sexta-feira, 3 de outubro de 2025


03 de Outubro de 2025
ACERTO DE CONTAS - Giane Guerra

Os pleitos do Centro Histórico

Em reunião recente, donos de imóveis fechados no centro de Porto Alegre apresentaram sete pedidos ao prefeito Sebastião Melo.

São eles: ação firme contra o comércio irregular; combate ao constante tráfico de drogas que tira segurança dos moradores e afasta investidores; melhora da iluminação em ruas, praças e fachadas; zeladoria de limpeza do entorno das lixeiras e às marcas da enchente nas edificações; policiamento específico com uniforme diferenciado; política de incentivos para investimentos por 10 anos; e agilidade para transformação de prédios comerciais em residenciais com um código de obras especial e facilidade nas aprovações.

Estava no encontro o empresário Rogério Wagner, da Ponto Pronto. Defensor do Centro há décadas, ele está preocupado com o movimento de pessoas que, segundo ele, já caiu à metade. A situação se agravou na pandemia e conseguiu piorar na enchente.

Como outros, Wagner entende que a saída é tornar a região adequada para morar. O cálculo é de que haja 6 mil imóveis desocupados na região. A redução de tributos - Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU), Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) e Imposto sobre Serviços (ISSQN) - é estudada pela prefeitura, mas ainda não avançou.

Wagner cita o lançamento, pela Caixa, em fevereiro, de uma linha de crédito para empresas interessadas em revitalizar prédios antigos - o retrofit. Neste produto, metade do recurso é antecipada à construtora, contra 10% das linhas tradicionais. Além disso, quando relançado em 2023, o Minha Casa, Minha Vida passou a considerar estes imóveis como novos, garantindo mais subsídios ao comprador.

- Temos, depois, que fazer mutirões de venda destes imóveis, colocar plantões pela cidade. Precisamos atrair o jovem. Tem de ter também o advogado e a senhora com o cachorrinho no prédio - diz Wagner. _

Pílula

A parceria entre Banrisul e o Banco24Horas, do grupo Tecban, ultrapassou 1 milhão de transações no RS, movimentando mais de R$ 457 milhões. A implantação dos caixas eletrônicos recicladores começou em fevereiro. Os equipamentos recebem depósito sem necessidade de envelope, são instalados em agências do Banrisul e pontos externos estratégicos. Usam menos papel e recusam cédulas falsas ou danificadas. Hoje, são 310 máquinas em 66 cidades. O número subirá a 1 mil ainda em 2025.

Mais "apetite" pelo RS

Maior construtora do país, a MRV investirá mais ainda no mercado gaúcho com a segunda edição do Porta de Entrada, programa do governo do Estado que dá R$ 20 mil para compor a entrada na compra do primeiro imóvel para famílias com renda de até cinco salários mínimos. Diretor Comercial e de Crédito, Ítalo Pita disse à coluna que isso aumenta o "apetite" da empresa para compra de mais terrenos no RS. O foco segue, principalmente, em Porto Alegre (especialmente, Restinga e Zona Norte), São Leopoldo e Novo Hamburgo.

- Direciona mais ainda o canhão da empresa para o Estado - diz.

A primeira fase teve cerca de R$ 120 milhões. Na segunda, serão R$ 150 milhões para bancar o subsídio. O teto do imóvel subiu para R$ 315 mil. Na anterior, a MRV vendeu pouco mais de mil unidades.

Com o programa estadual e mais a ampliação do Minha Casa, Minha Vida pelo governo federal, a construtora está com orçamento para lançar 2,7 mil apartamentos em 2026 no Rio Grande do Sul e ampliar este número em 15% para 2027. _

Clientes inseguros

Bares e restaurantes gaúchos já sentem o impacto econômico dos casos de intoxicação por metanol registrados em São Paulo e Pernambuco. Clientes estão querendo saber a procedência ou mesmo rejeitando destilados, diz a vice-presidente do Sindicato de Bares e Restaurantes de Porto Alegre e Região Metropolitana, Carla Tellini.

Pesquisa da Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares de São Paulo (Fhoresp), divulgada ainda em abril, apontou que 36% das bebidas comercializadas no Brasil eram fraudadas, falsificadas ou contrabandeadas. Vinhos e destilados são os mais afetados. Uma em cada cinco garrafas de vodca é adulterada, segundo o levantamento. _

"Não é hora de beber na barraquinha"

Ainda não há casos de intoxicação por metanol no RS. Também não ocorreram registros envolvendo cerveja e vinho, diz o titular da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), Paulo Henrique Rodrigues Pereira. O órgão do Ministério da Justiça determinou a Procons e demais instituições que reportem qualquer investigação ou denúncia de adulteração.

- Não é hora de tomar um drinque em lugar que você nunca viu, numa barraquinha, numa venda em porta de estádio, ou qualquer coisa dessa natureza. É hora de reforçar o vínculo de consumidor com aqueles estabelecimentos tradicionais - alerta Pereira. _

Complexo de saúde

Um projeto prevê instalar um complexo de saúde em Guaíba para pesquisa e produção industrial. O Cluster Industrial Tecnológico da Saúde exigiria investimento de R$ 1,5 bilhão na estrutura para receber de 15 a 20 empresas, que, em operação, gerariam 4,5 mil empregos em cinco anos.

A estimativa é do empresário Jorge Ferraz, idealizador da proposta. A área almejada tem 600 hectares na entrada da cidade.

- Aprovamos lei em Guaíba prevendo este investimento com indústrias farmacêuticas e hospitalares - diz o secretário municipal do Desenvolvimento Econômico, Cleber Quadros. _

De Porto Alegre, a Mark Hamburgueria lançou a Mark Smash, marca mais barata, com cardápio de cinco opções, menos carne no sanduíche e foco em telentrega.

ACERTO DE CONTAS

03 de Outubro de 2025
INFORME ESPECIAL - Vitor Netto

Encontro de Lula e Trump deve ficar para o fim do mês

Diante da "química" entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva durante a Assembleia Geral da ONU, surgiram expectativas de que um encontro ou ligação entre os dois pudesse ocorrer ainda nesta semana. Contudo, eventos diplomáticos entre líderes dificilmente são operacionalizados de forma rápida e simples.

Além de agendas conflitantes, fatores internos do governo norte-americano podem ter dificultado a concretização da reunião. Logo no início da semana, por exemplo, Trump anunciou, ao lado do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, um plano de paz para a região de Gaza, o que ocupou parte significativa de sua agenda diplomática. Além disso, um tema doméstico passou a dominar as atenções na Casa Branca: o shutdown que entrou em vigor na quarta-feira e que já está impactando o funcionamento de alguns serviços federais nos EUA.

A diplomacia brasileira avalia, atualmente, três possíveis formatos para o encontro: uma videoconferência, uma reunião nos EUA ou um encontro em um terceiro país. Durante audiência na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados na quarta-feira, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que ainda não há previsão de data ou formato definido para o diálogo:

- Conversei com altos assessores do presidente Trump e combinamos de avaliar um momento adequado, que pode ser por telefone, videoconferência ou um encontro presencial em algum evento internacional em que ambos estejam presentes. Estamos prontos, trabalhando para estabelecer esse contato, que ocorrerá em algum momento futuro. Há disposição de ambos os lados - declarou.

O chanceler brasileiro vê com otimismo a perspectiva de reunião entre os dois líderes e reitera que o Brasil mantém sua posição de não misturar política e comércio.

