quinta-feira, 22 de outubro de 2026


22 de Outubro de 2026
OPINIÃO RBS

Um aeroporto para a Serra e o RS

A assinatura da ordem de início das obras do Aeroporto da Serra Gaúcha, no distrito de Vila Oliva, em Caxias do Sul, é um passo animador para um Estado que tem entre os seus principais desafios qualificar a sua infraestrutura. O ato ocorreu ontem, na 35ª Mercopar. O projeto, que cria uma nova alternativa capaz de impulsionar o modal aéreo no Rio Grande do Sul, por óbvio tem especial relevância para a região serrana. Facilita e amplia o transporte de passageiros, favorece o turismo local e aumenta o potencial e dá maior agilidade ao escoamento de cargas. Os menores custos logísticos tornarão a economia dos municípios do entorno mais competitiva.

Convém lembrar que o projeto, no local definido, é aguardado há mais de 20 anos. O ponto escolhido, em uma área de 450 hectares, é menos propenso à neblina diurna, o que diminui o risco de interrupção das operações, como ocorre com maior frequência no Aeroporto Regional Hugo Cantergiani, também em Caxias do Sul.

A permissão dada ontem refere-se à primeira etapa do projeto, de construção de estruturas como a pista de pouso e decolagem, com 1,9 mil metros, pátio de aeronaves e estacionamento para 500 veículos. O aeroporto poderá receber aviões de grande porte. Os recursos, cerca de R$ 145 milhões, são do governo federal.

Em entrevista ontem à Rádio Gaúcha, o prefeito de Caxias do Sul, Adiló Didomenico, disse esperar que as máquinas do consórcio responsável pelas obras iniciem o trabalho na área no próximo mês. A expectativa é de que o complexo comece a operar em um prazo de cinco anos. Não há definição ainda sobre se o aeroporto será concedido ou administrado pela Infraero. 

Espera-se que não surjam contratempos, comuns em contratações públicas, que costumam prejudicar o cronograma de execução, como a falta de recursos. Embora o começo da obra seja alentador, é um anúncio feito às vésperas da eleição presidencial e sabe-se que, no próximo ano, as verbas federais tendem a ficar mais disputadas pela inevitabilidade de um ajuste nas contas federais. O terminal de passageiros, que será objeto de uma nova licitação, deve custar mais R$ 40 milhões.

É importante ainda assegurar o acesso rodoviário ao futuro aeroporto. O governador Eduardo Leite detalhou, na terça-feira, como deve ser a estrada destinada a ser a principal conexão com o terminal. O estudo para a obra da ERS-466 indica um traçado que ligará a Rota do Sol a Canela, passando pelo distrito de Vila Oliva. O custo estimado é de R$ 288 milhões. O projeto ainda está em fase preliminar e sabe-se também que, nos próximos anos, o Piratini não terá caixa folgado para realizar investimentos.

O novo aeroporto, por ter maior capacidade em relação ao Hugo Cantergiani, ganha relevância por se tornar uma alternativa ao Salgado Filho, na Capital. Cumpre recordar que, com a enchente de 2024, o terminal de Porto Alegre ficou quase seis meses sem operar. Resta esperar, agora, que os prazos previstos sejam cumpridos e, no início da próxima década, os gaúchos já contem com esse novo ativo logístico a serviço do desenvolvimento da Serra e do Estado. 

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