segunda-feira, 9 de novembro de 2015



09 de novembro de 2015 | N° 18350 
CÍNTIA MOSCOVICH

COMO ASSIM?


Foi durante o Em Cena, em setembro deste ano, no Araújo Vianna, num show junto a Arthur Nestrovski e Livia Nestrovski, que José Miguel Wisnik agradeceu de público ao Instituto Ling por ter possibilitado os ensaios do grupo naquela semana. Disse que Porto Alegre deveria muito se orgulhar de ter o Ling, que, segundo ele, “movimenta a vida cultural da cidade”.

Eu fiquei pensando: vida cultural?

O próprio Em Cena conseguiu ser realizado a duras penas graças à teimosia de Luciano Alabarse, idealizador do projeto. A Feira do Livro, castigada em outubro pelas chuvas, perigando perder patrocínios importantes, chegou à sua 61ª edição também por teimosia do pessoal da Câmara Rio-Grandense do Livro – e momentos houve nos quais parecia que a Praça da Alfândega ia ficar entregue aos jacarandás.

Todos os anos, a ladainha de falta de verba é a mesma. E todos os anos, lá vem o corte na mesma cereja do mesmo bolo. Com a danação orçamentária que começou a se exibir no início do ano, outros projetos correm sério risco: para janeiro, os organizadores do Porto Verão Alegre temem restrições. (E isso que nem estamos falando do Teatro da Ospa e do Multipalco, esses que não saem do lugar.)

A “vida cultural” da cidade e do Estado, vê-se, não é algo que ande facilmente: ela se equilibra numa corda bamba e tensa, sem nenhuma segurança ou estabilidade. Não que o poder público tenha que tutelar e manter as atividades artísticas, longe disso. Mas pelo menos os governos bem podiam dar o exemplo, prestigiando e valorizando minimamente a tal vida cultural de que fala Zé Miguel. Se é, claro, que vida cultural exista.

Hoje, às 18h30min, os alunos da minha oficina e os alunos da oficina de Pedro Gonzaga apresentam O Melhor dos Menores: Pequenas Narrativas por Seus Autores no Auditório Barbosa Lessa, no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo, ali na Andradas. São mini e microcontos produzidos especialmente para o evento. Garanto: os melhores do século 21.

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