sexta-feira, 30 de agosto de 2024


30 de Agosto de 2024
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

O desafio da Educação Infantil

Felizmente, a Primeira Infância e, dentro dela, a Educação Infantil, cada vez mais tem merecido a atenção dos tribunais de Contas e das suas entidades, particularmente a Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), na pessoa do vice-presidente Cezar Miola, que transformou esse assunto em uma bela bandeira por onde passa.

A partir da prioridade assegurada pela Constituição, pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e pelo Marco Legal da Primeira Infância, as cortes têm adotado as mais diversas iniciativas para garantir o direito à creche a todas as crianças, direito reconhecido como fundamental pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em 2022. Assim, se a matrícula na faixa de zero a três anos não é obrigatória (ela passa a ser entre quatro e 17 anos), o poder público deve assegurar a vaga sempre que a família demandar.

Estamos longe de garantir esse direito no Estado. De um total de 563 mil crianças entre zero e três anos, 246.031 são atendidas. Deveriam ser criadas 35.469 vagas para atender à meta de 50% prevista no Plano Nacional de Educação (PNE) para 2024. Entre quatro e cinco anos, das 303 mil, são atendidas 267.242. O déficit é de 35.754. As informações são da Atricon a partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).

- É preciso ir em busca dessas crianças, já que, muitas vezes, há grave desconhecimento dos direitos mais básicos da cidadania - diz Miola.

Ele postula a necessidade de engajamento, já que os investimentos necessários são elevados e todos os entes federativos devem atuar em regime de colaboração e cooperação. Miola salienta ainda que as escolas de Educação Infantil desempenham papel central no processo de identificar precocemente necessidades das crianças, como afetação no desenvolvimento, e relatar tais observações aos serviços de saúde e de assistência social.

É preciso abordagem multidimensional, ou seja, a colaboração entre educadores e outros profissionais. A lupa apurada dos tribunais de contas é fundamental, mas o tema deveria também ser prioridade dos candidatos que começam a pedir, a partir de hoje, pela TV e pelo rádio, os votos dos eleitores. _

A criação de uma autoridade para operar e fazer a manutenção do sistema de proteção contra cheias, proposta por holandeses, não é nova. Há anos, o deputado Miguel Rossetto (PT) defende uma autarquia para fazer a gestão.

Carrinho acessível

Uma das marcas registradas que chamam a atenção em grandes feiras - como a Expointer, em Esteio - são os carros elétricos que possibilitam a circulação de pessoas dentro dos parques. Pensando na inclusão social, a Ipiranga conta com um carro acessível para participantes e visitantes do Parque de Exposições Assis Brasil.

O veículo, disponível durante todos os dias da Expointer para todos os participantes, é um dos únicos preparados para receber e auxiliar pessoas com mobilidade reduzida na feira. _

Discussão no Litoral

Depois de uma audiência pública contrária à construção que levará esgoto de Xangri-lá até o Rio Tramandaí e um manifesto do Ceclimar alertando para contaminação da bacia, o prefeito de Tramandaí, Luiz Carlos Gauto da Silva, não descarta a possibilidade de judicialização da obra.

- Fomos surpreendidos com a obra. Nunca teve uma audiência pública e nem fomos consultados. Se não parar, talvez temos de judicializar - afirmou.

Antes da medida, um protesto está agendado para amanhã na ponte entre Imbé e Tramandaí.

Além disso, uma reunião entre MPF, prefeituras, Aegea e Fepam ocorrerá na próxima quinta-feira. _

Ficha limpa e o 8/1

A coluna conversou com o promotor de Justiça Rodrigo Zilio, que também é coordenador do Gabinete de Assessoramento Eleitoral do MP-RS, sobre a Lei da Ficha Limpa e os envolvidos nos atos de 8 de Janeiro.

O promotor lembrou que a lei, no geral, pune pessoas que cometeram diversos crimes - contra a administração pública, crimes eleitorais, tráfico, homicídio, roubo e outros - e que podem se tornar inelegíveis depois de decisão definitiva ou proferida por órgão judicial colegiado.

Os gaúchos envolvidos no ato e candidatos, como a coluna divulgou, são julgados pelo STF e ainda podem se tornar inelegíveis se houver condenação até a data do pleito. _

Case mundial

O Campo em debate de ontem, na Casa RBS na Expointer, mostrou, de forma didática, os benefícios do biometano, combustível para a transição energética.

Mas também revelou como é fundamental que governo do Estado, produtores rurais, indústria, concessionária e empresa que está desenvolvendo o produto dialoguem para superar os desafios que, uma vez vencidos, podem elevar o Estado a case mundial na produção desse tipo de energia limpa. _

INFORME ESPECIAL

quinta-feira, 29 de agosto de 2024


CARPINEJAR

Preta Gil,

O câncer pode ter voltado, mas saiba que não largamos a sua mão em nenhum momento. A permanência do afeto vai mandá-lo embora definitivamente. Palavras são curativas. Canções são curativas. A remissão irá acontecer.

Não será como imaginamos, mas ainda assim será como sonhamos. O sonho representa um objetivo a ser alcançado, não importa como, não importam o tempo e o espaço. É da nossa condição humana fantasiar as etapas, mas elas mudam conforme os desafios.

Mire ao topo da escada, é desgastante subir contando os degraus. Apenas suba. Escadarias de sonhos e de igrejas são sempre longas. É do alto que enxergamos os problemas menores.Você já venceu uma batalha. Não se esqueça disso. Seu corpo vem aprendendo a se defender com a sua alma tão bonita, tão justa, tão paciente.

A reincidência costuma atingir 40% das pessoas com câncer primário. O milagre não é, como todos acreditam, de uma vez só. É parcelado, conquista a conquista, passo a passo, gesto a gesto de coragem.ão é uma conversão mágica, não é uma transmudação imediata, requer uma confiança renovada a cada amanhecer.

Unicamente a família e os amigos mais próximos são capazes de testemunhar que os milagres desabrocham lentamente.A convalescência é também uma arte, com ensaios sucessivos no quarto. Quantas músicas são repetidas no estúdio até a afinação se mostrar perfeita? É idêntico o processo, com a diferença de que, aqui e agora, você dá o seu melhor para sobreviver.

Eu entendo o seu desgosto em retomar as internações, os exames e as sessões. Novamente vestirá o avental, colocará a touquinha, calçará os protetores dos pés. Novamente não desfrutará de suas cores e de sua exuberância de ser. Novamente a náusea, a fadiga, a perda de cabelos, a queimação. Novamente o sumiço público de alguns dias, algumas semanas, na privacidade do combate.

A debilidade nos põe a pensar bobagens. Haverá noites em que pedirá desculpa por existir. Haverá noites em que o cansaço roubará a gratidão. Haverá noites em que a água doerá para descer na garganta. Haverá noites insuportáveis, eu sei, em que se dobrará na posição fetal, refugiada em sua concha de travesseiros.

É natural se desligar do desejo de comer, de ficar de pé, de conversar, de cantar. É necessário ânimo para conseguir raciocinar, para terminar uma ideia, para manter uma mínima continuidade nos diálogos. Não tem quem não se sinta esvaziado, sugado pela quimioterapia, posto ao extremo desumano dos seus limites para erradicar as células doentes. É como se morrêssemos para renascer. Ultrapassamos o nosso fim para retornar ao nosso início.

