sexta-feira, 16 de outubro de 2026


16 de Outubro de 2026
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

A jornada de trabalho pelo mundo

Ao aprovar a proposta de emenda à Constituição (PEC) que reduziu a carga horária de trabalho, o Brasil segue o caminho de países como Chile, Colômbia, França e Portugal. Veja o que diz a legislação trabalhista em outras nações.

Chile

Promulgou neste ano uma lei aprovada em 2023, que reduziu de 45 para 42 horas semanais a jornada de trabalho. A implementação é gradual: prevê que, até abril de 2028, o limite chegue a 40 horas semanais.

Colômbia

Também neste ano, a jornada de trabalho foi reduzida de 44 para 42 horas semanais. Encerrou uma transição iniciada em 2023, quando o limite era de 47 horas semanais.

México

Em fevereiro, aprovou a redução da jornada de 48 para 40 horas semanais até 2030. De forma gradual, a primeira redução está prevista para janeiro de 2027, quando cairá para 46 horas. Até 2028, deve chegar a 44 horas; até 2029, 42 horas; e até 2030, 40 horas.

Grécia

A jornada já é de 40 horas. Em 2025, o país aprovou reforma que permite, em algumas condições, até 13 horas por dia para setores privados, limitando a três dias por mês. Há outra possibilidade de organizar a jornada em quatro dias, com 10 horas diárias, mediante acordo.

Bélgica

Tem carga horária máxima de 38 horas semanais. Tem grande flexibilidade e permite que trabalhadores em tempo integral concentrem a jornada semanal normal em quatro dias. Quem quiser realizar toda a jornada semanal em menos dias, pode fazer nove horas e meia por dia durante quatro dias.

Portugal

Adota 40 horas semanais, com formas de distribuição variadas. Em 2023, realizou um projeto-piloto de semana de quatro dias de trabalho. O teste permitiu que empresas participantes testassem diferentes formatos de redução ou reorganização da jornada. Mais de 40 empresas aderiram. Os resultados apresentaram redução de horas trabalhadas e melhores indicadores de bem-estar.

Estados Unidos

A remuneração é proporcional às horas trabalhadas. A legislação não estabelece um limite máximo geral de horas por semana. A regra determina, entretanto, que a maioria dos trabalhadores receba pagamento adicional por horas extras. Ou seja, quem trabalha mais de 40 horas por semana tem direito a receber uma vez e meia o valor normal da hora trabalhada. Há exceções.

Com a palavra, os especialistas

O "Conversas Cruzadas" de quarta-feira ouviu representantes de quatro entidades para debater o assunto. A coluna reúne abaixo os quatro principais posicionamentos.

Carolina Spina Advogada trabalhista

"Sabemos que um trabalhador que não está desgastado vai produzir melhor para as empresas. Sempre procurei tratar o tema a partir de uma perspectiva humanitária e, principalmente, sob a ótica das mulheres, que, hoje, ocupam muitos postos no mercado na escala 6x1. Talvez pudéssemos ter seguido o exemplo do Chile, em que essa redução foi mais gradual. Eram necessários maiores debates."

Rafael Sacchi Coordenador do Conselho de Assuntos Tributários, Legais e Cíveis do Sistema Fiergs

"A economia precisa ser o trator do desenvolvimento social, e não o contrário. Veremos o enfraquecimento da nossa economia, quando deveria ser o caminho contrário. Precisamos fortalecê-la para gerar melhores condições de trabalho. Precisamos de um governo que gaste bem, que gaste menos e que foque em projetos de ordem tributária, que entenda o que precisa ser feito, que pense a reforma tributária, que pense em uma escala 6x1 flexível."

Ricardo Franzoi Supervisor do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese)

"Este debate não é recente. Quando eu entrei no Dieese, no final da década de 1980, sempre houve essas reivindicações. E essa discussão da produtividade sempre vem à mesa de negociação: ?Só podemos aumentar o salário se aumentar a produtividade, porque isso pode causar inflação?. Só que essa produtividade vira uma abstração. Quando se diz que vai medir a produtividade do setor e dar um reajuste de salário conforme essa produtividade, vem a complexidade. Cada trabalhador tem a sua produtividade. Uma coisa é um restaurante que tem dois funcionários e abre sábado e domingo. Outra coisa é uma empresa maior, com outra estrutura."

Rodrigo Sousa Costa Presidente da Federasul

"As pessoas estão comemo­rando que vão ganhar quatro horas por semana, mas existe toda uma pressão inflacionária de preços que estão contidos, represados. A redução da jornada afetará custos e empresas, principalmente as pequenas. Temos uma realidade de famílias de trabalhadores que estão endividadas, pagando juros muito altos. Essas pessoas, no momento em que ganharem quatro horas e perceberem que não compram mais a mesma coisa no supermercado, que não conseguem mais esticar o dinheiro e que compram muito menos, vão trabalhar 12, 16 horas no sábado e no domingo em outro emprego, ou na informalidade."

Viagem papal sob risco

Viagens apostólicas costumam ser preparadas com muita antecedência. Não só devido à logística, mas porque um papa, além de pastor máximo da Igreja Católica, é um chefe de Estado e, mais, um soberano.

Há algo na visita do papa Leão XIV, prevista para a América do Sul, que poucos falam desde o diagnóstico de um câncer no pulmão: a capacidade física exigida em uma dessas viagens.

Não é recomendável a um paciente que teve um tumor retirado do pulmão, como teve o Papa, esforço físico.

Um roteiro passando por três países em 12 dias para uma pessoa normal já exigiria algum grau de esforço físico. No caso da viagem de Leão prevista à América do Sul, estamos falando de 12 dias com agenda diária intensa de deslocamentos de avião, a pé, de carro e helicóptero, encontros com autoridades, pronunciamentos, missas... Só entre Roma e Montevidéu são pelo menos 17 horas de voo.

Na quarta-feira, a presidente do Peru, Keiko Fujimori, disse que ainda não foi informada pelo Vaticano se a viagem será adiada. Mas afirmou que o tempo de recuperação do Pontífice, inicialmente estipulado em uma semana, provavelmente será estendido.

Tem razão a presidente. Apesar da melhora esperada, Leão XIV seguirá internado na clínica Gemelli, em Roma, por alguns dias. A chegada à capital uruguaia está prevista para o dia 6 de novembro, ou seja, menos de um mês.

O Vaticano estimou que o Pontífice passará uma semana internado antes de receber alta, mas não disse se o tempo de internação aumentará. Pietro Parolin, secretário de Estado da Santa Sé, disse ontem: "Se a situação se desenvolver como previsto, a viagem acontecerá. Se houver algum imprevisto, não podemos prever". 

A Cúria Metropolitana de Porto Alegre celebra na próxima semana os 138 anos de seu prédio histórico. A programação especial terá como destaque a apresentação do Coral da Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac), no jardim central do complexo.

INFORME ESPECIAL

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