sexta-feira, 16 de outubro de 2026

16 de Outubro de 2026
OPINIÃO RBS

Aposta na construção do conhecimento

O grupo de universidades gaúchas que forma a chamada Aliança pela Inovação, composto por UFRGS, UFCSPA, PUCRS e Unisinos, trouxe a público, nesta semana, a proposta de uma união de esforços pela qualificação do ensino, como alicerce de um novo ciclo de desenvolvimento para o Estado. Os reitores das quatro instituições assinaram um artigo sobre o tema na quarta-feira em Zero Hora. Lembram que, a exemplo do que ocorre nas nações ricas, a educação, a ciência, a tecnologia e a inovação são centrais nessa estratégia.

A ideia será levada ao governador eleito Luciano Zucco (PL), que de forma reiterada tem se mostrado aberto ao diálogo com diferentes segmentos da sociedade para debater modos de o RS ingressar em uma fase de maior prosperidade. Trata-se de uma proposição oportuna e que merece ser analisada pelo futuro governo. O papel de produzir e disseminar conhecimento faz com que as universidades costumem ser motores de transformações econômicas e sociais.

O principal pressuposto é um salto na qualidade do ensino na rede pública, por ser a que atende a esmagadora maioria dos estudantes do Estado. As chances de a ciência, a tecnologia e a inovação florescerem são proporcionais ao nível de ensino oferecido pelas escolas. Dependem de capital humano com formação sólida e apto a absorver e acompanhar a rápida evolução do conhecimento.

O grande desafio é criar as condições para que essa melhoria sensível na educação se torne possível diante de um Estado com contas públicas ainda fragilizadas. Para a Aliança pela Inovação, é basilar valorizar os professores, construir uma carreira mais atraente, garantir formação continuada aos docentes e assegurar infraestrutura adequada à rede. Esse eixo, o primeiro, é o da excelência. O segundo é o da diversidade. 

Envolve o enfrentamento às desigualdades socioeconômicas. O terceiro, o da democracia, prevê a participação da comunidade escolar na construção dessa trajetória. Nesse contexto, propõe a criação da Mesa Permanente de Cooperação pela Educação do RS, colegiado com poder público, entidades e instituições e representantes da sociedade, para propor, acompanhar a implantação e avaliar a execução de políticas públicas na área.

O fator de maior dificuldade é o financiamento adequado. É proposto o compromisso com um investimento equivalente a 10% do PIB, em linha com a meta do Plano Nacional de Educação (PNE). Governar é estabelecer prioridades, inclusive orçamentárias. E a educação deve ser privilegiada pelo RS, por fatores como a demografia. 

O Estado terá cada vez menos jovens entrando na força de trabalho e, por isso, precisa de cidadãos capazes de gerar maior valor em suas tarefas, o que depende da instrução. Um acordo com o Ministério Público fará o governo gaúcho avançar rumo à destinação de 25% da receita líquida para a educação, como é a previsão constitucional.

O essencial é ter a consciência de que a revitalização do Estado passa em grande medida pela ampliação da capacidade de produzir conhecimento e de aplicá-lo. Com isso, será possível fortalecer setores tradicionais e diversificar a matriz econômica, em especial em áreas ligadas à tecnologia e à inovação, o que exige recursos humanos mais qualificados. _

OPINIÃO RBS

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