Há mais de um ano, você espera ansiosamente a notícia de estar curada. Nenhuma promessa foi jogada fora. Esperança acumulada vira fé. Já habita o seu coração uma força muito maior do que quando recebeu o diagnóstico.

Sua vontade de viver é o principal tratamento que existe, o mais precioso cuidado. Despeça-se da doença com a sua suavidade de furacão, com a sua tranquilidade de vulcão. Ela nada pode contra o seu amor. _

Abraço,

CARPINEJAR

EDITORIAL

Modernidade no campo

Divulgada ontem por Zero Hora, a pesquisa que revela o novo perfil dos produtores rurais do Rio Grande do Sul merece lugar de destaque no quadro de boas notícias produzidas pelo setor agropecuário em torno da atual edição da Expointer. A guinada para a modernidade, constatada pelo levantamento realizado pelo Grupo RBS e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), pode ser considerada uma conquista tão importante quanto a superação das dificuldades causadas pela recente catástrofe climática, o aumento da produção de grãos e o incremento das vendas de máquinas agrícolas.

O levantamento denominado O agro gaúcho: quem é o produtor que movimenta o Rio Grande do Sul demonstra que a maioria dos representantes do agronegócio possui alto índice de escolaridade e já incorpora em suas atividades diárias muitos avanços tecnológicos da era digital. A melhor formação desta terceira geração familiar dedicada ao setor rural tem relação direta com o uso mais intenso de recursos tecnológicos que elevam a produtividade, reduzem custos, melhoram a qualidade dos produtos e - o mais importante - ajudam a preservar o meio ambiente.

Seis em cada 10 produtores ouvidos pelos pesquisadores já utilizam algum tipo de tecnologia que até pouco tempo atrás era impensável no meio rural. Usam, por exemplo, o GPS para mapear suas propriedades e até drones que podem sobrevoar as lavouras e coletar dados em tempo real sobre o estado das plantas, a umidade do solo e a presença de pragas. A quase totalidade faz uso da internet como ferramenta essencial para a administração do negócio.

O levantamento também mostra que 80% desses produtores modernos frequentam rotineiramente feiras e exposições do setor, em busca de atualização e de novos negócios. Nesse contexto de evolução, nove em cada 10 manifestam disposição de continuar trabalhando e investindo no campo, o que aumenta a perspectiva de recuperação e de crescimento da principal atividade econômica do Estado.

Do ponto de vista ambiental, a nova mentalidade do gaúcho rural é igualmente promissora. Todos os ouvidos utilizam alguma técnica de sustentabilidade, sendo as mais conhecidas: plantio direto (71%), rotação de culturas (57%), controle biológico de pragas (44%) e integração lavoura/pecuária/floresta (37%). As técnicas de plantio agroflorestal, como se sabe, preservam as árvores e contribuem para o desenvolvimento sustentável, com preservação e recuperação do solo.

A mentalidade inovadora dos produtores gaúchos, detectada pela pesquisa, certamente está contribuindo para a rápida recuperação da atividade agropecuária, como mostram as estimativas da produção de grãos apresentadas pela Emater na Expointer. De acordo com a previsão, a próxima safra de verão terá alta de 16,9% em relação ao ciclo passado, que, embora tenha sido comprometido pela enchente, seria recorde no Estado. Nesse contexto, cabe destacar também o trabalho prestimoso da Emater na pesquisa agropecuária, na formação e na orientação aos trabalhadores do campo para que as novas técnicas sejam bem aplicadas e contribuam efetivamente para o aumento da produtividade.


NOTICIAS

NOTICIAS

Corte de R$ 25,9 bi será baseado em pente-fino - Orçamento federal

Detalhamento da revisão foi apresentado ontem pela equipe econômica. Benefícios do INSS e BPC serão os mais atingidos. Bolsa Família terá "reprogramação"

O corte de R$ 25,9 bilhões em despesas no orçamento de 2025 do governo federal será baseado em pente-fino em programas sociais e previdenciários. Pouco mais da metade do valor (R$ 13,7 bilhões) virá da revisão cadastral do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e do Benefício de Prestação Continuada (BPC), voltado a idosos e pessoas de baixa renda com deficiência, e preocupa o governo pela forte trajetória de expansão.

A maior parte da economia prevista (R$ 7,3 bilhões) virá da revisão nos benefícios do INSS. Uma das ações elencadas é o uso de um sistema que incentiva a troca da perícia médica presencial pela análise documental eletrônica em casos de benefícios de curta duração. Em outra frente, estão previstas medidas cautelares e administrativas, que permitirão, por exemplo, a suspensão de benefícios com indícios de irregularidade.

No caso do BPC, a economia de R$ 6,4 bilhões se dará por meio da atualização do Cadastro Único e da reavaliação pericial. O governo pretende realizar até 800 mil perícias presenciais em BPC e no Benefício por Incapacidade Temporária, o antigo auxílio-doença, até dezembro.

Para o Benefício por Incapacidade Temporária, a expectativa é cortar R$ 3,2 bilhões no próximo ano a partir das perícias.

Segundo o secretário de Regime Geral de Previdência Social do Ministério da Previdência, Adroaldo da Cunha Portal, em um período de 45 dias foram realizadas 258 mil perícias, que resultaram em 133 mil cancelamentos de benefícios.

O governo também espera economia de R$ 3,7 bilhões devido às mudanças realizadas no desenho do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro). O programa funciona como uma espécie de seguro rural para pequenos e médios produtores e teve as suas normas alteradas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em abril.

Há, ainda, R$ 1,1 bilhão referentes ao seguro-defeso, benefício pago a pescadores artesanais e que será reformulado.

Além disso, o governo planeja uma "reprogramação" de despesas no Bolsa Família - que terá o mesmo orçamento de 2023 (R$ 166,3 bilhões), inferior ao deste ano (R$ 168,6 bilhões), por meio da revisão de cadastros - e nos gastos com pessoal, por meio do adiamento de concursos.

Sem medidas estruturais

Segundo o secretário-executivo do Ministério do Planejamento, Gustavo Guimarães, caso a revisão de gastos não tenha o resultado esperado, o governo será obrigado a fazer bloqueios e contingenciamentos, como já aconteceu neste ano:

- Se a gente tiver alguma dificuldade em fazer esse trabalho de revisão, se não estiver respondendo no momento da execução, vai acontecer algo semelhante ao que houve este ano, que é fazer contingenciamento ou bloqueio.

Questionado sobre a falta de medidas mais estruturais, que ataquem os gastos obrigatórios e deem sobrevida ao novo arcabouço fiscal, o secretário- executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, negou que o governo esteja inerte.

- O ministro (da Fazenda, Fernando) Haddad anunciou esse corte em julho, depois anunciamos um bloqueio. Então, as medidas estão ocorrendo. Claro que outras coisas precisam ser feitas e serão feitas - alegou. _


 

INFORME ESPECIAL-Rodrigo Lopes

A fumaça vai chegar ao RS?

Cidades no norte, centro-oeste e sudeste brasileiro têm sofrido nos últimos dias com incêndios e fumaça densa e carregada encobrindo o céu. As imagens chamam a atenção. As principais causas são a forte seca, queimadas - muitas até por ação humana - e, claro, das mudanças climáticas que nos trazem eventos extremos.

