quinta-feira, 14 de agosto de 2008



14 de agosto de 2008
N° 15695 - PAULO SANT’ANA


Um crime horrendo

Uma tragédia de proporções dantescas explodiu ontem pela manhã na Região do Alto Uruguai. A pequena cidade de Erebango foi sacudida por três assassinatos e um suicídio que exterminaram uma família inteira.

O auxiliar de serviços gerais Alciomar José Rodighero, com 34 anos, matou sua ex-mulher, a jovem Fátima Salete dos Santos da Rosa, e logo depois, ainda usando um facão e um martelo, assassinou seu dois filhinhos, um menino de três anos e uma menina de um ano e meio. Depois enforcou-se.

Um massacre que encheu de sangue a casa onde a ex-mulher do assassino morava, e de compaixão com as vítimas toda a cidade.

Mais uma vez um homem dominado pelo ciúme por ter sido abandonado pela mulher se atira a uma loucura de vingança desproporcional.

E mais uma vez, como aconteceu anos atrás em Viamão, a revanche pelo abandono do ex-marido transpõe a vida da mulher que abandonou e vai atingir a existência de duas crianças isentas de qualquer participação na separação do casal.

Na página 61 desta edição de Zero Hora, está a fotografia dos dois irmãozinhos, tirada em tempos de paz do casal. Lindas crianças com risonho futuro destroçado pela desunião de seus pais.

Eu, dando atenção a essa tragédia e calculando a dor de suas três vítimas, cheguei a lamentar que a mãe assassinada não tivesse imaginado que seu ex-marido era capaz de tanto desvario. De alguma forma, pensei eu, ela tinha de ter levado em conta que seu ex-marido poderia levar a cabo esse macabro extermínio.

E cheguei a achar que por alguma forma ela poderia contornar a separação e evitar o desastre.

Tolos devaneios meus. Não há força deste mundo que detenha uma mulher que não quer mais saber de um homem.

E ao mesmo tempo não há força deste mundo que detenha um homem enciumado, que além da perda da mulher amada passe a imaginar que ela em seguida, bela como era a vítima assassinada de Erebango, pudesse pertencer a outro homem.

A dor da perda para outro homem é insuportável, calculo eu.

Mas até aí tudo bem, absurdamente se admite. Mas por que, depois de matar sua ex-mulher a faconaços, foi o assassino e suicida trucidar seu filhinho e sua filhinha a cruéis golpes de martelo em suas cabeças e corpos?

Por quê? Por quê? De que superpoder é investida uma tal mente transtornada a ponto de decretar que não só sua mulher não iria pertencer mais a outro, mas também seus dois filhos não iriam mais fazer a alegria de ninguém?

Ou será que a mente doentia do assassino-suicida quis poupar, com o ato insano do trucidamento das crianças, os seus dois filhinhos da desventura existencial de prosseguirem pela vida órfãos de seus pais?

A loucura desse homem foi tão grande, que eu chego a me possuir de delírios analíticos sobre seus atos.

Por quê? Por quê?

Este homem, visivelmente, para eliminar com tamanha crueldade três pessoas que ele amava, não estava no uso de sua próprias razões.

Ele estava tresloucado. E não tinha, quando destruiu a vida da mulher, dos filhos e a sua própria, enforcando-se, consciência do que estava fazendo.

Como tantos outros milhares de criminosos que são encarcerados merecem, em vez do castigo penal, um tratamento mental sério e talvez definitivo nos manicômios.

É triste e arriscado dizer, mas há que se concluir que não se trata de um culpado, mas sim de um doente.

Um culpado mataria só sua mulher, pouparia a vida de seus filhos e a sua própria.

Esse homem só destruiu, ele não poupou nada. Ele também não quis usufruir de nenhum lucro afetivo, tanto que se suicidou.

Ele e tantos outros assassinos são só doentes. A mente humana é repleta de doenças.

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