quinta-feira, 23 de abril de 2026

Plano Diretor de Porto Alegre vai a votação nesta quinta-feira 

Nesta quarta-feira (22), os veradores apreciaram as últimas emendas destacadas

Nesta quarta-feira (22), os veradores apreciaram as últimas emendas destacadas

Ederson Nunes/CMPA/Divulgação/JC

Bolívar Cavalar
Bolívar CavalarRepórterOs vereadores de Porto Alegre devem votar e aprovar nesta quinta-feira (23) o projeto de Plano Diretor Urbano Sustentável (PDUS), após cerca de um mês e meio de debates e apreciação de emendas referentes ao projeto. Depois, na quinta-feira seguinte, dia 30 de abril, iniciam as votações de emendas da Lei de Uso e Ocupação do Solo (Luos), que estabelece questões mais técnicas e específicas do Plano Diretor da Capital.
Inicialmente foram apresentadas 401 emendas ao projeto. Destas, os vereadores destacaram mais de 300 para serem votadas individualmente ou em bloco no plenário da Câmara Municipal – para destacar uma matéria, eram necessárias 12 assinaturas dos parlamentares. As demais emendas foram aprovadas – 28 – ou rejeitadas – 12 – em comissões da Casa, e não foram destacadas. Ou seja, aquelas aprovadas no plenário ou nas comissões fazem parte da íntegra do projeto a ser votada nesta quinta, que precisa de 18 votos favoráveis para ser aceito.
Considerando que a bancada de oposição ao governo Sebastião Melo (MDB) é composta por 12 vereadores e precisaria convencer parlamentares da base para barrar o projeto, a tendência observada nos bastidores da Casa é de aprovação do PDUS nesta quinta.
Chamou atenção a celeridade em que foram apreciadas as emendas do Plano Diretor, proposta que é considerada pelo próprio prefeito Melo como a “lei mais importante da cidade”, conforme ele destacou em sua campanha à reeleição, em 2024A estratégia da base governista foi de firmar acordos com a oposição para votação de emendas em bloco, bem como a estender as sessões além do tempo regimental e muitas vezes levando votações para a madrugada. 
Neste sentido dos acordos, a oposição conseguiu aprovar 20 emendas apresentadas por vereadores da bancada e 2 elaboradas por entidades da cidade.
Caso se confirme a tendência de aprovação do PDUS, os vereadores partem, a partir da quinta-feira seguinte, a apreciar o Luos, que conta com 121 emendasConforme a justificativa apresentada pela prefeitura ao projeto, esta proposta “dispõe sobre o uso, a ocupação e o parcelamento do solo urbano, detalhando o zoneamento municipal e os parâmetros urbanísticos e edilícios em estreita consonância com o Plano Diretor Urbano Sustentável (PDUS)”.  
Vereadores da base governista acreditam que a apreciação desta proposta deve levar, em média, o período de um mês para ser finalizada. 
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Vazio sanitário da soja evita perdas de até 15% nas lavouras

Protocolo de manejo foi estabelecido visando combater doenças como a Ferrugem da Soja

Protocolo de manejo foi estabelecido visando combater doenças como a Ferrugem da Soja

Gracieli Manfrin/Divulgação/JC

JC
JCAna Esteves, especial para o JC
Para controlar a ocorrência de Ferrugem Asiática nas lavouras de soja e evitar perdas produtivas que podem chegar a 15%, os sojicultores gaúchos realizam uma série de manejos integrados que começam com o vazio sanitário da cultura que, neste ano, ocorrerá entre 3 de julho e 30 de setembro. Junto com ele, também foi estabelecido pela Portaria nº 1.579/2026 do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o calendário de semeadura do grão que inicia no dia 1º de outubro de 2026 e se estende até 28 de janeiro de 2027. “Foram mantidos iguais aos das safras mais recentes, pois são os períodos mais adequados, tanto do vazio sanitário como do calendário, pela otimização da cultura e diminuição do inóculo do fungo nas plantas que nascem espontaneamente na lavoura, após a colheita da soja”, explica o diretor do Departamento de Defesa Vegetal da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Ricardo Felicetti.
Através do vazio sanitário o controle da doença inicia ainda na entressafra, eliminando a soja que fica na lavoura, já que ela é o principal hospedeiro do fungo que causa a Ferrugem. “Dependendo da época de semeadura nas diferentes regiões do Estado, conseguimos fazer com que a doença chegue mais tarde nas lavouras, reduzindo o risco de ter perdas de produtividade”, afirma a pesquisadora da Embrapa Soja, Claudine Seixas. Com a prática é possível facilitar o manejo das áreas cultivadas com a oleaginosa, reduzindo custos de produção pela redução do número de aplicações.

