quinta-feira, 17 de março de 2011



17 de março de 2011 | N° 16642
L. F. VERISSIMO


Tétrico trio

Você imaginaria que uma nação traumatizada por dois ataques atômicos que mataram e mutilaram milhares dos seus cidadãos seria a última a recorrer a usinas nucleares para sua energia. Mas o Japão é um dos países (outro é a França) que aderiram com mais entusiasmo à tecnologia nuclear, desmentindo a velha máxima do gato escaldado e da água fria.

Agora Fukushima, onde ainda não sabem se haverá uma grande tragédia ou apenas um grande susto, poderá se juntar a Hiroshima e Nagasaki num tétrico trio de lugares destruídos, com a diferença que em Hiroshima e Nagasaki a destruição veio do alto e no caso de Fukushima viria do chão e do mar, com o movimento das placas tectônicas substituindo os bombardeiros americanos e a fúria da natureza substituindo a fúria da guerra.

Os japoneses alegam que o país não tem alternativas viáveis para produzir a energia de que necessita e que suas centrais nucleares são construídas para resistir aos previsíveis terremotos, mas também já surgiram denúncias de falsificações de relatórios de segurança e outras falcatruas na administração das usinas, inclusive a de Fukushima. O que só prova que a estupidez humana é a mesma, seja pilotando um B-29 ou maquiando a ameaça do envenenamento por acidente de uma população.

O nome

Ajudaria a compreender melhor os acontecimentos no Oriente Médio se pelo menos a imprensa brasileira chegasse a um acordo sobre a grafia correta do nome do homem oscilante, mas ainda forte, da Líbia. Afinal, é Kadafi, Kadaffi, Kaddafi, Gadafi, Gadaffi, Gaddafi, Qaddafi, Qadaffi, Qadafi ou o quê? Quanto ao seu primeiro nome, Muammar, parece não haver dúvida, se bem que haveria uma corrente propensa a eliminar um dos “emes” para não complicar a coisa, ou complicá-la ainda mais. Mas e o sobrenome? O da carteirinha do clube, o do CPF?

Algum repórter mais empreendedor poderia tentar acessar a certidão de nascimento do, do, enfim, do cara, ou, se conseguisse se aproximar dele, perguntar como ele se chama e pedir “soletra!”.

Fora isso, proponho uma reunião dos jornais para padronizar o uso do nome do ditador, sob pena de a situação ficar insustentável, levando à discórdia entre editores e revisores e à perplexidade entre leitores. Se não se chegar a uma grafia comum do nome se poderia adotar outro, de comum acordo. Como, por exemplo, sei lá. Souza.

A rosa

(Da série “Poesia numa hora destas?!”)

Pétalas cobrindo pétalas

corredores secretos

circundando um vão...

A rosa não é uma flor,

a rosa é uma conspiração!

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