quinta-feira, 22 de outubro de 2026



22 de Outubro de 2026
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Flávio responde a bravata de Lula com outra bravata

Três dias depois de o presidente Lula desafiar seu concorrente, Flávio Bolsonaro, a abrir os sigilos bancário e telefônico, o candidato do PL respondeu à bravata com outra bravata. Flávio protocolou no Tribunal Superior Eleitoral um documento no qual autoriza a quebra do seu sigilo telefônico e bancário dos últimos 20 anos, desde que Lula abra os sigilos de seu ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola - que teve envolvimento com a empresária Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal -, do Instituto Lula e do cartão corporativo usado pelo Planalto.

A réplica de Flávio é uma reação ao crescimento da campanha dos petistas pressionando para que ele abra o sigilo. Sabe o que vai acontecer? Nada. E ainda que se quebrasse os sigilos de todos os parentes dos dois, é possível que nenhuma irregularidade fosse encontrada.

Dinheiro ilegal não costuma passar pela conta bancária, basta ver o quanto a Polícia Federal encontra de dinheiro vivo nas operações contra a corrupção. De mais a mais, nem Lula nem Flávio têm poder para autorizar a quebra de sigilo de terceiros, todos maiores de idade, vacinados ou não.

Flávio faria melhor se respondesse objetivamente como comprou imóveis com dinheiro vivo e como conseguiu antecipar a quitação da mansão financiada pelo BRB, com salário de senador - uma das perguntas feitas por Lula no debate da Band. Ou prestar contas do dinheiro de Daniel Vorcaro, supostamente aplicado no filme Dark Horse. Ou, ainda, dos R$ 14 milhões que teria recebido a título de honorários do escritório de advocacia onde não advoga.

Lula, em vez de "autorizar" a quebra de sigilo de Janja e dos filhos, faria melhor se explicasse como Lulinha se sustenta na Espanha todo esse tempo e pedisse ao filho para apresentar os extratos de suas contas e de suas ligações telefônicas. Deveria, lá atrás, ter liberado os parlamentares da base do governo para que votassem a favor da quebra de sigilo do filho que jura ser inocente.

Colegiais

Ninguém vai apreender telefones celulares de A ou B para satisfazer dois candidatos que disputam o segundo turno, mas se comportam como colegiais, discutindo quem botou papel picado no ventilador. _

O que chama atenção na Quaest

É preciso prestar atenção aos dados secundários da Quaest divulgada ontem para tentar entender o que está acontecendo neste final de campanha. Na espontânea, o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Lula (PT) estão empatados em 40%. E os indecisos chegam a 14%, índice altíssimo a tão poucos dias da eleição. Na estimulada, Flávio tem 45% e Lula, 44%. Brancos, nulos e não vão votar somam 9% e os indecisos, 2%.

É uma eleição disputada voto a voto e confirma que não tem "já ganhou" nem "tudo está perdido". _

Heinze cotado para a Agricultura

O governador eleito Luciano Zucco (PL) ainda define a equipe, mas o senador Luis Carlos Heinze (PP) tem lugar assegurado no primeiro escalão. Ele é cotado para a Agricultura, pela conexão com o agronegócio.

O senador, porém, está abalado emocionalmente com a doença da esposa Sandra, que sofreu um AVC em maio. Questionado pela coluna, Heinze confirmou que foi convidado por Zucco, mas explicou que no momento seu foco é cuidar da esposa. _

Base de Melo vota para manter emendas impositivas na Capital

Protocolado após a prisão do vereador Giovane Byl (Podemos), suspeito de envolvimento em esquema de desvio de recursos destinados para a saúde, o projeto que acaba com as emendas impositivas em Porto Alegre recebeu votos contrários dos vereadores que integram a base de Sebastião Melo. Ontem, os vereadores fizeram reunião conjunta das comissões, em plenário, e deliberaram sobre a medida, com rejeição de 15 parlamentares aliados do prefeito.

Em quatro das seis comissões da Câmara, houve empate no resultado. A Comissão de Constituição de Justiça (CCJ) rejeitou o projeto, enquanto a Comissão de Urbanização, Transportes e Habitação (Cuthab) aprovou.

O resultado empatado permite que a medida seja incluída na ordem do dia e pautada para votação no plenário.

Inicialmente, a Cuthab havia rejeitado a proposta, mas o vereador Idenir Cecchim (MDB), líder do governo, retificou seu voto e autorizou a sequência da tramitação. Quando Roberto Robaina (PSOL) sugeriu o projeto, há um mês, Cecchim deu aval para o andamento. O próprio prefeito defende, pessoalmente, que não cabe ao Legislativo definir o destino de parte do orçamento, mas deixou a decisão para o parlamento.

Robaina argumenta que o sistema de distribuição de emendas no Poder Legislativo, desde o âmbito municipal até o federal, se tornou um "esquema corrupto" e por isso pretende acabar com a medida.

- É uma vergonha que a Câmara de Vereadores não dê o exemplo, porque se trata de derrubar um mecanismo corrupto, que transforma os processos eleitorais, dando enorme vantagem a quem tem mandato. É uma vergonha que tenhamos uma política dominada pela distribuição de recursos públicos - criticou o vereador.

Justificativa

Parlamentares da base que se manifestaram na tribuna a respeito do projeto justificam que o dinheiro indicado é importante para apoiar áreas como a saúde e projetos locais, admitindo a necessidade de ampliar a fiscalização do destino do dinheiro. _

Pasin pode assumir Desenvolvimento Econômico

Reeleito com 99.470 votos, o primeiro lugar no PP, o deputado Guilherme Pasin é hoje o mais cotado para assumir a Secretaria do Desenvolvimento Econômico. No governo de Eduardo Leite, Pasin chegou a ser convidado para ser titular do Turismo, mas acabou optando por exercer o mandato. Agora, o ex-prefeito de Bento Gonçalves tem o apoio do partido e de setores produtivos da Serra para assumir uma das secretarias mais importantes do governo Zucco. 

POLÍTICA E PODER

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