22 de Outubro de 2026
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes
A expectativa da Argentina para a visita do Papa
Em menos de três semanas, o papa Leão XIV deve dar início a uma longa viagem apostólica pela América do Sul. A expectativa é de que o Pontífice visite o Uruguai, a Argentina e o Peru entre 6 e 17 de novembro. Entre os dias 8 e 11, ele deve estar em solo argentino, circulando por Buenos Aires, Córdoba e Luján.
Esta será a primeira vez que um papa vai à Argentina em 39 anos. Para o padre Máximo Jurcinovic, diretor de Comunicação e Imprensa da Conferência Episcopal Argentina (CEA), a expectativa é de muita emoção:
- Estamos realmente muito contentes. Vê-se uma grande esperança no povo e percebe-se a enorme solidariedade das pessoas que se aproximam querendo ajudar e colaborar com muitas coisas. O Papa está sendo esperado na Argentina com um grande espírito e uma energia muito boa - afirmou à coluna. - Nós cremos que o pastor vem encontrar com o seu povo e que esses momentos vão ser os mais importantes: a ocasião em que o Papa possa celebrar e confirmar a fé da nossa gente nas missas, nas celebrações e nesses momentos que consideramos que serão realmente massivos - completou.
Segundo o religioso, a Conferência Episcopal Argentina se organiza para a viagem com dois grupos: a Comissão Nacional da Visita do Papa, que é formada por bispos e sacerdotes, e uma equipe de articulação, composta por leigos e leigas que coordenam as diferentes áreas de trabalho. Além disso, há distintas equipes de trabalho em cada uma das cidades que Leão XIV vai visitar.
- Isso é trabalhado com uma grande articulação e, sobretudo, em conjunto com o governo nacional e com os governos provinciais. Foi um trabalho muito articulado.
Antes de Leão, a era de Francisco
O antecessor de Leão XIV foi Francisco. Ele era natural de Buenos Aires, liderou por anos os jesuítas locais e esteve à frente do arcebispado da capital portenha por 15 anos. Desde que assumiu o papado, em 2013, até a sua morte, em 2025, nunca voltou à capital argentina. Para o padre Jurcinovic, contudo, Jorge Mario Bergoglio ainda está presente no país.
- Francisco está na Argentina de muitas maneiras: com seu magistério, sua palavra e sua histórica proximidade, e o povo o valoriza assim. Ninguém neste momento na Argentina está pensando se Francisco veio ou não veio. O papa Francisco esteve sempre e está na memória agradecida de todo o povo argentino, porque foi o argentino mais importante da história.
Leão XIV deve se encontrar com o presidente da Argentina, Javier Milei, logo na sua chegada ao país, cumprindo agendas na Casa Rosada, sede oficial do governo. À coluna, Jurcinovic afirmou acreditar que política e religião não serão misturadas:
- Parece-me que pensar que o Papa pode cair em instrumentalizações político-partidárias é subestimá-lo. Ele tem uma mensagem que está acima de qualquer conjuntura e estamos trabalhando nisso, o governo nacional, a Igreja e todos, justamente esperando uma mensagem que sabemos que não tem nada a ver com as nossas questões conjunturais do dia a dia; é uma mensagem universal e, sobretudo, uma mensagem que tem a ver com a unidade. _
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou em entrevista ao Estadão que figuras do governo Donald Trump "tomaram lado" nas eleições do Brasil.
Leão XIV retoma atividades sem precisar de tratamentos
O Vaticano informou ontem que o papa Leão XIV não precisará passar por tratamentos adicionais contra o câncer de pulmão diagnosticado na semana passada. Segundo nota divulgada pela Santa Sé, o adenocarcinoma pulmonar estava localizado e a cirurgia foi suficiente para removê-lo. Uma avaliação oncológica posterior confirmou que nenhuma terapia complementar será necessária.
Mais cedo, o Pontífice realizou sua primeira audiência semanal no Vaticano após o procedimento. Ele circulou de papamóvel na Praça de São Pedro, acenou para os fiéis e foi ovacionado pelo público. Leão XIV teve o lobo inferior do pulmão direito removido durante a operação. No último domingo, na oração do Angelus, prometeu retomar gradualmente suas funções à frente da Igreja Católica. _
Redução da maioridade: solução ou problema?
O tema da redução da maioridade penal virou uma das pautas centrais na última semana das eleições de 2026. O Conversas Cruzadas, de GZH, desta terça-feira, debateu o assunto e buscou responder:
A redução para crimes hediondos (homicídio, latrocínio e estupro, por exemplo) e seus possíveis impactos na segurança pública são uma solução?
- Ajuda, seja a redução, seja o estabelecimento de um direito penal juvenil, ou outra medida possível, como o aumento dos prazos de internação previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Não se reduziria propriamente a maioridade, mas se estenderia o prazo máximo de internação. É um assunto complexo. Temos de pensar de uma forma séria, técnica, não populista - afirmou o promotor de Justiça e professor de Direito Constitucional André Coelho.
Reduzir, levando em conta que temos hoje em torno de 900 mil presos no Brasil e em torno de 12 mil adolescentes em internação, teria que impacto sobre a criminalidade?
- Existe a utilização do tema que é sensível e que tem muita aderência na opinião pública para angariar vantagens eleitorais. E me parece que a mudança de posição do presidente Lula é uma estratégia de evitar danos maiores, porque, na verdade, a posição histórica do campo progressista e democrático é que precisamos apostar no sistema socioeducativo - disse o sociólogo, professor e pesquisador associado sênior do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Rodrigo Azevedo.
ONU alerta para restrições nas redes
Às vésperas do segundo turno das eleições de 2026, especialistas da ONU emitiram um alerta sobre desequilíbrio digital e possíveis restrições à expressão política nas plataformas de redes sociais da Meta nas eleições brasileiras. Segundo o grupo, episódios envolvendo Instagram, Facebook e WhatsApp levantaram graves preocupações sobre a liberdade de expressão e a igualdade de tratamento entre as frentes políticas.
Os peritos apontam que observadores internacionais registraram incidentes que evidenciam um tratamento desigual no ecossistema digital. Para o grupo, impedir que cidadãos alcancem suas audiências sem justificativa transparente compromete a essência da participação política. _

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