sábado, 1 de agosto de 2026

01 de Agosto de 2026
DRAUZIO VARELLA - Médico, cientista e escritor

A síndrome do coração partido

Existente desde a Grécia Antiga, metáfora literária só encontrou em 1990 amparo na fisiologia humana

Conheci dona Cândida muitos anos atrás. Era a matriarca de uma família com oito filhos. O marido, coronel nordestino à moda antiga, acostumado a dar ordens ríspidas aos empregados da fazenda, ficava na miúda nas querelas com esposa.

A dedicação da mãe aos filhos era a razão de seu viver. Ai de quem os tratasse mal, chegou a ir às vias de fato com uma professora que ousou dar uma reguada na mão do mais velho. Quando todos cresceram, ela não ia para a cama nem deixava os empregados jantar enquanto o último não voltasse para casa.

Embora jurasse amar todos com a mesma intensidade, seu xodó por Francisquinho, um dos mais novos, era indisfarçável. Quando ele entrou na faculdade de Medicina, na capital, então, a dona Cândida não coube em si de tanto orgulho. Para provocá-la, uma das filhas dizia que se o irmão se afogasse no açude, a mãe gritaria: "Socorro! Meu filho que é quase médico está se afogando".

Quando o rapaz cursava o quarto ano, a mãe recebeu um telefonema, da faculdade. Em uma briga de trânsito, Francisquinho fora baleado.

O comércio da cidadezinha encerrou as portas para que todos acompanhassem o féretro. Eram tantas as flores que foi preciso uma caminhonete para acomodá-las.

Dona Cândida guardou luto em silêncio sepulcral, até a missa de sétimo dia. Sentada no banco em frente ao altar, queixou-se de tontura. Levada às pressas, faleceu no caminho do hospital. Na cidade, não houve quem não atribuísse o desfecho à perda do filho.

Histórias de alguém que caiu morto ao receber uma notícia terrível como essa povoam a literatura e o teatro desde os gregos.

O que talvez você não saiba é que somente em 1990 essa metáfora literária encontrou amparo na fisiologia humana. Aconteceu quando o médico japonês Hikaru Sato descreveu o quadro que ficaria conhecido como "síndrome do coração partido".

Trata-se de uma miocardiopatia induzida pelo estresse intenso, também chamada de síndrome de Takotsubo, nome dado pela semelhança entre o formato que o ventrículo esquerdo adquire na sístole, e um takotsubo, armadilha que os pescadores japoneses usam para capturar polvos.

Mais frequente em mulheres

A síndrome do coração partido costuma ocorrer em pessoas que, sem evidência de obstrução coronariana, quadro infeccioso ou outra agressão cardiológica que a justifique, sofrem uma perda seguida de descontrole, desespero e colapso emocional. Ela mostra que emoções intensas disparam uma cascata de mediadores que podem afetar o funcionamento do coração, a ponto de levá-lo à parada. Em oposição à morte súbita dos dramas teatrais, no entanto, o óbito ocorre dias ou semanas depois do acontecimento que o desencadeou.

Está longe de ser a condição benigna e transitória que se imaginava no passado. Ocorre com maior frequência em mulheres mais velhas que apresentam comorbidades, enlutadas pelo desaparecimento de um ente querido. O quadro evolui com insuficiência cardíaca e redução da contratilidade do ápice do ventrículo esquerdo que, muitas vezes, simula infarto do miocárdio.

Um estudo dinamarquês publicado na revista Frontiers, em 2025, avaliou 1,7 mil pessoas que viveram situações de luto. Sintomas intensos por meses persistiram em 6% delas; a demanda por visitas aos serviços de saúde cresceu; o uso de antidepressivos e de sedativos foi 5,6 vezes superior ao daqueles com sintomas leves; e o de ansiolíticos, 2,6 vezes maior. O risco de morte aumentou 88%, especialmente nas primeiras fases do luto, época em que a carga de estresse costuma ser mais elevada.

O papel do cérebro

A mortalidade a médio e longo prazo é semelhante à dos infartos do miocárdio.

A descrição da síndrome deu origem a diversos estudos sobre os mecanismos envolvidos nas conexões entre circuitos cerebrais e o funcionamento cardíaco: o eixo cérebro-coração.

Estresses emocionais intensos são capazes de ativar circuitos de neurônios envolvidos na regulação da resposta às emoções e no funcionamento do sistema nervoso simpático, com liberação de catecolaminas, entre as quais a adrenalina. Como consequência, a frequência cardíaca e a pressão arterial aumentam, acompanhadas de alterações dos marcadores inflamatórios em circulação e da resposta imunológica.

