Aqui voces encontrarão muitas figuras construídas em Fireworks, Flash MX, Swift 3D e outros aplicativos. Encontrarão, também, muitas crônicas de jornais diários, como as do Veríssimo, Martha Medeiros, Paulo Coelho, e de revistas semanais, como as da Veja, Isto É e Época. Espero que ele seja útil a você de alguma maneira, pois esta é uma das razões fundamentais dele existir.
sábado, 31 de maio de 2008
01 de junho de 2008
N° 15619 - Luis Fernando Verissimo
O Sandrão
Idéia para uma história. Um homem chega numa pequena cidade do interior e registra-se num hotel. Quando o recepcionista do hotel vê seu sobrenome - digamos, Soviero - arregala os olhos. Depois disfarça e diz:
- Soviero... Soviero... Eu conheci um Soviero. Será seu parente?
- Acho difícil - diz o homem.
Assim que o homem entra no elevador com suas duas malas o recepcionista pega o telefone e faz uma ligação. Suas mãos tremem.
Vinte minutos depois, o homem ouve baterem na porta do seu quarto. Abre a porta. É um homem corpulento que se apresenta como delegado Matias. O delegado Matias não quer entrar. Não perde tempo com formalidades. Diz:
- Olha aqui, Soviero, nós não queremos encrenca. - O quê? - O que passou, passou. Vamos esquecer o que houve.
- Não sei do que o senhor está falando. - E eu não sei o que você está querendo.
- Eu? Nada. Represento uma linha de bijuterias. Vim tentar vender o meu produto nesta região. Se o senhor quiser ver o mostruário...
O homem indica uma das malas sobre a cama, mas o delegado Matias não quer ver nada. Só quer avisar:
- Nem pense em vingança.
Quando sai do elevador o homem vê um grupo reunido no saguão do hotel. Todos estão falando, mas param de falar quando ele aparece. Ninguém se aproxima. O homem ouve uma voz dizer: "Não se parece com ele". E outra dizer: "Parece sim, parece sim". Finalmente um velho se destaca do grupo, examina o rosto do homem e pergunta:
- O que você é do Sandrão? - Não conheço nenhum Sandrão. - Irmão? Filho?
- Nada. Não conheço nenhum...
- Só vou lhe dizer uma coisa - interrompe o velho. - Ele mereceu. Está me entendendo? Ele mereceu!
O homem consegue que o apavorado recepcionista lhe indique um bom restaurante perto do hotel. Mal o homem acaba de comer surge uma mulher que pede para sentar com ele. No hotel disseram onde encontrá-lo. A mulher não é feia. Ela diz:
- Eu sou a Lizete. O Sandrão não lhe falou de mim?
- Eu não conheço nenhum...
- Mas é claro, não podia ter falado. Ele não saiu vivo daqui. Eu não tive nada a ver com o que fizeram com ele, viu? Apesar de tudo que ele fez... - O que foi que ele fez? Mas Lizete parece não ter ouvido. Está com o olhar perdido.
- Sandro Soviero, Sandro Soviero... Digam o que disserem, era um homem e tanto.
O olhar de Lizete fixa-se no homem. - Se você for a metade do homem que ele era...
Depois, na cama, ela insiste: - Antes, diz o que você é dele, diz!
O homem já está com a cara entre os seios de Lizete. Balbucia:
- Irmão. - E veio vingar o Sandrão, não veio? - Vim, vim!
Mais tarde, quase dormindo, o homem pergunta por que o recepcionista do hotel parece tão nervoso. Lizete conta que foi ele quem revelou onde podiam encontrar o Sandrão, para matá-lo. Aliás, o Sandrão estava naquele mesmo quarto, com ela, quando fora trucidado.
O homem então pergunta o que Sandro Soviero fez de tão horrível para merecer ser trucidado. Não ouve resposta, vira-se e vê que Lizete não está mais ao seu lado. Foi avisar aos outros que o homem é, sim, parente do Sandrão e está ali para vingá-lo.
Dali a pouco o quarto é invadido por um grupo, liderado pelo delegado Matias. Matam o homem. Depois o delegado Matias abre as malas do homem e descobre, numa, as suas roupas e pertences e na outra, em vez das armas com as quais o Sandrão seria vingado, um mostruário de bijuterias.
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