Mas qual a chance dessa fumaça chegar ao RS? O repórter Vitor Netto conversou com o professor e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Evolução da Biodiversidade da PUCRS Pedro Maria de Abreu Ferreira.

- Possível é. Dá para dizer que sim. Por que inclusive tem histórico, em 2020 e em 2022 também, já aconteceu de chegar a fumaça de incêndios dessa região e de outras também - afirma o professor.

Ferreira explica que o grau de intensidade da fumaça que pode chegar ao RS ainda não é possível de prever, já que depende de fatores climáticos.

- É importante falar que é bem possível (a chegada da fumaça), porque existe um corredor de circulação atmosférica que é comum. Isso é parte que traz a massa de ar que está lá na Amazônia na nossa direção. E, inclusive, esse movimento atmosférico é responsável por uma coisa bem importante, que é a chuva. Esse movimento natural move os chamados rios aéreos daquela região, trazendo ar úmido para o centro-oeste e aqui para o sul do Brasil.

Ele pondera que essa circulação atmosférica é chamada de Massa Equatorial Continental, que vem do Norte para o Sul. O movimento contrário seria a Massa Polar Atlântica, que inclusive leva o frio para o restante do país.

- A ideia é que a circulação atmosférica não é tão simples assim, pois envolve variações, então fica bem difícil de prever se vai vir ou não para o nosso sentido. Mas a configuração atual climática que se tem pode favorecer a vinda - comenta.

Setembro costuma ser conhecido como um mês chuvoso para o RS, como visto nos grandes índices no Vale do Taquari no ano passado. Diante da chuva e a chegada dessa massa de fumaça, apresenta-se um novo cenário.

- Em princípio, quando se tem essa configuração de fumaça vindo de outros lugares mais distantes e um volume de chuva, talvez o resultado final seja precipitar essa fumaça também. Se a massa de ar chegasse em uma época muito fria e seca, seria bem ruim, do ponto de vista de doenças respiratórias, de qualidade do ar. Se ela chegar aqui quando já tiver um pouco de chuva, seria menos pior, digamos assim - diz.

Caso realmente chegue a fumaça, explica o professor, a intensidade deve ser em menor escala.

- Se chegar, provavelmente vai ser num grau bem menor. O que vamos ter, muito provavelmente, é um problema maior dessa questão de ter o sol meio apagado pela fumaça. E talvez um eventual problema de saúde.

A neblina cinza vista em Porto Alegre nas últimas semanas pode ter relação com fumaça oriunda de queimadas do Centro, Norte e até de fora do país. 

O esforço de Israel

O dado se destaca porque revela que o esforço pelo resgate, por parte de Israel, não diferencia judeus e não judeus. Mas o fato de serem cidadãos israelenses. Há outros árabes-israelenses mantidos como reféns.

Alkadi é o oitavo refém a ser resgatado vivo em Gaza pelos militares israelenses desde o início da guerra, em quatro operações distintas - mas é o primeiro a ser resgatado vivo de dentro dos terríveis túneis do Hamas.

Há ainda 108 reféns, segundo o Fórum de Famílias de Reféns e Desaparecidos (Hostages and Missing Families Forum). Desses, o governo israelense acredita que cerca de 40 devem estar mortos - os corpos permanecem em Gaza. Ou seja, segundo essa hipótese, cerca de 70 ainda estariam vivos.

O ex-refém vive na comunidade beduína de Rahat, no sul de Israel. É casado com duas mulheres, conforme permitido pela fé islâmica, e tem 11 filhos. No trágico 7 de outubro, ele trabalhava como segurança no kibbutz Magen. _

Tecnologia no agro

A 47ª Expointer é uma chance para conhecer o que há de mais moderno em termos de tecnologia no agronegócio. A irrigação é um dos setores onde essa tecnologia já é aplicada.

Um exemplo: a IA utiliza a análise da temperatura das folhas para identificar a necessidade de água na lavoura. Esse conhecimento fica explícito na relação entre academia e empresas, e como a IA pode contribuir para a sucessão na gestão dos empreendimentos. _

Biometano e futuro

No Campo em Debate de hoje, o titular da coluna vai mediar o painel "Biometano e os Rumos da Transição Energética no RS". O encontro será às 14h na Casa RBS na Expointer, em Esteio.

O evento é uma realização da Sulgás e uma iniciativa Pra cima, Rio Grande, do Grupo RBS. Participam representantes da Farsul, Agergs, Secretaria de Meio Ambiente do RS, Bioo, Sebigás Cótica e Sulgás. _

INFORME ESPECIAL

quarta-feira, 28 de agosto de 2024


28 de Agosto de 2024
CARPINEJAR

O que posso ensinar para os filhos?

Analógico, egresso de Porto Alegre, do Rio Grande do Sul, guardo contundentes marcas culturais. Estou preso ao meu sotaque na alegria e na dor.

Já quem nasceu no período digital não tem um lugar específico de adoração. Qualquer lugar é lugar. É uma linhagem moldada pela adaptação, pela mobilidade, impactada pelos efeitos migratórios, pela imaterialidade das redes sociais. Você se conecta a todos os pontos e pessoas do mundo - o inglês é uma segunda língua. Você não precisa mais ter residência fixa, o que modificou o DNA das emoções.

Não posso dizer que no meu tempo era melhor. Posso apenas expor as diferenças, as formações distintas.

Eu fui criado com apego ao bairro, ao que acontecia com os meus vizinhos. As fofocas tinham preferência em detrimento das notícias. Quanto mais perto de mim, mais importante. Mal viajei quando pequeno. Em compensação, conhecia cada rua, cada beco como se fossem o mapa de minhas veias.

Eu mandava cartas de amor para as colegas de quem gostava. Esperava a resposta. Eu batia na porta de casa dos amigos sem saber se eles estariam ali. Hoje ninguém aguarda coisa alguma. Respostas são imediatas, resolvidas em segundos.

A nova geração não sofrerá como eu nas relações amorosas. Não arcará com fossa, amargura, dor de cotovelo. Não verá o tédio passar pela janela nem provará da gravidade lenta das horas. Pois existem novas oportunidades de convivência a cada avatar.

Tampouco se manterá presa à dinâmica de um bairro: não tem seu açougue, não tem seu supermercado, não tem sua padaria. Qualquer café é a chance de abrir o laptop ou acessar a internet com o celular. Não faz questão de se sentar à mesa no almoço ou no jantar. Come caminhando. É tudo portátil. Ou seja, o essencial é estar indo, estar ocupado.

Portanto, cheguei à conclusão do que devo ensinar aos filhos: a saudade. Porque eles não dispõem da saudade como matéria farta na rotina. O apego não é algo natural, orgânico.

Inventei assim o nosso dia da pizza, o nosso dia da galeteria, o nosso dia do churrasco. Vamos sempre para os mesmos restaurantes e pedimos sempre os mesmos pratos. Ocorre a fixação da memória a partir de cenas exaustivamente repetidas. Quando eles sentirem saudade de um desses locais, eles vão sentir também saudade de mim.

Levo os filhos para o estádio desde bebês de colo. Eles seguem frequentando as arquibancadas sem a minha presença. Encontrei um jeito de estar eternamente presente, como penetra em seus corações. Os avós são as raízes. Na condição de pai, pertenço aos galhos. E os filhos são as folhas.

