Criatividade no abraço
Para Catarina, a menina que caiu no choro ao se despedir dos avós no ano passado, a pandemia foi duas vezes desafiadora: primeiro, pelo rompimento no relacionamento com as avós, com quem convivia quase todos os dias antes de ir para escolinha. E segundo, pois teve de interromper o processo de adaptação na escola e voltar para casa.
O ano transcorreu, como para maioria das famílias, com a estratégia das videochamadas e visitas aos avós à distância, para desespero da Elenice e do marido, Fernando Luiz Barbieri, 64 anos.
- Não tem como ficar longe, é muito difícil, foi um ano de provação - conclui Elenice.
Além dos avós maternos, a astróloga Lúcia Vellinho, 73 anos, o aposentado Hector Furlong, 74, e a fonoaudióloga, esposa de Hector, Andréia Fava Melo, 52, representantes do lado paterno, também viram os encontros com a menina rarearem. Na tentativa de amenizar a distância física, a família visitava a avó, que mora em uma casa, e permanecia no pátio. Por vezes, Catarina beijava a porta de vidro que separava ela e Lúcia, como se estivesse beijando a bochecha da avó. Cansada da falta de contato físico, Lúcia resolveu dar um jeito de se aproximar da família:
- Estava muito triste, pois via eles chegando lá em casa e não podia abraçar. Aí um dia resolvi juntar três sacos de lavanderia e colá-los. Ficou um plástico bem grandão, então eu entrei dentro e consegui abraçar bem forte eles.
Mais para o fim do ano, com muita cautela, a família voltou a se reencontrar, aos poucos com os avós. Até que, no verão, Elenice e Fernando Luiz, tiveram covid-19. Passado o período de isolamento deles, o contato foi aumentando, afinal, o temor da família era a contaminação deles.
Ainda assim, os avós do lado paterno de Catarina ainda sofriam com as restrições até o dia que foram vacinados.
- A gente fica mais tranquilo e vê que eles ficam tranquilos também. Agora, estamos nos encontrando mais - confirma Gabriela Machado Barbieri, 37 anos, mãe da Catarina e filha da Elenice e do Fernando Luiz.
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