Exames de neuroimagem revelam desarranjo funcional na conectividade dos circuitos autonômicos/emocionais. A origem da síndrome não está no coração, mas no cérebro. _

DRAUZIO VARELLA

J.J. Camargo é cirurgião torácico, diretor do Centro de Transplantes da Santa Casa de Porto Alegre e membro titular da Academia Nacional de Medicina

Existe alguém do lado de lá

Ao formular certa pergunta, o médico não está apenas interrogando o paciente: está auditando a própria consciência

"Quando o outro sofre, a última coisa de que ele precisa é uma explicação teórica para a sua dor. Ele precisa de uma presença que suporte o mistério do seu sofrimento."

(Viktor Frankl)

No consultório ou no hospital, sob o brilho frio do monitor e a exatidão dos exames, priorizamos com todo o rigor a técnica, porque disso dependerá o controle daquela doença que nos trouxe o paciente em busca de uma solução. Tudo o que for tecnicamente insuficiente implicará em perda para quem apostou na nossa competência. Ali, com toda precisão medimos a função pulmonar, reconstruímos imagens em 3D, calculamos volumes e nos socorremos da ajuda da tecnologia que nossos antecessores não dispuseram.

Talvez por isso tendemos a acreditar que somos os protagonistas absolutos daquele enredo. Uma pena que precisamos demorar um tempo para entender que há um outro lado, atento e angustiado, que será exposto com uma pergunta simples que desestabiliza essa pompa: "O que, dessa experiência sofrida, o senhor considerará inesquecível?".

Ao formulá-la, o médico não está apenas interrogando o paciente; está, no fundo, promovendo uma auditoria na própria consciência. E o choque que se segue, a descoberta de que o inesquecível para quem sofre habita uma sombra que a clínica não enxergou, é a prova cabal de que a medicina acontece em dois planos paralelos.

Para quem opera, o "inesquecível" é o sucesso da manobra ousada, o milagre da fisiologia restabelecida, a complexidade vencida na solidão do bloco cirúrgico. Para o paciente, o inesquecível é quase sempre algo ínfimo, invisível ao olhar puramente técnico: a mão que hesitou antes de tocar o ombro, aquela travada antes de responder uma pergunta, o tom com que uma notícia foi dada ou, dolorosamente, como ela foi omitida.

O paciente não habita o mesmo mapa que nós. Enquanto mapeamos a patologia, ele mapeia o medo, o desespero, a ameaça da morte tornada real. A autovigilância do cuidado médico é a expressão mais alta da Medicina da Pessoa: o reconhecimento de que, embora a técnica trate a doença, é a humanidade - essa coisa fugidia que só floresce no detalhe - que acolhe o espírito. O uso dessa estratégia manterá o médico alerta. Mas mesmo assim muitas vezes ele se surpreenderá ao descobrir que nem tinha percebido o que o paciente valorizou tanto a ponto de considerar inesquecível.

Impossível esquecer a lição de um paciente que, ao receber alta depois de um transplante fantástico que tinha sido contraindicado por alto risco, em outro centro, respondeu que inesquecível tinha sido o carinho da menina da portaria que, no meio da madrugada, foi capaz de perceber o seu medo e a sua solidão e que, depois de ajudá-lo com o carrinho do oxigênio até o elevador, lhe deu um beijo e prometeu rezar por ele.

Paradoxalmente, esse choque de percepção é a melhor notícia que um médico pode receber. Significa que ele não se tornou um autômato. Significa que, entre a tomografia e o bisturi, entre o protocolo e o transplante, existe um homem que entende que a competência técnica é apenas o palco; a peça real, aquela que ficará gravada na memória de quem sofre, é o encontro.

Se um dia formos esquecidos por tudo o que curamos, por todas as mortes que evitamos, seremos lembrados por aquilo que, sem notar, oferecemos sem medir: o olhar que viu, além do pulmão, a biografia de quem respira. Validar essa vivência é a maior lição de Medicina Narrativa que se pode dar a um médico jovem. É dizer ao paciente, sem palavras, que a dor dele tem o mesmo peso que a nossa ciência. 

J.J. CAMARGO 

01 de Agosto de 2026
MARTHA MEDEIROS

Caos calmo

Quando li o título Caos Calmo destacado na capa, logo entendi que não era apenas o nome de mais um livro brilhante de Sandro Veronesi, e sim a definição de uma era.

Até uma matéria de jornal sobre a final da Copa ganhou a manchete "Caos x Calma". Pegou. Reflexo do jogo que estamos todos jogando, desde a primeira hora da manhã até a noite, inclusive dormindo. A paz do sono tenta neutralizar a bagunça da mente, mas pergunte aos insones quem está vencendo.

