segunda-feira, 12 de outubro de 2026

12 de Outubro de 2026
INFORME ESPECIAL - Vitor Netto

Surpresa com a cirurgia do Papa

A notícia de que o papa Leão XIV passará por uma intervenção cirúrgica "nos próximos dias" para retirar um nódulo "localizado no pulmão" pegou de surpresa diversos integrantes da Igreja Católica, vaticanistas - jornalistas que cobrem a Santa Sé - e fiéis.

Isso não é comum, já que anúncios desse tipo costumam ser feitos durante entrevistas coletivas na sala de imprensa por algum porta-voz do Vaticano. A informação de que o líder da Igreja Católica passará pelo procedimento médico foi dada por ele mesmo, ao término da oração do Angelus, ontem na Praça de São Pedro.

Segundo o Pontífice, um nódulo no pulmão foi identificado recentemente durante exames de rotina. Apesar de estar em estágio inicial, os médicos consideraram necessária a intervenção.

Informações iniciais apontam que o procedimento deve ser rápido e que o Papa não precisará se ausentar de seus compromissos por muito tempo. A Santa Sé, por meio do porta-voz Matteo Bruni, anunciou que "a operação está agendada para o início da próxima semana, e o tempo de recuperação pós-operatória previsto é de aproximadamente uma semana".

A cirurgia deve acontecer no Hospital Gemelli, em Roma, que tradicionalmente recebe os papas desde João Paulo II.

Até o momento, todos os compromissos papais desta semana estão mantidos, inclusive uma grande celebração agendada para quarta-feira que marcará o encerramento de um encontro que reúne presidentes das conferências episcopais de todo o mundo para celebrar os 10 anos da Amoris laetitia, uma exortação apostólica pós-sinodal do papa Francisco.

Jornais italianos como Corriere della Sera e Il Messaggero apontam para a realização da cirurgia no início da próxima semana.

Uma fonte da Santa Sé disse à coluna que acredita que o procedimento seja realizado na próxima segunda-feira e que não haverá necessidade de quimioterapia ou radioterapia. Também contou que ninguém sabia da intervenção médica até o anúncio feito neste domingo.

E a viagem à América do Sul?

Leão XIV tem agendada uma grande viagem apostólica à América do Sul entre os dias 6 e 17 de novembro, com passagens pelo Uruguai, pela Argentina e pelo Peru. De acordo com o Il Messaggero, a visita está mantida. Uma fonte no Vaticano também confirmou à coluna.

Além disso, a informação de que o procedimento terá um período de recuperação relativamente curto gera certo alívio entre os fiéis que aguardam a viagem apostólica. A Conferência Episcopal Argentina convidou os fiéis a se unirem em oração pela saúde do pontífice e afirmou, em nota, que "a serenidade e a confiança" com que Leão XIV anunciou o procedimento "nos reconfortam e nos animam a permanecer espiritualmente unidos a ele".

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) declarou: "Às vésperas da festa de Nossa Senhora Aparecida, confiamos sua saúde e seu ministério à intercessão da Padroeira do Brasil". _

vitalidade

Leão XIV tem 71 anos e apresenta boa saúde e vitalidade. Um vaticanista disse à coluna que o Papa frequenta a academia, nada e joga tênis semanalmente em Castel Gandolfo, residência de férias dos papas nas proximidades de Roma. Segundo ele, "seu organismo deve estar com as defesas em dia". O jornal Corriere della Sera: disse ontem "Completou 71 anos em setembro, mas tem o físico de 60 anos em ótima forma".

Representantes do RS na Itália

A Câmara de Comércio Italiana do Rio Grande do Sul (CCIRS) esteve presente na 27ª Reunião dos Secretários-gerais das Câmaras de Comércio Italianas no Exterior (CCIEs), em Roma. O encontro, que começou na quinta-feira e encerrou no sábado, reuniu representantes de 86 câmaras em 64 países. A entidade foi representada pelo diretor- executivo Filippo Mariani. _

Dados da Secretaria de Educação de Porto Alegre mostram que estudantes da rede municipal apresentaram avanço nos índices de conhecimento em Língua Portuguesa e Matemática entre o 1º e o 9º ano.

Entrevista - Octavio Guedes - Jornalista

"O desafio foi remontar a trajetória de figuras quase invisíveis, varridas para debaixo do tapete"

Um corretor de seguros que sugeriu a Juscelino Kubitschek a construção de Brasília. A rotina da família real no Rio de Janeiro no início do século 19. O Burro Canário, um animal que fazia shows em pequenas feiras do Nordeste. Essas são apenas algumas das histórias que o jornalista Octavio Guedes conta em sua nova obra, Heróis por Acaso (Editora Máquina de Livros).

Como surgiu o livro?

Surgiu, de certa forma, de um estalo, que veio do meu próprio hábito de devorar História. Cresci ouvindo que o Brasil foi descoberto por acaso. Mas, quando Cabral saía de cena, entravam heróis de bronze montados a cavalo nas praças. Me perguntava: onde foi parar o acaso? Meu olhar sempre esteve em busca dele, até que, um dia, uma luz se acendeu: tem um livro aí. Foi por acaso.

Como foi a escolha e a apuração desses heróis?

Dividi o trabalho com Tito Guedes, meu filho, que cuidou da pesquisa. Mergulhamos em jornais antigos, livros, biografias, entrevistas... A primeira meta era garimpar quem teve alguma influência em fatos relevantes. E, quanto menos conhecido o personagem, mais ele se credenciava para entrar no livro. Muitas vezes, ficávamos em dúvida sobre o paradeiro de alguns personagens, e a busca virava mais uma questão de pura curiosidade do que propriamente um trabalho.

Teve algum surpreendente?

Talvez o personagem mais surpreendente e inacreditável seja o Burro Canário. Um animal que fazia shows em pequenas feiras do Nordeste vem para o RJ, ganha destaque na imprensa e passa a ser apresentado como capaz de responder a perguntas de matemática e até a questões militares. A gente não poderia imaginar que um quadrúpede, num cassino carioca, fosse cruzar com a história da 2ª Guerra Mundial.

É possível elencar um personagem favorito?

O marujo Marcelino Rodrigues me chamou a atenção porque, embora ninguém conheça, ele foi o estopim de um dos episódios mais marcantes do Brasil: a Revolta da Chibata. Marcelino entrou no navio com duas garrafas de cachaça escondidas, foi delatado por outro marinheiro e acabou castigado com 250 chibatadas. A humilhação levou João Cândido a liderar a rebelião que humilhou a República e mostrou um país extremamente desigual.

O título fala em Heróis por Acaso. Até que ponto a narrativa oficial dos grandes protagonistas acabou apagando o papel dessas figuras do bastidor?

O grande desafio do livro foi remontar a trajetória de figuras quase invisíveis, que foram varridas para debaixo do tapete em prol de uma História mais glamourosa e conveniente. Alguns personagens sequer são mencionados nas narrativas oficiais. O jovem Calu, por exemplo, aparece em reportagens antigas como uma mera menção, mas uma dor de cotovelo dele provocou o surgimento do fascismo brasileiro, que teve como grande nome Plínio Salgado. 

INFORME ESPECIAL

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