- Há abertura para diálogo, sem jamais abrir mão de posições que não confrontem nossa soberania. Permaneceremos atentos - enfatizou.

Reunião em um terceiro país

Mauro Vieira não descartou a possibilidade de o encontro ocorrer em um terceiro país. De acordo com a agência de notícias norte-americana Bloomberg, o governo brasileiro estaria de olho na cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), que ocorrerá na Malásia a partir de 26 de outubro. O evento poderia oferecer uma oportunidade para a reunião em território neutro.

Lula já confirmou presença na cúpula, que ocorrerá em Kuala Lumpur, capital da Malásia. Trump ainda não assegurou participação no evento. _

As comemorações do Natal na Venezuela

A Venezuela iniciou na quarta- feira as comemorações de Natal. A antecipação do feriado foi anunciada pelo presidente Nicolás Maduro ainda em setembro, que justificou a medida como forma de "defender a felicidade" da população.

A decisão deste ano ocorre em meio a uma escalada nas tensões entre a Venezuela e os Estados Unidos. Para parte da população e analistas estrangeiros, a prática de antecipar o Natal é vista como uma estratégia para desviar a atenção das crises política e econômica que o país enfrenta.

Aliás, esta não é a primeira vez que o governo antecipa as celebrações. A primeira foi em 2013, quando o país enfrentava uma crise econômica e período de luto após a morte do presidente Hugo Chávez.

Desde então, a antecipação se repetiu em outros anos. Em 2020, por exemplo, o Natal foi adiantado enquanto a população lidava com os desafios da pandemia de covid-19.

Em 2024, a ação coincidiu com a emissão de ordem de prisão contra Edmundo González, principal opositor de Maduro nas eleições daquele ano, que até hoje são contestadas pela oposição e por parte da comunidade internacional. _

O MPRS realiza hoje o seminário Resíduos Sólidos, Economia Circular e Descarbonização. O objetivo é debater a transição energética e para uma economia de baixo carbono. O evento é gratuito e aberto ao público em geral a partir das 8h.

Operação Inverno investe mais de R$ 56 mi

Com um investimento de cerca de R$ 56 milhões, Porto Alegre encerrou a Operação Inverno 2025 como uma das maiores campanhas dos últimos anos. A estratégia, que contou com recursos municipais, estaduais e federais, fortaleceu a rede de saúde para enfrentar o aumento sazonal de doenças respiratórias.

Da cifra, R$ 46,1 milhões foram direcionados à média e à alta complexidade hospitalar, com aportes federais (R$ 25,7 mi), estaduais (R$ 15,3 mi) e municipais (R$ 4,9 mi). Outros R$ 2,9 milhões reforçaram as unidades básicas de saúde, garantindo a estrutura local para vacinação, consultas e medicamentos.

Um dos maiores resultados foi a abertura de 283 leitos, número que superou em quase três vezes a meta inicial de pouco mais de cem. Hospitais como Pronto Socorro, Conceição, Clínicas, Santa Casa e o Materno Infantil Presidente Vargas estiveram entre os beneficiados.

A operação ainda contou com a contratação de 136 profissionais de saúde de forma temporária, com um investimento de R$ 7,6 milhões. _

Doação da República Tcheca

O RS receberá a doação de uma imagem do Menino Jesus de Praga, vinda diretamente da Paróquia de Dolní Lutyne, na República Tcheca.

A doação partiu de devotos da paróquia, por iniciativa do padre Marian Pospecha. Em entrevista à coluna, Pires contou que a motivação para o envio da imagem foram as cenas da enchente que assolou o RS no ano passado.

INFORME ESPECIAL

quinta-feira, 2 de outubro de 2025


Bebida extrema-unção

A adulteração de bebidas com metanol em São Paulo, que levou à apuração de cinco mortes, com dezenas de outros casos investigados, tem efeito de pandemia nos bares e restaurantes.

Vem instalando o pânico entre os frequentadores. Eu, que viajo à capital paulista uma vez a cada duas semanas para palestra, nem mais cogito aceitar uma dose de uísque. A abstinência será total.

A inalação do combustível utilizado em carros de corrida e pequenos motores é um atalho para náusea, convulsões e até o óbito. Sua ingestão atinge primeiramente o fígado, que espalha o produto tóxico à medula e ao cérebro. O resultado é dor intensa, confusão mental e coma. Além disso, o sangue fica ácido, o que agrava o quadro clínico.

O metanol é capaz de provocar insuficiência pulmonar e atacar os rins. O nervo óptico pode sofrer lesões, deixando a visão turva ou causando cegueira. As sequelas são certas e definitivas. Não se trata de uma bebida batizada, pirateada, como conhecíamos na adolescência, mas de puro veneno, mais para a extrema-unção. Não tem como se defender. O inimigo é invisível.

Demora-se a entender o que está acontecendo.

Os sintomas da intoxicação são vagos, assemelham-se aos de uma simples ressaca, com enxaqueca, tontura e enjoo. Parece que a vítima somente bebeu demais, adotando o isolamento e a cama, o que retarda a procura pelo socorro médico e o diagnóstico.

Tampouco há como identificar os riscos previamente. Os líquidos se apresentam normais. Não há como constatar a presença do invasor pelo cheiro, pelo gosto ou pela aparência. Mesmo que o seu paladar seja aguçado, os testes caseiros não dão conta do recado. O metanol é incolor, volátil e se mescla perfeitamente ao conteúdo. Sua detecção é viável apenas em laboratórios especializados.

O rótulo torto ou a falta de lacre não bastam para desvendar o crime. Dificilmente alguém irá exigir nota fiscal ao estabelecimento antes de beber, ou desconfiar de preços muito baixos, que costumam ser um atrativo, não uma ameaça, entre a concorrência.

É um estado de calamidade pública na indústria dos destilados. Até a caipirinha, nosso drinque nacional, passa a ser profanada de receios. O adocicado da fruta exibe potencial de mascarar ainda mais a farsa. E ninguém pede só uma caipirinha, numa saideira que tende a ser irreversível.

Esses falsificadores que conspurcam marcas famosas de gim e vodca não sentem a mínima compaixão pelos pais enterrando seus filhos. São Paulo é porta de entrada de cerca de 230 mil turistas por mês. Como conter o horror? Como a fiscalização demonstrará que o problema corresponde a incidentes avulsos, e não consequências de uma distribuição generalizada?

Nos últimos dias, as autoridades apreenderam 50 mil garrafas suspeitas e 15 milhões de selos fraudados durante operações.

Alertas já foram emitidos aos hospitais para controlar o surto.

Estamos a um mês da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a COP30, que ocorrerá em Belém, com uma profusão de delegações estrangeiras que também estenderão a visita ao Sudeste. Não existem informações suficientes para determinar o tamanho da crise. _

CARPINEJAR 


02 de Outubro de 2025
OPINIÃO RBS

Uma safra desafiadora

Pelo calendário oficial do Ministério da Agricultura, os produtores gaúchos estão autorizados desde ontem a iniciar o plantio da safra de soja 2025/2026. Será um ciclo repleto de desafios no Rio Grande do Sul, a começar pelas dificuldades ocasionadas pelo alto endividamento no campo. Diante desse cenário, traz alívio a informação que veio a público na quarta-feira de que enfim saiu a circular do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) sobre a operacionalização do crédito de R$ 12 bilhões destinado à renegociação dos compromissos de anos anteriores não honrados devido à sequência de estiagens e perdas da produção.

