quinta-feira, 8 de outubro de 2026

08 de Outubro de 2026
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Zucco escolhe professor do Paraná para chefiar a pasta da Educação do RS

Cumprindo a promessa de escolher técnicos para as secretarias estratégicas do Estado, o governador eleito, Luciano Zucco (PL), já convidou um bem-sucedido professor paranaense para comandar a Secretaria da Educação. Natural de Foz do Iguaçu, Roni Miranda Vieira é o atual secretário de Educação do Paraná e tem no currículo o primeiro lugar no último Ideb e uma revolução nas escolas paranaenses.

Na campanha eleitoral, Zucco citou incontáveis vezes o modelo paranaense como exemplo, destacando sempre o sucesso das escolas cívico-militares, uma das suas obsessões. Nos debates e nas entrevistas como candidato, Zucco prometeu aumentar o número de escolas desse modelo no Rio Grande do Sul.

De saída da Secretaria da Educação, Raquel Teixeira já conversou com seu futuro sucessor e elogiou Zucco pela escolha. Raquel e Roni convergem em pontos essenciais sobre educação.

- Falei para ele que ele vai encontrar um Estado muito bem estruturado, muito bem organizado. Roni é um excelente secretário, fez o que fez no Paraná. Ele é professor de história da rede estadual. Aliás, ele fala publicamente: "eu acho que eu sou o único professor de história de direita no Brasil" - contou Raquel.

A secretária que deixa o cargo reiterou que o colega do Paraná é extremamente competente, conhece a escola:

- Acho que é uma sorte o Rio Grande do Sul ter uma continuidade com quem tem tanta afinidade com o tipo de trabalho que fiz. Parabéns ao governador Zucco, parabéns ao Rio Grande do Sul, que vai ganhar um grande secretário.

Questionada sobre as críticas de Zucco, feitas durante a campanha, de que os resultados da educação no Rio Grande do Sul são maquiados, Raquel atribuiu os comentários ao desconhecimento. Reafirmou que essa é uma percepção equivocada de Zucco, porque o RS subiu no Ideb quando aumentou de 4,7 para 5,3 em proficiência. Não fosse o alto número de alunos reprovados ou que abandonam a escola, o dado seria ainda melhor.

O crescimento foi, conforme a secretária, o segundo maior do Brasil, perdendo apenas para o Piauí. O desafio do sucessor será reduzir a reprovação e a evasão, já que, no quesito "fluxo", o Rio Grande do Sul ainda é 17º. _

Seis anos de atuação em 6,5 quilos de impressos

Impressos, os seis anos de Raquel Teixeira à frente da Secretaria de Educação pesam 6,5 quilos. Todas as políticas públicas estão documentadas e acessíveis em modo digital, mas Raquel fez questão de imprimir o material para entregar a parceiros da Educação em uma caixa com as cores do Rio Grande do Sul.

Como nem todo o material coube na caixa, em anexo estão 10 revistas que dissecam a situação das escolas, além de um guia para elaboração de planos de contingência das escolas para eventos climáticos, o diagnóstico racial da rede estadual de educação e um livro mostrando como as escolas enfrentaram a enchente de 2024. _

MDB gaúcho anuncia apoio a Flávio Bolsonaro

Três dias depois do primeiro turno da eleição, os deputados estaduais e federais do MDB acompanharam o prefeito Sebastião Melo e surfaram na onda da direita que saiu reforçada das urnas. Durante encontro na sede estadual do partido, as bancadas anunciaram o apoio ao candidato Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. O PL já participa do governo Melo com a vice-prefeita Betina Worm e com secretários e assessores de segundo e terceiro escalões.

Capitaneado por Alceu Moreira, que também é presidente da Fundação Ulysses Guimarães, o movimento tem por objetivo abrir espaço de diálogo efetivo num possível governo de Flávio para tratar de temas sensíveis para o Rio Grande do Sul, entre os quais a dívida do Estado com a União - hoje na ordem de R$ 100 bilhões -, o incentivo ao agronegócio e a renegociação das dívidas dos agricultores, bem como a captação de recursos para investimento em obras de resiliência climática.

Na reunião não foi discutida a eventual participação do MDB no governo de Luciano Zucco, mas a tendência é a entrada dos deputados na base. Com a derrota de Gabriel Souza, Alceu Moreira e Sebastião Melo se tornam os principais líderes do partido.

Assinaram o manifesto de apoio a Flávio Bolsonaro os atuais deputados estaduais Beto Fantinel, Edivilson Brum, Juvir Costella, Luciano Silveira, Patrícia Alba, Vilmar Zanchin, os eleitos Rafael Braga e Roberto Lucchese e o deputado federal Alceu Moreira. Também marcaram presença no ato o prefeito da Capital, Sebastião Melo, o presidente da Famurs, prefeito Ique Vedovato, de Imbé, e o ex-deputado Luis Roberto Ponte. _

Futuro ainda incerto

Candidato a vice de Juliana Brizola (PDT), o ex-deputado Edegar Pretto ainda não sabe o que fará da vida a partir de 2027. Por enquanto, Pretto só quer pensar na campanha do segundo turno e trabalhar na busca de votos para o presidente Lula.

Nos últimos quatro anos, Pretto ficou sem mandato porque em 2022 foi candidato a governador e perdeu a eleição. Em janeiro do ano seguinte, assumiu a presidência da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a convite de Lula.

Neste ano, Pretto se lançou pré-candidato a governador, confiante de que poderia disputar o segundo turno graças ao recall de quatro anos atrás, quando quase tirou Eduardo Leite do segundo turno. Lula forçou a aliança com o PDT e o ex-deputado aceitou a missão de concorrer a vice de Juliana Brizola.

Caso Lula seja reeleito, Pretto e o deputado Paulo Pimenta são os primeiros da fila no PT para um cargo em Brasília. _

Reviravoltas no Estado

No primeiro turno da eleição à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL) tirou votos do presidente Lula (PT) em praticamente todos os municípios do Brasil. Dos cinco municípios onde o petista mais perdeu eleitores, proporcionalmente, quatro são gaúchos. Em primeiro está Herveiras (2.629 eleitores), onde Lula viu redução de 45,7 pontos percentuais (p.p). Em seguida estão Passa Sete (3.751 e perda de 44,5 p.p) e Barros Cassal (8.281 e 38,7 p.p). O quarto município é São João do Triunfo, no Paraná, onde Lula viu uma desidratação de 38,6 pontos percentuais para Flávio. Por fim, em quinto, Canudos do Vale (1.944 eleitores e recuo de 37,7 p.p). 

Leany Lemos, ex-secretária de Planejamento de Eduardo Leite, tomou posse como senadora depois de Leila do Vôlei (PDT) ter aberto mão do restante do mandato após ser derrotada na tentativa de reeleição.

POLÍTICA E PODER

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