quarta-feira, 13 de janeiro de 2016


13 de janeiro de 2016 | N° 18413 
MOISÉS MENDES

Os Coen x Tarantino


Aprendi com grandes jornalistas a ouvir os colegas para sedimentar posições e palpites. Faço consultas diariamente, em todas as áreas, do futebol à Lava-Jato, e assim calibro meus pontos de vista.

Dia desses, saí pela Redação fazendo uma pergunta, sem dar explicações: Tarantino ou irmãos Coen? É uma questão crucial do cinema hoje. Quem pedia explicações ficava de fora da consulta. E eu ia em frente, porque a pergunta deveria ser respondida de supetão.

Tarantino nunca levou tantas bofetadas como agora, com o faroeste Os Oito Odiados. Filmou duas horas de conversa fiada para resolver tudo na meia hora final. Sempre fez assim, mas nunca exagerou tanto. Só oito pessoas no Brasil, entre as quais minha colega Rafaela Ely, gostaram do novo Tarantino.

Como debater Tarantino está na moda, eu fiz a enquete. Ouvi pelo menos umas cinco vezes esta frase: mas claro que os irmãos Coen, toda vida. Ou isso: Tarantino é um deus.

Ouvi 32 colegas e deu irmãos Coen: 21 a 11. Um massacre. Até os tarantinistas juramentados estão confusos com o filme que o Daniel Feix considera o auge do Tarantino.

Os que gostam do filme alegam que Tarantino testou deliberadamente a nossa paciência, em três horas, o que pode fazer prever que o próximo filme pode ter quatro horas e, mais uma vez, Tarantino imitando Tarantino com uma sequência implacável de clichês.

O racista, o negro, o machista, o índio, o mexicano, o bandido que afinal parece mocinho, o mocinho que não consegue nem ser bandido, o bem diluído no mal, o mal diluído em sangue e uísque. O cinema de Tarantino está cada vez mais parecido com teatro de fim de ano no colégio.

Estou com os que escolheram os Coen. Os irmãos transformam tudo o que é estúpido em algo complexo. Fiz a pesquisa para provar ao Carlos André Moreira que esse é um confronto possível e que deve ser levado a sério.

O André deu de ombros, até que 11 pessoas formaram uma roda, atraídas pela questão Tarantino x irmãos Coen. Dois tarantinistas se exaltaram. Outros tentaram meter Woody Allen no jogo, sem entender que aquilo era briga de cachorro brabo.

Na semana que vem, vou querer saber o que a intuição dos colegas diz dessas novas delações do Cerveró. Numa, ele contou que o governo Fernando Henrique recebeu US$ 100 milhões de propina na compra de uma petroleira argentina. Na outra, disse que Lula pediu sua ajuda para quitar um empréstimo suspeito de R$ 12 milhões de um amigo.

A pergunta é esta: qual dos ex-presidentes será chamado para depor na Polícia Federal?

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