13 de Outubro de 2026
OPINIÃO RBS
Exemplo para o mundo
Ainda que a divulgação dos resultados do primeiro turno das eleições no Brasil tenha sofrido pequeno atraso por conta de uma breve interrupção no fluxo de transposição das informações para a internet, as urnas eletrônicas revelaram-se, mais uma vez, confiáveis, eficientes e seguras na captação da vontade e dos votos dos eleitores do país. Recuperaram crédito em relação a pleitos anteriores em que foram colocadas sob suspeita por candidatos e por eleitores.
Afora escassas publicações em redes sociais, a maioria claramente mal-intencionada ou resultante de teorias da conspiração, não houve contestação aos resultados nem qualquer comprovação de erro ou fraude. Em três décadas de existência, a bem-sucedida invenção nacional se consolida como símbolo de modernização do nosso sistema democrático e exemplo internacional.
Apesar da complexidade do recente pleito, em que cada eleitor deveria digitar nada menos do que 19 números e mais as respectivas confirmações para escolher um deputado estadual, um deputado federal, dois senadores, um governador e o presidente da República, o processo de votação foi realizado em tempo hábil, apenas com a formação de filas mais extensas em reduzido número de seções.
Mesmo com o elevado número de abstenções, cerca de 120 milhões de brasileiros compareceram às urnas e o resultado final, com a definição dos eleitos e dos classificados ao segundo turno, foi anunciado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) poucas horas depois de encerrada a votação. Registros históricos demonstram que, no tempo do voto impresso, a contagem levava dias para ser concluída e as fraudes se multiplicavam a cada eleição.
Desde que foram introduzidos no sistema eleitoral brasileiro, os equipamentos eletrônicos já passaram por inúmeros processos de aprimoramento, sempre com o propósito de conquistar a confiabilidade dos eleitores. Totalmente desenvolvida por técnicos nacionais, a urna foi utilizada experimentalmente em 57 cidades em 1996.
Deu tão certo que apenas quatro anos depois já tinha sido adotada por todos os municípios do país. Entre as principais inovações incorporadas ao longo das últimas três décadas destacam-se a criptografia, a interface acessível com teclado em braile, fone de ouvido e libras na tela, além de processos auditáveis em todas as etapas de utilização.
Desde 2008, também passou a integrar o sistema a identificação biométrica, que garante mais agilidade e autenticidade para os eleitores. Cabe reconhecer, ainda, avanços de transparência que ocorrem a cada pleito. Basta observar, por exemplo, a recente disponibilização pelo Tribunal Superior Eleitoral de links em que o eleitor pode verificar os resultados da seção e da urna em que votou.
Diante de tal evolução, não é de admirar que observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA), convidados pelo TSE a acompanhar o pleito do último dia 24, tenham concluído que a votação por urnas eletrônicas do Brasil representa "um exemplo de excelência eleitoral para a região e para o mundo".

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