Os avós não largam seu lar, com uma dedicação para a vida inteira, por isso representam as raízes. Eu permaneço entre duas dimensões. Como galho, sou ainda madeira, mas me localizo no alto.

Já as folhas podem voar com vento forte, podem correr pelo chão, podem se desvincular da árvore, podem desaparecer ao longe. Meu papel é fazer a folha continuar se enxergando como parte do tronco, embora presa por um frágil caule. Que ela não esqueça a sua origem. _

Cheguei à conclusão do que devo ensinar aos filhos: a saudade. Porque eles não dispõem dela como matéria farta na rotina

CARPINEJAR


28 de Agosto de 2024
MÁRIO CORSO

Homens versus lobos

O provérbio "o homem é o lobo do homem" tem um sentido explícito: nós podemos ser muito cruéis com nossos semelhantes. A versão original, homo homini lupus, vem do dramaturgo romano Plauto. Quem a popularizou foi o filósofo inglês Thomas Hobbes, que tinha um olhar crítico quanto à autodestrutividade humana.

A verdade que a frase traz, para quem conhece o mundo, mesmo que minimamente, é indiscutível. O lobo, neste caso, tem o significado de fera, do animal que podemos ser contra outro humano. Usamos a selvageria da natureza como símbolo do mal, para contrapor à humanidade e seus valores.

Na mitologia sobre o lobo, entra o cão, sua versão doméstica. Enquanto o cachorro nos protege, seu contraponto selvagem nos ataca. Por isso essa espécie, em suas duas faces, boa e má, se presta aos contos de fada e lendas do folclore.

O cão, produto da domesticação do lobo há pelo menos ao redor de 20 mil anos, é o nosso melhor amigo. A contraparte é duvidosa, nós não somos tão bons como amigos deles. Veja, é raro um cão nos abandonar, mas nós abandoná-los é trivial. Sem falar quanto à criação de raças pela estética, sem consideração à saúde deles. Um exemplo entre muitos, um dachshund (os salsichas, como são conhecidos), por ter aquele corpo longo de mustelídeo, tem problema crônico de coluna.

O provérbio acima parte da ideia de que os humanos são moralmente melhores do que os lobos. Será? Longe de achar que eles são uma espécie exemplar, os lobos acasalam para sempre, o macho cuida ativamente dos filhotes. Os lobos nunca matam suas fêmeas. Na disputa pelo poder, o vencedor não mata seu rival. Não há mortes dentro de uma alcateia, a menos que seja um indivíduo mortalmente ferido, uma morte por misericórdia. Os lobos são sempre leais em relação ao seu grupo.

Como uma espécie que ocasionalmente mata suas mulheres, seus parentes, abandona seus pais, companheiros e filhos pode se julgar moralmente superior? Os lobos são melhores entre si do que nós com nossos semelhantes.

Não é o lobo que devia estar no provérbio. Sinceramente, conhecendo de perto a maldade humana, nem precisamos de um animal, a frase do provérbio bem poderia ser: o homem é o homem do homem. _

MÁRIO CORSO

28 de Agosto de 2024
EDITORIAL

O Brasil em chamas

Vários Estados brasileiros estão sendo atingidos por uma onda avassaladora de incêndios que já causam estragos sem precedentes em áreas rurais e urbanas, com vítimas humanas e animais, ameaças à saúde pública, destruição de biomas, de plantações e até da infraestrutura urbana. A situação é tão alarmante que o governo federal está enviando ajuda e reforços de brigadistas para combater o fogo nas regiões mais atingidas, além de ter determinado rigorosa investigação por parte do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) e da Polícia Federal. 

Na maioria dos casos, já se sabe, as chamas têm sido provocadas por ação humana, originano-se de queimadas destinadas ao desmatamento e à limpeza de áreas para o plantio, embora haja também a suspeita de incêndios criminosos até com motivações políticas.

De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), entre 1º de janeiro e o último domingo, foram registrados 107.133 focos de queimadas no país, 75% a mais em relação ao mesmo período de 2023. Todos os Estados brasileiros têm sido atingidos pelo fenômeno, embora chame mais atenção as grandes áreas devastadas na Amazônia, no Pantanal e, mais recentemente, em diversas cidades de São Paulo. Mesmo o Rio Grande do Sul, que ultimamente tem sofrido mais com inundações do que com a seca, ocupa uma colocação intermediária no ranking do Inpe, com mais de 1,1 mil focos de incêndios durante o ano.

Ainda que as investigações policiais devam prosseguir com o rigor necessário, o grande vilão deste desastre ecológico nacional já foi suficientemente identificado pela ciência e atende pelo nome de "mudanças climáticas". O clima seco e quente, resultante do desmatamento e da emissão de gases que formam o aquecimento global, associado ao regime de ventos formam o ambiente ideal para a propagação das chamas, que até podem surgir de forma espontânea, mas, invariavelmente, têm sido originadas pela ganância, pela ignorância e pelo descaso criminoso de seres humanos com a natureza. 

É o que se percebe na ação de irresponsáveis, grileiros e garimpeiros que destroem propositadamente imensas áreas de campos e florestas motivados por interesses econômicos. Em muitos casos, a intenção é a renovação de pastos, a eliminação de vegetação rasteira e a retirada de madeira para a comercialização, mas a perda de controle das chamas acaba causando danos ambientais irreversíveis.

Além do combate pontual aos incêndios acidentais e criminosos, como acaba de fazer o governo de São Paulo para conter uma onda de destruição que atingiu quase meia centena de municípios daquele Estado, é impositivo que as autoridades e os órgãos públicos especializados se concentrem mais na prevenção, especialmente nas áreas mais afetadas pela seca. Nesta condição, de acordo com o Sistema Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), encontram-se atualmente mais de 3,8 mil municípios do país - o que exige monitoramento constante por parte dos governantes, orientação adequada às populações e repressão implacável aos criminosos. 


28 de Agosto de 2024
CAMPO E LAVOURA - Gisele Loeblein

CAMPO e lavoura com Carolina Pastl

O efeito da catástrofe sobre a safra

Por mais que o solo não "fale" com a gente, nos dá sinais.

Maurício de Bortoli

Gerente técnico da Sementes Aurora e CEO da De Bortoli Consultoria Agronômica, ao falar sobre a atenção que o produtor tem de ter com o solo

O levantamento inicial da safra 2024/2025 apresentado pela Emater na Expointer aponta para um cenário de retomada depois de três safras consecutivas sob impacto dos efeitos climáticos - primeiro a estiagem e, por último, a cheia. A colheita de 35,07 milhões de toneladas representa avanço de 16,9% em relação ao ciclo passado. Há perspectiva de crescimento em todas as culturas de verão, com a soja podendo chegar a 21,65 milhões de toneladas, avanço de 18,6%.

Nessa perspectiva otimista há que se fazer algumas ponderações. Os números, como explica o diretor técnico da Emater, Claudinei Baldissera, refletem uma tendência calculada a partir das produtividades médias dos últimos 10 anos. O que significa que ainda não carregam o impacto da catástrofe vivida neste ano no Estado:

A gente consegue projetar algo (dos efeitos) mais adiante, quando realizada a colheita.

Outro ponto a ser considerado é o de que as regiões de maior peso na produção gaúcha de grãos, embora afetadas, têm uma severidade de dano menor, em relação a outros locais, como a região dos vales.

