Começa a disputa por espaço no governo Zucco
A eleição em primeiro turno e a base ampla formada na Assembleia Legislativa não tiram a pressa de Luciano Zucco (PL) em montar seu secretariado e distribuir espaços aos partidos aliados. Após uma semana de entrevistas, agendas em Brasília e início da transição com o governador Eduardo Leite, Zucco deve dar tração às articulações internas nos próximos dias e planeja anunciar os primeiros secretários ainda esta semana.
Uma reunião do governador eleito com os presidentes dos partidos aliados, que integraram a coligação vitoriosa, está agendada para amanhã. Líderes de PL, PP, Republicanos, Podemos, Novo e Democracia Cristã se encontram pela manhã na Casa do Diálogo, espécie de gabinete provisório montado por Zucco no Instituto Caldeira.
Desse encontro, deve sair um primeiro esboço do novo governo, com uma projeção da quantidade de secretarias e de cargos que os partidos terão à disposição. A partir daí, os dirigentes devem pensar nos nomes que poderão oferecer a Zucco para compor o novo governo, cientes de que o governador eleito já deixou clara a intenção de montar um primeiro escalão técnico, escolhendo pessoalmente todos os integrantes.
Negociação tem início agora
Segundo o presidente do Podemos, Everton Braz, que atuou como coordenador do núcleo político da campanha de Zucco, não foi feito nenhum acordo de espaços na negociação com os partidos para que integrassem a coligação, no início do ano.
- Isso não foi discutido, o objetivo era primeiro vencer a eleição. Temos que entender a cabeça do governador eleito, como vai ficar o redesenho da máquina e que tipo de peças ele busca, para depois indicar. Estamos todos bem alinhados - explica Braz.
Zucco tem a seu favor a eleição em primeiro turno, evitando a necessidade de oferecer cargos a outras siglas em troca de apoio. Mesmo assim, outros partidos devem ser convidados a compor o governo para garantir maioria absoluta (33 deputados) na base aliada da Assembleia Legislativa. Os seis partidos da sua coligação elegeram 26 deputados para as 55 cadeiras.
Com cinco deputados eleitos, o MDB tende a integrar a base de sustentação do governo - assim como o PL faz com Melo, na Capital. O PSD, partido de Leite - cujas bancadas atual e futura declararam apoio a Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência -, e o PSDB, que adotou a mesma posição no Estado, também podem ficar alinhados à nova gestão. As siglas elegeram cinco e um deputados, respectivamente. _
Os primeiros nomes do novo governo devem ser anunciados a partir de quinta-feira. Roni Vieira virá do Paraná
para comandar a Secretaria de Educação, e o deputado Claudio Branchieri (PL) é cotado para assumir a Fazenda.
Melo trabalha para impulsionar a campanha presidencial na Capital
O prefeito Sebastião Melo está engajado na campanha para eleger Flávio Bolsonaro (PL) como próximo presidente. Depois de declarar apoio à candidatura do senador, Melo reuniu um grupo de líderes políticos no sábado para fortalecer a mobilização no segundo turno em Porto Alegre, em um movimento que chama de "suprapartidário e voluntário".
Cerca de cem pessoas participaram da reunião convocada por Melo, que quer intensificar a campanha de Flávio em regiões da Capital onde o presidente Lula (PT) levou vantagem no primeiro turno, para reduzir a diferença de votos na Capital.
Melo levou aliados do MDB, partido do qual deve tomar as rédeas no Estado ao lado de Alceu Moreira. Estiveram na reunião os secretários Cezar Schirmer e André Coronel, o ex-ministro Luís Roberto Ponte e o casal Marco e Patrícia Alba. _
Quase metade dos votos nulos no RS foi para o 13
Dos 315.858 votos nulos dos eleitores gaúchos na disputa para governador, 141.796 digitaram o número 13, do PT, que abriu mão de indicar um candidato na cabeça de chapa para apoiar Juliana Brizola, do PDT, que é o 12.
Para votar nulo, é preciso digitar e confirmar um número que não está na disputa. A segunda opção dos gaúchos foi pelo 00 (90.482 vezes), que não representa nenhum partido. Outros 5.631 eleitores optaram pelo 99.
Números do PSD (55), PSOL (50), Missão (14), Novo (30), PP (11), Avante (70) e Republicanos (10) também foram escolhidos. _
Flávio Bolsonaro terá agenda no RS na quarta
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) confirmou que estará no Rio Grande do Sul na próxima quarta-feira. Será a segunda vez que o senador visita o Estado durante a campanha, a primeira no segundo turno.
Flávio deverá chegar ao Estado no final da manhã. O primeiro compromisso será uma reunião-almoço com empresários e líderes políticos na Fiergs. No final da tarde, fará um ato público de campanha no Centro Histórico, próximo à Esquina Democrática, mas o local ainda não foi confirmado. A tendência é de que, durante a tarde, Flávio participe de outras atividades e faça atendimento à imprensa.
Além de Luciano Zucco, Flávio terá a companhia dos governadores eleitos de Santa Catarina, Jorginho Mello, e do Paraná, Sergio Moro, todos do PL.
- Estamos organizando uma agenda que, além de impactar os eleitores, contempla temas fundamentais para o futuro do Rio Grande do Sul, como o crescimento econômico, a geração de empregos e a melhoria da nossa infraestrutura - explicou Zucco.
Flávio planeja ampliar a votação que recebeu em primeiro turno no Estado, onde obteve 55,6% dos votos válidos. _
Republicanos tenta atrair deputados do PDT
Com o argumento de que uma federação com o PSB ou o PSOL seria seu fim, o Republicanos corteja os deputados estaduais eleitos do PDT. Um dos principais líderes do Republicanos lembra que o partido é o mais ao centro dos que tentam atrair os pedetistas, que não têm um perfil de esquerda.
Gilmar Sossella, que ficou com a última cadeira, disse que não está sendo fácil lidar com a derrota do PDT. Acrescenta que já conversou com o presidente do partido, Romildo Bolzan, e que a decisão deverá ser tomada em conjunto. As direções nacional e estadual do partido têm reuniões de avaliação marcadas para amanhã.
Eduardo Loureiro disse à coluna que está assimilando o cenário, e Tiago Cadó admitiu o assédio de outras siglas. O PDT elegeu ainda o ex-prefeito de Parobé Diego Picucha.
Como o PDT não ultrapassou a cláusula de barreira, os deputados podem trocar de partido sem risco de perder o mandato.

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