segunda-feira, 5 de outubro de 2026

05 de Outubro de 2026
OPINIÃO RBS

OPINIÃO RBS

Disputa ao Planalto exige melhor nível

O eleitor brasileiro se expressou ontem de forma contundente, com uma avalanche de votos para candidatos da direita. O fenômeno se mostrou de forma mais evidente nas votações para a Presidência da República, para os governos estaduais e para o Senado. Na disputa que mais gerava suspense, Flávio Bolsonaro (PL) teve um crescimento substancial nas horas que antecederam a abertura das urnas e conquistou 47% dos votos válidos, ante 45% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O próximo mandatário do país, portanto, será conhecido no dia 25 de outubro.

No Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL) venceu a corrida pelo Palácio Piratini no primeiro turno, com 58% dos votos válidos, e Ubiratan Sanderson (PL) e Marcel van Hattem (Novo) conquistaram as vagas do Estado para o Senado.

Na eleição presidencial, o segundo turno será a chance para uma qualificação do nível das campanhas. Ao longo dos últimos dois meses, a discussão de ideias e a apresentação de propostas foram ofuscadas pelas denúncias relacionadas ao caso Master e pela crise no Supremo Tribunal Federal (STF). A degradação moral e institucional da Corte é parte da explicação dos resultados de ontem. A desvantagem no primeiro turno demonstra ainda, para o presidente Lula, que medidas eleitoreiras de última hora não conseguirão compensar a sensação de cansaço dos brasileiros.

Será obrigatório que Lula e Flávio compareçam aos debates que serão programados e façam um confronto propositivo. O eleitor quer ouvir dos candidatos quais soluções propõem para os temas que afligem os brasileiros no dia a dia. O ajuste das contas públicas, tema de máxima prioridade para o próximo presidente, foi ignorado até aqui. Tem-se a expectativa de que, agora, os candidatos optem por tentar convencer os eleitores mais pelos programas de governo, acenando para o futuro, do que tentando atingir um ao outro.

Com a vitória categórica, Zucco ganha a oportunidade de começar a trabalhar mais cedo para montar o secretariado e se apossar das informações de cada área do governo. Espera-se que a escolha da equipe seja mais guiada por critérios técnicos do que políticos e ideológicos. Conta-se ainda com uma transição tranquila, com a pronta colaboração da gestão que deixa o Piratini.

O novo governo terá pela frente a tarefa árdua de gerenciar um Estado repleto de desafios. É preciso encontrar soluções para qualificar a infraestrutura, formular políticas para dinamizar a economia, dar celeridade aos projetos de resiliência climática, encontrar estratégias para um salto na educação e procurar saídas para a situação delicada das finanças. Mas, como reconheceu o próprio governador eleito, há programas da gestão Eduardo Leite com resultados reconhecidos. Por isso, merecem ser preservados. É a lógica das políticas de Estado, que se mantêm a despeito da alternância de poder.

Foi positiva a manifestação de Zucco, na noite de ontem, propondo um pacto de união. O Estado precisa, de fato, que suas forças políticas, das mais distintas linhas de pensamento, colaborem para a construção de caminhos para a superação dos entraves que hoje limitam o desenvolvimento do Rio Grande do Sul.

A campanha eleitoral civilizada e o próprio clima das ruas, neste domingo, sem incidentes significativos no Estado, indicam que há espaço para o serenamento dos ânimos. É importante que a mensagem de unidade parta do governador eleito. 

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