Viramos administradores do caos. Tentamos não entrar em desespero diante do evidente descontrole climático, que tem potencial para nos enlouquecer. Morrer de causa natural, agora, significa morrer de ventania, de alagamento. Além disso, governos continuam a confirmar seu poder através de guerras. Afetam a economia mundial e desconsideram a perda de vidas humanas, o que influencia nossas perspectivas.

As pessoas estão escolhendo sexo em cardápios virtuais, encontros rápidos para alívio da tensão. Quase ninguém quer investir tempo na construção de uma relação. Os desejos mudaram: em vez de amor e felicidade para sempre, dinheiro para gastar hoje ainda. O futuro já não entusiasma. Das coisas mais tristes que li outro dia: depois da eficiente campanha antitabagista, jovens estão voltando a fumar. E o motivo dói na alma: a longevidade começa a deixar de ser atrativa. Olha a profundidade disso.

Se tudo será destruído - cidades, amores, sonhos, florestas - o quanto importa viver?

O próprio luto perdeu significado. Difícil honrar um sofrimento pessoal em um mundo onde a dor passou a ser uma banalidade. Nosso cotidiano está tão embrutecido e trepidante que, curiosamente, o lugar onde menos encontramos turbulência é dentro de aviões.

Seria importante conversarmos sobre essas questões durante o jantar, não estivéssemos com os olhos e ouvidos ocupados com nossos celulares. A tecnologia raptou a humanidade. Viramos dependentes do que desconhecidos ostentam, vendem e ensinam em tutoriais e podcasts. Todos têm algo definitivo a dizer, uma dica imperdível de filme, livro, padaria. Todos sabem tudo: psicanalistas, escritores, cozinheiros, deputados. Tagarelas sortidos. Lá estou eu, lá está você, nós e nossas boas intenções, dentro do mesmo caldeirão de opiniões, imagens falsas, violências verbais, tentando manter a cabeça fora d´água com medicamento, meditação ou optando por uma saída mais radical: se mudar para o mato, fugir dessa loucura para manter nossa autenticidade, nosso "eu" original. Mas está sabendo, né? Ser quem você é se tornou obsoleto.

Costumo ser mais calma do que caótica, você me conhece. Mas não sei o que me deu. Precisando viajar. De avião. Algumas horas sem turbulência, paquerando o céu. _

MARTHA MEDEIROS

01 de Agosto de 2026
SARA BODOWSKI

Costa Doce - Uma história de sabores em Pelotas

O Bistrô Pelotense já é tradicional em Pelotas: são 27 anos de história e sabores na Costa Doce gaúcha. O ambiente te acolhe já na chegada, com muita arte e objetos que criam uma identidade visual única. E a cozinha do chef Márcio Ávila parte da tradição gaúcha para renovar a gastronomia local, usando quase todos os insumos da região.

Se você for no almoço, se prepare para um buffet incrível. À noite, um à la carte delicioso te espera. E dois pratos, pelo menos, me conquistaram: o filé alto e o mil-folhas de matambre - que são camadas de matambre assadas de forma lenta, com carne da região. E a dica: os vinhos são todos rótulos gaúchos, escolhidos direto na estante do restaurante. Dá até pra comprar e levar pra casa. São todos de ótima qualidade.

O Bistrô Pelotense fica na Rua Rafael Pinto Bandeira, 2.120, e funciona de segunda a sábado, das 11h30min às 14h e das 19h às 23h. Contato pelo (53) 3229-2029 e no Instagram @BistroPelotense. No @RoteirodaSara tem um vídeo da minha visita há duas semanas! _

Familiar - Café rural em Estância Velha

A Sabores do Rancho é uma daquelas agroindústrias familiares que são exemplos da rica produção gaúcha de laticínios. Já visitei a propriedade, que fica em Estância Velha, e gostei muito dos queijos, dos iogurtes e dos sorvetes. Tudo é feito de forma artesanal, com o leite das vacas Jersey criadas ali mesmo. O trabalho da família já rendeu prêmios, como o bronze no Concurso de Queijos e Doces de Leite Artesanais do RS, e é presença garantida há anos na Expointer. Eles inclusive estão no vídeo fixado no meu Instagram @SaraBodowsky, onde estão três queijarias gaúchas para conhecer.

E, agora, vem a novidade: a partir do dia 8, um café rural passa a ser servido todos os sábados, das 15h às 18h. A mesa é farta, com pães, cucas, bolos, tortas, pastéis, pão de queijo, linguiça fervida, tábua de frios, além dos queijos, iogurtes e sorvetes da casa, acompanhados de café, leite, chá e suco natural. Tudo por R$ 60 por pessoa, sempre com reserva pelo WhatsApp (51) 99696-1066.