O que não quer dizer que a próxima colheita passará incólume aos danos causados pela enxurrada. Um dos pontos de maior atenção é justamente o solo. Á água da cheia levou mais do que porções de terra e nutrientes: limitou o potencial produtivo das lavouras. Os resultados devem ser positivos, mas poderiam ter um alcance maior.

- O que essa catástrofe tem de diferente é que levou não só a produção, mas a capacidade produtiva - pontua Geomar Corassa, gerente de Pesquisa e Tecnologia da CCGL e coordenador da Rede Técnica Cooperativa (RTC).

A Reconstrução do Solo no Pós-Enchente no Rio Grande do Sul foi tema de debate na Casa da Cotribá, na Expointer. _

Lançada na Expointer, a 35ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas já tem data para ocorrer em 2025. Será entre 18 e 20 de fevereiro, na Estação Terras Baixas da Embrapa Clima Temperado, em Capão do Leão.

R$ 2,3870

é o valor de referência do leite a ser pago pela indústria ao produtor projetado em agosto. O número divulgado pelo Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Rio Grande do Sul (Conseleite) durante a Expointer é 0,05% maior do que o consolidado em julho.

Carne de búfalo conquista público

E a ideia deu "muito certo", contou a presidente da entidade, Desireé Möller:

- Em menos de uma hora, não tinha mais carne. Foi incrível.

Ainda que tenha chamado a atenção na feira, preparar churrascos da proteína a um grande público já faz parte do trabalho de divulgação da Ascribu. De acordo com Desireé, já foram assadas 18 carcaças: 15 no Estado, duas na Argentina e uma em Minas Gerais.

Na Expointer, os búfalos estão representados por 34 animais das raças murrah e mediterrânea. _

no radar

Hoje, a partir das 10h, a Casa RBS no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, recebe mais um Campo em Debate durante esta Expointer: o da Agricultura Familiar e as Mudanças Climáticas. A realização é da Fiat. Uma iniciativa Pra cima, Rio Grande.

CAMPO E LAVOURA

28 de Agosto de 2024
NOTICIAS

Venezuela prende 120 menores, afirmam ONGs

Eleição questionada

Detenções ocorreram em meio à crise deflagrada após a contestada proclamação da vitória de Nicolás Maduro na disputa presidencial

Ao menos 120 menores foram presos pelas forças de segurança da Venezuela desde que foi proclamada a reeleição do presidente Nicolás Maduro, no fim de julho, sob fortes contestações da comunidade internacional. A informação é de organizações de defesa de direitos humanos.

Os menores são acusados de terrorismo. Cerca de cem permanecem detidos, em instalações de detenção juvenil, sob estrito controle militar.

Há relatos de que alguns teriam sido forçados a segurar uma foto de Maduro e pronunciar a expressão "Chávez vive", em referência ao ex-presidente Hugo Chávez, morto em 2013.

Cerca de 1,6 mil pessoas foram presas no país após a eleição. Parte delas foi detida durante protestos, enquanto outras teriam sido levadas de suas residências no meio da noite - em alguns casos, sem mandado.

Uma situação contada pelo jornal norte-americano Washington Post e reproduzida pelo brasileiro O Estado de S. Paulo é a de um jovem de 15 anos que, segundo relato, teve a casa invadida por 17 oficiais militares de madrugada, foi algemado e arrastado para uma van. Ficou 20 dias preso e foi impedido de receber visita de familiares por uma semana. A mãe e o irmão dele, de cinco anos, passaram a noite na cadeia.

O adolescente também afirmou ter sido espancado durante os dias de detenção.

- As forças de segurança estão detendo pessoas a uma velocidade que nós nunca tínhamos visto na história recente da Venezuela - afirmou a diretora para as Américas da ONG Human Rights Watch, Juanita Goebertus:

- Não se trata apenas de repressão contra manifestantes. Há uma caça às bruxas total contra qualquer um que ouse criticar o governo.

Pressão

Na semana passada, o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Venezuela, dominado pelo chavismo, ratificou a vitória de Maduro. A comunidade internacional, porém, segue pressionando para que sejam divulgadas as atas eleitorais, o que não ocorreu até agora. _

Lula pede novo pleito e rebate Daniel Ortega

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender a realização de novas eleições na Venezuela e também criticou o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, que rompeu relações diplomáticas com o Brasil, em uma reunião com líderes da Câmara na noite de segunda-feira.

Lula leu para os deputados a carta que escreveu com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, sobre a situação venezuelana, na qual cobram a divulgação das atas eleitorais. Logo depois, disse que, se fosse Nicolás Maduro, convocaria novo pleito. O brasileiro destacou que o chavista ainda tem tempo para fazer isso. Governo e oposição rejeitam a ideia.

Ao citar Ortega, Lula afirmou que não ir a um evento não é motivo para retaliação. A Nicarágua anunciou no início de agosto a expulsão do embaixador brasileiro Breno Dias da Costa após deixar de comparecer ao aniversário de 45 anos da revolução sandinista.

Ainda sobre a Nicarágua, Lula disse que seria a mesma coisa se o Brasil expulssasse embaixadores que não comparecessem às celebrações do 7 de Setembro.

Ortega, que já foi aliado de Lula, chamou de "vergonhosa" a posição do brasileiro sobre a Venezuela e o acusou de querer ser o "representante dos ianques" na América Latina, em referência aos EUA. A fala ocorreu na segunda-feira, em videoconferência da cúpula da Aliança Bolivariana para os Povos da América. 


28 de Agosto de 2024
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

Bolsonarismo 2.0

Pablo Marçal, o candidato à prefeitura de São Paulo pelo PRTB, faz Donald Trump ou Jair Bolsonaro parecerem atores políticos do paleolítico das redes sociais. Ele representa o trumpismo/bolsonarismo 2.0. Se os ex-presidentes atraíam exércitos de militantes para atuarem em suas redes sociais, Marçal torna o "trabalho" dos seguidores uma competição em que ganhar dinheiro é quase uma diversão: o ex-coach/empresário convoca seus fãs a se ocuparem de sua candidatura tanto por meio de torneios pelos melhores cortes, segundo denúncia que levou a Justiça a decidir pela retirada do ar de seus perfis, quanto com o aproveitamento do mecanismo do algoritmo que engaja pela emoção, pelo conflito e, claro, pelo bizarro.

Mais do que o uso de recortes de vídeos, linguagem mais orgânica das redes atuais, Marçal adota outro modelo de mídias como TikTok e Instagram: a trollagem, a provocação calibrada do adversário para despertar reação - se for violenta, melhor, até porque, certamente, será captada por alguém do Big Brother da vida política atual.

Tamanho gingado para lidar com as redes sociais abre uma disputa sobre quem representa, de verdade, a bandeira da direita: o bolsonarismo oficial tem em Ricardo Nunes seu representante na capital paulista, e em Marçal, o dissidente. Todos alimentam-se do antipetismo em particular e da anti-esquerda em geral. Por enquanto, a guerra fratricida no conservadorismo está restrita a São Paulo, mas, em breve, deve se nacionalizar. _

"Não é uma fala honesta", diz Zelensky sobre Lula

Em viagem à Ucrânia, Luciano Huck está produzindo um documentário que será exibido pela Globoplay sobre a guerra entre o país e a Rússia. Em entrevista ao apresentador, o presidente Volodimir Zelensky disse que a frase de Lula, segundo o qual "não há razão para procurar culpado na guerra", seria "retórica e não honesta". Ele acrescentou que todos sabem quem iniciou o conflito. _

Retrato altivo das estrelas da feira

Na ensolarada manhã de ontem, era possível ouvir à distância os gritos de comemoração ecoando pelo Parque de Exposições Assis Brasil à medida que alguns dos grandes campeões da 47ª Expointer eram anunciados. A premiação é fruto da relação de respeito, orgulho e dedicação entre homem e animal.

