quinta-feira, 8 de outubro de 2026

08 de Outubro de 2026
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

A esquerda no divã

Luciano Zucco (PL) foi eleito governador com 58% dos votos válidos. Além disso, a chapa também emplacou dois senadores: Sanderson (PL) e Marcel van Hattem (Novo). Desde então, partidos de esquerda avaliam os motivos que levaram a uma perda tão significativa para esse espectro político. O Conversas Cruzadas de terça-feira recebeu deputados estaduais eleitos que opinaram sobre o assunto.

Para o deputado estadual reeleito Matheus Gomes (PSOL), faltou o tratamento de temas específicos durante a corrida eleitoral:

- Faltou termos abordado temas mais concretos que apareciam em todas as pesquisas como grandes preocupações do Estado, como é o caso da crise climática e das enchentes. Deveríamos ter trabalhado com muito mais força para apresentar alternativas e dialogar com a população sobre a responsabilização dos governos.

O deputado avalia que faltou enfrentamento com a oposição:

- Da mesma forma, acho que a campanha tinha a expectativa de ir para o segundo turno, onde seria feito um enfrentamento mais direto com Zucco, mas isso deveria ter começado desde o início, no primeiro turno.Não vimos a tempo a aceleração do crescimento da campanha de Zucco com possibilidade de vitória, e, na reta final, foi, de fato, o que aconteceu. Ele acabou acelerando no final, e não houve segundo turno, dentro de uma onda que também levou os dois para o Senado.

Já a vereadora de Porto Alegre Natasha Ferreira (PT), que vai estrear na Assembleia, levantou a hipótese de interferência das big techs nas redes sociais para a entrega de conteúdos, fazendo com que os materiais dos partidos de direita tivessem maior alcance. Além disso, segundo ela, faltou tática na campanha:

- Acho que tardamos para fazer do ponto de vista da tática política, e o nosso programa não conseguiu ir para a rua. E digo o porquê: na campanha para o Senado, por exemplo, os senadores eleitos tinham dois temas centrais, a castração de pedófilos e o impeachment no STF. Estávamos falando da reconstrução, do fim das bets, da isenção do Imposto de Renda, ou seja, sobre várias bandeiras. Falamos de muitas coisas ao mesmo tempo, faltou um símbolo claro da esquerda dizendo "nós vamos fazer isso".

Natasha também avalia que a sigla ficou presa ao legado do partido.

- Ficamos falando muito do "retrovisor", do ponto de vista de legado e história. A partir do impeachment de Dilma Rousseff, houve uma mudança e uma radicalização da juventude. Acho que boa parte da esquerda hoje está mais intelectualizada e mais distante das classes mais pobres. A esquerda acabou perdendo essa conexão - comentou durante o programa. _

Três anos de memória

No dia que marcou os três anos dos atentados terroristas cometidos pelo Hamas contra Israel, em 7 de outubro de 2023, a comunidade judaica do RS se reuniu ontem na Praça Maurício Cardoso, em Porto Alegre, para um ato público em memória do episódio.

O evento foi organizado pela Federação Israelita do Rio Grande do Sul (Firs) e por entidades judaicas do Estado.

Segundo a organização, a mensagem reforça a importância de preservar a memória da data e combater o antissemitismo. _

Entrevista - Carlos Baptista Jr. - Ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB)

"Não vejo qualquer possibilidade de uma aventura golpista"

Comandante da Força Aérea Brasileira (FAB) nos últimos meses do governo Jair Bolsonaro, o tenente-brigadeiro Carlos Baptista Jr. lançou o livro Eu disse não! - Uma trincheira antigolpista, da editora Autêntica.

Em que momento o senhor percebeu que conversas com Bolsonaro estavam na direção da ruptura constitucional?

A eleição foi em um domingo. Na segunda-feira, fomos chamados. Sentamos à mesa e expusemos que o sistema eleitoral funcionara corretamente, que as eleições não haviam trazido qualquer indício de fraude e que ele deveria reconhecer o resultado. No dia 1º, ele faz uma "aceitação", mas não parabeniza o vencedor. Em paralelo, temos o início das movimentações dos caminhoneiros para bloquear estradas e os acampamentos em frente aos quartéis. 

Aí discutimos a Operações de Garantia da Lei da Ordem (GLO), como está prevista na Constituição, para desobstruir estradas. De 11 a 24, foi muito pesado, deixamos de achar que ele estava falando de GLO e começara a falar em estado de defesa, de sítio, sem que houvesse os pressupostos básicos para a decretação disso.

Houve um diálogo no qual o então comandante do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes, chegou a ameaçar prender o então presidente. Como foi essa conversa?

O presidente lamentava ter perdido. Ele começou a trazer para a discussão essas possibilidades de estado de defesa. Foi alertado pelo Freire Gomes e por mim: "Presidente, dia 1º de janeiro o senhor não vai mais ser presidente". Avisamos: "A decretação de estado de defesa não pode ser feita em uma reunião. Onde está o vice-presidente (Hamilton Mourão)? Onde estão os presidentes da Câmara e do Senado? Os membros do Conselho de Defesa?" Nosso propósito era mostrar a ele que não havia pressuposto, como previsto na Constituição, para a decretação.

Mas o comandante da Marinha, almirante Almir Garnier, tudo indica, era favorável à ideia de Bolsonaro.

Essas reuniões já deixaram bastante claro qual seria a posição de cada um (dos comandantes). O almirante Garnier já tinha se mostrado divergente. A posição do general Paulo Sérgio sempre me trouxe certa dubiedade. Vi muitas vezes ele tentar demover o presidente de quebra institucional, e, logicamente, não posso concordar com o fato de ele ter nos chamado para apresentar uma minuta de golpe.

O 8 de Janeiro foi uma tentativa de golpe?

Sou aviador, costumamos tratar um acidente aeronáutico como uma série de elos de uma corrente. Nunca falamos na causa, falamos dos fatores que contribuem para o acidente. Fatores que eu acho que contribuíram: a primeira coisa foi o clima. Aquelas pessoas possivelmente não sabiam que estavam participando de um dos últimos atos de uma operação psicológica. 

A desesperança começa no Brasil lá atrás. Essa sequência de atos de corrupção levou à desesperança do nosso povo, levou Bolsonaro à presidência. Há um ritmo de degradação das instituições, desrespeito de autoridades. Existe um fator contribuinte: a escolha do general Gonçalves Dias para o GSI. E perda de controle de todos os órgãos do Distrito Federal, do Ministério da Justiça e do GSI.

O envolvimento dos militares com a política prejudicou as Forças Armadas?

Deve haver, assim como nos EUA, uma quarentena: sete anos após passar para a reserva para poder assumir como o secretário de Defesa. No Brasil, passaram para a reserva e imediatamente assumiram a Defesa. É muito difícil tirar a farda que se usou por 45 anos e sentar na cadeira de ministro. No início, defendi o presidente. Assim como Fernando Henrique Cardoso levou acadêmicos para o governo, Lula, os sindicalistas. Não vejo nada de errado o Bolsonaro ter levado militares. A quantidade foi excessiva.

Pode haver instabilidade?

Não, acho que saímos do processo de 2022, 2023, com uma estrutura institucional mais robusta. Não vejo que qualquer resultado possa levar o Brasil a uma instabilidade. Não vejo qualquer possibilidade de uma aventura golpista. 

INFORME ESPECIAL

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