A Sabores do Rancho fica no Rincão da Saudade, em Estância Velha. Mais informações no Instagram @saboresdorancho_laticinio. _

Gastronomia - Jantar harmonizado no Catherine

O Catherine é, sem dúvida, um dos meus restaurantes preferidos em Gramado. A começar pelo fondue, um dos atrativos tradicionais da região, que é diferente, fora da curva. O à la carte é ótimo e o ambiente acolhe como uma tradicional casa de família - que era o prédio, originalmente.

E no dia 6 de agosto o restaurante recebe a Zanotto Vinhos e Espumantes, marca do Grupo Vinícola Campestre, com vinhos muito interessantes produzidos nos Campos de Cima da Serra, para uma noite especial de gastronomia e vinhos.

A partir das 18h, o chef residente Nícolas Heckel apresenta um menu harmonizado em cinco etapas (R$ 400 por pessoa), criado para valorizar ingredientes regionais. A viagem começa com um amuse bouche acompanhado de Brut Branco e passa por pratos como a polenta taragna com queijo serrano e tutano, harmonizada com Sauvignon Blanc, e a carne de sol com arroz cateto e pinhões, combinada com Malbec. Para encerrar, tartelette de pequenos frutos com Brut Rosé Champenoise. Quem preferir, também pode pedir o cardápio regular da casa na mesma noite.

O Catherine fica na Rua Emílio Sorgetz, 200, no Centro de Gramado, em frente à Praça das Rosas. Reservas pelo (54) 2136-5252 e mais informações no Instagram @catherinegramado. _

SARA BODOWSKI

01 de Agosto de 2026
OPINIÃO RBS

A eleição e o nosso jornalismo

A cobertura de eleições é um dos momentos mais desafiadores e nobres do jornalismo. Os princípios fundadores do ofício estão a cada instante colocados à prova. Como esse período está prestes a começar de forma mais intensa, o Grupo RBS reafirma ao público os compromissos do nosso jornalismo, voltado a oferecer a melhor e mais transparente informação possível aos gaúchos.

O aspecto desafiador da cobertura se deve aos cuidados redobrados dos profissionais. Os nervos estão à flor da pele e os pilares da atividade, como a imparcialidade e o equilíbrio, são ainda mais necessários e objeto de atenção do público, das candidaturas e da Justiça Eleitoral. Mas é dever da imprensa informar os acontecimentos e, não raro, os fatos desagradam um ou outro lado. Exercer o jornalismo em dias de ânimos tão exacerbados exige firmeza e reflexão constante para cumprir a missão de relatar com objetividade e independência.

O caráter nobre da cobertura passa pela relevância da decisão a ser tomada pelos eleitores. Está em jogo o destino do Estado e do país. Trata-se de uma escolha que precisa ser consciente e livre. O jornalismo presta um serviço essencial à sociedade e à democracia, por oferecer o insumo basilar para que cada leitor, ouvinte e telespectador possa decidir o voto a partir de informações apuradas e checadas com rigor. Isso inclui dedicação para desmentir inverdades e distorções com potencial de prejudicar o juízo dos eleitores. A disseminação de ferramentas de inteligência artificial (IA) realça a importância dessa tarefa.

Ciente das suas responsabilidades com os gaúchos, o Grupo RBS dá publicidade às diretrizes para a cobertura das eleições gerais de 2026. São orientações que guiam o trabalho de repórteres, editores e comunicadores, e situam o público e os atores políticos sobre o que esperar da conduta ética de profissionais e veículos. O nosso jornalismo terá como eixo contribuir para um voto lúcido, embasado em informações publicadas de maneira criteriosa.

A prioridade é abrir espaços para a apresentação e a discussão de planos de governo, propostas legislativas e o confronto de ideias. O Estado e o país têm uma série de problemas a enfrentar, das finanças públicas à educação, e o que a população espera é saber como essas questões podem ser solucionadas, de forma factível. A eleição para o Congresso exigirá ainda mais atenção do eleitor neste ano. A percepção da sociedade é a de que deputados e senadores se dedicam mais a temas de interesse próprio do que do país.

Os postulantes ao Piratini terão na quinta-feira, no debate promovido pela Rádio Gaúcha, a primeira grande oportunidade de expor seus planos de governo. Uma plateia formada por ouvintes e representantes de entidades relevantes para o Estado ajudará a sabatinar os candidatos.