Nesta edição, são 3,4 mil animais de argola, número que representa um pouco menos de um ponto percentual abaixo da edição passada.

Reconstruir melhor

Deveria ser um mantra dos gestores públicos do Estado: reconstruir melhor. Uma amostra de que é possível equilibrar desenvolvimento econômico e respeito ao ambiente foi dada ontem, no painel "Um caminho sustentável para a retomada da economia gaúcha", na Casa RBS, na Expointer.

Essa rota passa por respeito às comunidades onde as empresas atuam e um propósito, sem que o sol seja tapado com a peneira diante dos gargalos logísticos.

Participaram do debate Augusto Robert, diretor de assuntos corporativos da CMPC Brasil; Cristiano Klinger, presidente da Portos RS; Daniel Chies, presidente da Associação Gaúcha de Empresas Florestais (Ageflor); e Domingos Velho Lopes, vice- presidente da Farsul. _

Expointer e IA

O titular da coluna vai mediar hoje o painel "O agro na era da inteligência artificial" no Campo em Debate, na Casa RBS, na Expointer, às 16h30min. Realização: Ulbra. Uma iniciativa Pra cima, Rio Grande, Grupo RBS. 

INFORME ESPECIAL

terça-feira, 27 de agosto de 2024


27 de Agosto de 2024
CARPINEJAR

Azaração

Fui limpar o aposento da bagunça. Maquiar o lugar, na verdade. O caos ali é irreversível. Entre caixas e tralhas arrastadas, achei meus documentos e livros do primeiro grau, vulgo Ensino Fundamental. Não resisti. Espiei o interior das pastas. A faxina, que deveria demorar meia hora, durou cinco horas.

Sentei no chão e folheei as agendas com desenhos de piratas, caveiras e corações para as meninas. E uma pergunta escrita com a minha letra adolescente saltou aos olhos: quem eu queria azarar na escola? "Azarar" significava namorar nos anos 70 e 80. Transcorridas décadas, com a distância da saudade, a definição me pareceu um tanto estranha para aquele propósito: você azarava alguém.

Azaração, que batismo curioso para expressar algo tão bom, para retratar um namoro. Você xavecava para azarar. Podemos estabelecer uma cadeia retroativa das nossas gírias da paixão. Hoje a expressão dominante é "date", "fazer um date". Refere-se a um encontro, à ideia de espaço individual, de consenso entre ambos os interessados.

Nos anos 2000, você ficava com alguém. "Ficar" diz respeito ao fluxo do tempo, à duração passageira do enlace. Nos anos 90, a tradição era "pegar". Você pegava uma pessoa, num ato de movimento, de captura. Já "azarar" traz uma consequência do relacionamento. Existe uma mudança de costumes exposta nesse nosso histórico emocional.

Pulamos da consequência para a ação, da ação para a passagem temporal, e desembocamos no respeito. Atualmente nós priorizamos não invadir o território do outro. "Azarar" guarda relação direta com a natureza moral da época. Com o entendimento do amor como infortúnio, como desastre, como fatalidade. Um amor maldito.

Também percebo humor na nominação, ares de autocrítica, em contraposição ao peso de uma realidade sufocante, insalubre e nada agradável. Não se desejava namorar deliberadamente. Apaixonar-se era um azar na vida, uma inevitável perda de liberdade. Tentava-se fugir de compromisso sério, de casamento com todas as forças - a moda de morar junto sem casar veio depois.

Predominava a noção de que formar família impediria crescimento pessoal e profissional, especialmente para as mulheres, condicionadas a procriar e ser sustentadas pelos maridos, confinadas pelo machismo a permanecer cuidando do lar. Dói refletir sobre o que disfarçávamos com o rótulo engraçado. O divórcio no país só foi legalizado em 1977. Os separados acabavam malvistos pela sociedade, lutando contra o estigma da rejeição.

Talvez tivéssemos a consciência da precariedade dos laços. Recordo ainda que havia um quê de heroísmo masoquista nos romances. Muitos de nós gostávamos de sofrer mais do que de amar. Mergulhávamos em fossas infindáveis, chorávamos no escuro do quarto por términos precoces, vivíamos longos lutos quando recebíamos um fora, madrugávamos em bares resmungando nossas tristezas aos garçons.

O fim da ilusão tinha gosto de Drury?s.

Tanto é que foi o período com a melhor discografia para a dor de cotovelo. Whitney Houston que o diga. Maria Bethânia que o diga. Lionel Richie que o diga. Roupa Nova que o diga. Havia um quê de heroísmo masoquista nos romances. Muitos de nós gostávamos de sofrer mais do que de amar

CARPINEJAR


27 de Agosto de 2024
NÍLSON SOUZA

A origem dos golpes

A notícia nem causou muito espanto, mas deveria ter causado. Há duas semanas, uma pesquisa realizada pelo instituto Datafolha e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelou que, em 12 meses, o Brasil registrou 4.678 casos por hora - vejam bem, por hora - de tentativas de golpe via aplicativo de mensagem ou ligação telefônica.

Quem usa celular sabe bem como é. As mensagens e ligações chegam a todo momento, com tudo que é tipo de isca: a compra que você não fez, a central de atendimento que quer te ajudar, o saque bancário com seu nome, CPF e número da conta, o Pix encaminhado por engano para sua chave, um repertório imenso, variado e criativo de fraudes.

Considerando-se a velha lei da oferta e da procura, é evidente que muitas pessoas caem nessas armadilhas. E não dá para ficar culpando as vítimas. Os criminosos são cada vez mais profissionais, articulados e convincentes. E contam com a ingenuidade e o desconhecimento tecnológico de parcela expressiva dos usuários dos meios digitais.

O primeiro ponto que chama a atenção nesse tsunami de vigarices é a quantidade de golpistas em atividade no país. Desafio gigantesco para governos e para a sociedade: como nunca vai haver cadeia para tanta gente (na suposição fantasiosa de que poderiam ser presos), só resta pensar em educação para a honestidade, complementada por mais oportunidades e menos desigualdades sociais. Doce ilusão!

Segundo ponto: se as plataformas digitais controladoras do tráfego estratosférico de informações podem ser responsabilizadas pela divulgação de notícias falsas e difamações, como exigem as novas legislações, não deveriam também reparar os prejuízos causados aos seus usuários pelos golpistas?

E aqui chego ao terceiro ponto, que considero o mais intrigante. Com tantos avanços tecnológicos, onde estão os rastreadores instantâneos para localizar os fraudadores? As ligações e mensagens vêm de algum emissor. Mesmo os robôs que disparam milhares de mensagens por segundo devem ter o endereço de IP (Protocolo de Rede), que é o CPF deles.