Espera-se, portanto, que em breve cada produtor elegível à renegociação consiga acessar a repactuação e volte a ter fôlego e condições de tomar novos financiamentos para a formação adequada das lavouras da cultura de maior peso econômico do Rio Grande do Sul. Ainda assim, será uma safra marcada por incertezas e dificuldades a serem contornadas.

A questão climática, transtorno que foi mais regra do que exceção nesta década, permanece como um fator de insegurança. Os prognósticos indicam a possibilidade do retorno do La Niña. O fenômeno, como se sabe, é associado à falta de chuva no Rio Grande do Sul e costuma levar à perda do potencial de lavouras de sequeiro, como soja e milho.

A descapitalização dos produtores e as dificuldades de acesso a crédito pela sucessão de safras frustradas, por outro lado, podem levar a um menor emprego de tecnologia nas áreas, o que tende a afetar o rendimento das culturas. Reportagem veiculada no RBS Notícias de terça-feira mostrou que agricultores gaúchos, diante do aperto financeiro, estão projetando formar lavouras com menos fertilizantes do que seria indicado.

O quadro se agrava com a alta dos preços dos fertilizantes, combinada com as cotações da soja bem abaixo das máximas experimentadas nos últimos anos. O preço da saca de 60 quilos no Estado está em torno de R$ 120. Em 2022, o valor chegou a bater nos R$ 200. A relação de troca entre o produto que colhem e os insumos, portanto, não está favorável aos agricultores.

Tantas adversidades levaram a uma situação inusitada na safra 2025/2026. O Estado vai interromper uma sequência de quase duas décadas de ampliação de área destinada à soja e plantará uma extensão menor em relação ao último ciclo. Conforme dados da Emater, a retração será de 0,8%. Ínfima, mas simbólica. Ainda assim, caso o tempo colabore, o volume colhido poderia chegar a 21,4 milhões de toneladas, ante 13,6 milhões na última safra, outra vez afetada por uma forte estiagem.

É fácil notar que os plantadores de soja no Rio Grande do Sul terão meses desafiadores pela frente - e essenciais para o início da recuperação financeira após vários anos colhendo frustração e dívidas. Resta cobrar que a renegociação chegue rapidamente na ponta e, assim, permita um plantio sem atropelos. E esperar que o clima, desta vez, colabore. É com o resultado da produção e o fruto do seu suor, afinal, que produtores esperam se reerguer, honrar seus compromissos e ajudar a alavancar a economia do Estado. 

OPINIÃO RBS

02 de Outubro de 2025
GPS DA ECONOMIA - Marta Sfredo

Shutdown expõe limites do poder de Trump

Quando Donald Trump foi eleito presidente dos Estados Unidos e, ao mesmo tempo, conquistou maioria nas duas casas legislativas, o consenso foi de que havia obtido uma vitória estrondosa. Passados apenas nove meses da posse, enfrenta um problema experimentado 14 vezes por quase todos os antecessores desde a década de 1980: a paralisação de serviços federais determinada por impasse legislativo sobre o orçamento do ano fiscal que, nos EUA, começou ontem.

A realidade expôs os limites do poder do presidente que manifesta ambição de comandar de forma absoluta não só seu país, mas todo o mundo. Trump tentou, mas não conseguiu, evitar que os cidadãos americanos fossem prejudicados pela disputa política.

Caso a paralisação se estenda por muito tempo, pode afetar outras economias, além da doméstica. No mercado financeiro, já há dúvida se a publicação de dados de emprego de setembro, prevista para amanhã, será ou não mantida. São informações que costumam condicionar o comportamento de investidores.

Perdas estimadas em US$ 3 bilhões

A preocupação é grande porque Trump já protagonizou o maior período de shutdown da história recente, com 35 dias entre dezembro de 2018 e janeiro de 2019. Na época, o impasse correu em torno do projeto de construção de um gigantesco muro na fronteira com o México. As perdas econômicas geradas por esse longo período foram estimadas em US$ 3 bilhões.

Agora, a disputa política que trava a aprovação do orçamento é em torno de programas de saúde. Os democratas ameaçam só aprovar o orçamento se Trump se comprometer com a manutenção de serviços de assistência médica, que podem ser encerrados se não forem renovados.

Essa posição fez o presidente americano chamar a situação de "shutdown democrata". É uma tentativa de terceirizar a responsabilidade. Mas de forma indireta reconhece que não controla o Congresso, como parecia a muitos. Para quem quer controlar o mundo, não garantir normalidade em seu próprio país é um enorme problema. _

Mesmo apostando em shutdown curto, o mercado ficou volátil ontem. Trocou várias vezes de sinal, ainda que sem grandes altas e baixas. O dólar variou 0,11% para cima, em R$ 5,329, e a bolsa desceu 0,49%, para 145,5 mil.

Indústria sueca investe em produção no RS

Fundada há cerca de 75 anos na Suécia, a multinacional de embalagens e serviços de logística Nefab passou a ter fábrica no Rio Grande do Sul desde ontem.

A terceira planta da companhia na América Latina está instalada em área industrial em Sapucaia do Sul, na Região Metropolitana. As outras duas unidades na região ficam em Caçapava (SP) e Viña del Mar, no Chile.

Em nova área de 2 mil metros quadrados, a Nefab terá cerca de 20 funcionários para fabricar embalagens que levam menos de um minuto para serem montadas.

Com faturamento global de US$ 966 milhões em 2024, a companhia projeta dobrar de tamanho até 2030 em todo o mundo.

- Nossa estratégia de crescimento sustentável posicionará a Nefab como a principal parceira global em soluções e serviços de embalagens sustentáveis, economizando recursos ambientais e financeiros nas cadeias de suprimentos - diz o diretor para América Latina da Nefab, Eric Wickman.

- Esta nova instalação fortalece nosso compromisso contínuo de estar presentes onde nossos clientes necessitam de nossa atuação - complementa o vice-presidente-executivo para Região das Américas, Patric Vestlund.

A empresa começou, na década de 1940, com produção de caixas resistentes para o transporte de pães. Hoje, o grupo tem cerca de 5 mil funcionários espalhados por 38 países. _

Eletropostos do RS cruzam divisa

Depois de chegar a 18 unidades no RS, a Esquina do Futuro, rede de eletropostos do Grupo Farroupilha, prepara sua primeira unidade fora. Com investimento de R$ 1,5 milhão, vai instalar em Maringá (PR), unidade com quatro pontos de recarga elétrica e loja de conveniência da Alegrow Café, do mesmo grupo.

O local terá espaço para trabalhar e ambiente Lançamento do Futuro, de exposição de soluções de tecnologia e sustentabilidade. Os eletropostos têm capacidade de recarregar veículos atingindo até 80% da carga em 15 minutos. Esse percentual não afeta o desempenho nem reduz a vida útil da bateria. Equipados com tecnologia da catarinense WEG, os postos priorizam fontes de energia verde e renovável. _

Grupo Herval reforça presença nos Estados Unidos

Marca de móveis de alto padrão do Grupo Herval, a Uultis abriu sua primeira loja-conceito nos Estados Unidos. A flagship já está operando em fase de soft opening, recebendo apenas clientes selecionados, e terá inauguração oficial nos próximos meses em Midtown, Miami.

Para a empresa, é um passo estratégico para consolidar a presença da marca no mercado americano. A Uultis já tinha showroom em Miami e lojas em Nova York, Los Angeles e Saint Petersburg, também na Flórida.

