quarta-feira, 22 de dezembro de 2021



22 DE DEZEMBRO DE 2021
POLÍTICA +

Talvez, quem sabe

Com o naufrágio da pré-candidatura de Romildo Bolzan, provocado pelo rebaixamento do Grêmio, o PDT ainda não bateu o martelo sobre a estratégia eleitoral para 2022. Ontem, o presidente estadual do partido, Ciro Simoni, recebeu o ex-deputado Beto Albuquerque, pré-candidato do PSB ao Palácio Piratini. No encontro, Ciro e Beto expressaram o desejo que os dois partidos concorram unidos.

- Já deixamos agendado um novo encontro em janeiro, com o objetivo de seguirmos avaliando a evolução do cenário político no Rio Grande do Sul e trabalhando pela nossa unidade - disse Beto.

O PSB negocia uma aliança nacional com o PT, mas esse acordo não está garantido no Estado. Os dois partidos emitem sinais de que pretendem lançar candidatura própria - o PSB com Beto e o PT com Edegar Pretto.

Oposição ajudará a aprovar reajuste

Com ressalvas, porque consideram a proposta insuficiente para cobrir a defasagem acumulada nos últimos sete anos, deputados do PT e do PSOL votarão a favor do projeto de reajuste aos professores encaminhado pelo governador Eduardo Leite que será apreciado hoje. Ao que tudo indica, o projeto só não será aprovado por unanimidade porque os dois deputados do Novo, Giuseppe Riesgo e Fábio Ostermann, anunciaram que votarão contra.

O líder da bancada do PT, Luiz Fernando Mainardi, diz que o partido não teria como votar contra um projeto que corrige minimamente os salários dos professores, congelados desde 2014. Como a oposição não tem força para mudar a proposta e aprovar os 32% para todos, conforme pleiteou a bancada do PT, não quer entrar para a história como tendo votado contra uma reposição que vai de 5,53% para os aposentados e professores em atividade que incorporaram adicionais de tempo de serviço a 32% para os que entraram mais recentemente, especialmente os contratados em caráter emergencial.

Mainardi diz que, como o impacto do reajuste é de R$ 730 milhões, significa que a reposição do magistério é de 10%, já que a folha anual fica pouco acima de R$ 7 bilhões. De fato, o governo nunca escondeu que o reajuste não seria linear e que a ideia era dar mais para os ativos, porque os aposentados incorporaram vantagens que estes não têm. A média salarial dos inativos é superior à dos que estão em sala de aula.

O Rio Grande do Sul tem hoje 167.689 matrículas (não é o mesmo número de professores porque muitos têm dois contratos). Desse total, 100.881 são de aposentados, 60.540 de professores em atividade e 6.268 de pensionistas. Pela proposta inicial, 30.933 aposentados e 160 ativos não teriam qualquer reajuste. Com a alteração negociada para aprovar o projeto, todos terão no mínimo 5,53%, exceto os aposentados e pensionistas que não têm paridade com os ativos, porque ingressaram nos quadros do Estado depois de 2003, quando foi aprovada a Emenda Constitucional 41.

O chefe da Casa Civil, Artur Lemos, diz que esse é o reajuste possível para não inviabilizar o governo que sucederá o de Eduardo Leite. Justifica que o Palácio Piratini gostaria de dar mais, mas esse é o reajuste que cabe na receita do Estado.

- Não temos como corrigir a defasagem de uma vez só. Estamos dando o que podemos pagar. Com a mudança no plano de carreira, criamos as condições para aumentar o salário inicial e dar reajustes sem quebrar o Estado - afirma Lemos.

ROSANE DE OLIVEIRA

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