A transparência é outro alicerce da nossa cobertura eleitoral. Isso inclui demonstrar como se dão os processos de apuração e de checagem de uma informação. Um exemplo é o projeto da RBS TV de levar telespectadores para acompanhar os bastidores da produção e da veiculação de notícias pela emissora, da reunião de pauta à exibição das reportagens. Rádio Gaúcha e GZH também terão iniciativas para o público conhecer a rotina dos profissionais. Mostrar como se faz reforça a confiança e a credibilidade do compromisso do nosso jornalismo de prestar um serviço de interesse público que, neste momento, tem o propósito de colaborar para o aprimoramento da democracia. _

As diretrizes que norteiam a cobertura eleitoral do Grupo RBS

1 | A cobertura do Grupo RBS prioriza propostas de governo, comparação de biografias e prestação de serviços, com foco no eleitor.

2 | A RBS tem compromisso com o combate à desinformação e acompanha de perto o uso da inteligência artificial na disseminação de notícias falsas.

3 | O Grupo RBS estimula a transparência ao explicar critérios editoriais durante a cobertura para que o público conheça ainda mais os processos do jornalismo profissional.

4 | Os veículos da RBS tratam partidos e candidatos de maneira equilibrada e independente.

5 | O espaço dedicado a cada candidato na cobertura segue critérios claros e objetivos, que consideram a representação parlamentar e o desempenho nas pesquisas eleitorais.

6 | Durante o período eleitoral, os veículos da RBS se abstêm de publicar artigos, de candidatos ou de terceiros, que possam afetar o equilíbrio entre as candidaturas.

7 | As pesquisas eleitorais são tratadas como complemento da cobertura, não como assunto principal.

8 | O Grupo RBS não realiza pesquisas eleitorais. Contrata e divulga apenas pesquisas de institutos reconhecidos.

9 | Os veículos da RBS não divulgam resultados de pesquisas contratadas por partidos, candidatos ou governos.

10 | Durante o período eleitoral, a RBS não divulga publicidade com resultados de pesquisas de intenção de voto.

11 | A RBS não cede ou comercializa material de arquivo para campanhas eleitorais e desautoriza que material produzido e divulgado por seus veículos seja usado na propaganda eleitoral.

12 | As despesas da cobertura eleitoral são pagas exclusivamente pelo Grupo RBS. Profissionais da empresa não podem aceitar cortesias de candidatos, partidos, coligações ou federações.

13 | É vedada a distribuição de propaganda política e a exposição ou o uso de material eleitoral nas dependências do Grupo RBS.

14 | Colaboradores da RBS que decidirem concorrer a cargos eletivos ou participar de propaganda eleitoral precisam se afastar de suas funções durante o período previsto.

15 | Comunicadores e jornalistas do Grupo RBS devem considerar aplicativos de mensagens e redes sociais como comunicação pública, na qual prevalece o regramento ético esperado na sua atuação profissional.

OPINIÃO RBS

01 de Agosto de 2026
POLÍTICA E PODER

PP impõe derrota a Flávio e escancara incoerência

O PP já tinha avisado Flávio Bolsonaro que ficaria neutro na eleição presidencial quando a senadora Tereza Cristina voltou atrás na sua decisão inicial de não ser candidata, foi ao encontro de Flávio e saiu dizendo que toparia o desafio. Passou a ideia de que tinha combinado com o presidente do seu partido, Ciro Nogueira. Mas não. Depois de Tereza confirmar que recebera o convite de Flávio e que estava disposta a aceitar, o PP divulgou nota oficial reafirmando a dita neutralidade.

Em se tratando de centrão, neutralidade pode ser interpretada como "acender uma vela para cada santo" e, depois, negociar com o eleito a participação no governo, oferecendo como ativo o número de representantes no Congresso. E como o presidente Lula está à frente nas pesquisas, PP e União Brasil não querem queimar cartuchos.

O que Ciro fez foi jogar Flávio aos leões e, ao mesmo tempo, tirar a escada de candidatos do PP vinculados ao bolsonarismo. Outra hipótese para explicar o afastamento de Flávio é o fato de Ciro ser um sujeito que sabe demais e ter sido definido por Vorcaro como "um amigo que a vida me deu". Desconfia-se que Ciro pode saber de fatos que comprometem Flávio e não quer ser visto como parceiro se alguma nova bomba estourar. 

PP impõe derrota a Flávio e escancara incoerência

O PP já tinha avisado Flávio Bolsonaro que ficaria neutro na eleição presidencial quando a senadora Tereza Cristina voltou atrás na sua decisão inicial de não ser candidata, foi ao encontro de Flávio e saiu dizendo que toparia o desafio. Passou a ideia de que tinha combinado com o presidente do seu partido, Ciro Nogueira. Mas não. Depois de Tereza confirmar que recebera o convite de Flávio e que estava disposta a aceitar, o PP divulgou nota oficial reafirmando a dita neutralidade.

