quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Zucco evita se comprometer com gastos e renúncias

Cautela é a palavra que define a postura de Luciano Zucco, candidato do PL a governador, na sabatina da Rádio Gaúcha. Zucco evitou se comprometer com promessas como o fim da cobrança de contribuição previdenciária dos aposentados, que tiraria R$ 1 bilhão por ano do caixa do Estado. Disse que é "irresponsabilidade" prometer zerar a fila do SUS em um ano e se comprometeu a reduzi-la em 50% em quatro anos.

Crítico do programa Assistir, que tirou dinheiro de hospitais da Região Metropolitana para fortalecer os do Interior, o candidato não deixou claro como fará para contemplar as cidades da Grande Porto Alegre com mais dinheiro. Ao mesmo tempo, defendeu o uso intensivo e universal da telemedicina para evitar a chamada "ambulancioterapia", sem especificar qual seria o custo de contratar uma empresa com médicos suficientes para atender, por chamada de vídeo, os pacientes que precisam de atendimento especializado.

Nem mesmo em relação às escolas cívico-militares, sua bandeira mais conhecida, Zucco topou cravar um número. Exaltou o sucesso dessas escolas, baseado na disciplina, mas não quis dizer quantas serão implantadas no seu governo, nem qual o custo de transformar uma escola regular em cívico-militar.

Cuidadoso para não ser associado a Onyx Lorenzoni - então candidato do seu partido, que em 2022 não admitia conversar com o presidente Lula, se fosse eleito governador, e dizia que o vencedor seria Jair Bolsonaro - Zucco fez um discurso conciliador. Disse que não terá nenhum problema em dialogar com Lula e insistiu na união dos governadores para pressionar o governo federal pela renegociação das dívidas.

Também crítico do modelo de concessões do governo de Eduardo Leite, Zucco citou os leilões que fracassaram por falta de interessados. Prometeu usar R$ 3 bilhões do Funrigs em melhorias nas rodovias dos blocos 1 e 2 e só depois fazer a concessão, com pedágio mais barato. O modelo proposto por Leite previa repassar R$ 1,5 bilhão para cada uma das vencedoras dos blocos 1 e 2, para obras emergenciais, para reduzir o valor do pedágio, o que foi considerado muito alto pelo candidato. _

Como estratégia política, dá para entender a decisão do presidente Lula de não ir ao debate da TV Globo, onde

seria alvo de todos os adversários, mas é inaceitável um candidato ao quarto mandato fugir da raia na hora H.

Quem orientou os candidatos ao Piratini no debate da RBS TV

No debate mais importante do primeiro turno no Rio Grande do Sul, o da RBS TV, na noite de terça-feira, o candidato Gabriel Souza (MDB) levou um assessor de luxo para orientá- lo nos intervalos: o governador Eduardo Leite.

Durante o debate, Leite sentou-se na sala reservada aos assessores, junto a Cleber Benvegnú, que coordena o marketing de Luciano Zucco, Tiago Brum, publicitário da campanha de Juliana Brizola, e Zeca Honorato, que trabalha para Marcelo Maranata.

Nos intervalos, cada um fazia uma rápida avaliação do desempenho do seu candidato e orientava sobre os pontos que podiam ser melhorados. Leite saiu satisfeito com o desempenho de Gabriel, que teve poucas chances de interagir com Zucco e Juliana.

Os dois, que estão à frente em todas as pesquisas, repetiram a estratégia usada desde o primeiro confronto, de escolher um ao outro para debater, excluindo Gabriel e Maranata sempre que possível.

Nas poucas oportunidades que teve para escolher qualquer um, Gabriel optou por Juliana, de quem considera possível tirar votos para chegar ao segundo turno. Mesmo pressionada, a candidata do PDT não se desestabilizou, mas mostrou irritação quando Gabriel fez uma piadinha, dizendo que ela usa o PT como pantufa: é bom para usar em casa, mas não para sair à rua.

Nesse momento, Juliana disse que não estava no debate para gerar cortes para a internet, mas para discutir o futuro do Estado.

Zucco também tentou embretar Juliana, perguntando por que ela votou a favor das escolas cívico-militares e agora é contra. Ela respondeu que apoiou por achar que seria uma escola como o Colégio Tiradentes, mas descobriu que era muito diferente. _

Leite anuncia pagamento de 90% do 13º em novembro

Se não fosse o precedente dos anos anteriores, a medida seria chamada de eleitoreira, por ter sido anunciada às vésperas da eleição. O governador Eduardo Leite anunciou o pagamento de 90% do 13º salário dos servidores públicos no dia 3 de novembro. O restante será pago em 18 de dezembro.

No ano passado, o pagamento da gratificação natalina também ocorreu em novembro. No ano anterior, o pagamento foi antecipado para junho, por causa da enchente.

Em vídeo publicado nas redes sociais, celebrou o fato de que o governo do Estado "fechou cinco anos com o 13º pago em dia":

- Muito importante celebrarmos juntos essa grande conquista, em respeito aos nossos servidores que nos ajudam a entregar o serviço para a nossa população. Então, é isso, no dia 3 de novembro cai na conta já a primeira parte do 13º, 90% do valor para os nossos servidores.

Quando assumiu, em 2019, o salário e o 13º estavam atrasados. 

Zucco e Gabriel sobem o tom

Assim como ocorreu no debate da RBS TV, na noite de terça-feira, os candidatos Gabriel Souza (MDB) e Luciano Zucco (PL) discutiram em tom áspero no confronto da Rádio Guaíba. O motivo foi o mesmo: a cobrança por Zucco ter indicado a ex-secretária de Bem-Estar Animal de Canoas Paula Lopes, acusada de praticar eutanásia em massa.

Zucco chamou Gabriel de mentiroso e cobrou a apresentação de provas. O candidato do MDB citou as publicações da própria Paula nas redes sociais agradecendo a Zucco pela indicação. 

Nem candidatos do Novo apoiam Zema

Diante do baixo engajamento e da possibilidade de desistência ventilada nos últimos dias, a candidatura de Romeu Zema (Novo) à Presidência começou a perder aliados internos. Candidatos da sigla no RS estão abandonando a campanha de Zema, que não sai de 1% nas pesquisas eleitorais, e pedindo voto em Flávio Bolsonaro (PL).

Internamente, Zema diz que toparia abrir mão da candidatura caso houvesse um movimento em bloco ao redor de Flávio, com desistências de outros nomes da direita. Mas a chance de isso ocorrer a três dias do primeiro turno é muito remota. 

POLÍTICA E PODER 

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