sexta-feira, 15 de agosto de 2008



15 de agosto de 2008
N° 15696 - PAULO SANT’ANA


Salto mortal na trave

Não noto muito entusiasmo no público telespectador pelas provas das Olimpíadas, embora alguns amigos meus me digam que passam a manhã inteira com os olhos grudados nas televisões assistindo aos jogos.

Não consigo entender o judô, por mais que me expliquem. Nunca vi nada mais sem graça. Cai um lutador derrubado pelo outro, mas o juiz não marca pontos para o derrubador. Não adianta, não entendo.

O que gosto mais é do atletismo, assim mesmo das provas de corridas, que aos meus olhos ainda não apareceram, devem começar hoje ou amanhã.

Também não vejo graça na natação, mas isso não é surpresa, as corridas de Fórmula-1 nunca me atraíram, igualmente com as corridas de turfe. Eu não sou muito ligado em páreos, com exceção das corridas atléticas.

Mas quando aparecem as ginásticas artísticas de solo, aquele tipo em que a nossa Daiane dos Santos destacou-se mundialmente, então fixo os meus olhos na competição e me deixo atrair.

No entanto, há uma modalidade da ginástica que deixa meus olhos deslumbrados: a da trave.

Se já o salto mortal de frente das ginastas sobre a trave me fascina, quando, no entanto, elas dão o salto mortal para trás, indo pousar seus pés na trave estreita, que deve medir cerca de 10 centímetros, então fico aturdido com a proeza extraordinária.

Já um salto mortal para trás na ginástica de solo carrega um atrativo de façanha, imaginem então um salto mortal para trás em cima da trave, quando o ginasta se arremessa a um vôo cego, sem poder ver onde seus pés irão pousar, tendo somente que calcular a extensão e direção do salto.

E à espera dos pés da ginasta está apenas uma trave de 10 centímetros de largura, uma destreza ímpar, um fato humano fabuloso. E a ginasta intenta o salto como se estivesse com os olhos vendados, num sentido de direção fantástico: quando seus pés vão cair sobre a trave, ela tem ainda que colocar um pé à frente e um atrás, pois os dois lado a lado não cabem na trave.

Que feito histórico!

Assim como no futebol, quando os grandes craques desse esporte nem percebem que estão começando a treinar nas peladas, aos seis, sete, oito anos de idade, as ginastas começam a ser adestradas na infância.

Um exercício como esse do salto mortal de costas sobre a trave deve levar uns 10 anos de treinamento, todos os dias, quase 4 mil dias de treinos, para depois brindar o mundo com o espetáculo de sua apresentação de magnífico equilíbrio.

Talvez só nos circos se veja algo igual, mas nos circos os ginastas são impulsionados por aparelhos, por trapézios, enquanto que na ginástica artística os atletas contam somente com seus corpos para catapultarem-se em direção aos seus alvos.

Também se pode ver, nos circos e outros espetáculos, animais estupendamente adestrados pelo instinto ou por inteligência inferior à dos homens, no entanto o tirocínio humano supera a destreza animal pela arte, pela estética, pela iniciativa nos exercícios, pelo improviso na criação, enquanto os animais obedecem apenas a seus adestradores na obediência das prescrições.

Aí também está a diferença entre o homem e o animal.

Nenhum comentário: