terça-feira, 13 de outubro de 2026

 

13 de Outubro de 2026
POLÍTICA E PODER

Como Zucco planeja a gestão das contas públicas

Elencada pelo governador Eduardo Leite como o principal desafio do Estado, a gestão das contas públicas também preocupa o sucessor, Luciano Zucco. Ciente da previsão de déficit de R$ 4,8 bilhões para 2027, Zucco se cercou de economistas e planeja lidar com o tema em duas frentes distintas: uma com ações imediatas e outra projetando medidas a médio e longo prazo.

Uma das premissas da equipe econômica do governador eleito é elaborar um orçamento realista, evitando ao máximo trabalhar com um cenário de déficit. Para isso, o coordenador da transição, Leonardo Pascoal, que também é economista, projeta uma revisão nas prioridades do governo para equacionar a previsão negativa no início do próximo governo.

- Vamos analisar contratos que não se mostrem vantajosos, programas que não estão dando retorno esperado, além do corte de secretarias para reduzir custos e melhorar a eficiência da máquina - sugere.

Além de Pascoal, o grupo conta com os economistas Bruno Lanzer, do partido Novo, Gustavo Inácio e Cláudio Branchieri, deputado do PL que será o relator da lei orçamentária na Assembleia.

No sábado, o quarteto teve uma reunião de alinhamento, da qual saiu um esboço do escopo de trabalho. As primeiras medidas econômicas da nova gestão devem ser anunciadas durante o trabalho de transição. Na quinta-feira, o grupo se reúne com Adolfo Sachsida, que trata da política fiscal do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), para alinhamento de ideias.

Articulação necessária

As medidas apontadas por Pascoal serão adotadas tendo em vista um cenário no qual o governo terá de ampliar gradualmente o investimento em saúde e educação nos próximos anos, para cumprir com o mínimo determinado pela Constituição - exigindo um remanejo na distribuição dos recursos para dar conta dos acordos firmados com o Ministério Público, que Zucco vai cumprir. Obras de infraestrutura também estarão entre as prioridades.

Para sustentar o aumento nas despesas, o novo governo conta com a articulação em Brasília de medidas consideradas essenciais para a saúde financeira do Estado. A mais factível é a adesão ao Propag, considerado mais vantajoso que o Regime de Recuperação Fiscal para renegociar a dívida com a União.

A prorrogação da suspensão do pagamento das parcelas, que são destinadas ao fundo da reconstrução, também é considerada fundamental. Tanto Flávio quanto o presidente Lula (PT) confirmaram a aliados que são favoráveis à medida.

Repetida aos montes durante a campanha eleitoral, a criação de um fundo constitucional da região Sul ganha força com as vitórias de Zucco e dos aliados Jorginho Mello e Sergio Moro, eleitos governadores de Santa Catarina e Paraná. Em Brasília, o gaúcho articula a votação da proposta no Congresso até o final do ano. _

MDB mais próximo

Não houve descanso para Luciano Zucco no feriado. O governador eleito reservou o dia para reuniões internas, uma delas com o deputado Alceu Moreira (MDB), que saiu em alta da eleição e deve ditar os rumos do partido no Estado a partir de 2027, ao lado de Sebastião Melo.

Alceu foi ontem à casa de Zucco, na Vila Assunção, em Porto Alegre, onde reforçou seu apoio ao governador eleito e se colocou à disposição para ajudar no futuro governo Zucco.

Tudo indica que o MDB estará na base de sustentação do novo governador, com o enfraquecimento da ala ligada ao vice-governador Gabriel Souza. _

Tarcísio confirma presença e virá ao RS com Flávio Bolsonaro

O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas, estará no Rio Grande do Sul para acompanhar a agenda do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), amanhã. Tarcísio confirmou presença a Luciano Zucco, que fez o convite.

Além do paulista, os governadores eleitos de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), e do Paraná, Sergio Moro (PL), também farão parte da comitiva. A intenção é demonstrar a força política que terão os governadores das regiões Sul e Sudeste nas discussões com o próximo governo federal, na tentativa de ampliar a votação de Flávio no Estado.

Uma reunião-almoço com empresários estava prevista para ser realizada amanhã na Fiergs, mas o evento foi cancelado. Assim, a primeira agenda do senador será no bairro Sarandi, em Porto Alegre, próximo ao dique, com visitas à comunidade atingida pela enchente de 2024. O candidato segue para Alvorada, onde caminhará pelo centro da cidade com comerciantes e moradores. Flávio também vai a Canoas, mas a agenda ainda não está fechada.

No fim da tarde, retorna a Porto Alegre para um ato público com a militância no Largo Glênio Peres, no Centro Histórico. 

DE FORA

Sete candidatos a deputado estadual ficaram entre os 55 mais votados, mas não foram eleitos em razão do quociente eleitoral, que divide as vagas de acordo com o total de votos dos partidos. Elton Weber (PSD) fez 36.789 votos, mas foi o primeiro da lista a ficar de fora da Assembleia Legislativa. Outros 10 candidatos fizeram menos votos que ele e foram eleitos. Além disso, 31 postulantes fizeram mais votos do que o último eleito, Moisés Barboza (PSDB), e mesmo assim não conseguiram uma cadeira. O tucano foi o 86º mais votado.

POLÍTICA E PODER

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