda da bancada do PT ao orçamento do Estado sugere que todo o montante reservado para as emendas parlamentares, o equivalente a R$ 220 milhões, seja usado para aumentar o custeio da saúde pública no Rio Grande do Sul. Com o acréscimo dos recursos, o partido quer garantir que o governo cumpra ou se aproxime de atingir os 12% de investimento na área, conforme manda a Constituição.

Atualmente, os deputados têm direito a indicar R$ 220 milhões para projetos, sendo que metade da verba deve ser alocada obrigatoriamente na área da saúde. A proposta do PT garante que os outros 50%, que são livres, sejam destinados a reforçar o orçamento do governo estadual para redução de filas de exames e cirurgias e complemento ao financiamento do SUS. _

POLÍTICA E PODER 

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