Em se tratando de centrão, neutralidade pode ser interpretada como "acender uma vela para cada santo" e, depois, negociar com o eleito a participação no governo, oferecendo como ativo o número de representantes no Congresso. E como o presidente Lula está à frente nas pesquisas, PP e União Brasil não querem queimar cartuchos.

O que Ciro fez foi jogar Flávio aos leões e, ao mesmo tempo, tirar a escada de candidatos do PP vinculados ao bolsonarismo. Outra hipótese para explicar o afastamento de Flávio é o fato de Ciro ser um sujeito que sabe demais e ter sido definido por Vorcaro como "um amigo que a vida me deu". Desconfia-se que Ciro pode saber de fatos que comprometem Flávio e não quer ser visto como parceiro se alguma nova bomba estourar. 

Rosane de Oliveira

01 de Agosto de 2026
EM FOCO

EM FOCO

No primeiro semestre de 2026, RS teve 734 ocorrências com morte, uma redução de 2,5% em relação ao mesmo período de 2025. As três principais rodovias federais do Estado, BR-116, BR-386 e BR-290, lideram os registros

Número de acidentes de trânsito fatais registra queda

O trânsito do Rio Grande do Sul teve 734 acidentes fatais no primeiro semestre de 2026, que resultaram em 819 mortes, conforme dados do Detran- RS. O número de ocorrências caiu 2,5% em relação ao mesmo período de 2025, quando ocorreram 753 acidentes. Para o professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e doutor em Mobilidade Carlos José Antônio Kümmel Félix, a redução é positiva, mas ainda insuficiente para indicar uma mudança consistente no cenário da segurança viária no Estado.

Considerando os primeiros semestres dos últimos cinco anos, 2024 segue como o período com maior número de acidentes fatais nas rodovias gaúchas (759). Apesar da queda em 2026, o total ainda supera o de 2023 (730). As três principais rodovias federais do Rio Grande do Sul que lideram o ranking de acidentes fatais no primeiro semestre de 2026 são a BR-116, a BR-386 e a BR-290.

Segundo a professora de Mobilidade e Infraestrutura da Unisinos Danielle de Souza Clerman, o intenso fluxo de veículos de diferentes perfis torna essas rodovias mais complexas e exige soluções integradas para aumentar a segurança.

- São rodovias que têm um tráfego muito misto, com transporte pesado de cargas muito relevante, mas também de veículos de passeio, de pessoas que moram em uma cidade e trabalham em outra. Isso reforça a necessidade de ainda mais atenção, fiscalização e projetos de engenharia conectados entre si - explica.

Atenção

A especialista observa ainda que tanto a BR-116 quanto a BR-386 passam por obras de duplicação e melhorias. Para ela, a necessidade de reduzir a velocidade e redobrar a atenção nos trechos em intervenção pode ter contribuído para estabilidade ou leve redução dos índices.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) também atribui o elevado número de ocorrências às características dessas rodovias. Segundo a corporação, a BR-116, que liga Vacaria a Pelotas, concentra intenso fluxo e ainda possui poucos trechos duplicados. Já a BR-386 passa por obras, e a manutenção dos índices é considerada positiva diante das intervenções.

No caso da BR-290, que liga Uruguaiana ao Litoral, a PRF destaca que a rodovia reúne trechos de pista simples e partes em obras de duplicação. Além disso, as longas retas podem contribuir para excesso de velocidade e ultrapassagens indevidas. _

Perigos que exigem atenção

Principais fatores de risco

Excesso de velocidade

Uso de celular ao volante

Consumo de álcool

Falta do cinto de segurança

Cansaço

Fonte: Detran

Rodovias federais do RS que lideram ranking de acidentes fatais*

BR-116 - 30 ocorrências no primeiro semestre de 2026; 35 no mesmo período de 2025

BR-386 - 24 em 2026; 25 em 2025

BR-290 - 24 em 2026; 21 em 2025

* Primeiro semestre de 2026

Condições do tempo podem explicar pico de acidentes em maio

Na comparação mensal, maio foi o mês com o maior número de acidentes fatais no trânsito do RS em 2026. Foram 155 ocorrências, alta de 22% em relação ao mesmo mês de 2025. O tempo chuvoso pode ter contribuído para esse cenário, segundo a PRF.

- O que nos preocupa é que esses acidentes são quase sempre ao amanhecer ou anoitecer. Observamos que a pessoa está cansada e ainda enfrenta uma luminosidade desfavorável, seja pelo sol nos olhos ou pela neblina - acrescenta o chefe da Comunicação Social da PRF no Rio Grande do Sul, Alessandro Castro.

Além do clima, características de alguns trechos podem explicar o aumento das ocorrências. A BR-285 passou de 16 para 26 acidentes com morte no primeiro semestre deste ano. No trecho entre Muitos Capões e Saldanha Marinho, no norte do Estado, a combinação de baixa visibilidade e desatenção dos motoristas preocupa a polícia.

