terça-feira, 23 de junho de 2026

Economia do Norte do RS avança ao agregar industrialização ao agronegócio

Usina da Camera, em Ijuí, na Região Noroeste Colonial do RS, recebeu investimentos para ampliar produção de combustível a partir de soja e canola

Usina da Camera, em Ijuí, na Região Noroeste Colonial do RS, recebeu investimentos para ampliar produção de combustível a partir de soja e canola

TÂNIA MEINERZ/JC
Guilherme Kolling
Guilherme KollingEditor-chefe
Um dado que chama a atenção até mesmo entre lideranças regionais da Macrorregião Norte do Estado é que essa parte do Rio Grande do Sul consolidou-se na segunda colocação no ranking do Produto Interno Bruto (PIB) gaúcho, atrás apenas da Macrorregião Metropolitana.
É o que aponta levantamento realizado a partir dos PIBs municipais. Esse recorte, que permite analisar a riqueza das regiões, mostra que os 11 Coredes (Conselhos Regionais de Desenvolvimento) que formam a área setentrional do RS, juntos, representam a segunda força da economia do Estado. Isso aconteceu nos anos de 2020, 2021, 2022 e 2023 – dado municipal mais recente, divulgado pelo IBGE no ano passado.
Ou seja, na década de 2020, a Macrorregião Norte do RS ganhou relevância no cenário econômico gaúcho e teve, em todos os exercícios, PIB superior ao da Macrorregião da Serra. Há oscilações, e o Norte do Estado se favorece quando o PIB gaúcho como um todo cresce mais, o que acontece em anos em que o clima ajuda e a safra impulsiona a economia do Rio Grande do Sul.
De qualquer forma, para a equipe do Jornal do Comércio, que desde 2023 trabalha no mapeamento da economia do Estado, essa informação da força do Norte gaúcho não chega a surpreender.
Ao longo desses quatro anos em que visitamos diferentes cidades, nos impressionou o dinamismo dos municípios do Norte gaúcho, com obras de novos empreendimentos, distritos industriais, cooperativas fortes, comércio pujante, além de uma paisagem em que as plantações chegam até a beira das estradas.
Indústrias como a Balmer, em Ijuí, fortalecem a economia do Norte do RS | TÂNIA MEINERZ/JC
Indústrias como a Balmer, em Ijuí, fortalecem a economia do Norte do RSTÂNIA MEINERZ/JC
O eixo principal que impulsiona a economia do Norte gaúcho é a agregação de valor ao agronegócio, com a industrialização de diversos produtos. O Mapa Econômico do RS identifica dezenas de oportunidades de desenvolvimento a cada ano. A principal novidade que está saindo do papel na parte Norte do Estado é a industrialização de grãos para a produção de biocombustíveis.
São diversas culturas usadas na fabricação de biodiesel e etanol em vários municípios gaúchos, em projetos de grandes e médias empresas, além de cooperativas. Exemplos são a produção de biodiesel de soja e canola em Ijuí pela 3tentos e pela Camera; o projeto de etanol de trigo e outras culturas de inverno, da Be8 em Passo Fundo; e, em Cruz Alta, o projeto da Soli3, liderada por cooperativas da região: Cotrijal (Não-Me-Toque), Cotripal (Panambi) e Cotrisal (Sarandi).
O avanço da construção civil também é um reflexo da força regional em vários municípios. A maior cidade do Norte gaúcho, com mais de 200 mil habitantes, é Passo Fundo, onde há mais de 100 edifícios em construção atualmente.
Tem ainda o setor de serviços, especialmente na saúde, já que, de novo, Passo Fundo é o terceiro polo de saúde na Região Sul do Brasil, atrás apenas de Porto Alegre e Curitiba (PR). Mas há também centros de saúde importantes e de referência em outros municípios, caso do Hospital de Clínicas Ijuí.
Entre os desafios, o Norte padece do mesmo problema que afeta o Estado como um todo, os gargalos na infraestrutura. Além disso, também sofre com o envelhecimento e – em dezenas de municípios – com a redução da população.
Nesse aspecto, chama a atenção que o Estado já possui mais de 53 mil trabalhadores estrangeiros no mercado formal, movimento que ajuda a reduzir os impactos da escassez de mão de obra. Quatro municípios da Macrorregião Norte aparecem entre os seis no Estado que mais empregam imigrantes: Erechim, Passo Fundo, Marau e Tapejara.
Outro problema é o impacto dos eventos climáticos extremos no agronegócio. Nos últimos seis anos, o RS passou por quatro estiagens e uma grande enchente. Como foi dito, isso se reflete no resultado do PIB do Estado, que em 2025 somou R$ 753 bilhões, o equivalente a 5,9% do PIB nacional. Em 2019, a participação gaúcha no PIB do Brasil era de 6,5%.
Criado em 2023, quando o Jornal do Comércio completou 90 anos, o projeto Mapa Econômico do Rio Grande do Sul reúne dados econômicos, sociais e demográficos dos 497 municípios gaúchos, apontando os desafios e as oportunidades para o desenvolvimento do Estado. São indicadores que ajudam a analisar como está o desenvolvimento atual dessas regiões, bem como apontar tendências.
Esta é a quarta temporada do projeto Mapa Econômico do RS que traz, com profundidade e dados, potencialidades das diferentes regiões do Estado. O trabalho combina apuração jornalística, entrevistas, análise de informações do poder público e de entidades privadas com reuniões em municípios de diferentes partes do RS.
O resultado é um panorama das diferentes cadeias produtivas, mostrando janelas de oportunidades para estimular o desenvolvimento e caminhos para superar desafios. Percorremos o Rio Grande do Sul em encontros com lideranças regionais, produzindo conteúdos especiais sobre cada macrorregião.
Este é o quarto capítulo de 2026 e trata do Norte do RS (os anteriores foram sobre Serra, Centro e Sul).
Ainda publicaremos mais um especial após o evento previsto para a próxima semana, no dia 18 de junho, em Porto Alegre (Macrorregião Metropolitana).