- Estamos preparando um momento especial para marcar oficialmente a abertura - afirma José Agnelo Seger, presidente do Grupo Herval.

A abertura da loja própria já fazia parte do plano estratégico da Uultis para os EUA, não tem qualquer relação com o tarifaço, assegura Seger:

- O Grupo Herval já tem base sólida nos EUA e seguirá investindo nesse mercado de forma estratégica. Seguimos atentos ao cenário atual e seus desdobramentos.

A decisão de abrir a unidade em Miami está ligada ao que a empresa vê como "momento de maturidade" da Uultis, que completa 10 anos em 2026.

- Sentimos a necessidade de mostrar nossa força e identidade em estrutura própria e organizada. A marca precisa ter no mercado internacional a mesma força que tem no Brasil - afirma o presidente do grupo. 

GPS DA ECONOMIA

02 de Outubro de 2025
POLITICA E PODER  Rosane de Oliveira

Dinheiro de programas sociais não pode financiar a jogatina

Demorou, mas o governo federal finalmente fez alguma coisa para impedir que o dinheiro dos programas sociais, custeado por todos os brasileiros que pagam impostos, vá para o ralo da jogatina. Está no Diário Oficial de ontem uma instrução normativa proibindo a realização de apostas em bets por meio de contas utilizadas por beneficiários de programas sociais, como o Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Faz um ano que o Banco Central divulgou um estudo segundo o qual, em agosto de 2024, 5 milhões de beneficiários do Bolsa Família gastaram R$ 3 bilhões em plataformas digitais de apostas. As bets contestaram esse dado, que veio combinado com outros estudos sobre os impactos negativos da jogatina na economia e na vida das pessoas - o endividamento, a inadimplência, a redução das compras no comércio para gastar com jogos, a desagregação familiar, o vício e a depressão.

À época, o governo prometeu providências, mas reconheceu as dificuldades para impedir o uso do dinheiro do Bolsa Família em apostas.

A solução técnica veio pela outra ponta do processo: são as empresas de apostas que têm a obrigação de bloquear os jogos de beneficiários de programas sociais, consultando os CPFs e as contas usadas para receber o dinheiro público.

Legislativo e Executivo foram omissos

Mais uma vez, o Congresso e o governo federal se omitiram e quem tomou a frente foi o Supremo Tribunal Federal, que determinou a criação de barreiras para impedir a realização de apostas com dinheiro destinado a pessoas pobres, para que comprem gêneros de primeira necessidade. O jogo não é um deles.

A instrução normativa da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda estabeleceu que as bets têm 30 dias para se organizar. A partir de novembro, terão de consultar um cadastro centralizado do governo, no qual constam os dados dos beneficiários do Bolsa Família e do BPC e impedir que apostem.

A par da repressão, o governo precisa de ações educativas para mostrar que o jogo não é caminho para a desejada emancipação. _

Robôs da Fiergs fazem sucesso no "laboratório do amanhã"

Depois do sucesso do cão- robô, na Expointer, a Fiergs apresentou um simpático humanoide na abertura do Futur.E, que vai reunir 27 mil pessoas até amanhã, no Centro de Eventos. São estudantes, professores, gestores públicos, empresários da indústria e pessoas interessadas em inovação, empreendedorismo e qualificação profissional.

- O Futur.E conecta educação, tecnologia, ideias, talentos, oportunidades e preparação para o futuro do trabalho - disse o presidente do Sistema Fiergs, Claudio Bier.

Dirigindo-se aos jovens, Bier afirmou:

- Este evento é um laboratório do amanhã. Veremos protótipos, torneios, oficinas e muita troca. Vamos experimentar, perguntar e testar. Nosso papel é aproximar educação, trabalho, talentos e oportunidades.

O secretário do Trabalho, Gilmar Sossella, contou que foi aluno do Senai e ressaltou a importância da qualificação profissional. _

PT marca novo encontro para tratar do futuro de Paim

Depois de uma hora de conversa com o senador Paulo Paim, a comissão integrada pelo presidente do PT, Valdeci Oliveira, e pelos dirigentes Cícero Balestro e Carlos Pestana (Júlio Quadros participou por videoconferência) combinou uma nova reunião, desta vez em Porto Alegre, para tratar das candidaturas.

O encontro foi marcado para 10 de outubro, às 10h, na sede estadual do PT. Paim virá a Porto Alegre para conversar com os líderes do partido e com os pré-candidatos Paulo Pimenta e Edegar Pretto.

- O senador se colocou à disposição para dialogar em busca de uma frente que una o centro democrático - disse Valdeci. _

Mutirão para a conclusão de ponte

Inaugurada em 2020 pelo então presidente Jair Bolsonaro, sem as alças de acesso que dependem da remoção de famílias em Porto Alegre, a nova ponte do Guaíba poderá finalmente ser concluída, graças a uma ação conjunta dos governos federal, estadual e municipal.

Hoje, o governador Eduardo Leite comandará o ato de assinatura de um decreto e de um convênio com a prefeitura de Porto Alegre para a liberação de recursos ao Programa Estadia Ponte, que beneficia as famílias que precisam ser retiradas da área das obras da nova passagem do Guaíba. No mesmo ato, será lançada a fase 2 do Programa Porta de Entrada, ação estadual para incentivo à aquisição da casa própria. 

Betty Cirne Lima é aposta do MDB para a Câmara

Sem nunca ter conseguido eleger uma deputada federal na sua história, o MDB do Rio Grande do Sul celebra a filiação de Betty Cirne Lima, atual subsecretária do Parque de Exposições Assis Brasil.

Betty, que assinou ficha na terça-feira, é uma das principais apostas do MDB para a Câmara em 2026, junto de Alceu Moreira, Vilmar Zanchin e Juvir Costella. _

MIRANTE

O recém-criado partido Missão, que tem origem no Movimento Brasil Livre (MBL), decidiu lançar candidato a governador em 2026. Será o policial rodoviário federal Evandro Augusto, de 44 anos.

Para evitar a cacofonia "omissão", o partido do MBL adotou a identidade feminina, como a Rede. É "a" Missão.

O governo de Eduardo Leite está numa maratona de liberação de recursos para obras de infraestrutura e de prevenção às cheias. Os prefeitos agradecem.

POLITICA E PODER

 02 de Outubro de 2025
INFORME ESPECIAL - informe especial

O que as universidades gaúchas levarão para a COP30

Faltando pouco mais de um mês para a COP30, diversas entidades governamentais e instituições privadas do RS se preparam para participar do evento. As universidades gaúchas, com seus projetos, também terão presença marcante.

Da UFRGS, a reitora Márcia Barbosa e o pró-­reitor de Pesquisa, Flavio Kapczinski, participarão de uma atividade coordenada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Além deles, outros professores estão associados a iniciativas e apresentações durante a conferência.

PUCRS

Da PUCRS, o Tecnopuc estará presente com diversos projetos. Além da Igapó, startup responsável pela compostagem dos resíduos do evento, a plataforma de educação ambiental Green Thinking será representada por seu fundador e CEO, Lucas Fontes, e pela educadora ambiental Karla Wildner, como parte da Cúpula dos Povos. Dentro do mesmo projeto, o Marista Champagnat irá apresentar o programa Rumo ao Lixo Zero.

Também integrante da comunidade Tecnopuc, a CPMC estará representada por seu CEO, Francisco Ruiz-Tagle, e a startup GendrifyID, pela CEO Lane Alves dos Santos.

