terça-feira, 29 de junho de 2010



9 de junho de 2010 | N° 16381
CLÁUDIO MORENO


Moral e civismo

Um juramento – Na Grécia antiga, a passagem para a idade adulta era marcada por várias cerimônias formais. Para se tornar cidadão, todo ateniense que completasse dezoito anos se obrigava, entre outras coisas, a fazer um juramento solene, diante dos deuses e dos homens.

Este belíssimo texto, do qual nos chegaram várias versões, rezava mais ou menos o seguinte: “Não desonrarei as armas de meus antepassados, nem abandonarei meu companheiro na batalha. Lutarei na defesa de nossos deuses e de nosso povo, até mesmo sozinho, se necessário.

Transmitirei a meus filhos uma pátria melhor e mais próspera que esta que agora recebo. Respeitarei as ordens dos magistrados e as leis que o povo decidir de comum acordo; se alguém ameaçar essas leis ou a elas desobedecer, eu as defenderei...” – e por aí afora. Sempre que leio essas linhas, sinto ao longe o raro perfume de flores já quase extintas.

Função dos governantes – Quando Demétrio conquistou a Macedônia, ninguém gostava dele. O povo não se queixava de suas roupas extravagantes nem do luxo supérfluo que mantinha no palácio, mas sim da extrema dificuldade em ter acesso ao novo rei para, como era o costume, apresentar-lhe seus pedidos de justiça. Certa feita, andando pelas ruas com sua comitiva, deixou-se cercar por populares entusiasmados, que aproveitaram a ocasião para lhe entregar suas petições.

Com ar alegre, o rei ia recolhendo todos aqueles pergaminhos na aba levantada de seu manto, e a multidão, encantada com a mudança, começou a segui-lo, entre risos e aplausos – até que ele chegou à ponte sobre o rio Axius e ostensivamente jogou todos aqueles rolos na correnteza.

Um dia, porém, teve o passo atalhado, na rua, por uma resoluta mãe de família que se pôs a implorar, insistentemente, que ele a ouvisse. “Não tenho tempo para isso”, declarou, desdenhoso – ao que ela retrucou, furiosa: “Pois então não seja rei!”. Essas palavras tocaram Demétrio de tal maneira que passou vários dias a receber, no palácio, todo cidadão que desejasse falar com ele – a começar, é claro, pela indignada cidadã que soube reivindicar seu direito.

O nome na lista – Alexis de Tocqueville, nas suas Recordações da Revolução de 1848, fez questão de incluir um incidente menor, mas extremamente significativo para quem estuda o caráter dos homens: em meio àquela grande confusão social, os revolucionários, para anunciar ao povo a lista dos cidadãos que comporiam o Governo Provisório, foram pedir a um dos líderes, Lamartine, que lesse os nomes em voz alta, do topo da escadaria.

“Não posso”, disse ele. “Meu nome consta nela”. Procuraram então um tal Crémieux, a quem fizeram o mesmo pedido. “Vocês estão malucos”, respondeu, “se pensam que eu vou ler uma lista em que não aparece meu nome!”.

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