Será que não existe um Aríete Digital para a polícia derrubar a porta do bunker desses criminosos? _

NÍLSON SOUZA


27 DE AGOSTO DE 2024
EDITORIAL

EDITORIAL

Liberando a pista

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) deu um passo importante para a reabertura do aeroporto Salgado Filho ao aprovar em caráter cautelar, na última sexta-feira, o repasse de R$ 426 milhões à Fraport para as obras de recuperação da pista e de reconstrução da infraestrutura afetada pela enchente de maio. O reconhecimento da agência reguladora ao reequilíbrio econômico-financeiro do contrato com a concessionária tem o efeito adicional de devolver sensatez ao debate em torno de concessões de serviços públicos, superando um certo ranço ideológico de alguns setores políticos, especialmente das alas mais radicais da atual administração federal. 

A compreensão de que os investidores externos são empreendedores - e não apenas exploradores - é fundamental para a segurança jurídica de parcerias público-privadas necessárias ao desenvolvimento do país.

Ainda há muito caminho pela frente para que o aeroporto de Porto Alegre retome o movimento anterior ao seu fechamento. Em primeiro lugar, é preciso que a medida cautelar seja analisada com brevidade pelo Ministério de Portos e Aeroportos para que o governo edite a medida provisória de liberação dos recursos por meio de crédito extraordinário. Mas a remoção das primeiras barreiras políticas já merece ser comemorada.

Pode haver discussão sobre valores e méritos, mas não sobre a importância do funcionamento pleno do terminal para a reconstrução do Estado. O governo gaúcho estima que o fechamento até dezembro, como está previsto no cronograma da Fraport, poderá impactar o Produto Interno Bruto do Estado em 0,5% neste ano - um prejuízo significativo para os setores econômicos mais afetados. Só o turismo pode perder mais de R$ 1,4 bilhão em 2024. 

O bom serviço prestado pela Base Aérea de Canoas é insuficiente para compensar a redução de tráfego aéreo no Estado. Antes das cheias, o Rio Grande do Sul tinha uma média de 2,8 mil voos mensais, sendo 2,4 mil registrados no aeroporto da Capital. O mês passado foi encerrado com menos de 400 voos realizados.

Diante de tal realidade, ganha relevância a decisão da Anac sobre a liberação antecipada dos recursos requeridos pela Fraport. Espera-se, agora, que a empresa concessionária ofereça como contrapartida não apenas mais celeridade na execução das obras como também informações mais precisas para os usuários, que se ressentem dessa comunicação para fazerem suas previsões de viagens e negócios.

Também é desejável que a empresa alemã dê total transparência sobre seu contrato com a seguradora responsável pela mitigação dos danos ao seu patrimônio, pois, para liberar recursos públicos, o governo federal precisa ter certeza de que terá ressarcimento parcial ou total desses valores. Afinal, trata-se de um novo investimento, que sequer fazia parte das previsões orçamentárias.

Além disso, como sugeriu o relator da medida cautelar que destravou a renegociação, governo e concessionários precisam fazer uma revisão geral de seus contratos para incluir cláusulas de proteção contra eventos climáticos extremos - que, de acordo com a ciência, se tornarão cada vez mais frequentes em nosso país. 


27 de Agosto de 2024
GPS DA ECONOMIA - Marta Sfredo

Ainda sem consenso sobre alta do juro

Ainda não há "consenso de mercado" para aumento de juro básico, nem na reunião do próximo mês do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) nem nas outras duas restantes no ano. Nenhuma das duas hipóteses aparece nas projeções medianas (mais frequentes) do Relatório Focus, publicado ontem - como toda segunda-feira - pelo BC após consultas a cerca de uma centena de economistas.

Na edição mais recente, a projeção dominante para a Selic segue nos 10,5% para este ano e em 10% para 2025. Houve mudança para 2026, subindo de 9% para 9,5%. Mas ainda há três edições do Focus pela frente até a reunião decisiva que se encerra em 18 de setembro.

Assim como afirmou à coluna o economista-chefe do BV (Banco Votorantim), Roberto Padovani, outros profissionais e instituições financeiras já revisaram as projeções, mesmo diante do anúncio antecipado de que o Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) vai cortar o seu. Projetam alta do juro já em setembro casas como XP, ASA e Legacy. A XP projeta taxa básica de 12% ao final do novo ciclo de alta.

Gabriel Galípolo, virtual sucessor de Roberto Campos Neto na presidência do BC, insiste que a alta de juro é, sim, uma decisão que "está sobre a mesa". Nestes termos:

- Na minha interpretação, posição difícil para o BC não é ter de subir juros. Posição difícil é inflação fora da meta, que é uma situação desconfortável. Subir juros é uma situação cotidiana para quem está no BC.

Vêm aí duas semanas e meia de alta especulação sobre a decisão do Copom no dia 18 de setembro. _

PIB e inflação

O Focus trouxe mudança nas projeções de aumento do PIB para este ano. A mediana foi de 2,23% para 2,24%. Para a inflação, foi de 4,22% para 4,25%. O problema é que é essa combinação de crescimento maior com inflação mais alta que tem provocado recalibragens na previsão da Selic pelo mercado financeiro.

Ações da Petrobras dispararam ontem: as ordinárias fecharam em alta de 8,96% e as preferenciais, de 7,26%. O valor de mercado subiu, em um só dia, R$ 41,3 bilhões. O embalo veio do petróleo e de recomendação da Morgan Stanley.

Grilo vai pular longe

Depois de se concentrar apenas em parcerias com empresas, a startup de mobilidade Grilo vai dar seus primeiros "pulos" - como chama as corridas - na Região Metropolitana.

A empresa opera em colaboração com a Panvel. Agora, os triciclos elétricos da Grilo também vão se dedicar a entregas de uma loja da rede em Canoas, que atende os bairros Nossa Senhora das Graças, Guajuviras, Igara, Niterói e Estância Velha. A operação da Panvel em São Paulo também recebe reforço de triciclos elétricos neste mês. _

Rede externa para captar depósitos

Clientes do Banrisul agora podem fazer depósitos em dinheiro, sem necessidade de envelopes, em caixas eletrônicos do Banco24Horas identificados com essa função.

A rede que facilita acesso a instituições financeiras tem 179 equipamentos do tipo no Estado. Até agora, depósitos de correntistas do Banrisul só eram feitos em agências, correspondentes bancários e na rede Saque e Pague.

Na operação, as notas são automaticamente contadas, e o valor é liberado na mesma hora na conta de destino. 

Petróleo sobe com risco de conflito

Embora tenham repetido o roteiro de troca de fogo calibrado que tem marcado a região desde o início da guerra entre Israel e Hamas, os ataques e contra-ataques que envolvem o Hezbollah provocaram forte alta na cotação do petróleo. O contrato do barril do tipo brent para entrega em outubro subiu 2,95% ontem na bolsa de Londres, para US$ 81,43.

Mas a alta não fez - ao menos até agora - o preço voltar aos níveis do início de julho, que chegaram perto dos US$ 90, em sinal de reconhecimento da contenção. A cotação do petróleo tipo brent havia despencado em julho, por força da desvalorização de matérias-primas básicas (commodities).

GPS DA ECONOMIA

27 de Agosto de 2024
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Política e poder

Mistura explosiva para explicar incêndios

Uma seca sem precedentes, com temperaturas recordes para o mês de agosto, não é suficiente para explicar a proliferação de incêndios no Centro-Oeste, no Sudeste e no Norte do Brasil. A mistura explosiva contém mais dois ingredientes altamente inflamáveis: a política e o crime (organizado ou praticado por bandidos a serviço de interesses impublicáveis).