O professor Jorge Audy, superintendente de Inovação e Desenvolvimento da PUCRS e do Tecnopuc e membro do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia, fará uma palestra sobre o papel dos ecossistemas de inovação no desenvolvimento sustentável.

Unisinos

A Unisinos estará representada pelo decano da Escola de Humanidades, Luiz Rohden, e pelo professor da Escola Politécnica Farid Chemale.

A participação ocorrerá por meio do projeto Educar Crescer, uma parceria com a Petrobras realizada pela Unisinos. As mais de 40 ações do projeto, que ocorrem em Esteio e Canoas, são pautadas por educação, ambiente e direitos humanos, incluindo cursos, diagnósticos e capacitações. Também representará a Unisinos o padre Antônio Tabosa, coordenador do Centro de Cidadania e Ação Social (CCIAS).

Feevale

A Universidade Feevale participará com seu Laboratório de Vulnerabilidades, Riscos e Sociedade (LaVuRS), que tem atuado em reuniões preparatórias para a COP, produzindo documentos e auxiliando na elaboração de diretrizes do evento.

Além disso, a Sociedade Brasileira das Ciências Ambientais (SBCiAmb), da qual a Feevale é sede e cuja presidente é a professora da instituição Daniela Müller de Quevedo, realizará o V Encontro Acadêmico - Impacto das Ciências Ambientais na Agenda 2030.

Durante o evento, será lançado o livro Contribuição das Ciências Ambientais para a COP30 na Amazônia: enciclopédia de boas práticas.

UFPel

Da Região Sul, a estudante Paula Hahn, do curso de Relações Internacionais da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), representará o bioma pampa na COP30. A escolha foi feita durante a Plenária Preparatória das Juventudes para o Bioma Pampa, evento promovido por meio da Secretaria Nacional da Juventude e do Conselho Nacional da Juventude (Conjuve).

O espaço está aberto para a participação de outras universidades do RS. _

O presidente Lula cumpre agendas hoje e amanhã em Belém para visitas a obras de espaços que sediarão a COP30.

Emissão de vistos pode ser paralisada

(Interino)

Diante do shutdown que paralisa serviços públicos do governo dos EUA, que entrou em vigor ontem, a Embaixada dos EUA no Brasil informou que os serviços de emissão de passaporte e vistos para brasileiros podem ser interrompidos.

Segundo o corpo diplomático, os processos "continuarão enquanto a situação permitir".

"No momento, os serviços de passaporte e visto programados nos EUA e em embaixadas e consulados dos EUA no Exterior continuarão enquanto a situação permitir", diz a nota.

O shutdown entrou em vigor após o Congresso norte-americano não conseguir aprovar um projeto de lei orçamentária para o financiamento federal. Com isso, uma série de serviços públicos será paralisada.

A paralisação também pode afetar funcionários federais, que podem ser dispensados temporariamente ou ficar sem receber salários. Isso pode impactar as operações do consulado norte-americano em Porto Alegre, mas ainda não foram divulgadas informações sobre eventuais dispensas ou suspensões de serviços específicos para a capital gaúcha (leia sobre as novas regras para os vistos na página 12). _

Prefeitura amplia jornada de 50 escolas infantis

Mais de 5,2 mil alunos de 50 escolas parceiras de educação infantil em Porto Alegre passarão a ser atendidos por 12 horas diárias. Com a medida, 5.237 bebês e crianças de zero a cinco anos poderão contar com o horário estendido, das 7h às 19h. Segundo o secretário municipal de Educação, Leonardo Pascoal, o investimento da prefeitura é de R$ 1,6 milhão mensais.

Antes, outras 58 escolas parceiras já ofereciam essa jornada. A ordem de serviço para a ampliação foi assinada ontem pelo prefeito Sebastião Melo.

A pasta ressalta que a adesão ao horário ampliado é opcional, ficando a cargo dos pais ou responsáveis. Atualmente, as 42 escolas próprias de educação infantil do município já funcionam em período de 12 horas. _

Trump levanta rumores de concorrer às eleições de 2028

O presidente dos EUA, Donald Trump, realizou na terça-feira uma reunião com líderes do Partido Democrata para tentar evitar a entrada em vigor do shutdown. Contudo, um fato chamou atenção nas fotos divulgadas pelo republicano: na mesa oficial, havia bonés com a inscrição "Trump 2028". A data faz referência ao ano das próximas eleições presidenciais.

No entanto, pela legislação norte-americana, é expressamente proibido que uma pessoa exerça mais de dois mandatos como presidente no país.

O boné é, inclusive, vendido por US$ 50 em uma loja virtual operada pela própria família de Trump e tem gerado polêmica por sugerir uma pretensão de Trump de concorrer a um terceiro mandato. _

INFORME ESPECIAL

quarta-feira, 1 de outubro de 2025


01 de Outubro de 2025
CARPINEJAR

Nossa quinta série do jornalismo esportivo

Calou-se a voz tonitruante, poderosa e marcante do jornalista e narrador Paulo Soares. Ele conferiu cor, brilho e vivacidade a qualquer cobertura no futebol - de amistosos e estaduais, de campeonatos nacionais e da Europa, passando pela Champions League, até o apogeu das Copas do Mundo.

O falecimento ocorreu na segunda-feira, em São Paulo, por falência múltipla de órgãos. Estava internado havia cerca de cinco meses no Hospital Sírio-Libanês.

Despede-se um ano depois da partida de seu colega de bancada na ESPN, Antero Greco.

O "Amigão" - apelido dado por Osvaldo Pascoal, na Rádio Record, devido ao seu permanente estado de graça - nos deixa 17 dias após completar 63 anos. Antero havia morrido 17 dias antes dos 70.

No adeus ao seu companheiro de tantas madrugadas, Paulo sentiu o baque e emocionou os espectadores, arrancando lágrimas de onde se costumava aguardar alegrias:

"O Antero chegava sempre em cima da hora, em todas as situações. Era uma coisa irritante, tinha vontade de arrebentar ele. Poxa vida, para quem gostava de chegar tão em cima da hora, para que sair tão cedo? Não era a hora".

Eles formaram uma dupla icônica durante duas décadas, no programa SportsCenter, criado em 2000: lua e sol, queijo e goiabada, carro e estrada, Tom e Jerry, Mordecai e Rigby. Protagonizavam a nossa quinta série do jornalismo esportivo, com gags infantis e simplicidade inocente, muitas vezes de sentido dúbio. A partir de gracejos, exorcizavam a solenidade do terno e gravata que vestiam.

Os óculos de intelectuais destoavam da verve cheia de glicose. Tudo escapava da seriedade da leitura do teleprompter. A vida transbordava da dobradinha de âncoras.

Com a leveza de uma conversa de podcast, permitiam-se momentos descontraídos, guiando-se pelo inesperado. Foram inúmeros os episódios em que caíram na gargalhada e tiraram o sono da audiência, que acabava rindo junto.

Os arquivos estarão eternamente acessíveis aos nostálgicos de plantão. Quando Amigão informou sobre as negociações do São Paulo com o atacante argentino Milton Caraglio, Antero não conteve o riso diante da pronúncia entusiasmada de seu parceiro de transmissão.

Aconteceu gafe semelhante nos comentários sobre um duelo de rúgbi que envolvia o jogador francês Louis Picamoles. Antero aproveitou a ocasião para a tirada: "Daí vem a expressão francesa ?brochette? para ?espetinho?".