A situação sanitária do Rio Grande do Sul em relação à doença é considerada “medianamente sob controle” graças aos períodos de seca, ocorridos nas safras mais recentes, que ajudam a manter as lavouras livres da doença, com exceção do ano da grande enchente, quando a alta umidade aumentou bastante a incidência de Ferrugem a campo no Estado. “De maneira geral, podemos dizer que a doença está sob controle, não temos perdas maiores do que 10% a 15%”, reforça Felicetti. Mas esse status depende do clima e do comportamento dos patógenos diante das moléculas multisítio, usadas para seu controle, que, em algumas situações, não funcionam mais de forma tão eficaz. “Por isso, é muito importante consolidar as ferramentas de controle adicional, como o vazio sanitário para lidar com o cenário, justamente para a gente evitar problemas nesse sentido”.
Além disso, também é preconizado o controle integrado de pragas e doenças que abrange mais ferramentas, além do uso de fungicidas tradicionais, como o controle biológico, que tem demonstrado bons resultados a campo para o controle da doença. “A indústria já manifestou que dificilmente vai disponibilizar uma nova molécula para controle da Ferrugem, nos próximos dez anos, pois é um trabalho de longo prazo. Vamos ter que trabalhar com as ferramentas que temos, seja na composição das lavouras, numa melhor drenagem, seja no uso de controle biológico, além do vazio e do calendário específicos”, informa Felicetti.
pesquisadora da Embrapa acrescenta que entre os manejos preconizados para reduzir resistência está a rotação de produtos usados para controle da doenças, optando por fórmulas com modos de ação diferentes. “É importante associar produtos multissítios aos sítioespecíficos e respeitar doses e intervalos de aplicação indicados na bula”, diz Claudine.
Para incrementar ainda mais os mecanismos de controle da doença, a Seapi criou, em 2019, um programa Monitora Ferrugem RS que atua desde a semeadura até a colheita da oleaginosa. O objetivo é detectar precocemente a presença de esporos associada às condições meteorológicas e gerar mapas indicativos de predisposição da ocorrência da Ferrugem Asiática da Soja. Esses dados auxiliam técnicos e produtores na tomada de decisão e adoção de medidas de manejo da doença. “Trazemos informações semanais para os produtores, sobre a presença de esporos a campo. Na próxima safra serão monitoradas 100 lavouras, distribuídas no Estado. O programa é complementar ao vazio sanitário e ao calendário de semeadura”, informa o coordenador estadual de defesa e sanidade vegetal da Emater-RS/Ascar, Elder Dal Pra.
Apesar das iniciativas de controle, a contaminação das lavouras segue ocorrendo, mas com menos intensidade. Um dos fatores que favorecem a permanência da doença é a resistência que o fungo desenvolveu aos ingredientes ativos de controle. As datas de vazio e plantio visam também diminuir a resistência do fungo aos compostos. “Tivemos eventos em que foi identificada resistência aos três ingredientes ativos que são sítio específico para o controle da ferrugem”, diz Felicetti. Segundo o especialista da Emater-RS, os patógenos resistentes não se originam nas lavouras do Estado, mas “migram” por correntes de vento de outros estados, como Mato Grosso e outros países, como Paraguai e Bolívia. “Conforme avança o calendário de plantio no norte da América do Sul, recebemos muita carga de esporos resistentes”, explica.
A Ferrugem Asiática é causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, considerada uma das doenças mais graves a afetar a cultura da soja, cujos danos podem oscilar entre 10% e 90%, em média, nas diversas regiões geográficas em que ocorreu. Durante o vazio sanitário, um período contínuo, de no mínimo 90 dias, não é permitido plantar nem manter vivas plantas de soja em qualquer fase de desenvolvimento nas áreas monitoradas, minimizando os impactos negativos que poderiam causar prejuízos na safra seguinte. Já o calendário de semeadura, é uma medida fitossanitária adotada após o período de vazio sanitário, com o objetivo de sistematizar o número de aplicações de fungicidas, reduzindo os riscos de desenvolvimento de resistência da Ferrugem às aplicações químicas para o seu controle.