sexta-feira, 2 de outubro de 2026

 02 DE OUTUBRO DE 2026
CARPINEJAR

Seu maior poder

Talvez você minimize: "é só um voto", "meu voto não mudará coisa alguma". Mas ninguém pode mandar nele. É seu maior poder. Uma autoridade concedida apenas na eleição.

Você será, por um dia, dono da empresa, dono do Brasil, dono do seu Estado. Vai definir quem merece um salário de 30 mil reais por mês para cima durante o mandato. Cederá o prêmio de uma loteria a uma só pessoa, possibilitando milhões de reais para ela no período. Estará admitindo todo o seu gabinete. Estará gerando empregos.

Não é pouca influência. Seu voto vale o mesmo que o daquele que ostenta fortunas, daquele que esnoba os pobres, daquele que se julga senhor do tempo. Todos temos igual peso e valor. Todos temos que aguardar na zona eleitoral. Todos temos que apresentar uma carteira de identificação. Ninguém tem regalias, ninguém tem mordomias.

É a única data em que os políticos dependem de você. Ajoelham-se na sua frente por uma chance. Abraçam. Comem junto. Conversam. São atenciosos e carentes, escutam as queixas. Passam na sua casa, entram na sua casa, prometem o que você sequer imaginou.

Pois não sabem o que você escolherá. Temem a sua sentença. Buscam decifrar, pelo seu rosto, se caminhará ao lado ou possui outra inclinação. Esperam que você anote os números, entenda a sequência: deputado federal, deputado estadual, dois senadores, governador e presidente da República.

Os candidatos - favoritos ou azarões - tateiam no escuro dos desejos, desprovidos de qualquer noção de que as pesquisas retratam a realidade ou não.

Quem é conhecido pode não ser confiável, quem é famoso pode não ser tolerado.

Quem acha que perdeu perde. Quem acha que ganhou perde. O pessimismo e a soberba se equivalem. Estatísticas não asseguram tranquilidade. A rejeição anda acompanhada da predileção, alternando-se a cada notícia, a cada comportamento.

Votos não vêm de acenos. Votos não vêm de sorrisos. Votos não vêm de tapinhas no ombro.

Os pretendentes aos cargos públicos encontram-se desesperados na reta final. Porque não há nenhuma certeza. Nem nas suas famílias são unânimes. Você pode apoiar um postulante e trocar de opinião na última hora, ou você pode nunca entregar a sua predisposição e dissimular a sua ideologia.

No fim, é você que decide. Respeite a sua potência. A boca de urna é siri. Seu momento ali é secreto. Seu momento ali é solitário. Não será visto digitando. Não há como fotografar a tela para provar as teclas.

Pode fazer o que quiser, sem pressão, sem cobrança, sem prestar satisfação. Então, opte por um nome de sua convicção. Um nome que considere a coerência da história, os projetos e sonhos viáveis. Que não seja mentiroso, egoísta e ególatra. Que se mostre acessível e não vire as costas depois de eleito.

Não vote por simpatia ou por fala bonita, vote em quem gosta de trabalhar duro como você. Não se abstenha. Não pense que você não vale nada. Não acredite em sua desimportância. Sua ausência acabará favorecendo os piores.

Se você for fantasma, fantasmas aparecerão.

Estará dando quatro anos para deputados, governador e presidente, ou oito anos para senadores. Quatro anos ou oito anos de seu orçamento, de sua segurança, de seu sustento, de como seu cotidiano será regido, de como seu lar sobreviverá a uma economia.

Estará dando a alguém quatro ou oito anos de sua própria vida. _

CARPINEJAR

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