E também não desperdiçaram o alto-astral quando surgiu uma reportagem sobre o sósia brasileiro de Cristiano Ronaldo, o CR7 da Mooca. "Anterito, my friend", dizia carinhosamente Paulo Soares, com um suspiro de admiração.

Ambos se consolavam pelos excessos: "Achávamos que já tínhamos visto de tudo". Quando a regra é perder o amigo com a piada, eles fortaleceram os laços com o humor. Não conseguiram ficar longe um do outro. Nós não conseguiremos ficar sem os dois.

A saudade é a nossa maior incompetência. _

CARPINEJAR 


01 de Outubro de 2025
MÁRIO CORSO

Estranho Deus

Em algum lugar do jornal, em algum momento no noticiário, alguém nos informa sobre os humores do mercado. Ora o mercado está apreensivo, ora não se sabe como ele vai reagir a tal ou qual coisa. O tal mercado pressiona por ajuste fiscal, ou está cauteloso com isso ou aquilo. Enfim, o mercado parece que não dorme e vive prestes a ter um chilique

Minha questão é: como alguém acorda, pega um café e vai para o computador teclar sobre o estado de espírito do mercado? Como um jornalista, ou economista, sabe o que se passa na cabeça dessa entidade abstrata chamada mercado?

Seria o mercado um deus como Apolo que falava através das pitonisas? Seriam sacerdotes vestindo mantos sagrados - ternos Armani e gravatas Gucci -, os agraciados a ouvir e traduzir para nós o deus mercado? Se ele liga para umas pessoas para sondar, essas pessoas seriam o mercado? Ainda, seriam elas sóbrias o suficiente para falar acima de seus interesses?

Ainda, quem escolhe quem pode nos falar sobre os desígnios do mercado? É o próprio deus que os elegeria? Como funciona na prática, seriam vozes que surgem dentro da cabeça dos eleitos? Existe algum ritual, ou lugar sagrado, de onde os eflúvios divinos inspirariam os iniciados? Se temos que viver sob esse deus caprichoso e temperamental, digam-nos quem ele é?

As imprecações severas dos sacerdotes do deus mercado - sempre anunciando o apocalipse financeiro -, reforçam a ideia dele ser um deus antigo e implacável, que não perdoa falhas e se vinga ferozmente quando seu povo sai da linha. Vai que ele seja como Zeus e mande raios nas cabeças dos céticos.

Outro aspecto que nos inclina a pensar em uma divindade arcaica é que ele só é aplacado por sacrifícios humanos. Ele parece ter especial apreço por congelamento de pensões e salários, supressão de direitos trabalhistas, e cortes de orçamento na saúde e educação.

Não há nada no mercado que se pareça a Pluto, deus grego da riqueza. Esse era bonachão e distribuía fartura por onde passava. Tampouco lembra as tantas deusas da fertilidade, prosperidade e abundância. De onde vem este ser avarento como os dragões que guardam tesouro em cavernas? Seria o deus mercado o bezerro de ouro revivescido? _

MÁRIO CORSO

01 de Outubro de 2025
OPINIÃO RBS

Um mau exemplo que se espalha

Levantamento da ONG Transparência Internacional - Brasil divulgado ontem aponta que o mau exemplo da utilização das emendas Pix se espalha pelos Estados. Já são 20 unidades da federação que adotaram o modelo criado pelo Congresso Nacional em 2019, o qual é alvo de recorrentes questionamentos do Supremo Tribunal Federal (STF) e de órgãos de controle pela falta de transparência na aplicação dos recursos públicos. A modalidade nacional surgiu como um caminho facilitado para deputados e senadores fazerem repasses diretos para Estados e municípios sem informações sobre o uso da verba ou prestação de contas de quem recebia o dinheiro. A opacidade dificulta que a sociedade saiba se os recursos foram bem aplicados e, no limite, abre brechas para desvios.

Ao mesmo tempo que o modelo de transferência às bases eleitorais passa a ser mais usado nas Assembleias, cresce nos orçamentos estaduais o volume de recursos destinados a emendas, aponta a ONG. Não chega a ser surpreendente que os legisladores estaduais, após assistirem a deputados federais e senadores se assenhorarem de nacos cada vez maiores do orçamento da União, tentassem obter vantagem parecida. Um movimento semelhante passa a ser observado também nos municípios.

Diante de uma maior adoção da modalidade Pix pelos Estados, sob a inspiração das práticas de Brasília, é preciso cobrar que as transferências tenham a translucidez necessária e que cidadãos e instituições de fiscalização possam acessar os dados com facilidade e acompanhar a aplicação dos recursos. Os princípios constitucionais da transparência, da impessoalidade, da moralidade e da publicidade devem estar presentes no manejo dos recursos colhidos junto aos contribuintes.

Na tentativa de assegurar algum controle sobre a farta distribuição de emendas federais, o STF passou a fazer mais exigências para disciplinar as transferências, como a indicação de qual projeto será beneficiado, prestação de contas e disponibilização dessas informações pelo governo federal. Nos casos estaduais, no entanto, não há esse monitoramento da Corte. Em regra, portanto, é como se predominasse um quadro semelhante ao que vigorava no malfadado "orçamento secreto", considerado inconstitucional pelo STF.

O Rio Grande do Sul, felizmente, não está entre os Estados que vêm adotando as emendas Pix. Mas o valor que cada deputado terá para distribuir vai dobrar no próximo ano, passando de R$ 2 milhões para R$ 4 milhões. Quando as emendas foram criadas no Estado, em 2019, o montante era R$ 1 milhão. O Portal da Transparência do governo gaúcho fornece dados com detalhes como o nome do deputado beneficiário, valor repassado e projeto que recebeu o recurso.

Para a Transparência Internacional, o ideal seria que os Estados tivessem informações ainda mais pormenorizadas, como percentual de execução de obras, imagens dos projetos beneficiados e atualizações sobre atrasos e paralisações. É algo relevante em um contexto de aumento de volume de emendas, o que exige maior controle social sobre o andamento dos trabalhos e prestação de contas para a sociedade acompanhar a aplicação do dinheiro dos impostos. _


Os muitos elementos da "química" Lula-Trump

Não são apenas as longas reuniões entre chefes de Estado que exigem longa preparação. Até a súbita "química" entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, precisou de uma prévia combinação de elementos que envolveu vários personagens além dos irmãos Batista, Wesley e Joesley, sócios da J&F, dona da JBS.

Os preparativos para o encontro casual passaram pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, também vice-presidente. Vieira chegou a ter reunião secreta com representante do Departamento de Estado (equivalente ao MRE nos EUA). Alckmin, por sua vez, teve conversas mais produtivas com Jamieson Greer, titular do Representante de Comércio dos EUA (USTR na sigla em inglês). Integrantes de setores afetados pelo tarifaço viram oportunidade de esclarecer a real situação das trocas bilaterais e até o verdadeiro clima político.

Brasil e Índia, casos incomparáveis

Trump impôs a maior alíquota do mundo - só equivalente à da Índia - a um país que dá aos americanos um superávit de US$ 30 bilhões, conforme dados do próprio USTR, entre produtos e serviços. Enquanto isso, os EUA enfrentam déficit de US$ 45,8 bilhões com a Índia.

Não há comparação possível entre os dois países, embora o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, faça paralelos entre os campeões mundiais de tarifa dizendo que ambos colocam os americanos em "desvantagem". A tentativa de integrantes do governo e empresários é evidenciar esse abismo entre Brasil e Índia, que, para efeito de tarifaço, são tratados de forma igual.

