24
de maio de 2013 | N° 17442
EDITORIAIS
ZH
A EDUCAÇÃO
DESAFIADA
Há
mais sinais para otimismo do que para desalento no Anuário Brasileiro da
Educação Básica, divulgado nesta semana, mesmo que o Brasil ainda tenha
desafios grandiosos no ensino formal. O documento elaborado pelo movimento
Todos pela Educação é uma ferramenta para que se compreenda a realidade da
educação num país com tantas diferenças e tão complexo. Assim, dados médios,
como alertam os organizadores, não podem induzir a conclusões apressadas, antes
de se considerarem as peculiaridades de áreas mais carentes do Norte e do
Nordeste.
Mas,
depois do alerta, a melhor conclusão do levantamento é a de que o Brasil está,
sim, avançando na educação básica, com aumento de matrículas, maior tempo de
permanência dos jovens na escola e melhoria na qualificação dos professores.
A
evolução dos indicadores ainda está aquém do esperado, mas ampliam-se
expectativas que eram tênues até bem pouco tempo. Um exemplo ressaltado: até
2005, apenas 56% dos jovens de 16 anos haviam concluído o Ensino Fundamental, e
em 2011 este número chegou a 65%. Há avanços na maioria das faixas, mas o ritmo
precisa ser acelerado, como observa a diretora executiva do movimento, Priscila
Cruz, em especial no cumprimento do que determina a emenda constitucional de
2009 que tornou a pré-escola parte da educação básica obrigatória.
Das
crianças de quatro e cinco anos, 18% estão fora da escola. É muito, na
comparação com países em estágio mais adiantado, mas o dado deve ser percebido
no contexto de uma realidade que foi ignorada por décadas por Estados e
prefeituras.
O
não atendimento da educação pré-escolar é, como enfatiza o documento, a grande
questão ainda não resolvida da universalização da educação no Brasil. A
adolescência fora do colégio também preocupa. São 1,6 milhão de jovens de 15 a
17 anos que não frequentam a escola, ou 15% da população dessa faixa etária. Na
lista de avanços, inclui-se a melhoria na formação do magistério, com 74% dos
educadores com graduação.
O
Anuário foi organizado de acordo com as metas definidas no Plano Nacional de
Educação, que listou objetivos a serem perseguidos até 2020, e por isso o
estudo contém também uma denúncia.
O
PNE foi enviado ao Congresso para que se transformasse em lei há dois anos e
meio. É uma proposta ainda intocada, como se o Brasil dos legisladores tivesse
outras prioridades à frente da educação. O que se manifesta, com o
engavetamento do Plano, é o total descaso com o tema.
Tanto
que o Anuário foi lançado no Senado, na tentativa de sensibilizar o Congresso
para uma realidade que a atividade parlamentar costuma tratar com desdém. Os 20
indicadores definidos são decisivos para a orientação das políticas públicas,
tanto da União quanto de Estados e municípios. Mas inúmeros dados do PNE já
estão desatualizados, pela incapacidade do Congresso de acompanhar os esforços
– inclusive do Executivo – pela melhoria da educação.
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