sábado, 17 de novembro de 2012



18 de novembro de 2012 | N° 17257
PAULO SANT’ANA

Mais livre preso do que solto

Assombram o Brasil atualmente várias desordens que terminam em assassinatos de policiais, de pessoas do povo e em incêndio de ônibus, em diversas cidades do país.

E o mais assombroso é que as autoridades afirmam que esses atentados são comandados de dentro dos presídios pelos detentos que cumprem pena ou detenção.

É incrível o que acontece: põe-se um indivíduo na cadeia, entre outros objetivos, para que ele deixe de se tornar perigoso atrás das grades.

E incrivelmente ele continua sendo mais perigoso lá dentro da prisão.

Um dos veículos mais importantes dessas desordens, portanto, vem a ser o telefone celular.

Antigamente, um preso não tinha como se comunicar com o mundo exterior, só o fazia pelas visitas ou por cartas.

Hoje, com o celular e o computador, o preso não tem liberdade de ação fora dos presídios, mas exerce influência total de comando sobre outros marginais em liberdade pelo celular.

E acontece, por exemplo, o seguinte, segundo o noticiário: um preso obriga um marginal que está livre a matar pelo menos seis policiais. Se não o fizer, os líderes da prisão irão em breve tomar providências para assassiná-lo. O medo, portanto, leva o marginal ameaçado a cumprir as sentenças emanadas da prisão.

Tudo tem sua origem naquela coisa que sempre falei nestes anos longos em que escrevo: as condições precárias e infamantes das prisões.

O que me deixa estupefato é que homens respeitáveis, como, por exemplo, o governador Tarso Genro, pregam que não devemos ter presídios privados.

No entanto, o caos continua cada vez maior, sem nenhuma solução à vista, com os presídios públicos.

Não se inova, nada se faz para tornar os presídios seguros e impenetráveis ao convívio espúrio entre bandidos que estão presos com bandidos em liberdade.

Eu, às vezes, chego a imaginar que as autoridades descuidam assim dos presídios para que se cumpra a vontade da opinião pública, que em massa deseja que os presos sejam maltratados e mortos nas prisões. Isso é o que deseja a maioria das pessoas, tenho verificado pela correspondência que recebo. As pessoas querem o mal físico e moral dos presos.

Será que não é a essa pretensão da sociedade que os governos estão atendendo ao abandonarem os presídios à fome, ao assassinato, às doenças?

Chega ao ponto, em certas situações, de que presos têm mais liberdade de ação para comandar crimes e desordens quando estão no fundo da cadeia. Mais liberdade para o crime do que se estivessem soltos.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, do PT, e o ministro Dias Toffoli, do Supremo, ex-PT, declararam na semana passada, um que preferiria morrer a cumprir pena num presídio brasileiro, o outro que os réus condenados não deveriam ser recolhidos à prisão, deveriam somente ser multados.

Interessante é que ambas as autoridades só foram se aperceber do caos prisional e fazer essas declarações depois que membros do PT foram condenados pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do mensalão.

Não viam antes isso? Só quando pisaram em seus calos?

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