quarta-feira, 21 de outubro de 2026

21 de Outubro de 2026
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

Como as redes sociais estão impactando a eleição

Qual é o peso das redes sociais na disputa? Essa foi a pergunta que se tentou responder dentro do Conversas Cruzadas de segunda-feira.

A internet é um componente de extrema importância para o pleito. Além disso, há grande interferência do sistema Judiciário no processo e nas relações digitais e eleitorais.

Para Francieli Campos, advogada especialista em inteligência artificial, a eleição de 2026 é superlativa em diversos aspectos, principalmente relacionados a processos judiciais.

- Fiz um questionamento à assessoria do TRE- RS após o primeiro turno sobre quais foram os principais processos, porque tínhamos o receio de que a inteligência artificial tivesse alguma influência, o que ficou abaixo do que se esperava. O processo número 1 foi impulsionamento negativo nas redes sociais. 

Temos no Brasil uma hipernormatização das regras eleitorais. Nossa resolução de propaganda tem mais de 120 artigos. No Japão, em Portugal, na Argentina, nos Estados Unidos, vamos ver quatro, cinco, 10 artigos para legislar tudo. Com hipernormatização, colocamos a nossa eleição em uma hiperproblematização, porque tudo vira um problema - afirmou.

Professora do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da UFRGS, Silvana Krause aponta que o fenômeno não é exclusivo do Brasil. O processo se globalizou.

- A Justiça brasileira não consegue acompanhar as enormes e rápidas mudanças que observamos nas formas de se fazer campanha. Faço uma crítica também em relação à nossa tradição jurídica, que se sustenta na desconfiança e na resolução a partir do mundo jurídico. Há um excesso de incapacidade dos atores políticos resolverem os conflitos no lugar onde têm que ser resolvidos, nas instituições políticas. Concordo que temos uma hipertrofia e uma imaturidade da classe política de conseguir resolver as suas incapacidades dentro da dimensão política - explicou.

Para Carla Rodrigues, coordenadora de Plataformas e Mercados Digitais da Data Privacy Brasil, as redes sociais têm um papel importante na forma como as pessoas se informam:

- Elas constroem as percepções de como as pessoas veem os mundos, os candidatos, suas propostas, as formas como lidam também com o eleitorado. Quando nos perguntamos sobre a responsabilização das plataformas digitais, é importante identificarmos que são empresas, e elas sempre têm o dever da conformidade com o TSE, para que todas essas políticas sejam cumpridas. Enquanto sociedade civil, sempre devemos identificar onde há, de fato, esse "escorrego" das plataformas digitais e, principalmente, qual o dano levado para o público maior.

João Senna, pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital, lembra que, no Brasil, a utilização das redes sociais é muito mais ampliada do que no restante do mundo, o que pode apresentar o país como um "laboratório" da dinâmica envolvendo política e internet:

- Essa é a grande diferença das redes sociais e do nosso atual Estado em relação às campanhas anteriores. A campanha não começou na data que o TSE disse e não vai terminar quando o resultado for anunciado. Vai continuar. Estamos vivendo um momento em que as campanhas são permanentes e constantes, e os candidatos precisam manter essa atividade acontecendo. Não estamos trabalhando simplesmente com os cortes para ganhar agora essa eleição. Isso vai virar material para seis meses, um, dois anos. Porque o Brasil é um lugar muito intenso no seu uso (das redes sociais). Estamos vivendo um laboratório acelerado do que vai acontecer em outros lugares. Alguns apontam para os EUA como o primeiro lugar, mas o Brasil está vivendo um ambiente de um espelho do futuro. _

Para estimular reflexões sobre a democracia

Democracia se ensina desde cedo. Com esse princípio em mente, o Colégio Santa Inês, de Porto Alegre, aproveitou a semana eleitoral para mobilizar estudantes da Educação Infantil e dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental em dois processos para escolher os mascotes literários da escola. Com urna e tudo! A votação começou na segunda-feira e vai até a próxima sexta. Os candidatos são personagens retirados de livros que foram trabalhados com as turmas e devem ser escolhidos pelos estudantes com base nas características de cada um apresentadas nas atividades.

Brasileiras relatam tensão na França

A França vive, desde semana passada, uma onda de intensos protestos por melhores condições para o custo de vida e educação. Em Paris, três brasileiras relatam como o movimento tem afetado a rotina nas universidades e fora delas.

Na Sorbonne Nouvelle, a segunda-feira começou com mais uma assembleia no campus. Sofia Tonial, 23 anos, mestranda em Cinema, acompanha as discussões sobre a continuidade dos bloqueios e a retomada das aulas. A mobilização ganhou força na instituição após uma intervenção policial durante uma assembleia em 5 de outubro. Estudantes e professores denunciaram agressões. Sob pressão, o presidente da universidade, Daniel Mouchard-Zay, anunciou que deixará o cargo em dezembro.

Inspirados na Universidade de Vincennes, criada após Maio de 1968, os alunos organizam cursos livres abertos à comunidade.

- Não queremos parar as aulas, não é o objetivo. Queremos continuar tendo aula, mas que esse conhecimento seja democratizado e que a universidade seja nossa de verdade - explica Sofia.

Na Universidade Paris Nanterre, onde nasceu o movimento estudantil que antecedeu Maio de 1968, a doutoranda Laura Coelho, 25 anos, também acompanha assembleias e atividades organizadas pelos alunos. Ela leciona na graduação e relata cortes de recursos e salas superlotadas.

- Estávamos em uma turma de 40 pessoas, em uma sala que poderia ter 20 - conta.

Com as aulas regulares interrompidas, estudantes de Nanterre organizam atividades de forma autônoma. Segundo Laura, embora os prédios estejam bloqueados, o campus continua ativo.

Outra brasileira que vive em Paris há três anos e pediu para não ser identificada por questões de segurança está há duas semanas sem aulas. Ela apoia os protestos, principalmente os pacíficos que são majoritários no país, mas mesmo assim teme que uma eventual detenção prejudique a renovação de seu visto.

- Eu gostaria muito de ter participado, mas, como sou estrangeira, fiquei com um pouco de medo. Nunca vamos ser franceses, nunca vamos ter os mesmos direitos que uma pessoa daqui - afirma.

A situação dos estrangeiros está entre as reivindicações. Neste ano, a França restringiu o acesso ao auxílio-moradia para parte dos estudantes de fora da União Europeia (UE) e reduziu as possibilidades de isenção das taxas universitárias. 

Colaborou João Vitor Debiasi

INFORME ESPECIAL

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