sábado, 27 de dezembro de 2008



27 de dezembro de 2008
N° 15831 - PAULO SANT’ANA


Dever cumprido

Queridos, não é possível fazer mais nada. Agora sei por que estes dias de Festas são tão arrastados, longos, melancólicos.

É que se convencionou que dezembro era o fim do ano. E nada funciona no fim do ano, desde as repartições públicas, desde as escolas, nas ruas restam poucos pedestres e carros.

É que todos acham que esta etapa terminou. Não é que não sejamos capazes de dar mais: é que tudo que ainda somos capazes de dar, dá-lo-emos, mas no ano que vem.

Pára a Justiça, a não ser nos casos urgentes, pára a polícia, a não ser nos casos urgentes, pára o governo, param os cidadãos, pára tudo neste fim de ano, todos já deram o seu quinhão, há no ar uma sensação de dever cumprido.

É aquilo que se pode chamar de lassidão. Lasso está quem não tem mais nada a fazer.

Como não há nada mais a fazer, o certo e aconselhável é entrar em férias. E tentar recuperar as forças para voltar a fazer tudo depois das férias.

Por isso é que se chama o ano que vem de Ano-Novo. Este ano já está velho, a ele só cabe carregar esperanças.

Vai daí que entregues à terra e ao cimento durante o ano inteiro, as multidões querem agora arremessar-se para as águas do mar, dos rios, dos lagos, uma ânsia de verde e de natureza nos domina.

Felizes os que podem ainda mudar de ambiente neste fim de ano.

E retemperar suas energias para um ano inteiro que vem pela frente, a julgar pelos noticiários.

Agora é de espreguiçar-se. Os privilegiados hão de achar uma sombra larga de árvore, usando chinelos ou alpargatas, sem camisa, só de calção ou de bermudas, uma caipirinha, uma cervejinha bem gelada, saboreando talvez um leitão assado que foi criado na Granja Fontana, lá da cidade de Charrua, ou então o cordeiro mais saboroso do Estado, criado pelas Organizações Pitangueiras de Itaqui, uma gentileza de que jamais me esquecerei depois de ter sido brindado quando lá estive.

Que cordeiro o de Itaqui, sinto dizer que bateu de goleada o já célebre cordeiro da fazenda de Afonso Motta, no Cerro do Dinheiro, Serra do Caverá, Alegrete.

Afonso tem a humildade de admitir que a carne de Itaqui é melhor. A carne do Alegrete é divina. Mas a carne de Itaqui foi criada pelo Colégio dos Apóstolos.

Eu falo assim porque sou, como consumidor, o maior connaisseur de carnes no Rio Grande do Sul.

E vamos transpor essa lassidão do Ano-Novo e encarar a crise anunciada da seguinte maneira: se a crise vai ser dura, ela saberá que nós vamos ser melhores.

Sempre há pessoas anunciando que perderam cães. Agora, aqui comigo, é o contrário: a leitora Renata Behrends achou um cão labrador nas imediações da Avenida Carlos Gomes com Avenida Bagé.

Ela entregou-o para cuidados a uma clínica veterinária, mas precisa com urgência encontrar o seu dono. O labrador está em uma gaiola e necessita de liberdade e de dono.

Ele é de cor champanha, é adestrado e atende a vários comandos. Muito dócil.

Se não encontrar o dono, Renata quer doá-lo a alguém. O que não pode é ele ser entregue ao centro de zoonoses.

Os telefones de Renata são 9602-9651 e 9319-3100.

Sabe-se lá se o dono do cão não está desesperado à procura, sentindo falta dele.

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