Avalanche à direita
Lula vence, com pouca margem, no Exterior. Ainda que o nome do futuro presidente só seja definido no segundo turno, entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT), disputa que consolida a polarização no país, o Brasil que emerge das urnas é claramente mais conservador. Houve uma avalanche à direita no Congresso e nos governos estaduais.
Em pelo menos cinco Estados, candidatos desse espectro político liquidaram o jogo no primeiro turno com margens superiores a 60% dos votos válidos - o mínimo para não haver segundo turno é 50% mais um. Em Roraima, Arthur Henrique (PL) chegou a 69,1%, reelegendo-se. Jorginho Mello (PL) foi reeleito com 68,9% em Santa Catarina. No Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP) alcançou 67%, também reelegendo-se. Em São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) atingiu 62,6%, chegando ao segundo mandato. E no Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos) contabilizou 60,7%.
No total, são pelo menos 14 governadores de direita consagrados no primeiro turno.
No Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL) chega ao Palácio Piratini com 58% dos votos válidos. Até então, o único candidato que havia vencido uma eleição gaúcha no primeiro turno sob o atual sistema era Tarso Genro (PT), em 2010, com 54,35%.
Mas é no Senado que a mudança irá produzir consequências mais importantes. Essa "onda azul" é reforçada pelas "dobradinhas". Em pelo menos 10 Estados, as duas vagas ficaram com a direita. No Rio Grande do Sul, foram eleitos Marcel van Hattem (Novo) e Sanderson (PL), que se juntarão a Hamilton Mourão (Republicanos), eleito em 2022. No Distrito Federal, as duas vagas ficaram com Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, ambas do PL; no Paraná, com Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo); e, em São Paulo, com Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL).
Um Congresso mais à direita será amplamente favorável ao impeachment de integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF). Dos eleitos ontem, ao menos 33 defendem publicamente a interrupção do tempo de permanência de um magistrado na Corte e somam-se aos 17 que já estão no Senado e mantêm essa posição.
Se Flávio for eleito presidente em segundo turno, terá um Congresso a seu favor, com mais facilidade para governar. Se o eleito for Lula, o petista enfrentará o quarto mandato com muita dificuldade para sua governabilidade.
E uma questão para os próximos dias: a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1. Ou Lula, nos últimos meses deste governo busca aprovar a mudança, ou a proposta estará enterrada. No ano que vem, seja quem for o presidente, não avançará com o Congresso que emerge da eleição. _
Lula (PT) venceu Flávio Bolsonaro (PL) na eleição realizada no Exterior.
Até o fechamento desta edição, com 95,78% das urnas apuradas, o presidente tinha 47,20% dos votos, contra 43,84% do senador. _
LULA
47,20%
150.608 votos
FLÁVIO BOLSONARO
43,84%
139.882 votos
AUGUSTO CURY
2,96%
9.436votos
RENAN SANTOS
2,60%
8.305 votos
RONALDO CAIADO
1,41%
4.511 votos
ROMEU ZEMA
0,99%
3.170 votos
Volta à normalidade
Olhares latinos
O Consulado-Geral dos EUA em Porto Alegre retoma hoje seu funcionamento. O mesmo ocorre com os demais consulados e com a embaixada. Um porta-voz do Departamento de Estado informou: "A Administração Trump não tem prioridade maior do que a segurança e a proteção dos cidadãos americanos. A Embaixada dos EUA e seus Consulados no Brasil retomarão as operações normais na segunda-feira, 5 de outubro, incluindo os serviços consulares. Continuaremos a fornecer, de forma proativa, informações oportunas sobre segurança e proteção aos cidadãos americanos no Brasil, enquanto seguimos trabalhando com nossos parceiros brasileiros em questões de segurança." _
Pelo menos dois líderes da América do Sul comentaram as eleições brasileiras. O presidente da Colômbia, Abelardo de La Espriella, publicou apoio a Flávio Bolsonaro. Javier Milei, da Argentina, celebrou a vitória de Tarcísio de Freitas em São Paulo. _
Histeria coletiva
Colar as teclas da urna eletrônica tem nome: vandalismo. Foi uma clara tentativa de impedir ou dificultar o exercício do voto, atingindo não um candidato ou partido, mas o direito dos demais eleitores de participar da eleição.
Indireta religiosa
A grande presença de idosos nas urnas durante o primeiro turno contrastou com a apatia percebida ao longo da campanha. O comparecimento eleitoral pode ser usado como prova de vida para os pensionistas do INSS. Foi um incentivo adicional, mas não explica tudo: o peso dos eleitores com 60 anos ou mais também cresceu e já representa 23,6% do eleitorado brasileiro.
Vale lembrar, também, que acima de 70 anos não é obrigatório votar. _
Idosos vão em peso às urnas
Observadores internacionais
Na manhã de ontem, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicou nas redes sociais uma mensagem pedindo "proteção de Nossa Senhora Aparecida" à pátria e um "Brasil reconciliado, soberano, justo e fraterno".
Na última semana, a padroeira do Brasil ficou no centro do debate político dividindo a opinião de eleitores e sendo utilizada por políticos como bandeira de campanha. _
A Organização dos Estados Americanos (OEA) publicará relatório sobre as eleições brasileiras amanhã.
As missões de observação no Brasil ocorrem desde 2018 e verificam transparência, segurança e tecnologia. O chefe da delegação é o ex-ministro chileno José Miguel Insulza. _

Nenhum comentário:
Postar um comentário