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terça-feira, junho 20, 2017

Muito tempo acordado leva cérebro de roedor a perigosa atividade imune

Thinkstock
Neurociência ainda não consegue explicar o motivo da falta de sono poder levar à morte
Neurociência ainda não consegue explicar o motivo da falta de sono poder levar à morte
Que todo mundo precisa dormir todo santo dia todo mundo sabe. Mas como e por que a privação de sono afeta o cérebro, a ponto de levar à morte se for completa e ininterrupta por mais de uma semana, a neurociência ainda não entendeu. Não é por falta de esforço, pois manter suas cobaias acordadas requer cientistas acordados.

Chiara Cirelli que o diga. A neurocientista da Universidade de Wisconsin em Madison começou sua carreira mais de quinze anos atrás dando tapinhas em garrafas de cultivo de mosquinhas (D. melanogaster) para mantê-las em atividade. Foi assim que fez uma descoberta primordial para a neurociência: o "repouso" das moscas é sono legítimo, e moscas que não conseguem sossego sofrem até finalmente morrerem.

Foi usando essas mosquinhas que Cirelli e colaboradores descobriram que durante o sono acontece a reciclagem de sinapses, as conexões entre neurônios através das quais a atividade de um neurônio influencia a de outros, base do funcionamento do cérebro. Reciclar sinapses envolve eliminar sinapses inativas e transferir material para outras que participaram de novos aprendizados durante o dia –papel dos astrócitos, células que nutrem neurônios.

Em um estudo que saiu no "Journal of Neuroscience", Cirelli e equipe mostram que, na falta de sono, um tipo de reciclagem sináptica acontece mesmo no cérebro acordado, o que parece benéfico –mas, se a falta de sono é crônica, a situação muda.

A equipe impediu que camundongos dormissem por um dia introduzindo constantemente objetos novos em sua caixa, ou manteve outros animais acordados por até cinco dias usando uma plataforma rotatória que obrigava os animais a permanecerem em movimento –ou cairiam na água, coisa que detestam.

Após um dia sem dormir, o número de sinapses recicladas por astrócitos dobra no córtex cerebral dos camundongos. Parece benéfico, já que o fator que parece promover a reciclagem é o acúmulo de danos à membrana celular, fruto de estar acordado. O problema é que daí em diante também entram em ação as células do sistema imune residentes no cérebro: a micróglia.

Essa ativação pode colocar o cérebro em um estado de hiperatividade imunitária que pode ser danoso, talvez até se autodestruindo. Quanto tempo de privação leva para a micróglia ser ativada, ainda não se sabe. Na dúvida, melhor dormir bem, e todas as noites...

De nada adianta excelente técnica, se for deficiente na formação humanista

Reprodução/Instagram
Estudantes de medicina fazem foto com gestos obscenos e geram revolta nas redes sociais
Estudantes de medicina fazem foto com gestos obscenos e geram revolta nas redes sociais
Um dia, um grupo de alunos de medicina decidiu tirar uma foto com gestos obscenos e a publicaram nas redes sociais, é claro! Alguns dias após o fato, muito comentado nas redes, outro grupo publicou uma foto semelhante, talvez em apoio ao primeiro grupo. A explicação que deram foi de que havia sido apenas uma "piada interna" deles. As instituições de ensino repudiaram o fato e afirmaram que iriam tomar providências. Vale ressaltar que, sobre alunos de medicina, já lemos reportagens que relataram fatos de abuso sexual e até estupro.

Meses depois, alunos do ensino médio realizaram uma festa com o tema "se nada der certo", o que significava, para eles, não serem aprovados no vestibular. As "fantasias" escolhidas foram de trabalhadores sem formação universitária, como gari, empregada doméstica, garçom, porteiro etc. Uma festa do mesmo tipo já havia sido realizada por outra escola, com o mesmo tema e fantasias semelhantes. A instituição de ensino afirmou ter sido um "mal entendido" e se desculpou pelo fato.

Ainda neste ano, alunos também de ensino médio, no dia intitulado "Dia do Mico", escolheram como tema "Tribos Urbanas" e foram vestidos a caráter. Um grupo escolheu ir caracterizado como integrantes de uma organização racista secreta que existiu –e parece ainda existir– nos Estados Unidos e, como de costume, a foto do grupo foi publicada nas redes.

