sábado, 31 de outubro de 2026

31 de Outubro de 2026
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

A eleição que pode limitar o poder de Trump

Donald Trump não estará na cédula na terça-feira. Mas sua figura estará no centro das eleições de meio de mandato, as chamadas midterms. Os americanos irão às urnas para decidir se mantêm a maioria do Partido Republicano nas duas Casas do Congresso ou se entregam aos democratas o poder de limitar a atuação do presidente.

As pesquisas apontam cenário desfavorável para Trump, especialmente na Câmara dos Representantes. A dúvida é o tamanho de uma eventual derrota: restrita à Câmara ou ampliada ao Senado, onde o caminho para uma maioria democrata é mais difícil.

Aos números: na terça-feira, estarão em disputa todas as 435 cadeiras da Câmara e 35 do Senado, sendo 33 eleições regulares e duas especiais. Com a Câmara completa, são necessárias 218 cadeiras para garantir a maioria. Portanto, os democratas precisam conquistar pelo menos quatro assentos a mais do que ocupam hoje para alcançar esse número. Para assumir também o controle do Senado, os democratas precisam de um ganho líquido de quatro cadeiras, chegando a 51 dos cem assentos.

O retrospecto joga contra Trump. Historicamente, o partido do presidente costuma perder cadeiras nas eleições de meio de mandato, realizadas a cada dois anos entre as disputas presidenciais. Nas últimas 20 midterms, em apenas duas ocasiões o partido no poder conseguiu ampliar sua bancada na Câmara: em 1998, com Bill Clinton, e em 2002, com George W. Bush. No primeiro mandato de Trump, em 2018, os republicanos perderam 41 cadeiras na Câmara, embora tenham ampliado sua bancada no Senado.

O governo também enfrenta uma popularidade muito baixa. Segundo a média de pesquisas da CNN divulgada em 27 de outubro, apenas 34% dos americanos aprovam Trump, enquanto 64% desaprovam sua gestão. Na mesma média, os democratas lideram a preferência nacional para a Câmara por 52% a 43%.

Como o eleitor costuma votar de olho no bolso, o desgaste econômico é um problema importante para o governo. A economia, que ajudou Trump a vencer em 2024, agora representa um obstáculo político. Ele voltou à Casa Branca prometendo controlar a inflação, reduzir preços e recuperar o poder de compra.

As pesquisas indicam que muitos americanos não percebem essa melhora. Segundo levantamento da Associated Press em parceria com o instituto Norc, apenas 17% aprovam sua atuação no combate ao custo de vida; 26% aprovam sua gestão econômica; e 65% responsabilizam suas políticas pela persistência dos preços elevados. Até entre os próprios republicanos, há insatisfação: cerca de seis em cada 10 desaprovam sua atuação em relação ao custo de vida.

E é aí que algo menos comum nas disputas eleitorais americanas ganha importância: a política externa, que raramente decide uma eleição legislativa, tornou-se também um assunto doméstico.

A guerra contra o Irã e a política tarifária de Trump fizeram as decisões internacionais desembarcarem no orçamento das famílias. O impacto aparece nos preços dos combustíveis, pressionados pelo conflito, e nos custos de produtos atingidos pelas tarifas comerciais.

Precedente

Há um precedente histórico. Em 2006, George W. Bush enfrentou eleições de meio de mandato marcadas pela impopularidade da Guerra do Iraque. Os republicanos perderam o controle das duas Casas do Congresso.

Se os democratas conquistarem a Câmara, poderão abrir investigações, convocar audiências, controlar a pauta legislativa e exercer maior pressão sobre o Executivo, inclusive nas negociações orçamentárias. Se conquistarem também o Senado, passarão a controlar a tramitação das indicações presidenciais, incluindo integrantes do governo e juízes federais. O controle das duas Casas ampliaria a capacidade de fiscalização e de bloqueio à agenda legislativa de Trump, embora não eliminasse seus poderes executivos.

Há, ainda, a possibilidade de um novo processo de impeachment. A Câmara pode aprovar a acusação por maioria simples. Já a condenação e a destituição dependem do voto de dois terços dos senadores presentes - 67, caso todos os cem participem da votação.

Trump conhece bem esse caminho: enfrentou dois processos de impeachment em seu primeiro mandato, e foi absolvido pelo Senado nas duas ocasiões. Nenhum deles resultou em sua destituição, mas ambos produziram desgastes que contribuíram para sua derrota em 2020 para Joe Biden. _

Papa já votou

O papa Leão XIV votou nas midterms, as eleições de meio de mandato dos Estados Unidos. Robert Prevost, como cidadão americano, tem o direito à participação no pleito eleitoral. A informação foi divulgada pelo Vaticano na sexta-feira.

Conforme comunicado da Santa Sé, o papa Leão XIV "exerceu seu direito de voto como cidadão dos Estados Unidos sempre que teve oportunidade" e a ação está "em consonância com esta prática consolidada de participação cívica". O Pontífice enviou o seu voto pelo correio para Chicago, sua cidade natal.

Segundo a CNN Internacional, Leão XIV seria o primeiro papa a votar em uma eleição democrática. _

Presidente do STF receberá título de Doutor Honoris Causa

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, receberá, na próxima semana, o título de Doutor Honoris Causa da Unisinos. A honraria será entregue na próxima sexta-feira, no campus da universidade em Porto Alegre.

Segundo a instituição, a outorga integra a programação comemorativa dos 60 anos do curso de graduação em Direito e dos 30 anos do Programa de Pós-Graduação em Direito (PPGDireito) da universidade.

A agenda comemorativa inclui ainda atividades voltadas aos temas de direitos digitais e inteligência artificial, com a participação de palestrantes internacionais e pesquisadores.

Jurista, acadêmico e magistrado brasileiro, atual presidente do STF e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Edson Fachin é natural de Rondinha, no norte do Estado. _

Caças em treinamento de ataque

Quem estava pela região central de Porto Alegre na última quinta-feira percebeu uma cena inusitada: o rasante de cerca de 12 caças da Força Aérea Brasileira (FAB) sobre a Capital.

De acordo com a FAB, eram aeronaves de caça F-5M realizando um treinamento de ataque ao solo. As missões partiram de Santa Maria e foram executadas no Estande de Aviação de Saicã, em Cacequi. Os voos táticos envolveram o Primeiro Grupo de Aviação de Caça, sediado na Base Aérea de Santa Cruz (RJ), e o Esquadrão Pampa, sediado na Base Aérea de Canoas.

A tendência é de que, ao sobrevoarem Porto Alegre, os caças estivessem em rota de regresso para a base canoense. _

Cirurgia cardíaca robótica

O Hospital Moinhos de Vento realizou, nesta semana, a primeira cirurgia cardíaca robótica intracardíaca do RS. O paciente, o morador de Lajeado Eduardo Menegazzi, de 48 anos, foi submetido a uma plastia da válvula mitral - procedimento que reconstrói a estrutura para corrigir a insuficiência que provocava o refluxo de sangue no coração.

Diferente da cirurgia convencional, que exige a abertura do osso esterno, no peito, a técnica robótica introduz os instrumentos por meio de pequenas incisões no tórax. O robô não atua de forma autônoma: o cirurgião comanda os braços articulados a partir de um console.

A intervenção foi coordenada pelos cirurgiões cardiovasculares Eduardo Saadi e Rodrigo Saadi. A preparação envolveu a direção do hospital, o chefe do serviço de cirurgia e robótica, André Berger, e as equipes de anestesia, perfusão, ecocardiografia e enfermagem. _

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