Quem acompanha a previsão do tempo sabe que o ar seco e a falta de chuva têm predominado em metade dos Estados brasileiros, o que seria suficiente para explicar incêndios acidentais.

Nos últimos dias, surgiram indícios de que a culpa não é só das mudanças climáticas: há suspeita de queimadas criminosas, em alguns casos para cultivo da terra, em outros motivadas por ideologia, o que exige apuração minuciosa para não incorrer no risco da leviandade. Onde entraria a ideologia? Na tentativa de responsabilizar o governo, usando as redes sociais.

Indícios de ações criminosas coordenadas

Em Goiás, a Polícia Civil prendeu um suspeito de atear fogo em fazendas, em troca de R$ 300. O suspeito confessou o crime e disse que agiu a mando de um homem chamado Rogério. Uma onda de incêndios simultâneos no interior de São Paulo deixou 48 cidades em estado de alerta para queimadas.

O presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, levantou a suspeita de que os incêndios tenham sido criminosos, mas não avançou em relação à motivação dos delitos:

- O fogo não surge de forma espontânea. Acompanhando as imagens de satélite, nenhum incêndio nas últimas semanas aconteceu por conta de um raio. Todos os incêndios são causados por ação humana, em alguns casos por acidente ou descuido. Mas o que a gente vem observando é que a maior parte dos incêndios no Brasil acontece porque alguém coloca esse fogo.

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, disse que o governo investiga se esses episódios são semelhantes ao "dia do fogo", quando incêndios florestais foram provocados por criminosos em agosto de 2019 nos municípios de Altamira e Novo Progresso, Pará. _

Seja qual for o governo, para conter as queimadas é necessário reforçar a estrutura de fiscalização e trabalhar com as polícias dos Estados, o Ministério Público e o Judiciário para identificar e punir os criminosos.

Novo helicóptero para resgates

Por que só Tabata desafia Marçal

O Ministério Público do Rio Grande do Sul vai destinar R$ 26 milhões do Fundo para Reconstituição de Bens Lesados para a compra de um helicóptero a ser usado em resgates pela Secretaria da Segurança Pública.

Esse fundo é destinado a ressarcir a coletividade por danos causados ao meio ambiente, ao consumidor, à economia popular, à ordem urbanística, à ordem econômica, ao patrimônio público, à honra e à dignidade de grupos raciais, étnicos e religiosos, entre outros. _

Ontem, Tabata publicou mais um dos seus vídeos didáticos, mostrando as contradições de Marçal. Na forma, o vídeo é uma produção quase caseira. No conteúdo, tem o peso das perguntas incômodas, uma delas é "de onde vem o dinheiro"? No caso, o dinheiro com o qual ele paga seguidores para divulgarem seus vídeos ou os advogados que recorreram e o livraram da cadeia. _

Na rota da cooperação

Pimenta definiu a conversa como "serena e produtiva":

- Nossa preocupação é acelerar as obras. Ele deu sugestões, eu dei outras. Agora nossas equipes técnicas vão validar as ideias e já no próximo encontro deveremos anunciar as próximas etapas do trabalho. _

POLÍTICA E PODER

27 de Agosto de 2024
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

Guaíba e arroios terão 10 novos sensores de nível

Depois de enfrentar sua maior tragédia climática, em maio, Porto Alegre irá contar com 10 novos sensores para medir o nível do Guaíba e dos arroios da cidade. Atualmente, existe apenas uma régua de medição do lago que banha a Capital, localizada próximo à Usina do Gasômetro e operada pelo governo do Estado.

A partir da instalação dos novos instrumentos, a Capital contará, ao todo, com 11 aparelhos - esses novos serão operados pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus). Os instrumentos, mais modernos, serão contratados da empresa Helper, que vai fazer a manutenção.

Os pontos onde serão instalados ainda são debatidos pelo secretário Germano Bremm com os técnicos da secretaria e a Defesa Civil municipal. Os locais devem ser anunciados amanhã. Além do Guaíba, importantes cursos d?água, como o Arroio Dilúvio e os localizados na Zona Norte devem ser contemplados.

- Estávamos muito dependentes de órgãos estadual e federal e teve uma série de imprecisões na enchente. A chuva atinge a cidade, e, por isso, a gente evolui com essa tecnologia que identifica o risco e faz alerta de forma automática para o centro de monitoramento que estamos construindo na secretaria - explicou Bremm à coluna.

Além dos equipamentos de medição do Guaíba e arroios, outros 10 aparelhos ficarão em terra. São sistemas com detector digital de vibrações (deslizamentos), medição de precipitação por sensor óptico (chuva), estações meteorológicas (temperatura, radiação solar, velocidade do vento), de alerta e câmeras. Nos aparelhos, haverá alto-falante, com capacidade de informar a população, por exemplo, para o caso de evacuação.

- Teremos uma maior precisão da quantidade de chuva, os índices pluviométricos e fluviométricos - disse Bremm.

O valor do investimento é de R$ 2,4 milhões, e a previsão de início das operações é novembro. A secretaria também está contratando um órgão para fazer um Plano de Preparação e Mitigação de Desastres Climáticos. A organização responsável será o Iclei, uma rede global que presta consultoria a Executivos municipais sobre desenvolvimento urbano sustentável. O contrato para a elaboração do plano é de R$ 350 mil.

O programa deve conter ações de prevenção, preparação, mitigação, e resposta a eventos extremos, como o estabelecimento de rotas de evacuação, realocação de pessoas, logística e mantimentos, por exemplo. As ações da secretaria atendem as recomendações do relatório feito por pesquisadores holandeses, que estiveram no Estado em junho para avaliar o sistema de proteção da Capital. _

Parece o RS, mas não é

A imagem é do fim de semana em Feni, cidade no sudeste de Bangladesh.

As inundações foram desencadeadas por fortes chuvas e mataram pelo menos 42 pessoas no país e na Índia, desde o início da semana.

Quase 300 mil bengalis refugiaram-se em abrigos de emergência.

De acordo com as previsões meteorológicas, é provável que as chuvas diminuam nos próximos dias. _

Memorial virtual da boate Kiss

A partir de hoje está disponível a plataforma que permite acesso virtual ao interior da boate Kiss, reconstruída por meio eletrônico em 3D. A ferramenta interativa, desenvolvida a pedido do MP-RS para as audiências do júri de 2021, permite conhecer a boate como era em 2013, percorrendo cada um dos ambientes, acompanhado de recursos multimídia. A plataforma está disponível em gzh.digital/memorialvituralkiss. _

Comissão analisará serviço de luz

A Comissão Especial para Analisar a Atuação da CEEE Equatorial e da RGE será instalada hoje na Casa da Assembleia na Expointer. O deputado Edivilson Brum (MDB), que propôs o fórum, será o presidente. O relator só será conhecido após a instalação.

Diferente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que convoca depoentes, a Comissão Especial convida os participantes. 

Painel debate sustentabilidade

Um caminho sustentável para a retomada da economia gaúcha é o tema do debate que a coluna mediará hoje às 9h30min na Casa RBS, na Expointer. Realização: CMPC. Uma iniciativa Pra Cima, Rio Grande, Grupo RBS. Haverá transmissão online ao vivo. _

INFORME ESPECIAL