Há, pelo menos, dois elementos em comum nesses fatos: todos ocorreram em escolas particulares e envolvendo alunos adolescentes. Sim, alunos universitários, hoje, ainda vivem como adolescentes. Precisamos, urgentemente, questionar a formação dada nas escolas privadas aos alunos de filhos de classe média.

A maioria dessas escolas não oferece formação humanista, tão ocupadas que estão com os rankings criados com o rendimento dos alunos em provas como o Enem e em determinados vestibulares. Por esse motivo, todo o tempo escolar é dedicado aos conteúdos escolares. E as famílias pactuam com esse ensino conteudista, não é? Uma boa parcela de nossa sociedade acredita que o sucesso no futuro depende desse ensino. Grande engano!

De nada adianta termos profissionais com excelente formação técnica, mas com deficiente formação humanista, porque assim eles não saberão colaborar para que o mundo melhore. Pelo contrário: irão piorá-lo, como pode ser observado nos exemplos citados. E a vida, caro leitor, é vivida sempre em sociedade, não podemos nos esquecer disso.

Que tipo de formação humanista uma escola pode oferecer a seus alunos? Ensinar a exercitar a empatia, a ter sensibilidade para perceber como suas atitudes podem afetar o outro, a ser respeitoso com pessoas diferentes daquelas com quem estão acostumados a conviver, a ter compaixão, a ser solidário, entre outras coisas. Em resumo: precisamos de uma educação escolar baseada em valores humanistas.

Sabemos da importância da educação familiar, mas no mundo em que vivemos, ela sozinha não é suficiente para formar uma pessoa e um cidadão de bem. A formação que os mais novos recebem na instituição escolar também é decisiva nesse sentido.

Precisamos querer para o futuro de nossos filhos mais do que sucesso financeiro e prestígio social: precisamos querer que eles melhorem este mundo que, pelas notícias, não vai muito bem, não é verdade? 

Brasileira sobrevive a incêndio em Portugal e vira voluntária por afetados

Giuliana Miranda/Folhapress
A estudante de direito brasileira Dayane Braga, que escapou de incêndio em Portugal e agora está ajudando os atingidos como voluntária
A brasileira Dayane Braga, que escapou de incêndio e agora ajuda atingidos como voluntária
Em questão de minutos, no último sábado (17), a tarde de lazer da estudante de direito brasileira Dayane Braga, 32, se transformou em momentos de terror, quando a praia fluvial em que ela estava, no centro de Portugal, começou a pegar fogo.

"Saímos de lá às pressas e, meia hora depois, já estava tudo queimado, até com carros carbonizados", conta ela, que é natural de Itabuna (BA) e vive há 14 anos em Portugal.

"Eu peguei o início do fogo. Como estava em um vale, aqui a gente já sabe que, em caso de fogo, temos de começar a fugir", explica. A estudante diz que os momentos na estrada, tentando fugir do fogo, foram de aflição. "Quando começou o fogo, teve também raios e trovoadas. Foi assustador."

Ela diz que não conhece nenhuma das vítimas do incêndio, mas que ainda tem vizinhos desaparecidos.
Mesmo abalada, Dayane decidiu se juntar à brigada de voluntários que auxilia os desabrigados e as populações afetadas pelo incêndio. Na manhã desta segunda (19), ela ajudava a descarregar água e mantimentos no centro de distribuição de Avelar, em Ansião.

"Não tem como estar em casa, de braços cruzados, não consigo estar parada e ver tanta gente precisando." "É um povo que me acolheu desde sempre. Eles me adotaram e eu adotei eles" diz a estudante, sobre os portugueses.

INCÊNDIOS CONTINUAM

Os focos de incêndio no centro de Portugal seguem ativos. Até agora, já foram confirmados 63 mortos e 135 feridos, sendo sete em estado grave.

Em entrevista coletiva no início desta tarde, a ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, disse que 24 corpos já foram identificados e que o trabalho seguirá acelerado durante todo o dia.


O presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, também esteve novamente na região afetada.