Isso serviu para gerar a "química", mas ainda é incerto se será suficiente para provocar efeitos práticos no comércio. Até por isso o envolvimento de empresários é necessário: Trump não negocia só como chefe de Estado, também como homem de negócios. Seus acordos costumam embutir a necessidade de aportes do país ou bloco afetado, como ocorreu com a União Europeia. Nesse ponto, o aceno já feito da Embraer de investir US$ 500 milhões na Flórida é um trunfo. _

O risco de paralisação dos serviços federais nos EUA fez o mercado andar de lado ontem. O dólar oscilou 0,02% para cima e fechou em R$ 5,322. A bolsa variou 0,1% para baixo, a 146,1 mil pontos. A questão é a duração do shutdown.

De volta à crise

Na semana passada, só o apoio verbal do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao colega da Argentina, Javier Milei, foi suficiente para acalmar o mercado. Agora, o modo é "pagar para ver". Ontem, o dólar voltou ao patamar de 1,4 mil pesos, trazendo a crise de volta.

A promessa de Trump é só liberar swap cambial (troca de moedas) de US$ 20 bilhões depois da eleição parlamentar de 26 de outubro. Falta muito. Até para assegurar o resultado, Milei tenta um "adiantamento" para reduzir o risco de disparada do dólar até o pleito.

Outra medida para enfrentar a crise cambial, a suspensão da cobrança de impostos sobre exportações agrícolas (retenciones) está perto do limite. A regra previa o fim da isenção até 31 de outubro ou até o limite de entrada de US$ 7 bilhões. Nas contas do mercado, falta entrar cerca de US$ 2,7 bilhões. Também há dúvida se US$ 20 bilhões bastam. As estimativas de vencimentos da dívida argentina em 2026 e 2027 chegam a US$ 37 bilhões. _

Reforço na rota PoA-Buenos Aires

A partir de 5 de abril de 2026, Porto Alegre passará a ter opção de voo direto para Buenos Aires aos domingos. A conexão da Aerolíneas Argentinas vai sair do Salgado Filho às 21h5min para chegar ao Aeroparque (perto do centro da capital argentina) às 23h. A volta sai às 18h30min e chega às 20h10min.

Em pesquisa, a coluna encontrou passagens de ida e volta por cerca de R$ 1,3 mil.

Desde a reativação da rota, depois da enchente de maio de 2024, havia quatro frequências semanais. _

Alívio com tarifa de móvel e madeira

Diante da ameaça, o anúncio oficial trouxe até certo alívio. Dois setores com forte atuação no RS terão novas tarifas para entrar nos EUA. A alíquota foi menor do que prevista, e o prazo, maior: só a partir do dia 14.

Alguns produtos de madeira serão taxados em 10%, enquanto armários de cozinha e de banheiro e móveis estofados, em 25%. Antes, a expectativa era de que seriam impostas tarifas de 50% sobre armários de cozinha e de banheiro, por exemplo, mas esse nível só será atingido se não houver acordo até 1º de janeiro de 2026.

O decreto de Trump enquadra as novas taxas na seção 232 do Ato de Expansão do Comércio de 1962. As alíquotas não se somam ao tarifaço de 50% já enfrentado por produtos como cerca de madeira, conforme Leonardo de Zorzi, presidente do Sindimadeira- RS. Ele avalia que 10% ainda permite ao produto nacional competir com o americano. _

GPS DA ECONOMIA 



01 de Outubro de 2025
GPS DA ECONOMIA - Marta Sfredo

Os muitos elementos da "química" Lula-Trump

Não são apenas as longas reuniões entre chefes de Estado que exigem longa preparação. Até a súbita "química" entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, precisou de uma prévia combinação de elementos que envolveu vários personagens além dos irmãos Batista, Wesley e Joesley, sócios da J&F, dona da JBS.

Os preparativos para o encontro casual passaram pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, também vice-presidente. Vieira chegou a ter reunião secreta com representante do Departamento de Estado (equivalente ao MRE nos EUA). Alckmin, por sua vez, teve conversas mais produtivas com Jamieson Greer, titular do Representante de Comércio dos EUA (USTR na sigla em inglês). Integrantes de setores afetados pelo tarifaço viram oportunidade de esclarecer a real situação das trocas bilaterais e até o verdadeiro clima político.

Brasil e Índia, casos incomparáveis

Trump impôs a maior alíquota do mundo - só equivalente à da Índia - a um país que dá aos americanos um superávit de US$ 30 bilhões, conforme dados do próprio USTR, entre produtos e serviços. Enquanto isso, os EUA enfrentam déficit de US$ 45,8 bilhões com a Índia.

Não há comparação possível entre os dois países, embora o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, faça paralelos entre os campeões mundiais de tarifa dizendo que ambos colocam os americanos em "desvantagem". A tentativa de integrantes do governo e empresários é evidenciar esse abismo entre Brasil e Índia, que, para efeito de tarifaço, são tratados de forma igual.

Isso serviu para gerar a "química", mas ainda é incerto se será suficiente para provocar efeitos práticos no comércio. Até por isso o envolvimento de empresários é necessário: Trump não negocia só como chefe de Estado, também como homem de negócios. Seus acordos costumam embutir a necessidade de aportes do país ou bloco afetado, como ocorreu com a União Europeia. Nesse ponto, o aceno já feito da Embraer de investir US$ 500 milhões na Flórida é um trunfo. _

O risco de paralisação dos serviços federais nos EUA fez o mercado andar de lado ontem. O dólar oscilou 0,02% para cima e fechou em R$ 5,322. A bolsa variou 0,1% para baixo, a 146,1 mil pontos. A questão é a duração do shutdown.

De volta à crise

Na semana passada, só o apoio verbal do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao colega da Argentina, Javier Milei, foi suficiente para acalmar o mercado. Agora, o modo é "pagar para ver". Ontem, o dólar voltou ao patamar de 1,4 mil pesos, trazendo a crise de volta.

A promessa de Trump é só liberar swap cambial (troca de moedas) de US$ 20 bilhões depois da eleição parlamentar de 26 de outubro. Falta muito. Até para assegurar o resultado, Milei tenta um "adiantamento" para reduzir o risco de disparada do dólar até o pleito.

Outra medida para enfrentar a crise cambial, a suspensão da cobrança de impostos sobre exportações agrícolas (retenciones) está perto do limite. A regra previa o fim da isenção até 31 de outubro ou até o limite de entrada de US$ 7 bilhões. Nas contas do mercado, falta entrar cerca de US$ 2,7 bilhões. Também há dúvida se US$ 20 bilhões bastam. As estimativas de vencimentos da dívida argentina em 2026 e 2027 chegam a US$ 37 bilhões. _

Reforço na rota PoA-Buenos Aires

A partir de 5 de abril de 2026, Porto Alegre passará a ter opção de voo direto para Buenos Aires aos domingos. A conexão da Aerolíneas Argentinas vai sair do Salgado Filho às 21h5min para chegar ao Aeroparque (perto do centro da capital argentina) às 23h. A volta sai às 18h30min e chega às 20h10min.

Em pesquisa, a coluna encontrou passagens de ida e volta por cerca de R$ 1,3 mil.

Desde a reativação da rota, depois da enchente de maio de 2024, havia quatro frequências semanais. _

Alívio com tarifa de móvel e madeira

Diante da ameaça, o anúncio oficial trouxe até certo alívio. Dois setores com forte atuação no RS terão novas tarifas para entrar nos EUA. A alíquota foi menor do que prevista, e o prazo, maior: só a partir do dia 14.

