quarta-feira, 7 de outubro de 2026

07 de Outubro de 2026
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

Pesquisas do Brasil na Antártica em risco

Depois de várias tentativas, sem sucesso, de obter recursos financeiros do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Fundo Nacional de Ciência e Tecnologia (FNDCT) para a realização de uma missão aos módulos Criosfera 1 e Criosfera 2 na Antártica, a expedição do verão 2026/2027 foi cancelada.

Como consequência imediata, Criosfera 2 será desligado em novembro devido ao descarregamento das baterias. Criosfera 1 se desligará em 12 meses.

Os dois módulos são automatizados e funcionam com baterias que devem ser substituídas pelo menos a cada dois anos. A última missão do Criosfera 2 ocorreu durante sua instalação no verão de 2022/2023.

- A não realização de pesquisas no interior da Antártica reduz o protagonismo do Brasil dentro do Tratado Antártico. Ou seja, a pesquisa fica reduzida ao oceano e à Península Antártica - avalia o glaciologista Jefferson Cardia Simões, professor da UFRGS e pioneiro nos estudos antárticos.

Uma missão anual custa cerca de US$ 330 mil.

O desligamento dos equipamentos representa, na prática, o encerramento de todas as pesquisas do Brasil no interior do continente antártico. Ato contínuo, a interrupção da coleta de dados meteorológicos, dos medidores de ozônio atmosférico, de radiação UVA e UVB, do detector de raios cósmicos, do medidor de black carbon, do coletor de aerossóis e do medidor de CO2 atmosférico.

A não instalação no módulo Criosfera 2 de um medidor de CH4 atmosférico, sistema coletor de aerossóis totais, sistema GPS e novo sistema de transmissão de dados compromete estudos que impactam as pesquisas sobre eventos extremos na América do Sul. A Antártica é uma fonte de ar frio envolvida nas chuvas de setembro e novembro de 2023 e maio de 2024 no Rio Grande do Sul, diretamente associadas à região do Mar de Weddell e Sky Train Ice Rise, monitorados pelo Criosfera 2.

O que são

Os dois módulos são mantidos por geradores eólicos e solares ao longo de todo o ano, mas exigem manutenção no verão antártico. Sua estação meteorológica automática integra a rede nacional (Inmet) e a da Organização Meteorológica Mundial (WMO), e sua base de dados é disponibilizada livremente à comunidade científica nacional. Pesquisas são realizadas nas seguintes áreas: química atmosférica e glaciologia, incluindo estudos de testemunhos de gelo; climatologia; geofísica de geleiras; microbiologia; bioaerossóis; e física de alta energia.

Criosfera 1 está a 2,5 mil quilômetros ao sul da Estação Comandante Ferraz e a somente 660 km do Polo Sul geográfico. É o laboratório científico latino-americano mais ao sul da Terra, onde a temperatura média anual é de -33°C.

Criosfera 2 fica localizado ao sul do Mar de Weddell, região onde se originam as massas de ar frio responsáveis por ondas de frio e intensificação de eventos extremos no sul do Brasil. _

Retrato no Brasil: enquanto as pesquisas na Antártica sofrem revéses financeiros, o Prêmio Nobel de Física vai para estudos relacionados ao continente gelado.

Nomes para o Nobel da Paz

O Prêmio Nobel da Paz será anunciado oficialmente na próxima sexta-feira. De acordo com o comitê organizador da honraria, 287 nomes estão cotados para a premiação deste ano. Desses, 208 são indivíduos e 79 são organizações.

Segundo especialistas na premiação, os principais cotados são: o papa Leão XIV; o Tribunal Penal Internacional (TPI); a Corte Internacional de Justiça (CIJ); e Francesca Albanese, relatora especial da ONU para os Territórios Palestinos Ocupados.

Outras candidaturas que se destacam são a das Emergency Response Rooms, uma rede sudanesa de grupos comunitários que fornece ajuda durante a guerra civil no país e a da ONG Save the Children, que auxilia crianças em áreas de conflito.

Há, ainda, a candidatura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. _

Denúncias de antissemitismo

Três anos após os atentados terroristas cometidos pelo Hamas contra Israel, em 7 de outubro de 2023, a Federação Israelita do Rio Grande do Sul (Firs) recebeu 84 denúncias relacionadas a manifestações de antissemitismo contra a comunidade judaica gaúcha em 2026. Desse total, 31 têm relação com o ambiente digital.

O dado chama atenção para uma transformação na forma como o preconceito contra judeus circula; além de manifestações explícitas, discursos históricos também podem aparecer em memes, imagens, emojis e códigos.

O antissemitismo cresceu no mundo e no Brasil desde os ataques de 7 de outubro de 2023, lembrados hoje. Segundo o Relatório Anual sobre Antissemitismo no Brasil 2025, da Confederação Israelita do Brasil (Conib), o país registrou aumento de 149% no número de denúncias validadas entre 2022 e 2025, consolidando o que o relatório chama de um "novo normal" de hostilidade, padrão também observado em países como Austrália, França, Reino Unido e Itália, onde o volume de incidentes segue muito acima do registrado antes do conflito no Oriente Médio deflagrado pelo ataque do grupo terrorista Hamas a Israel.

Para a presidente da Firs, Daniela Russowsky Raad, reconhecer essas diferentes formas de manifestação é fundamental para que o preconceito possa ser enfrentado.

- O primeiro passo para combater qualquer forma de preconceito é reconhecer como ele se manifesta. O antissemitismo tem uma longa história, mas suas formas de circulação mudaram. Hoje, ele também aparece em linguagens digitais, muitas vezes codificadas, e ampliar o conhecimento da sociedade sobre isso é essencial - afirma. _

Atlas ajuda a reconhecer formas de preconceito

Neste 7 de Outubro, quando são lembrados os atentados terroristas cometidos pelo Hamas em Israel, em 2023, a Federação Israelita do RS (Firs) destaca o lançamento do livro Decodificando o Antissemitismo: Uma Adaptação ao Contexto Brasileiro - Um Atlas de Tropos de Ódio, do Deicídio ao Genocídio.

Em termos simples, o atlas funciona como um guia para reconhecer diferentes formas de antissemitismo. A publicação reúne 39 padrões de preconceito que aparecem ao longo da história e explica como eles podem reaparecer hoje em novas linguagens.

Escrito pelos pesquisadores Anelise Fróes, Bruno Cardoni Ruffier e Matheus Alexandre, o livro mostra que ideias antigas não desaparecem; elas podem mudar de aparência para circular em novos ambientes.

Assim, um estereótipo histórico pode reaparecer em uma imagem, um meme, um símbolo, um número ou uma referência que, isoladamente, pode parecer inofensiva, mas reproduz uma narrativa antissemita. A proposta é ajudar o público a entender o que está por trás dessas mensagens e por que determinadas imagens, palavras ou símbolos podem carregar discursos de ódio. O conteúdo está gratuitamente em combateaoantissemitismo.org.br. _

INFORME ESPECIAL

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