sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Vidas, mortes, cultura e memória dos cemitérios

alguém caminha sobre o seu túmulo

alguém caminha sobre o seu túmulo

/EDITORA INTRÍNSECA/DIVULGAÇÃO/JC

Jaime Cimenti
Hoje mais do que antes poucos vão a cemitérios e poucos de nós somos lembrados após a morte. A consagrada e premiada escritora argentina Mariana Enriquez, autora dos romances Nossa parte de noite ( Prêmio Herralde de Novela, 2019) e Esse é o mar e de coletâneas de contos como Um lugar ensolarado para gente sombria , todos publicados no Brasil pela Editora Intrínseca, acaba de lançar Alguém caminha sobre o seu túmulo ( Editora Intrínseca, 376 p., R$ 89,90) , obra que se originou da fascinação que a autora tem, desde muito jovem, pela beleza assombrosa dos cemitérios.

Mariana viajou por cemitérios famosos e historicamente ricos das Américas do Sul e do Norte, Europa e Austrália . O Montparnasse de Paris, o Highgate em Londres e o antigo Cemitério Judaico em Praga são alguns que aparecem ao lado de outros escondidos, dilapidados, remotos e secretamente belos. Mariana descreve e analisa túmulos de famosos como Elvis Presley ( Memphis) e Karl Marx ( Londres) e sepulturas de anônimos de várias idades, bem como aponta epitáfios extravagantes, esculturas melancólicas, anjos sensuais, vestígios de vodu em Nova Orleans, criptas góticas, catacumbas, esqueletos, vampiros, fantasmas e uma infinidade de lendas.

Utilizando técnicas jornalísticas ao incorporar depoimentos de coveiros, guardas , visitantes, historiadores e moradores, Mariana constrói uma narrativa plural com relatos inspirados em lendas urbanas, biografias, acontecimentos históricos e memórias coletivas.
Mesmo quem não gosta do macabro certamente será cativado pelo entusiasmo contagiante da escritora, nesse livro altamente original, como escreveu o Financial Times.

Autora fundamental da literatura de terror do século XXI , professora, jornalista e professora, nessa obra ambientada em 24 cemitérios espalhados pelo mundo, Mariana mergulha em seu universo literário e mostra que seu entusiasmo pelo macabro é expresso em prosa efervescente, como disse o The Economist.

Lançamentos

A festa (Arquipélago Editorial, 296 pág, R$ 89,90), romance clássico moderno, best-seller do consagrado jornalista e escritor Ivan Angelo, em edição especial de 50 anos, traz a inovadora narrativa fragmentada sobre uma Festa em BH em 1970, com muitos personagens cujas vidas se entrelaçam com o passado, o presente e o futuro do Brasil. Obra seminal, essencial para tentar entender o Brasil que temos atualmente.

Union Distillery (Legado, 170 pág, R$ 120,00) traz a vitoriosa história da pioneira Union Distillery Maltwhisky do Brasil (1948), entrelaçada na imigração italiana no RS. Saberes centenários, inovação, persistência, trabalho e afeto marcam a trajetória dos sócios Marcello Borsato, Lidio Ziero e Luciano Borsato. Belíssimas fotos em cores, ilustrações e a evolução da logomarca estão na obra que mostra o sonho engarrafado realizado.

Mais 10 (quase) amores ou : eu seria romântica se não fosse o mundo (L&PM Editores, 136 pág, R$ 59.90), novo livro da publicitária e escritora Cláudia Tajes, tem novas histórias de Maria Ana, personagem de Dez (quase) amores (2000). Antes balzaca, agora quase cinquentona, segue se atrapalhando, mas agora com etarismo, objetificação feminina, sobrecarga de trabalho, crise no jornalismo e charlatanismo nas redes sociais.

