06 de Outubro de 2026
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira
Como Zucco deve montar sua equipe de governo
Um dia depois de ser eleito governador no primeiro turno, Luciano Zucco (PL) confirmou que pretende reduzir o número de secretarias de 30 para entre 15 e 20 e indicou qual será o perfil dos secretários. A ideia é nomear apenas pessoas com conhecimento técnico da área em que vão atuar e capacidade de diálogo com os setores envolvidos. Nos planos do futuro governador, está o reforço da estrutura já existente em Brasília, para ter uma pessoa "com tamanho suficiente" para dialogar com ministros, senadores, deputados e governadores.
Pelo perfil descrito, o nome combina com a ex-senadora Ana Amélia Lemos, que deixou o PSD, voltou para o PP e foi conselheira de Zucco em toda a campanha. Ele reconheceu que Ana Amélia deve estar na equipe. Outro que deve integrar o secretariado é Leonardo Pascoal (PL), hoje secretário da Educação de Porto Alegre, não necessariamente na mesma área. Ex-prefeito de Esteio, Pascoal tem experiência política e administrativa e uma das características buscadas por Zucco para todos os secretários: capacidade de diálogo.
Entre os deputados, Zucco citou apenas um nome como exemplo de político que poderia ocupar um cargo no Executivo. É o deputado Claudio Branchieri, 55 anos, economista e professor universitário. Na Comunicação, o governador eleito não falou em nomes, mas em diferentes ocasiões elogiou o trabalho da jornalista Tânia Moreira, responsável pelos programas de TV.
Outro nome possível para a Comunicação é o de Renan Arais, que o assessorou durante a campanha. Cleber Benvegnú, mesmo que seja convidado para algum cargo no governo, não aceitará porque pretende retornar à empresa da qual é sócio, a Critério.
Logo no início da campanha, quando as pesquisas indicavam que Ubiratan Sanderson (PL) teria dificuldade para se eleger senador, Zucco o tinha no topo da lista para a Secretaria da Segurança Pública. Eleito com uma das maiores votações da história para o Senado, Sanderson descarta a possibilidade de se licenciar. Diz que tem um compromisso com o RS em Brasília.
Secretaria de Estado
Cezar Schirmer, que se licenciou do MDB para atuar como conselheiro de Zucco, será um dos nomes fortes da transição, ao lado de Pascoal e Benvegnú, e é forte candidato a ocupar uma secretaria. Eleito no primeiro turno, Zucco não precisará fazer concessões aos partidos nem abrigar deputados no primeiro escalão para acomodar suplentes que não se elegeram. _
AL mais feminina
Com acréscimo de mulheres, incluindo a primeira travesti eleita para o parlamento gaúcho, a Assembleia Legislativa amplia a representatividade feminina com a nova composição a partir do ano que vem. A bancada cresceu de 11 para 16 deputadas entre as 55 cadeiras.
Três novatas vêm da Câmara de Porto Alegre: Comandante Nádia (PL), Karen Santos (PSOL) e Natasha Ferreira (PT). Na sessão de ontem, elas e os vereadores homens eleitos foram homenageados pela Casa com um buquê de flores - com direito a cumprimentos entre Nádia e Natasha, antagonistas de embates no plenário.
A maior parte das mulheres eleitas é alinhada com o campo da direita. _
Agenda no Estado e na capital federal
Depois de passar a segunda-feira concedendo entrevistas à imprensa, Luciano Zucco se prepara para uma semana dividida entre o início da transição no Estado e articulações em Brasília. Hoje, Zucco deve ter a primeira reunião com o núcleo duro da campanha para começar a desenhar o processo de transição. À noite, Zucco embarca para Brasília, onde ainda cumpre mandato como deputado federal.
Amanhã, Zucco participará de reunião a convite de Flávio Bolsonaro (PL). No encontro, os dois devem tratar de mobilizações para a campanha do senador no segundo turno da disputa presidencial. _
PL do RS bate meta traçada em 2025
O presidente do PL no RS, Giovani Cherini, está muito satisfeito. Reeleito deputado federal, celebra a eleição de Zucco, dos senadores Ubiratan Sanderson (PL) e Marcel van Hattem (Novo), das maiores bancadas de deputados federais e estaduais e dos campeões de voto na Assembleia e na Câmara, sua esposa Adri Cherini e o deputado reeleito Maurício Marcon. A meta traçada em 2025, segundo Cherini, foi atingida:
- Colocamos no papel uma projeção ousada: eleger o governador do RS, um senador, oito deputados federais e 12 estaduais, além de fortalecer ainda mais a presença do PL nos 497 municípios. _
Peso da pesquisa qualitativa
Todos os candidatos que fazem campanhas profissionais contratam um instituto de pesquisa. Mas a campanha de Zucco decidiu mergulhar na cabeça do eleitor e contratou o Instituto Pesquisas de Opinião (IPO), da cientista social Elis Radmann. O IPO constatou que dois terços do eleitorado não queriam a continuidade da gestão Eduardo Leite e se queixavam da falta de entregas nas áreas de saúde, enchentes, educação e segurança.
Por que Zucco falou tanto em prosperidade? Porque o IPO mostrou que o eleitor não percebia o RS como um Estado próspero. E a história de que nas enchentes foi apenas "o povo pelo povo" colou. _

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