quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008



06 de fevereiro de 2008
N° 15502 - Cláudio Brito


Beija-Flor, de novo


A comunidade de Nilópolis pisou na Sapucaí com a determinação que o refrão do samba-enredo estimulava: "O meu valor me faz brilhar/Iluminar meu estado de amor/Comunidade impõe respeito/Bate no peito, eu sou Beija-Flor!"

Era a resposta às insinuações de que o campeonato do ano passado teria sido arranjado. Neguinho da Beija-Flor cantou muito, seguido de um coral vigoroso de mais de 3 mil vozes engajadas na proposta de provar ao mundo que o título que defendiam era legítimo.

Uma reação justa, pois não cabe qualquer reparo àquela vitória, confirmada por todos os analistas e premiações paralelas. A Beija-Flor merece repetir a festa em 2008.

Ninguém tem o compromisso de adivinhar o que dirão os jurados oficiais, ainda mais que a decisão pode se dar em um ou dois décimos de ponto.

Quem examina o desfile com os conceitos de cada quesito servindo de bússola não vacila. É nota 10 para a Beija-Flor em quase toda a planilha de julgamento. E onde perder alguma coisa, será o mínimo.

Foi vigorosa na dança, cantou harmônica e a bateria impressionou pela simplicidade e correção. A porta-bandeira Selminha Sorriso e seu mestre-sala, Claudinho, sempre donos de notas altas, abrindo o desfile com a Comissão de Frente, facilitaram à escola uma evolução sem interrupções ou correrias.

Fantasias impecáveis, adequadas ao enredo, com adereços e complementos que deixaram a escola mais perto do olhar das arquibancadas e proporcionaram a bonita visão de um mar de plumas ondulando na pista. Um desfile compacto, mas solto.

Os quesitos conjunto, alegorias e adereços vão empilhar outros 10 no mapa de notas da escola que Laíla e sua Comissão de Carnaval organizaram com perfeição. Deu tudo certo para a Beija-Flor, de novo.

Viradouro, Grande Rio, Mocidade: um trio de respeito

A Viradouro pode quebrar as previsões e colocar sua pista de esquiadores e seus arrepios no degrau mais alto do pódio armado na praça da Apoteose na apuração de hoje? Sempre é possível, mas não se tem justificativa para isso agora.

Abertos os envelopes e lidas as notas, algum detalhe que só o jurado tenha visto pode mudar o que a Sapucaí inteira afirmou na manhã de terça-feira.

Paulo Barros agitou, fez polêmica, brilhou. Merecidamente, que ele é muito bom. Adonou-se do trono que foi de Joãosinho Trinta e começa a inspirar seguidores, mas faltou um pedacinho para ser campeão de um Carnaval ainda convencional.

Uma vitória da Grande Rio será menos surpreendente que a de outra qualquer. Vem fazendo bonito há três anos e não foi diferente na madrugada de ontem.

Enfrentou grave dificuldade nos primeiros 10 minutos, pelo atraso de seu intérprete, Wander Pires, que só chegou quando o samba já rolava na terceira volta, com a bateria a pleno e o garoto Emerson Dias segurando a bronca junto ao carro de som. Houve empurrões e bate-boca no desfile. Wander reclamava da modulação dos microfones e queria Emerson afastado.

A direção de harmonia levou um tempão para acertar. No mais, a tricolor de Caxias impressionou e está na pedra, garantida no desfile das campeãs. O enredo do gás deu bem o recado pretendido pelo carnavalesco Roberto Szanieck.

A Mocidade se inscreveu para o desfile de sábado, quando voltam à Sapucaí as seis melhores. E vem muito bem colocada.

Uma das três a apresentar enredos para festejar os 200 anos da chegada de dom João VI, pegou bem a história do mito sebastiano anterior e mostrou o Rei como o herói da utopia do Quinto Império.

Luxuosa, alegre, perfeita na evolução, cumpridora das regras e muito bem dirigida pelo experiente José Luiz Azevedo, a verde-e-branco de Padre Miguel reconstruiu-se. Fez Carnaval para apagar o insucesso de 2007, quando ficou em 11º lugar.

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