segunda-feira, 21 de dezembro de 2020


Outubro tem maior venda mensal de gasolina do ano

Depois de engatar a marcha a ré no começo da pandemia, a venda de gasolina acelerou no Rio Grande do Sul. Em outubro, o consumo do combustível teve alta de 13,1% frente a setembro, alcançando 297,569 milhões de litros. Trata-se do maior volume de venda mensal, no Estado, ao longo de 2020. ZH buscou os dados no site da Agência Nacional do Petróleo (ANP), que regulamenta o setor.

Na visão de analistas, a retomada dos negócios reflete a flexibilização de medidas de isolamento social nos últimos meses. Durante a fase inicial da pandemia, a venda de gasolina havia despencado com o fechamento de empresas. O volume mais baixo em 2020 foi registrado em abril (202,765 milhões de litros).

- Houve maior movimentação em outubro, teve campanha eleitoral. Quando o clima esquenta, o pessoal também viaja mais para o Litoral. No inverno, fica mais recluso - avalia João Carlos Dal?Aqua, presidente do Sulpetro, que representa os postos de combustíveis no Estado.

Por outro lado, o dirigente lembra que houve piora nos casos de coronavírus, o que ameaça deslocamentos.

- Não tenho dúvida de que a flexibilização do distanciamento social teve o maior impacto na alta da venda de gasolina em outubro - frisa o economista-chefe da consultoria ES Petro, Edson Silva.

Os dados da ANP contemplam os repasses das distribuidoras para os postos. Mesmo com a melhora na venda frente a setembro, o setor seguiu no vermelho em relação a outubro de 2019. Nesse tipo de comparação, houve queda de 2,6% no volume de gasolina comercializado no Estado.

O resultado também é negativo no acumulado de 2020. De janeiro a outubro, a venda encolheu 11,6%, para 2,572 bilhões de litros, conforme a ANP.

Sócio-fundador da consultoria MaxiQuim, João Luiz Zuñeda projeta que, até o final do ano, o setor pode colher novos avanços, mas sem recuperar todas as perdas geradas pela pandemia. Conforme o especialista, a queda no acumulado deve ficar abaixo de 10%.

- A economia está voltando. Com a retomada da produção, há consumo de combustíveis. Por outro lado, as dificuldades da pandemia são um problema para deslocamentos de lazer. Então, esse tipo de consumo de gasolina, que é importante, sai prejudicado - explica Zuñeda.

Apelo

Para Dal'Aqua, o comportamento dos negócios entre o final de 2020 e a largada de 2021 dependerá do quadro da covid-19. Nesse sentido, o líder empresarial faz um apelo para que a população respeite protocolos contra o coronavírus.

- As próximas semanas dependerão dos índices de contaminação. É inevitável que o pessoal se movimente, mas é preciso ter precaução. A sociedade precisa comprar essa ideia. Penalizar somente quem está trabalhando não resolve o problema - afirma Dal?Aqua.

O comportamento recente da venda de gasolina no Estado pega carona no embalo nacional. Em outubro, o volume negociado no país cresceu 8,4%, para 3,390 bilhões de litros. É o maior resultado mensal, até agora, em 2020.

Entretanto, o setor continua com desempenho negativo no acumulado do ano. De janeiro a outubro, a queda chegou a 7,9% no Brasil - ou seja, a baixa é menor do que a gaúcha.

- O ambiente de incertezas se projeta em todos os segmentos da economia. A pandemia trouxe isso. Estamos passando por momento de altos índices de contágio e ocupação de leitos hospitalares. A situação, obviamente, pode impactar o consumo - diz Silva.

LEONARDO VIECELI

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