Alguns produtos de madeira serão taxados em 10%, enquanto armários de cozinha e de banheiro e móveis estofados, em 25%. Antes, a expectativa era de que seriam impostas tarifas de 50% sobre armários de cozinha e de banheiro, por exemplo, mas esse nível só será atingido se não houver acordo até 1º de janeiro de 2026.

O decreto de Trump enquadra as novas taxas na seção 232 do Ato de Expansão do Comércio de 1962. As alíquotas não se somam ao tarifaço de 50% já enfrentado por produtos como cerca de madeira, conforme Leonardo de Zorzi, presidente do Sindimadeira- RS. Ele avalia que 10% ainda permite ao produto nacional competir com o americano. _

GPS DA ECONOMIA

01 de Outubro de 2025
INFORME ESPECIAL - Vitor Netto

Defesa Civil do RS quer aprimorar a comunicação

A Defesa Civil do RS está realizando um levantamento para aprimorar o trabalho e a comunicação com a comunidade. Chamada de Pesquisa de Percepção de Riscos de Desastres, a iniciativa, totalmente virtual, está disponível desde 8 de setembro e segue aberta até 23 de outubro, para coletar dados de todo o Estado sobre a percepção da população quanto aos desastres naturais que impactam os gaúchos.

- Depois dos desastres que tivemos nesses últimos dois anos no RS, vimos, dentre tantos avanços que estamos implementando, a necessidade também de conversar com a ponta da linha, para ver o que as pessoas que sofrem com esses desastres aprenderam em termos de percepção de risco. Então, desenvolvemos a pesquisa com o objetivo de traçar um cenário de como a população está percebendo os riscos e sua compreensão sobre desastres - explicou o chefe da Casa Militar e coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel Luciano Chaves Boeira.

A pesquisa tem o formato de um formulário, no qual é necessário informar o CPF (para evitar que uma pessoa responda mais de uma vez) e, em seguida, responder a perguntas como: de onde recebe informações sobre possíveis desastres no Estado; onde busca dados; como é o contato com os órgãos públicos; como obtém informações sobre o clima; além de propor melhorias que possam ser implementadas pela Defesa Civil.

- Queremos aprimorar a nossa comunicação de risco, bem como os nossos protocolos de segurança em atuação durante esses desastres. Para isso, precisamos identificar o quanto essas comunidades evoluíram na percepção e nos cuidados, para que consigamos tornar os nossos protocolos mais eficazes - disse Boeira.

Chamado à população

A Defesa Civil tem a meta de coletar até 9 mil respostas, de moradores de áreas urbanas e rurais, além de identificar diferentes perfis.

Atualmente, pouco mais de 6 mil pessoas responderam ao levantamento. O coordenador destaca as principais diferenças no engajamento entre as regiões:

- Na Região Metropolitana, do nosso público-alvo, 32% das pessoas responderam à pesquisa. Se pegarmos a região de Passo Fundo, esse número extrapolou, já foi a 276% do nosso público-alvo. Isso mostra que algumas regiões têm um engajamento maior. Em Tio Hugo, um município que tem pouco mais de 3 mil habitantes, temos o mesmo número de questionários respondidos que em Porto Alegre, que tem mais de 1,3 milhão de habitantes.

A pesquisa pode ser respondida pelo link disponível no site oficial defesacivil.rs.gov.br ou no Instagram @defesacivilrs.

Atualmente, a Defesa Civil conta, além das informações em suas redes e sites oficiais, com o cadastro do SMS 40199, por meio do qual é possível receber alertas meteorológicos para cada região. _

Dom Jaime e Arnold Schwarzenegger em evento sobre crise ambiental

Milhares de pessoas, entre religiosos, especialistas climáticos e líderes políticos, se reunirão em Castel Gandolfo, próximo ao Vaticano, entre hoje e sexta-feira para a conferência internacional Elevando a Esperança pela Justiça Climática. O evento marca as comemorações dos 10 anos da encíclica Laudato Si?.

Ontem, o arcebispo metropolitano de Porto Alegre, cardeal dom Jaime Spengler, participou, ao lado do ator mundialmente conhecido Arnold Schwarzenegger e outros líderes ambientais, de uma coletiva de imprensa na Santa Sé que antecedeu o evento.

A encíclica Laudato Si? foi lançada pelo papa Francisco em 2015 com forte apelo ambiental. O evento, além de celebrar uma década do documento, visa prospectar pautas para a COP30, em novembro, em Belém.

- Nesse evento, queremos alimentar o conhecimento sobre a encíclica e também estar preparados para as discussões que virão durante a COP30 - disse dom Jaime à coluna.

Participação do ator

A participação de Arnold Schwarzenegger, que é ex-governador da Califórnia e presidente do Instituto Schwarzenegger, deve-se ao seu engajamento em políticas e pautas ambientais no mundo.

- Enquanto governador da Califórnia, ele desenvolveu projetos interessantes ligados a fontes de energia alternativa, principalmente fotovoltaica - contou o arcebispo.

Segundo dom Jaime, o ator está entusiasmado para a COP30, principalmente dada a temática da Amazônia.

Hoje, dom Jaime, Schwarzenegger e a ministra do Meio Ambiente e Mudança Climática, Marina Silva, vão se reunir em uma audiência com o papa Leão XIV. _

Mais um Fórum da Mudança Climática

Porto Alegre receberá amanhã o 6º Fórum Internacional de Mudanças Climáticas. O evento reunirá atores do clima, autoridades, agentes públicos e privados no teatro da Unisinos, com o tema Transição Energética e a Descarbonização da Economia.

Segundo Marcino Junior, CEO do Instituto Latino- Americano de Desenvolvimento Econômico Sustentável (Ilades), que organiza o evento, o objetivo é levar conhecimento, experiência e pesquisa aplicada que tragam resultados à sociedade. Inscrições e programação disponíveis no Instagram @iladresorg. 

Inovação no Moinhos de Vento

O Hospital Moinhos de Vento foi selecionado pela MIT Technology Review Brasil - plataforma do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) - como uma das 20 organizações mais inovadoras do Brasil em 2025. A instituição é a única da saúde a receber a chancela Innovative Workplaces 2025.

Entre os destaques que garantiram o reconhecimento está o Atrion - Centro de Inovação em Saúde, espaço que trabalha com soluções tecnológicas para a área da saúde.

Do RS, a Renner também aparece na lista, porém compreende a outro segmento. 

Tony Blair, paz e Gaza

Dentro do plano de Donald Trump para Gaza está a criação de um Conselho da Paz, que seria liderado pelo republicano com a participação do ex-primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair.

Blair é considerado uma das figuras mais importantes e controversas da história britânica. Ele ocupou o cargo de primeiro-ministro entre 1997 e 2007 e foi conhecido pelo projeto New Labour, responsável por modernizar o Partido Trabalhista, afastando-o de suas raízes socialistas tradicionais e criando uma plataforma pró-negócios e socialmente mais liberal.

A grande controvérsia que envolve Blair é a da Guerra do Iraque (2003), quando se aliou ao presidente dos EUA George W. Bush. Além disso, apoiou a invasão do Afeganistão em 2001.

Após deixar o cargo de primeiro-ministro, foi, entre 2007 e 2015, enviado do Quarteto para o Oriente Médio, atuando como representante diplomático dos EUA, Rússia, UE e ONU para tentar mediar a paz entre israelenses e palestinos. _

INFORME ESPECIAL