sexta-feira, 16 de outubro de 2026

 Sherlock Holmes investiga: a traição de Capitu

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PALLAS EDITORA/DIVULGAÇÃO/JC
Jaime CimentiSherlock Holmes investiga: a traição de Capitu (Editora Rocco, 304 p., R$ 69,90) é o primeiro romance adulto de Pedro Bandeira, escritor best-seller com mais de cem livros publicados, e trata do suposto adultério mais intrigante da literatura brasileira . Pedro escreveu os celebrados romances juvenis A droga da obediência; A marca de uma lágrima e O fantástico mistério de Feiurinha. Fã de Machado de Assis e de Arthur Conan Doyle, ousou juntar esses dois mestres para enfim responder à eterna pergunta: afinal, Capitu deu ou não deu para Escobar?
Numa trepidante releitura do genial romance clássico Dom Casmurro, Pedro Pereira coloca, com muito humor, reviravoltas e referências literárias o maior detetive de todos os tempos, Sherlock, e seu fiel escudeiro Watson, à frente de casos controversos que envolvem desaparecimentos inexplicáveis, assassinatos, relíquias misteriosas e de grandes figuras históricas como a Rainha Vitória e Freud.
Entre uma investigação e outra, Dom Casmurro entra no radar de Sherlock, e a narrativa relê o estereótipo do inglês padrão: meio esnobe, cheio de pose, sempre de paletó. Para encontrar respostas sobre a suposta traição de Capitu, o detetive se debruça sobre as próprias palavras do Bruxo do Cosme Velho, em busca de novos rumos para a sua minuciosa investigação.
Nesta paródia irreverente, divertida e repleta de crítica, Pedro Bandeira apresenta um Sherlock Holmes conservador, reacionário e apoiador fanático do colonialismo britânico, expondo, de maneira satírica, características que hoje soam absurdas. Ao unir dois universos emblemáticos da literatura mundial, o autor conduz os leitores paor uma releitura que promete jogar luz sobre pistas ignoradas e facetas nunca antes vistas do maior detetive do mundo.
A partir do livro do Dr. Watson, que deixou todo mundo curioso, especialmente o autor Pedro Bandeira, todos estão ansiosos para saber se Capitu traiu ou não Bentinho.

Lançamentos

Escreviventes (Pallas Editora, 136 pág, R$ 36,00) é uma publicação que reúne diálogos e reflexões das grandes escritoras Conceição Evaristo e Eliana Alves Cruz, com organização de Estevão Ribeiro. Racismo, maternidade, sexualidade e envelhecimento são alguns dos temas que surgem nas páginas da obra, que derivou do documentário inédito protagonizado pelas duas e que é o primeiro volume da Coleção Memórias Brasileiras.

O algoritmo sou eu (Arquipélago, 184 pág, R$ 59,00), da jornalista e escritora Martha Batalha, traz crônicas vibrantes e bem-humoradas sobre Bolsonaro, Pepe Mujica, Millôr Fernandes, Chaplin, Rio de Janeiro, desapego e adolescência, cães, como nascem as crônicas e outros temas. Na apresentação, diz Martha Medeiros: "Neste ótimo livro, Martha senta conosco em torno de uma fogueira e transforma o cotidiano de cada um em magia universal."


IA em saúde: Como a tecnologia está transformando o futuro do cuidado humano (Editora São Miguel, 226 pág), dos renomados médicos André Leite e Vinícius Lain, é sobre o que nos torna insubstituíveis em um mundo de inteligência artificial e como a tecnologia, quando bem orquestrada, devolve ao profissional de saúde o seu ativo mais escasso e sagrado: o tempo. Eles ensinam: mais importante que a tecnologia é o saber perguntar.

Democracia, eleições e voto secreto

Millôr Fernandes, que chamava o Sarney de Sir Ney e dizia que o General Figueiredo era 'Horse Concours', escreveu: Democracia é quando eu mando em você, ditadura é quando você manda em mim. Churchill segue atual: democracia é o pior forma de governo, excetuadas as demais. Desde a pracinha da Grécia, a democracia é o que temos de mais durável e adaptável. Liberdade é quando você não é senhor nem escravo e fora disso não há democracia, ou, ao menos, muita democracia.


Essa nossa eleição do medo, da desesperança e do baixo nível dessa bipolarização deletéria, com muitos ataques pessoais abaixo da linha da cintura e poucos planos bons acima da boca, é o que temos para esta vez. A propaganda eleitoral, com suas letras garrafais em cores berrantes, mensagens mentirosas, linguagem apelativa e frases publicitárias tipo campanha de combate à violência no trânsito ou de magazines querendo vender geladeira barato, decididamente não soma para os eleitores e para o País.


O velho papo de que, depois do "calor das disputas eleitorais", os exageros e as agressões devem acabar e que haverá transições civilizadas, que depois das urnas todos devem trabalhar pelo legítimo interesse público, a gente sabe como é. Melhor seria que já nas campanhas eleitorais houvesse menos discursos de ódio, promessas de vingança, vontade de comer bife do fígado do adversário e mais dados, projetos, planos e soluções para problemas públicos, muitos deles crônicos, de séculos e décadas.


Eleitores algorítmicos, estonteados pelas narrativas, vamos cumprir com o nosso dever cívico e rezar para a Padroeira Nossa Senhora Aparecida, inspiração da simpática Princesa Isabel. Quem achar que o "dever cívico", diante da falta de opções, é ficar em casa, tem todo o democrático direito de se abster, mas depois só vai poder ler a ata da "reunião de condomínio" e pagar os boletos.


A alternância no poder é uma das maiores marcas, ou deveria ser, das democracias. Nos EUA, ainda a maior democracia do planeta , o cidadão só pode exercer dois mandatos e depois que sai da presidência vai cuidar de suas memórias, dar conselhos e se comportar de acordo com a esperada "liturgia do cargo". Nos Tribunais Brasileiros a Presidência só pode ser exercida, com raras exceções, uma vez, por dois anos contados, e a experiência é boa. Alguns ex-presidentes seguem dando pitacos, mas essa é outra das nossas "tenebrosas transações".


Uma instituição que está um tanto quanto "fora de moda" é o voto secreto. Na democracia ninguém tem obrigação de dizer em quem vai votar ou votou. Hoje em dia as patrulhas, os hábitos e a falta de privacidade jogam contra o direito de votar silenciosamente. Os que ficam em cima do muro, tipo muitos tucanos que iam para a Muralha da China, os isentões, têm sido criticados, como se neutralidade, um direito, não fosse posição política.

A propósito

O bonito e o difícil na democracia é respeitar o outro, o errado, que não tem as nossas corretas opiniões e entender que na vida se ganha, se perde e se empata, como dizia o Dino Sani. Democracia é respeitar as regras que são para todos e entender que ninguém leva votos para o caixão sem gavetas, muito menos dinheiro de propina dentro da última cueca. Debate em alto nível, sem gritaria e xingamentos, oposição republicana, nada de querer calar, censurar, bater, prender ou matar o adversário, se não for pedir muito: é isso que a maioria quer, acho, com todo o respeito às opiniões em contrário. (Jaime Cimenti)

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