quinta-feira, 16 de abril de 2015


16 de abril de 2015 | N° 18134
EDITORIAIS

A PRISÃO DO TESOUREIRO

É no mínimo surpreendente que, diante das contundentes evidências apresentadas pelo Ministério Público e pela Polícia Federal para a prisão do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, o partido tenha reiterado ontem sua confiança na inocência do dirigente. Se já era difícil entender a demora no seu afastamento depois de tantas denúncias de irregularidades, causa perplexidade que o PT tenha manifestado ontem, em nota oficial, sua solidariedade a João Vaccari Neto. O mesmo dirigente que negou qualquer participação no escândalo da Petrobras teve sua prisão justificada por reiteração criminosa, apurada pelas investigações policiais.

As acusações são extremamente graves e agora aparecem fundamentadas por indícios claros, como o enriquecimento injustificado de familiares e o uso de notas por serviços não prestados para legalizar propinas. Por isso, a mais recente fase da Operação Lava-Jato tem potencial para municiar tanto a oposição quanto movimentos de rua que defendem a responsabilização do governo.

Como advertiu o juiz Sérgio Moro, responsável pelo caso, “o mundo do crime não pode contaminar o sistema político-partidário”. E é isso o que ocorre quando alegadas doações oficiais servem para acobertar ilícitos como lavagem de dinheiro, de forma reiterada.

Diante da CPI, o dirigente preso ontem preferiu recorrer a respostas evasivas e padronizadas. Agora, terá a chance de ser acareado com seus acusadores, para que a Justiça e o país saibam quem está falando a verdade. Mas o que o caso envolvendo o tesoureiro do PT revela, de forma estarrecedora – e militantes do partido insistem em negar –, é o quanto crime e política podem andar juntos se as instituições não se mantiverem permanentemente atentas para investigar e punir.


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