Como a iluminação pública nas rodovias está concentrada, em geral, apenas nos trechos urbanos, a recomendação é evitar viagens sob chuva intensa ou neblina e interromper o deslocamento em um local seguro sempre que as condições forem desfavoráveis. _

As rodovias estaduais que registram mais acidentes fatais

Entre as rodovias estaduais, a RS-324 e a RS-239 registraram o maior número de acidentes com morte no primeiro semestre, com 20 ocorrências cada. A primeira cruza as regiões Norte e Serra, enquanto a segunda liga o Vale do Sinos ao Litoral Norte. Na comparação com 2025, a RS-287 teve alta de 10 para 18 acidentes fatais, e a RS-453 passou de 12 para 16. Já a RS-122, que liga a Região Metropolitana e o Vale do Caí à Serra Gaúcha, apresentou uma das maiores reduções, de 23 para 13 casos.

Segundo o Comando Rodoviário da Brigada Militar, excesso de velocidade, desatenção e ultrapassagens em locais proibidos estão entre as principais causas dos acidentes.

A corporação afirma que reforça a fiscalização em trechos com aumento de acidentes, especialmente nos horários de maior ocorrência, entre 7h e 8h e entre 17h e 19h. Alguns locais também passarão a ser monitorados com drones. _

Soluções

passam por infraestrutura, fiscalização e comportamento

A forma como as rodovias são projetadas, sinalizadas e fiscalizadas é tão importante para a segurança quanto o comportamento de quem está ao volante, avaliam especialistas.

- Mais do que analisar estatísticas, precisamos compreender que a segurança viária resulta da interação entre quatro componentes fundamentais: a infraestrutura, o veículo, o comportamento humano e a gestão pública. Quando um desses elementos falha, aumenta significativamente a probabilidade de acidentes - explica o professor Carlos Félix.

Essa visão está alinhada ao conceito de Sistema Seguro (Safe System), que considera que erros humanos são inevitáveis e que o sistema deve ser preparado para reduzir suas consequências. Na prática, isso significa investir em dispositivos de segurança e soluções de engenharia que tornem as vias mais seguras. 

Erechim dá exemplo sobre resposta a desastres

Enchentes, deslizamentos de terras, estiagem, granizo, tornados... O Rio Grande do Sul, nas palavras do coronel Luciano Boeira, coordenador Estadual da Defesa Civil, gabarita a lista da Cobrade, a Classificação e Codificação Brasileira de Desastres, que organiza os eventos em grupos como geológicos, hidrológicos e meteorológicos.

Grosso modo, é como o CID dos médicos, o sistema de códigos criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para padronizar o diagnóstico de doenças, sintomas e problemas de saúde no mundo todo. No caso dos desastres, é como se o RS tivesse, potencialmente, riscos para todas as "doenças" possíveis.

Uma conjugação de fatores geográficos e meteorológicos, unido à ocupação humana e aos efeitos das mudanças climáticas, transformam o nosso Estado em laboratório vivo das transformações ambientais e testam nossa capacidade de adaptação. Você pode olhar para esse diagnóstico e ficar preocupado, pessimista ou até apavorado.

A outra opção é agir. Um grupo de voluntários, especialistas, pesquisadores e gestores públicos da região do Alto Uruguai escolheu a segunda opção. Entre quinta-feira e domingo, Erechim está realizando o 1º Clima Summit - Treinamento de Resposta a Desastres e Encontro de Voluntários, voltado à capacitação de gestores públicos, equipes de Defesa Civil, profissionais da área de emergência e voluntários.

Tive a honra de mediar o primeiro painel, intitulado El Niño - Ações de Prevenção e Resposta, que reuniu, além do coronel Boeira, o coronel Maurício Ferro Corrêa, comandante do 2º Comando Regional do Corpo de Bombeiros Militar, Ronaldo Manica, presidente da Força Voluntária Alto Uruguai e um dos organizadores do evento, e o meteorologista Rafael Santana.

Principais assuntos

Às vésperas de um El Niño vitaminado, conversamos sobre temas que precisam estar na boca e na mente dos gaúchos: Boeira, por exemplo, alertou que é muito baixo o número de pessoas cadastradas para receber os alertas por SMS da Defesa Civil em caso de ameaças; o coronel Maurício falou sobre a necessidade de articulação entre os diferentes atores, na hora do desastre, para que não se "bata cabeça" em meio ao caos; Manica comentou sobre a necessidade de uma mudança de cultura por parte da população, que precisa começar a compreender a necessidade de atender alertas da Defesa Civil em casos de evacuação preventiva, e Rafael salientou a importância de dados científicos confiáveis para uma previsão do tempo precisa e os riscos de erros em sensores, como denunciou a coluna na semana passada sobre os erros nas estações do Inmet. Até domingo, outros temas serão debatidos.

