Mais uma vez, Donald Trump mostra que não sabe perder
Donald Trump costuma ser um mau perdedor. E isso se estende a quem ele considera seus aliados. A derrota de Flávio Bolsonaro no segundo turno para Lula não foi digerida pela Casa Branca. Isso explica por que Trump demorou tanto para se manifestar sobre a eleição brasileira e, quando o fez, disse que houve fraude, sem apresentar qualquer prova.
Os Estados Unidos reconhecerem ou não o resultado das urnas brasileiras não muda nada na prática. Mas é um ato simbólico - e envia recados políticos.
O primeiro é uma quebra de tradição diplomática na relação entre os dois países, parceiros há mais de 200 anos.
Em seu primeiro mandato, Trump ligou para Jair Bolsonaro na mesma noite da vitória do brasileiro, em 2018. Mesmo em outros governos republicanos, como de George W. Bush, essa tradição se manteve. Bush filho ligou para Lula, em sua primeira eleição, em 2002.
Flávio perdeu. Trump perdeu. Essa é a leitura na Casa Branca. O republicano recebeu o brasileiro meses atrás, um dia antes de declarar Comando Vermelho e PCC organizações terroristas, como Flávio prometia fazer se fosse eleito.
Trump esperava, em caso de vitória de seu aliado, que o Brasil aderisse ao seu Escudo das Américas, a coalizão de nações em uma guerra contra o narcotráfico, que críticos veem como uma desculpa para interferência/intervenção em países sul-americanos. Mais: desejava maior acesso a empresas americanas às terras raras - o país tem a segunda maior reserva do planeta. Mas, sobretudo, enxergava na vitória de Flávio um afastamento da China.
O Brasil é encarado pelos falcões da Casa Branca como o último grande bastião da esquerda na América do Sul - além do país, apenas Uruguai, Venezuela, Guiana e Suriname mantêm governos dessa linha do espectro ideológico. Venezuela, como se sabe, já está se convertendo a fórceps, com a deposição de Nicolás Maduro, em um puxadinho de Washington.
Seu projeto de reeditar a Doutrina Monroe, em que a "América para os americanos" significa blindar o continente de atores externos - além da China, a Rússia -, perdeu força. E isso não é bom também para seu desempenho nas midterms, as eleições de meio de mandato, no dia 4, quando o americano também deverá perder a maioria na Câmara e no Senado. E Trump não sabe perder. _
O premier de Israel, Benjamin Netanyahu, irá hoje a escrutínio pela primeira vez desde os atentados de 2023. Há chances reais de a coalizão de direita e religiosos, liderada pelo Likud, perder a maioria no parlamento. Caso se confirmem as pesquisas, Bibi deixará o governo. Dados sugerem que a coalizão de oposição, liderada por Gadi Eisenkot, também não conseguirá a maioria.
Coronel uruguaio condenado por tortura é preso no RS
A Polícia Federal (PF) prendeu ontem, em Santana do Livramento, o coronel uruguaio Pedro Antonio Mato Narbondo. Ele foi condenado pela Justiça da Itália por sequestro, tortura e morte de quatro cidadãos de origem italiana durante a ditadura militar.
A prisão foi determinada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que homologou a sentença para o cumprimento da pena em território nacional, uma vez que Narbondo tem a condição de brasileiro nato e vive no país. A coluna acompanha o caso desde 2023, quando o STJ aceitou o pedido da Justiça italiana para analisar se ele deveria cumprir a pena no Brasil. Desde março, por determinação judicial e a pedido do Ministério Público Federal (MPF), Narbondo utilizava tornozeleira eletrônica e estava proibido de deixar Santana do Livramento.
Quem é
Conhecido pelo apelido de "El Burro", Narbondo nasceu em Rivera, no Uruguai, mas teve a cidadania como brasileiro nato reconhecida pela Justiça Federal em 2003, por ser filho de mãe brasileira. Na década de 1970, atuou como oficial do Serviço de Informações de Defesa (SID), órgão de repressão política do regime militar uruguaio.
Ele foi responsabilizado por prisões, assassinatos e desaparecimentos de quatro cidadãos italianos de origem uruguaia ocorridos em Buenos Aires, na Argentina, durante o ano de 1976. Os crimes foram cometidos no âmbito da Operação Condor, uma aliança entre os serviços de inteligência das ditaduras do Cone Sul (como Brasil, Argentina, Chile e Uruguai) para perseguir, torturar e eliminar opositores políticos.
Na Itália, ele foi condenado em julho de 2019, em sentença que transitou em julgado em julho de 2021. Como a Constituição brasileira proíbe a extradição de brasileiros natos, o governo italiano solicitou a transferência da execução da pena para o Brasil.
O julgamento da homologação no STJ começou em abril. Como a legislação brasileira veda penas de caráter perpétuo, a condenação foi adequada ao limite máximo constitucional e fixada em 30 anos de reclusão.
Modernização de espaços na Unisinos
A Unisinos está investindo R$ 4,1 milhões na requalificação e modernização dos laboratórios de Engenharia do campus de São Leopoldo. O aporte faz parte do investimento de mais de R$ 30 milhões previsto pelo Masterplan Unisinos para os campi de São Leopoldo e Porto Alegre. A conclusão das obras está prevista para março de 2027.
Os novos investimentos buscam ampliar a capacidade de pesquisa aplicada da universidade, criar oportunidades de desenvolvimento tecnológico em parceria com a indústria, requalificar os ambientes e modernizar equipamentos, com foco em prototipagem avançada, automação e soluções voltadas às necessidades do setor produtivo.
Os espaços poderão ser utilizados em atividades de ensino. A proposta prevê a integração entre laboratórios e salas de aula, qualificando as atividades práticas. _

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