MEC credencia Ufrgs para novo campus na Serra Gaúcha

Diretora do campi afirma que os primeiros cursos serão de Psicologia e Ciência de Dados

Diretora do campi afirma que os primeiros cursos serão de Psicologia e Ciência de Dados

OAB/RS/Divulgação/JC

Joaquim Porto
Joaquim PortoO Ministério da Educação (MEC) anunciou o credenciamento do novo campi da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) - o Campus Serra, no município de Caxias do Sul. O processo de aquisição conta com investimentos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) no valor de R$ 60 milhões, sendo R$ 50 milhões para aquisição e construção da sede e outros R$ 10 milhões para equipamentos. As aulas têm previsão de início entre agosto e setembro deste ano, porém, a sede ainda não tem localização definida.
Conforme Márcia Barbosa, reitora da Ufrgs, as aulas iniciarão com dois cursos, sendo eles, Psicologia e Ciência de Dados e serão muito celebrados pela instituição. “Estamos muito contentes e, no momento em que pudermos inaugurar a placa Ufrgs do novo campus, será uma grande festa, ao nível da Ufrgs”, afirma. Na avaliação de Márcia, “ainda depende de muitas coisas, finalizar a etapa de escolha do prédio, negociar a compra, mas, a nossa esperança é que entre agosto e setembro comecem as aulas”.
Atualmente, está em andamento o edital de chamamento - que vai até esta terça-feira (23) -, para que as empresas habilitadas ou não, manifestem interesse. Após isso, será divulgado o resultado das habilitações para verificar qual o prédio efetivamente atende às necessidades de implementação.
Além dos cursos aprovados, há o encaminhamento para análise interna nas graduações de Administração e Engenharia Industrial, e em processo de desenvolvimento, Pedagogia e Engenharia Mecânica. Segundo a diretora do Campus Serra, Kelly Lissandra Bruch, todos os professores para os dois cursos já estão aprovados e, inclusive, atuam em parcerias na cidade. “Agora realmente o que está faltando são as instalações para que possamos efetivamente começar as atividades”. 
A diretora diz que a expectativa é de que se possa atender uma região que, de fato, tem uma demanda histórica por uma universidade federal. “Temos a expectativa de que haverá uma boa demanda para esses cursos que nós estamos propondo, porque surgiram a partir das audiências públicas. A percepção é de que terá um grande acolhimento e vamos ter vários alunos interessados em estudar aqui”. 
Colaborando com a visão de Kelly, em nota, o governo federal diz que: o objetivo é ampliar a oferta da Educação Superior pública em regiões historicamente desassistidas. Os cargos para o corpo docente e técnico-administrativo, serão disponibilizados pela Secretaria de Educação Superior (Sesu), para atender às unidades a partir de pactuação com as universidades, considerando o cronograma de oferta dos cursos.