O principal ponto é que não se cria um ambiente de trocas como esse do nada.

Saí do encontro, na quinta-feira, satisfeito com o que vi e ouvi: primeiro, pelo espírito de comunidade que, no trabalho dos voluntários, alimenta uma sensação de maior segurança em caso de risco de tragédias, segundo, porque, em um país que se preocupa pouco com segurança e previsibilidade, os voluntários de Erechim estão dando exemplo de que é possível uma cultura de prevenção e treinamento. E terceiro por perceber que é possível sairmos melhores a partir de nossas tragédias. Não é possível mudar a realidade da emergência climática. Mas é possível mudar como reagimos a ela. _

Cães abandonados na Vila Dique

As casas do trecho 1 da Vila Dique, o mais próximo da Freeway, serão demolidas a partir de segunda-feira. A ação é uma medida da prefeitura, que retirou as 70 famílias da região que foi fortemente alagada durante a enchente de 2024. A maioria dessas pessoas foi deslocada para outras regiões ou localidades próximas, por meio de compra assistida e outros mecanismos.

Contudo, ao realizar uma vistoria nesta sexta-feira no local, o secretário de Habitação e Regularização Fundiária de Porto Alegre, André Machado, deparou com uma cena que chamou sua atenção: aproximadamente 40 cães abandonados, alguns até presos em coleiras e em postes, ou trancados em cercados.

- Eu realmente espero que os donos vão até lá buscar os animais, pois é uma imagem chocante ver aqueles bichinhos abandonados. Uns até amarrados. Eu não vi, mas conversei com moradores ali da localidade que falaram que há cavalos soltos também na região - conta Machado.

Preocupado com a situação, o secretário procurou o Gabinete da Causa Animal da prefeitura, que o informou que os animais, após a enchente, foram microchipados - ou seja, é possível identificar até mesmo os seus donos.

Questionado, o Gabinete da Causa Animal explicou que realizou uma ação no local nos últimos dias. Informou ter feito vacinação e microchipagem nos animais. A coluna perguntou sobre o que será feito com esses animais que estão na área neste momento. Segundo a pasta, não foi recebida solicitação formal sobre os cães em questão, mas lembrou que, caso tenham microchip, os tutores deverão ser identificados. _

Uma faca de dois gumes para Netanyahu

Há muito ceticismo ainda em torno do anúncio do Hamas de que irá depor as armas. Estamos falando de um grupo terrorista que cometeu o maior atentado da história de Israel, em 7 de outubro de 2023, que controla a Faixa de Gaza desde 2007, em uma ditadura que torna refém a própria população, e que rejeita a ideia da existência de Israel por princípio, desde a sua criação nos anos 1980.

O que temos até o fechamento desta edição é a informação, por parte de porta-vozes do Hamas à AFP, de que o grupo estaria disposto a entregar as armas a um comitê tecnocrata. Se, de fato, o acordo vingar e o Hamas entregar as armas a um comitê técnico, que é formado por palestinos, é preciso saber se o grupo conta com força suficiente para se impor sobre à organização extremista.

Ponto de atenção: o Hamas condiciona o desarmamento a Israel se retirar do território de Gaza. Ou seja, assim como fez ao anunciar a disposição em deixar o poder, o grupo joga a responsabilidade para o governo de Benjamin Netanyahu.

Israel realiza eleições em 27 de outubro, dois dias depois do segundo turno no Brasil. Netanyahu é candidato na renovação da Knesset, o parlamento. Mas é um premier que se alimenta da guerra.

Minha opinião: o anúncio do Hamas é como uma faca de dois gumes para Netanyahu. Por um lado, ele pode se vangloriar de que colocou fim ao grupo terrorista. Por outro, há muita gente que pode ver a saída de Gaza como uma derrota, como uma capitulação israelense, especialmente sua base mais conservadora, que desejaria inclusive a anexação total do território de Gaza.

Ao entregar as armas, o Hamas pode estar tentando negociar no futuro algum tipo de participação política. Acho difícil de ocorrer porque estamos falando de fundamentalismo islâmico. Não é separatismo, não é resistência. O Hamas prega a dissolução de Israel. Mas aguardemos. _

Apoiadores da causa animal se reúnem no sábado, no Parque Moinhos de Vento, em Porto Alegre. O evento "Vakinha Pet" terá uma ampla programação, que inclui a lojinha da ONG Salva Latas e brechó solidário. Toda a arrecadação obtida com as atrações será destinada à organização.

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