Gre-Nais e Cia

Pensando bem, o Brasil e o RS poderiam ser menos grenalizados, mais unidos. Ao menos na política, na economia e no social. A gente fica aqui peleando entre nós e os de fora ficam se beneficiando. No futebol é meio difícil o fim da grenalização, mas, nessa pindaíba federal que andamos, camisa azul e vermelha, um time só, um estádio e um dirigente seria mais barato, e aí os "corrimãos" gaúchos unidos brigariam com os castelhanos , os de outros estados brasileiros e com os estrangeiros. Sonho louco, sei, mas pensei aí. Vou parar com esse papo que, senão, acabam me internando.


Nos Gre-Nais o Inter supera, com 166 vitórias. O ilustre "corrimão" tem 144 e empates são 144. Estatística favorável ao Inter, que tem muito a agradecer pela parceria do imortal mosqueteiro com sua elegante peninha. O Tricolor sempre valorizou, valoriza e valorizará nossas vitórias, mesmo contando por vezes com aqueles juízes azuis que dão uma forcinha. Obrigado, parceiro, por tudo, desculpe qualquer coisa. Ou muita coisa. Amigo oponente, tu nos inspira a novos feitos relevantes.


Meus primeiros Gre-Nais foram nos Eucaliptos. Ia a pé da Felipe Camarão, no Bom Fim Colorado, até lá. Carlos Gainete Filho, o Gainete, trocava "gentilezas" com o Alcindo. Ortunho na lateral esquerda era "meio" limitado, mas alto, forte e viril, dava uns encontrões e umas levantadas no Sapiranga, do Inter, que era magrinho, rápido e driblador na ponta.


Um dia a torcida vaiou o Gainete. Ele se estressou, foi até o alambrado e queria pular, para sair no braço, sozinho, contra a torcida toda. Ainda bem que o acalmaram, senão teríamos dezenas de torcedores no departamento médico.


Naqueles tempos queriam que Valdomiro fosse de volta para Criciúma. O técnico gordinho Daltro Menezes insistiu e o Valdoma foi o único imprescindível do Inter e o que mais colaborou.


No Beira-Rio, estádio mais lindo do mundo, templo sagrado da maior torcida do RS, os Gre-Nais passaram a ser de terno e gravata e o parceiro tricolor sempre foi bem recebido pelo Inter, o campeão de tudo, o único campeão nacional invicto depois de 1971. No Beira-Rio tem uma taça mundial de verdade, que todos podem apreciar, de graça, que o Inter é democrático, plural e generoso, sempre dividindo seus feitos com todos. O Inter não tem apenas um passado pela frente. Cabe lembrar dois fatos marcantes do passado de glórias.


No Gre-Nal 55, em 1938, Taça Martel, o Inter fez onze gols. O juiz Álvaro Silveira anulou 5. O presidente Meneghetti do Inter reclamou. O juiz disse "onze gols são demais para um Gre-Nal". A coisa já existia. Placar oficial ficou só nos 6 a 0, mas na memória afetiva e carinhosa o jogo sempre será o Gre-Nal dos 11 a 0.


Em 1956 o Inter, que já tinha pinta de seleção, foi a Seleção Brasileira. Oito jogadores do Inter vestindo a canarinho ganharam o Panamericano, no México, liderados por Teté, grande técnico colorado. Dos 14 gols da seleção, 12 foram de atletas do Inter. Odorico, Chinesinho, Oréco, Larry, Bodinho, Florindo e Luizinho brilharam.

A propósito

Muitas lembranças boas temos dos Gre-Nais, dessa cidade simpática de dois campeões do mundo, mas, recordando as décadas recentes, nós, colorados, temos que fazer justo e grande agradecimento e merecida homenagem ao torcedores do Grêmio pelo temor reverencial, respeito e admiração que sempre tiveram com El Gran Capitán Andrés D´Alessandro, que dava um upgrade geral nos jogos e oferecia a todos os torcedores ótimos espetáculos, auxiliando nas orientações técnicas, no comando do time, como jogador e contribuindo, com sugestões fundamentadas, para boasarbitragens. Gre-Nal é Gre-Nal, disse Ildo Meneghetti. Falei e disse, fui. Saudações esportivas. Gracias. 

Jaime Cimenti

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